Crave a Marca – Veronica Roth

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  •    Autor: Veronica Roth
  •    Editora: Rocco
  •    Nº de Páginas: 480
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: Carve The Mark
  •    Tradutor: Petê Rissati

   Avaliação: 7,0

Num planeta em guerra, numa galáxia em que quase todos os seres estão conectados por uma energia misteriosa chamada “a corrente” e cada pessoa possui um dom que lhe confere poderes e limitações, Cyra Noavek e Akos Kereseth são dois jovens de origens distintas cujos destinos se cruzam de forma decisiva. Obrigados a lidar com o ódio entre suas nações, seus preconceitos e visões de mundo, eles podem ser a salvação ou a ruína não só um do outro, mas de toda uma galáxia.

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Vamos começar falando sobre como esse livro é chato…

Sim, foi um choque pra mim também, apesar de depois eu ter mentalmente chutado minha canela depois por isso. Eu evito ler logo livros ultramegasuperesperados justamente por isso, as chances de me desapontar são enormes e meu coraçãozinho já sofreu decepções literárias o suficiente por uma vida. Mas a blogueira ouviu o próprio conselho? Nãããããão. Bem feito pra blogueira.

Não me levem a mal, eu respeito muito a Veronica! Tive um caso de amor com Divergente do momento em que coloquei minhas mãos nele até o virar da última página. E assim foi com Insurgente e até tolerei o fim de Convergente, mas sempre gostei muito do que lia dela. Isso explica o duro golpe que sofri.

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Na primeira parte do livro temos muitas cenas e ainda assim NADA ACONTECE. É frustrante e desanimador, porque eu não tinha vontade de pegar ele pra ler, acabar logo com a tortura e partir pra outra! O pior é que a Veronica não aproveitou esse grande vácuo pra explicar a sociedade extremamente complexa onde somos jogados. Fiquei tempo demais me sentindo muito burra por não estar entendendo nada! Culpando minha falta de interesse, mas voltei e reli boa parte do começo procurando respostas, procurando alguma coisa, e nada! São muitos planetas, muitas culturas, muitos termos diferentes, e normalmente eu amaria tudo isso, mas faltou uma mãozinha amiga ali pra esclarecer o leitor. Eventualmente você se acostuma (ou desiste) e incorpora todas as novidades, mas só depois de metade do livro e o final da sua paciência.

Não tinha uma alma pra dizer: “Veronica, é muita informação, filha! Vamos explicar melhor essa loucura toda?”

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Dica: tem um glossário no fim do livro. Depois de tudo que passei, quase mastiguei aquelas páginas de pura raiva.

Mas não quero ser injusta. Depois da metade as coisas melhoraram, tanto que o final foi digno da Roth genial que conhecemos!

E os personagens são impecáveis. Mais uma vez temos uma mocinha meio atormentada, mas que não se desculpa por ser um “prego enferrujado”. A diferença é que o mocinho não é nenhum Quatro. Akos é sensível e acredita que as coisas podem ser melhores, que as pessoas podem se redescobrir mais gentis. Quando Akos e Cyra se vem presos um ao outro, essa sensibilidade faz toda a diferença.

Gostei da parte onde os poderes não são os protagonistas na história. Quero dizer, eles tem muita importância sim, alguns personagens se definem por eles. Porém, diferentemente da maioria dos livros com gente cheia dospoder, aqui todo mundo tem um dom, seja um bem dahora, até um bem inútil. E as pessoas no topo das cadeias de poder estão lá por serem as mais espertas e maquinadoras, não por terem os melhores poderes… isso muda tudo! Gente, temos um vislumbre de um soldado figurante (sério, é um figurante, não tem nem meia linha escrita sobre esse personagem) que solta FOGO PELAS MÃOS e ele morreu igual uma mosca. Tipo, a Veronica samba na cara de todos aqueles livros nas nossas estantes com gente que chega até na realeza por ter poderes especiais!

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Crave a Marca está longe de ser o que eu esperava ou gostaria. Mas seu final compensa boa parte do tédio que foi o começo, e o que não compensa nós conseguimos lidar. Ele acabou no embalo de grandes revelações e com certeza deixou um gostinho de quero mais…acho que serei obrigada a ler a continuação, ainda tenho fé na Veronica. Apesar de não confiar muito nela depois do final de Convergente.

P.S.: Pra me sentir menos obtusa procurei na internet e descobri que MUITA gente ficou boiando com a construção do universo de Crave a Marca. Ufa.

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Glass Sword (Espada de Vidro) – Victoria Aveyard

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  •  Autor: Victoria Aveyard
  •    Editora: Harpen Teen
  •    Nº de Páginas: 383
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2016
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 8,5

NÃO SE APROXIME DESSA RESENHA se você ainda não leu Red Queen! Se você continuar é por sua conta e risco e não me responsabilizo por queimaduras, afogamentos, desmembramentos e possível loucura que venham a ocorrer.

“Se sou uma espada, sou uma espada de vidro, e já me sinto prestes a estilhaçar.”
O sangue de Mare Barrow é vermelho, da mesma cor da população comum, mas sua habilidade de controlar a eletricidade a torna tão poderosa quanto os membros da elite de sangue prateado. Depois que essa revelação foi feita em rede nacional, Mare se transformou numa arma perigosa que a corte real quer esconder e controlar.
Quando finalmente consegue escapar do palácio e do príncipe Maven, Mare descobre algo surpreendente: ela não era a única vermelha com poderes. Agora, enquanto foge do vingativo Maven, a garota elétrica tenta encontrar e recrutar outros sanguenovos como ela, para formar um exército contra a nobreza opressora. Essa é uma jornada perigosa, e Mare precisará tomar cuidado para não se tornar exatamente o tipo de monstro que ela está tentando deter.

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Digamos que, depois de publicamente escolher o irmão errado e manipular descaradamente os sentimentos de Cal, as coisas ficaram um pouco constrangedoras pro lado da Mare.

Quero dizer, ela está presa a ele agora.

Acho melhor vocês saberem, não tem romance nesse livro. Ter tem, mas é tão pouco e tão abafado pela confusão interna dos dois protagonistas traídos, que nem vale a menção. Não que eu ache que fez falta, sinceramente NÃO FEZ, e isso vindo daquela que literalmente vibra quando a mocinha beija o mocinho é alguma coisa…

Baixou uma entidade na Mare, a entidade megalomaníaca do professor Xavier, diga-se de passagem, que a faz pensar que o Universo gira em torno do traseiro ossudo dela. E se isso é cansativo pros personagens à volta dela, imagina para mim, que estava ‘dentro’ da cabeça com um fio desencapado dela?

