And I Darken (Filha das Trevas) – Kiersten White

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  •    Autor: Kiersten White
  •    Editora: Delacorte Press
  •    Nº de Páginas: 475
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2016
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 9,5

Lada Dragwlya e o irmão mais novo, Radu, foram arrancados de seu lar em Valáquia e abandonados pelo pai – o famigerado Vlad Dracul – para crescer na corte otomana. Desde então, Lada aprendeu que a chave para a sobrevivência é não seguir as regras. E, com uma espada invisível ameaçando os irmãos a cada passo, eles são obrigados a agir como peças de um jogo: a mesma linhagem que os torna nobres também os torna alvo.
Lada despreza os otomanos. Em silêncio, planeja o retorno a Valáquia para reclamar aquilo que é seu. Radu, por outro lado, quer apenas se sentir seguro, seja onde for. E quando eles conhecem Mehmed, o audacioso e solitário filho do sultão, Radu acredita ter encontrado uma amizade verdadeira – e Lada vislumbra alguém que, por fim, parece merecedor de sua devoção.
Mas Mehmed é herdeiro do mesmo império contra o qual Lada jurou vingança – e que Radu tomou como lar. Juntos, Lada, Radu e Mehmed formam um tóxico e inebriante triângulo que tensiona ao limite os laços do amor e da lealdade.
Sombrio e devastador, este é o primeiro livro da mais nova série de Kiersten White. Cabeças vão rolar, corpos serão empalados… e corações serão partidos. (Sinopse retirada da edição brasileira)

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Essa é a história de uma garota (não contem  isso pra ela) feia e feral que queria ser dona do próprio nariz, seu irmão lindo e fraco que só queria ser enxergado e de seu amigo perfeito, o centro de suas vidas.

And I Darken se passa no Império Otomano de 1450, uma tribo nômade que em 200 anos ergueu uma das maiores forças da terra. Num mundo onde homens usavam a força e mulheres a beleza, nossos protagonistas tem seus atributos trocados, e precisam penar muito pra conseguir sobreviver assim. Esse livro mexeu comigo de formas diferentes do que geralmente livros épicos mexem, fiquei tão encantada, tão hipnotizada por seus personagens que, quando acabei, não sabia o que fazer. Sim, a ambientação é maravilindagold, e tem muita coisa ali que aconteceu de verdade. Mas essa releitura de Vlad, o Empalador e Radu, o Belo é perfeita justamente por eles.

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Não espere um livro rápido, com passagens velozes o tempo todo. A história conta a formação de Lada e Radu através dos anos e leva seu tempo para isso. Hora ficamos entremeados em vários capítulos sobre uma mesma situação, hora compartilhamos o choque de Lada com mudanças bruscas nos acontecimentos.

Radu tem um complexo desde muito pequeno, ele tem medo de ser esquecido e acha que todos os deixam de lado. Apesar de muitas vezes ao longo do livro a autora o apresentar como alguém inocente, acho Radu bem pior que Lada e Mehmed juntos  (e olha que eu queria passar uns minutinhos com Mehmed pra explicar na marra como garotas funcionam). Radu aprende rapidinho a usar sua beleza e língua açucarada para conseguir se safar de praticamente qualquer coisa, ele fica feliz com a desgraça alheia (até de gente que ele supostamente ama) se isso for de encontro com seus interesses e, mesmo sabendo que jamais poderá ter o que quer ele condena a própria irmã a infelicidade só para ela também não ter o que queria e fica feliz com isso. Radu fala diversas vezes que Lada é incapaz de amar, mas pra mim o incapaz é ele.

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Gritando internamente

Eu não esperava por um livro assim e, depois de estranhar no começo, me rendi. Lada tem uma coisa que a diferencia de todas as outras protagonistas que querem ser guerreiras. Enquanto a maioria é retratada como cabeças duras que desde cedo treinaram e mostravam seus talentos e eram reconhecidas rapidamente, a história de Lada é uma jornada desde sua infância feroz e arredia, porém muito inteligente, passando por muitos momentos de incerteza sobre o que esperar de si mesma quando todos claramente não esperavam nada. O caminho para encontrar uma medida de liberdade num mundo feito para homens e a angústia de não ser ouvida, ainda que tão capaz. Ela teve tantas oportunidades de encontrar uma forma ou outra de poder, mas nenhuma era suficiente pra acalmar sua alma, pois todas as alternativas apresentadas não se encaixam no seu ideal. Ela queria poder, não sobre os outros, mas sobre si mesma e sem ter que depender de ninguém para isso. Ela queria poder por inteiro.

Mas mesmo assim nao consigo ver Lada como alguém ganancioso. Ela sempre teve as escolhas na sua vida feitas por outras pessoas, e o medo de ser forçada ao que seria a última submissão, aquela que acabaria de vez com qualquer esperança de liberdade, a fez ter medo de ser mulher.

Acho que também por isso achei Lada tão singular. As outras mocinhas guerreiras seguem um molde de evitar feminilidades por achar que lutar de saias pode não dar muito certo. Lada é aterrorizada pelo fato de ser mulher e por isso ter a possibilidade de um casamento a qualquer momento que convenha aos homens que controlam sua vida. Ela viu de perto o que o casamento com seu pai fez com sua mãe, conheceu esposas e concubinas em haréns e sabe que não suportaria virar parte da decoração.

E por último, apesar da personalidade cruel, impetuosa e quase animal dela, Lada ainda foi capaz de tomar decisões muito difíceis ao longo do livro que iam completamente contra os desejos de seu coração. Acho que nunca vi uma personagem tão forte e tão admirável.

