A Rebelde do Deserto – Alwyn Hamilton

Rebelde

  •     Autor: Alwyn Hamilton
  •    Editora: Seguinte
  •    Nº de Páginas: 288
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2016
  •    Título Original: Rebel of the Sands
  •    Tradutor: Eric Novello

   Avaliação: 5,0

O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher.

Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele.

Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por lhe revelar o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.

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Depois dessa sinopse eu tinha certeza que não restaria outra coisa a fazer a não ser amar esse livro. É algo do misterioso Oriente Médio com cavalos mágicos. Cavalos mágicos. Quem não tem feelings de A Corrida de Escorpião???

É difícil falar sobre um livro que não te chamou a atenção, apatia é uma grande estraga prazeres. Se você amou a história vai ficar igual uma tonta apaixonada falando de todas as vantagens do livro e tentando converter as pessoas à sua volta (quem nunca?). Ou se você odiou e utiliza todo o seu estoque de sarcasmo, arrogância e pesquisa cientifica  no Wikipedia para mostrar que aquela história nunca deveria ter saído da cabeça do autor (todo mundo já fez isso).

Agora, e quando o livro não fede nem cheira?

A busca da Amani por liberdade acaba virando uma odisseia por um caminho longo e confuso, com um mocinho (?!) tão confuso quanto. Tem horas que eles se dão super bem, nas outras estão tentando se livrar um do outro, alternadamente.

Esse livro simplesmente não foi para mim. A mistura de árabe com faroeste não rolou, deixou tudo esquisito demais, e não um esquisito deliberado, um esquisito tipo “a autora não soube dosar o ambiente”. Não foi  nem árabe demais (será que esse é o nome certo?) nem faroeste o suficiente, e nós nem temos tanto tiroteios assim! Eu queria tiroteios!! #aloucaquersangue

Não que não tenha ação, sim temos. A autora gosta de nos deixar ansiosos com grandes perseguições em que tudo, sério, qualquer coisa pode acontecer! Logo no começo a Amani mostra que não tem medo de sujar as mãos e que não é nenhuma gata borralheira pros tios e primos. Na boa, com uma família daquelas nem precisa de outro vilão na história…

Um enredo caminhando na linha do OK, sem ser pobre, mas sem nada que merecesse um NOSSA!! Faltou ousadia na hora de adicionar clímax. E tem o pequeno probleminha do romance instantâneo que pra mim JÁ-DEU. Como essas heroínas encontram o homem das suas vidas rápido minha gente, fico pasma!

Pensando bem, talvez qualquer livro lido após Uprooted, da Naomi Novik, ficaria sem graça para mim. Acho que o problema foi muito mais eu, a leitora sem paciência para uma história água com açúcar, do que o livro em si.

Leiam por sua conta e risco, não posso prometer nada…

Aliás, não leiam, invistam seu tempo (porque tá difícil arrumar um pouco) e leiam A Fúria e a Aurora.

xoxo

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A Elite – Kiera Cass

The Elite

  •    Autor: A Elite
  •    Editora: Seguinte
  •    Nº de Páginas: 360
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: The Elite
  •    Tradutor: Christian Clemente

   Avaliação: 4,5

PERIGO! PERIGO! Essa resenha pode ou não conter spoilers de A Seleção. Certifique-se de ter todas as credenciais da imprensa Real em mãos e a leitura em dia antes de continuar. Ou não.

A Seleção começou com 35 garotas. Agora restam apenas seis, e a competição para ganhar o coração do príncipe Maxon está acirrada como nunca. Só uma se casará com o príncipe Maxon e será coroada princesa de Illéa. Quanto mais America se aproxima da coroa, mais se sente confusa. Os momentos que passa com Maxon parecem um conto de fadas. Quando ela está com Maxon, é arrebatada por esse novo romance de tirar o fôlego, e não consegue se imaginar com mais ninguém. Mas sempre que vê seu ex-namorado Aspen no palácio, trabalhando como guarda e se esforçando para protegê-la, ela sente que é nele que está o seu conforto, dominada pelas memórias da vida que eles planejavam ter juntos.

America precisa de mais tempo. Mas, enquanto ela está às voltas com o seu futuro, perdida em sua indecisão, o resto da Elite sabe exatamente o que quer — e ela está prestes a perder sua chance de escolher. E justo quando America tem certeza de que fez sua escolha, uma perda devastadora faz com que suas dúvidas retornem. E enquanto ela está se esforçando para decidir seu futuro, rebeldes violentos, determinados a derrubar a monarquia, estão se fortalecendo — e seus planos podem destruir as chances de qualquer final feliz.

