10x Insonia, Livros Para Tirar o Sono Nesse Inverno

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Ler espirrando com pólen é um desafio. Ler na praia é interessante. Ler com brisa fresca e folhas caindo é agradável.

Mas nada supera ler debaixo das cobertas, com uma xícara de café (ou chá, ou chocolate, ou leite, ou cerveja amanteigada) do lado. NADA.

E isso vem de uma pessoa que já experimentou todas as formas de leitura acima… então achei digno separar alguns livros especiais para vocês entrarem no clima lerigo, lerigooo comigo 🙂

Bora, se ajeitar e aproveitar essas leituras?

 

A_VIDA_EM_TONS_DE_CINZA_1332494566BA Vida em Tons de Cinza – Ruta Sepetys (resenha aqui)

Esse livro realmente deveria ser ensinado nas escolas.

1941. A União Soviética anexa os países bálticos. Desde então, a história de horror vivida por aqueles povos raras vezes foi contada.
Aos 15 anos, Lina Vilkas vê seu sonho de estudar artes e sua liberdade serem brutalmente ceifados. Filha de um professor universitário lituano, ela é deportada com a mãe e o irmão para um campo de trabalho forçado na Sibéria.
Lá, passam fome, enfrentam doenças, são humilhados e violentados. Mas a família de Lina se mostra mais forte do que tudo isso. Sua mãe, que sabe falar russo, se revela uma grande líder, sempre demonstrando uma infinita compaixão por todos e conseguindo fazer com que as pessoas trabalhem em equipe.
No entanto, aquele ainda não seria seu destino final. Mais tarde, Lina e sua família, assim como muitas outras pessoas com quem estabeleceram laços estreitos, são mandadas, literalmente, para o fim do mundo: um lugar perdido no Círculo Polar Ártico, onde o frio é implacável, a noite dura 180 dias e o amor e a esperança talvez não sejam suficientes para mantê-los vivos.
A vida em tons de cinza conta, a partir da visão de poucos personagens, a dura realidade enfrentada por milhões de pessoas durante o domínio de Stalin. Ruta Sepetys revela a história de um povo que foi anulado e que, por 50 anos, teve que se manter em silêncio, sob a ameaça de terríveis represálias.

 

SNOW_LIKE_ASHES_1393119471BSnow Like Ashes (Neve e Cinzas) – Sara Raasch (resenha aqui também)

Que estação melhor para acompanhar a saga dos inverninos?

Dezesseis anos atrás o Reino de Inverno foi conquistado e seus cidadãos, escravizados, sem família real e sem magia. A única esperança de liberdade para o povo do reino jaz nos oito sobreviventes que conseguiram escapar, e que seguem esperando uma oportunidade para recuperar a magia de Inverno e reconstruir o reino. Meira, uma órfã desde a derrota de Inverno, passou a vida inteira como refugiada, criada por Senhor, o general dos inverninos. Treinando para se tornar uma guerreira — e desesperadamente apaixonada pelo melhor amigo e futuro rei, Mather —, Meira faria qualquer coisa para ajudar o Reino de Inverno a retomar seu poder. Então, quando espiões descobrem a localização de um medalhão antigo capaz de devolver a magia ao reino, Meira decide ela mesma encontrá-lo. Finalmente ela está escalando torres e lutando contra soldados inimigos como sempre sonhou. Mas a missão não sai como planejado, e logo Meira se vê mergulhada em um mundo de magia maligna e poderosos perigosos. De repente, ela percebe que seu destino não está, e nunca esteve, em suas mãos. A estreia de Sara Raasch é uma fantasia cheia de ação sobre lealdade, amor e a capacidade de determinar o próprio destino.

 

 

O_CAVALEIRO_DE_BRONZE_1378512233BO Cavaleiro de Bronze – Paullina Simons

Russia. No inverno.

A Segunda Guerra Mundial ainda não havia alcançado a cidade de Leningrado, onde as duas irmãs Tatiana e Dasha Metanova viviam, dividindo um pequeno cômodo com seu irmão, seus pais e avós.
Tudo muda quando as tropas de Hitler atacam a União Soviética e ameaçam invadir a grande, mas decadente, cidade. Fome, desespero e medo tomam conta de Leningrado, durante o terrível inverno no qual a cidade foi submetida ao cerco alemão.
No entanto, a luz do amor é sempre capaz de iluminar a mais profunda escuridão. Tatiana conhece Alexander, um jovem e corajoso oficial do Exército Vermelho. O rapaz, forte, confiante e guardando um passado misterioso e problemático, e sente-se atraído por Tatiana—e ela por ele.
O amor impossível de Tatiana e Alexander ameaça agora dividir a família Metanova. E que segredo é esse que se esconde no passado do soldado, tão devastador quanto a própria guerra?

