Senhor das Sombras – Cassandra Clare

CAPA-SENHOR-DAS-SOMBRAS (1)

  •    Autor: Cassandra Clare 
  •    Editora: Galera
  •    Nº de Páginas: 602
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: Lord of Shadows
  •    Tradutor: Rita Sussekind
  •    Avaliação: 9,0

A ensolarada Los Angeles pode ser um lugar sombrio na continuação de Dama da Meia-Noite, de Cassandra Clare. Emma Carstairs finalmente conseguiu vingar a morte dos pais e pensou que com isso estaria em paz. Mas se tem uma coisa que ela não encontrou foi tranquilidade. Dividida entre o amor que sente pelo seu parabatai Julian e a vontade de protegê-lo das graves consequências que um relacionamento entre os dois pode trazer, ela começa a namorar Mark Blackthorn, irmão de Julian. Mark, por sua vez, passou os últimos cinco anos preso no Reino das Fadas e não sabe se um dia voltará a ser o Caçador de Sombras que já foi. Como se não bastasse, as cortes das fadas estão em polvorosa. O Rei Unseelie está farto da Paz Fria e decidido a não mais ceder às exigências dos Nephlim. Presos entre as exigências das fadas e as leis da Clave, Emma, Julian e Mark devem encontrar um modo de proteger tudo aquilo que mais amam — juntos e antes que seja tarde.

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Assim como Senhora da Meia-Noite, SdS é um livro grande. Grande e compriiiiiido, com muitas coisas acontecendo antes mesmo da metade. Levei um mês nesse livro, um mês inteiro, o que pra mim é uma verdadeira vergonha, praticamente até a página 170. Foi a partir daí as coisas começaram a ficar realmente interessantes e voltei a ser eu mesma: li as outras 430 páginas em menos de dois dias 🙂

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 Acho que uma coisa que me cansou logo de cara foi a “divinificação” de Clary e Jace. Eles aparecem nessa história com 20 e poucos anos, já Caçadores de Sombras  glorificados e tratados como heróis e lendas vivas por todos. Isso era de se esperar, levando em conta o tanto que esse casal pastou e acho digno mesmo que eles mereçam respeito. Mas as interações deles com os outros personagens ficou forçada demais, irreconhecível. Parece que a Cassandra resolveu que ia botar um manto de Yoda, Gandalf, Dumbledore ou qualquer outro velho sábio neles, e os escreveu como anjos dando conselhos para os mais novos. A Clary virou uma criatura serena e Jace esqueceu como tirar com a cara de todo mundo. Uma pena. Quem acompanha a série desde o princípio sabe da personalidade de cada um e está bem familiarizado com as falhas e defeitos também, por isso acho difícil engolir essa mudança.

Sim, eu fiquei revoltada. E quanto mais penso nisso, mais revoltada fico.

Se você curtiu essa nova fase paz e amor de um dos melhores casais do universo YA, não me odeie. Eu prometo que só tenho coisas boas pra falar daqui em diante!

Eu acredito piamente que Cassandra passa horas acordada na cama, olhando pro teto e pensando: “Como posso ferrar ainda mais com a vida dos meus queridos personagens?”

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Ela deve se esforçar pra criar essas situações gente! Não é possível! E se esse dom pra romances impossíveis vem naturalmente então senhora Clare, acho que precisamos chamar um médico pra você. Ou um padre.

Resumindo qualquer livro contendo Caçadores de Sombras: você acha que seu casal do coração finalmente encontrou um meio de ser feliz e, BAM, algo terrível acontece é o mundo de todos, inclusive o seu, é virado de cabeça para baixo!

E qualquer pessoa normal ficaria irritada por ter seus sentimentos feitos de brinquedo por alguém. Mas nós somos leitores, nós não somos normais. Nós queremos mais sofrimento.

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Então chega Senhor das Sombras pra conceder esse desejo. É tiro atrás de tiro. É bomba atrás de bomba. Tem momentos de orgulho (Emma, você é demais) e ódio mortal. Tem tantas coisas cruciais acontecendo e pequenas bolhas de calmaria (pequenas, bem pequenas) e você fica maluco a cada descoberta porque, como mencionei acima, Cassandra gosta de complicar e mostrar que o buraco é mais embaixo.

