O Ceifador – Neal Shusterman

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  •    Autor: Neal Shusterman 
  •    Editora: Seguinte
  •    Nº de Páginas: 448
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: Scythe
  •    Tradutor: Guilherme Miranda
  •    Avaliação: 9,0

Primeiro mandamento: matarás.
A humanidade venceu todas as barreiras: fome, doenças, guerras, miséria… Até mesmo a morte. Agora os ceifadores são os únicos que podem pôr fim a uma vida, impedindo que o crescimento populacional vá além do limite e a Terra deixe de comportar a população por toda a eternidade. Citra e Rowan são adolescentes escolhidos como aprendizes de ceifador – papel que nenhum dos dois quer desempenhar. Para receberem o anel e o manto da Ceifa, os adolescentes precisam dominar a arte da coleta, ou seja, precisam aprender a matar. Porém, se falharem em sua missão ou se a cumplicidade no treinamento se tornar algo mais, podem colocar a própria vida em risco.

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História original, sem pressa = favorito?

Não é sempre que vemos uma ideia realmente inovadora no mundo YA, ainda mais entre distopias (aka a ultima moda), mas se levarmos em conta todos os momentos filosóficos, e não necessariamente cheios de ação e sangue e tripas, O Ceifador tem tudo para se tornar um novo clássico.

Sim, quando eu vi a sinopse desse livro pela primeira vez tinha certeza que seria aquela leitura leve, cheia de mortes, muito sangue e uma descrição saudável de gritos e pânico. E ok, nós temos gritos e sangue e muito pânico, mas esse livro é bem mais que isso.

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Shusterman aproveita a deixa para fazer qualquer um pensar bastante sobre a própria mortalidade e o que significaria não morrer nunca. Fiquei tão encucada com a história que sai comentando com todos (imaginem a família de não-leitores tendo que responder o que eles fariam se em 2042 fosse descoberta a cura para a morte EEEE uma forma de restaurar os corpos) e debatendo internamente se a sociedade estaria melhor não governando a si mesma.

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Por falar nisso, outro aspecto marcante é a evolução da tecnologia para um ser independente, capaz de calcular precisamente estatísticas, tomar decisões eficientes para o bem geral e ao mesmo tempo reconhecer cada serumaninho com empatia. A Nuvem é a nova mãe da humanidade, e ninguém liga que ela seja um computador. Quando a tecnologia evoluiu sozinha e ultrapassou a barreira da criação humana ela também derrubou governos e recuperou os estragos que fizemos na natureza, declarando que nós não éramos capazes de cuidar de nós mesmos. E eu meio que concordo.

Porque essa Nuvem não é o comandante autoritário e frio que esperamos ver por aqui. Muito pelo contrário, ela criou uma utopia, onde todos tem empregos e educação, ninguém passa fome e classes sociais são coisas do passado (mas não no estilo comunista/deprê). Ela tornou o mundo um lugar verde novamente, aplicando as medidas que ninguém tinha coragem de tomar pra não perder dinheiro, e observa seus súditos(?) de perto para garantir que nenhum crime aconteça. E o mais legal, na minha opinião, é que com inteligencia e base de dados infinitas ela compartilha TUDO com os humanos, sem essa de manter a população ignorante.

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Porém, apesar da Nuvem ser praticamente onipresente, tem um aspecto da humanidade que ela deixou para que a gente resolvesse sozinho. O controle demográfico. Ou Colheita. Ou morte como meio de vida.

Imagine que você possa se jogar na frente de um trem e não morrer. Tudo bem, você vai virar purê, mas agora temos a tecnologia capaz de salvar uma pessoa até de decapitação! E com todo mundo vivendo 200 anos com corpinho de 20 nada mais natural que um MONTE de bebês, né? Para não deixar a superpolulação virar um problema a Nuvem criou a Ceifa, e lhe deu total autonomia. Tanto que um Ceifador não pode nem acessar o banco de dados da Nuvem como qualquer um, para não correr o risco de influenciar seu trabalho.

Daí eu penso, como num mundo todo perfeitinho assim teríamos uma história? Porque, meu bom povo, tem sempre aquela pessoa que quer ser o dono da p#R$@ toda e não medirá esforços. E é aí que Citra e Rowan caem de paraquedas. Não numa Ceifa organizada e unida, mas no meio de um caos político e muuuuuito sangrento. O desenvolvimento dos dois é ótimo, e mesmo que a gente saiba só pela sinopse que vai rolar um sentimento ali, eles simplesmente não são adolescentes típicos.

Alias, é justamente o fato de serem tão singulares que acabará com suas vidas.

Atenção: O Ceifador causa dependência. Os conflitos são tão imprevisíveis que você não tem escolha, a não ser ficar acordado a noite toda lendo. O final não tem um super gancho, mas dá espaço pra uma continuação que já está na minha lista de desejados!

 

xoxo e boa semana!

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Glass Sword (Espada de Vidro) – Victoria Aveyard

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  •  Autor: Victoria Aveyard
  •    Editora: Harpen Teen
  •    Nº de Páginas: 383
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2016
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 8,5

NÃO SE APROXIME DESSA RESENHA se você ainda não leu Red Queen! Se você continuar é por sua conta e risco e não me responsabilizo por queimaduras, afogamentos, desmembramentos e possível loucura que venham a ocorrer.

“Se sou uma espada, sou uma espada de vidro, e já me sinto prestes a estilhaçar.”
O sangue de Mare Barrow é vermelho, da mesma cor da população comum, mas sua habilidade de controlar a eletricidade a torna tão poderosa quanto os membros da elite de sangue prateado. Depois que essa revelação foi feita em rede nacional, Mare se transformou numa arma perigosa que a corte real quer esconder e controlar.
Quando finalmente consegue escapar do palácio e do príncipe Maven, Mare descobre algo surpreendente: ela não era a única vermelha com poderes. Agora, enquanto foge do vingativo Maven, a garota elétrica tenta encontrar e recrutar outros sanguenovos como ela, para formar um exército contra a nobreza opressora. Essa é uma jornada perigosa, e Mare precisará tomar cuidado para não se tornar exatamente o tipo de monstro que ela está tentando deter.

