A Court of Thorns and Roses (Corte de Espinhos e Rosas) – Sarah J. Maas

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  •    Autor: Sarah J. Maas
  •    Editora: Bloomsbury
  •    Nº de Páginas: 432
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2015
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 9,5

Depois de anos sendo escravizados pelas fadas, os humanos conseguiram se libertar e coexistem com os seres místicos. Cerca de cinco séculos após a guerra que definiu o futuro das espécies, Feyre, filha de um casal de mercadores, é forçada a se tornar uma caçadora para ajudar a família. Após matar uma fada zoomórfica transformada em lobo, Feyre precisa enfrentar a ira das fadas que, buscando justiça, a fazem escolher: ou a caçadora oferece sua própria vida em sacrifício a um monstro, ou deve abrir mão de sua vida humana e se mudar para o mundo das fadas.Depois de anos sendo escravizados pelas fadas, os humanos conseguiram se libertar e coexistem com os seres místicos. Cerca de cinco séculos após a guerra que definiu o futuro das espécies, Feyre, filha de um casal de mercadores, é forçada a se tornar uma caçadora para ajudar a família. Após matar uma fada zoomórfica transformada em lobo, Feyre precisa enfrentar a ira das fadas que, buscando justiça, a fazem escolher: ou a caçadora oferece sua própria vida em sacrifício a um monstro, ou deve abrir mão de sua vida humana e se mudar para o mundo das fadas. (Sinopse divulgada pela Galera Record)

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Sim, é claro que eu estava praticamente salivando pra ter esse livro em mãos.

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E sim, eu esperava ao menos gostar desse livro, já que ele é de uma das minhas autoras favoritas, mas tentei segurar minha onda pra não morrer de desgosto depois. Você sabe, só pro caso de ser um Insaciável da vida (Meg Cabot destruiu nossa relação com esse livro). Mas poderia ter mergulhado de cabeça que não ia me desapontar. A Court of Thorns and Roses é maravilhoso!

A maior, ou melhor dizendo, a característica mais gritante desse livro na minha humilde opinião, aquela que me fez prestar atenção e amar cada momento e página, é a falta do livro-de-regras-literárias. Não que tudo seja imprevisível, quero dizer, é uma releitura de A Bela e a Fera, a gente SABE que a Feyre vai se apaixonar por Tamlin, A GENTE se apaixona por Tamlin! Mas a Sarah evita pequenas grandes coisas que aparentemente viraram regra no mundo YA e que, inclusive, até acontecem nos outros livros dela. Vamos ao exemplo:

“Somos apresentados ao super atraente protagonista masculino que vai passar um bom tempo ao lado da protagonista feminina bonitinha até que BUM, entra mais um personagem masculino super atraente que também vai passar um bom tempo ao lado da tal protagonista feminina. Oh, droga, preparem-se para mais-um-triangulo-amoroso… SÓ QUE NÃO! Porque, caso os autores de YA não tenham percebido até agora, é possível que personagens masculinos existam no mesmo núcleo que a mocinha sem se apaixonar perdidamente por ela!”

Não considero isso spoiler até porque dá pra perceber logo no começo do livro e acho importante mencionar por que, como eu, algumas pessoas podem desistir de um livro achando que vem mais do de sempre por aí.

Quero lembrar também que esse é um romance. Com doses elevadas de sexy time, bem mais do que estamos acostumados com Trono de Vidro e cia. Por falar nisso, gostaria muito de parar de comparar uma série com outra, mas não dá!! Pelo menos as comparações são boas… temos uma ótima construção de mundo, ficamos imersos na história e me diverti muito com as situações um pouco diferentes que a Feyre se metia. Senti uma atmosfera mais sombria em relação a TdV, mas já era de se esperar, tendo em vista a proposta SACRIFÍCIO gritando na sinopse.

Agora vamos falar de coisa boa? Vamos falar de Toptherm… Digo, vamos falar dos personagens! Sarah manja dos paranauê nesse quesito. Feyre é casca grossa, vivida e tem uma língua perigosa para ela mesma… “Celaena, é você?” Num dia de mau humor eu até poderia pensar isso, mas a questão é que ambas personagens mesmo com o ‘molde’ bem parecido tem outras características marcantes e, o principal, são ótimas a própria maneira.

E temos Tamlin.

Só tenho uma coisa pra te dizer. Seu filho da mãe esperto.

(Entendedores entenderão)

Ele faz parte de um harém de caras muy buenos que são bem populares na escrita da Sarah, não que alguém esteja reclamando aqui, certo meninas?? Mas a verdade é que sinto falta de mais personagens secundárias femininas, só pra balancear…

Passando por um núcleo de personagens não muito destacado na trama, convido vocês a odiarem com todas as suas forças a família de Feyre comigo. Ô gente ruim, complicada, mesquinha! Argh.

Aliás, convido vocês a amarem esse livro comigo. Amarem a história, a Sarah, a Feyre… quererem viver nesse mundo louco transbordando magia e chutar alguns traseiros vilanescos por aí! A continuação não tem nem título definido ainda, mas já está no meu carrinho de pré-vendas da Amazon, só esperando para ser comprada! Leiam A Court of Thorns and Roses assim que puderem, cruzem as fronteiras das cortes e nunca mais saiam desse lugar encantado, ao contrário de Feyre, eu vou por vontade própria!

xoxo

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Almakia, A Vilash e os Dragões – Lhaisa Andria

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  •    Autor: Lhaisa Andria
  •    Editora: MODO
  •    Nº de Páginas: 364
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 6,5

Em um mundo onde existem pessoas com capacidades extraordinárias, vivendo em uma sociedade abastada e preconceituosa, desde pequena Garo-lin foi uma garota deslocada: uma vilashi frequentando o exclusivo Instituto de Almaki Dul’Maojin.
Mesmo sendo tratada como uma simples e inevitável pedra no caminho dos orgulhosos almakins, engole todo o seu senso de justiça e tem por único objetivo terminar sua educação e voltar à sua vila. Porém, devido a um incidente ela se vê presa pelas circunstâncias, e dali em diante, todo o seu destino está nas mãos dos temidos Dragões de Almakia.

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Falar de Almakia – A Vilash e os Dragões traz um misto de emoções que é difícil de explicar. Por um lado temos uma história que, sem desculpa nenhuma, é ma-ra-vi-lho-sa e por outro temos uma revisão… inexistente.

