And I Darken (Filha das Trevas) – Kiersten White

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  •    Autor: Kiersten White
  •    Editora: Delacorte Press
  •    Nº de Páginas: 475
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2016
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 9,5

Lada Dragwlya e o irmão mais novo, Radu, foram arrancados de seu lar em Valáquia e abandonados pelo pai – o famigerado Vlad Dracul – para crescer na corte otomana. Desde então, Lada aprendeu que a chave para a sobrevivência é não seguir as regras. E, com uma espada invisível ameaçando os irmãos a cada passo, eles são obrigados a agir como peças de um jogo: a mesma linhagem que os torna nobres também os torna alvo.
Lada despreza os otomanos. Em silêncio, planeja o retorno a Valáquia para reclamar aquilo que é seu. Radu, por outro lado, quer apenas se sentir seguro, seja onde for. E quando eles conhecem Mehmed, o audacioso e solitário filho do sultão, Radu acredita ter encontrado uma amizade verdadeira – e Lada vislumbra alguém que, por fim, parece merecedor de sua devoção.
Mas Mehmed é herdeiro do mesmo império contra o qual Lada jurou vingança – e que Radu tomou como lar. Juntos, Lada, Radu e Mehmed formam um tóxico e inebriante triângulo que tensiona ao limite os laços do amor e da lealdade.
Sombrio e devastador, este é o primeiro livro da mais nova série de Kiersten White. Cabeças vão rolar, corpos serão empalados… e corações serão partidos. (Sinopse retirada da edição brasileira)

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Essa é a história de uma garota (não contem  isso pra ela) feia e feral que queria ser dona do próprio nariz, seu irmão lindo e fraco que só queria ser enxergado e de seu amigo perfeito, o centro de suas vidas.

And I Darken se passa no Império Otomano de 1450, uma tribo nômade que em 200 anos ergueu uma das maiores forças da terra. Num mundo onde homens usavam a força e mulheres a beleza, nossos protagonistas tem seus atributos trocados, e precisam penar muito pra conseguir sobreviver assim. Esse livro mexeu comigo de formas diferentes do que geralmente livros épicos mexem, fiquei tão encantada, tão hipnotizada por seus personagens que, quando acabei, não sabia o que fazer. Sim, a ambientação é maravilindagold, e tem muita coisa ali que aconteceu de verdade. Mas essa releitura de Vlad, o Empalador e Radu, o Belo é perfeita justamente por eles.

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Não espere um livro rápido, com passagens velozes o tempo todo. A história conta a formação de Lada e Radu através dos anos e leva seu tempo para isso. Hora ficamos entremeados em vários capítulos sobre uma mesma situação, hora compartilhamos o choque de Lada com mudanças bruscas nos acontecimentos.

Radu tem um complexo desde muito pequeno, ele tem medo de ser esquecido e acha que todos os deixam de lado. Apesar de muitas vezes ao longo do livro a autora o apresentar como alguém inocente, acho Radu bem pior que Lada e Mehmed juntos  (e olha que eu queria passar uns minutinhos com Mehmed pra explicar na marra como garotas funcionam). Radu aprende rapidinho a usar sua beleza e língua açucarada para conseguir se safar de praticamente qualquer coisa, ele fica feliz com a desgraça alheia (até de gente que ele supostamente ama) se isso for de encontro com seus interesses e, mesmo sabendo que jamais poderá ter o que quer ele condena a própria irmã a infelicidade só para ela também não ter o que queria e fica feliz com isso. Radu fala diversas vezes que Lada é incapaz de amar, mas pra mim o incapaz é ele.

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Gritando internamente

Eu não esperava por um livro assim e, depois de estranhar no começo, me rendi. Lada tem uma coisa que a diferencia de todas as outras protagonistas que querem ser guerreiras. Enquanto a maioria é retratada como cabeças duras que desde cedo treinaram e mostravam seus talentos e eram reconhecidas rapidamente, a história de Lada é uma jornada desde sua infância feroz e arredia, porém muito inteligente, passando por muitos momentos de incerteza sobre o que esperar de si mesma quando todos claramente não esperavam nada. O caminho para encontrar uma medida de liberdade num mundo feito para homens e a angústia de não ser ouvida, ainda que tão capaz. Ela teve tantas oportunidades de encontrar uma forma ou outra de poder, mas nenhuma era suficiente pra acalmar sua alma, pois todas as alternativas apresentadas não se encaixam no seu ideal. Ela queria poder, não sobre os outros, mas sobre si mesma e sem ter que depender de ninguém para isso. Ela queria poder por inteiro.