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Digamos que, depois de publicamente escolher o irmão errado e manipular descaradamente os sentimentos de Cal, as coisas ficaram um pouco constrangedoras pro lado da Mare.

Quero dizer, ela está presa a ele agora.

Acho melhor vocês saberem, não tem romance nesse livro. Ter tem, mas é tão pouco e tão abafado pela confusão interna dos dois protagonistas traídos, que nem vale a menção. Não que eu ache que fez falta, sinceramente NÃO FEZ, e isso vindo daquela que literalmente vibra quando a mocinha beija o mocinho é alguma coisa…

Baixou uma entidade na Mare, a entidade megalomaníaca do professor Xavier, diga-se de passagem, que a faz pensar que o Universo gira em torno do traseiro ossudo dela. E se isso é cansativo pros personagens à volta dela, imagina para mim, que estava ‘dentro’ da cabeça com um fio desencapado dela?

Como era de se esperar ela foi atrás dos seus semelhantes, numa mistura muito louca de Professor X (o Shade sendo uma espécie de Ciclope amigável e Cal um Wolverine com cólicas menstruais) e Katniss Everdeen. Não me levem a mal, eu gostei dessa mistura, gostei mesmo, achei emocionante e me deixou curiosa para saber o que eles encontrariam pela frente, o problema é que a Mare estava se achando a ultima bolacha do pacote. Ela não PARA, o livro todo, de dizer o quanto ela é poderosa e fodona e que o poder dela e ela são super valiosos e mimimi (humildade mandou um beijo), quando na verdade, praticamente todos (ok, não tantos assim, mas fiquei brava) os newbloods que ela encontra tem poder suficiente pra dar um couro nela! Além disso ela fica dizendo que ninguém realmente gosta dela, eles somente a temem… UUUUI. Mare, por favor, pare.

Só um adendo, a Victoria Aveyard deu uma de George R. R. Martin (Cadê o 6º livro??????????) e está tratando o elenco de Glass Sword como ele trata a família Stark, ok? Não se apeguem.

Ainda estou receosa depois do final de Red Queen, ainda não confio realmente em ninguém, nem mesmo em Cal. Ele foi enganado pelo irmão mais novo? Sim. Isso quer dizer que ele está do lado da Mare? Absolutamente não. Vamos recapitular que o Cal é o general criado para governar o reino dos Prateados, não uma nação de Prateados & Vermelhos. Ele pode até ter salvado a vida da Mare no Bowl of Bones, mas isso não quer dizer que seus motivos foram realmente altruístas. Só estou dizendo…

Eu sei que não posso mencionar isso aqui, mas esse final, MEO DEOS ESSE FINAL!  Ainda estou tentando me recompor emocionalmente, e sempre falho por que daí lembro que vai demorar horrores até eu ter a continuação em mãos… Sério, esse é um daqueles desfechos que te deixam paralisado, quase sem conseguir virar as páginas, rezando pra não acabar. E ainda por cima tem um epilogo matador!

Ufa!

Não vou perder tempo indicando essa continuação a ninguém, se você leu Red Queen você também precisa saber o que vai acontecer com Mare. Se joga, vale muito a espera!

xoxo e bom meio de semana

Red Queen (Rainha Vermelha) – Victoria Aveyard

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  •    Autor: Victoria Aveyard
  •    Editora: Harpen Teen
  •    Nº de Páginas: 383
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2015
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 8,5

 

O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses.

Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho?

Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe – e Mare contra seu próprio coração.

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“Qualquer um pode trair qualquer um”

Essa é a moral da história desse livro. Da vida da Mare.

Red Queen provavelmente foi o livro YA mais hypado de 2015. Sério, o negócio já era um sucesso antes mesmo de ser lançado, como pode? Tinha até contrato pra filme já assinado! Are baba, que um dia eu seja tão auspiciosa assim #oremos

A verdade é que não teve como não me deixar levar pela onda de euforia e comprei já na pré-venda sem pensar duas vezes, mas uma parte de mim dizia que eu iria quebrar a cara, como geralmente acontece com livros super propagandeados. ERRADO.

Não, não é o livro mais perfeito da face da Terra, mas com certeza cumpre com o combinado e de quebra tem um final de deixar qualquer professor Xavier sem folego! Temos muito ação desde o começo e uma coisa que a-do-ro, uma mocinha toda poderosa! Quero dizer, a Mare não sabe que é toda poderosa desde o princípio, ela descobre por acaso depois de uma sucessão de fatos como, por exemplo, tentar roubar do príncipe herdeiro Cal sem saber que se tratava dele. Muita coisa na sua vida sofrida a levou até aquele ponto, mas acredito que nossa história tenha realmente começado no momento que o príncipe prateado não só a poupou, lhe deu uma nova chance.

Mal sabia ele que um gesto aleatório de bondade magnânima ia por um fim no mundo que ele conhecia. Mas isso não deve ser tratado aqui, essa parte você precisa ler.

Falando em Cal, não é sempre que temos um triangulo amoroso (NÃO FUJA. NÃO ENTRE EM PANICO!!) tão manipulador, aliás nem sei se pode ser considerado um triangulo amoroso já que todos os envolvidos tem o rabo preso, andam olhando por cima do ombro e tentam tirar vantagem do próximo. De qualquer maneira eu achei genial! Ilustra muito bem o que a Mare está vivendo na corte e fora dela e eleva a outro nível a quantidade de romance meloso que os escritores YAs acham que precisam colocar em seus livros (que não são romancinhos). Em outras palavras: praticamente zero romance meloso.

