Delírio – Lauren Oliver

A capa é azul-gelo-metálico, não azul, não prateada. Azul-gelo-metálico.

  •    Autor: Lauren Oliver
  •    Editora: Intrínseca
  •    Nº de Páginas: 351
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Delirium
  •    Tradutor: Rita Sussekind
  •    Avaliação: 8,5
Muito tempo atrás, não se sabia que o amor é a pior de todas as doenças. Uma vez instalado na corrente sanguínea, não há como contê-lo. Agora a realidade é outra. A ciência já é capaz de erradicá-lo, e o governo obriga que todos os cidadãos sejam curados ao completar dezoito anos. Lena Haloway está entre os jovens que esperam ansiosamente esse dia. Viver sem a doença é viver sem dor: sem arrebatamento, sem euforia, com tranquilidade e segurança. Depois de curada, ela será encaminhada pelo governo para uma faculdade e um marido lhe será designado. Ela nunca mais precisará se preocupar com o passado que assombra sua família. Lena tem plena confiança de que as imposições das autoridades, como a intervenção cirúrgica, o toque de recolher e as patrulhas-surpresa pela cidade, existem para proteger as pessoas. Faltando apenas algumas semanas para o tratamento, porém, o impensado acontece: Lena se apaixona. Os sintomas são bastante conhecidos, não há como se enganar — mas, depois de experimentá-los, ela ainda escolheria a cura?

————————————————————————————————————————————————

Okay, esse é o quinto distópico que leio nos últimos dois meses, e só percebi isso agora. Acontece que eu adoro o gênero e não consigo me desligar dele, por mais que eu tente! (Tá, nem eu acreditei nisso, mas tudo bem) Prometo dar uma variada nas coisas por aqui… é só que… é tão legal!

Retomando: em Delírio, curaram o amor.

Sim e, acima de tudo, encararam o amor como uma perigosa doença que deve ser erradicada. Para isso todo meio é válido, incluindo o fechamento de fronteiras, lavagem cerebral em todo o povo e a submissão massiva à Intervenção. O processo de cura.

A principio achei que se referia à paixão. Sabe, toda aquela confusão hormonal que deixa as pessoas meio bobas (ou completamente dementes) por até dois anos e meio? Inclusive conheço gente que, por passar por isso tantas e tantas vezes, até toparia tomar um “antibiótico” especial, no judgmentals here! Mas é amor mesmo, ‘curaram’ o amor. Nem mães sentem coisa algum por suas crianças, e algumas pessoas até considerado de mau gosto ter filhos. Porém é preciso, ou ao menos é o que a Suma de Hábitos, Higiene e Harmonia (Shhh) afirma.

Dafuq?

A Shhh é como uma Bíblia para a nova crença. Ela casa religião e ciência e você tem que aceitar o puro racionalismo, se não, você está errado. Se você está errado, meu amigo, você é um perigo para a sociedade e não deveria estar à solta. Eles vão cuidar disso.

Essa visão me lembrou muito uma Era da Razão (Iluminismo, séc. XVIII), só que ao contrário! Ao invés de você ser livre para buscar a felicidade através da lógica e ciência, sem se preocupar em virar churrasco em praça pública, você DEVE alegar que a única felicidade vem através da lógica e ciência, ou então você VAI virar churrasco em praça pública.

Dafuq? 2

Sabe quando você pensa em todas as teorias e crendices formuladas séculos atrás, e que foram desacreditadas, e vem aquele ‘Nossa, como eles eram tontos de pensar assim’? Foi isso que me veio enquanto lia os provérbios da Shhh. Vamos descartar a visão otimista de que daqui a duzentos, as pessoas vão, provavelmente, pensar o mesmo da gente. A verdade é que mentalidades estreitas me irritam e, quando quem está no poder obriga todos a terem uma mentalidade estreita, as coisas só pioram.

Oliver conseguiu me deixar com muita raiva daquela sociedade. Ponto pra ela, que não deixou nenhum detalhe de fora e só enriqueceu a trama com todas aquelas citações da Shhh no início de cada capitulo.