Senhor das Sombras é um livro exaustivo. Ele é longo e bem lento no começo, e depois pega um ritmo alucinante que cansa. Mas é aquele cansaço bom, de dançar por horas ou nadar muito no mar.

Terminei a leitura sem saber o que ler em seguida, porque nenhum outro livro me manteria naquela vibe incrível.

Lirael, A Filha do Clayr – Garth Nix

  • Autor: Garth Nix
  •    Editora: Rocco
  •    Nº de Páginas: 440
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2011
  •    Título Original: Lirael
  •    Tradutor: Chico Lopes

   Avaliação: 8,0

Atenção, Spoilers Maiores, vindos direto do Oitavo Portal da Morte, rondam essa resenha. Certifique-se de estar com seus sinos de necromante à mão e a leitura de Sabriel em dia.

Depois de Sabriel, este é o segundo da série O Reino Antigo, ambientada numa terra dividida entre a modernidade e as tradições mágicas por um enorme muro. De um lado, está a Terra dos Ancestrais, um lugar onde a razão e a tecnologia predominam; de outro, o Reino Antigo, onde vivem perigosas criaturas sobrenaturais e onde a magia impera. Neste volume, um antigo mal começa a se espalhar e Lirael, então, é enviada em uma jornada cheia de perigos, tendo como única companhia um cão que é muito mais do que parece.

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“O caminhante escolhe o caminho, ou o caminho escolhe o caminhante?”

Essa é a frase que fecha o Livro dos Mortos, coisa que todo Abhorsen deve ler e compreender. Mas o nosso emprego não precisa ser colocar os mortos de volta no caixão para refletirmos nisso, não é?

Eu tenho um sério vício como leitora, sempre lembro do autor enquanto leio um livro. Não entendo bem o porquê disso, mas é como se eu estivesse atenta ao que levou o escritor a fazer tal coisa na obra ou o que os personagens e eventos falam sobre a personalidade dele. Porque, afinal de contas eles são apenas isso, personagens e eventos frutos de uma mente.

Mas às vezes esqueço disso.

Às vezes os personagens são tão bem construídos, os eventos são tão bem planejados que acabo deixando esse vício de lado e entrando completamente na estória, aproveitando cada parágrafo como se fossem reais. Aconteceu praticamente o tempo todo com As Crônicas de Gelo e Fogo, em várias ocasiões com Jogos Vorazes e em Sabriel.

Lirael acabou não sendo diferente.

Toda a criatividade empregada no Reino Antigo e na Terra dos Ancestrais é cativante demais para ser deixada de lado. É como se o livro tivesse uma fotografia (é, aquela categoria do Oscar!) incrível!

Vamos ilustrar! 😀  Imagine trabalhar numa biblioteca com instruções assim:

“-Agora, esse apito fica preso nas laçadas da lapela aqui, de modo que você possa curvar a cabeça e soprar nele, mesmo se alguém estiver prendendo as suas mãos. […]

O que Imshi queria dizer? O que poderia prender suas mãos?

[…] –Naturalmente, o apito só é bom apenas quando alguém pode escutá-lo. […] É por isso que você ficará com o rato. […]

-O que ele faz? […]

-Consegue ajuda […] e eu verei daqui a pouco qual o punhal mais afiado para você!”

Não é um amor? Adicional por insalubridade nas alturas!

Ainda assim, vale lembrar que Lirael é um livro azul, melancólico, gelado. Você pode lê-lo no inverno ou no verão de rachar e ele ainda vai te deixar com um frio latente na espinha. Nesse volume temos ainda menos diálogos, em comparação a Sabriel, e as descrições detalhadas estão por todo o lado, mas isso ajuda a dar o tom sombrio da narrativa.

Não, esse não é um livro de terror! Mas a Morte está apenas a uma concentração de distância em qualquer lugar que Lirael ou Sameth vão. Como boa medrosa que sou, não precisei de muito para ficar desconfortável e apreensiva toda vez que a droga de uma coisa Morta resolvia sair do túmulo (por vontade própria ou não) e roubar a Vida das outras criaturas por ai. Em outras palavras: mastigar a Vida fora de outra pessoa!

Eu, heim?! Tô fora!