Porém a garota não deixa de ser uma menina paupérrima, repentinamente bombardeada com as regalias da vida na corte, um poder destrutivo e a atenção de não um, mas dois príncipes. É óbvio que ela vai fazer burradas.

Ela faz o que pode, isso eu posso te adiantar, mas as vezes não é o suficiente, as vezes ela é inocente demais, ingênua demais, sozinha demais e acaba se deixando levar. Não vou culpá-la, a garota parece um malabarista tentando equilibrar todos os aspectos da sua vida, como Mare e como Mareena, da melhor maneira.

Vou deixar aqui minha apreciação pelos mocinhos (Cal, Maven e Kilorn) caras bonitos nunca são demais e meu nojinho pelo casal real, Rei Tiberias VI e Rainha Elara, a horrorosa. Esses dois são a personificação de tudo o que os Prateados representam de ruim na sociedade do livro, e na nossa também.

Falando da atmosfera: eu li Red Queen como uma distopia. Ele não fala em nenhum momento de uma civilização como a nossa, mas dá dicas, apesar de nem todo mundo concordar comigo. Eles falam de regiões devastadas por radiação (na minha cabeça nerd radiação = mutação) e Norta pra mim nada mais é do que os Estados Unidos, com o reino inimigo Lakeland sendo a região dos lagos, na fronteira do Canadá. Reparem e me digam que estou errada!

Vi também gente dizendo que esse livro é uma cópia de Red Rising e ficando… bravos, mas como estou proibida de começar novas séries até terminar as que já tenho, ainda não pude conferir. Alguém aqui leu? É verdade??

O status final dessa leitura foi intensa ressaca literária, uma vontade enorme de assistir X-Men e algum tempo de estupor depois do final INIMAGINÁVEL que não apareceu nem nos meus sonhos mais selvagens. Sério, fiquei anestesiada por alguns dias.

Reação da blogueira após a revelação do fim do livro.

Leiam Red Queen, lançado aqui como Rainha Vermelha e desejem sem Mare por um dia também. Ninguém mais se arrepender.

 

xoxo e bom meio de semana

Pandemônio – Lauren Oliver

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  •    Autor: Lauren Oliver
  •    Editora: Intrínseca
  •    Nº de Páginas: 304
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: Pandemonium
  •    Tradutor: Regiane Winarski

   Avaliação: 9,0

ATENÇÃO, RESENHA ALTAMENTE PERIGOSA PARA NÃO LEITORES DE DELÍRIO. Se você ainda não pegou amor delíria nervosa mantenha-se longe!

Dividida entre o passado — Alex, a luta pela sobrevivência na Selva — e o presente, no qual crescem as sementes de uma violenta revolução, Lena Haloway terá que lutar contra um sistema cada vez mais repressor sem, porém, se transformar em um zumbi: modo como os Inválidos se referem aos curados. Não importa o quanto o governo tema as emoções, as faíscas da revolta pouco a pouco incendeiam a sociedade, vindas de todos os lugares… inclusive de dentro.

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“O outro lado da liberdade é: quando você está completamente livre, também está completamente sozinho.”

Ah, o final de Delírio.

Como proceder depois daquele final? Como dona Oliver, como??

Lembram que, a muito tempo atrás, eu disse que Delírio era tão devagar no começo que quase o chutei pro fim da fila? Então, Pandemônio começa de onde Delírio acabou, e é tudo, menos parado!

Enquanto Delírio foi focado em amor proibido e na alegria de novas descobertas, Pandemônio é todo sobre Lena e sua nova vida. Eu sei que muita gente detestou a coisa do Antes e Agora, eu, particularmente, amei. Deu um ritmo inesperado para a leitura, como quando você fica indo de um personagem ao outro, só que desta vez eles se juntam e formam um só no final. Muito bom!

Então a Lena está na Selva. Ou devo dizer, aquela que um dia foi Lena está na Selva. Imaginem um personagem que evoluiu, mudou, se transformou completamente e não em uma só aspecto, mas em vários. A Lena de Delírio era uma coisinha tontinha, assustada e fragilizada pelas próprias descobertas, a Lena de Pandemônio já não tem mais nada a perder, somente memórias dolorosas.

Ela pensa no Alex, é claro que ela pensa, acho muito injusto que digam que a Lena o deixou de lado! Só que ela tem coisas mais urgentes pra se ocupar, tipo não morrer de inanição, não morrer de sede, não morrer de frio, esse tipo de situação chata que pode tomar o tempo de uma pessoa… Na minha humilde opinião ela até usa essa nova realidade como escudo contra suas feridas emocionais.

Temos mais ação agora. Lena encontra Graúna, Prego e outros ‘Inválidos’ que a ensinam o que há para ser ensinado em termos de sobrevivência com quase nada. Apesar de amar romances, gosto muito de livros com perseguições, correria, tiros de um lado pro outro. Não estou dizendo que temos tiros de um lado pro outro sabe, porque isso seria um spoiler sabe, mas não vai te fazer mal ter uma arma pra se defender enquanto estiver lendo, sabe, só por precaução…

Também é bom se preparar para toneladas de novos personagens e apenas lembranças dos antigos, essa mudança não poderia ser mais emblemática, tudo aquilo que Madalena um dia conheceu se foi. Ela se deu conta disso quando se deu conta que já havia passado tempo suficiente para Hana ter passado pela Intervenção e que a única pessoa que compartilhava e, mais importante, entendia os segredos de Lena estava perdida para sempre.

Para sempre é meio pesado né, eu pessoalmente acho que essa coisa toda de curar  amor parece algo que daria para ser revertido, mas sei lá, é só uma especulação, quem sabe que tipo de agonia a Lauren Oliver ainda planeja para a gente?