Como era de se esperar ela foi atrás dos seus semelhantes, numa mistura muito louca de Professor X (o Shade sendo uma espécie de Ciclope amigável e Cal um Wolverine com cólicas menstruais) e Katniss Everdeen. Não me levem a mal, eu gostei dessa mistura, gostei mesmo, achei emocionante e me deixou curiosa para saber o que eles encontrariam pela frente, o problema é que a Mare estava se achando a ultima bolacha do pacote. Ela não PARA, o livro todo, de dizer o quanto ela é poderosa e fodona e que o poder dela e ela são super valiosos e mimimi (humildade mandou um beijo), quando na verdade, praticamente todos (ok, não tantos assim, mas fiquei brava) os newbloods que ela encontra tem poder suficiente pra dar um couro nela! Além disso ela fica dizendo que ninguém realmente gosta dela, eles somente a temem… UUUUI. Mare, por favor, pare.

Só um adendo, a Victoria Aveyard deu uma de George R. R. Martin (Cadê o 6º livro??????????) e está tratando o elenco de Glass Sword como ele trata a família Stark, ok? Não se apeguem.

Ainda estou receosa depois do final de Red Queen, ainda não confio realmente em ninguém, nem mesmo em Cal. Ele foi enganado pelo irmão mais novo? Sim. Isso quer dizer que ele está do lado da Mare? Absolutamente não. Vamos recapitular que o Cal é o general criado para governar o reino dos Prateados, não uma nação de Prateados & Vermelhos. Ele pode até ter salvado a vida da Mare no Bowl of Bones, mas isso não quer dizer que seus motivos foram realmente altruístas. Só estou dizendo…

Eu sei que não posso mencionar isso aqui, mas esse final, MEO DEOS ESSE FINAL!  Ainda estou tentando me recompor emocionalmente, e sempre falho por que daí lembro que vai demorar horrores até eu ter a continuação em mãos… Sério, esse é um daqueles desfechos que te deixam paralisado, quase sem conseguir virar as páginas, rezando pra não acabar. E ainda por cima tem um epilogo matador!

Ufa!

Não vou perder tempo indicando essa continuação a ninguém, se você leu Red Queen você também precisa saber o que vai acontecer com Mare. Se joga, vale muito a espera!

xoxo e bom meio de semana

Red Queen (Rainha Vermelha) – Victoria Aveyard

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  •    Autor: Victoria Aveyard
  •    Editora: Harpen Teen
  •    Nº de Páginas: 383
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2015
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 8,5

 

O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses.

Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho?

Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe – e Mare contra seu próprio coração.

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“Qualquer um pode trair qualquer um”

Essa é a moral da história desse livro. Da vida da Mare.

Red Queen provavelmente foi o livro YA mais hypado de 2015. Sério, o negócio já era um sucesso antes mesmo de ser lançado, como pode? Tinha até contrato pra filme já assinado! Are baba, que um dia eu seja tão auspiciosa assim #oremos

A verdade é que não teve como não me deixar levar pela onda de euforia e comprei já na pré-venda sem pensar duas vezes, mas uma parte de mim dizia que eu iria quebrar a cara, como geralmente acontece com livros super propagandeados. ERRADO.

Não, não é o livro mais perfeito da face da Terra, mas com certeza cumpre com o combinado e de quebra tem um final de deixar qualquer professor Xavier sem folego! Temos muito ação desde o começo e uma coisa que a-do-ro, uma mocinha toda poderosa! Quero dizer, a Mare não sabe que é toda poderosa desde o princípio, ela descobre por acaso depois de uma sucessão de fatos como, por exemplo, tentar roubar do príncipe herdeiro Cal sem saber que se tratava dele. Muita coisa na sua vida sofrida a levou até aquele ponto, mas acredito que nossa história tenha realmente começado no momento que o príncipe prateado não só a poupou, lhe deu uma nova chance.

Mal sabia ele que um gesto aleatório de bondade magnânima ia por um fim no mundo que ele conhecia. Mas isso não deve ser tratado aqui, essa parte você precisa ler.

Falando em Cal, não é sempre que temos um triangulo amoroso (NÃO FUJA. NÃO ENTRE EM PANICO!!) tão manipulador, aliás nem sei se pode ser considerado um triangulo amoroso já que todos os envolvidos tem o rabo preso, andam olhando por cima do ombro e tentam tirar vantagem do próximo. De qualquer maneira eu achei genial! Ilustra muito bem o que a Mare está vivendo na corte e fora dela e eleva a outro nível a quantidade de romance meloso que os escritores YAs acham que precisam colocar em seus livros (que não são romancinhos). Em outras palavras: praticamente zero romance meloso.

Porém a garota não deixa de ser uma menina paupérrima, repentinamente bombardeada com as regalias da vida na corte, um poder destrutivo e a atenção de não um, mas dois príncipes. É óbvio que ela vai fazer burradas.

Ela faz o que pode, isso eu posso te adiantar, mas as vezes não é o suficiente, as vezes ela é inocente demais, ingênua demais, sozinha demais e acaba se deixando levar. Não vou culpá-la, a garota parece um malabarista tentando equilibrar todos os aspectos da sua vida, como Mare e como Mareena, da melhor maneira.

Vou deixar aqui minha apreciação pelos mocinhos (Cal, Maven e Kilorn) caras bonitos nunca são demais e meu nojinho pelo casal real, Rei Tiberias VI e Rainha Elara, a horrorosa. Esses dois são a personificação de tudo o que os Prateados representam de ruim na sociedade do livro, e na nossa também.

Falando da atmosfera: eu li Red Queen como uma distopia. Ele não fala em nenhum momento de uma civilização como a nossa, mas dá dicas, apesar de nem todo mundo concordar comigo. Eles falam de regiões devastadas por radiação (na minha cabeça nerd radiação = mutação) e Norta pra mim nada mais é do que os Estados Unidos, com o reino inimigo Lakeland sendo a região dos lagos, na fronteira do Canadá. Reparem e me digam que estou errada!