Enfim, Morte, Vida, Visão, Abhorsen, Magia Livre e Ordem… tudo isso é com letras maiúsculas, mesmo quando é verbo, por razões específicas e que ajudam o leitor a entender a importância tanto simbólica quanto física dessas coisas no Reino Antigo. Até porque, pouquíssimas coisas são apenas simbólicas no Reino Antigo.

Ok, agora vamos falar desses dois protagonistas.

Lirael é uma Filha do Clayr… sem a Visão. Como se não bastasse ela ser fisicamente diferente de todas as outras mulheres do Clayr, a garota ainda por cima nem consegue Ver o futuro, característica do Sangue do Clayr. Era de se esperar que ela não tomasse isso graciosamente, mas suas reações são um pouquinho exageradas e constantes demais para o meu gosto.

O mesmo é para o jovem príncipe Sameth, o filho de Sabriel com Pedra de Toque. É, eu sei! Também tive dificuldade de aceitar que uma das minhas heroínas preferidas cresceu e que isso provavelmente significa uma despedida! Mas o filho dela agora é o Abhorsen-em-espera… e tem medo da Morte. Bom, né? Ele sofreu um grande trauma logo no inicio da sua estória, mas o problema é que ele não supera isso!

Tanto ele quanto Lirael são o tipo de gente que bate na mesma tecla o tempo todo, sempre lamentando a injustiça da vida e o peso das expectativas. Eles até aprendem, por fora, a serem melhores magos, lutadores, adquirem certa perspicácia, geralmente marteladas dentro de suas cabeças por Mogget e o Cão Indecente, mas por dentro não mudam.

Foi extremamente desgastante ler suas inseguranças tão arraigadas e tacanhas por tanto tempo! Aquilo foi me irritando e me fazendo querer que alguma coisa acontecesse, malvada mesmo, pra tirar eles daquele mimimi!

Isso quase tirou o brilho da estória pra mim. Quase.

O final é simplesmente a melhor coisa que poderia ter acontecido por todos os livros e garante que vem coisa tão boa quanto ou ainda melhor em Abhorsen – A Última Esperança dos Vivos!

Continuo recomentando a trilogia Abhorsen fortemente. Se você gosta de épicos, ideias doidas, animais loucos e cenários de profundidade, não pode perder a união de tudo isso a um enredo de tirar o fôlego!

Boa semana!

xoxo

Sabriel, A Missão da Guerreira – Garth Nix

Não dá pra ver, mas tem uma marca d’água com sinais da Ordem nela!

  • Autor: Garth Nix
  •    Editora: Rocco
  •    Nº de Páginas: 398
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2011
  •    Título Original: Sabriel
  •    Tradutor: Chico Lopes
  •    Avaliação: 9,0

Primeiro volume da série O Reino Antigo, lançamento Rocco Jovens Leitores no Brasil, Sabriel – A missão da guerreira é uma história de fantasia e aventura ambientada numa terra dividida entre a modernidade e as tradições mágicas por um enorme muro. De um lado, está a Terra dos Ancestrais, um lugar onde a razão e a tecnologia predominam; de outro, o Reino Antigo, onde vivem perigosas criaturas sobrenaturais e onde a magia impera. Neste lugar de equilíbrio frágil, apenas uma pessoa é designada para cruzar a barreira entre os dois mundos e evitar uma tragédia. Ao encontrar o corpo de um Mago da Ordem e tocar o sinal em sua testa, a jovem Sabriel acaba trazendo à vida novamente um dos Mortos Maiores. Filha de um necromante Abhorsen, cuja função é justamente colocar os mortos despertos em repouso para sempre, Sabriel não poderia imaginar que seu destino guardasse tantos desafios pela frente. Vivendo na Terra dos Ancestrais, ela se vê obrigada a voltar ao Reino Antigo, onde nasceu, quando recebe uma mensagem, a espada e as ferramentas de trabalho do pai, desaparecido. Em busca do velho pai, ela acaba descobrindo um terrível inimigo que ameaça destruir os dois lados do muro e uma perigosa missão, que não poderá recusar. A jornada de Sabriel pelo fascinante mundo da série O Reino Antigo é apenas o começo de uma inesquecível aventura, repleta de mistério, suspense e magia.