Reação padrão ao final de Delírio, Pandemônio…

Em suma, Pandemônio não tem delicadezas, mas tem paixão, não tem romance, mas tem saudade, não tem respostas, mas tem várias perguntas e, principalmente, tem um gancho de matar no final, assim como Delírio. Vamos esperar que Réquiem seja conclusivo, tenho medo dessa mania de deixar os leitores com o coração na mão da Oliver…

 

xoxo e feliz Páscoa

 

Eva – Anna Carey

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  •  Autor: Anna Carey
  •   Editora: Record
  •   Nº de Páginas: 288
  •   Edição: 1
  •   Ano: 2013
  •   Título Original: Eve
  •   Tradutor: Fabiana Colasanti
  •   Avaliação: 5,5

A guerra dos sexos está apenas começando… No futuro, uma praga mortal aniquilou a população da terra. Homens e mulheres seguem segregados. Os meninos são mandados para campos de trabalho forçado. As meninas, para Escolas onde aprendem uma profissão chave na reconstrução mundial. Mas as aparências enganam… E Eva está prestes a descobrir que a verdade pode ser muito mais terrível do que o vírus que varreu seu país. Está prestes a descobrir que seu futuro pode ser mais parecido com a da primeira mulher a levar seu nome…

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 A Eva era uma menina que tinha uma vida simples, preto no branco, repleta de verdades inquestionáveis como:
  • O Rei é bom, mas:
  • Homens no geral são maus;
  • Tudo de ruim é culpa dos homens;
  • Nada, nada do que os homens dizem é confiável;

E regras bem fáceis de serem seguidas, por exemplo:

  • Mantenha distância de homens;
  • Não importa o que aconteça, não chegue perto de homens;
  • Sério, fuja deles;
  • Evite matilhas de cães selvagens, eles podem almoçar você;
  • Mas, sério, evite mais os homens;

Porém, apesar de todas as horas gastas ensinado essa criatura coisas assim, adivinha a primeiríssima coisa que ela faz quando fica sozinha?!

Tá, tudo bem, não foi a primeira coisa, mas depois de algumas decisões ruins sem qualquer ligação com gêneros, a Eva encontra um garoto e… faz o favor de se apaixonar por ele.

A questão é, se a autora tivesse sido mais razoável na parte do que as garotas aprenderam a pensar, isso não seria um problema tão grande. Só que até na literatura! Quero dizer, todos eles de repente se tornaram Sauron, Voldemort, Valentin, Presidente Snow e George R R Martin, todos  super vilões em qualquer circunstancia. As meninas sofreram lavagem cerebral durante toda a vida e, depois de um incidente nem de longe tão traumatizante quanto a Eva fez parecer (again, minha opinião), ela simplesmente botou isso de lado na primeira oportunidade! (!!!!)

É por isso que meu personagem preferido é o urso

Não sei, eu não consegui entrar no livro, os personagens simplesmente não abriram a porta e, depois de começar com o pé esquerdo, não tive vontade de botar a bendita porta abaixo com machadadas. Coisa que estou acostumada a fazer, diga-se de passagem.

Talvez um leitor afortunado tenha simpatizado mais com a Eva e aproveitado melhor a leitura, mas a todo o tempo eu ficava pensando “O que raios essa menina está fazendo?? Ela quer morrer?? Ela quer matar o Caleb?? Ela quer matar o urso?!!! Por que ela não deixa a Arden ser a personagem principal só por um ou dois livros??” Isso meio que acaba com a leitura da gente.

Caí do cavalo

De qualquer forma, os personagens secundários e as coisas surpreendentes que acontecem  com eles valem a pena.  Por exemplo Arden, ela tinha tudo para ser uma nada na estória, mas a relação dela com Eva me interessou mais do que o romance de Eva e Caleb. Ah, Caleb por que você tinha que ser tão altruísta? Por que você não podia deixar a Eva se ferrar uma vez ou outra, só para ela aprender a ser mais esperta?

Créditos onde devem ser colocados, eu gostei do enredo de Eva, uma distopia meio Peter Pan, não exatamente óbvia, ainda que irritante, em alguns pontos. Sempre achei interessante ler sobre acontecimentos tão catastróficos que mudassem completamente a face de uma nação. Devo ser meio mórbida, mas na nossa sociedade, tô falando do Brasil, ok?!, não passamos por isso, não faz parte da nosso cotidiano a muitos anos e, ainda que tenhamos tido marcos históricos, nada que se comparasse a uma praga que limparia o país de praticamente todo mundo! Simplesmente não consigo imaginar como seria assim. Vocês conseguem?

Enfim,  Eva foi um livro pela metade, uma boa ideia mal aproveitada. Com tudo que li só fiquei com a sensação de pois é, mais um, coisa que me deixa mal, porque não posso amar nem odiar um livro medíocre e eu meio que gosto de ter sentimentos extremos em relação aos livros. Faz sentido?

Boa semana sweeties!

xoxo

A Elite – Kiera Cass

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  •    Autor: A Elite
  •    Editora: Seguinte
  •    Nº de Páginas: 360
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: The Elite
  •    Tradutor: Christian Clemente

   Avaliação: 4,5

PERIGO! PERIGO! Essa resenha pode ou não conter spoilers de A Seleção. Certifique-se de ter todas as credenciais da imprensa Real em mãos e a leitura em dia antes de continuar. Ou não.

A Seleção começou com 35 garotas. Agora restam apenas seis, e a competição para ganhar o coração do príncipe Maxon está acirrada como nunca. Só uma se casará com o príncipe Maxon e será coroada princesa de Illéa. Quanto mais America se aproxima da coroa, mais se sente confusa. Os momentos que passa com Maxon parecem um conto de fadas. Quando ela está com Maxon, é arrebatada por esse novo romance de tirar o fôlego, e não consegue se imaginar com mais ninguém. Mas sempre que vê seu ex-namorado Aspen no palácio, trabalhando como guarda e se esforçando para protegê-la, ela sente que é nele que está o seu conforto, dominada pelas memórias da vida que eles planejavam ter juntos.