 

 

BELEZAS_PERIGOSAS_1257635681BGemma Doyle – Libba Bray (especial sobre a trilogia aqui)

É extramamente satisfatório me enroscar num canto com um cobertorzinho, chá e um livro da Libba Bray na mão.

Após assistir à morte de sua mãe duplamente – numa visão perturbadora que logo se confirma real – no dia do seu aniversário, em uma tarde quente e agitada em Bombaim, Gemma é mandada para Londres, onde o irmão se encarrega de matriculá-la na tradicional escola Spence para moças. Sob o lema “graça, charme e beleza”, Spence, guarda, no entanto, em seu bosque, onde às vezes aparecem ciganos, sua capela, seus recantos secretos, mistérios que farão com que Gemma entre em contato com seu dom (ou seria uma maldição?) de forma cada vez mais intensa. O jovem Kartik bem que tenta ajudá-la a lidar com suas visões e alertá-la para os perigos de se envolver numa antiga e nebulosa história, mas Gemma não é do tipo que se deixa paralisar pelo medo. E encontra em Felicity e Pippa, duas das meninas mais invejadas do colégio, e até mesmo na humilde Ann, o impulso necessário para enfrentar seus próprios fantasmas.

Conheça Gemma Doyle e deixe-se levar pelas “Belezas Perigosas” escondidas no coração e na mente dessa personagem encantadora. Depois de virada a primeira página, impossível não se envolver com sua história de vida e morte, luz e sombra, alegria e tristeza, coragem e medo, amor e ódio, que, afinal, é um pouco como a história de todos nós, mas enriquecida com a imaginação brilhante e o talento narrativo de Libba Bray.

 

HARRY_POTTER_E_A_PEDRA_FILOSOFAL_1389761588BHarry Potter – J. K. Deusa Rowling

Não consigo pensar em Harry e não me imaginar tomando uma boa xicara de chá enquanto assisto a neve cair no pátio da escola.

Conheça Harry, filho de Tiago e Lílian Potter, feiticeiros que foram assassinados por um poderosíssimo bruxo, quando ele ainda era um bebê. Com isso, o menino acaba sendo levado para a casa dos tios que nada tinham a ver com o sobrenatural pelo contrário. Até os 10 anos, Harry foi uma espécie de gata borralheira: maltratado pelos tios, herdava roupas velhas do primo gorducho, tinha óculos remendados e era tratado como um estorvo. No dia de seu aniversário de 11 anos, entretanto, ele parece deslizar por um buraco sem fundo, como o de Alice no país das maravilhas, que o conduz a um mundo mágico. Descobre sua verdadeira história e seu destino: ser um aprendiz de feiticeiro até o dia em que terá que enfrentar a pior força do mal, o homem que assassinou seus pais, o terrível Lorde das Trevas.

O menino de olhos verdes, magricela e desengonçado, tão habituado à rejeição, descobre, também, que é um herói no universo dos magos. Potter fica sabendo que é a única pessoa a ter sobrevivido a um ataque do tal bruxo do mal e essa é a causa da marca em forma de raio que ele carrega na testa. Ele não é um garoto qualquer, ele sequer é um feiticeiro qualquer; ele é Harry Potter, símbolo de poder, resistência e um líder natural entre os sobrenaturais.

 

SOMBRA_E_OSSOS_1371825137BSombra e Ossos – Leigh Bardugo (resenha aqui)

Porque sempre é tempo de ler Leigh Bardugo

Alina Starkov nunca esperou muito da vida. Órfã de guerra, ela tem uma única certeza: o apoio de seu melhor amigo, Maly, e sua inconveniente paixão por ele. Cartógrafa de seu regimento militar, em uma das expedições que precisa fazer à Dobra das Sombras – uma faixa anômala de escuridão repleta dos temíveis predadores volcras –, Alina vê Maly ser atacado pelos monstros e ficar brutalmente ferido. Seu instinto a leva a protegê-lo, quando inesperadamente ela vê revelado um poder latente que nunca suspeitou ter.
A partir disso, é arrancada de seu mundo conhecido e levada da corte real para ser treinada como um dos Grishas, a elite mágica liderada pelo misterioso Darkling. Com o extraordinário poder de Alina em seu arsenal, ele acredita que poderá finalmente destruir a Dobra das Sombras.
Agora, ela terá de dominar e aprimorar seu dom especial e de algum modo adaptar-se à sua nova vida sem Maly. Mas nesse extravagante mundo nada é o que parece. As sombrias ameaças ao reino crescem cada vez mais, assim como a atração de Alina pelo Darkling, e ela acabará descobrindo um segredo que poderá dividir seu coração – e seu mundo – em dois. E isso pode determinar sua ruína ou seu triunfo.