Deixe-me recomeçar uma ladainha antiga: eu, Desirée Gusson, vou me interessar e possivelmente amar todos os livros de fantasia com mocinhas phodas, escritos por meninas, sempre! Juntando isso ao fato de ser nacional, quase chorei de alegria. Fiquei tão empolgada que, quando vi o e-book em promoção comprei o primeiro EEE o segundo.

E não me decepcionei, em parte.

Primeiramente, e é muito importante avisar, não, não temos dragões de verdade (literariamente falando, ok?) nesse livro. Dragão é um título para jovens herdeiros de famílias poderosas que inevitavelmente controlam a vida em Almakia. Também pode ser sinônimo de gente arrogante e mesquinha que sabe que tem poder e gosta de jogar ele na sua cara. Seu vilash!

Vilash também é um termo inédito, mas que agora uso no meu dia-a-dia pra ser sincera. Substituiu o Daliti pra mim. São mil palavras novas diferentes e realmente me fez falta de uma explicação maior para seus significados, tipo um dicionário no final do livro, pra consulta… nerds nerdeiarão com essas coisas.

Senti que algumas informações ficaram desconexas no meio da história, porém nada que atrapalhasse o andamento da leitura. Garo-lin é, sem dúvidas, uma ótima protagonista. Teimosa e opiniosa ela até tenta se manter longe do caminho dos Dragões, mas quando as coisas apertam ela mostra quem é de verdade. Do outro lado do ringue temos Krission, o absoluto (e meio disléxico) Dragão do Fogo. Irritante, soberbo, cruel, tudo que nossa protagonista não é (tirando a parte do irritante, isso ela sabe ser quando quer). Eu queria pegar um travesseiro e sufocar ele até a morte enquanto dormia, só um pouquinho!

Como você não é assassinado toda hora?

Apesar desse comportamento elitista ao extremo a relação que Garo desenvolve com os Dragões vira uma coisa tão especial que esqueci meu instinto assassino, e simplesmente aproveitei o que estava por vir. Lhaisa, sua linda de nome lindo!

Não sei se peguei a primeira edição ou o que, os erros de revisão que encontrei me perturbaram um bocado, e por isso a nota baixa. Mas como toda história que fica impregnada na nossa cabeça não dá pra não ter um carinho enorme por Almakia. Quero voltar logo pra esse mundo mágico e ver o que acontece agora que o bicho pegou de vez pro lado da Garo. Ainda bem que já tinha comprado o segundo e agora posso devorar esse também. Espero que as coisas tenham melhorado, mas, acima de tudo, espero reencontrar Garo-lin e os Dragões logo!

Xoxo e bom meio de semana!

Ruína e Ascensão – Leigh Bardugo

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Essa capa, essa capa eu poderia tatuar no meu coração.

  •    Autor: Leigh Bardugo
  •    Editora: Gutemberg
  •    Nº de Páginas: 344
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2015
  •    Título Original: Ruin and Rising
  •    Tradutor: Eric Novello

   Avaliação: 10,0

Acredite em mim, se você não descobriu como encontrar amplificadores lendo Sol e Tormenta você não vai querer continuar lendo esse post. A blogueira não se responsabiliza por ataques de volcras, corações partidos ou prováveis desmembramentos. Clique aqui e volte mais tarde.

A capital caiu.
O Darkling comanda Ravka em seu trono das sombras. Agora o destino da nação depende de uma Conjuradora do Sol arruinada, de um rastreador desonrado e dos cacos do que antes fora um grande exército mágico.
No fundo de uma antiga rede de túneis e cavernas, uma fraca Alina deve se submeter à duvidosa proteção do Apparat e daqueles que a veneram como uma Santa. Porém, sua mente está na busca pelo misterioso pássaro de fogo e na esperança de que um príncipe foragido ainda esteja vivo.
Alina deverá formar novas alianças e deixar de lado velhas rivalidades, enquanto ela e Maly buscam pelo último dos amplificadores de Morozova. Mas assim que começa a elucidar os segredos do Darkling, ela descobre um passado que mudará para sempre seu entendimento sobre a ligação que os une e o poder que ela carrega. O pássaro de fogo é a única coisa que está entre Ravka e a destruição — e reivindicá-lo pode custar a Alina o futuro pelo qual ela tem lutado.

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Não sei vocês, mas eu detesto essa sensação de perda que dá quando termino uma série, trilogia, absurdamente boa. Isso é coisa de gente altamente bibliófila, viciada em livros além de salvação, então não espero que todo mundo entenda a reação ou sequer a experimente. Eu fico meio taciturna, amuada mesmo, pensando na estória, no fim. Acho que por não ter mais continuação o espaço onde ficaria a ansiedade pra saber o que acontece depois fica vago, e vem a saudade e bem, a sensação de perda.
É, falando assim soa meio exagerado, mas se vocês acompanham um blog de literatura pirado, que só fala de livros fantasiosos e que tem uma tendência preocupante para usar gifs não acho que vão me julgar. Né?!
A questão é que a trilogia Grisha acabou, morreu, já Elvis, kaputt, abotoou o paletó de madeira, foi dessa pra melhor e me deixou aqui, assim, sem Darkling, sem Alina, sem um etheralki pra contar história. Como proceder, meu bom povo?

Blogueira em estado de confusão após termino da leitura

Fiquei sabendo que muita gente criticou esse livro pelo seu final, gente que amou tudo tanto quanto eu e que ficou desapontado, tentei não deixar o pânico vencer e me joguei na leitura. Caímos em um aposento nas profundezas da Catedral Branca, onde Alina está sendo mantida ‘em repouso’ pelo Aparatt até recuperar suas forças. Claro que o repouso não inclui ficar longe das missas ministradas para uma horda crescente de fiéis que foram, aos trancos e barrancos, prestar seus serviços à santa do Sol. Alina agora tem seus próprios fanáticos que tatuam sóis em seus rostos e treinam para matar em seu nome. Bom, né? Seria se eles na verdade não estivessem sob ordens do Aparatt (que me lembra muito um Rasputin) e houvesse tantas crianças entre eles.
Fiquei pensando que a coisa ia se arrastar por ali, que a Alina demoraria pra dar um chega pra lá no sacerdote e mostrar quem mandava, bem começo de livro mesmo, mas não podia estar mais errada! Desde o inicio é tudo bem frenético, ninguém tem paz, um momento para respirar, com tantas coisas acontecendo uma atrás da outra.
Claro que Maly arrumou um tempo para ser um mala sem alça. Representando o proletariado na vida de Alina, ele treinou grishas e humanos para serem melhores soldados, encarnou o protetor respeitoso da sua rainha e basicamente ficava dando indiretinhas de “Vou ficar longe pois não sou bom o suficiente para você, mas viu, te quero, tá?” com olhares de cachorro pidão e deixando nossa heroína no vácuo. Isso. Me. Irrita.
Não superei a parte que ela foi apaixonada a vida toda, quando era gente como a gente, por ele e o garotão só foi dar bola depois que viu que ela podia incinerar pessoas com seu poder de luz. Meio conveniente, né? Tá, tá, eu sei que nada sei sobre as maluquices do coração e realmente até acredito que ele a ame do fundo de sua alma, mas guardo mágoas por ela e não sou totalmente confortável com o rumo que o relacionamento dos dois durante a trilogia.