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Primeiramente, como vocês podem notar, eu não morri. Sim, é difícil atestar isso depois de tanto tempo de vergonhosa ausência, explicada simplesmente com um: eu precisava. Confesso que cheguei a pensar em tirar o blog do ar, não queria que o meu, o seu, o nosso IYRDIW ficasse cheio de lacunas, paradão. A culpa de voltar a escrever aqui é inteiramente de Natália Pacheco, a parsa do Vire a Página, então agradeçam ou taquem políticos podres nela, vocês que sabem.

Enquanto a resenha não começa, um sneak peek na progressão da estória de A Seleção para A Elite:

Pronto.

Ahhhhh A Elite! Mais America, ahhhhhhh, mais Aspen ahhhhhh, mais Maxon! AHHHHHHHH Mais vestidos e purpurina e coisas bonitas e…

Sim, A Elite foi uma grande decepção literária para mim. Não sei se acabou a fase do namoro com A Seleção, que me deixou meio hipnotizada, confesso, ou se a autora perdeu a chance de fazer um livro brilhante.

Vamos começar pelo ponto principal. O Príncipe Maxon desse livro não é o mesmo Príncipe Maxon de A Seleção, não pode ser, trocaram eles. Eu sei que as pessoas mudam, principalmente quando são aborrescentes, mas a diferença é tão gritante que teria me feito duvidar de tudo o que vi antes se não tivesse lido A Seleção duas vezes. Aquele cara fofo, gentil e meio inseguro agora está falso, beirando a canalhice, completamente não-Maxon. É como se a autora estivesse nos empurrando, forçando para um dos lados do triangulo, justamente a coisa mais legal e não se fazer!

Mas é meio que um tiro no pé se formos considerar a outra ponta: Aspen. O coitado é tão inexpressivo que eu mesma o coloquei na friend-zone pela America, simplesmente não dá! Cadê aquele moço cheio de paixão, pronto pra brigar pela mocinha e ganhar a beijos o seu coração (e o nosso) de volta?? Cadê, meu povo, CADÊ?

Sem contar nas alternativas completamente aceitáveis que foram surgindo do nada, de uma hora para outra, numa forma de garantir o final feliz de todo mundo.

Lembra que disse assim?

Ela [America] é uma ótima protagonista, um pouco enrolada até, mas honesta consigo e com os outros. É bom variar um pouco e ter uma mocinha que não é A Garota Que Esconde Vários Segredos do Mundo. 

Agora a indecisão dela é, pra dizer o mínimo, irritante. Ok, irritante é a fila do McDonalds, a America me dá vontade de bater com a cabeça repetidas vezes numa parede de concreto. A dela, não a minha. Ela se tornou exatamente o que achei que não seria, a típica mocinha YA. O mundo inteiro explodindo e ela lá “Ó céus, com quem fico?”,  tudo isso me revolta!

Falando em revoltas, temos mais rebeldes. E aulas da história de Iléa. Nada que tire o foco do principio ativo do livro, mas a tentativa de expandir o enredo de Cass foi boa, sem as constantes invasões do castelo, ou as informações cruciais que America descobriu a respeito do fundador do reino, a estória ficaria girando a esmo, entre uma transmissão do reality show a outra. O show esquentou as garotas tem tarefas de princesa a cumprir e os olhos de todo o país, e de outros também, estão voltados para elas, gera um certo drama, mas ainda preferiria uma coisa mais adulta.

Enfim, o clima juvenil demais tirou meus suspiros, simplesmente não me envolvi tanto com a trama como havia antes, sinto que só vou ler The One porque preciso saber como o tormento acaba.

xoxo e bom meio de semana

A Seleção – Kiera Cass

A SELEÇÃO - Kiera Cass - Companhia das Letras

  •     Autor: Kiera Cass
  •    Editora: Seguinte
  •    Nº de Páginas: 368
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: The Selection
  •    Tradutor: Cristian Clemente

   Avaliação: 8,0

Para trinta e cinco garotas, a Seleção é a chance de uma vida. É a oportunidade de ser alçada a um mundo de vestidos deslumbrantes e joias valiosas. De morar em um palácio, conquistar o coração do belo príncipe Maxon e um dia ser a rainha.
Para America Singer, no entanto, estar entre as Selecionadas é um pesadelo. Significa deixar para trás o rapaz que ama. Abandonar sua família e seu lar para entrar em uma disputa ferrenha por uma coroa que ela não quer. E viver em um palácio sob a ameaça constante de ataques rebeldes.
Então America conhece pessoalmente o príncipe – e percebe que a vida com que sempre sonhou talvez não seja nada comparada ao futuro que nunca tinha ousado imaginar.