LIGEIRAMENTE_CASADOS_1409953442BLigeiramente Casados – Mary Balogh (tem resenha também)

Nada como um bom romance de época pra te esquentar no friozinho.

À beira da morte, o capitão Percival Morris fez um último pedido a seu oficial superior: que ele levasse a notícia de seu falecimento a sua irmã e que a protegesse “Custe o que custar!”. Quando o honrado coronel lorde Aidan Bedwyn chega ao Solar Ringwood para cumprir sua promessa, encontra uma propriedade próspera, administrada por Eve, uma jovem generosa e independente que não quer a proteção de homem nenhum.

Porém Aidan descobre que, por causa da morte prematura do irmão, Eve perderá sua fortuna e será despejada, junto com todas as pessoas que dependem dela… a menos que cumpra uma condição deixada no testamento do pai: casar-se antes do primeiro aniversário da morte dele o que acontecerá em quatro dias.

Fiel à sua promessa, o lorde propõe um casamento de conveniência para que a jovem mantenha sua herança. Após a cerimônia, ela poderá voltar para sua vida no campo e ele, para sua carreira militar.

Só que o duque de Bewcastle, irmão mais velho do coronel, descobre que Aidan se casou e exige que a nova Bedwyn seja devidamente apresentada à rainha. Então os poucos dias em que ficariam juntos se transformam em semanas, até que eles começam a imaginar como seria não estarem apenas ligeiramente casados…

 

ANJO_MECANICO_1327640284BAnjo Mecânico Londres – Cassandra Clare (eis a resenha)

Não sei você, mas  só de pensar em Londres já sinto um friozinho.

Tessa Gray tem um anjinho mecânico pendurado no pescoço, um presente de família do qual nunca se separa. O tique-taque do pingente faz com que ela se sinta segura junto à lembrança dos pais, que já morreram. Mal sabe Tessa que esse barulhinho muito em breve vai se tornar o odioso som de um exército comandado por forças do Submundo. Com os Caçadores de Sombras e seu recém-descoberto poder sobrenatural, ela enfrentará uma guerra mortal entre os Nephilim e as máquinas do Magistrado, o novo comandante das trevas na Londres vitoriana

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Jogos Vorazes -Suzanne Collins (resenha da rerreleitura aqui)

O que melhor para te aquecer do que ação, ação, ação e mais ação de tirar o folego e não desgrudar os olhos das páginas?

Constituída por uma suntuosa Capital cercada de 12 distritos periféricos, a nação de Panem se ergueu após a destruição dos Estados Unidos. Como represália por um levante contra a Capital, a cada ano os distritos são forçados a enviar um menino e uma menina entre 12 e 18 anos para participar dos Jogos Vorazes. As regras são simples: os 24 tributos, como são chamados os jovens, são levados a uma gigantesca arena e devem lutar entre si até só restar um sobrevivente. O vitorioso, além da glória, leva grandes vantagens para o seu distrito.

Quando Katniss Everdeen, de 16 anos, decide participar dos Jogos Vorazes para poupar a irmã mais nova, causando grande comoção no país, ela sabe que essa pode ser a sua sentença de morte. Mas a jovem usa toda a sua habilidade de caça e sobrevivência ao ar livre para se manter viva. As reviravoltas do jogo e as dificuldades enfrentadas pela protagonista levam os leitores a sofrer junto com ela, enquanto descobrem um pouco sobre seu passado e seu relacionamento com Peeta Mellark, o outro tributo enviado pelo Distrito 12 para lutar nos Jogos Vorazes.

Inspirada pelo mito grego de Teseu e o Minotauro e bebendo nas melhores fontes da ficção científica, Suzanne Collins faz uma dura crítica à sociedade do espetáculo atual e prende a atenção do leitor da primeira à última página com um romance envolvente e perturbador.

 

CALAFRIO_1374934808BCalafrio – Maggie Stiefvater

É só ler essa sinopse e você será consumido pelo espírito do inverno.

Quando chega o inverno, Grace é atraída pela presença familiar dos lobos que vivem no bosque atrás de sua casa. Ela espera ansiosamente pelo frio desde que fitou pela primeira vez os profundos olhos amarelos de um dos lobos e sobreviveu ao ataque de uma alcateia. Esses mesmos olhos brilhantes ela encontraria mais tarde em Sam, um rapaz que cresceu vivendo duas vidas – uma normal, sob o sol, e outra no inverno, quando vestia a pele do animal feroz que, certa vez, encontrou aquela garota sem medo. Tudo o que Sam deseja é que Grace o reconheça em sua forma humana, e para isso bastaria que trocassem um único olhar. Mas o tempo de Sam está acabando. Ele não sabe até quando manterá a dupla aparência e quando se tornará um lobo para sempre. Enquanto buscam uma maneira de para torná-lo humano para sempre, têm de enfrentar a incompreensão da cidade, que vê nos lobos um perigo a ser combatido.

