Sangue Quente – Isaac Marion

  •    Autor: Isaac Marion
  •    Editora: Leya Brasil
  •    Nº de Páginas: 252
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2011
  •    Título Original: Warm Bodies
  •    Tradutor: Cassius Medauar

   Avaliação: 8,0

R é um jovem vivendo uma crise existencial – ele é um zumbi. Perambula por uma América destruída pela guerra, colapso social e a fome voraz de seus companheiros mortos-vivos, mas ele busca mais do que sangue e cérebros. Ele consegue pronunciar apenas algumas sílabas, mas ele é profundo, cheio de pensamentos e saudade. Não tem recordações, nem identidade, nem pulso, mas ele tem sonhos. Após vivenciar as memórias de um adolescente enquanto devorava seu cérebro, R faz uma escolha inesperada, que começa com uma relação tensa, desajeitada e estranhamente doce com a namorada de sua vítima. Julie é uma explosão de cores na paisagem triste e cinzenta que envolve a “vida” de R e sua decisão de protegê-la irá transformar não só ele, mas também seus companheiros mortos-vivos, e talvez o mundo inteiro. Assustador, engraçado e surpreendentemente comovente, Sangue Quente fala sobre estar vivo, estando morto, e a tênue linha que os separa. 

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VOCÊ ESTÁ PRESTES A LER A RESENHA DE UM LIVRO QUE NÃO TEM CONTINUAÇÃO, AQUI, SEGURE MINHAS MÃOS, OLHE NOS MEUS OLHOS, EU JURO QUE É VERDADE.

Então, eu enrolei um bocado pra escrever essa resenha e foi por um motivo um tanto quanto estranho, admito. Eu estava esperando gostar menos do livro. Tipo, literalmente! Eu estava deixando o tempo passar pra ver se a empolgação diminuía, se o namoro acabava, se os defeitos apareciam, ou coisa assim. Deu e não deu certo.

Enxerguei aspectos negativos tanto na estória quanto na narrativa, mas continuo amando Sangue Quente. C’est la vie!

Vamos começar com um ponto talvez espinhoso pra muita gente: amor… zumbi. Pois é, então o cara está lá, todo cinza e coagulado e, sabe, podre, mas de repente ele começa a ter esses sentimentos! Logo que comecei a ler pensei seriamente a respeito: “Ok, vamos deixar bem claro. O livro tem essa óbvia pegada ‘sarcasticômica’, o que, só pra constar, eu amo de paixão, então talvez eu não deva levar isso muito em conta, mas também li Dearly, Departed e totalmente shippei o Bram e a Nora e aquilo totalmente deu certo… what the hell? Dane-se! Vamos lá ver no que vai dar!”

Então eu fui.

Conheça R, meu mais novo amigo-filósofo-zumbi, não necessariamente nessa ordem. Ele gosta de passear em escadas rolantes, tem um fraco por zumbis louras e talvez conserve o hábito pouco saudável de afanar pertences alheios entre um canibalismo e outro, mas até que é um cara decente. Pelo menos ele guarda um pouco de cérebro para dividir com seu melhor amigo, M.

Conheça Julie. Ok, Julie não é flor que se cheire. Mas e daí? Seu mais novo pretendente provavelmente cheira a geladeira quebrada por três dias, então tudo bem, decidi dar uma chance pra ela também. Com um pouco de paciência para as reais crises de aborrescência (nada daquela porcaria de adolescentes bizarramente maduros que temos no mercado hoje em dia, estou falando de adolescentes de verdade, com espinhas e ideias bem estupidas na cabeça) acho que você também vai gostar dela.

Talvez eu esteja sendo um pouco injusta com Julie e até meio superficial, mas mais que isso resultaria num spoiler mal, muito mal.

A razão para R ter sentimentos por Julie, especificamente, é facilmente explicada pelo fato de ele ter comido o cérebro do namorado dela e com isso ter flashs do que se passava na cabeça dele. Porém R é um zumbi inconformado, a natureza dos filósofos, e acredito que foi esse seu primeiro passo para uma nova existência, não se conformar por sequer lembrar o próprio nome.

O ponto de vista é extremamente limitado. Fica difícil saber o que aconteceu e o que está acontecendo nesse mundo pós-apocalipse zumbi porque a estória é toda contada por R. Isso é meio frustrante, as coisas relacionadas à causa da praga, a outros lugares além do cenário principal e até o que pode vir depois, tudo fica suspenso, com explicações vagas ou às vezes nem isso. Acredito que o autor poderia ter se esforçado um pouquinho mais e encaixado explicações ali no meio, ele menciona tantas outras coisas acontecendo paralelamente e depois não dá nem mais uma dica a respeito!

