Garota Tempestade – Nicole Peeler

Garota Tempestade

  •    Autor: Nicole Peeler
  •    Editora: Valentina
  •    Nº de Páginas: 278
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: Tempest Rising
  •    Tradutor: Ana Beatriz Manier

   Avaliação: 8,0

Mesmo tendo passado a vida inteira na pequena e conservadora cidade de Rockabill, Jane True, 26 anos, sempre soube que não se encaixava numa sociedade pretensamente normal. Durante um de seus clandestinos nados noturnos no mar congelante, desafiando um perigosíssimo redemoinho, uma descoberta terrível leva Jane a revelações surpreendentes sobre sua herança genética: ela é apenas meio-humana. Agora, Jane precisa penetrar um mundo de mitos e lendas, povoado por criaturas sobrenaturais, aterrorizantes, belas e até mortais. Características que também descrevem perfeitamente Ryu, seu novo “amigo” — um vampiro poderoso, deslumbrante e hummm, aiii… muuuito SEXY. Nesse mundo, onde há um goblin advogado, um espírito de árvore maquiador, um súcubo dona de boutique, elfos diabólicos, homens inflamáveis, seres híbridos que se transformam em animais selvagens, nada é presumível. Que dirá um romance ao molho pardo. Mas atenção, nunca, nunca mesmo, esfregue a lâmpada do gênio. Entretanto, alguém está matando meio-humanos como Jane. A pergunta que não quer calar é: os assassinatos são fruto de uma mente doentia ou há um plano macabro para exterminá-los? Se você é fã de Sookie Stackhouse, meio-humanos, vampiros sedutores e criaturas sobrenaturais, então se prepare para mergulhar de cabeça nessa deliciosa série de urban fantasy.

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Oi pessoa, lembra de mim? Sou a autora desse blog, sabe? Pois é, ele não morreu, nem eu! A não ser que você considere morte por vergonhite aguda…

Meus horários mudaram drasticamente e me vi com um pouco de dificuldade pra organizar (leia-se arrumar tempo para ler) minha vida. A peculiaridade é que agora ando com sono, tipo, muito sono! O que basicamente descaracteriza o nome do blog, a blogueira e bem, vocês entenderam, mas tudo certo, acho que é só uma fase de adaptação e pretendo logo em breve retomar meu antigo ritmo de leituras!

Blogueira lutando para permanecer acordada!

Agora, sobre a garota que nadava em redemoinhos:

“The internet is dark and full of spoilers – Melisandre, A Clash of Kings”

É a mais pura verdade.

Logo que recebi o livro também ganhei de presente spoilers que TALVEZ não fossem considerados grande coisa, mas que desmotivaram um pouco muito a minha leitura.

Eu entro em crise quando leio spoilers. É sério.

Porém, como esse era um livro que eu esperava desde o final de 2012, com boas criticas e um certo burburinho, me obriguei a jogá-lo no topo da lista de leituras jurando que não leria nada mais até que não tivesse acabado com ele!

Ainda bem!

Um estilo meio Sookie Stakehouse, com mistérios a lá Georgina Kincaid e um senso de humor bem Jane True mesmo, Garota Tempestade foi me conquistando sem que eu percebesse até que pimba! O livro tinha acabado e eu precisava da continuação pra anteontem!

A capa pode enganar, e muito, quem acha que é um juvenil, mas posso garantir que o conteúdo não deixa dúvidas. É como se alguém tivesse espremido pimentas entre as páginas ou o retirado direto da gaveta probidona da Jane. Sendo assim, não é exatamente o que eu recomendaria para menores de idade interessados, aquela velha história: seus pais vão me processar e blá, blá, blá…

Enfim, um fato marcante no enredo é que temos um romance pseudo-gostoso comumvampiroverdadeiramentegostoso que pareceria clichê entre os tantos que vemos por aí, e justamente por isso, esse “aparentemente clichê” que fiquei com um cachorro de rua atrás da orelha. Confusa, sim ou claro?

Deixa eu tentar explicar melhor, apesar de não achar nenhuma prova escrita, quando o romance surgiu tentei não me deixar muito confortável, esperando que as coisas dessem errado, que um triangulo amoroso chegasse para me assombrar, que o mundo acabasse ou coisa do estilo, mas… bem, você, eu não vou contar.

É verdade dizer que geralmente gosto muito mais dos coadjuvantes do que dos personagens principais e, mesmo Garota Tempestade ser um caso raro de heroína-legal-pra-caramba, também há as super pessoas em volta dela! Pausa para o nome da livraria de Tracy e Grizzie, amigas de Jane: Morrer de Ler. Fim da pausa. Como acompanhamos tudo em primeira pessoa, temos o mesmo nível de conhecimento de Jane e podemos fica tão, ou mais, maravilhados que ela com as criaturas que surgem em sua vida e as que já estavam por lá, mas que não sabíamos que poderiam ser tão demais assim até alguma coisa diferente acontecer!

A srta. True também tem seus mistérios, tão assombrosos para ela mesma, que ela prefere nem pensar a respeito, quanto mais falar sozinha sobre eles.

Então ela não gosta que a chamem de louca, mas acredita em vampiros e fala sozinha? Interessante.