E vocês, quais suas leituras pros meses de frio?

Xoxo e bom fds

 

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A Esperança – Suzanne Collins

  •    Autor: Suzanne Collins
  •    Editora: Rocco
  •    Nº de Páginas: 424
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2011
  •    Título Original: Mockingjay
  •    Tradutor: Alexandre D’Elia
  •    Avaliação: 10,0
Depois de sobreviver duas vezes à crueldade de uma arena projetada para destruí-la, Katniss acreditava que não precisaria mais de lutar. Mas as regras do jogo mudaram: com a chegada dos rebeldes do lendário Distrito 13, enfim é possível organizar uma resistência. Começou a revolução.
A coragem de Katniss nos jogos fez nascer a esperança em um país disposto a fazer de tudo para se livrar da opressão. E agora, contra a própria vontade, ela precisa assumir seu lugar como símbolo da causa rebelde. Ela precisa virar o Tordo.
O sucesso da revolução dependerá de Katniss aceitar ou não essa responsabilidade. Será que vale a pena colocar sua família em risco novamente? Será que as vidas de Peeta e Gale serão os tributos exigidos nessa nova guerra?
Acompanhe Katniss até o fim do thriller, numa jornada ao lado mais obscuro da alma humana, em uma luta contra a opressão e a favor da esperança.
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Quero deixar claro que esse resenha contém spoilers por todo lado, se você ainda não leu A Esperança provavelmente vai querer parar depois do gif do Peetalicious.

Ok, vamos lá.

É tremendamente problemático resenhar esse livro, sua leitura é uma verdadeira enxurrada emocional e meio que fico com medo de falar mais ‘bobrinhas do que de costume.

Então, vou começar por um fato básico.

A Esperança merece uma 2ª leitura.

Segundo fato básico: eu concordo inteiramente com tudo o que a Collins fez desse livro. Desde o rumo que a estória tomou, até o fim de cada personagem.

Não há mais Distrito 12, mas há o 13.

A Katniss está com os rebeldes agora. Ou melhor dizendo: os rebeldes estão com a Katniss. Ela anda num estado letárgico, digerindo cada um dos acontecimentos da Arena, nem sempre da melhor maneira. Ver Peeta bem em poder da Capital foi o interruptor necessário para que ela assumisse as asas do Tordo, mas, obviamente, o desafio só está começando.

Primeiro porque nem com toda a maquiagem, iluminação e produção do mundo, nem com o uniforme mais incrível de Cinna, Katniss simplesmente não prestava para as câmeras! A razão de ter sobrevivido tanto tempo em frente a elas, claramente, fora Peeta. Ela podia cuidar de seus ferimentos e garantir sua proteção, mas era Peeta quem cativava as câmeras. Vamos combinar que se, além de tudo, o garoto fosse um guerreiro, seria pura covardia com a humanidade…

“I’m Peeta and you know it”  Google it.

A solução foi jogá-la na batalha, na esperança de Katniss fazer as coisas motivacionais e espontâneas que conquistaram todo o país. Daí você pensa: mas vale a pena? Ela pode muito bem morrer lá, né?

Pode.

E tem até outro governante, sem ser o Snow, contando com isso.

A Presidenta Coin é quem lidera o disciplinado povo do Distrito 13. Desde o princípio ela abertamente apoiava a retirada de Peeta da arena, mas foi suplantada pela voz da razão. Há quem diga que Coin não veria mal algum em uma mártir para a Revolução… e nem é intriga da oposição.

Estou pulando de propósito a parte da Katniss ser lenta para perceber que ama o Peeta e que o Gale foi seu irmão em outra vida. Como o Gale mesmo disse: ela seria sempre a última a sacar interesses românticos. Achei o envolvimento do trio muito autentico, mesmo com todas as circunstancias malucas. Foi um dos motivos pra eu acabar a leitura assim:

Então, passando pra grande polemica de Mockingjay.

Vou soar curta e grossa: muitas das pessoas que criticaram o rumo da estória o fizeram porque são incapazes de entender a devastação emocional dos personagens. São virtualmente incapazes de digerir uma ficção que não acabe no ‘felizes para sempre…’ .

Por favor. Aquilo é guerra. Aqueles ainda são os Jogos. As pessoas vão morrer.