Agora vamos falar um pouco de Lena, Magdalena.

“Vá por mim: se ouvir o passado falando com você, se senti-lo puxando suas costas e deslizando os dedos por sua coluna, a melhor reação – a única reação – é correr.” Pág. 143

Ela é o perfeito fruto dos laboratórios, a síntese do pensamento anti-amor, a candidata mais frenética à Intervenção. Ou seria, se não tivesse uma amiga livre pensadora e o fantasma da mãe não curada para atormentá-la. Em outras palavras, ela até queria não pensar por si mesma e deixar os outros decidirem tudo por ela, mas estava meio difícil. Sinceramente o começo do livro se arrastou, e Lena achando seus desejos e pensamentos escandalosos o tempo todo quase me fizeram mover Delírio para o fim da fila de leitura!

Mas tem alguma coisa na narrativa de Oliver que deixa qualquer livro impossível de largar. Aconteceu o mesmo com Antes Que Eu Vá, que com certeza não é o tipo de estória que me interessa, mas que me cativou DEMAIS. Por isso continuei a leitura de Delírio e não me arrependi.

Alex, o mocinho gostoso aparece, Hana fica mais estranha a cada página e o futuro, antes tão certo de Lena, começa a se fechar, não, não, a se abrir numa coisa completamente inesperada. De repente o mundo fica muito mais perigoso e excitante, os rebeldes existem mesmo e estão mais perto do que aquelas garotas imaginam. Se eu falar mais, vira spoiler, então basta dizer que li tudo na mesma madrugada.

Recomendo Delírio fortemente e, para aqueles que já leram: o final não ficou ótimo?!

O segundo livro, Pandemônio, acabou de ser lançado lá fora e ainda não tem previsão para chegar aqui.

Versões das capas americanas de Delirium e Pandemonium

xoxo e bom sábado!

Anúncios

Banidos – Sophie Littlefield

Ainda mais bonita que a original!

  •   Autor: Sophie Littlefield
  •   Editora: Underworld
  •   Nº de Páginas: 238
  •   Edição: 1
  •   Ano: 2011
  •   Título Original: Banished
  •   Tradutor: Débora Isidoro
  •   Avaliação: 8,0

Não há muitas coisas pelas quais valha a pena viver em Gypsum, Missouri, ou Trashtown, como os garotos ricos costumam chamar o bairro decadente onde mora Hailey Tarbell, dezesseis anos. Hailey acha que nunca vai se ajustar, nem com os garotos populares da escola, não com os rejeitados, nem mesmo com sua avó cruel e doente que vende drogas no porão de sua casa. Hailey Não conheceu a mãe, já morta, e não tem ideia de quem era seu pai, mas pelo menos ela tem seu irmão adotivo de quatro anos de idade, Chub. Quando fizer dezoito anos, Hailey praneja levar Chub para longe de Gypsum e começar uma nova vida onde ninguém possa encontrá-los.

Mas quando uma colega se machuca na aula de ginástica, Hailey descobre o dom de cura que ela nuca soube possuir e que não pode mais ignorar. Ela não só é capaz de curar, como pode trazer de volta à vida pessoas que estão morrendo. Confusa com seus poderes, Hailey procura respostas, mas encontra apenas mais perguntas, até que uma misteriosa visitante aparece na casa de sua avó alegando ser Prairie, sua tia.

Há pessoas dispostas a tudo para manter Hailey em Trashtown, vivendo um legado de desespero e sofrimento. Mas quando Prairie defende Hailey e Chub de invasores armados que invadem a casa de sua avó no meio da noite, Hailey precisa decidir onde colocar sua confiança. Serão o passado de Prairie e o segredo que ela enterrou há muito tempo, e que a levou a deixar Gypsum anteriormente, capazes de arruinar todos eles? Porque, como Hailey vai descobrir, seu poder de cura é só o começo.