Agora o momento mais esperado. O momento Darkling. Sexy sem ser vulgar.

Apesar de tudo o que ele já fez eu desafio qualquer um, QUALQUER UM, incluindo a autora desse livro a dizer que não gosta dele. Podemos sim, repreende-lo por ser um menino mau, muito mau, mas não vamos ama-lo menos por isso. Depois de tanta coisa que aconteceu, de tanto que a Alina já pastou ela encontrou uma espécie de calma, deixou de ser aquela garotinha inocente e carente. Agora ela entende que tem uma vantagem sobre o Darkling, por mais desconexa que seja, e explora isso, o deixando até vulnerável por ela. É um lado completamente novo do moço, um lado humano  que só nos faz ficar mais apegados por ele, se é que seria possível uma coisa dessas!

Mais do que tudo, esse livro é sobre crescimento. Sobre amadurecimento e as verdades que vem com isso. A autora viajou por uma escrita mais balanceada e lírica entremeando com cenas fortes e muita ação, mas sem deixar de ser tocante. A sensação que tive foi de que a personagem principal, depois de ser despida de inocência, ignorância e carência infantil, revelou-se muito mais dura e capaz do que até o leitor mais esperançoso podeira crer. Ela cresceu e sua maior batalha não é mais externa, essa ela já dominou. Agora Alina precisa saber como proteger o mundo dela mesma.

Foi sim, muito… emocionante, pra dizer o mínimo, deixou meu coração em pedacinhos bem minúsculos e eu SCHOREY! Como chorei! Foi mais difícil do que eu imaginava falar adeus pra essas pessoas, principalmente a parte de mim que se identificou tanto com a Alina e a outra parte tão fascinada pelo Darkling. Vou deixar escapar só uma coisa, um detalhezinho que me fez suspirar: descobri o nome do Darkling.

O fim desse livro não me deixou pensando no que ler em seguida. O fim desse livro me deixou presa por um gancho em cada parte bonita, bem feita e épica da jornada que foi essa série. Sou grata a Bardugo por criar um mundo fascinante onde pude viver por várias e várias horas na leitura, e pelos personagens com quem fiz amizade. Sinceramente, não posso recomendar mais uma trilogia como recomendo a trilogia Grisha, vão ler… agora!

xoxo e bom meio de semana!

Snow Like Ashes (Neve e Cinzas) – Sara Raasch

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  •    Autor: Sara Raasch
  •    Editora: Balzer + Bray
  •    Nº de Páginas: 422
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2014
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 8,0

Uma menina com o coração partido. Uma guerreira feroz. Uma heroína em crescimento.
Dezesseis anos atrás, o Reino de Inverno foi conquistada e os seus cidadãos escravizados, deixando-os sem magia ou um monarca. Agora a única esperança dos Invernianos pela liberdade são oito sobreviventes que conseguiram escapar e que, desde então, estão a espera pela oportunidade de roubar de volta a magia de Inverno e reconstruir seu reino .
Órfão ainda criança durante a derrota de Inverno, Meira viveu toda a sua vida como uma refugiada, criada pelo general Inverniano, Sir. Secretamente treinando para ser uma guerreira e perdidamente apaixonada por seu melhor amigo, o futuro rei de Inverno, Mather, ela faria qualquer coisa para ajudar-lo a recuperar a fonte de magia e subir ao poder novamente.
Então, quando batedores descobrem a localização do medalhão antigo que pode restaurar a magia do Inverno, Meira decide ir atrás ela mesma. Finalmente, ela está escalando torres e lutando contra soldados inimigos, assim como ela sempre sonhou que faria. Mas a missão não sai como planejado, e Meira logo encontra-se empurrada para um mundo de magia negra e perigosa política, quando finalmente percebe que seu destino não é, e nunca foi, dela própria.
Fantasia de estréia de Sara Raasch, é um conto vertiginoso sobre lealdade, amor, e encontrar o próprio destino. (Tradução livre, leve e solta)

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É difícil me surpreender com um livro depois de um começo previsível, vocês também tem essa sensação? A estória começa tão morna, sem uma ambientação forte, focando só num personagem que é, sem querer desmerecer ninguém, igual a um monte de outros que você pensa se foi uma boa ideia mesmo ter escolhido aquele livro.

Foi bem assim que começou meu relacionamento com Snow Like Ashes. Nas primeiras 80 páginas eu não conseguia prestar atenção, até bula de remédio parecia mais interessante e as repetições de palavras que a autora tanto fez estavam me dando nos nervos. Sem contar que a mitologia/realidade são bem únicas e só aconteceram tentativas de esclarecer as coisas. A impressão que tenho é que o manuscrito não passou por uma revisão homogênea, que a autora escreveu e revisou tudo em épocas diferentes na sua vida e o responsável pela revisão, pelo menos na primeira parte está de parabéns, sqn.

Mas daí baixou o Ezio Auditore na Meira e ela começou a pular e fazer acrobacias e atirar um chakran, tipo a Xena mesmo, louca da vida.

Como não prestar atenção depois disso?

Como num passe de mágica a estória sofreu uma reviravolta e entrou em pleno galope! Tudo o que podia acontecer aconteceu e eu fiquei com o coração na boca várias vezes xingando, chorando, amando os personagens.

O ponto central na trama é a perda de Inverno, um reino antigamente governado por uma rainha justa com poderes mágicos, para Primavera, liderada por um rei podre de ruim… e também com poderes mágicos. O que mais me marcou durante a leitura foi a abordagem do sentimento dos Invernianos sobreviventes, que tiveram suas casas e suas vidas arrancadas sem esperanças deixadas em troca. Foi muito real, muito visceral, dificilmente conseguimos ter essa visão tão clara do que é perder a pátria e a identidade, apesar de acontecer relativamente bastante na literatura fantástica. Vamos usar meu exemplo preferido de todos os tempos, os anões de Thorin Escudo de Carvalho sendo exilados da Montanha.