E por mais incrível que seja a sua personalidade, por mais força de vontade, amor pela vida e otimismo, a guerra vai deixar cicatrizes. A loucura de algumas personagens veio justamente da junção dessas cicatrizes com o constante bombardeio emocional de não saber quem é o verdadeiro inimigo, quando um novo vai surgir, com que rapidez seus aliados vão sucumbir.

Acredito que apenas quatro pessoas sabiam quem  exatamente era a Coin: uma estava morta, outra não se importava, a terceira cuspia sangue e a quarta a assassinara. Boggs cantou a bola logo antes de morrer; Plutarch era inteligente e próximo demais para não sacar a Presidenta; Snow se reconheceu no espelho e Kat, bem, ela precisou perder a irmã para realmente entender.

Teve gente que achou o que aconteceu com a Prim, desnecessário. Discordo veementemente. Sem aquilo, duas coisas importantes não ficariam claras: a Coin, depois de não conseguir uma mártir, precisaria de uma aliada. Ela lançou a carta que tinha na manga (lembrem-se que a Prim não tinha idade para estar no front) e subestimou Katniss. Não estou dizendo que a Kat matou na hora ou previu os movimentos da Presidenta, mas o que a Coin não sabia é que a garota reconheceria um Snow (a segunda coisa importante que ficou clara). Provavelmente a mulher mais velha também não tinha a intenção de ser um novo monstro, talvez ela nem tenha notado no que havia se transformado, mas aí já é outro problema.

A decisão final, sobre a última edição dos Jogos mostra um forte ponto de vista de Collins: todos são iguais, o que muda é quem detém o poder. E principalmente, como são poucos os que conseguem enxergar além disso sem ficarem quietos: como o Peeta, por exemplo.

As pessoas que saíram do cinema, na estreia do filme, alucinadas para copiar os looks da Capital são o povo da Capital. A diferença é que eles não tem as roupas idiotas ainda. Veja bem, não estou criticando a vaidade, eu sou vaidosa, mas pense comigo, o que as pessoas da Capital não tem? Senso de ridículo? Sim. Senso? Noção. Elas não pensam por elas mesmas, não passam de um bando de ovelhas na mão de quem toma as decisões reais.

Na boa, é a ovelha quem sempre se ferra no final.

O que você vai fazer? Não se juntar ao bando? Sair dele? Olhar além? E depois do que você enxergar, vai ficar quieto?

New on My Bookshelf… Vol 5 (it’s alive!)

O Ministério dos Blogueiros adverte: esse post é LONGO. Se estiver interessado apenas na estréia de Jogos Vorazes dê: Ctrl+F 23 de março.

Sim! Isso ainda existe! Sim, a última vez que fiz um NOMB foi ANO PASSADO! Sim! Eu me envergonho em admitir! Sim, a ultima parte foi mentira!

Gentes, desculpa, mas quem acompanha o blog já deve ter percebido a falta de fotos originais ou algumas muito meh, é que até então eu estava sem minha tão adorada câmera… ainda estou, na verdade, mas minha tão adora mãe finalmente emprestou seu celular pra mim. Ela não fez isso antes porque tinha um certo receio saudável de que eu fosse sequestrar o bichinho e não devolver nunca mais.

Yeap, as mães nos conhecem bem.

"Mas mããããe foram só algumas fotinhas, eu já ia devolver!"

Fato.

Então, como faz muito tempo que postei o último NOMB, minhas biblioteca aumentou, felizmente!! Achei que botar todos os livros que ganhei/comprei/recebi de parceria desde dezembro ia ser meio cansativo… por isso selecionei os doze últimos. Com vocês meus novos filhotes e uma gata muito com mania de grandeza:

A editora Novo Conceito arrebentou mais uma vez ², os kits que recebi são maravilhosos e vocês logo, logo vão vê-los nas promos que estou tramando.

Já resenhei o A Ascensão do Governador aqui e já contei um pouco do que espero para Irmandade e Delírio aqui.

Silêncio, o terceiro volume da série Hush Hush da Becca, merece aqui uma atenção especial: Natys, ‘brigada pelo presentão! Sua linda! A parsa do Vire a Página me mandou esse livro de aniversário e passatempo, já que a embalagem necessitava de um sabre de luz estilo Darth Maul para ser aberta… mesmo assim eu te adoro, viu, aguarde uma surpresa à altura lá em Agosto!

Destinada é o nono volume da História Sem Fim (a.k.a. House of Night); Terra dos Sonhos, o terceiro do spin-off de Os Imortais, Riley Bloom; Impiedosas é o 7º livro da incrível série Pretty Little Liars, se você ainda não leu nenhum: ma che? Vá garantir seu Maldosas e aproveite para dar uma conferida na série de TV, é muito boa também. Recomendados.