A narrativa de Peeler talvez seja o único ponto negativo para mim. Gostaria de frases mais ritmadas, menos gírias jogadas e, em certos momentos, menos da dirty talk pré-sexo que a Jane curte. Porém, dizer que li sem grandes expectativas soa como se eu estivesse esnobando o livro, melhor dizer que li apenas para aproveitar uma estória leve e divertida e que não me decepcionei com isso. Despretensiosa, Garota Tempestade é uma fantasia urbana que entretém, te pega nas inúmeras possibilidades para a solução de seus mistérios enquanto arranca suspiros pelo romance e a criatividade.

Primeiro livro que leio da editora e posso dizer, não poderia estar mais feliz com o resultado! Vá agora pedir ao gnomo responsável pela sua região uma cópia e espere comigo pelo segundo volume, Caçadores de Tempestade!

xoxo e bom meio de semana!

Através do Universo – Beth Revis

Mundo Perfeito - Capa 03

  •     Autor: Beth Revis
  •    Editora: Novo Século
  •    Nº de Páginas: 408
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Across The Universe
  •    Tradutor: Sonia Strong

   Avaliação: 6,5

Amy deixou para trás seus amigos, seu namorado, seu mundo inteiro para se juntar aos pais a bordo da nave espacial Godspeed. Para a longa viagem, ela e seus pais foram criogenicamente congelados, esperando enfim acordarem em um novo planeta: Terra-Centauri. Porém, cinquenta anos antes do previsto, a câmara criogênica de número 42 é misteriosamente desligada, e Amy se vê forçada a sair de seu profundo sono de gelo. Alguém havia tentado matá-la. Agora, Amy está presa em um novo – e pequeno – mundo, onde nada parece fazer sentido. Os 2312 passageiros a bordo de Godspeed são liderados pelo tirânico e assustador Eldest. Elder, seu rebelde sucessor, parece ao mesmo tempo fascinado por Amy e ansioso por descobrir nele mesmo tudo o que se espera de um líder. Amy quer desesperadamente confiar em Elder, mas será que ela deve colocar seu destino nas mãos de um garoto que jamais conhecera a vida fora daquelas frias paredes de metal? Tudo o que Amy sabe é que ela e Elder devem correr para desvendar os segredos mais ocultos de Godspeed, antes que o assassino tente matá-la novamente.

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Que foi? Pensaram que eu ia abandonar as distopias assim, tão facilmente? Não tem perigo! Posso ter ficado sem inspiração nos últimos dias, mas não larguei as realidades alternativas e os mundos pós-apocalípticos não!

Ganhei Através do Universo junto com outros livros no meu aniversário (logo ele vai estar feat. num vídeo especial) e, depois de passar tanto tempo sofrendo de longe enquanto outros leitores se pavoneavam com ele pra cima e pra baixo, pude finalmente embarcar na Godspeed!

De repente foi culpa da minha expectativa super alta, mas Através do Universo não foi tudo o que eu queria que fosse. O problema não é a estória… é quem participa dela.

Amy é carga não essencial, uma pessoa criogenizada que vai na bagagem por pedido especial de pessoas altamente essenciais apenas como enfeite, já que não vai ter utilidade alguma no novo mundo. Duro de se ouvir né? Voz de Darth Vader: “Você é uma carga(!) inútil(!!)” Enfim, até fiquei com pena dela no começo, os técnicos que a preparavam para o gelo, mesmo diante da sua nudez e total vulnerabilidade, continuavam debatendo o tal despropósito dela, me ultrajando a ponto de ficar pensando “Há, esperem só seus nerdões, aposto que ela vai fazer alguma coisa muito incrível e super badasss assim que botar os pezinhos para fora dessa câmara de criogenia!”

E então o momento chegou (já está na sinopse, não é spoiler) e sinceramente? Ela continuou sendo carga não essencial pra mim, descongelada ou não.

Todas as coisas boas que eu esperava que acontecessem por intermédio dela aconteceram, mas só porque a estória PEDIA por isso para continuar! Decisões tolas saídas do nada, senso de auto-preservação nulo, ideias forçadas que até para a mente mais congelada parecem péssimas e aquele tipo de artificialidade que às vezes encontramos em alguns personagens e não sabemos explicar direito, mas sabemos que eles não são reais o suficiente para nós… Amy não me convenceu.

É triste pensar que o outro protagonista, Elder, também não ajudou em nada, ainda mais sem Sazon que a menina, com o botão de liga/desliga dos hormônios meio pifado. Sou de suspirar e torcer muito para que o casal principal fique junto logo, que se acerte e viva feliz para sempre, adoro um bom romance no meio das tramas! Quer um dado? A temperatura do espaço é -270.23ºC, em homenagem ao romance desses dois.

É sério. É frio assim, o espaço. E os dois.

“Então como você ainda me dá 6,5 pra esse livro, blogueira? Como??” A resposta é Godspeed.

A NAVE TEM PASTOS DE VACAS DENTRO DELA! Ela é do tamanho de um pequeno país, dá pra entrar na sua cabeça isso?

Em segundo lugar, as coisas que acontecem dentro da Godspeed. Não pooooooosso entrar em detalhes, não mesmo, então vou tentar explicar meu fascínio bem por cima. A situação em meio a qual a Amy acorda é toda bizarra, mas nada se comparada às gerações de pessoas que vivem dentro da nave sem jamais terem sequer pisado num planeta! O porquê de se comportarem como fazem e pensarem como pensam é explicado conforme o livro avança, mas, logo na sequencia, sempre acontecia uma coisa ainda mais bem bolada para manter o tom. A nave em si foi bem detalhada, mas dar uma olhada no mapa (não disponível na edição brasileira) que vem na edição norte-americana não mata ninguém:

Across-the-Universe_Godspeed-blue-print.