“Cadáveres adiados que procriam” Não sei se Isaac Marion conhece Ricardo Reis (aka Fernando Pessoa), mas não posso pensar em melhor estória para ilustrar essa frase e não me refiro exatamente a R e sua turma!

De amor puro e concreto a idealismos e surrealismos, Sangue Quente não é um livro para ser levado a sério pelos motivos convencionais. É a mensagem que ele passa, embrulhada em bom humor e ironias -de fazer qualquer um pensar a respeito- que deve ser absorvida e refletida. Mesmo uma tão simples.

Vou dar 8,0 porque, agora que enxerguei as falhas, se eu não as levasse em consideração na hora da nota elas ficariam bravas e viriam me assombrar a noite. Mas, só para o caso de você, leitor, estar imaginando, Sangue Quente é um dos meus livros favoritos.

P.S.: Que venha a modinha dos zumbis charmosos e suas fãs alucicrazys, nem ligo. Mentira, ligo sim, droga.

P.S.2: Vou dar uma pedrada no monitor do próximo que vier me dizer que Sangue Quente é Crepúsculo de zumbi. É sério.

P.S.3: Vocês deviam checar o trailer do filme que será lançado em 2013. R não é exatamente como o descrito no livro, mas é difícil ficar brava com esse grau de boniteza do Nicholas Hoult.

[edit] Fuck this shit. O autor confirmou que está trabalhando numa sequência, ainda sem título definido para Sangue Quente. Não sei se choro ou solto fogos de artifício!

xoxo e boa semana!

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Dearly, Departed – Lia Habel

  •     Autor: Lia Habel
  •    Editora: iD
  •    Nº de Páginas: 480
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Dearly, Departed
  •    Tradutor: Ana Luisa Astiz

   Avaliação: 8,0 (-2,0)

Ela é Nora Dearly, uma garota neovitoriana de 17 anos que sofre com a morte dos pais e vive infeliz aos cuidados da tia interesseira. Ele é Bram Griswold, um jovem soldado punk, corajoso, lindo nobre…e morto! No ano de 2187, em meio a uma violenta guerra entre vitorianos e punks, surge um perigoso vírus, capaz de matar e trazer novamente à vida. As pessoas tornam-se zumbis, mas nem todos são assassinos e devoradores de carne. Há os que lutam para que o vírus não se espalhe… Apenas Nora tem o poder da cura em suas mãos, ou melhor, em, seu sangue. Ela não sabe disso, e corre perigo. É papel de Bram protegê-la…

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Só me toquei mesmo que Dearly, Departed é um distópico quando estava pra começar a resenha. Apesar da falsa utopia da sociedade neovitoriana o clima não é o mesmo das outras conhecidas distopias. Esse livro também é steampunk, mas dá tão pouco destaque às características engenhocas desse grupo-gênero-tipo que só lembrei quando reli a contracapa.

Dearly, Departed parece mesmo é um faroeste com zumbis, muitos zumbis.

E a melhor parte do livro não é o conflito punks vs neovitorianos, ou a medicina pró não-vivos, nem a vida militar pouco convencional da Base Z.

Estou falando do l’amour!

Ah, o amor…

Fiquei completamente apaixonada pela redoma criada por Bram e Nora para eles mesmos no meio de todas as esquisitices daquele mundo de 2187! Quem diria, heim? Logo eu, que a pouco menos de um ano atrás, estava aqui mesmo dizendo o quanto os mortos-vivos são horripilantes e desprezíveis e que deveríamos passar a fogo qualquer um que avistássemos. Logo eu, torcendo pelo romance de uma garota com um cara… podre!

O mundo dá suas voltas.

Ok, podre foi figura de linguagem. Como diria o próprio Dra. Chase:

“-A cibernética proporciona uma melhor qualidade de vida pós-morte.” Pág. 172

“Ma che?”

Certo, explico: a ciência moderna, liderada pelo famoso Dr. Dearly, pode manter os corpos dos tais não-vivos quase que em perfeito estado. Contanto que eles não abusem e saiam por ai desgastando as juntas à toa, podem ter uma vida quase que normal, considerando as circunstâncias.

Claro, existem os zumbis tradicionais, do tipo que geme e te quer pro almoço, mas quem (que não esteja com o braço sendo mastigado por um desses) liga?!! Tem caras mortos, usando válvulas e bombas para manter o corpo reanimado funcionando! E eles são hilários!!