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Lada pode não ser linda assim, mas nem por isso é menos diva

Se você está afim de um livro diferente, com ação, romance e muitas reflexões, nem precisa procurar mais. A continuação vai sair logo, logo, mas eu ainda estou naquela vibe de cimitarras, véus, castelos medievais e príncipes de olhos negros.

Não sei se conseguiria escolher. Só sei que queria ser mais como Lada Dracul.

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A Madness So Discreet (Uma Loucura Discreta) – Mindy McGinnis

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  •    Autor: Mindy McGinnis
  •    Editora: Katerine Tengen Books
  •    Nº de Páginas: 384
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2015
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 7,0

Boston, 1890. Asilo Psiquiátrico Wayburne. Grace Mae vive um pesadelo: forçada a passar seus dias reclusa num manicômio, em meio a insanos de todo tipo, sobressaltada por gritos de horror a cada noite.
Grace não é louca. Apenas não consegue esquecer os terríveis segredos de família. Terríveis o suficiente para calar sua voz – jamais ouvida por ninguém, a não ser ela mesma, dentro de sua mente brilhante.
Mas, quando uma crise emocional violenta traz sua voz à tona, Grace é confinada em um porão escuro. É nesse momento em que ela conhece o dr. Thornhollow, um estudioso de psicologia criminal. Dona de um olhar aguçado e de uma memória prodigiosa, Grace passa a auxiliar o médico em investigações.
Ambos escapam para uma instituição mais segura em Ohio, em busca de amizade e esperança. Mas a tranquilidade dura pouco: surge um assassino em série que ataca brutalmente jovens mulheres.
Grace seguirá no encalço do criminoso, mesmo tendo de enfrentar seus próprios fantasmas.
Em Uma Loucura Discreta, Mindy McGinnis explora com maestria narrativa a tênue linha entre sanidade e loucura, revelando o lado obscuro que existe em todos nós.

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Bem, isso foi constrangedor.

Fui atrás desse livro igual uma louca, eu precisava de uma história sombria, densa sobre insanidade e pela sinopse AMSD era tudo o que eu queria!

E o livro realmente começou assim. Grace estava presa num asilo, um manicômio horrível, e aquilo não era pouca coisa. Imagine o séc. XIX do ponto de vista da medicina, as coisas eram precárias, não? Agora pensa como eram os manicômios! As pessoas deixaram de pensar que a demência era obra do capeta somente para tratar os pacientes da ala psiquiatra como animais raivosos, sem o mínimo de compreensão e os sujeitando às piores humilhações. Ainda por cima Grace estava grávida.

Ela foi despachada pela própria família, que não poderia ter uma gravidez fora do casamento manchando a campanha do dono pai de Grace.

Então, obviamente, vamos ficando agoniados com o estado da moça. Mencionei que ela passou por um trauma medonho antes de ir para o hospício? Mas isso só é revelado mais para o meio do livro e vocês ainda tem muitas suposições a fazer sobre o que realmente aconteceu.

Eu estava muito otimista com o sofrimento de nossa protagonista (sou uma pessoa horrível, eu sei). Tudo estava indo de mal a pior na vida dela e coisas inomináveis eram feitas aos pacientes… até que passou.

A história foi de um thriller sombrio e angustiante para uma história de detetive água com açúcar, que nem tinha casos bons para serem resolvidos!

WTF?

Sério, estava tudo ótimo! A Grace estava traumatizada e maltratada, a moça não falava uma palavra e flashs do que tinha acontecido a atormentavam noite após noite. Até que ela virou ajudante de detetive com sua memória fotográfica super ph*da.

Não estou reclamando da histórias de detetive, mas nesse caso ficou demais ERA UMA COISA OU OUTRA MINDY! GRRRRR!

Amei a forma como a autora conseguia passar os sentimentos de Grace de forma fluída e implícita. Ela era sutil e por vezes tive que parar e respirar, porque as coisas que aconteceram com essa garota eram demais para a mente humana programada no modo normal. A visão do que realmente é a humanidade também foi colocada de forma crua, com sua hipocrisia tão revoltante quanto jamais foi. Mas essa quebra de ritmo me matou um pouquinho e, sinceramente, esperava um final impactante. Não aconteceu, apesar de tudo indicar um gran finale e fiquei chupando o dedo, awkward.

Alguém tem um livro realmente dark pra me indicar?

Ligeiramente Casados – Mary Balogh

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  •    Autor: Mary Balogh
  •    Editora: Arqueiro
  •    Nº de Páginas: 288
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2014
  •    Título Original: Slightly Married
  •    Tradutor: Ana Rodrigues

   Avaliação: 7,5

 

À beira da morte, o capitão Percival Morris fez um último pedido a seu oficial superior: que ele levasse a notícia de seu falecimento a sua irmã e que a protegesse “Custe o que custar!”. Quando o honrado coronel lorde Aidan Bedwyn chega ao Solar Ringwood para cumprir sua promessa, encontra uma propriedade próspera, administrada por Eve, uma jovem generosa e independente que não quer a proteção de homem nenhum.
Porém Aidan descobre que, por causa da morte prematura do irmão, Eve perderá sua fortuna e será despejada, junto com todas as pessoas que dependem dela… a menos que cumpra uma condição deixada no testamento do pai: casar-se antes do primeiro aniversário da morte dele o que acontecerá em quatro dias.
Fiel à sua promessa, o lorde propõe um casamento de conveniência para que a jovem mantenha sua herança. Após a cerimônia, ela poderá voltar para sua vida no campo e ele, para sua carreira militar.
Só que o duque de Bewcastle, irmão mais velho do coronel, descobre que Aidan se casou e exige que a nova Bedwyn seja devidamente apresentada à rainha. Então os poucos dias em que ficariam juntos se transformam em semanas, até que eles começam a imaginar como seria não estarem apenas ligeiramente casados…
Neste primeiro livro da série Os Bedwyns, Mary Balogh nos apresenta à família que conhece o luxo e o poder tão bem quanto a paixão e a ousadia. São três irmãos e três irmãs que, em busca do amor, beiram o escândalo e seduzem a cada página.