America precisa de mais tempo. Mas, enquanto ela está às voltas com o seu futuro, perdida em sua indecisão, o resto da Elite sabe exatamente o que quer — e ela está prestes a perder sua chance de escolher. E justo quando America tem certeza de que fez sua escolha, uma perda devastadora faz com que suas dúvidas retornem. E enquanto ela está se esforçando para decidir seu futuro, rebeldes violentos, determinados a derrubar a monarquia, estão se fortalecendo — e seus planos podem destruir as chances de qualquer final feliz.

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Primeiramente, como vocês podem notar, eu não morri. Sim, é difícil atestar isso depois de tanto tempo de vergonhosa ausência, explicada simplesmente com um: eu precisava. Confesso que cheguei a pensar em tirar o blog do ar, não queria que o meu, o seu, o nosso IYRDIW ficasse cheio de lacunas, paradão. A culpa de voltar a escrever aqui é inteiramente de Natália Pacheco, a parsa do Vire a Página, então agradeçam ou taquem políticos podres nela, vocês que sabem.

Enquanto a resenha não começa, um sneak peek na progressão da estória de A Seleção para A Elite:

Pronto.

Ahhhhh A Elite! Mais America, ahhhhhhh, mais Aspen ahhhhhh, mais Maxon! AHHHHHHHH Mais vestidos e purpurina e coisas bonitas e…

Sim, A Elite foi uma grande decepção literária para mim. Não sei se acabou a fase do namoro com A Seleção, que me deixou meio hipnotizada, confesso, ou se a autora perdeu a chance de fazer um livro brilhante.

Vamos começar pelo ponto principal. O Príncipe Maxon desse livro não é o mesmo Príncipe Maxon de A Seleção, não pode ser, trocaram eles. Eu sei que as pessoas mudam, principalmente quando são aborrescentes, mas a diferença é tão gritante que teria me feito duvidar de tudo o que vi antes se não tivesse lido A Seleção duas vezes. Aquele cara fofo, gentil e meio inseguro agora está falso, beirando a canalhice, completamente não-Maxon. É como se a autora estivesse nos empurrando, forçando para um dos lados do triangulo, justamente a coisa mais legal e não se fazer!

Mas é meio que um tiro no pé se formos considerar a outra ponta: Aspen. O coitado é tão inexpressivo que eu mesma o coloquei na friend-zone pela America, simplesmente não dá! Cadê aquele moço cheio de paixão, pronto pra brigar pela mocinha e ganhar a beijos o seu coração (e o nosso) de volta?? Cadê, meu povo, CADÊ?

Sem contar nas alternativas completamente aceitáveis que foram surgindo do nada, de uma hora para outra, numa forma de garantir o final feliz de todo mundo.

Lembra que disse assim?

Ela [America] é uma ótima protagonista, um pouco enrolada até, mas honesta consigo e com os outros. É bom variar um pouco e ter uma mocinha que não é A Garota Que Esconde Vários Segredos do Mundo. 

Agora a indecisão dela é, pra dizer o mínimo, irritante. Ok, irritante é a fila do McDonalds, a America me dá vontade de bater com a cabeça repetidas vezes numa parede de concreto. A dela, não a minha. Ela se tornou exatamente o que achei que não seria, a típica mocinha YA. O mundo inteiro explodindo e ela lá “Ó céus, com quem fico?”,  tudo isso me revolta!

Falando em revoltas, temos mais rebeldes. E aulas da história de Iléa. Nada que tire o foco do principio ativo do livro, mas a tentativa de expandir o enredo de Cass foi boa, sem as constantes invasões do castelo, ou as informações cruciais que America descobriu a respeito do fundador do reino, a estória ficaria girando a esmo, entre uma transmissão do reality show a outra. O show esquentou as garotas tem tarefas de princesa a cumprir e os olhos de todo o país, e de outros também, estão voltados para elas, gera um certo drama, mas ainda preferiria uma coisa mais adulta.

Enfim, o clima juvenil demais tirou meus suspiros, simplesmente não me envolvi tanto com a trama como havia antes, sinto que só vou ler The One porque preciso saber como o tormento acaba.

xoxo e bom meio de semana

Cinder – Marissa Meyer

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  •    Autor: Marissa Meyer
  •    Editora: Rocco
  •    Nº de Páginas: 448
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: Cinder
  •    Tradutor: Maria Beatriz Branquinho da Costa

   Avaliação: 8,5

Num mundo dividido entre humanos e ciborgues, Cinder é uma cidadã de segunda classe. Com um passado misterioso, esta princesa criada como gata borralheira vive humilhada pela sua madrasta e é considerada culpada pela doença de sua meia-irmã. Mas quando seu caminho se cruza com o do charmoso príncipe Kai, ela acaba se vendo no meio de uma batalha intergaláctica, e de um romance proibido, neste misto de conto de fadas com ficção distópica. Primeiro volume da série As Crônicas Lunares, Cinder une elementos clássicos e ação eletrizante, num universo futurístico primorosamente construído.

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Como não se interessar por um conto de fadas ciborgue? Sério, gente, a Cinderela… meio robô! Ao invés de ratinhos prestativos temos um andróide com um chip de personalidade super-desenvolvido e muita graxa no lugar do borralho.

Eu tinha certo preconceito com essa princesa em particular, eu sei que ela pastou muito na mão da madrasta e das meias-irmãs e tals, mas a sensação era de que ela não fazia nada pela felicidade dela. Reclamava e reclamava de limpar e lavar para as três malvadas, mas dependeu completamente de todo mundo para ter o final feliz. E eu tenho quase certeza de que ela continuou limpando e lavando depois, só que para o príncipe.

A Lihn Cinder não é assim! Claro, ela tem 36,48% de partes sintéticas no seu corpo, o dom de consertar praticamente qualquer coisa apenas com uma pancada bem dada e um banco de dados poderoso ligado ao software na sua mente, mas nem por isso ela deixa para os outros o que ela mesma pode fazer!