Em suma, Através do Universo foi um livro que dividiu muito minha opinião, oscilei entre o ‘amey’ e o ‘argh’ vezes demais para ficar contente, mas ainda assim me manteve interessada. Não posso dizer que estou morrendo para ter a sequência em mãos, porém a chance de reencontrar toda a ficção científica de alto nível à bordo da Godspeed com certeza me colocará na pré-venda de A Million Suns.

xoxo e bom fim de semana!

A Seleção – Kiera Cass

A SELEÇÃO - Kiera Cass - Companhia das Letras

  •     Autor: Kiera Cass
  •    Editora: Seguinte
  •    Nº de Páginas: 368
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: The Selection
  •    Tradutor: Cristian Clemente

   Avaliação: 8,0

Para trinta e cinco garotas, a Seleção é a chance de uma vida. É a oportunidade de ser alçada a um mundo de vestidos deslumbrantes e joias valiosas. De morar em um palácio, conquistar o coração do belo príncipe Maxon e um dia ser a rainha.
Para America Singer, no entanto, estar entre as Selecionadas é um pesadelo. Significa deixar para trás o rapaz que ama. Abandonar sua família e seu lar para entrar em uma disputa ferrenha por uma coroa que ela não quer. E viver em um palácio sob a ameaça constante de ataques rebeldes.
Então America conhece pessoalmente o príncipe – e percebe que a vida com que sempre sonhou talvez não seja nada comparada ao futuro que nunca tinha ousado imaginar.

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Êêêê! Feliz fim do mundo! Não, pera…

Retomando…

“Eu parecia radiante, esperançosa, linda. Dava para notar que eu estava apaixonada. E algum imbecil achou que era pelo príncipe Maxon.

Minha mãe gritou na minha orelha. May deu um pulo, espalhando pipoca para todo lado. Gerad também se empolgou e começou a dançar. Meu pai… é difícil dizer, mas acho que ele escondia um sorriso por trás do livro.

Perdi a expressão no rosto de Maxon.

O telefone tocou.

E não parou de tocar por dias.”

Jogos Vorazes de seda e chiffon.

Ou pelo menos era o que eu esperava. Sério, pensa comigo!  Uma casa com trinta e cinco mulheres mulherzando pra conseguir um cara… e a coroa dele?! Vai ser uma briga sangrenta das boas, correto?

Não foi bem assim…

O grande foco desse livro é o romance entre America e Aspen e a perspectiva de romance entre America e Maxon.

Vocês sabem como eu me canso fácil com triângulos amorosos, grande parte das vezes porque a maioria é previsível demais. Aí é que tá, não tem como saber como esse triângulo vai acabar! A America pode escolher qualquer um dos dois, pois tem motivos diferentes e razões de sobra para acreditar nos sentimentos deles por ela e vice versa. A autora não deixa escapar, como acontece em vários livros, com quem ela pretende que a garota fique no final e só esse aspecto já seria suficiente para me deixar louca pelo próximo volume.

Mas daí também entra o apelo do efeito total makeover, da menina pobre sendo elevada à categoria de celebridade num piscar de olhos, das coisas maravilhosas que passam a fazer parte da vida dela e, é claro, a realeza. #AsMinaPira num príncipe bonitão! E sempre vão pirar.

Temos os rebeldes também, como era de se esperar numa distopia YA, eles não tem tanto destaque aqui, mas é através deles que podemos ver do que a America é feita. Ela é uma ótima protagonista, um pouco enrolada até, mas honesta consigo e com os outros. É bom variar um pouco e ter uma mocinha que não é A Garota Que Esconde Vários Segredos do Mundo. Porém, enquanto essa honestidade pode ser um bom traço, pode coloca-la em situações delicadas e de exposição. Coisa que princesas tendem a evitar.

Aliás, America daria uma ótima princesa. Uma boa até demais.

E isso incomoda o leitor (tipo, eu) que queria ver o circo pegar fogo na competição. Porque A Seleção é uma competição, oras!

Perto dela as outras concorrentes não tinham chance, sabe? Personalidades fraquinhas ou caricatas demais, sem nenhuma complexidade. Ao menos, não de cara. Acho que dava para a Kiera fazer uma coisa mais trabalhada ali, mais interessante, mais desafiadora. Ela até ensaia, mas fica só nisso.

Eu esperava mais disso!

Enfim, A Seleção é um livro que gruda. Já li duas vezes, talvez leia uma terceira até o fim do ano, e ainda não me conformo em ter que esperar até quase o meio do ano que vem para poder ler The Elite.

Recomendo a obra de Kiera Cass para quem queria uma protagonista diferente em Feira das Vaidades, para quem não tem tempo a perder com enrolações e para quem se encanta com coisas bonitas.

P.S.1: Para  caso de você estar imaginando, eu sou:

       The Selection by Kiera Cass

P.S.2: Pra você que ainda está no seu bunker esperando o mundo acabar:

#SupernaturalFandonPira

xoxo e bom fim de semana!