 

Gostei muito dos personagens, a forma como foram construídos. Principalmente a Meira e a forma como ela encara a vida nada pouco fácil que leva. Você esperaria que a menina órfã que nunca conheceu seu reino, é caçada desde a infância, perde amigos igualmente sofredores como quem perde elásticos de cabelo e que ainda por cima é apaixonada pelo próprio rei, que é tipo, o cara mais inaccessível do planeta fique assim, não é?

Mas ela fica assim:

E dá uma verdadeira banana pra qualquer um que queira dizer o que ela pode ou não fazer. Gosto muito disso pois cada vez mais vejo mocinhas que simplesmente seguem no mantra Ó Céus, Ó Vida, reclamando que tudo que acontece em suas vidas e não fazendo ABSOLUTAMENTE NA-DA para mudar isso. Particularmente acho que mau gosto e um péssimo exemplo.

Depois de um começo om uma escrita infantil, cheia de palavras repetidas que me matam um pouco por dentro, esse livro teve uma densidade tão inesperada da metade pro fim, eu senti tanto o que estava acontecendo com a vida da Meira e de todos os Invernianos que fiquei surpresa, maravilhada e precisando da continuação em minha vida. Recomendo fortemente Snow Like Ashes pra quem gosta de fantasia bem feita e de reviravoltas surpreendentes!

 

xoxo e bom meio de semana!

Grave Mercy (Perdão Mortal) – Robin LaFevers

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  •    Autor: Robin LaFevers
  •    Editora: Houghton Mifflin
  •    Nº de Páginas: 549
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 8,0

Por que ser a ovelha, quando você pode ser o lobo?

Aos dezessete anos de idade Ismae escapa a brutalidade de um casamento arranjado para o santuário do convento de St Mortain, onde as irmãs ainda servem aos deuses antigos. Aqui, ela descobre que o próprio Deus da Morte a abençoou com dons perigosos — e um destino violento. Se ela decidir ficar no convento, ela será treinada como uma assassina e serva da Morte. Para reivindicar sua nova vida, ela tem de destruir a vida dos outros.

A mais importante tarefa do Ismae a leva direto para a alta corte da Bretanha — onde ela encontra-se lamentavelmente despreparada — não só para os jogos mortais de intriga e traição, mas também para as escolhas impossíveis que ela deve fazer. Pois como ela poderia lançar a vingança da morte sobre alvo que, contra  vontade, roubou o seu coração? – Tradução livre leve e solta

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 Estatisticamente falando, quantas adolescentes brutalizadas durante a infância, vendidas a um noivo horrível e quase, mas quase mesmo, estupradas pelo dito marido sobrevivem para se tornar uma  coisa extraordinária?

Algumas? Poucas? Quase nenhuma? E por favor note que disse coisa, não pessoa. Ismae pode ser considerada sortuda, porque ela agora é a mais nova Filha do Deus da Morte!

Como uma garota que passou um tempo maior do que o considerado saudável estudando idade média e renascença e, infelizmente, exposta a muitos comportamentos machistas, sinto um prazer imenso quando leio sobre uma personagem feminina que causa medo nos personagens masculinos só por dizer quem é ou de onde veio. Só não contem pra ninguém isso, tá bom?

Claro que o medinho básico que as mulheres do convento St. Mortain inspiram não é totalmente injustificado. Lá elas aprendem como matar, fazer venenos, matar, costurar, matar, se vestir, matar, história geral, matar, manejo de espadas, matar, manejo de armas pesadas, matar, seduzir, matar, seduzir mais um pouco e matar de forma rápida e criativa.

Mesmo me mantendo colada nas páginas do começo o fim, Grave Mercy tem algumas falhas que causaram sentimentos conflitantes. Ainda assim, sei exatamente para quem indicar esse livro -na verdade stalkeei muita gente no Skoob depois, querendo alguém pra conversar!- então, se você gosta de idade média obviamente, jogos de intriga, um mistério, pessoas tentando andar fora do radar, os livros da Juliet Marilier, Leigh Bardugo, Licia Troisi e romance, esse aqui é pra você!

Ainda que haja vários personagens ambíguos no livro, o destaque realmente vai para Ismae, qual é, vocês sabem que um secundário pode roubar a cena! Ismae foi a principal responsável por todos os sentimentos conflitantes que tive, porque ela pode ser phodona e muito incrível ao mesmo tempo que me dá vontade de amarrá-la dentro de um saco e jogar num rio de piranhas. Foi meio difícil de engolir a moça como uma espiã sedutora competente se ela não tinha nenhuma noção de etiqueta da corte e voluntariamente  deixara de lado as lições sobre “artes femininas” que seriam bem úteis onde ela foi parar, o tempo todo ela se destacou, o que não funciona muito bem para uma espiã. Também a parte onde, de repente, ela não conseguia mais controlar todo o coração galopante, o frio na barria e o calor na… lá, toda vez que ficava perto demais de Duval. Controle-se mulher!

É constrangedor!

Não sei, isso vai de cada personalidade (sim, personagens tem personalidade e sentimentos reais) e eu esperava outra coisa, mas continuei meio apaixonada por ela. Amei suas decisões rápidas, seus crescimento ao longo do livro e sua tenacidade, que a fariam se pendurar numa janela para ouvir uma conversa secreta e sua capacidade de questionar mesmo através da fé. Fé em Duval, no convento, em seu santo e nos seus próprios instintos. Além de observações bem sagazes, tipo:

“Os homens são realmente tão idiotas que não podem resistir a duas esferas de carne?”

E seu cinto de utilidades! Ok, não exatamente um cinto, mas uma rede para cabelo com pérolas de veneno, um bracelete que pode ser usado como garrote, facas, facas e mais facas escondidas em todos os lugares e, meu preferido, um baú da morte. Contendo tudo o que o envenenador moderno poderia vir a precisar!

Não que os secundários não sejam dignos de nota. Gavriel Duval é um homem de honra, que serve sua meia-irmã,  a duquesa Anne que, na minha opinião é a segunda melhor personagem do livro! Ela não aparenta a idade que tem e se agarra as pouquíssimas pessoas que acha que pode confiar porque, literalmente, todo o resto pode estar tramando contra ela. Há outras pessoas que me deixaram apreensiva, não por atos declarados, mas por simplesmente parecerem que vão fazer alguma coisa para trair quem juraram proteger. Não vou dizer quem pois posso estar ou não certa a respeito delas e isso, vocês já sabem, seria um spoiler da idade das trevas.