E, antes que alguém me pergunte: sexta-feira, dia 23 de março.

"A qualquer hora que eu dissesse uma palavra começando com 'H'..."

"... eu diria Hunger Games."

"Tipo, eu estou tão Hunger Games por estar aqui!"

"Happy. Desculpa, está na minha mente."

É tão verdadeiro que redefine verdade nos dicionários.

Fui a quarta da fila de cem metros e 2 horas na estréia de Hunger Games. Vi garotas encenando a Arena por posteres do Josh e do Liam. Vi mães de todas as idades vestidas com camisetas do Tordo. Esperei que os Pacificadores aparecessem pra botar a criançada na linha. Tive um mini-infarto quando finalmente nos deixaram entrar.

Não quero estragar suas surpresas, mas te recomendo fortemente que vá assistir HG. Minha experiência no cinema pode se resumir a seis imagens:

Quando o filme começou:

Quando a Katniss se voluntariou:

Quando a parte da Arena começou:

Quando a Rue morreu:

Quando a Kat e o Peeta ganharam:

Quando eu lembrei que vai demorar pra vir o próximo:

Meu médico recomendou que eu assistisse pelo menos mais três vezes até estar pronta para suportar a espera de Em Chamas. Eu não confio em médicos. Vou assistir mais seis.

Boa semana pra vocês!

xoxo

Em Chamas – Suzanne Collins

  •   Autor: Suzanne Collins
  •    Editora: Rocco
  •    Nº de Páginas: 413
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2011
  •    Título Original: Catching Fire
  •    Tradutor: Alexandre D’Elia
  •    Avaliação: 9,5

Atenção! Massive spoiler alert! Cubra os olhos, tire as crianças da sala e procure abrigo (não necessariamente nessa ordem) se você ainda não leu Jogos Vorazes… e depois não diga que não avisei…

Depois da improvável e inusitada vitória de Katniss Everdeen e Peeta Mellark nos últimos Jogos Vorazes, algo parece ter mudado para sempre em Panem. Aqui e ali, distúrbios e agitações dão sinais de que uma revolta é iminente. Katniss e Peeta, representantes do paupérrimo Distrito 12, não apenas venceram os Jogos, mas ridicularizaram o governo e conseguiram fazer todos – incluindo o próprio Peeta – acreditarem que são um casal apaixonado.
A confusão na cabeça de Katniss não é menor do que a das ruas. Em meio ao turbilhão, ela pensa cada vez mais em seu melhor amigo, o jovem caçador Gale, mas é obrigada a fingir que o romance com Peeta é real. Já o governo parece especialmente preocupado com a influência que os dois adolescentes vitoriosos – transformados em verdadeiros ídolos nacionais – podem ter na população. Por isso, existem planos especiais para mantê-los sob controle, mesmo que isso signifique forçá-los a lutar novamente.
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“-Quer dizer então que estamos todos nos dirigindo para o grande desconhecido, não é? – pergunta ele, olhando para mim.

-Não. –digo. –Não mais.

-Você analisou as fraquezas desse plano, não analisou queridinha? –pergunta ele. –Alguma ideia nova?

-Quero começar um levante.

Haymitch apenas ri.”

Até tentei ler outra coisa, mas depois de re-devorar Hunger Games não aguentei, e aqui está a resenha de Em Chamas, continuação de Jogos Vorazes. Outra re-releitura muito proveitosa.

A primeira coisa que me veio a cabeça depois de fechar Em Chamas foi: Collins, sua danada, você já tinha TUDO em mente antes de sequer começar a escrever JV, né? Porque chega a ser absurdo como tudo se encaixa com perfeição, sem nem chegar perto do clichê ou de ‘favas contadas’.

Para vocês terem uma ideia da diferença que isso faz, é só prestar atenção aos livros do Harry Potter…

Deus, lá vem ela de novo com HP…”

Sério! Não estou comparando, ok? Mas essa linha de raciocínio leva ao que falei na resenha de JV a respeito de treinar sua leitura. Perceber as diferenças entre um autor que adiciona detalhes que se encaixam com o que aconteceu, e autores que deixam o gancho para um detalhe que só vai aparecer lá na frente. Não estou dizendo que um é certo e outro é errado, não!! Tudo depende da qualidade do autor… Às vezes um autor medíocre pode sair ‘inflando’ a estória de coisinhas de tal maneira que você vai pensar: “Oi?, vocês está tirando tudo isso da cartola, querido?” ou então deixar tantas indicações do que vai acontecer que a gente fica tipo “Não me diga.”