Vi também gente dizendo que esse livro é uma cópia de Red Rising e ficando… bravos, mas como estou proibida de começar novas séries até terminar as que já tenho, ainda não pude conferir. Alguém aqui leu? É verdade??

O status final dessa leitura foi intensa ressaca literária, uma vontade enorme de assistir X-Men e algum tempo de estupor depois do final INIMAGINÁVEL que não apareceu nem nos meus sonhos mais selvagens. Sério, fiquei anestesiada por alguns dias.

Reação da blogueira após a revelação do fim do livro.

Leiam Red Queen, lançado aqui como Rainha Vermelha e desejem sem Mare por um dia também. Ninguém mais se arrepender.

 

xoxo e bom meio de semana

Incarceron – Catherine Fisher

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  • Autor: Catherine Fisher
  •    Editora: Novo Século
  •    Nº de Páginas: 352
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Incarceron
  •    Tradutor: Paula Rotta 
  •    Avaliação: 8,5

 Imagine uma prisão tão grande e tão vasta, a ponto de conter corredores e florestas, cidades e mares. Imagine um prisioneiro sem memória, que acredita firmemente ter nascido no Exterior, mesmo que a prisão esteja selada há séculos e que apenas um homem, em cuja história se misturam realidade e lenda, tenha dela conseguido escapar. Agora, imagine uma garota vivendo em um palácio do século XVII movido por computadores, onde o tempo parece ter sido esquecido. Filha do Guardião, está condenada a aceitar um casamento arranjado, cujos segredos a aprisionam em uma rede de conspirações e assassinatos, da qual ela deseja desesperadamente fugir. Um está dentro. A outra, fora. Entretanto, os dois estão aprisionados. Conseguirão enfim se encontrar? Parte fantasia, parte distopia, Incarceron reserva ao leitor a emocionante aventura de Finn e Claudia, dois jovens que desejam, a qualquer custo, destruir a barreira que os separa da liberdade.

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Desculpem, é muito clichê dizer que um livro sobre uma prisão te prendeu? Não é a intenção, juro, só a mais pura verdade.

Venho de uma maré de livros mais ou menos. Mais ou menos bons, mais ou menos interessantes, mais ou menos instigantes que me dão vontade de continuar lendo… só que mais ou menos. A maior parte da culpa é minha, não estou conseguindo me dedicar à leitura como fazia antes, passando horas com os personagens, dando a devida atenção aos seus problemas e escutando cada desabafo. Hoje em dia estou numa vibe de “Fala logo que preciso dormir, ou fale sozinho”.

Pois é, isso mesmo.

Eu.

Euzinha.

Estou desesperada por uma longa noite de sono.

Onde esse mundo vai parar?

Ok, até ai acredito que 90% das pessoas que entraram nessa enganação que é a vida de adulto (aborrecentes, aproveitem enquanto podem, vocês não sabem o que espreita) já passou por uma fase assim, de estiagem de descanso. O problema é que estou a meses assim!!!!! (!!!³) E a coisa está difícil colega! Não só não posto mais, como vocês espertamente notaram, como também não aproveito minhas leituras. A luz no fim do túnel foi a Bienal, enxergo ela como um divisor de águas que me trouxe de volta pro blog e pras letras simplesmente por me animar com isso. Se vai dar continuar assim só Zeus poderia dizer, mas estou animada.

Enquanto isso, em meio as leituras mais pra lá do que cá eis que surge… tchã tchã tchã tchãããã… Incarceron. A Prisão que fala.

Incarceron não saiu da minha bolsa (bordas amassadas e manchadas podem ter ocorrido) e, por menor que fosse a oportunidade, eu estava pronta para sacá-lo e continuar de onde tinha parado. Preparem-se para um livro mucho loco em todos os aspectos, não só a estória é originalíssima como a escrita também é… diferente.

Houve muita coisa que fui obrigada a “perceber” ao invés de ler e demorei um pouco para aceitar essa confusão, depois que reparei que isso só acontecia nas partes contadas de dentro da Prisão, como que para confundir mesmo. Cada vez mais encontro autores que se lixam pra te explicar o cenário, o que tem um enorme, gigantesco, lado positivo, mas também pode levar o leitor a beira da loucura. Principalmente se tratando de um cenário vivo e mutante.

Mas também, que maneira melhor do que descobrir os humores de um lugar com vontade própria do que deixá-lo te envolver, te prender?

E que melhor companhia que um garoto que nascido da Prisão e a filha do homem que a guarda para essas descobertas? Seus personagens são fortes, marcantes, sendo eles os protagonistas ou não. Muito humanos, mesmo alguns não o sendo inteiramente, você fica na dúvida se deve amar ou odiar alguém e depois, se fez a escolha certa.

Acho que Incarceron é questão de opinião. Ah, sério blogueira? Jura que gostar de um livro é questão de opinião? Ainda bem que você está aqui para nos esclarecer…

Calma leitor raivoso, deixe-me concluir. Acho que Incarceron é um bom livro, aliás, acho que é um livro inegavelmente bom. Foi bem executado e a autora atingiu exatamente o que queria atingir, de seu próprio jeito, sem cometer nenhum pecado contra a Sociedade Anonima das Fantasias nem contra a Associação dos Leitores Obsessivos, transformando tudo numa estória memorável. Mas um colunista no The Times de Londres disse que essa é a melhor fantasia escrita a um longo tempo e eu simplesmente me recuso a concordar. Incarceron, apesar de eu ter amado e seguir achando que é sim um ótimo livro não está no meu Top 5, pode entrar no Top 10 se cometer um ou outro assassinato, mas só. Entendem o que quero dizer?

Leiam Incarceron. Leiam não porque vai virar filme, não porque o colunista famoso adorou, leiam pra experimentar algo diferente e único, para descobrir como se sentem em relação a isso.

Bom meio de semana pra vocês!

xoxo

Pandemônio – Lauren Oliver

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  •    Autor: Lauren Oliver
  •    Editora: Intrínseca
  •    Nº de Páginas: 304
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: Pandemonium
  •    Tradutor: Regiane Winarski

   Avaliação: 9,0

ATENÇÃO, RESENHA ALTAMENTE PERIGOSA PARA NÃO LEITORES DE DELÍRIO. Se você ainda não pegou amor delíria nervosa mantenha-se longe!