Geralmente sou meio arisca com livros ‘hypados’, sabe, aqueles que ficam populares do nada só pela propaganda boca a boca de gente que nem leu? Minhas recentes experiências com esse tipo de leitura não foram lá essas coisas, sem contar que os dois últimos livros que li tinham a temática “princesa” e me deixaram tão na mão que cogitei empurrar Cinder para o canto mais escuro e mal-encarado da minha estante.

É tão, mas TÃO bom quando me engano desse jeito.

Cinder é um romance, mas não é meloso. Fala pouco das características físicas dos personagens e não corremos o risco te agüentar uma mocinha carregada de hormônios discorrendo horas sobre como o cabelo do mocinho se agita perfeitamente ao vento. Tá, ok que a Cinder não tem canais lacrimais e não pode nem corar, coitada, mas aprendemos a gostar dos personagens pelo que eles são, não pelas suas aparências. Não que o Príncipe Kai seja alguém ruim de se olhar, longe disso… e ele fala também! Toma decisões e tudo, um amor. Bem diferente daquele carinha que só apareceu na hora do baile, bocejou três vezes, sorriu pra Cinderela e bem… só isso!

Não! Ele não é assim, mas tem espirito!

Os destaques vão para a colônia Lunar muito louca, com humanos mutantes e uma rainha boazinha-só-que-ao-contrário e o esforço que Cinder faz para que nem todo mundo fique sabendo das suas… peças, e por todo mundo eu me refiro ao Príncipe. Gostei também do modo como a pandemia é tratada, não posso falar muito aqui, quero essa resenha o mais limpa de spoilers que conseguir porque, acredite, apesar de todos nós sabermos o que acontece com a Cinderela, Cinder tem uma surpresa mais criativa que a outra a cada página virada!

Estou completamente apaixonada por tudo nesse livro, desde a capa icônica maravilhosa até o texto em terceira pessoa despretensioso e ritmado de Meyer. A moça estreante com certeza ganhou uma fã alucrazy aqui, com direito a comprar também as edições hardcover, ler Scarlet (a continuação) de maneira ilícita enquanto minha cópia não chega e fazer mandinga para que o lançamento de Cress seja adiantado para ontem.

Cinder é um livro inusitado e cheio de ação, ele balança as estruturas de uma estória terrivelmente manjada, dá uma banana para aquela Cinderela sonsa e faz até o leitor mais cético com ficção científica prender a respiração em meio a tantos androides e aerodeslizadores.

Eu não recomendo, eu ordeno, em nome do Príncipe Kaito da Comunidade Oriental que você leia Cinder. Agora!

xoxo e bom meio de semana!

Blindfolded – J. Marins

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  •    Autor: J. Marins
  •    Editora: Novo Século
  •    Nº de Páginas: 248
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Nacional
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 5,5

MIRE-SE BEM. PORQUE VOCÊ PODE ESTAR COM OS OLHOS VENDADOS. “Não descansarei enquanto existir uma única antena HAARP enviando os seus feixes de ondas hipnóticas para os bilhões de humanos robotizados. Aviso ao Chefe do Governo Mundial para guardar na memória os rostos dos seus colegas da LUZ, pois vou conferir o óbito de cada um deles. Meu nome é Brenda Slava, e eu recebo salário da morte para fazer isso.”

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Hey pretties!

Eu meio que tenho uma queda por teorias da conspiração, tá, meio é ser gentil, eu me amarro numa estória bem louca que aponta para a dominação das massas por meios escusos, geralmente arquitetados por governos ou empresas importantes. Também olho para celulares com desconfiança e acredito que as redes sociais estão aí pra nos espionar e juntar informações para um grande, grande plano. A maioria das pessoas vê essas ideais como loucura, mas justamente é essa a genialidade da coisa! Ninguém suspeitar que está sendo dominado…

Blindfolded vai mais longe, para a estória nem em 2013 estamos, só acreditamos estar. O Governo Mundial calibra nossas mentes com informações necessárias para vivermos conforme seu plano, em seu tempo, sem falhas. Até a guerra com rebeldes da Cidade da Liberdade é mascarada como ataques terroristas no Oriente Médio. Poucas pessoas formam obtém uma quantidade de livre arbítrio suficiente para poder criar coisas novas, e menos pessoas ainda recebem informações para poder controlar a grande massa.

No momento em que li isso me peguei pensando em como essas pessoas privilegiadas se sentiam sabendo da verdade, ou parte dela. Além de mentirem para basicamente todo mundo, como não ficar paranoico de, de repente, ser cortado da lista vip?

O que me faz lembrar de toda a arquitetura política, de não saber quem é mocinho e quem é bandido, da facilidade que o autor me fez mudar de opinião constantemente sobre as intenções de praticamente todos os personagens e em como tudo isso me obrigou a chegar o mais rápido possível no final.

Porém nem tudo na vida são flores com mensagens subliminares!

Ler repetidas vezes sobre o corpo escultural de Brenda na-mesma-página-por-todas-as-páginas-no-livro-inteiro cansa demais, a não ser que você seja um homem e necessariamente tenha a mentalidade de uma colher de chá. Confesso que meus neurônios sobrecarregados me ajudaram selecionando e apagando essas partes depois de um tempo, para que eu pelo menos conseguisse continuar a leitura, mas ainda acho uma falta grave. Ouvir falar tanto dos glúteos firmes, das pernas poderosas, da silhueta esbelta e da perfeição da ‘comissão de frente’ não contribuiu em nada para mudar minha cara de paisagem toda vez que o nome Brenda era mencionado. É, foi crítico assim.

Mas vamos que vamos!

Distopia inteligente e ousada, Blindfolded surpreendeu em dois sentidos. Mesmo se deixássemos de lado o restante do livro, só o enredo já seria o suficiente para te fazer pensar e se a sua mente não fosse sua? Como se libertar? Se pudesse se libertar, você iria? Porém a narrativa óbvia, pobre e repetitiva matou meu entusiasmo, meio que não aguento mais ouvir falar de Brenda Slava, tipo… mesmo!