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Atire a primeira brochura aquele que nunca leu um romance de banca e ficou no mínimo mais cor de rosa!

Nem Garth Nix, aquele deuso autor de Sabriel e outras obras de arte fica indiferente, como observado nesse post (in english) do EpicReads!

Eu sei, eu sei, Ligeiramente Casados não é lá essas coisas em termos de originalidade, ou de surpresas no enredo. Quero dizer, a gente sabe exatamente o que vai acontecer, podemos pelo menos imaginar como vai acontecer e ainda assim vamos torcer.

Torcer mesmo, e vibrar quando a mocinha faz alguma coisa muito legal ou quando o mocinho a livra de uma roubada. Feminazis de plantão, é sempre bom ter alguém com quem podemos contar e dividir o fardo, se esse alguém vem alto e musculoso e com um rosto feito uma escultura grega, quem somos nós pra reclamar?!

Não estou defendendo mocinhas frufruzentas que precisam de ajuda até para escolher o sabor de chá que vão tomar, vocês sabem o quanto eu AMO uma mocinha codependente (emocional ou fisicamente) #sqn, mas acontece que, pelo menos nos livros do gênero que eu li, não é esse o caso.

Agora chega de parecer que estou me justificando, vamos a Ligeiramente Casados, ou no título original: Arrumando Desculpas Para Algo Que Eu Queria Muito.

Obviamente a opção mais longa não faria tanto sucesso no meio dos outros romances de época, então optaram por uma coisa uma pouco mais sucinta e objetiva. Aliás, de objetivo já basta o coronel Bedwyn, o contraponto perfeito da super sonhadora e irritantemente bondosa Eve. Aliás Adam e Eve, sacaram??

Ela é daquelas que não pode ver ninguém passando necessidade que dá um jeito de ajudar ou faz o possível e impossível para acabar com alguma injustiça.

(bichos cheios de carrapatos e piolhos, certeza)

O tipo de personagem moralmente perfeito, mas com um mínimo defeitozinho: Ela acha que um tal de John vai voltar. Sério, como? Quero dizer, nessa época todos os homens (incluindo seu irmão) estão fora na guerra mas não John, ele foi ver como estavam as coisas lá na Rússia e deixou a menina rica, porém de origens humildes, somente com uma promessa. Super confiável, não é?

Pelo menos temos Adam Bedwyn para nos apoiar. O moço é uma rocha e nada, nem um leve desejo de se casar com uma filha de militar poderá afastá-lo do dever de manter sua palavra para Percival, o irmão de Eve.

A forma como eles decidem que casar é a única alternativa e a narrativa até o casamento propriamente dito são deliciosas. Porém quando Eve é apresentada ao restante dos Bedwyn, ou melhor dizendo, é atirada no covil dos leões é que vemos do que  moça é feita.

De cara pensei “Nossa, é agora que ela será moída viva pelos irmãos descompensados, saídos diretamente de algum livro sombrio de fantasia, e o único que poderá detê-los será Adam.”

Bem, as coisas não foram exatamente assim…

Ligeiramente Casados foi exatamente aquilo que eu esperava, uma leitura rápida e segura, feita especialmente para me jogar de volta no ritmo e me deixar um livro mais próxima de completar a meta do ano! Se vocês gostam de um bom romance, não muito focado na ‘picancia’ ou coisas assim (sério, eu já não tenho mais paciência pra leituras hot hot hot), deem uma chance à sra. Balogh e seus casais gostosíssimos, sem medo de serem felizes.

Que mal há se as coisas boas da vida vierem embrulhadas em muito romance?

 

 

O Substituto – Philippa Gregory

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  •    Autor: Philippa Gregory
  •    Editora: Record
  •    Nº de Páginas: 272
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2015
  •    Título Original: Changeling
  •    Tradutor: Eric Novello

   Avaliação: 4,5

Dotado de beleza e inteligência fora do comum, Luca Vero foi visto com desconfiança durante toda a vida… até que o jovem é acusado de heresia. Para escapar da fogueira, aceita se tornar membro de uma Ordem misteriosa cujo objetivo é investigar estranhos relatos que assombram o mundo cristão. Para vencer seus inimigos, Luca se une a uma aliada improvável – Isolde, de 17 anos, fora aprisionada como abadessa de um convento cujas freiras sofrem constantes ataques de histeria. Além disso, os dois precisam combater a crescente atração que sentem um pelo outro. Ou podem acabar num inferno jamais imaginado.

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Quanto mais penso nesse livro, mais a nota vai caindo…

Vocês sabem que eu amo romances históricos, vocês também estão cientes que acho a sra. Philippa Gregory uma gênia no que diz respeito a deixar a era medieval mais acessível e empolgante. Dizer que eu amei de paixão O Substituto como todos os outros livros da Philippa é mentira. Mentira des-la-va-da.

Aliás, sinceramente, sinto cheiro de ghost writer aí, um bem ruinzinho. Fico imaginando o diálogo da Philippa com seu editor, ele batendo o pé dizendo que ela TEM que entrar na onda dos YA, ela negando, sabiamente falando que o negócio dela são histórias adultas e que ela não tem nem ideia de como fazer isso. Daí o danadinho do editor diz “Deixa isso comigo”.