Grave Mercy tem tudo para conquistar quem quer uma leitura agradável, com um pézinho no romance histórico alla Julia Quinn, sem abrir mão das intrigas e vontade de saber quem é o verdadeiro vilão. Esse era um livro que queria a muito tempo e não decepcionei por inteiro, apesar de achar que algumas partes poderiam ser melhores. Vou ficar triste de ter menos Ismae nas continuações Dark Triunph e Mortal Heart, as tenho certeza que vou achar outras heroínas pra amar.

xoxo e bom meio de semana!

A Filha do Louco – Megan Shepherd

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  •    Autor: Megtan Shepherd
  •    Editora: Novo Conceito
  •    Nº de Páginas: 416
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2014
  •    Título Original: The Madman’s Daughter
  •    Tradutor: Ivar Panazzolo

   Avaliação: 8,0

Juliet Moreau construiu sua vida em Londres trabalhando como arrumadeira – e tentando se esquecer do escândalo que arruinou sua reputação e a de sua mãe, afinal ninguém conseguira provar que seu pai, o Dr. Moreau, fora realmente o autor daquelas sinistras experiências envolvendo seres humanos e animais. De qualquer forma, seu pai e sua mãe estavam mortos agora, portanto, os boatos e as intrigas da sociedade londrina não poderiam mais afetá- la… Mas, então, ela descobre que o Dr. Moreau continua vivo, exilado em uma remota ilha tropical e, provavelmente, fazendo suas trágicas experiências. Acompanhada por Montgomery, o belo e jovem assistente do cirurgião, e Edward, um enigmático náufrago, Juliet viaja até a ilha para descobrir até onde são verdadeiras as acusações que apontam para sua família.

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Um grito doloroso rasgou a noite. O susto fez com que eu jogasse os lençóis para fora da cama, e eu senti o suor encharcando meu pescoço. Seria o cachorro? Eu não conhecia nenhuma criatura capaz de emitir um som tão inumano. Conforme os gritos se arrastaram, assombrando-me a cada respiração, minha mente começou a devanear entre lugares mais sombrios. Imaginando o que faria um animal gritar daquele jeito. […] Estava trabalhando em algo novo. Algo diferente.

A Filha do Louco tomou um rumo completamente inesperado para mim. Não tenho o costume de conferir resenhas antes de ler um livro justamente para entrar na história cega, sem influências além da sinopse, pronta para as minhas próprias conclusões. Talvez dessa vez eu devesse ter ‘pesquisado’ um pouco mais antes de me jogar, não porque a estória seja ruim, longe disso, mas fui achando que era Páscoa e só depois percebi que era Halloween, dá pra entender?

Não? Mea culpa. Vamos deixar em que A Filha do Louco não é só um livro de época com um toque obscuro. É de época sim, e obscuro, para dizer o mínimo, mas é muito mais que isso… não leitor, me recuso a dizer mais, você vai ter que passar pelo que passei se quiser saber do que estou falando. Confesso que estou um pouco dramática agora, acabei de assistir O Grande Gatsby, impossível não se afetar e escrever um pouco obsessivamente depois disso.

Não sei se foi uma combinação sábia

Vamos aos fatos sem spoilers malvados, eu odeio a Juliet. Poderia muito bem ter ficado sem ela o livro todo. Lembrando a personagem de Shakespeare que inspirou seu nome ela é daquelas meninas indefesas e chatinhas que passam tempo demais dizendo o contrário. Pra piorar, ela gosta de se vangloriar (pra ela mesma, veja se isso não é caso de psiquiatra) que é fria, mórbida e meio louca. Nesse ponto tenho que concordar com o pai dela, que é um personagem nojento, diga-se de passagem, quando ele diz que ela não passa de uma histérica.

Quero dizer, a menina VAI atrás do pai que ela sabe que que a abandonou e admite para si mesma que as acusações horrorosas contra ele podem ser verdade. Ela INSISTE para ser levada até onde ele está apesar de ser avisada que as coisas na ilha são meio diferentes e quando chega lá ela RECLAMA, tem ataque de pelancas quando descobre a verdade verdadeira, apesar de o tempo TODO dizer que ela mesma é doentia e fria demais. Bitch, você cansa minha beleza literária! Para mim Juliet achou que o papai ia largar as vivissecções para recuperar o tempo perdido com a filhinha (pra quem ele se lixava até então) e organizar o casamento do ano com Montgomery, afinal agora que ele faz parte da família, por que não estreitar um pouco mais esses laços, se é que você me entende.

Desculpe, mencionei que ela arruma tempo pro triangulo amoroso no meio de uma crise macabra na Ilha de Lost vitoriana? Pois é.

Ok, me recuperando do meu próprio ataque de pelancas, adorei ter uma história com terror numa ilha tropical. Quantas vezes vemos isso? Os escritores tendem a seguir pela névoa e gigantescas casas mal iluminadas, alguém ser constantemente ameaçado num paraíso dos trópicos de uma forma que deixa o leitor ansioso e sem respirar é bem diferente.

Os outros personagens, que na minha opinião poderiam ter trancado Juliet num baú, são ótimos. Principalmente Montgomery, Balthazar e Edward que me deixavam agitada cada vez que apareciam, inquieta, tentando descobrir o que havia por de trás de suas fachadas aparentemente simples. Já o Doutor Moreau me deixou dividida entre sair correndo, gritando, ou bater nele com uma vara, para continuar mantendo distância.

Estou até agora impressionada com o quanto gostei do livro, apesar do quanto desgostei da personagem principal. Não sosseguei até saber o que estava acontecendo, foi simplesmente viciante acompanhar toda a ação da ilha e perceber que, com o passar do tempo, Juliet começa a se referir à ilha como uma pessoa, como se ela houvesse de alguma forma absorvido a maldade do pai e fosse cruel por si só. Sem contar o final, aquele final, que me fez querer gritar nããããããããão sem ligar pra acordar a casa toda, as pessoas tem que entender que reações exageradas para finais com ganchos são naturais.

A estória baseada no livro de H. G. Wells A Ilha do Doutor Moreau cumpre seu papel, é arrepiante e carregada de suspense para te deixar acordado lendo até perceber que falta pouco para ter que ‘acordar’. Agora estou assim, órfã de continuação! Pode uma coisa dessas?

xoxo e bom meio de semana!

