Dearly, Departed – Lia Habel

  •     Autor: Lia Habel
  •    Editora: iD
  •    Nº de Páginas: 480
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Dearly, Departed
  •    Tradutor: Ana Luisa Astiz

   Avaliação: 8,0 (-2,0)

Ela é Nora Dearly, uma garota neovitoriana de 17 anos que sofre com a morte dos pais e vive infeliz aos cuidados da tia interesseira. Ele é Bram Griswold, um jovem soldado punk, corajoso, lindo nobre…e morto! No ano de 2187, em meio a uma violenta guerra entre vitorianos e punks, surge um perigoso vírus, capaz de matar e trazer novamente à vida. As pessoas tornam-se zumbis, mas nem todos são assassinos e devoradores de carne. Há os que lutam para que o vírus não se espalhe… Apenas Nora tem o poder da cura em suas mãos, ou melhor, em, seu sangue. Ela não sabe disso, e corre perigo. É papel de Bram protegê-la…

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Só me toquei mesmo que Dearly, Departed é um distópico quando estava pra começar a resenha. Apesar da falsa utopia da sociedade neovitoriana o clima não é o mesmo das outras conhecidas distopias. Esse livro também é steampunk, mas dá tão pouco destaque às características engenhocas desse grupo-gênero-tipo que só lembrei quando reli a contracapa.

Dearly, Departed parece mesmo é um faroeste com zumbis, muitos zumbis.

E a melhor parte do livro não é o conflito punks vs neovitorianos, ou a medicina pró não-vivos, nem a vida militar pouco convencional da Base Z.

Estou falando do l’amour!

Ah, o amor…

Fiquei completamente apaixonada pela redoma criada por Bram e Nora para eles mesmos no meio de todas as esquisitices daquele mundo de 2187! Quem diria, heim? Logo eu, que a pouco menos de um ano atrás, estava aqui mesmo dizendo o quanto os mortos-vivos são horripilantes e desprezíveis e que deveríamos passar a fogo qualquer um que avistássemos. Logo eu, torcendo pelo romance de uma garota com um cara… podre!

O mundo dá suas voltas.

Ok, podre foi figura de linguagem. Como diria o próprio Dra. Chase:

“-A cibernética proporciona uma melhor qualidade de vida pós-morte.” Pág. 172

“Ma che?”

Certo, explico: a ciência moderna, liderada pelo famoso Dr. Dearly, pode manter os corpos dos tais não-vivos quase que em perfeito estado. Contanto que eles não abusem e saiam por ai desgastando as juntas à toa, podem ter uma vida quase que normal, considerando as circunstâncias.

Claro, existem os zumbis tradicionais, do tipo que geme e te quer pro almoço, mas quem (que não esteja com o braço sendo mastigado por um desses) liga?!! Tem caras mortos, usando válvulas e bombas para manter o corpo reanimado funcionando! E eles são hilários!!

Lia Habel mostrou em Dearly que tem uma habilidade que faria muitos autores consagrados darem seus primogênitos às fadas por algo parecido. Diálogos ÓTIMOS, do tipo que você pode escutar os personagens falando! Pode até parecer meio bobo, mas deixa a estória muito mais empolgante e real!

Como nem tudo são flores, infelizmente a tradução/revisão foi uma verdadeira decepção! Por isso os -2,0 da nota, não acho justo pagarmos caro por livros com traduções que nos lembram aquele programa online ou revisões desleixadas. Se o livro não tivesse todos os erros que encontrei a leitura teria sido bem mais proveitosa!

De qualquer forma, ainda estou tentando me acostumar à parte em que me apaixonei pelo mocinho quase-podre!

“Usei um pouco da minha voz de ‘zumbi apavorante’, com um ligeiro toque de morte-bate-à-porta. Foi o suficiente para que ele me levasse a sério.” Pág. 104

E depois dizem que sutileza é tudo! Gosto da natureza eficiente de Bram, que pode ser fruto da vida militar, mas que o ajuda a ser um bom líder e até lidar com Nora quando está sendo chata de propósito (ela consegue ser muito chata quando quer). A garota pode ser bastante impetuosa, mas é uma boa pessoa, e se esforça do seu jeito para conquistar o Bram.

Mas não se preocupe, pessoa-que-não-está-nem-ai-pro-romance, essa foi só a parte eu mais gostei. Dearly, Departed tem muita ação, aventura e várias situações… tensas. Estou contando os dias para 25 de Setembro, quando Dearly, Beloved será lançado lá fora e poderemos saber o que vai acontecer depois do… bem, do que aconteceu no final!

xoxo e boa semana!

BTW, uma trilha sonora? Flogging Molly!

Posso sugerir outra? Dropkick Murphys – Johnny, I Hardly Knew Ya

xoxo e boa semana!