Legend, A Verdade Se Tornará Lenda – Marie Lu

legend

  •    Autor: Marie Lu
  •    Editora: Prumo
  •    Nº de Páginas: 256
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Legend
  •    Tradutor: Ebréia de Castro Alves

   Avaliação: 8,0

O que outrora foi o oeste dos Estados Unidos é agora o lar da República, uma nação eternamente em guerra com seus vizinhos. Nascida em uma família de elite em um dos mais ricos setores da República, June é uma garota prodígio de 15 anos que está sendo preparada para o sucesso nos mais altos círculos militares da República. Nascido nas favelas, Day, de 15 anos, é o criminoso mais procurado do país; porém, suas motivações parecem não ser tão mal-intencionadas assim. De mundos diferentes, June e Day não têm motivos para se cruzarem – até o dia em que o irmão de June, Metias, é assassinado e Day se torna o principal suspeito. Preso num grande jogo de gato e rato, Day luta pela sobrevivência da sua família, enquanto June procura vingar a morte de Metias. Mas, em uma chocante reviravolta, os dois descobrem a verdade sobre o que realmente os uniu e sobre até onde seu país irá para manter seus segredos.

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“-Nunca lhe perguntei sobre esse nome de guerra. Por que Day?

-Porque cada dia significa novas 24 horas. Cada dia quer dizer que tudo é possível de novo. Você pode aproveitar cada instante, pode morrer num instante, e tudo se resume a um dia após o outro. –ele olha para a porta aberta do vagão da ferrovia, onde faixas escuras de água cobrem o mundo. –E aí você tenta caminhar sob a luz.”

Quando aparece um livro novo na mesma onda literária que estou (pois é, ainda sou alucicrazy pelas distopias) é meio que automático que meu cérebro me obrigue a querer lê-lo. A situação é tão perturbadora que às vezes nem da sinopse eu lembro direito, só do fato de que quero lê-lo e não vou deixar ninguém em paz até concluir esse objetivo. Mas é totalmente impossível esquecer uma sinopse que promete uma espécie de duelo entre os dois protagonistas!

Logo de cara me deparei com três aspectos que, na ordem citada, poderiam melar a minha leitura. O 1º é a narrativa de Lu. Ela é seca, crua e estoica, o que até combina com o clima do livro (sério, poesia seria uma perda de tempo ali), mas que por vezes tirou o ritmo das coisas. O 2º ponto é o pouco desenvolvimento dos personagens secundários. Com protagonistas tão bons (já vou chegar lá) os coadjuvantes ficaram fracos ou até mesmo caricatos, como a Comandante Jameson. E, pra terminar o balde de água fria, o lugar comum que está ficando cada vez mais enfadonho: o governo nesses livros nunca é o que aparenta ser.

Ok, ok, talvez isso possa ser categorizado como um pré-requisito para as distopias, mas tudo o que é demais enjoa, né? Depois de um tempo a única pessoa que ainda se surpreende por descobrir algum plano maligno feito por seus chefes de Estado é o personagem principal, e isso porque ele é ‘obrigado’ pelo autor a se surpreender. Lendo ao menos um dos clássicos distópicos você já entra para o grupo de risco dos Formuladores de Teorias da Conspiração Anônimos (FTCA. Nós.. digo, o grupo tem reuniões todos os domingos se alguém se interessar), imagine então com essa enxurrada distópica no mercado editorial? Dá pra contar numa só mão os livros recentes que fogem a essa regra e a maioria deles surpreende e conquista justamente por sua originalidade.

Então o que me fez amar Legend? O que me fez sentar num canto e ler e ler e ler até acabar e perceber que de tão absorta, sequer minhas anotações eu tinha feito?

Empatia.

Sério! Não tem como não gostar do Day, não tem como não querer ser a June! Eles são inteligentes, espertos, ágeis, CUIDAM do próprio nariz além de, é claro, serem famosos, admirados e até respeitados em suas esferas. Eu simplesmente adoro personagens assim. Sambam na cara da mediocridade.

Dá pra contar com eles, você sabe que não vão dar mole -como os protagonistas de outros livros- nem vão te deixar na mão por não fazer algo extraordinário, seja fisicamente ou na área intelectual. Com June e Day o serviço é feito, de um jeito ou e outro.

Shit just got real

Em outras palavras, eles são o pacote completo e juntos ficam completamente irresistíveis.

Gostei muito da Lu ter feito um livro de ação com uma pitada de bom romance e não o contrário. Se o l’amour tivesse mais destaque do que as cenas cinematográficas e as situações de prender a respiração, Legend ficaria meio apagadinho, sem propósito… a autora conseguiu encontrar um equilíbrio perfeito na minha opinião, aquele ponto onde você precisa saber o que vai acontecer em ambos os aspectos e não só em um.

Concluindo, Legend tem seus altos e baixos, mas consegue te hipnotizar como poucos livros nessa linha e te deixar doido para saber o que acontece depois!

Quanto a Prodigy é seguro dizer que:

“Eu não durmo, eu espero”

xoxo e boa semana!

