Minha Lady Jane – Cynthia Hand, Brodi Ashton & Jodi Meadows

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  •    Autor: Cynthia Hand, Brodi Ashton e Jodi Meadows 
  •    Editora: Gutenberg
  •    Nº de Páginas: 368
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: My Lady Jane
  •    Tradutor: Rodrigo Seabra
  •    Avaliação: 8,0

Toda história tem sempre duas versões…

Inglaterra, século XVI, dinastia Tudor. O jovem Rei Eduardo VI está à beira da morte e o destino do país é incerto. Para evitar que o poder caia em mãos erradas (leia-se: nas mãos de Maria Sangrenta), Eduardo é persuadido por seu conselheiro a nomear Lady Jane Grey, sua prima e melhor amiga, como a legítima sucessora.
Aos 16 anos, Jane está em um relacionamento muito sério com seus livros até ser surpreendida pela trágica notícia de que terá de se casar com um completo estranho que (ninguém lembrou de contar para ela) tem um talento muito especial: a habilidade de se transformar em cavalo. E, pior ainda, descobre que está prestes a se tornar a nova Rainha da Inglaterra!
Arrastada para o centro de um conflito político, Jane suspeita de que sua coroação na verdade esconde um grande plano conspiratório para usurpar o trono. Agora, ela precisa definitivamente manter a cabeça no lugar se… bem, se não quiser literalmente perder a cabeça.
Um rei relutante, uma rainha-relâmpago ainda mais relutante e um nobre (e) garanhão puro-sangue que não se conformam com o destino que lhes foi reservado; uma história apaixonante, envolvente, cativante, sedutora… e mais uma porção de sinônimos que só Lady Jane seria capaz de listar. Tudo com uma leve semelhança com os fatos históricos.

…afinal, às vezes a História precisa de uma mãozinha.

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Pensem numa história mucho loka. Tão louca que fiquei me perguntando mais de uma vez como a ideia de escrevê-la, pra começo de conversa, surgiu. E de todas as alternativas que passam na minha cabeça (pode crer que são muitas) no final só penso: na próxima quero estar lá pra ver isso!

Porque não é sempre que um grupo de escritoras desse calibre se reúne e resolve pegar uma das rainhas mais esquecidas da história da Inglaterra e misturar tudo com magia, metamorfos e muito humor. Fantasia + romance histórico = Como não amar?

Não sei vocês, mas eu meio que sou a louca da Era Tudor.  Tenho diploma em Philippa Gregory e pós graduação em Wikipedia. Eu literalmente sei mais sobre essa família inglesa (e todas as coisas absurdas que rolaram durante seu reinado) do que sobre a nossa família real! E nem estou envergonhada por isso!

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Com isso posso dizer que Lady Jane Grey não é um dos assuntos mais falados quando o assunto é Tudor, e o motivo é simples: ela governou por 6 dias. E então teve a cabeça separada dos ombros.

Pois é.

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Então como, meu bom povo, um livro sobre uma garota que durou tão pouco e teve um destino tão trágico pode dar certo? A resposta é simples: as únicas semelhanças com a história real são os nomes, o fato de Jane ser coroada rainha e o enorme nariz de Lorde Dudley pai (Sorte do filho não ter puxado muito a cara do pai). Já na dedicatória podemos ter uma ideia do que vem a seguir:

“Para todos aqueles que sabem que havia espaço suficiente para Leonardo DiCaprio naquela porta. E para a Inglaterra. Sentimos muito, de verdade, pelo que estamos prestes a fazer com a sua História.”

Essa nossa Lady Jane não é exatamente  uma desavisada, mas poderia ter a presença de espírito de ver as águas se agitando à sua volta e pensar: É UMA CILADA, BINO! Mas a pessoa está tão preocupada com seus livros (#julgarnãoiremos) e atormentar a própria mãe que não vê o que está em debaixo do seu nariz. Nem que isso seja um cavalo enorme: vulgo seu noivo.

Essa é uma daquelas histórias engraçadinhas, que te farão sorrir ou mesmo gargalhar e, apesar de ser essencialmente leve, Minha Lady Jane tem um plot muito bem bolado. Ele é cheio de referências que os bons entenderão, como:

“Havia também um punhado de convites para presidir eventos públicos, visitar diversas casas de campo de nobres e comparecer a algo chamado Casamento Vermelho. Jane apenas preencheu o quadradinho de “não vou comparecer” sem nem pensar duas vezes nesse último convite. Como se ela quisesse ir a mais casamentos…”

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E só por isso não tenho como não amar. Temos fantasia, humor, história (de um jeito ou de outro) e romance!

Ok, talvez o motivo para não dar uma nota maior foi justamente a caricatura. Tinha horas que era simplesmente demais e eu só queria um pouquinho mais de seriedade, ou menos forçação de barra. Mas foi impossível não me apaixonar mesmo assim, espero muito ansiosa pelas próximas “Janies” que esse trio nos trará, e espero que elas também tenham uma mãozinha no quesito história.

 

xoxo e bom fim de semana!