Dividida entre o passado — Alex, a luta pela sobrevivência na Selva — e o presente, no qual crescem as sementes de uma violenta revolução, Lena Haloway terá que lutar contra um sistema cada vez mais repressor sem, porém, se transformar em um zumbi: modo como os Inválidos se referem aos curados. Não importa o quanto o governo tema as emoções, as faíscas da revolta pouco a pouco incendeiam a sociedade, vindas de todos os lugares… inclusive de dentro.

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“O outro lado da liberdade é: quando você está completamente livre, também está completamente sozinho.”

Ah, o final de Delírio.

Como proceder depois daquele final? Como dona Oliver, como??

Lembram que, a muito tempo atrás, eu disse que Delírio era tão devagar no começo que quase o chutei pro fim da fila? Então, Pandemônio começa de onde Delírio acabou, e é tudo, menos parado!

Enquanto Delírio foi focado em amor proibido e na alegria de novas descobertas, Pandemônio é todo sobre Lena e sua nova vida. Eu sei que muita gente detestou a coisa do Antes e Agora, eu, particularmente, amei. Deu um ritmo inesperado para a leitura, como quando você fica indo de um personagem ao outro, só que desta vez eles se juntam e formam um só no final. Muito bom!

Então a Lena está na Selva. Ou devo dizer, aquela que um dia foi Lena está na Selva. Imaginem um personagem que evoluiu, mudou, se transformou completamente e não em uma só aspecto, mas em vários. A Lena de Delírio era uma coisinha tontinha, assustada e fragilizada pelas próprias descobertas, a Lena de Pandemônio já não tem mais nada a perder, somente memórias dolorosas.

Ela pensa no Alex, é claro que ela pensa, acho muito injusto que digam que a Lena o deixou de lado! Só que ela tem coisas mais urgentes pra se ocupar, tipo não morrer de inanição, não morrer de sede, não morrer de frio, esse tipo de situação chata que pode tomar o tempo de uma pessoa… Na minha humilde opinião ela até usa essa nova realidade como escudo contra suas feridas emocionais.

Temos mais ação agora. Lena encontra Graúna, Prego e outros ‘Inválidos’ que a ensinam o que há para ser ensinado em termos de sobrevivência com quase nada. Apesar de amar romances, gosto muito de livros com perseguições, correria, tiros de um lado pro outro. Não estou dizendo que temos tiros de um lado pro outro sabe, porque isso seria um spoiler sabe, mas não vai te fazer mal ter uma arma pra se defender enquanto estiver lendo, sabe, só por precaução…

Também é bom se preparar para toneladas de novos personagens e apenas lembranças dos antigos, essa mudança não poderia ser mais emblemática, tudo aquilo que Madalena um dia conheceu se foi. Ela se deu conta disso quando se deu conta que já havia passado tempo suficiente para Hana ter passado pela Intervenção e que a única pessoa que compartilhava e, mais importante, entendia os segredos de Lena estava perdida para sempre.

Para sempre é meio pesado né, eu pessoalmente acho que essa coisa toda de curar  amor parece algo que daria para ser revertido, mas sei lá, é só uma especulação, quem sabe que tipo de agonia a Lauren Oliver ainda planeja para a gente?

Reação padrão ao final de Delírio, Pandemônio…

Em suma, Pandemônio não tem delicadezas, mas tem paixão, não tem romance, mas tem saudade, não tem respostas, mas tem várias perguntas e, principalmente, tem um gancho de matar no final, assim como Delírio. Vamos esperar que Réquiem seja conclusivo, tenho medo dessa mania de deixar os leitores com o coração na mão da Oliver…

 

xoxo e feliz Páscoa

 

A Elite – Kiera Cass

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  •    Autor: A Elite
  •    Editora: Seguinte
  •    Nº de Páginas: 360
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: The Elite
  •    Tradutor: Christian Clemente

   Avaliação: 4,5

PERIGO! PERIGO! Essa resenha pode ou não conter spoilers de A Seleção. Certifique-se de ter todas as credenciais da imprensa Real em mãos e a leitura em dia antes de continuar. Ou não.

A Seleção começou com 35 garotas. Agora restam apenas seis, e a competição para ganhar o coração do príncipe Maxon está acirrada como nunca. Só uma se casará com o príncipe Maxon e será coroada princesa de Illéa. Quanto mais America se aproxima da coroa, mais se sente confusa. Os momentos que passa com Maxon parecem um conto de fadas. Quando ela está com Maxon, é arrebatada por esse novo romance de tirar o fôlego, e não consegue se imaginar com mais ninguém. Mas sempre que vê seu ex-namorado Aspen no palácio, trabalhando como guarda e se esforçando para protegê-la, ela sente que é nele que está o seu conforto, dominada pelas memórias da vida que eles planejavam ter juntos.

America precisa de mais tempo. Mas, enquanto ela está às voltas com o seu futuro, perdida em sua indecisão, o resto da Elite sabe exatamente o que quer — e ela está prestes a perder sua chance de escolher. E justo quando America tem certeza de que fez sua escolha, uma perda devastadora faz com que suas dúvidas retornem. E enquanto ela está se esforçando para decidir seu futuro, rebeldes violentos, determinados a derrubar a monarquia, estão se fortalecendo — e seus planos podem destruir as chances de qualquer final feliz.

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Primeiramente, como vocês podem notar, eu não morri. Sim, é difícil atestar isso depois de tanto tempo de vergonhosa ausência, explicada simplesmente com um: eu precisava. Confesso que cheguei a pensar em tirar o blog do ar, não queria que o meu, o seu, o nosso IYRDIW ficasse cheio de lacunas, paradão. A culpa de voltar a escrever aqui é inteiramente de Natália Pacheco, a parsa do Vire a Página, então agradeçam ou taquem políticos podres nela, vocês que sabem.

Enquanto a resenha não começa, um sneak peek na progressão da estória de A Seleção para A Elite:

Pronto.

Ahhhhh A Elite! Mais America, ahhhhhhh, mais Aspen ahhhhhh, mais Maxon! AHHHHHHHH Mais vestidos e purpurina e coisas bonitas e…

Sim, A Elite foi uma grande decepção literária para mim. Não sei se acabou a fase do namoro com A Seleção, que me deixou meio hipnotizada, confesso, ou se a autora perdeu a chance de fazer um livro brilhante.