P.S. direto da ilha:

Acho isso extremamente perturbador

Pandemônio – Lauren Oliver

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  •    Autor: Lauren Oliver
  •    Editora: Intrínseca
  •    Nº de Páginas: 304
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: Pandemonium
  •    Tradutor: Regiane Winarski

   Avaliação: 9,0

ATENÇÃO, RESENHA ALTAMENTE PERIGOSA PARA NÃO LEITORES DE DELÍRIO. Se você ainda não pegou amor delíria nervosa mantenha-se longe!

Dividida entre o passado — Alex, a luta pela sobrevivência na Selva — e o presente, no qual crescem as sementes de uma violenta revolução, Lena Haloway terá que lutar contra um sistema cada vez mais repressor sem, porém, se transformar em um zumbi: modo como os Inválidos se referem aos curados. Não importa o quanto o governo tema as emoções, as faíscas da revolta pouco a pouco incendeiam a sociedade, vindas de todos os lugares… inclusive de dentro.

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“O outro lado da liberdade é: quando você está completamente livre, também está completamente sozinho.”

Ah, o final de Delírio.

Como proceder depois daquele final? Como dona Oliver, como??

Lembram que, a muito tempo atrás, eu disse que Delírio era tão devagar no começo que quase o chutei pro fim da fila? Então, Pandemônio começa de onde Delírio acabou, e é tudo, menos parado!

Enquanto Delírio foi focado em amor proibido e na alegria de novas descobertas, Pandemônio é todo sobre Lena e sua nova vida. Eu sei que muita gente detestou a coisa do Antes e Agora, eu, particularmente, amei. Deu um ritmo inesperado para a leitura, como quando você fica indo de um personagem ao outro, só que desta vez eles se juntam e formam um só no final. Muito bom!

Então a Lena está na Selva. Ou devo dizer, aquela que um dia foi Lena está na Selva. Imaginem um personagem que evoluiu, mudou, se transformou completamente e não em uma só aspecto, mas em vários. A Lena de Delírio era uma coisinha tontinha, assustada e fragilizada pelas próprias descobertas, a Lena de Pandemônio já não tem mais nada a perder, somente memórias dolorosas.

Ela pensa no Alex, é claro que ela pensa, acho muito injusto que digam que a Lena o deixou de lado! Só que ela tem coisas mais urgentes pra se ocupar, tipo não morrer de inanição, não morrer de sede, não morrer de frio, esse tipo de situação chata que pode tomar o tempo de uma pessoa… Na minha humilde opinião ela até usa essa nova realidade como escudo contra suas feridas emocionais.

Temos mais ação agora. Lena encontra Graúna, Prego e outros ‘Inválidos’ que a ensinam o que há para ser ensinado em termos de sobrevivência com quase nada. Apesar de amar romances, gosto muito de livros com perseguições, correria, tiros de um lado pro outro. Não estou dizendo que temos tiros de um lado pro outro sabe, porque isso seria um spoiler sabe, mas não vai te fazer mal ter uma arma pra se defender enquanto estiver lendo, sabe, só por precaução…

Também é bom se preparar para toneladas de novos personagens e apenas lembranças dos antigos, essa mudança não poderia ser mais emblemática, tudo aquilo que Madalena um dia conheceu se foi. Ela se deu conta disso quando se deu conta que já havia passado tempo suficiente para Hana ter passado pela Intervenção e que a única pessoa que compartilhava e, mais importante, entendia os segredos de Lena estava perdida para sempre.

Para sempre é meio pesado né, eu pessoalmente acho que essa coisa toda de curar  amor parece algo que daria para ser revertido, mas sei lá, é só uma especulação, quem sabe que tipo de agonia a Lauren Oliver ainda planeja para a gente?

Reação padrão ao final de Delírio, Pandemônio…

Em suma, Pandemônio não tem delicadezas, mas tem paixão, não tem romance, mas tem saudade, não tem respostas, mas tem várias perguntas e, principalmente, tem um gancho de matar no final, assim como Delírio. Vamos esperar que Réquiem seja conclusivo, tenho medo dessa mania de deixar os leitores com o coração na mão da Oliver…

 

xoxo e feliz Páscoa

 

Enfeitiçadas – Jessica Spotswood

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  •    Autor: Jessica Spotswood
  •    Editora: Arqueiro
  •    Nº de Páginas: 272
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2014
  •    Título Original: Born Wicked
  •    Tradutor: Ana Ban

   Avaliação: 8,5

Antes do alvorecer do século XX, um trio de irmãs chegará a idade adulta, todas bruxas. Uma delas terá o dom da magia mental e será a bruxa mais poderosa a nascer em muitos séculos: ela terá poder suficiente para mudar o rumo da história, para suscitar o ressurgimento do poder das bruxas ou um segundo Terror. Quando Cate descobre esta profecia no diário de sua mãe, morta há poucos anos, entende que precisa repensar seus planos. Qual será a melhor opção: servir a Irmandade, longe dos olhos vigilantes dos Irmãos Caçadores de Bruxas, aceitar uma proposta de casamento que lhe garanta proteção e segurança ou abandonar tudo e viver um grande amor proibido?

 Prepare-se para se encantar com os jovens pretendentes de Cate, abominar o ódio e a repulsa que os Irmãos dedicam a meninas e mulheres, e aguardar ansiosamente pela sequência de As Crônicas das Irmãs Bruxas.

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Uau, leitura em dia, blog atualizado! Parabéns para mim! Prova que dormir é, de fato, uma atividade opcional…

Dois posts numa semana! Dois posts numa semana!

Sabe quando você quer um pouco de magia, mas não só isso? Você quer romance também e alguma coisa charmosa, tipo uma estória de época, mas está meio difícil de achar por aqui? Eu te compreendo perfeitamente caro leitor, e digo: seus problemas acabaram! Chegou Enfeitiçadas:

“Gabrielle é inocente. Eu não sou. Fui perversa e traiçoeira, usei magia mental contra meu próprio pai. As palavras dos Irmãos ressoam na minha cabeça. Eu sou uma bruxa. Devia ter sido eu, não ela.

Mas agradeço ao Senhor por não ter sido. Em que tipo de garota esse pensamento me transformava?”

Enfeitiçadas é contado em primeira pessoa por Cate Cahill, a irmã mais velha de três, e flutua entre os vários dilemas da moça. Quem vai escolher como marido antes que escolham por ela? Como vai proteger as irmãs do olhar vigiante e cheio de censura dos Irmãos? O que ela vai fazer pra esconder toda a magia transbordando dentro de si e das caçulas?