Sangue Quente – Isaac Marion

  •    Autor: Isaac Marion
  •    Editora: Leya Brasil
  •    Nº de Páginas: 252
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2011
  •    Título Original: Warm Bodies
  •    Tradutor: Cassius Medauar

   Avaliação: 8,0

R é um jovem vivendo uma crise existencial – ele é um zumbi. Perambula por uma América destruída pela guerra, colapso social e a fome voraz de seus companheiros mortos-vivos, mas ele busca mais do que sangue e cérebros. Ele consegue pronunciar apenas algumas sílabas, mas ele é profundo, cheio de pensamentos e saudade. Não tem recordações, nem identidade, nem pulso, mas ele tem sonhos. Após vivenciar as memórias de um adolescente enquanto devorava seu cérebro, R faz uma escolha inesperada, que começa com uma relação tensa, desajeitada e estranhamente doce com a namorada de sua vítima. Julie é uma explosão de cores na paisagem triste e cinzenta que envolve a “vida” de R e sua decisão de protegê-la irá transformar não só ele, mas também seus companheiros mortos-vivos, e talvez o mundo inteiro. Assustador, engraçado e surpreendentemente comovente, Sangue Quente fala sobre estar vivo, estando morto, e a tênue linha que os separa. 

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VOCÊ ESTÁ PRESTES A LER A RESENHA DE UM LIVRO QUE NÃO TEM CONTINUAÇÃO, AQUI, SEGURE MINHAS MÃOS, OLHE NOS MEUS OLHOS, EU JURO QUE É VERDADE.

Então, eu enrolei um bocado pra escrever essa resenha e foi por um motivo um tanto quanto estranho, admito. Eu estava esperando gostar menos do livro. Tipo, literalmente! Eu estava deixando o tempo passar pra ver se a empolgação diminuía, se o namoro acabava, se os defeitos apareciam, ou coisa assim. Deu e não deu certo.

Enxerguei aspectos negativos tanto na estória quanto na narrativa, mas continuo amando Sangue Quente. C’est la vie!

Vamos começar com um ponto talvez espinhoso pra muita gente: amor… zumbi. Pois é, então o cara está lá, todo cinza e coagulado e, sabe, podre, mas de repente ele começa a ter esses sentimentos! Logo que comecei a ler pensei seriamente a respeito: “Ok, vamos deixar bem claro. O livro tem essa óbvia pegada ‘sarcasticômica’, o que, só pra constar, eu amo de paixão, então talvez eu não deva levar isso muito em conta, mas também li Dearly, Departed e totalmente shippei o Bram e a Nora e aquilo totalmente deu certo… what the hell? Dane-se! Vamos lá ver no que vai dar!”

Então eu fui.

Conheça R, meu mais novo amigo-filósofo-zumbi, não necessariamente nessa ordem. Ele gosta de passear em escadas rolantes, tem um fraco por zumbis louras e talvez conserve o hábito pouco saudável de afanar pertences alheios entre um canibalismo e outro, mas até que é um cara decente. Pelo menos ele guarda um pouco de cérebro para dividir com seu melhor amigo, M.

Conheça Julie. Ok, Julie não é flor que se cheire. Mas e daí? Seu mais novo pretendente provavelmente cheira a geladeira quebrada por três dias, então tudo bem, decidi dar uma chance pra ela também. Com um pouco de paciência para as reais crises de aborrescência (nada daquela porcaria de adolescentes bizarramente maduros que temos no mercado hoje em dia, estou falando de adolescentes de verdade, com espinhas e ideias bem estupidas na cabeça) acho que você também vai gostar dela.

Talvez eu esteja sendo um pouco injusta com Julie e até meio superficial, mas mais que isso resultaria num spoiler mal, muito mal.

A razão para R ter sentimentos por Julie, especificamente, é facilmente explicada pelo fato de ele ter comido o cérebro do namorado dela e com isso ter flashs do que se passava na cabeça dele. Porém R é um zumbi inconformado, a natureza dos filósofos, e acredito que foi esse seu primeiro passo para uma nova existência, não se conformar por sequer lembrar o próprio nome.

O ponto de vista é extremamente limitado. Fica difícil saber o que aconteceu e o que está acontecendo nesse mundo pós-apocalipse zumbi porque a estória é toda contada por R. Isso é meio frustrante, as coisas relacionadas à causa da praga, a outros lugares além do cenário principal e até o que pode vir depois, tudo fica suspenso, com explicações vagas ou às vezes nem isso. Acredito que o autor poderia ter se esforçado um pouquinho mais e encaixado explicações ali no meio, ele menciona tantas outras coisas acontecendo paralelamente e depois não dá nem mais uma dica a respeito!

“Cadáveres adiados que procriam” Não sei se Isaac Marion conhece Ricardo Reis (aka Fernando Pessoa), mas não posso pensar em melhor estória para ilustrar essa frase e não me refiro exatamente a R e sua turma!

De amor puro e concreto a idealismos e surrealismos, Sangue Quente não é um livro para ser levado a sério pelos motivos convencionais. É a mensagem que ele passa, embrulhada em bom humor e ironias -de fazer qualquer um pensar a respeito- que deve ser absorvida e refletida. Mesmo uma tão simples.

Vou dar 8,0 porque, agora que enxerguei as falhas, se eu não as levasse em consideração na hora da nota elas ficariam bravas e viriam me assombrar a noite. Mas, só para o caso de você, leitor, estar imaginando, Sangue Quente é um dos meus livros favoritos.

P.S.: Que venha a modinha dos zumbis charmosos e suas fãs alucicrazys, nem ligo. Mentira, ligo sim, droga.

P.S.2: Vou dar uma pedrada no monitor do próximo que vier me dizer que Sangue Quente é Crepúsculo de zumbi. É sério.