E a m#%$@ tá feita.

Uma coisa que não se pode negar é que, como nos demais livros dela, Philippa fez uma pesquisa monstruosa. A ambientação na idade média é impressionante, tem fatos, curiosidades, detalhezinhos que te transportam para aquela época. Acho que, boa nerd que sou, isso é o que mais gosto em romances históricos, aprender como era.

Como imagino Isolde... Aliás, The White Queen é baseado nos livros da Gregory e você deveria assistir, pra ontem!

Como imagino Isolde… Aliás, The White Queen é baseado nos livros da Gregory e você deveria assistir, pra ontem!

Acho que, de certa forma, pequei em ficar com o mantra “os outros livros da Philippa” na minha cabeça. Deveria ter ao menos tentado relaxar e desvincular a leitura, mas é DIFÍCIL! Uma amiga, também fã dos livros sobre a corte dos Tudor, vendo que eu estava com O Substituto em mãos já perguntou “Está amando, né?! É da Philippa!”. Entenderam o drama?

Digamos que no começo pensei “Nossa, super legal, o Luca vai ter espaço pra mostrar o quão genial ele deve ser e ainda chutar alguns traseiros sobrenaturais!” Mas então percebi que o grupinho dele estava mais para um episódio particularmente chato de Scooby Doo.

De qualquer forma o livro inteiro ficou meio sem pé nem cabeça. Não teve ritmo, o climax foi beeeem antes o fim deixando a conclusão sem sal nem açúcar, tipo jogada lá. Foi estranho, no mínimo, e só serviu pra aumentar minhas suspeitas de ghostwriterismo rolando. Sério, foi ruim assim. 😦

A proposta dos personagens era muito boa, tanto Luca quanto Isolde (nome que eu acho lindo, por sinal) tinham tudo para serem fod%$, mas não rolou. O fim do mistério da Abadia não foi o fim do livro, desculpa, é meio que um spoiler isso, mas argh, estou tão indignada com essa perda de ritmo num livro que tinha tudo pra ser super legal, que não me aguento!

Sinceramente, se vocês querem algo medieval com freiras diferentes, leiam Grave Mercy (Tem resenha!!), Perdão Mortal aqui no Brasil, e sejam felizes.

xoxo e bom meio de semana!

Grave Mercy (Perdão Mortal) – Robin LaFevers

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  •    Autor: Robin LaFevers
  •    Editora: Houghton Mifflin
  •    Nº de Páginas: 549
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 8,0

Por que ser a ovelha, quando você pode ser o lobo?

Aos dezessete anos de idade Ismae escapa a brutalidade de um casamento arranjado para o santuário do convento de St Mortain, onde as irmãs ainda servem aos deuses antigos. Aqui, ela descobre que o próprio Deus da Morte a abençoou com dons perigosos — e um destino violento. Se ela decidir ficar no convento, ela será treinada como uma assassina e serva da Morte. Para reivindicar sua nova vida, ela tem de destruir a vida dos outros.

A mais importante tarefa do Ismae a leva direto para a alta corte da Bretanha — onde ela encontra-se lamentavelmente despreparada — não só para os jogos mortais de intriga e traição, mas também para as escolhas impossíveis que ela deve fazer. Pois como ela poderia lançar a vingança da morte sobre alvo que, contra  vontade, roubou o seu coração? – Tradução livre leve e solta

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 Estatisticamente falando, quantas adolescentes brutalizadas durante a infância, vendidas a um noivo horrível e quase, mas quase mesmo, estupradas pelo dito marido sobrevivem para se tornar uma  coisa extraordinária?

Algumas? Poucas? Quase nenhuma? E por favor note que disse coisa, não pessoa. Ismae pode ser considerada sortuda, porque ela agora é a mais nova Filha do Deus da Morte!

Como uma garota que passou um tempo maior do que o considerado saudável estudando idade média e renascença e, infelizmente, exposta a muitos comportamentos machistas, sinto um prazer imenso quando leio sobre uma personagem feminina que causa medo nos personagens masculinos só por dizer quem é ou de onde veio. Só não contem pra ninguém isso, tá bom?

Claro que o medinho básico que as mulheres do convento St. Mortain inspiram não é totalmente injustificado. Lá elas aprendem como matar, fazer venenos, matar, costurar, matar, se vestir, matar, história geral, matar, manejo de espadas, matar, manejo de armas pesadas, matar, seduzir, matar, seduzir mais um pouco e matar de forma rápida e criativa.

Mesmo me mantendo colada nas páginas do começo o fim, Grave Mercy tem algumas falhas que causaram sentimentos conflitantes. Ainda assim, sei exatamente para quem indicar esse livro -na verdade stalkeei muita gente no Skoob depois, querendo alguém pra conversar!- então, se você gosta de idade média obviamente, jogos de intriga, um mistério, pessoas tentando andar fora do radar, os livros da Juliet Marilier, Leigh Bardugo, Licia Troisi e romance, esse aqui é pra você!

Ainda que haja vários personagens ambíguos no livro, o destaque realmente vai para Ismae, qual é, vocês sabem que um secundário pode roubar a cena! Ismae foi a principal responsável por todos os sentimentos conflitantes que tive, porque ela pode ser phodona e muito incrível ao mesmo tempo que me dá vontade de amarrá-la dentro de um saco e jogar num rio de piranhas. Foi meio difícil de engolir a moça como uma espiã sedutora competente se ela não tinha nenhuma noção de etiqueta da corte e voluntariamente  deixara de lado as lições sobre “artes femininas” que seriam bem úteis onde ela foi parar, o tempo todo ela se destacou, o que não funciona muito bem para uma espiã. Também a parte onde, de repente, ela não conseguia mais controlar todo o coração galopante, o frio na barria e o calor na… lá, toda vez que ficava perto demais de Duval. Controle-se mulher!