Pra começo de conversa, quando estiverem com o livro em mãos, NÃO olhem nas orelhas, contém mais spoilers do que comentários no Skoob! Tudo bem, só por alguém dizer NÃO olhe você vai sentir o impulso incontrolável de olhar… então olhe, e acabe logo com a graça do livro de suspense, tirando o suspense dele, seu troll! Eu não olhei e fui uma pessoa muito feliz por isso. Sério. E não vou dizer ‘eu bem que avisei’ porque você já sabia. Até por que…

bitch, please.

Certo, vamos ao livro!

No início estranhei, Banidos não segue a linearidade quase que litúrgica dos outros YAs. A gente não tem muito tempo de conhecer a Hailey antes que ela comece a fazer as curas dela… mas nós todos pegamos o ponto onde ela está abaixo da rabeira da cadeia alimentar na escola, onde nem os loosers querem ficar perto dela, e também não há como não querer trucidar a avó, Alice, por ser tão desprezível (esqueça as vilãs caricatas, Alice é cruel e calculista). A velha teve a capacidade de adotar Chub, que é mentalmente atrasado, só para usar o dinheiro que o governo paga como auxilio. Há também os Morries, moradores de Trashtown como elas, que pareciam exercer tanto fascínio em Hailey quanto podiam fugir dela.

Quando Hailey cura Milla, uma colega da escola Morrie, de um tombão a menina fica tudo, menos agradecida. Raivosa e assustada são boas palavras. Depois de muita humilhação pública Hailey finalmente consegue se aproximar da garota e tirar algumas respostas: Milla fala sobre como são todos Banidos, os Morries, e que as mulheres Tarbell devem ser amaldiçoadas. Hailey não consegue acreditar que seja o caso, não quando seu dom parece fazer coisas tão boas, Chub está progredindo agora e ela até conseguiu salvar Rascall, o cachorro dela, quando foi atropelado. Dica, fiquem de olho no cachorro.

Milla também sugere outras coisas: a mãe de Hailey não teria morrido no parto, ela era louca e se matara pouco depois de dar a luz, ou que havia mais ligações dela com os Morries do que ela imaginava. Logo, as respostas deixam pontos de interrogação ainda maiores do que antes!

Enquanto isso, na sua casa, parece que vovó Alice sabe muito mais sobre o dom da neta do que quer contar e seus planos podem ser tão escusos que jamais passariam pela cabeça de Hailey. Não se não tivesse provas suficientes para acreditar que a avó estava tramando algo grande e absurdo para ela.

A chegada de Prairie que raio de nome é esse?  vai trazer mais alivio do que Hailey poderia esperar, mas as respostas que ela tanto queria estão por vir. Talvez fosse melhor não saber de nada…

Demoramos para ter um mocinho em potencial, o foco do livro segue para a fuga de tia e sobrinha de pessoas mil vezes piores que Alice, pessoas capazes de usarem os poderes de Curadora de Hailey e Prairie para coisas nefastas e inumanas por dinheiro!

É um livro ótimo para quem quer sair da mesmice sem deixar totalmente de lado o gênero. A escrita de Littlefield é singular, às vezes eu sentia que devia ler trechos em voz alta, como se houvesse sido escrito para aquilo. Os dois últimos terços eu li em pouco mais de 3 horas, parece um filme de suspense muito bom, ou um ótimo episódio de Supernatural.

Fiquei com medinho no final… não posso contar do que, senão estraga a surpresa, mas quando lerem se lembrem: a Andhy odeia muito isso, e com razão!! Então fiquem à vontade para se juntarem a mim num local bem iluminado com espingardas e lança-chamas.

Adorei o livro, umas poucas vezes a narrativa ficou confusa, ou talvez eu só estivesse lendo afobada demais, mas não é nada que atrapalhe todo o mistério que vai se formando na vida de Hailey. Banidos foi uma ótima surpresa, sem dúvidas!

Infelizmente a continuação, Unforsaken, só saiu lá fora agora. Ou seja, ainda demora um pouco pra chegar aqui.

Pois é...

Tá esperando o que, meu bem? O Apocalipse Zumbi? Vai ler Banidos agora!

xo