P.S.3: Vocês deviam checar o trailer do filme que será lançado em 2013. R não é exatamente como o descrito no livro, mas é difícil ficar brava com esse grau de boniteza do Nicholas Hoult.

[edit] Fuck this shit. O autor confirmou que está trabalhando numa sequência, ainda sem título definido para Sangue Quente. Não sei se choro ou solto fogos de artifício!

xoxo e boa semana!

Um Olhar de Amor – Bella Andre

  •     Autor: Bella Andre
  •    Editora: Novo Conceito
  •    Nº de Páginas: 265
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: The Look of Love
  •    Tradutor: Bárbara Menezes

   Avaliação: 7,5

 

Chloe Peterson está tendo uma noite ruim. Uma noite realmente ruim. O machucado grande em sua bochecha pode provar isso. E quando seu carro patina para fora da estrada molhada em direção a uma vala, ela está convencida de que até o cara maravilhoso que a salvou do meio da tempestade deve ser muito bom para ser verdade. Ou ele é mesmo? Por ser um fotógrafo de sucesso que viaja frequentemente pelo mundo, Chase Sullivan tem seu jeito com mulheres bonitas, e quando ele está em casa, em São Francisco, um de seus sete irmãos normalmente está acordado para começar um pouco de diversão. Chase acha que sua vida é ótima do jeito que está — até a noite que encontra Chloe e seu carro destruído na rodovia Napa Valley. Não apenas nunca tinha conhecido alguém tão adorável, por dentro e por fora, mas como também percebe que ela tem problemas maiores do que seu carro batido. Logo, ele será capaz de mover montanhas por amor — e proteção — a ela, mas ela deixará? Chloe prometeu nunca cometer o erro de confiar em um homem novamente. Mas a cada olhar que Chase lança a ela — e a cada carinho doce e pecaminoso — conforme a atração entre eles sai faísca e esquenta, ela não pode fazer nada a não ser se perguntar se encontrou a única exceção. E apesar de Chase não perceber que sua vida mudaria para sempre em um instante, para melhor, ele não é o único a querer lutar por essa mudança. Ao contrário, ele está se preparando para uma luta… pelo coração de Chloe.

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Um Olhar de Amor foi uma leitura surpreendente. É um livro de narrativa ágil e rápida (a estória se desenrola em cerca de cinco dias) e essa rapidez toda pode até ter me incomodado um pouco em certos momentos, mas ainda assim, foi tudo tão despretensioso e gostoso de ler que não vou criar caso por causa disso.

Achei interessante a ligeira troca de papeis dos personagens. Geralmente o homem é pintado como o elemento que não quer saber de compromisso enquanto a mulher tenta de todas as formas fisgar seu coração e, às vezes literalmente, colocar-lhe um belo par de algemas.

O Chase admite logo de cara que era esse tipo de sujeito até pouco tempo, mas, como tudo que é demais, ele cansou. E o que melhor para um cara que decidiu deixar para lá o ‘Não ligo para os sentimentos das mulheres’ do que uma mulher linda aparecendo do nada, com o rosto machucado e todos os sinais de dama indefesa em apuros ligados? Pronto, né? Podemos pular pro felizes para sempre num castelo da Disney? NÉ?

Né?!

Não. Chloe não é a dama indefesa. Ela pode até estar em apuros, mas não é indefesa.

E ai começa a dança entre os dois, com Chase tentando entender como ela não queria aceitar tudo o que ele estava disposto a dar (tudo mesmo) e Chloe tentando se controlar e usar a cabeça ao invés… do coração! Mas já sabemos que nenhum dos dois vai desistir facilmente, a moça tem muito o que provar para si mesma e Chase, bem, a autora não escolheu o nome Chase (caçada em inglês) à toa!

Prepare-se para um livro bem picante mesmo. Enquanto Chase tenta incessantemente vencer as barreiras emocionais de Chloe eles se… conhecem melhor… muitas vezes… o tempo todo! Eu sei que é um romance erótico, mas as coisas ficaram um pouco repetitivas demais e eu comecei a ficar ansiosa para saber mais sobre o ex-marido da Chloe e menos sobre o tanquinho do gato. Crítico, pois é!

De qualquer forma, devo lembrar que é uma estória monumentalmente piegas? Não? Que bom, estamos quites! Eu, sinceramente, deixei de ver problemas nisso.

Então, se você é mulher, provavelmente o período de seu ciclo menstrual durante a leitura vai afetar bastante a sua opinião sobre o livro. Eu me apaixonei, simples assim. Mesmo quando estava toda “Ah, por favor, ninguém fala/age assim!” dois segundos depois ficava toda “Por que ninguém fala/age assim?! Por que??”

Acho que esse é o apelo dos livros de romance por romance, fazem você ficar meio sonhador e mais contente se realmente se entregar à leitura, tipo chocolate. Só que é preciso quebrar o gelo antes e estar aberto para isso, sem preconceitos, do contrário você só vai ficar ranzinza e reclamão com qualquer coisa cor de rosa que aparecer.

Tem até uma pequena menção a Edward e Bella, bem pequena e bem fofa, pra falar a verdade. Enfim, recomendo Um Olhar de Amor se você gosta de livros rápidos. Recomendo se você está afim de entrar na onda dos eróticos, mas não curte um chicotinho. Recomendo se você se derrete por estórias românticas e leves. Enquanto isso, fico por aqui, esperando Por Um Momento Apenas, e imaginando o que mais vai aparecer na vida dos irmãos Sullivan.

xoxo e bom feriado!