É constrangedor!

Não sei, isso vai de cada personalidade (sim, personagens tem personalidade e sentimentos reais) e eu esperava outra coisa, mas continuei meio apaixonada por ela. Amei suas decisões rápidas, seus crescimento ao longo do livro e sua tenacidade, que a fariam se pendurar numa janela para ouvir uma conversa secreta e sua capacidade de questionar mesmo através da fé. Fé em Duval, no convento, em seu santo e nos seus próprios instintos. Além de observações bem sagazes, tipo:

“Os homens são realmente tão idiotas que não podem resistir a duas esferas de carne?”

E seu cinto de utilidades! Ok, não exatamente um cinto, mas uma rede para cabelo com pérolas de veneno, um bracelete que pode ser usado como garrote, facas, facas e mais facas escondidas em todos os lugares e, meu preferido, um baú da morte. Contendo tudo o que o envenenador moderno poderia vir a precisar!

Não que os secundários não sejam dignos de nota. Gavriel Duval é um homem de honra, que serve sua meia-irmã,  a duquesa Anne que, na minha opinião é a segunda melhor personagem do livro! Ela não aparenta a idade que tem e se agarra as pouquíssimas pessoas que acha que pode confiar porque, literalmente, todo o resto pode estar tramando contra ela. Há outras pessoas que me deixaram apreensiva, não por atos declarados, mas por simplesmente parecerem que vão fazer alguma coisa para trair quem juraram proteger. Não vou dizer quem pois posso estar ou não certa a respeito delas e isso, vocês já sabem, seria um spoiler da idade das trevas.

Grave Mercy tem tudo para conquistar quem quer uma leitura agradável, com um pézinho no romance histórico alla Julia Quinn, sem abrir mão das intrigas e vontade de saber quem é o verdadeiro vilão. Esse era um livro que queria a muito tempo e não decepcionei por inteiro, apesar de achar que algumas partes poderiam ser melhores. Vou ficar triste de ter menos Ismae nas continuações Dark Triunph e Mortal Heart, as tenho certeza que vou achar outras heroínas pra amar.

xoxo e bom meio de semana!

A Filha do Louco – Megan Shepherd

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  •    Autor: Megtan Shepherd
  •    Editora: Novo Conceito
  •    Nº de Páginas: 416
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2014
  •    Título Original: The Madman’s Daughter
  •    Tradutor: Ivar Panazzolo

   Avaliação: 8,0

Juliet Moreau construiu sua vida em Londres trabalhando como arrumadeira – e tentando se esquecer do escândalo que arruinou sua reputação e a de sua mãe, afinal ninguém conseguira provar que seu pai, o Dr. Moreau, fora realmente o autor daquelas sinistras experiências envolvendo seres humanos e animais. De qualquer forma, seu pai e sua mãe estavam mortos agora, portanto, os boatos e as intrigas da sociedade londrina não poderiam mais afetá- la… Mas, então, ela descobre que o Dr. Moreau continua vivo, exilado em uma remota ilha tropical e, provavelmente, fazendo suas trágicas experiências. Acompanhada por Montgomery, o belo e jovem assistente do cirurgião, e Edward, um enigmático náufrago, Juliet viaja até a ilha para descobrir até onde são verdadeiras as acusações que apontam para sua família.

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Um grito doloroso rasgou a noite. O susto fez com que eu jogasse os lençóis para fora da cama, e eu senti o suor encharcando meu pescoço. Seria o cachorro? Eu não conhecia nenhuma criatura capaz de emitir um som tão inumano. Conforme os gritos se arrastaram, assombrando-me a cada respiração, minha mente começou a devanear entre lugares mais sombrios. Imaginando o que faria um animal gritar daquele jeito. […] Estava trabalhando em algo novo. Algo diferente.

A Filha do Louco tomou um rumo completamente inesperado para mim. Não tenho o costume de conferir resenhas antes de ler um livro justamente para entrar na história cega, sem influências além da sinopse, pronta para as minhas próprias conclusões. Talvez dessa vez eu devesse ter ‘pesquisado’ um pouco mais antes de me jogar, não porque a estória seja ruim, longe disso, mas fui achando que era Páscoa e só depois percebi que era Halloween, dá pra entender?

Não? Mea culpa. Vamos deixar em que A Filha do Louco não é só um livro de época com um toque obscuro. É de época sim, e obscuro, para dizer o mínimo, mas é muito mais que isso… não leitor, me recuso a dizer mais, você vai ter que passar pelo que passei se quiser saber do que estou falando. Confesso que estou um pouco dramática agora, acabei de assistir O Grande Gatsby, impossível não se afetar e escrever um pouco obsessivamente depois disso.

Não sei se foi uma combinação sábia

Vamos aos fatos sem spoilers malvados, eu odeio a Juliet. Poderia muito bem ter ficado sem ela o livro todo. Lembrando a personagem de Shakespeare que inspirou seu nome ela é daquelas meninas indefesas e chatinhas que passam tempo demais dizendo o contrário. Pra piorar, ela gosta de se vangloriar (pra ela mesma, veja se isso não é caso de psiquiatra) que é fria, mórbida e meio louca. Nesse ponto tenho que concordar com o pai dela, que é um personagem nojento, diga-se de passagem, quando ele diz que ela não passa de uma histérica.