Mas mesmo assim nao consigo ver Lada como alguém ganancioso. Ela sempre teve as escolhas na sua vida feitas por outras pessoas, e o medo de ser forçada ao que seria a última submissão, aquela que acabaria de vez com qualquer esperança de liberdade, a fez ter medo de ser mulher.

Acho que também por isso achei Lada tão singular. As outras mocinhas guerreiras seguem um molde de evitar feminilidades por achar que lutar de saias pode não dar muito certo. Lada é aterrorizada pelo fato de ser mulher e por isso ter a possibilidade de um casamento a qualquer momento que convenha aos homens que controlam sua vida. Ela viu de perto o que o casamento com seu pai fez com sua mãe, conheceu esposas e concubinas em haréns e sabe que não suportaria virar parte da decoração.

E por último, apesar da personalidade cruel, impetuosa e quase animal dela, Lada ainda foi capaz de tomar decisões muito difíceis ao longo do livro que iam completamente contra os desejos de seu coração. Acho que nunca vi uma personagem tão forte e tão admirável.

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Lada pode não ser linda assim, mas nem por isso é menos diva

Se você está afim de um livro diferente, com ação, romance e muitas reflexões, nem precisa procurar mais. A continuação vai sair logo, logo, mas eu ainda estou naquela vibe de cimitarras, véus, castelos medievais e príncipes de olhos negros.

Não sei se conseguiria escolher. Só sei que queria ser mais como Lada Dracul.

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A Rebelde do Deserto – Alwyn Hamilton

Rebelde

  •     Autor: Alwyn Hamilton
  •    Editora: Seguinte
  •    Nº de Páginas: 288
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2016
  •    Título Original: Rebel of the Sands
  •    Tradutor: Eric Novello

   Avaliação: 5,0

O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher.

Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele.

Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por lhe revelar o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.

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Depois dessa sinopse eu tinha certeza que não restaria outra coisa a fazer a não ser amar esse livro. É algo do misterioso Oriente Médio com cavalos mágicos. Cavalos mágicos. Quem não tem feelings de A Corrida de Escorpião???

É difícil falar sobre um livro que não te chamou a atenção, apatia é uma grande estraga prazeres. Se você amou a história vai ficar igual uma tonta apaixonada falando de todas as vantagens do livro e tentando converter as pessoas à sua volta (quem nunca?). Ou se você odiou e utiliza todo o seu estoque de sarcasmo, arrogância e pesquisa cientifica  no Wikipedia para mostrar que aquela história nunca deveria ter saído da cabeça do autor (todo mundo já fez isso).

Agora, e quando o livro não fede nem cheira?

A busca da Amani por liberdade acaba virando uma odisseia por um caminho longo e confuso, com um mocinho (?!) tão confuso quanto. Tem horas que eles se dão super bem, nas outras estão tentando se livrar um do outro, alternadamente.

Esse livro simplesmente não foi para mim. A mistura de árabe com faroeste não rolou, deixou tudo esquisito demais, e não um esquisito deliberado, um esquisito tipo “a autora não soube dosar o ambiente”. Não foi  nem árabe demais (será que esse é o nome certo?) nem faroeste o suficiente, e nós nem temos tanto tiroteios assim! Eu queria tiroteios!! #aloucaquersangue

Não que não tenha ação, sim temos. A autora gosta de nos deixar ansiosos com grandes perseguições em que tudo, sério, qualquer coisa pode acontecer! Logo no começo a Amani mostra que não tem medo de sujar as mãos e que não é nenhuma gata borralheira pros tios e primos. Na boa, com uma família daquelas nem precisa de outro vilão na história…

Um enredo caminhando na linha do OK, sem ser pobre, mas sem nada que merecesse um NOSSA!! Faltou ousadia na hora de adicionar clímax. E tem o pequeno probleminha do romance instantâneo que pra mim JÁ-DEU. Como essas heroínas encontram o homem das suas vidas rápido minha gente, fico pasma!

Pensando bem, talvez qualquer livro lido após Uprooted, da Naomi Novik, ficaria sem graça para mim. Acho que o problema foi muito mais eu, a leitora sem paciência para uma história água com açúcar, do que o livro em si.

Leiam por sua conta e risco, não posso prometer nada…

Aliás, não leiam, invistam seu tempo (porque tá difícil arrumar um pouco) e leiam A Fúria e a Aurora.

xoxo