Vamos começar pelo ponto principal. O Príncipe Maxon desse livro não é o mesmo Príncipe Maxon de A Seleção, não pode ser, trocaram eles. Eu sei que as pessoas mudam, principalmente quando são aborrescentes, mas a diferença é tão gritante que teria me feito duvidar de tudo o que vi antes se não tivesse lido A Seleção duas vezes. Aquele cara fofo, gentil e meio inseguro agora está falso, beirando a canalhice, completamente não-Maxon. É como se a autora estivesse nos empurrando, forçando para um dos lados do triangulo, justamente a coisa mais legal e não se fazer!

Mas é meio que um tiro no pé se formos considerar a outra ponta: Aspen. O coitado é tão inexpressivo que eu mesma o coloquei na friend-zone pela America, simplesmente não dá! Cadê aquele moço cheio de paixão, pronto pra brigar pela mocinha e ganhar a beijos o seu coração (e o nosso) de volta?? Cadê, meu povo, CADÊ?

Sem contar nas alternativas completamente aceitáveis que foram surgindo do nada, de uma hora para outra, numa forma de garantir o final feliz de todo mundo.

Lembra que disse assim?

Ela [America] é uma ótima protagonista, um pouco enrolada até, mas honesta consigo e com os outros. É bom variar um pouco e ter uma mocinha que não é A Garota Que Esconde Vários Segredos do Mundo. 

Agora a indecisão dela é, pra dizer o mínimo, irritante. Ok, irritante é a fila do McDonalds, a America me dá vontade de bater com a cabeça repetidas vezes numa parede de concreto. A dela, não a minha. Ela se tornou exatamente o que achei que não seria, a típica mocinha YA. O mundo inteiro explodindo e ela lá “Ó céus, com quem fico?”,  tudo isso me revolta!

Falando em revoltas, temos mais rebeldes. E aulas da história de Iléa. Nada que tire o foco do principio ativo do livro, mas a tentativa de expandir o enredo de Cass foi boa, sem as constantes invasões do castelo, ou as informações cruciais que America descobriu a respeito do fundador do reino, a estória ficaria girando a esmo, entre uma transmissão do reality show a outra. O show esquentou as garotas tem tarefas de princesa a cumprir e os olhos de todo o país, e de outros também, estão voltados para elas, gera um certo drama, mas ainda preferiria uma coisa mais adulta.

Enfim, o clima juvenil demais tirou meus suspiros, simplesmente não me envolvi tanto com a trama como havia antes, sinto que só vou ler The One porque preciso saber como o tormento acaba.

xoxo e bom meio de semana

Blindfolded – J. Marins

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  •    Autor: J. Marins
  •    Editora: Novo Século
  •    Nº de Páginas: 248
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Nacional
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 5,5

MIRE-SE BEM. PORQUE VOCÊ PODE ESTAR COM OS OLHOS VENDADOS. “Não descansarei enquanto existir uma única antena HAARP enviando os seus feixes de ondas hipnóticas para os bilhões de humanos robotizados. Aviso ao Chefe do Governo Mundial para guardar na memória os rostos dos seus colegas da LUZ, pois vou conferir o óbito de cada um deles. Meu nome é Brenda Slava, e eu recebo salário da morte para fazer isso.”

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Hey pretties!

Eu meio que tenho uma queda por teorias da conspiração, tá, meio é ser gentil, eu me amarro numa estória bem louca que aponta para a dominação das massas por meios escusos, geralmente arquitetados por governos ou empresas importantes. Também olho para celulares com desconfiança e acredito que as redes sociais estão aí pra nos espionar e juntar informações para um grande, grande plano. A maioria das pessoas vê essas ideais como loucura, mas justamente é essa a genialidade da coisa! Ninguém suspeitar que está sendo dominado…

Blindfolded vai mais longe, para a estória nem em 2013 estamos, só acreditamos estar. O Governo Mundial calibra nossas mentes com informações necessárias para vivermos conforme seu plano, em seu tempo, sem falhas. Até a guerra com rebeldes da Cidade da Liberdade é mascarada como ataques terroristas no Oriente Médio. Poucas pessoas formam obtém uma quantidade de livre arbítrio suficiente para poder criar coisas novas, e menos pessoas ainda recebem informações para poder controlar a grande massa.

No momento em que li isso me peguei pensando em como essas pessoas privilegiadas se sentiam sabendo da verdade, ou parte dela. Além de mentirem para basicamente todo mundo, como não ficar paranoico de, de repente, ser cortado da lista vip?

O que me faz lembrar de toda a arquitetura política, de não saber quem é mocinho e quem é bandido, da facilidade que o autor me fez mudar de opinião constantemente sobre as intenções de praticamente todos os personagens e em como tudo isso me obrigou a chegar o mais rápido possível no final.

Porém nem tudo na vida são flores com mensagens subliminares!

Ler repetidas vezes sobre o corpo escultural de Brenda na-mesma-página-por-todas-as-páginas-no-livro-inteiro cansa demais, a não ser que você seja um homem e necessariamente tenha a mentalidade de uma colher de chá. Confesso que meus neurônios sobrecarregados me ajudaram selecionando e apagando essas partes depois de um tempo, para que eu pelo menos conseguisse continuar a leitura, mas ainda acho uma falta grave. Ouvir falar tanto dos glúteos firmes, das pernas poderosas, da silhueta esbelta e da perfeição da ‘comissão de frente’ não contribuiu em nada para mudar minha cara de paisagem toda vez que o nome Brenda era mencionado. É, foi crítico assim.

Mas vamos que vamos!

Distopia inteligente e ousada, Blindfolded surpreendeu em dois sentidos. Mesmo se deixássemos de lado o restante do livro, só o enredo já seria o suficiente para te fazer pensar e se a sua mente não fosse sua? Como se libertar? Se pudesse se libertar, você iria? Porém a narrativa óbvia, pobre e repetitiva matou meu entusiasmo, meio que não aguento mais ouvir falar de Brenda Slava, tipo… mesmo!

Não sei se, com tantas coisas que fazem bem mais o meu estilo por aí, vou me aventurar na continuação de Reação e descobrir mais sobre HAARP.

xoxo e bom meio de semana!