Disfarçá-las, talvez?

O único problema pra mim é que não tem tanta bruxaria… Não que não tenha absolutamente naaaada, mas ainda assim, queria mais! Vocês estão carecas de saber que eu adoro personagens mágicas, cheias de poderes especiais que podem tocar o terror à vontade né? Pois é, a Cate tem tudo pra ser assim, mas ela se segura tanto, mas tanto, pra neutralizar a sua parte bruxa que quase dá certo. Lógico que isso faz parte do contexto, só que AHHH! Ao invés de magia, ela foca nos seus deveres.

O livro é fino, tem só 271 páginas, letras grandes, então vocês certamente entendem a vontade que eu tinha de sacudir a Cate pelos ombros e berrar “Para de falar de como você é responsável pelas suas irmãs o TEMPO TODO e volta pra estória, bitch! Nós já entendemos seu recado QUEREMOS-MAIS-FINN!” 

Como não deveria deixar de ser, para balancear a protagonista sombria, os personagens secundários dão um show à parte com suas personalidades bem diferentes. A governanta é facilmente comparável à preceptora de A Menina Que Não Sabia Ler, ambígua, um personagem misterioso que não me deixava decidir se deveria confiar nela ou não. Resolvi seguir o costume e não dar brecha pra tal Elena fazer algum estrago do nada. Juro que não é spoiler, só um comentário, mas sempre que eu desconfio de um personagem acontece alguma coisa que de razão para essa desconfiança depois… Um sexto sentido literário, talvez?

As irmãs, Tess e Maura poderiam ter seus próprios pontos de vista, por mim, mas quem realmente rouba a cena é Finn Belastra o jardineiro/estudioso/filho de uma mulher muito bacana. Não importa o que digam, ele é exatamente o cara que faria qualquer garota vitoriana -e leitora contemporânea- suspirar do começo ao fim.

Eu me encanto por bruxas e gosto ainda mais quando as mocinhas não são ovelhas indefesas que dependem de mocinhos chatos de galocha. Enfeitiçadas tem isso de sobra, envolto em um bom mistério que te deixa formulando teorias sem parar. Está esperando o que para aprender sobre as Filhas de Persephone e a poderosa Irmandade?!

Por fim, um desabafo.

Até hoje nunca encontrei uma Profecia sobre mim, devo dizer que fico um pouco desapontada, afinal 80% dos protagonistas de romances de fantasia tem as próprias profecias. Acho que isso é um sinal, talvez a minha carta de Hogwarts não tenha se perdido na greve do Correio Coruja local… Droga.

E a continuação? Eu ainda não tenho a continuação! A vida é mesmo muito injusta.

xoxo e bom carnaval

Os Garotos Corvos – Maggie Stiefvater

Os Garotos Corvos (AR)

  •    Autor: Maggie Stiefvater
  •    Editora: Verus
  •    Nº de Páginas: 376
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: The Raven Boys
  •    Tradutor: Jorge Ritter

   Avaliação: 8,0

Todo ano, na véspera do Dia de São Marcos,­ Blue Sargent vai com sua mãe clarividente até uma igreja abandonada para ver os espíritos daqueles que vão morrer em breve. Blue nunca consegue vê-los — até este ano, quando um garoto emerge da escuridão e fala diretamente com ela. 

Seu nome é Gansey, e ela logo descobre que ele é um estudante rico da Academia Aglionby, a escola particular da cidade. Mas Blue se impôs uma regra: ficar longe dos garotos da Aglionby. Conhecidos como garotos corvos, eles só podem significar encrenca.

Gansey tem tudo — dinheiro, boa aparência, amigos leais —, mas deseja muito mais. Ele está em uma missão com outros três garotos corvos: Adam, o aluno pobre que se ressente de toda a riqueza ao seu redor; Ronan, a alma perturbada que varia da raiva ao desespero; e Noah, o observador taciturno, que percebe muitas coisas, mas fala pouco.

Desde que se entende por gente, as médiuns da família dizem a Blue que, se ela beijar seu verdadeiro amor, ele morrerá. Mas ela não acredita no amor, por isso nunca pensou que isso seria um problema. Agora, conforme sua vida se torna cada vez mais ligada ao estranho mundo dos garotos corvos, ela não tem mais tanta certeza. De Maggie Stiefvater, autora do aclamado A Corrida de Escorpião, esta é uma nova série fascinante,­ em que a inevitabilidade da morte e a natureza do amor nos levam a lugares nunca antes imaginados.

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Como vocês devem imaginar, eu tenho uma verdadeira Muralha da China pra resenhar, porque, apesar de ser a pior blogueira da face das galáxias/dimensões/Nárnias, continuei uma leitora mais ou menos dedicada. Entenda-se “li pouco, não nego, leio mais quado puder.” O Garotos Corvos não foi o último livro que li e normalmente não o resenharia sendo assim, mas ele continua tao vivo na minha mente que não tem por que não mandar ver. Então, vamos a uma pequena prévia das minhas emoções:

Livro novo da Maggie: EU QUERO EU QUERO

(insira trilha sonora aqui) Ahhh moleque, bora ler livro da Maggie!

Eu aaaaaaaaaaaamo tanto o fato da Maggie (sim, somos intimas na minha cabeça) criar coisas pouco convencionais e mágicas. Ela pode pegar qualquer lenda existente, dar um banho de literatura jovem nela e voilá! Temos uma estória incrível e dinâmica, bem ao gosto de quem não tem muita paciência pra introduções longas. E mais! Os 1.000.000.000.000.000 primeiros leitores levam, totalmente de grátis, diálogos naturais e inteligentes entre Blue e Gansey! Esqueça aquela baboseira mecânica que vem praticamente enlatada, agora você pode aproveitar o melhor de conteúdo e apresentação num só produto! (Leu isso com a voz do locutor da Polishop? Ótimo)

Bem, essa belezura é vista pelo ponto de vista de Blue, Gansey e Adam, apesar de ser narrada em terceira pessoa. Gostei dessa nova incursão da Maggie, Lobos de Mercy Falls e A Corrida de Escorpião (livro favorito de 2012)  são em primeira pessoa, então, tecnicamente, te mostram mais a fundo o que se passa com cada personagem. Porém a Maggie é tão Maggie que não deixa dever em nada nesse quesito, fica até mais confortável de se ler.  Só não estranhe termos outros dois Garotos Corvos bem expressivos, Noah e  Ronan, mas não haver o ponto de vista deles, prometo que isso se explica ao longo do livro.