Lia Habel mostrou em Dearly que tem uma habilidade que faria muitos autores consagrados darem seus primogênitos às fadas por algo parecido. Diálogos ÓTIMOS, do tipo que você pode escutar os personagens falando! Pode até parecer meio bobo, mas deixa a estória muito mais empolgante e real!

Como nem tudo são flores, infelizmente a tradução/revisão foi uma verdadeira decepção! Por isso os -2,0 da nota, não acho justo pagarmos caro por livros com traduções que nos lembram aquele programa online ou revisões desleixadas. Se o livro não tivesse todos os erros que encontrei a leitura teria sido bem mais proveitosa!

De qualquer forma, ainda estou tentando me acostumar à parte em que me apaixonei pelo mocinho quase-podre!

“Usei um pouco da minha voz de ‘zumbi apavorante’, com um ligeiro toque de morte-bate-à-porta. Foi o suficiente para que ele me levasse a sério.” Pág. 104

E depois dizem que sutileza é tudo! Gosto da natureza eficiente de Bram, que pode ser fruto da vida militar, mas que o ajuda a ser um bom líder e até lidar com Nora quando está sendo chata de propósito (ela consegue ser muito chata quando quer). A garota pode ser bastante impetuosa, mas é uma boa pessoa, e se esforça do seu jeito para conquistar o Bram.

Mas não se preocupe, pessoa-que-não-está-nem-ai-pro-romance, essa foi só a parte eu mais gostei. Dearly, Departed tem muita ação, aventura e várias situações… tensas. Estou contando os dias para 25 de Setembro, quando Dearly, Beloved será lançado lá fora e poderemos saber o que vai acontecer depois do… bem, do que aconteceu no final!

xoxo e boa semana!

BTW, uma trilha sonora? Flogging Molly!

Posso sugerir outra? Dropkick Murphys – Johnny, I Hardly Knew Ya

xoxo e boa semana!

The Walking Dead, fim da 2ª temporada.

Hey pretties! Essa semana tivemos dois super season finales para chafurdar: Pretty Little Liars e The Walking Dead. Preciso muito falar do segundo com vocês.

Atenção: Esse post contém conteúdo inapropriado para telespectadores desatualizados. Se não se sentir confortável com a ideia clique aqui.

O Ministério dos Blogueiros adverte.

Domingo, o episódio Beside the Dying Fire, da série milionária The Walking Dead, foi ao ar. Tudo muito tranquilo, aconteceu quase nada, os zumbis nem chegaram perto da fazenda e ninguém morreu… só que ao contrário.

Querem o vídeo promo dele?

OLHA PRA TRÁS, RICK!!!!!! PELOAMORDEDEUS, OLHA PRA TRÁS!!

A primeira questão que salta da tela: De quem é o helicóptero que aparece logo no começo do episódio? (E que já havia aparecido lá atrás na primeira temporada) Não é barato botar um daqueles no ar, quem quer que seja seu dono tem combustível de sobra. Seria o governo? Mas se é o governo, por que eles não se pronunciam? Por que não ajudam as pobres almas sobreviventes correndo por ai? POR QUE??

Segundo ponto: zumbis migrando? Ou estavam apenas num modo automático? Eles estão ficando mais inteligentes? Olha, se sim, f***u.

A fuga da fazenda serviu principalmente para vermos em que ponto os personagens estão. Obviamente a tensão foi constante desde o primeiro capitulo, mas essa situação era diferente. Todos já estavam saturados de traumas e todos estavam nos limites da sanidade. Naquele clima de ‘cada um por si’ do ataque da fazenda, as pessoas que realmente se importavam com o grupo apareceram. E foi uma grande surpresa.

Quem imaginava que a Andrea ia botar o dela na reta para salvar Carol, ela podia ter continuado segura e bonitinha dentro do carro, mas não. Enquanto a maioria virou fumaça assim que os primeiros walkers chegaram perto demais, ela saiu para ajudar. O que foi isso? São Dale operando milagres do além-túmulo, na minha opinião.

Falando da Carol, aquela tetéia, ela quase fez o impossível. No último episódio praticamente conseguiu roubar da Lori o posto de megera odiosa da série. Como? Fazendo tudo aquilo o que ela condenou antes: insistindo para que a Lori deixasse Carl, largando Andrea sem nem olhar pra trás, incitando Daryl (sou team Daryl desde pequenininha) a cair fora com ela, questionando os esforços de Rick… Não que Carol não tenha motivos para estar abalada, mas de todos os personagens, foi ela quem recebeu mais ajuda do grupo. Daí ela decide que é hora de mandar todos pro espaço? Parabéns Carol, contamos com você.