Não sei se, com tantas coisas que fazem bem mais o meu estilo por aí, vou me aventurar na continuação de Reação e descobrir mais sobre HAARP.

xoxo e bom meio de semana!

Never Sky, Sob o Céu do Nunca – Veronica Rossi

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  •    Autor: Veronica Rossi
  •    Editora: Prumo
  •    Nº de Páginas: 336
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: Under The Never Sky
  •    Tradutor: Alice Klesck

   Avaliação: 9,0

Desde que fora forçada a viver entre os Selvagens, Ária sobreviveu a uma tempestade de Éter, quase teve o pescoço cortado por um canibal, e viu homens sendo trucidados. Mas o pior ainda estava por vir…

Banida de seu lar, a cidade encapsulada de Quimera, Ária sabe que suas chances de sobrevivência no mundo além das paredes dos núcleos são ínfimas. Se os canibais não a matarem, as violentas tempestades elétricas certamente o farão. Até mesmo o ar que ela respira pode ser letal. Quando Ária se depara com Perry, o Forasteiro responsável por seu exílio, todos os seus medos são confirmados: ele é um bárbaro violento. É também sua única chance de continuar viva.

Perry é um exímio caçador, em um território impiedoso, e vê Ária como uma menina mimada e frágil – tudo o que se poderia esperar de uma Ocupante. Mas ele também precisa da ajuda dela, somente Ária tem a chave de sua redenção. Opostos em praticamente tudo, Ária e Perry precisam tolerar a existência um do outro para alcançar seus objetivos. A aliança pouco provável entre os dois acabará por forjar uma ligação que selará o destino de todos os que vivem sob o céu do nunca.

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WOW!

Quero dizer… wow!

Não… consigo…

Wow.

Tempestade de emoções à frente

 

Antes de qualquer coisa: mocinhos fofos, cresçam, bad boys manjados, corram para as suas mães! Vem aí Perry, o Perfeito.

Exemplo da reação

Em Never Sky Rossi nos entrega uma Terra devastada por tempestades de Éter e completamente hostil, onde metade das pessoas se esconderam em cidades encapsuladas, núcleos, e a outra metade voltou para a idade média. Enquanto seus vizinhos nem-um-pouco-queridos vivem em tribos e passam fome, os habitantes dos núcleos podem frequentar cópias virtuais e multidimensionais do mundo que deixaram para trás através do ‘olho mágico’. E, é claro, fingir que está tudo lindo.

Essa alienação é explorada na Ária, que, apesar de ser uma garota naturalmente centrada, demora a entender o quanto as coisas são diferentes fora do conforto do seu núcleo. Mesmo depois de um Selvagem ter quebrado um galhão pra ela (pois é, não vou contar o que é, vivam sem spoilers) a menina continua indo e voltando na concepção de que ele não passa disso, um Selvagem.

Ária, ah, Ária. Sabe quando um personagem principal tem o poder de destruir ou transformar em ouro o livro? Olhem novamente a nota acima e vocês saberão o que a Ária fez.

Talvez seja só a identificação falando. Como eu sob efeito da cafeína ou numa crise de ansiedade, Ária simplesmente não cala a boca, conversando por ela por Perry, mesmo quando fica claro que ele não está dando a mínima. Ela também não é tonta, apesar de ser mimada, e fica deslumbrada com cada coisa emocionante que descobre no novo mundo.

É curiosidade e medo ao mesmo tempo, deixando a situação bem crível, pelo menos pra mim. Tenho certeza que a narrativa de Rossi também foi uma mão na roda. Bem feita, bem pensada, assim como o restante do livro, a narrativa foi desenvolvida para envolver e prender o leitor em todos os acontecimentos. Me amarro numa boa escrita, aquela que é bem mais do que uma mera listagem dos acontecimentos -sem sentimentos nem tom- e é bem por aí que minha simpatia eterna pela Veronica começou… ok, por aí e por Perry também.

Sempre que penso em Perry, o Magnífico

É claro que ele e lindo de morrer, charmoso até não poder mais, mas que mocinho não é? A questão do irmão do Soberano de Sangue dos Marés é que ele não é perfeito. “Ah, mas blogueira, tem tantos mocinhos que não são perfeitos, e daí se ele não é?” Eu sei leitor, eu sei, mas já parou pra reparar que mesmo esses imperfeitos são na verdade perfeitos com imperfeições aperfeiçoadas??? Do estilo me ame porque você não tem escolha? Então, Perry não é assim, você pode escolher odiá-lo genuinamente e será totalmente compreensível,ele é humano e verdadeiro nesse nível! Eu sei que soa loucura amar um personagem simplesmente porque eu posso odiá-lo sem parecer do contra, mas é bem mais fácil e natural se conectar com alguém (é, alguém, Perry é uma pessoa para mim) se ela for parecida com você, ou seja, com falhas e incertezas inatas.

– As nuvens se dissipam? – Perguntou ela.
– Completamente? Não. Nunca
– E quanto ao Éter? Ele some em algum momento?
– Nunca, Tatu. O Éter nunca some.
Ela olhou pra cima.
– Um mundo de nuncas sob o céu do nunca.

Agora, sabe o Éter? Eu também não. Veronica Rossi não explica o que é o Éter, nem pra serve, como surgiu nem qual sua cor preferida, ela fez aquela coisa magica que pode tanto levar um leitor a loucura de frustração quanto ganhar respeito forever and ever: incorporou o negócio à paisagem, como uma verdade universal na estória e na vida dos personagens e você que se vire para acompanhar.

Como eu falei na resenha de A Corrida do Escorpião, meu livro preferido de 2012, a gente pega o bonde andando e não senta na janelinha logo de cara, mas aproveita a narrativa de uma maneira unica. Admito que foi frustrante no começo, mas depois passei para o time do respect e vivi feliz para sempre nele.