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Mortal Engines – Philip Reeve

Pena que não é Hard Cover

  •  Autor: Philip Reeve
  •    Editora: Novo Século
  •    Nº de Páginas: 280
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2011
  •    Título Original: Mortal Engines
  •    Tradutor: Eduardo Barcelona Alves
  •    Avaliação: 8,5
Mortal Engines é uma obra literária distópica, passada em um mundo pós-apocalíptico cujos recursos naturais eram cada vez mais rarefeitos e no qual a maior parte das conquistas tecnológico-científicas da humanidade se perdera após a já distante “Guerra de 60 Minutos”. Nesta realidade não mais existe o Estado Nacional e cidades inteiras acabaram sendo transformadas em veículos – as Cidades-Tração – que ainda exploram os recursos naturais continentais e consomem-se umas às outras sempre que tem a oportunidade, muito embora o planeta já tenha estabilizado seus ciclos e esta solução, agora, mais prejudique leve em direção à alguma solução. Na obra, um grupo denominado a Liga Anti-Tração, trabalha para parar as cidades, acabando com o consumo excessivo de recurso por parte das Cidades Estado e com o “Darwinismo Municipal”, conceito que deu origem às metrópoles em movimento. O romance apresenta Londres como a principal Cidade-Tração, uma sociedade dividida numerosas Guildas, das quais as mais importantes são a dos Engenheiros, dos Historiadores, dos Navegadores e dos Mercadores.

Não importou nada o quanto enrolei e enrolei. A leitura de Mortal Engines simplesmente acabou rápido demais! Foi tudo tão despretensioso e intenso que me deixou a mesma sensação que tive quando terminei o primeiro Harry Potter, ou o primeiro Artemis Fowl: ai sim, temos clássico novamente.

Certo cara blogueira, e quem é você mesmo, pra dizer o que é um clássico ou que deixa de ser?

Eu sou uma leitora empolgada, como você, meu caro chato.

O que diferencia a obra de Philip Reeve é a convicção dele em narrar o seu mundo, nosso mundo, daqui a milhares de anos. Podem falar que eu piro na batatinha de vez em quando, mas Mortal Engines me lembrou muito os livros do Júlio Verne. Por mais fantasioso e onírico que o cenário seja, ambos gastaram MUITA massa cinzenta para nos trazer a melhor visão possível daquilo que imaginaram. Nesse ponto: flawless.

A Londres de Philip Reeves continua grande, enorme, mas agora está motorizada. Milhares de anos se passaram (milhares mesmo, pois artefatos do século XXVIII são coisas de museu de história natural) e ela domina o Campo de Caça europeu. Depois que a Guerra dos 60 Minutos devastou a sociedade como conhecemos , a tecnologia digital foi extinta e os sobreviventes tiveram que aprender a se virar apenas com o vapor, como no século XIX.

Sim, temos um Steampunk.

Quem, inicialmente, acompanhamos ao longo da história é Tom Natsworthy, um aprendiz da Guilda dos Historiadores que tenta ganhar algum destaque, apesar de ser órfão e sem recursos. Porém, ele tem sua grande chance quando se encontra com o herói da cidade e o totalmente idolatrado ídolo, Thaddeus Valentine, um historiador e explorador, que viaja pelo mundo buscando old tech (tecnologia extinta) . No encontro entre o aprendiz e o herói, três coisas acontecem: Tom conhece Katherine, a bela e doce filha de Valentine; evita que o historiador seja assassinado por uma mulher louca…

Que se chamava Hester Shawn

… e descobre que não poderia saber da existência dela. Então, momentos antes Tom estava assim:

e logo depois:

Tudo porque Thaddeus Valentine, seu ídolo maior, o jogara para fora de Londres, para a morte certa. No maior e total estilo Jaime Lannister, no hit The Things I Do For  Love.

Obviamente Tom não morreu. Nem Hester Shawn, que havia se jogado um pouco antes. E, apesar de ainda acreditar que o Darwnismo Municipal era a melhor coisa desde o chocolate, o aprendiz de historiador quer que Valentine pague. E nesse ponto que ele e Hester se juntam. Ela, a verdadeira casca-grossa, caça Valentine a anos. O homem matou sua família e arruinou seu rosto deixando-a indefesa quando era só uma garotinha.

Enquanto isso, em Londres, Katherine não acreditou quando seu pai disse que estava tudo bem e que não havia nada com o que se preocupar. Depois de anos de inteira confiança e companheirismo, ele estava claramente mentindo para ela. Tudo o que sua filha queria era ajudar, mas acabou descobrindo alguns esqueletos escondidos no armário de própria casa…

oh my...

Ela alicia Bevis Pod, um aprendiz da Guilda dos Engenheiros que viu Valentine “matando” Tom, e, sem saber, os quatro jovens trabalham juntos pelo mesmo motivo: impedir o que quer que Valentine esteja planejando para Londres.

Antes que me perguntem, comumente com uma faca em mãos, o por quê da nota, se o livro é tão maravilhoso e blá, blá, blá. Senti que faltou páginas na relação do Tom e da Hester, do desprezo mortal eles passaram a amigos para sempre TÃO rápido que eu sinceramente nem vi. Sem contar que é um livro absurdamente pequeno para uma história tão complexa.

Leiam, releiam e deem de presente. Daqui a uns 20, 30 anos poderemos dizer que lemos/temos a primeira edição brasileira de Mortal Engines com o mesmo orgulho que usaremos para nos referir a Potter.

xo e boa semana!

P.S.: Eu sei que você riu do primeiro Meme!