Mas seria injusto com Lori, afinal ela se esforçou tanto pra manter esse posto, né? Só porque, no último episódio, seu show pela morte de Shane não chegou aos pés do ‘Do something!’ da Carol, ela não iria levar essa pra casa?? Não! Nós reconhecemos seu valor, querida!

Lori, onde está o Carl?

Quando os sobreviventes conseguem fugir do ataque, vem a hora do balanço geral. Patricia e Jimmy não conseguiram escapar, o que não é exatamente surpresa, eles não tem papéis expressivos na série (eu imaginei que T-Dog também fosse dessa pra melhor pelo mesmo motivo…). A parte critica é saber que perderam a fazenda. Depois de tanto tempo desfrutando de uma falsa comodidade, serem lançados de volta à estrada, sem provisões, abrigo e combustível tem efeito imediato. Todo mundo go crazy!

Começam as brigas, o Rick revela seu segredo, Lori faz mimimi, Carol dá uma revoltada… e enquanto isso, minha mente gritava uma coisa só:

O QUE ACONTECEU COM A ANDREA?

Ela correu, ela correu por um dia inteirinho!

Me deu um aperto na garganta ver o desespero dela. Só de olhar pra cena você já sabe que a coitada não tem a MINIMA chance, os walkers simplesmente não param de persegui-la.

Dai eu me conformei, né? Já mataram o Dale, não custa matarem a Andrea também. Quem vai ser o próximo? Daryl?! E dep… Ih, espera, olha lá, parece que ela vai conseguir, são só mais três zumbis. Pegou um.

Pegou outro! Vai garota!! NÃO, caiu no chão, desarmada, lógico. Não quero olhar, ele vai comer o braço dela!!! Ahhh! ELE VAI COMER O BRAÇO DELA!!!!!

AHHHH!!!!!

 Ma che?? Andrea foi salva! Por Michonne!! Até eu que nunca li as HQs de Walking Dead sei que Michonne é uma das personagens mais fantásticas da trama! E agora? Elas vão se juntar? Michonne vai matar Andrea? Andrea vai matar Michonne?? Elas vão matar todos os zumbis??

Ufa.

Emoção demais em curto espaço de tempo. Mas não acabou. Rick finalmente cansa de ser bonzinho. Cansa de se virar em quatro para resolver os problemas de todo mundo e ainda ser malhado por isso. Ele deixa bem claro que quem quiser cair fora, que vá, boa sorte lá fora, mande um cartão postal. É um passo grande, porém muito necessário, sem disciplina o grupo não sobreviveria dois dias e ninguém sabe o que realmente vem por aí. Estava sentindo falta de uma atitude dessas lá atrás, depois do incidente com o celeiro, ou até antes, mas antes tarde do que nunca, certo?

É isso aí, Rick! Mostra pra eles quem manda!

Well, a terceira temporada vai ao ar em Outubro desse ano, sem dia certo ainda. Com certeza será uma das estreias mais aguardadas do semestre! Enquanto isso vamos debater um pouco, defender o Rick, comentar as melhores quotes, falar mal da Lori, tentar adivinhar o que está nos esperando e trocar figurinhas!

Até lá!

xoxo

Para saber mais sobre The Walking Dead, confira a resenha do livro A Ascensão do Governador, título da Galera Record, escrito pelo autor das séries HQ e televisiva, Robert Kirkman. É só clicar na imagem.

The Walking Dead (Livro e Série de TV)

  •   Autor: Robert Kirkman & Jay Bonasinga
  •    Editora: Record
  •    Nº de Páginas: 361
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: The Walking Dead: Rise of the Governor
  •    Tradutor: Gabriel Zide Neto
  •    Avaliação: 8,0
No universo de The Walking Dead não existe vilão maior do que o Governador, o déspota que comanda a cidade de Woodbury. Eleito pela revista americana Wizard como “Vilão do ano”, ele é o personagem mais controvertido em um mundo dominado por mortos-vivos. Neste romance os fãs irão descobrir como ele se tornou esse homem e qual a origem de suas atitudes extremas. Para isso, é preciso conhecer a história de Phillip Blake, sua filha Penny e seu irmão Brian que, com outros dois amigos, irão cruzar cidades desoladas pelo apocalipse zumbi em busca da salvação. Originalmente, The Walking Dead é uma série de quadrinhos publicada desde 2003 e vencedora do Eisner Award. Em 2010, os quadrinhos foram adaptados para o seriado homônimo The Walking Dead já bateu diversos recordes de audiência nos Estados Unidos e foi finalista em várias categorias no 68º Golden Globe Awards, incluindo Melhor Série Dramática de TV. 
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Nunca havia ouvido falar do universo The Walking Dead. Juro. Daí, como vi que esse livro serve como prequel para os quadrinhos e série de TV, preferi continuar na santa ignorância, para poder aproveitar o máximo de surpresas possíveis.