Quero dizer, a menina VAI atrás do pai que ela sabe que que a abandonou e admite para si mesma que as acusações horrorosas contra ele podem ser verdade. Ela INSISTE para ser levada até onde ele está apesar de ser avisada que as coisas na ilha são meio diferentes e quando chega lá ela RECLAMA, tem ataque de pelancas quando descobre a verdade verdadeira, apesar de o tempo TODO dizer que ela mesma é doentia e fria demais. Bitch, você cansa minha beleza literária! Para mim Juliet achou que o papai ia largar as vivissecções para recuperar o tempo perdido com a filhinha (pra quem ele se lixava até então) e organizar o casamento do ano com Montgomery, afinal agora que ele faz parte da família, por que não estreitar um pouco mais esses laços, se é que você me entende.

Desculpe, mencionei que ela arruma tempo pro triangulo amoroso no meio de uma crise macabra na Ilha de Lost vitoriana? Pois é.

Ok, me recuperando do meu próprio ataque de pelancas, adorei ter uma história com terror numa ilha tropical. Quantas vezes vemos isso? Os escritores tendem a seguir pela névoa e gigantescas casas mal iluminadas, alguém ser constantemente ameaçado num paraíso dos trópicos de uma forma que deixa o leitor ansioso e sem respirar é bem diferente.

Os outros personagens, que na minha opinião poderiam ter trancado Juliet num baú, são ótimos. Principalmente Montgomery, Balthazar e Edward que me deixavam agitada cada vez que apareciam, inquieta, tentando descobrir o que havia por de trás de suas fachadas aparentemente simples. Já o Doutor Moreau me deixou dividida entre sair correndo, gritando, ou bater nele com uma vara, para continuar mantendo distância.

Estou até agora impressionada com o quanto gostei do livro, apesar do quanto desgostei da personagem principal. Não sosseguei até saber o que estava acontecendo, foi simplesmente viciante acompanhar toda a ação da ilha e perceber que, com o passar do tempo, Juliet começa a se referir à ilha como uma pessoa, como se ela houvesse de alguma forma absorvido a maldade do pai e fosse cruel por si só. Sem contar o final, aquele final, que me fez querer gritar nããããããããão sem ligar pra acordar a casa toda, as pessoas tem que entender que reações exageradas para finais com ganchos são naturais.

A estória baseada no livro de H. G. Wells A Ilha do Doutor Moreau cumpre seu papel, é arrepiante e carregada de suspense para te deixar acordado lendo até perceber que falta pouco para ter que ‘acordar’. Agora estou assim, órfã de continuação! Pode uma coisa dessas?

xoxo e bom meio de semana!

P.S. direto da ilha:

Acho isso extremamente perturbador

Enfeitiçadas – Jessica Spotswood

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  •    Autor: Jessica Spotswood
  •    Editora: Arqueiro
  •    Nº de Páginas: 272
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2014
  •    Título Original: Born Wicked
  •    Tradutor: Ana Ban

   Avaliação: 8,5

Antes do alvorecer do século XX, um trio de irmãs chegará a idade adulta, todas bruxas. Uma delas terá o dom da magia mental e será a bruxa mais poderosa a nascer em muitos séculos: ela terá poder suficiente para mudar o rumo da história, para suscitar o ressurgimento do poder das bruxas ou um segundo Terror. Quando Cate descobre esta profecia no diário de sua mãe, morta há poucos anos, entende que precisa repensar seus planos. Qual será a melhor opção: servir a Irmandade, longe dos olhos vigilantes dos Irmãos Caçadores de Bruxas, aceitar uma proposta de casamento que lhe garanta proteção e segurança ou abandonar tudo e viver um grande amor proibido?

 Prepare-se para se encantar com os jovens pretendentes de Cate, abominar o ódio e a repulsa que os Irmãos dedicam a meninas e mulheres, e aguardar ansiosamente pela sequência de As Crônicas das Irmãs Bruxas.

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Uau, leitura em dia, blog atualizado! Parabéns para mim! Prova que dormir é, de fato, uma atividade opcional…

Dois posts numa semana! Dois posts numa semana!

Sabe quando você quer um pouco de magia, mas não só isso? Você quer romance também e alguma coisa charmosa, tipo uma estória de época, mas está meio difícil de achar por aqui? Eu te compreendo perfeitamente caro leitor, e digo: seus problemas acabaram! Chegou Enfeitiçadas:

“Gabrielle é inocente. Eu não sou. Fui perversa e traiçoeira, usei magia mental contra meu próprio pai. As palavras dos Irmãos ressoam na minha cabeça. Eu sou uma bruxa. Devia ter sido eu, não ela.

Mas agradeço ao Senhor por não ter sido. Em que tipo de garota esse pensamento me transformava?”

Enfeitiçadas é contado em primeira pessoa por Cate Cahill, a irmã mais velha de três, e flutua entre os vários dilemas da moça. Quem vai escolher como marido antes que escolham por ela? Como vai proteger as irmãs do olhar vigiante e cheio de censura dos Irmãos? O que ela vai fazer pra esconder toda a magia transbordando dentro de si e das caçulas?

Disfarçá-las, talvez?

O único problema pra mim é que não tem tanta bruxaria… Não que não tenha absolutamente naaaada, mas ainda assim, queria mais! Vocês estão carecas de saber que eu adoro personagens mágicas, cheias de poderes especiais que podem tocar o terror à vontade né? Pois é, a Cate tem tudo pra ser assim, mas ela se segura tanto, mas tanto, pra neutralizar a sua parte bruxa que quase dá certo. Lógico que isso faz parte do contexto, só que AHHH! Ao invés de magia, ela foca nos seus deveres.