Cidade dos Anjos Caídos – Cassandra Clare

  •     Autor: Cassandra Clare
  •    Editora: Galera Record
  •    Nº de Páginas: 364
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: City of Fallen Angels
  •    Tradutor: Rita Sussekind

   Avaliação: 8,0

Aviso número 1: NÃO LEIA essa resenha caso não tenha lido Cidade de Vidro, você não vai ser feliz fazendo isso, sério… sério mesmo!!

Aviso número 2: Essa resenha contém uma dose ridiculamente alta de fangirling. Cuidado.

A guerra acabou e Caçadores de Sombras e integrantes do submundo parecem estar em paz. Clary está de volta a Nova York, treinando para usar seus poderes. Tudo parece bem, mas alguém está assassinando Caçadores e reacendendo as tensões entre os dois grupos, o que pode gerar uma segunda guerra sangrenta. Quando Jace começa a se afastar sem nenhuma explicação, Clary começa a desvendar um mistério que se tornará seu pior pesadelo.

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“O tipo de amor que pode incinerar o mundo ou erguê-lo em glória.”

Acontece que Cidade dos Anjos Caídos é o livro que menos me gusta na série. Isso provavelmente é devido ao medinho que eu tinha da Cassandra se perder nesse volume, afinal, Os Instrumentos Mortais seria uma trilogia (como tudo nesse mundo, pelo visto) que foi estendida para uma sextologia(??).

Para provar que ela merece o lugar cativo que tem no meu coração, Cassandra manteve o nível sem sair do contexto! O enredo segue oito semanas depois de onde paramos em Cidade de Vidro e, apesar dos antigos antagonistas terem ido dessa para pior é impossível encontrar alguém que não lembre deles constantemente ou tire de Clary e Jace o peso do legado de Valentim ‘Cão-Chupando-Manga’ Morgenstern.

Achei muito interessante o foco não se concentrar apenas em Clary e Jace dessa vez, com mais pontos de vista temos mais problemas, outras intrigas e muito mais mistério.

Mas foi a parte do Jace estar na tensão pré-menstrual me irritou um pouco. Todo mundo sabe que o lema da vida dele é “Amar é destruir”, mas essa coisa dele se afastar da Clary porque acha que assim irá protegê-la dele mesmo (para variar) foi muito fofa no primeiro livro, interessante no segundo e de partir o coração no terceiro. Agora já deu. Poxa, eles demoraram tanto tempo para finalmente ficarem juntos e quando conseguem, quem vai empatar tudo é ele?? Entendo os motivos do moço e as razões por trás disso, só que foi demais pro meu coração!

Mas é aquela mágica à la Jace, certo? Num minuto ele está fazendo coisas extremamente irritantes que te dão vontade de bater nele, no outro ele está dizendo alguma coisa completamente linda que te leva de volta ao estágio I *heart* Jace 4ever.

Fora isso, achei incomodo o pouco destaque que deram aos Caçadores Mortos (tão mencionados na sinopse) e o ‘after party’ da grande batalha de Idris. Senti que poderíamos saber mais sobre isso…

De qualquer forma, Cidade dos Anjos Caídos conserva o bom humor e a rapidez características da escrita de Cassandra Clare, sua grande habilidade de interligar eventos sem deixar a peteca cair e todo l’amour que a gente poderia esperar.

Eu tinha um mini ataque do coração toda vez que uma menção à série As Peças Infernais era feita. Só de pensar que Clockwork Princess dará o ar da graça apenas ano que vem já seria o suficiente para deixar qualquer fã com os nervos a flor da pele, mas insinuações a Will e o que elas podem significar ou não são de enlouquecer um! Isso com certeza deixou a leitura ainda mais especial para mim.

Não te recomendo Cidade dos Anjos Caídos, prescrevo, e ainda aviso para tomar cuidado com os efeitos finais da dose. Você não vai conseguir pensar em outra coisa.

Uma música para Clary e Jace?

P.S.1: Eu descobri uma coisa stalkeando observando a autora nas redes sociais. Cassandra Clare é . Ela quer ver as pessoas com os corações feitos em pedacinhos. Eu. Tenho. Medo. Do. Final. Dessa. Série.

P.S.2: Só para o caso de alguém não ter conseguido pegar a dimensão dos ataques de fangirl, ilustrarei. A reação de base a finalmente ter o livro em mãos:

Tenham um ótimo fim de semana!

Feita de Fumaça e Osso – Laini Taylor

  •     Autor: Laini Taylor
  •    Editora: Intrínseca
  •    Nº de Páginas: 384
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Daughter of Smoke and Bone
  •    Tradutor: Viviane Diniz

   Avaliação: 7,0

Pelos quatro cantos da Terra, marcas de mãos negras aparecem nas portas das casas, gravadas a fogo por seres alados que surgem de uma fenda no céu. Em uma loja sombria e empoeirada, o estoque de dentes de um demônio está perigosamente baixo. E, nas tumultuadas ruas de Praga, uma jovem estudante de arte está prestes a se envolver em uma guerra de outro mundo.O nome dela é Karou. Seus cadernos de desenho são repletos de monstros que podem ou não ser reais; ela desaparece e ressurge do nada, despachada em enigmáticas missões; fala diversas línguas, nem todas humanas, e seu cabelo azul nasce exatamente dessa cor. Quem ela é de verdade? A pergunta a persegue, e o caminho até a resposta começa no olhar abrasador de um completo estranho. Um romance moderno e arrebatador, em que batalhas épicas e um amor proibido unem-se na esperança de um mundo refeito.