Deu certo.

Aliás, deu mais que certo.

Eu simplesmente não consegui dormir depois. Apagar a luz do quarto então? Há, só na próxima encarnação.

“Agora me lembro, blogueira, você tem medo de zumbi, né? Então pra que? Pra que você foi ler esse livro??”

Boa pergunta. Ótima na verdade, deve ser como aquele fiapo solto na blusa, que você puxa um tiquinho e se arrepende na hora, pois está desfiando a blusa inteira. Mas quem disse que consegue parar?

Ler um livro de zumbi foi mais ou menos isso. E rendeu, porque já assisti todos os episódios lançados da série logo após a leitura. (Já, já, falo disso.)

O grande ponto de The Walking Dead – A Ascensão do Governador não é toda a ação, a matança, as tripas, os miolos e o sangue + sangue + sangue², é o efeito que todo esse horror tem sobre as pessoas comuns.

Você, nerdão metido a valente, que acha legal um apocalipse zumbi e que imagina que vai ser super irado sair por ai chutando traseiros apodrecidos, pense duas vezes. A chance desse traseiro ser de alguém que você ama é enorme. Na verdade, provavelmente é o seu traseiro zumbificado que vai ser chutado, é só um toque…

Escapar dos mortos-vivos não é nenhum piquenique no parque, e só de ver todo o esforço que Phillip faz para manter sua filhinha, seu irmão e seu amigo de infância seguros dá na gente uma vontade de sair estocando mantimentos, remédios e armas em casa, porque, vai que, né…

Ainda assim, eles são obrigados a presenciar todo tipo de atrocidade, bem como faze-las. Matar o que um dia foi humano, saber que, o-que-um-dia-foi-humano, quer te almoçar, lutar por comida e passar fome do mesmo jeito, ver quem você ama se afundando num buraco de desesperança… A partir de certo ponto eu meio que desejei que todos os personagens morressem de uma vez! A angústia era tanta, eu via o tamanho do poço em que eles estavam metidos, a loucura sem saída, tudo aquilo quase me fez largar o livro e sair correndo.

Odiei, me fez passar mal. Me viciou completamente.

Depois de terminar o livro foi que percebi, tudo aquilo estava acontecendo para moldar o caráter de um homem bom. Para transformá-lo em algo sem sentimentos, que seria capaz de tudo.

Isso despertou uma certa curiosidade em mim, fiquei imaginando o que as pessoas em geral, fariam numa situação dessas. No livro nós acompanhamos os quatro protagonistas e estamos tão no escuro quanto eles, por isso fui atrás da tão falada série de TV.

The Walking Dead, do mesmo produtor de Exterminador do Futuro, é de certa forma mais leve que o livro, eu mais chorei do que me assustei assistindo. E olha que a maquiagem é perfeita, acreditem! Mas falta algo que a deixe tão visceral quanto o livro. De certa forma isso é bom, provavelmente eles perderiam muita audiência fazendo de outra forma.

O protagonista é Rick Grimes, um policial que acorda depois do coma, no meio da muvuca. Imagina que bacana: num momento você está lá, todo homem-da-lei, tomando um tiro, indo pro hospital, seeem problemas, ossos do oficio… No outro, você está sozinho num hospital cheio de cadáveres mastigados e uma porta lacrada com os dizeres: “não abra, mortos dentro”. Beleza, você sai do hospital anda um pouco e, opa, cadê todo mundo? Tudo está tão abandonado, ah não, ali ao longe está um bom cidadão! “Senhor, senhor.! Hey, você poderia me ajud…”

Você não termina a frase porque, sabe, o bom cidadão está rosnando pra ti, com metade da cara atropelada e aquele cheiro de gorgonzola fora da geladeira…

Enfim, gostei muito da série, são bem mais protagonistas que no livro, mais personalidades e todo tipo de conflito interno e externo que posso imaginar, com o catalizador do apocalipse zumbi. Recomendo.

“The sun ain’t gonna shine anymooooore”

Continuo tendo pavor de mortos-vivos, mas já me sinto mais preparada para um possível ataque.

Xoxo

P.S.: Talvez ter um porão fortificado e energia solar não seja assim uma má idéia…