O livro é fino, tem só 271 páginas, letras grandes, então vocês certamente entendem a vontade que eu tinha de sacudir a Cate pelos ombros e berrar “Para de falar de como você é responsável pelas suas irmãs o TEMPO TODO e volta pra estória, bitch! Nós já entendemos seu recado QUEREMOS-MAIS-FINN!” 

Como não deveria deixar de ser, para balancear a protagonista sombria, os personagens secundários dão um show à parte com suas personalidades bem diferentes. A governanta é facilmente comparável à preceptora de A Menina Que Não Sabia Ler, ambígua, um personagem misterioso que não me deixava decidir se deveria confiar nela ou não. Resolvi seguir o costume e não dar brecha pra tal Elena fazer algum estrago do nada. Juro que não é spoiler, só um comentário, mas sempre que eu desconfio de um personagem acontece alguma coisa que de razão para essa desconfiança depois… Um sexto sentido literário, talvez?

As irmãs, Tess e Maura poderiam ter seus próprios pontos de vista, por mim, mas quem realmente rouba a cena é Finn Belastra o jardineiro/estudioso/filho de uma mulher muito bacana. Não importa o que digam, ele é exatamente o cara que faria qualquer garota vitoriana -e leitora contemporânea- suspirar do começo ao fim.

Eu me encanto por bruxas e gosto ainda mais quando as mocinhas não são ovelhas indefesas que dependem de mocinhos chatos de galocha. Enfeitiçadas tem isso de sobra, envolto em um bom mistério que te deixa formulando teorias sem parar. Está esperando o que para aprender sobre as Filhas de Persephone e a poderosa Irmandade?!

Por fim, um desabafo.

Até hoje nunca encontrei uma Profecia sobre mim, devo dizer que fico um pouco desapontada, afinal 80% dos protagonistas de romances de fantasia tem as próprias profecias. Acho que isso é um sinal, talvez a minha carta de Hogwarts não tenha se perdido na greve do Correio Coruja local… Droga.

E a continuação? Eu ainda não tenho a continuação! A vida é mesmo muito injusta.

xoxo e bom carnaval

A Rainha Branca – Philippa Gregory

  •     Autor: Philippa Gregory
  •    Editora: Record
  •    Nº de Páginas: 433
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: The White Queen
  •    Tradutor: Ana Luiza Borges

   Avaliação: 9,0

Irmãos e primos lutam entre si para conquistar o trono da Inglaterra neste fascinante relato da Guerra das Duas Rosas, o conflito que opôs a Casa de Lancaster, cujo símbolo é uma rosa vermelha, à Casa de York, representada pela rosa branca. Em meio à guerra, a viúva Elizabeth Woodville desperta a atenção do jovem rei Eduardo IV, e os dois se casam em segredo.

Rainha em um país instável, Elizabeth se vê enredada nas intrigas da corte, ao mesmo tempo em que luta pelo êxito de sua família e precisa enfrentar inimigos poderosos, como os irmãos do rei.

A Rainha Branca é o primeiro volume da série A Guerra dos Primos, que relata a ascensão da dinastia Tudor ao poder.

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É extremamente difícil ler um livro quando já se sabe o final, principalmente um final tão trágico quanto o desse episódio na história. Uma vez mais Philippa Gregory mostra a importância da maneira como as coisas são contadas, às vezes mais influentes do que os próprios fatos em si.

Digo isso porque não há como não torcer por essa Elizabeth Woodville, admirar toda a dose de coragem e astúcia que ela empregou para manter a si e aos seus com a cabeça à tona numa época em que absolutamente nada era garantido. Independente da verdade documentada ser ainda mais amarga do que a visão de Gregory, desafio qualquer um a não se compadecer dessa viúva que domou um rei e querer que seus inimigos, os milhares deles, queimem em praça pública.

“Bitch, Elizabeth Woodville is fabulous”

Não é segredo que sou completamente fascinada pelos períodos dos governos Plantageneta e Tudor na Inglaterra medieval, e que posso passar várias horas reunindo informações das diversas figuras que jogaram os jogos da corte e acenderam ou morreram por isso. Então quando um livro desse tipo aparece na minha reta, é meio que impossível não ler!

Ok, ok, Philippa Gregory romantiza E MUITO os fatos históricos, mas faz isso de acordo com a sua visão e através de muita pesquisa. Numa nota final ela explica onde tomou mais liberdades e onde ateve-se à história, mas a leitura livre é tão boa que te leva a maquinar e pensar junto com os personagens a ponto de criar sua própria teoria para o desfecho.

Nesse livro a acusação de bruxaria que a mãe da rainha sofreu foi levada ao nível do e se? E se essas mulheres de poder fossem mesmo pagãs disfarçadas? Sério gente, bruxaria em 1460! Como não amar??

Outro ponto interessante é saber que o rei de fato casou-se por amor com uma viúva plebeia e contrariou planos extremamente beneficentes para a seu trono tão novo e incerto ao coroá-la rainha. Eduardo fez de Elizabeth uma figura de adoração pública, inatingível a todos menos ele e fez sempre questão de assegurar que a sua louvada rainha era quem tinha seu coração. Se não por amor a ela, ao menos para dar a sensação de estabilidade ao reino. Porém não poderia ser deixado de fora, por exemplo, a quantidade absurda de amantes que ele teve ao longo dos anos. A autora converteu isso a uma noção de “Eu as desejo e as tenho, mas é para você que sempre volto, minha rainha.”

Sendo bem sincera, na época isso era bem mais do que uma mulher, principalmente na posição de Elizabeth, poderiam esperar. Era comum reis exibirem suas amantes e as deixarem ganhar influência até mesmo sobre a rainha. Vide Henrique III. Então Eduardo favorecer Elizabeth e jamais pavonear suas prostitutas na sua presença era considerado um ato de amor.