Posso só compartilhar um dado com vocês? NÃO TEM TRIANGULO AMOROSO

Enfim, poderia dizer que Never Sky é delicado, pelo cuidado do texto de Rossi, mas nenhum livro delicado é capaz de deixar o leitor tão vidrado, necessitando saber o que vem em seguida tanto quanto eu fiquei. Ele é um YA de gente grande, na minha concepção, e espero que as continuações sejam tão de gente grande assim. Quem sabe alguns autores que brincam de escrever não se inspirem e procurem fazer melhor? Never Sky é leitura obrigatória para quem ainda está na onda dos distópicos (nem me conto mais nessa onda, distopia para mim só perde para épicos com meninas phodas que lutam com espadas) e para quem gosta de acompanhar a evolução de personagens como se eles fossem gente de verdade! Não é um Perr… digo, livro que vou esquecer tão cedo.

Ok, ok, como o moço Selvagem é minha nova obsessão literária, não poderia faltar uma música para ele, podia?

A má noticia (você sabe que sempre tem uma) é que Through The Ever Night está previsto apenas para o 2º semestre de 2013.

Sem desespero, quando formos ver já se passou meio ano e o Perry voltou para nós. Né? NÉ?!

Boa semana

xoxo

A Seleção – Kiera Cass

A SELEÇÃO - Kiera Cass - Companhia das Letras

  •     Autor: Kiera Cass
  •    Editora: Seguinte
  •    Nº de Páginas: 368
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: The Selection
  •    Tradutor: Cristian Clemente

   Avaliação: 8,0

Para trinta e cinco garotas, a Seleção é a chance de uma vida. É a oportunidade de ser alçada a um mundo de vestidos deslumbrantes e joias valiosas. De morar em um palácio, conquistar o coração do belo príncipe Maxon e um dia ser a rainha.
Para America Singer, no entanto, estar entre as Selecionadas é um pesadelo. Significa deixar para trás o rapaz que ama. Abandonar sua família e seu lar para entrar em uma disputa ferrenha por uma coroa que ela não quer. E viver em um palácio sob a ameaça constante de ataques rebeldes.
Então America conhece pessoalmente o príncipe – e percebe que a vida com que sempre sonhou talvez não seja nada comparada ao futuro que nunca tinha ousado imaginar.

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Êêêê! Feliz fim do mundo! Não, pera…

Retomando…

“Eu parecia radiante, esperançosa, linda. Dava para notar que eu estava apaixonada. E algum imbecil achou que era pelo príncipe Maxon.

Minha mãe gritou na minha orelha. May deu um pulo, espalhando pipoca para todo lado. Gerad também se empolgou e começou a dançar. Meu pai… é difícil dizer, mas acho que ele escondia um sorriso por trás do livro.

Perdi a expressão no rosto de Maxon.

O telefone tocou.

E não parou de tocar por dias.”

Jogos Vorazes de seda e chiffon.

Ou pelo menos era o que eu esperava. Sério, pensa comigo!  Uma casa com trinta e cinco mulheres mulherzando pra conseguir um cara… e a coroa dele?! Vai ser uma briga sangrenta das boas, correto?

Não foi bem assim…

O grande foco desse livro é o romance entre America e Aspen e a perspectiva de romance entre America e Maxon.

Vocês sabem como eu me canso fácil com triângulos amorosos, grande parte das vezes porque a maioria é previsível demais. Aí é que tá, não tem como saber como esse triângulo vai acabar! A America pode escolher qualquer um dos dois, pois tem motivos diferentes e razões de sobra para acreditar nos sentimentos deles por ela e vice versa. A autora não deixa escapar, como acontece em vários livros, com quem ela pretende que a garota fique no final e só esse aspecto já seria suficiente para me deixar louca pelo próximo volume.

Mas daí também entra o apelo do efeito total makeover, da menina pobre sendo elevada à categoria de celebridade num piscar de olhos, das coisas maravilhosas que passam a fazer parte da vida dela e, é claro, a realeza. #AsMinaPira num príncipe bonitão! E sempre vão pirar.

Temos os rebeldes também, como era de se esperar numa distopia YA, eles não tem tanto destaque aqui, mas é através deles que podemos ver do que a America é feita. Ela é uma ótima protagonista, um pouco enrolada até, mas honesta consigo e com os outros. É bom variar um pouco e ter uma mocinha que não é A Garota Que Esconde Vários Segredos do Mundo. Porém, enquanto essa honestidade pode ser um bom traço, pode coloca-la em situações delicadas e de exposição. Coisa que princesas tendem a evitar.

Aliás, America daria uma ótima princesa. Uma boa até demais.

E isso incomoda o leitor (tipo, eu) que queria ver o circo pegar fogo na competição. Porque A Seleção é uma competição, oras!

Perto dela as outras concorrentes não tinham chance, sabe? Personalidades fraquinhas ou caricatas demais, sem nenhuma complexidade. Ao menos, não de cara. Acho que dava para a Kiera fazer uma coisa mais trabalhada ali, mais interessante, mais desafiadora. Ela até ensaia, mas fica só nisso.

Eu esperava mais disso!

Enfim, A Seleção é um livro que gruda. Já li duas vezes, talvez leia uma terceira até o fim do ano, e ainda não me conformo em ter que esperar até quase o meio do ano que vem para poder ler The Elite.

Recomendo a obra de Kiera Cass para quem queria uma protagonista diferente em Feira das Vaidades, para quem não tem tempo a perder com enrolações e para quem se encanta com coisas bonitas.

P.S.1: Para  caso de você estar imaginando, eu sou:

       The Selection by Kiera Cass

P.S.2: Pra você que ainda está no seu bunker esperando o mundo acabar:

#SupernaturalFandonPira

xoxo e bom fim de semana!