Apesar de haver amor verdadeiro na sinopse, devo dizer que Os Garotos Corvos não é um livro romântico.  Não que não tenha um casal, ou dois, ou um e meio, se é que você me entende, mas o foco são as linhas ley, a busca de Gansey pelo sobrenatural e a luta de Blue contra exatamente isso, o misticismo da sua família. Veja o que acontece com a moça, ela vive cercada de videntes e médiuns de todos os tipos desde que nasceu, sua família conhecida é composta por médiuns poderosas, e praticamente todas as pessoas próximas são capazes de fazer alguma coisa muito legal. Menos ela.

Na verdade Blue tem o poder de aumentar o poder dos outros, o que para os outros é muito bacana, para ela é algo muito injusto.

Não que ela vá passar o livro todo choramingando por isso, como algumas mocinhas fazem (o que deve ser um tipo de super poder também), a Blue tem mais o que fazer, como por exemplo entrar de cabeça na busca de Gansey e ficar obcecada pelos meninos. O único problema para mim foi a mudança de foco. O começo tratava de Blue, a profecia em sua vida e depois… necas desse assunto! Era só Garotos Corvos isso, Garotos Corvos aquilo! Ela passou de personagem principal a elenco de apoio muito rápido. Okay, o nome do livro é Os Garotos Corvos, mas pela sinopse não é de se esperar mais dela?

De qualquer forma esse é um livro sombrio, com um toque de bizarro e uma atmosfera que eu não esperaria ver toda junta. A adolescência americana misturada com ocultismo e aquele apêndice, bem do nada mesmo, de um rei celta deixa tudo meio esquisito, o que, na minha opinião, é sempre bem vindo. Leia Os Garotos Corvos se você está afim de se surpreender, sair da mesmice, adquirir um pouco de cultura inútil ao simplesmente mergulhar numa boa estória contada por quem sabe o que está fazendo.

Por último: blogueira, você está afim de ler a continuação, The Dream Thieves?

Boa semana pra todo mundo!

xoxo

Eva – Anna Carey

Eva-de-Anna-Carey

  •  Autor: Anna Carey
  •   Editora: Record
  •   Nº de Páginas: 288
  •   Edição: 1
  •   Ano: 2013
  •   Título Original: Eve
  •   Tradutor: Fabiana Colasanti
  •   Avaliação: 5,5

A guerra dos sexos está apenas começando… No futuro, uma praga mortal aniquilou a população da terra. Homens e mulheres seguem segregados. Os meninos são mandados para campos de trabalho forçado. As meninas, para Escolas onde aprendem uma profissão chave na reconstrução mundial. Mas as aparências enganam… E Eva está prestes a descobrir que a verdade pode ser muito mais terrível do que o vírus que varreu seu país. Está prestes a descobrir que seu futuro pode ser mais parecido com a da primeira mulher a levar seu nome…

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 A Eva era uma menina que tinha uma vida simples, preto no branco, repleta de verdades inquestionáveis como:
  • O Rei é bom, mas:
  • Homens no geral são maus;
  • Tudo de ruim é culpa dos homens;
  • Nada, nada do que os homens dizem é confiável;

E regras bem fáceis de serem seguidas, por exemplo:

  • Mantenha distância de homens;
  • Não importa o que aconteça, não chegue perto de homens;
  • Sério, fuja deles;
  • Evite matilhas de cães selvagens, eles podem almoçar você;
  • Mas, sério, evite mais os homens;

Porém, apesar de todas as horas gastas ensinado essa criatura coisas assim, adivinha a primeiríssima coisa que ela faz quando fica sozinha?!

Tá, tudo bem, não foi a primeira coisa, mas depois de algumas decisões ruins sem qualquer ligação com gêneros, a Eva encontra um garoto e… faz o favor de se apaixonar por ele.

A questão é, se a autora tivesse sido mais razoável na parte do que as garotas aprenderam a pensar, isso não seria um problema tão grande. Só que até na literatura! Quero dizer, todos eles de repente se tornaram Sauron, Voldemort, Valentin, Presidente Snow e George R R Martin, todos  super vilões em qualquer circunstancia. As meninas sofreram lavagem cerebral durante toda a vida e, depois de um incidente nem de longe tão traumatizante quanto a Eva fez parecer (again, minha opinião), ela simplesmente botou isso de lado na primeira oportunidade! (!!!!)

É por isso que meu personagem preferido é o urso

Não sei, eu não consegui entrar no livro, os personagens simplesmente não abriram a porta e, depois de começar com o pé esquerdo, não tive vontade de botar a bendita porta abaixo com machadadas. Coisa que estou acostumada a fazer, diga-se de passagem.

Talvez um leitor afortunado tenha simpatizado mais com a Eva e aproveitado melhor a leitura, mas a todo o tempo eu ficava pensando “O que raios essa menina está fazendo?? Ela quer morrer?? Ela quer matar o Caleb?? Ela quer matar o urso?!!! Por que ela não deixa a Arden ser a personagem principal só por um ou dois livros??” Isso meio que acaba com a leitura da gente.

Caí do cavalo

De qualquer forma, os personagens secundários e as coisas surpreendentes que acontecem  com eles valem a pena.  Por exemplo Arden, ela tinha tudo para ser uma nada na estória, mas a relação dela com Eva me interessou mais do que o romance de Eva e Caleb. Ah, Caleb por que você tinha que ser tão altruísta? Por que você não podia deixar a Eva se ferrar uma vez ou outra, só para ela aprender a ser mais esperta?

Créditos onde devem ser colocados, eu gostei do enredo de Eva, uma distopia meio Peter Pan, não exatamente óbvia, ainda que irritante, em alguns pontos. Sempre achei interessante ler sobre acontecimentos tão catastróficos que mudassem completamente a face de uma nação. Devo ser meio mórbida, mas na nossa sociedade, tô falando do Brasil, ok?!, não passamos por isso, não faz parte da nosso cotidiano a muitos anos e, ainda que tenhamos tido marcos históricos, nada que se comparasse a uma praga que limparia o país de praticamente todo mundo! Simplesmente não consigo imaginar como seria assim. Vocês conseguem?

Enfim,  Eva foi um livro pela metade, uma boa ideia mal aproveitada. Com tudo que li só fiquei com a sensação de pois é, mais um, coisa que me deixa mal, porque não posso amar nem odiar um livro medíocre e eu meio que gosto de ter sentimentos extremos em relação aos livros. Faz sentido?

Boa semana sweeties!

xoxo