Dane-se, eu ainda queria poder estrangular o @#%!@#!

Tá, ok, talvez eu não o estrangularia, tenho que admitir que os dois juntos foram capazes de me fazer chorar de emoção mais de uma vez, bem mais de uma vez.

De qualquer forma, esse não é um livro de romance. Nossa heroína aguenta tudo com dignidade. Não será um bando de amantes menores que tirarão seu foco do que realmente importa, manter sua família toda a salvo dos trocentos inimigos que teimam em voltar e voltar para tirar a coroa de seu marido, de preferência com a sua cabeça junto.

Romance histórico com paixões tórridas, promessas, traições, surpresas e MUITA intriga, acima de tudo A Rainha Branca ensina que, quando se deseja algo de todo coração, o desejo se torna realidade. E o resultado é catastrófico.

xoxo e boa semana!

P.S.: As capas originais são bem mais bonitas, só dizendo…

Paperbacks ❤

Na Companhia da Cortesã – Sarah Dunant

  •   Autor: Sarah Dunant
  •   Editora: Record
  •   Nº de Páginas: 389
  •   Edição: 1
  •   Ano: 2008
  •   Título Original:In the Company of the Courtesan
  •   Tradutor: Ana Luiza Dantas Borges
  •   Avaliação: 9,5!!

No ano de 1527, Roma sofre um de seus mais terríveis ataques, quando soldados do imperador Carlos V avançam sobre as muralhas da cidade, pilhando tudo o que encontram pela frente. Em meio ao caos, a cortesã Fiammetta Bianchini e seu cafetão e parceiro, o anão Bucino Teodoldi, fogem para Veneza. Com muita coragem e astúcia, os dois se infiltram na sociedade local, desfrutando a luxúria e o pecado que desfilam nos palácios suntuosos. Fiammetta, atraindo e satisfazendo os homens, começa a acumular uma pequena fortuna. Entretanto, uma jovem misteriosa pode colocar em risco a riqueza da cortesã

Enquanto você lê essa resenha estou indo na Madre Superiora Wikipedia descobrir mais sobre o pintor Ticiano, o escritor Arentino e o figurino da moda em 1530.

Quem se imaginaria lendo uma história contada por um anão ranzinza, cafetão de uma famosa cortesã, na Veneza da Renascença? E ainda por cima enrolar, deliberadamente, a leitura para aproveitar melhor cada página? Não sei vocês, mas eu não imaginava.

Já disse que amo ser surpreendida?

Comecei ‘Na companhia da Cortesã’ sem grandes expectativas, pois, mesmo amando romances históricos, sempre tive em mente que eles são isso, livros escritos por não-historiadores com uma atmosfera do passado. Acontece que esse é um romance tão rico em detalhes, pesquisa e esmero que se torna um complemento para outros livros não-ficção da vida privada renascentista.

Tenho lido muitos YAs ultimamente e às vezes me esqueço do poder que uma estória escrita não sobre acontecimentos, mas sobre personagens, tem. Well, depois dessa não me esqueço jamais! Na verdade estou quase me enroscando num canto com uma pilha de todos os livros desse tipo que tenho, lidos ou não.

Amei a precisão dos diálogos de Bucino (le anão) com os outros e com ele mesmo. Fiammetta (la cortesã) é o retrato da sedução feminina e me lembra Fernando Pessoa dizendo:

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

No seu eterno jogo de simulação ela pode ir da mais arguta perspicácia direto para a vaidade infantil. Há também La Draga, uma mulher que apesar de suas deformidades vai te tragar em seu mistério.

Outra coisa que me chamou atenção foi a forma como a amizade é representada. Bucino e Fiammetta são sócios, mas acima de tudo são amigos. Quando li, tive a impressão de que, enquanto estivessem apoiando um ao outro, o caldo nunca entornaria.

Apesar de tudo o que tem de passar.

Assim que Roma cai, Fiammetta perde seus preciosos cabelos e praticamente todo o dinheiro para os luteranos, os dois tem a opção de separarem-se e para assim conseguir sobreviver, mas ficam juntos. Vão para Veneza, lugar que Bucino detesta, e tem que começar praticamente do zero, enfrentando os vizinhos fofoqueiros e até a empregada da casa (herança da mãe de Fiammetta).

Pelos olhos ‘baixos’ de Bucino, eu passeei pelas gondolas luxuriantes, os canais malcheirosos, as igrejas das cortesãs e me apaixonei por cada lugar. Cada palavra é tão bem pensada para te envolver quanto cada dobra das vestes de Fiammetta é ajeitada para seduzir. Eu nunca mais vou ter a mesma ideia sobre cortesãs, cafetões e bruxas, não depois de ter entrado tão fundo na vida deles.

Não é maravilhoso?

Se você achar que não tem paciência para um livro tão não-sobrenatural assim, te digo ‘Jovem padawan, onde menos se espera, a satisfação está’.

Ah, você diz que detesta esse lixo todo e que história só serve pra te deixar de recuperação no colégio? Tudo bem cara, tudo bem. Cada um tem um gosto, né?

Né?

Well, Sarah Dunant misturou personagens históricos com fictícios e outros não tão fictícios assim e, fazendo uma coisa incrível, conduziu a história praticamente no mesmo ritmo sem deixar a peteca cair! Cara, ela ganhou uma fã de carteirinha! Vou até mudar os livros dela pro lado da Philippa Gregory aqui na estante…

Não preciso dizer que esse é um livro mais que recomendado, heim?

P.S.: Não, aborrecentes, esse livro não tem putaria. Só expressões de baixo calão. xD

xo