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Êêêê! Feliz fim do mundo! Não, pera…

Retomando…

“Eu parecia radiante, esperançosa, linda. Dava para notar que eu estava apaixonada. E algum imbecil achou que era pelo príncipe Maxon.

Minha mãe gritou na minha orelha. May deu um pulo, espalhando pipoca para todo lado. Gerad também se empolgou e começou a dançar. Meu pai… é difícil dizer, mas acho que ele escondia um sorriso por trás do livro.

Perdi a expressão no rosto de Maxon.

O telefone tocou.

E não parou de tocar por dias.”

Jogos Vorazes de seda e chiffon.

Ou pelo menos era o que eu esperava. Sério, pensa comigo!  Uma casa com trinta e cinco mulheres mulherzando pra conseguir um cara… e a coroa dele?! Vai ser uma briga sangrenta das boas, correto?

Não foi bem assim…

O grande foco desse livro é o romance entre America e Aspen e a perspectiva de romance entre America e Maxon.

Vocês sabem como eu me canso fácil com triângulos amorosos, grande parte das vezes porque a maioria é previsível demais. Aí é que tá, não tem como saber como esse triângulo vai acabar! A America pode escolher qualquer um dos dois, pois tem motivos diferentes e razões de sobra para acreditar nos sentimentos deles por ela e vice versa. A autora não deixa escapar, como acontece em vários livros, com quem ela pretende que a garota fique no final e só esse aspecto já seria suficiente para me deixar louca pelo próximo volume.

Mas daí também entra o apelo do efeito total makeover, da menina pobre sendo elevada à categoria de celebridade num piscar de olhos, das coisas maravilhosas que passam a fazer parte da vida dela e, é claro, a realeza. #AsMinaPira num príncipe bonitão! E sempre vão pirar.

Temos os rebeldes também, como era de se esperar numa distopia YA, eles não tem tanto destaque aqui, mas é através deles que podemos ver do que a America é feita. Ela é uma ótima protagonista, um pouco enrolada até, mas honesta consigo e com os outros. É bom variar um pouco e ter uma mocinha que não é A Garota Que Esconde Vários Segredos do Mundo. Porém, enquanto essa honestidade pode ser um bom traço, pode coloca-la em situações delicadas e de exposição. Coisa que princesas tendem a evitar.

Aliás, America daria uma ótima princesa. Uma boa até demais.

E isso incomoda o leitor (tipo, eu) que queria ver o circo pegar fogo na competição. Porque A Seleção é uma competição, oras!

Perto dela as outras concorrentes não tinham chance, sabe? Personalidades fraquinhas ou caricatas demais, sem nenhuma complexidade. Ao menos, não de cara. Acho que dava para a Kiera fazer uma coisa mais trabalhada ali, mais interessante, mais desafiadora. Ela até ensaia, mas fica só nisso.

Eu esperava mais disso!

Enfim, A Seleção é um livro que gruda. Já li duas vezes, talvez leia uma terceira até o fim do ano, e ainda não me conformo em ter que esperar até quase o meio do ano que vem para poder ler The Elite.

Recomendo a obra de Kiera Cass para quem queria uma protagonista diferente em Feira das Vaidades, para quem não tem tempo a perder com enrolações e para quem se encanta com coisas bonitas.

P.S.1: Para  caso de você estar imaginando, eu sou:

       The Selection by Kiera Cass

P.S.2: Pra você que ainda está no seu bunker esperando o mundo acabar:

#SupernaturalFandonPira

xoxo e bom fim de semana!

Legend, A Verdade Se Tornará Lenda – Marie Lu

legend

  •    Autor: Marie Lu
  •    Editora: Prumo
  •    Nº de Páginas: 256
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Legend
  •    Tradutor: Ebréia de Castro Alves

   Avaliação: 8,0

O que outrora foi o oeste dos Estados Unidos é agora o lar da República, uma nação eternamente em guerra com seus vizinhos. Nascida em uma família de elite em um dos mais ricos setores da República, June é uma garota prodígio de 15 anos que está sendo preparada para o sucesso nos mais altos círculos militares da República. Nascido nas favelas, Day, de 15 anos, é o criminoso mais procurado do país; porém, suas motivações parecem não ser tão mal-intencionadas assim. De mundos diferentes, June e Day não têm motivos para se cruzarem – até o dia em que o irmão de June, Metias, é assassinado e Day se torna o principal suspeito. Preso num grande jogo de gato e rato, Day luta pela sobrevivência da sua família, enquanto June procura vingar a morte de Metias. Mas, em uma chocante reviravolta, os dois descobrem a verdade sobre o que realmente os uniu e sobre até onde seu país irá para manter seus segredos.