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E se Harry Potter lutasse de armadura? E se Harry Potter usasse sinos, não uma varinha? E se Harry Potter lidasse com Mortos? E se Harry Potter fosse uma garota?

Eu não enlouqueci de vez, sério. E meu mundo não se resume a Harry Potter, juro.  Tem LoR tbm

Mas Sabriel simplesmente foi se tornando muito parecido com HP, de uma forma completamente positiva e livre de plágios.

Nunca vi nada do Garth Nix, sei que ele tem outras séries, mas faltou algo que me chamasse a atenção. Sabriel logo entrou para a minha lista de must have quando li sua contra-capa, escandalosamente curta, e descobri que se tratava da minha combinação preferida: garotas badass+espadas+magia.

Quando Sabriel sai da segurança do Colégio Wyverley, ela realmente não quer pensar muito no que está por vir. As possibilidades são ruins ou muito ruins. Seu pai está desaparecido em algum lugar da Morte, o que pode significar estar apenas aprisionado (o que é péssimo já que Abhorsen é o maior necromante e Mago da Ordem do Reino Antigo plus Terra dos Ancestrais) por algum dos Mortos Maiores, ou ele pode estar morto.

Apesar de já ter lido todo o Livro dos Mortos e ter tido aulas particulares com seu pai sobre a necromancia, Sabriel sabe o quanto está despreparada para tudo aquilo. Ela tem um conhecimento básico de Magia da Ordem e se vira muito bem com uma espada em punho, mas não manja absolutamente nada sobre O Reino Antigo. Aliás, ela só percebe o tamanho da enrascada em que está se metendo quando vai cruzar o Muro, e descobre que Abhorsen não é um nome, e sim um título. É a pessoa responsável por botar os mortos para dormir, de novo.

Com todo o peso da responsabilidade de Abhorsen nas costas, Sabriel se aventura por terra, água e ar atrás de seu pai, e de quebra, aprende a correr mais rápido que criaturas que nem deveriam poder correr.

Em sua jornada ela é auxiliada por Mogget, o melhor personagem do livro sem esforço algum. Afinal de contas ele é um gato falante.

Tudo bem, a forma de gato é na verdade a prisão de um poderoso espirito da Magia Livre, que, sem poder ser destruído, foi forçado a servir o Abhorsen de cada geração eternamente. Ele é folgado e misterioso como só um gato pode ser, e por vezes até demonstra se preocupar genuinamente com Sabriel. Mas ao longo da narrativa, fui jogada em dúvidas sobre seu caráter várias vezes.

Quem também acompanha nossa heroína é a figura de proa mais sensual dos últimos 200 anos. Pedra de Toque, um ex-integrante da Guarda Real, fora encerrado ali dois séculos antes, logo após a última rainha ser assassinada. Na sua eterna vergonha por ter falhado no dever, Pedra de Toque abdicou de seu verdadeiro nome e se tornou espadachim juramentado de Sabriel, mesmo a garota não gostando nem um pouco da ideia.

Uma das coisas mais bacanas do livro, além da parte de juntar a tecnologia e a magia, foi o medinho que deu. Quero dizer, gente, os mortos se levantaram! Mesmo os espíritos malignos mais fortes e incorpóreos precisam de ajudantes, peões mesmo, para fazer o trabalho sujo. E lá vamos nós novamente, encarar aquele mar de gente apodrecida…

Sem contar os Mordauts

O Thralk

As Sombras

Ou os Mordentes.

“véi, véi”

O fim do livro vai lembrar a qualquer um que tenha lido, ou só visto o filme, Harry Potter. E vai te fazer pensar nas várias coisas semelhantes na estrutura dos dois… não, não vou falar. Quero que você leia, pois vale muito a pena! É o tipo de livro que te deixa assim depois do final:

Mein Gott, não pode ter acabado agora…

Simplesmente não vejo a hora de  ler Lirael, continuação da série O Reino Antigo.

Os sinos de um necromante, do menor para o maior: Ranna, o propiciador do sono; Mosrael, o despertador; Kibeth, o caminhante; Dyrim, a voz; Belgaer, o reflexivo; Saraneth, o aprisionador e Astarael, o expulsor. A imagem não é minha, e sim, notei que tem só 6 ali, mas são 7. Juro.

xo e bom finds