Never Sky, Sob o Céu do Nunca – Veronica Rossi

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  •    Autor: Veronica Rossi
  •    Editora: Prumo
  •    Nº de Páginas: 336
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: Under The Never Sky
  •    Tradutor: Alice Klesck

   Avaliação: 9,0

Desde que fora forçada a viver entre os Selvagens, Ária sobreviveu a uma tempestade de Éter, quase teve o pescoço cortado por um canibal, e viu homens sendo trucidados. Mas o pior ainda estava por vir…

Banida de seu lar, a cidade encapsulada de Quimera, Ária sabe que suas chances de sobrevivência no mundo além das paredes dos núcleos são ínfimas. Se os canibais não a matarem, as violentas tempestades elétricas certamente o farão. Até mesmo o ar que ela respira pode ser letal. Quando Ária se depara com Perry, o Forasteiro responsável por seu exílio, todos os seus medos são confirmados: ele é um bárbaro violento. É também sua única chance de continuar viva.

Perry é um exímio caçador, em um território impiedoso, e vê Ária como uma menina mimada e frágil – tudo o que se poderia esperar de uma Ocupante. Mas ele também precisa da ajuda dela, somente Ária tem a chave de sua redenção. Opostos em praticamente tudo, Ária e Perry precisam tolerar a existência um do outro para alcançar seus objetivos. A aliança pouco provável entre os dois acabará por forjar uma ligação que selará o destino de todos os que vivem sob o céu do nunca.

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WOW!

Quero dizer… wow!

Não… consigo…

Wow.

Tempestade de emoções à frente

 

Antes de qualquer coisa: mocinhos fofos, cresçam, bad boys manjados, corram para as suas mães! Vem aí Perry, o Perfeito.

Exemplo da reação

Em Never Sky Rossi nos entrega uma Terra devastada por tempestades de Éter e completamente hostil, onde metade das pessoas se esconderam em cidades encapsuladas, núcleos, e a outra metade voltou para a idade média. Enquanto seus vizinhos nem-um-pouco-queridos vivem em tribos e passam fome, os habitantes dos núcleos podem frequentar cópias virtuais e multidimensionais do mundo que deixaram para trás através do ‘olho mágico’. E, é claro, fingir que está tudo lindo.

Essa alienação é explorada na Ária, que, apesar de ser uma garota naturalmente centrada, demora a entender o quanto as coisas são diferentes fora do conforto do seu núcleo. Mesmo depois de um Selvagem ter quebrado um galhão pra ela (pois é, não vou contar o que é, vivam sem spoilers) a menina continua indo e voltando na concepção de que ele não passa disso, um Selvagem.

Ária, ah, Ária. Sabe quando um personagem principal tem o poder de destruir ou transformar em ouro o livro? Olhem novamente a nota acima e vocês saberão o que a Ária fez.

Talvez seja só a identificação falando. Como eu sob efeito da cafeína ou numa crise de ansiedade, Ária simplesmente não cala a boca, conversando por ela por Perry, mesmo quando fica claro que ele não está dando a mínima. Ela também não é tonta, apesar de ser mimada, e fica deslumbrada com cada coisa emocionante que descobre no novo mundo.

É curiosidade e medo ao mesmo tempo, deixando a situação bem crível, pelo menos pra mim. Tenho certeza que a narrativa de Rossi também foi uma mão na roda. Bem feita, bem pensada, assim como o restante do livro, a narrativa foi desenvolvida para envolver e prender o leitor em todos os acontecimentos. Me amarro numa boa escrita, aquela que é bem mais do que uma mera listagem dos acontecimentos -sem sentimentos nem tom- e é bem por aí que minha simpatia eterna pela Veronica começou… ok, por aí e por Perry também.

Sempre que penso em Perry, o Magnífico

É claro que ele e lindo de morrer, charmoso até não poder mais, mas que mocinho não é? A questão do irmão do Soberano de Sangue dos Marés é que ele não é perfeito. “Ah, mas blogueira, tem tantos mocinhos que não são perfeitos, e daí se ele não é?” Eu sei leitor, eu sei, mas já parou pra reparar que mesmo esses imperfeitos são na verdade perfeitos com imperfeições aperfeiçoadas??? Do estilo me ame porque você não tem escolha? Então, Perry não é assim, você pode escolher odiá-lo genuinamente e será totalmente compreensível,ele é humano e verdadeiro nesse nível! Eu sei que soa loucura amar um personagem simplesmente porque eu posso odiá-lo sem parecer do contra, mas é bem mais fácil e natural se conectar com alguém (é, alguém, Perry é uma pessoa para mim) se ela for parecida com você, ou seja, com falhas e incertezas inatas.

– As nuvens se dissipam? – Perguntou ela.
– Completamente? Não. Nunca
– E quanto ao Éter? Ele some em algum momento?
– Nunca, Tatu. O Éter nunca some.
Ela olhou pra cima.
– Um mundo de nuncas sob o céu do nunca.

Agora, sabe o Éter? Eu também não. Veronica Rossi não explica o que é o Éter, nem pra serve, como surgiu nem qual sua cor preferida, ela fez aquela coisa magica que pode tanto levar um leitor a loucura de frustração quanto ganhar respeito forever and ever: incorporou o negócio à paisagem, como uma verdade universal na estória e na vida dos personagens e você que se vire para acompanhar.

Como eu falei na resenha de A Corrida do Escorpião, meu livro preferido de 2012, a gente pega o bonde andando e não senta na janelinha logo de cara, mas aproveita a narrativa de uma maneira unica. Admito que foi frustrante no começo, mas depois passei para o time do respect e vivi feliz para sempre nele.

Posso só compartilhar um dado com vocês? NÃO TEM TRIANGULO AMOROSO

Enfim, poderia dizer que Never Sky é delicado, pelo cuidado do texto de Rossi, mas nenhum livro delicado é capaz de deixar o leitor tão vidrado, necessitando saber o que vem em seguida tanto quanto eu fiquei. Ele é um YA de gente grande, na minha concepção, e espero que as continuações sejam tão de gente grande assim. Quem sabe alguns autores que brincam de escrever não se inspirem e procurem fazer melhor? Never Sky é leitura obrigatória para quem ainda está na onda dos distópicos (nem me conto mais nessa onda, distopia para mim só perde para épicos com meninas phodas que lutam com espadas) e para quem gosta de acompanhar a evolução de personagens como se eles fossem gente de verdade! Não é um Perr… digo, livro que vou esquecer tão cedo.