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Almanova – Jodi Meadows

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  •    Autor: Jodi Meadows
  •    Editora: Valentina
  •    Nº de Páginas: 288
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: Incarnate
  •    Tradutor: Ana Resende

   Avaliação: 7,5

Ana é nova. Por milhares de anos, no Range, milhares de almas vêm reencarnando, num ciclo infinito, para preservar memórias e experiências de vidas passadas. Entretanto, quando Ana nasceu, outra alma simplesmente desapareceu… e ninguém sabe por quê.
SEM-ALMA 
A própria mãe de Ana pensa que a filha é uma sem-alma, um aviso de que o pior está a caminho, por isso decidiu afastá-la da sociedade. Para fugir deste terrível isolamento e descobrir se ela mesma reencarnará, Ana viaja para a cidade de Heart, mas os cidadãos de lá temem sua presença. Então, quando dragões e sílfides resolvem atacar a cidade, a culpa deverá recair sobre Ana? 
HEART
Sam acredita que a alma nova de Ana é boa e valiosa. Ele, então, decide defendê-la, e um sentimento parece que vai explodir. Mas será que poderá amar alguém que viverá apenas uma vez? E será também que os inimigos – humanos ou nem tanto — de Ana os deixarão viver essa paixão em paz?
Ana precisa desvendar grandes segredos: O que provocou tal erro? Por que ela recebeu a alma de outra pessoa? Poderá essa busca abalar a paz em Heart e acabar por destruir a certeza da reencarnação para todos?

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Quero começar dizendo que achei essa história super original, não me lembro de ter lido nada parecido com essa premissa de almas em “looping”, ainda por cima, almas que levam as lembranças de uma vida a outra! Fiquei realmente intrigada com o que poderia causar isso e esse mistério me levou por toda a narrativa.

Ana com certeza é especial, um caso a ser estudado, como a única nova alma a encarnar em mais de 3 mil anos, só que ela não é muito popular. Ela saiu/foi expulsa de casa, logo que completou 18 anos, com um objetivo: descobrir por que era uma Almanova. Ou uma Semalma, como a mamãe megera carinhosamente a apelidou. Ela acaba na cidade das almas, Heart, um lugar muito antigo e com uma história com muitas versões, mas ainda assim incompleta. E mais, a cidade é viva.

As paredes brancas originais de suas construções, os muros de fortaleza que a cercam e uma grande torre central sem portas ou janelas, tudo isso literalmente pulsa com uma energia sinistra que parece incomodar só a Ana e ninguém mais. Vai me dizer que isso não é assustador? Essa parte já seria suficiente pra ganhar meu amor pela história, sem contar as criaturas mitológicas um pouco diferentes do que estamos acostumados…

… mas não pude lidar com os personagens.

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Por mais que todo o mundo esquisito, sílfides de FOGO, dragões (sim, dragões!) e rocas (que vim a descobrir serem pássaros gigantes da mitologia persa) terem me fascinado, eu não consegui engolir Ana, a mocinha e Sam, o ancião.

Sam me lembrou um pouco Wanda, de The Host. Alguém que teve a oportunidade de experimentar a vida de várias formas diferentes e prestou atenção a isso, absorveu as mudanças. Super legal e talz.

Ana, por outro lado, é a vitima. Ok, eu sei que ela é nova e deve ser bem difícil ter 18 anos quando todo mundo tem três milênios, mas ela reclama DEMAIS! Como essa menina gosta de uma sofrência! E se lembram que eu falei que ela saiu de casa pra descobrir a verdade sobre si mesma? Pois é, ela meio que faz tudo, menos isso. Ana se pendura em outras almas gentis, amigas de Sam, e resolve aprender suas habilidades com eles. Mas, principalmente, ela desenvolve uma relação bizarra de aprendiz com seu compositor favorito (sim, ele mesmo, o Sam).

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Diferente de muitos romances onde o cara tem centenas de anos, mas age como qualquer outro adolescente, a relação de Ana e Sam não demonstra isso. Ele fala como alguém que viveu muitas vidas (pelo menos como eu acho que alguém assim falaria), e ela demonstra a falta de experiência tanto em atos quanto em pensamentos.

Eu odiei esse par romântico. É esquisito. Pronto,  falei.

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Eu sei que ela tem 18, é maior de idade em muitos países, mas ele tem 3000 (três freaking mil!) e ‘adotou’ ela, por assim dizer, prometendo cuidar dela e ajudá-la a se tornar uma cidadã efetiva de Heart. É o professor com a aluna! Ninguém mais vê algo errado nisso?

Imagino que essa minha opinião não é muito popular, e a maioria das pessoas fica feliz por engolir qualquer par romântico que os autores queiram empurrar pra gente, inclusive eu super AMEI Crepúsculo quando eu li pela primeira vez ( *** anos atrás). Mas eu não comprei essa.

Gostaria de mais foco no verdadeiro mistério, mais enfase nos dragões (repito, dragões!) e menos estardalhaço em volta de um casal no mínimo anti-ético. Sei que cheguei atrasada nesse livro, mas se algum de vocês ainda não teve essa experiência, pense duas vezes.

xoxo