Mais uma vez, isso vai da qualidade do autor (uma mistura de talento e comprometimento) e é bacana nós percebermos isso durante a leitura, nos torna críticos conscientes. Leitores de verdade.

Assim como quem ficou tenso com o final de JV (in other words: TODO MUNDO) eu não sabia o que Collins pretendia, já que Katniss havia saído viva da Arena. Por um lado, tinha uma pálida ideia de que a coisa seria bem mais voltada para a política, afinal Peeta sobreviveu também. Afinal, dificilmente a Capital deixaria aquilo barato. Por outro, sabia que haveria ainda um terceiro livro, o que tornaria ainda mais delicado o equilíbrio de uma estória que nos prendesse tanto quanto sua predecessora.

Aí que entra a grande sacada. O Presidente Snow deixou muy claro que a culpa de qualquer insurgência contra a Capital é de Katniss, já que foi ela quem ofereceu as amoras venenosas à Peeta. Foi ela a Eva do paraíso de Panem.

Falando em Eva, um pequeno adendo: onde está a religião em Jogos Vorazes? Katniss fala ‘Deus’ algumas vezes mas, naquele futuro, a religião (qualquer que seja) não tem voz nem vulto. Bem, é só somar dois mais dois para perceber o que Collins quis dizer com isso.

Retomando: o Presidente Snow manda Kat se virar para convencer Panem de que o que foi feito foi por amor, não rebeldia. Ou seja, ela e Peeta vão ser para sempre o casal mais apaixonado do país. Casar e tudo o mais. Ou então a Capital vai matar todos aqueles que a garota ama, a começar por seu amigo Gale.

Não funciona. Um país à beira de um colapso não precisava de muito mais que uma fagulha para pegar fogo de vez, e a fagulha já tinha se espalhado com aquelas amoras. Os Distritos já se saturaram.

É ai que Katniss revolve jogar tudo pro alto e lutar contra a Capital, ela pretende comandar um levante.

Prevendo algo do tipo, Snow se adianta.

“Você subestima meu poder.”

Como dá pra notar pela sinopse, Kat é forçada a lutar novamente. Num golpe muito astuto, o Presidente Snow decreta que – No aniversário de setenta e cinco anos, para que os rebeldes não se esqueçam de que até mesmo o mais forte dentre eles não pode superar o poder da Capital, o tributo masculino e o tributo feminino serão coletados a partir do rol de vitoriosos vivos.

Ou seja, em comemoração a 75ª edição dos Jogos, Katniss, a única vitoriosa viva do distrito 12 será obrigada a voltar para a arena. Viver tudo aquilo de novo. Com Peeta.

OMG

Do hit: É verdade, por que Katniss?! POR QUE VOCÊ É TRAUMATIZADA?!!

Well, apesar de adorar o que Collins fez, não consegui deixar de reparar na coisa que, muito provavelmente, foi o motivo por Em Chamas ser meu livro menos querido da trilogia: ele parece uma ponte entre o primeiro e o terceiro.

Tirando as tensões óbvias da trama, Em Chamas parece que está o tempo todo nos preparando para o que vem em seguida, não para o que está acontecendo ali, naquele momento. Entendem?

Estou me preparando emocionalmente para reler A Esperança, espero trazer uma impressão clara para vocês logo, logo.

Bom fds

xoxo

P.S.: Caso você esteja se perguntando por que eu não disse nada a respeito do triangulo amoroso Kat – Peeta – Gale… é porque para mim sempre foi claro que a Katniss nunca esteve apaixonada por Gale. Ela só estava puta da vida por ser obrigada a casar com Peeta (por quem ela obviamente estava apaixonada, do jeito dela) e só enxergava Gale como a outra opção. Um jeito de não fazer o que  estavam mandando.

Jogos Vorazes – Suzanne Collins

  •    Autor: Suzanne Collins
  •    Editora: Rocco
  •    Nº de Páginas: 397
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2010
  •    Título Original: Hunger Games
  •    Tradutor: Alexandre D’Elia
  •    Avaliação: 10,0
Katniss escuta os tiros de canhão enquanto raspa o sangue do garoto do distrito 9. Na abertura dos Jogos Vorazes, a organização não recolhe os corpos dos combatentes caídos e dá tiros de canhão até o final. Cada tiro, um morto. Onze tiros no primeiro dia. Treze jovens restaram, entre eles, Katniss. Para quem os tiros de canhão serão no dia seguinte?…
Após o fim da América do Norte, uma nova nação chamada Panem surge. Formada por doze distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital. Uma das formas com que demonstram seu poder sobre o resto do carente país é com Jogos Vorazes, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de doze a dezoito anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte!
Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Peeta, um garoto que ajudou sua família no passado, também foi selecionado. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos Jogos Vorazes?
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Eu sei o que vocês estão pensando “Agora, Desi? Depois que todo mundo já cansou de ouvir falar disso, agora que você me aparece com uma resenha?”.