Ok, ok, como o moço Selvagem é minha nova obsessão literária, não poderia faltar uma música para ele, podia?

A má noticia (você sabe que sempre tem uma) é que Through The Ever Night está previsto apenas para o 2º semestre de 2013.

Sem desespero, quando formos ver já se passou meio ano e o Perry voltou para nós. Né? NÉ?!

Boa semana

xoxo

Puros – Julianna Baggott

  •     Autor: Julianna Baggott
  •    Editora: Intrínseca
  •    Nº de Páginas: 368
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Pure
  •    Tradutor: Flávia Souto Maior

   Avaliação: 6,5

 

Pressia pouco se lembra das Explosões ou de sua vida no Antes. Deitada no armário de dormir, nos fundos de uma antiga barbearia em ruínas onde se esconde com o avô, ela pensa em tudo o que foi perdido — como um mundo com parques incríveis, cinemas, festas de aniversário, pais e mães foi reduzido a somente cinzas e poeira, cicatrizes, queimaduras, corpos mutilados e fundidos. Agora, em uma época em que todos os jovens são obrigados a se entregar às milícias para, com sorte, serem treinados ou, se tiverem azar, abatidos, Pressia não pode mais fingir que ainda é uma criança. Sua única saída é fugir.

Houve, porém, quem escapasse ileso do Apocalipse.

Esses são os Puros, mantidos a salvo das cinzas pelo Domo, que protege seus corpos saudáveis e superiores. Partridge é um desses privilegiados, mas não se sente assim. Filho de um dos homens mais influentes do Domo, ele, assim como Pressia, pensa nas perdas. Talvez porque sua própria família se desfez: o pai é emocionalmente distante, o irmão cometeu o suicídio e a mãe não conseguiu chegar ao abrigo do Domo. Ou talvez seja a claustrofobia, a sensação de que o Domo se transformou em uma prisão de regras extremamente rígidas. Quando uma frase dita sem querer dá a entender que sua mãe pode estar viva, ele arrisca tudo e sai à sua procura.

Dois universos opostos se chocam quando Pressia e Partridge se encontram. Porém, eles logo percebem que para alcançarem o que desejam — e continuar vivos — precisarão unir suas forças.

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 (A Maniaca dos Distópicos ataca novamente)

Ok, então Puros é chocante como deveria ser.

Instigante como era de se esperar.

E tem uma ideia bem interessante para ajudar.

Mas ele ainda não chega lá.

Acho que o que torna esse um livro perturbador é a relativa proximidade com a nossa realidade. Relativa por se tratar de uma sociedade tecnologicamente evoluída o suficiente para projetar esferas autossustentáveis e seguras até mesmo de ataques de bombas capazes de aniquilar e reprogramar moléculas simultaneamente. Mas, ainda assim, próxima de nós por tratar do ‘antes’.

A maioria dos livros distópicos que conheço se baseia num evento ‘divisor de águas’, mais especificamente, no que aconteceu depois. Muitas vezes a humanidade pré-evento é citada de forma maldosa ou nem sequer aparece, mas em Puros o ‘antes’ tem papel crucial para entendermos o que está acontecendo com as pessoas dentro e fora do Domo. Afinal, a estória se passa apenas nove anos depois das Explosões.

O livro é claramente dividido em três partes, apesar de eu acreditar que isso não seja intencional. Cada uma dessas partes vem carregada de conveniência, o que, pra ser bem sincera, matou o brilho da estória para mim.

SHAME

A primeira reforça a visão da miséria, caos e bizarrice do mundo Depois das Explosões. Somos imersos nas dificuldades que os miseráveis, povo fora do Domo, enfrentam, aquilo tudo que a gente já sabe, falta de recursos, doenças, anarquia, violência… mas coisas básicas, detalhes mesmo, são deixadas de lado, sem resposta! Não se sabe de onde aquele povo tira água, porque até a neve, quando cai, é escura. Não se sabe como aquele povo sobreviveu nove anos, porque o ar é pura fuligem e cinzas.

No segundo terço, a autora se esforça DEMAIS para mostrar o máximo possível de anomalias, mutilações, fusões horríveis e o escambau. É como se a Julianna tivesse ficado tão preocupada em chocar o leitor com o que viria a ser a humanidade, que se esqueceu tomar conta da sua estória. O resultado foi uma coisa forçada e cheia de pequenos buracos… Por exemplo: as pessoas durante as Explosões se fundiram com tudo: pedaços de vidro, plástico derretido, metais variados, cachorros, pássaros, amigos, irmãos, filhos… até com o chão! Mas não com as próprias roupas, e, se algumas acabaram se fundindo com o chão, por que todo mundo não ficou grudado onde estava?

“Mas blogueira, numa ficção o autor não pode criar o que quiser? Pra quê implicar com isso??” Você me pergunta.

“Elementar, meu caro leitor. O autor pode escrever o que bem entender no livro dele, de trás pra frente, pulando sílabas tônicas e tudo, mas não quer dizer que eu tenha que engolir.” Eu delicadamente respondo.

Não acho justo com o leitor o autor fazer só meia viagem. Toda ação tem uma reação, é fato, e escolher não enxergar os buracos sem sentido, as reações óbvias, me cheira a preguiça… é esse o tipo de conveniência que tira meu respeito pela estória.

Quase cheguei a isso! Quase!

Enfim, a última parte é onde as coisas importantes de verdade acontecem e essa é a melhor parte do livro, ele finalmente amadurece e mostra a que veio!  Pressia, Partridge, Bradwell, El Capitán, Lyda… são eles que deixam a narrativa de pé, correndo, e são realmente bem escritos. Mesmo em 3ª pessoa conseguimos perceber o quão complexos eles são para si mesmos, o quanto a situação em que se meteram muda completamente suas visões do mundo.

El Capitán é o meu preferido, por fora ele é todo:

e

Mas lá dentro ele é todo:

“Me ame, sim?”

Ele pode não ter tido tanto destaque quanto Pressia ou Patridge, mas ainda prevejo um bom caminho para ele no próximo volume.

Então, apesar de suas falhas, Puros é um livro intenso. A sensação que tenho agora que acabei de lê-lo é de que os outros YAs distópicos ficaram esmaecidos, em tons pastéis, perto dele. Puros não romantiza a bela barbárie, deixa que ela tome conta de si mesma, se limitando a acompanhar seus passos sangrentos. Nada ali é bonitinho por conta própria, precisa-se aprender a encontrar a beleza nos próprios olhos antes ou simplesmente viver sem.