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“-Nunca lhe perguntei sobre esse nome de guerra. Por que Day?

-Porque cada dia significa novas 24 horas. Cada dia quer dizer que tudo é possível de novo. Você pode aproveitar cada instante, pode morrer num instante, e tudo se resume a um dia após o outro. –ele olha para a porta aberta do vagão da ferrovia, onde faixas escuras de água cobrem o mundo. –E aí você tenta caminhar sob a luz.”

Quando aparece um livro novo na mesma onda literária que estou (pois é, ainda sou alucicrazy pelas distopias) é meio que automático que meu cérebro me obrigue a querer lê-lo. A situação é tão perturbadora que às vezes nem da sinopse eu lembro direito, só do fato de que quero lê-lo e não vou deixar ninguém em paz até concluir esse objetivo. Mas é totalmente impossível esquecer uma sinopse que promete uma espécie de duelo entre os dois protagonistas!

Logo de cara me deparei com três aspectos que, na ordem citada, poderiam melar a minha leitura. O 1º é a narrativa de Lu. Ela é seca, crua e estoica, o que até combina com o clima do livro (sério, poesia seria uma perda de tempo ali), mas que por vezes tirou o ritmo das coisas. O 2º ponto é o pouco desenvolvimento dos personagens secundários. Com protagonistas tão bons (já vou chegar lá) os coadjuvantes ficaram fracos ou até mesmo caricatos, como a Comandante Jameson. E, pra terminar o balde de água fria, o lugar comum que está ficando cada vez mais enfadonho: o governo nesses livros nunca é o que aparenta ser.

Ok, ok, talvez isso possa ser categorizado como um pré-requisito para as distopias, mas tudo o que é demais enjoa, né? Depois de um tempo a única pessoa que ainda se surpreende por descobrir algum plano maligno feito por seus chefes de Estado é o personagem principal, e isso porque ele é ‘obrigado’ pelo autor a se surpreender. Lendo ao menos um dos clássicos distópicos você já entra para o grupo de risco dos Formuladores de Teorias da Conspiração Anônimos (FTCA. Nós.. digo, o grupo tem reuniões todos os domingos se alguém se interessar), imagine então com essa enxurrada distópica no mercado editorial? Dá pra contar numa só mão os livros recentes que fogem a essa regra e a maioria deles surpreende e conquista justamente por sua originalidade.

Então o que me fez amar Legend? O que me fez sentar num canto e ler e ler e ler até acabar e perceber que de tão absorta, sequer minhas anotações eu tinha feito?

Empatia.

Sério! Não tem como não gostar do Day, não tem como não querer ser a June! Eles são inteligentes, espertos, ágeis, CUIDAM do próprio nariz além de, é claro, serem famosos, admirados e até respeitados em suas esferas. Eu simplesmente adoro personagens assim. Sambam na cara da mediocridade.

Dá pra contar com eles, você sabe que não vão dar mole -como os protagonistas de outros livros- nem vão te deixar na mão por não fazer algo extraordinário, seja fisicamente ou na área intelectual. Com June e Day o serviço é feito, de um jeito ou e outro.

Shit just got real

Em outras palavras, eles são o pacote completo e juntos ficam completamente irresistíveis.

Gostei muito da Lu ter feito um livro de ação com uma pitada de bom romance e não o contrário. Se o l’amour tivesse mais destaque do que as cenas cinematográficas e as situações de prender a respiração, Legend ficaria meio apagadinho, sem propósito… a autora conseguiu encontrar um equilíbrio perfeito na minha opinião, aquele ponto onde você precisa saber o que vai acontecer em ambos os aspectos e não só em um.

Concluindo, Legend tem seus altos e baixos, mas consegue te hipnotizar como poucos livros nessa linha e te deixar doido para saber o que acontece depois!

Quanto a Prodigy é seguro dizer que:

“Eu não durmo, eu espero”

xoxo e boa semana!