Pois é, agora.

Acontece que essa não é uma resenha simples. Acontece que eu já tinha lido Hunger Games lá atrás, antes de ser lançado aqui. Acontece que ontem resolvi explicar pra minha mãe, detalhadamente, tudo o que se passa no livro. Acontece que não aguentei e li HG de novo de novo em 4 horas.

Mas de uma maneira diferente.

O bom de ler um livro outra vez é que você percebe coisas que não tinha visto antes, coisas ocultas pelo furor da narrativa e pela sua vontade de saber logo o que ia acontecer.  Melhor ainda é quando você rele um livro buscando as coisas ocultas nele. Como? Vamos manter em mente que aquilo foi escrito por uma pessoa Sério mesmo?! , vai admite, às vezes você esquece isso! É normal, e geralmente é sinal de que o autor é muito bom! O outro caso é que você pode ser um leitor destreinado…

Sim, a leitura é uma habilidade aprimorável. \o/

Tem até uns livros pra te ensinar a ler ‘corretamente’, o que eu sinceramente acho chatérrimo e desmotivacional. Enfim, o que quero dizer é que, com prática, você vai ser capaz de captar a obra por inteiro. O que está acontecendo, o que o autor quis com aquilo e por que.

Em Jogos Vorazes, nada é por acaso. Collins conseguiu equilibrar violência, solidariedade, desprezo e afeto num mesmo prato, de forma hipnotizante. Ela soube exatamente onde colocar cada acontecimento, fala e linha de raciocínio de forma que o texto mantivesse o leitor acordado a noite inteira lendo, sem cansar.

É frenético! É perfeito!

Ufa.

Ok, dá pra perceber tudo isso pelos pensamentos de Katniss. Hunger Games é narrado em 1ª pessoa, logo, você está na cabeça da garota. E ela é blindada.

Quero dizer, Katniss é capaz de morrer pelas pessoas que ama (prova disso foi ela se voluntariar no lugar da irmã), mas é incapaz de abrir seu coração e permitir que os outros a amem. Ela não se vê como uma pessoa, ela é simplesmente a provedora da família, aquela que mantém mãe e irmã vivas e que só se permite relaxar num ambiente hostil com uma arma letal na mão, a Floresta da Costura.

Acho incrível o quanto ela se importa com os outros e ainda assim consegue ser tão emocionalmente distante de tudo. Acho incrível como Collins conseguiu trabalhar isso, essa frieza, e nos dar uma personagem adorável.

Tenho vontade de afogar no poço da Samara as pessoas que ficam dizendo ‘Ah, mas nem é tão brutal assim a vida dela e Arena, a Katniss exagera, pra que ficar tão traumatizada assim?’

BITCH, PLEASE.

Eles estão obrigando crianças a matar outras crianças (não, você não é adulto, aborrecente). Crianças desesperadas, que não comem direito nunca e que muitas vezes são obrigadas a tomar conta da casa porque os pais morreram ganhando uma miséria da Capital. Ah sim, não vou me esquecer da Capital. Imagine saber que todo esse perrengue que você, criança faminta e desesperada, está passando é para que um punhado de almofadinhas possa esbanjar seus privilégios por ai, sem restrições. Imagine que você seja lembrado todos os dias, na escola, no trabalho, nos noticiários que você merece passar por aquilo e que é uma honra, uma fucking honra! ser sorteado como tributo. Saber que a sua morte é um show, pensado exclusivamente para entreter os tais almofadinhas e oprimir ainda mais o povo dos Distritos.

Deve ser realmente um passeio no parque caçar um garotinha de 12 anos e destripá-la porque essa é a única maneira de você poder voltar para casa. Ah, e claro, saber que está sendo caçado por outro cara, tão desesperado quanto você, porque essa é a única maneira de ele poder voltar pra casa… ao menos você tem uma chance, e os que não tem?

É verdade, por que Katniss?! POR QUE VOCÊ É TRAUMATIZADA?!!

Well, Jogos Vorazes se passa num futuro distópico sim, mas o que eu quero saber, e acredito piamente ser a grande sacada da Collins, é o quão perto estamos de nos tornar a Capital? Quanto valor damos ao que temos? Até onde os absurdos da mera estória, estão distantes dos comportamentos por ai? E sabendo disso, o que você pretende fazer?

A Arena vai mudar a todos.

Que a sorte esteja sempre a seu favor.