Não espere um livro que vá baixar a guarda para você, nesse novo mundo esse tipo de coisa não existe.

xoxo e bom meio de semana!

P.S.:A editora Intrínseca aceitou minhas reclamações sobre os vários erros de revisão e tradução que encontrei e disse que irá estudá-los. Tomara que a 2ª edição venha zeradinha!

Caminhos de Sangue – Moira Young

  •     Autor: Moira Young
  •    Editora: Intrínseca
  •    Nº de Páginas: 352
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Blood Red Road
  •    Tradutor: Fábio Fernandes
  •    Avaliação: 8,0
Saba passou a vida inteira na Lagoa da Prata, uma imensidão de terra desértica assolada por constantes tempestades de areia. O lugar não a incomoda, contanto que o irmão gêmeo, Lugh, esteja por perto. Quando, porém, uma gigantesca tempestade chega trazendo quatro cavaleiros de mantos negros em seu rastro, a vida que Saba conhece chega ao fim: Lugh é raptado e ela tem que embarcar em uma perigosa jornada para resgatá-lo. Repentinamente jogada na realidade selvagem e sem lei do mundo além da Lagoa da Prata, Saba não consegue pensar no que fazer sem Lugh para guiá-la. Por isso, talvez a maior surpresa seja o que descobre sobre si mesma: é uma lutadora incansável, uma sobrevivente feroz e uma oponente perspicaz. Com a ajuda de um audacioso e atraente fugitivo e de uma gangue de garotas revolucionárias, Saba se torna a protagonista de um confronto que vai mudar o destino de sua civilização. Com ritmo arrasador, ação constante e uma história de amor épica, Caminhos de sangue é uma aventura grandiosa ambientada em um mundo futurista e violento.
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Peguei Caminhos de Sangue para tentar tirar A Dança dos Dragões da cabeça, tem chão para Winds of Winter vir à tona e não vi muito sentido em prolongar minha agonia. Como todo mundo sabe, uma ressaca respeitável não some num piscar de olhos e as dores de cabeças literárias são piores ainda, mas, definitivamente, o livro de Moira Young foi melhor que Tylenol!

Não foi a atmosfera apocalíptica, uma coisa meio Livro de Eli que me ganhou. Também não foi a narrativa estranha/ousada pouco convencional , já chego nela. Foi o par romântico!

Não ligo se é spoiler juro que é minúsculo, ouçam os anjos tocando trombetas de cima das nuvens de poeira vermelha e cantem comigo!

NÃO TEM TRIANGULO AMOROSO!

Posso ter um amém aqui, irmãos??

Enfim, todo mundo no livro é grosso. Até a menina de 9 anos é grossa. Mas Saba e Jack são os piores. Ela é uma cabeça-dura e ele é ultra charmoso de um jeito totalmente não convêncional, trocam farpas, provocações, palavras duras e são sérios candidatos à violência doméstica. E completamente adoráveis juntos.

Provavelmente por eles não ficarem de melação e mimimi a coisa é mais intensa. Prendi a respiração um trecho ou dois só na expectativa de ver o que ia acontecer ali. E não me desapontei, pelo menos não o tempo todo.

Agora, a personagem principal, Saba, é osso duro de roer. Mesmo. Em poucas palavras, a menina é uma vaca com todo mundo que não seja seu precioso Lugh, inclusive com a sua irmãzinha Emmi. Na verdade, com a Em é ainda pior, Saba se ressente pela mãe ter morrido no parto da irmã mais nova e por nada ter sido o mesmo depois disso. Ela despreza a garotinha e sinceramente gostaria que fosse ela a ser levada no lugar de Lugh. Provavelmente ela só iria atrás de Emmi porque seu gêmeo iria. Foi bom ounão ver o progresso das duas ounão conforme viajam juntas e descobrem o quão parecidas são.

Aaaaaaaaaaaargh! Meninas difíceis!

A escrita de Moira, nesse livro, talvez desagrade muita gente e confesso que me incomodou bastante no comecinho. Eu li e reli a contracapa umas boas 5 vezes. Também levei algumas páginas para tirar aquele incômodo de mim e seguir adiante. No momento que aceitei o jeito da Saba de narrar a estória, a leitura fluiu e não parou até que eu fechasse o livro. É tudo ágil e rápido, se você piscar, meio mundo já mudou, principalmente na primeira metade, na segunda as coisas se arrastam um pouco mais.

Esperava mais da ação. Como numa estória que insinua sexo, mas não descreve nada, nesse livro sentimos o cheiro do sangue, mas ele não respinga em nós.

Claro que não é regra, mas acredito que as cenas das lutas poderiam ter mais detalhes, isso enriqueceria e muito a estória. Imaginem se em Gladiador só mostrassem o Russell Crowe entrando na arena, medindo seu oponente e depois já de volta para o merecido descanso? Anticlímax brochante, né?

Mas nem por isso o livro é chato, gostei muito da relação estabelecida entre Saba e as Gaviãs Livres, sua postura quando estava à mercê da Jaula e como tudo me lembrou um vídeo-game. Ike e Emmi são ótimos personagens secundários e balanceiam as ações de Saba e Jack, sem eles o livro não teria metade do bom gosto e bom humor que tem! Dei altas risadas com frases ótimas de todos eles.

Olhando por cima, até dá para dizer que Dust Lands tem moldes de Jogos Vorazes, mas bem por cima mesmo. Eles são feitos de material diferente e, sinceramente, é coincidência que eu, fangirldehungergamesassumidahistéricapeetaseulindo, tenha gostado tanto desse livro.

Com uma trama de fim clichê e personagens absolutamente originais, Caminhos de Sangue não é sombrio, não é forte, nem violento, mas abre caminho para uma coisa bem maior. Que venha Rebel Heart! Seu lindo!

Bom domingo pra todo mundo! E aproveitem para conferir a capa de Rebel Heart:

Jack! Jack! Jack!

P.S.: Aquele conselho: evite a ressaca, continue bebendo? Funciona! Funciona até pra ressaca literária! O resultado? Uma dor de cabeça maior ainda!! Rebel Heart só sai dia 30 de Outubro. No Jack até dia 30 de Outubro! Até. 30. De. Outubro. Eu mereço…