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 “Era uma vez um anjo que, caído, morria no nevoeiro. E um demônio se ajoelhou ao lado dele e sorriu.”

Essa foi, de fato, uma leitura de uma ‘sentada só’. Na verdade uma deitada só, li Feita de Fumaça e Osso em apenas uma madrugada e estou feliz por não ter prolongado nada.

Vai ser difícil falar sobre esse livro sem passar a impressão errada ou não ficar repetitiva, então vou mandar tudo na lata de uma vez!

Feita de Fumaça e Osso é um livro ótimo, muito bem escrito e estava marcado para entrar nos meus favoritos… até a metade.

Não, ele não descamba na qualidade do meio para o fim, apenas se tornou o tipo de história que eu não gosto. São algumas particularidades, mas pretendo não entrar em detalhes ou spoilers metade touro, metade tigre com asas de morcego atacariam impiedosamente! Por isso primeiro vou falar do que gostei nesse livro, o que, estranhamente, não foi pouca coisa.

Esperava que Feita de Fumaça e Osso fosse apenas mais um romance sobre anjos e demônios, amor proibido e mimimis, também lembrava vagamente da autora pelo livro Blackbringer, então imaginem minha surpresa quando encontrei uma narrativa clara, bonita e ágil sem deixar de ser rica!

E seus personagens!

Temos desde os coadjuvantes bacanas, estilo Meg Cabot, ao serafim guerreiro endurecido por seu passado e possivelmente perturbado. As mina pira no mocinho perturbado!

E temos Karou, a garota-para-lá-e-para-cá.

Gosto que as mocinhas sejam capazes de cuidar de si mesmas, não fiquem esperando os outros resolverem seus problemas e tenham poderes legais para assustar seus inimigos. Karou preenche esses pré-requisitos com louvor e ainda tem o bônus de ser mega estilosa! Então, nada mais natural do que eu ficar muito chateada quando a estória que era sobre ela de repente se tornar a estória de outra pessoa. Não que não tenha nada a ver com ela, mas ainda assim…

É, acertou, aquela sou eu.

A Karou mesmo foi meio deixada de lado nas soluções dos mistérios, que por si só são magníficas e totalmente merecem meu respeito, mas sério, eu senti ciúmes por ela! Não é todo dia que encontramos uma mocinha disposta a levar tiros, esfaquear traficantes e pagar cafés para lunáticos no Marrocos! Como não ficar do lado dela, meu bom povo? Como??

Estamos com você, garota!

Porém devo dizer que, mesmo que parte dessas soluções tenha me desagradado, pelo menos explicaram uma coisa que poderia realmente ter azedado o livro todo, baixado vários pontos da escala de genialidade da Laini Taylor e jogado Feita de Fumaça e Osso no poço dos YAs água-com-açúcar. O mal do romance súbito.

Já repararam que muitos livros YAs tem romances Sedex1000? Que num momento os personagens estão lá, se vendo pela primeira vez e no outro, PAH, já escolheram os nomes dos cinco filhos que pretendem ter. E quase nunca isso acontece num cenário calmo, é sempre com algum tipo de catástrofe de proporções mundiais rolando no plano de fundo e mesmo assim os dois protagonistas lindos só conseguem pensar UM. NO. OUTRO!!

Não estou dizendo que é isso que acontece em FdFeO não, mas ele é um livro tão bem bolado em feito com tanto carinho (sério, dá pra notar, a autora citou até Nietzsche!!) que um romance óbvio azedaria o molho o todo!

Enfim, eu tive que dar aquela nota, pois esse é um blog pessoal e essa é a minha opinião, mas sério, relevem ela. Leiam Feita de Fumaça e Osso pra ontem e sejam felizes, um gavriél não me faria parar de pensar nessa estória e nem um bruxis anularia o respeito que Laini e sua escrita ganharam de mim!

xoxo e boa semana

Lirael, A Filha do Clayr – Garth Nix

  • Autor: Garth Nix
  •    Editora: Rocco
  •    Nº de Páginas: 440
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2011
  •    Título Original: Lirael
  •    Tradutor: Chico Lopes

   Avaliação: 8,0

Atenção, Spoilers Maiores, vindos direto do Oitavo Portal da Morte, rondam essa resenha. Certifique-se de estar com seus sinos de necromante à mão e a leitura de Sabriel em dia.

Depois de Sabriel, este é o segundo da série O Reino Antigo, ambientada numa terra dividida entre a modernidade e as tradições mágicas por um enorme muro. De um lado, está a Terra dos Ancestrais, um lugar onde a razão e a tecnologia predominam; de outro, o Reino Antigo, onde vivem perigosas criaturas sobrenaturais e onde a magia impera. Neste volume, um antigo mal começa a se espalhar e Lirael, então, é enviada em uma jornada cheia de perigos, tendo como única companhia um cão que é muito mais do que parece.

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“O caminhante escolhe o caminho, ou o caminho escolhe o caminhante?”

Essa é a frase que fecha o Livro dos Mortos, coisa que todo Abhorsen deve ler e compreender. Mas o nosso emprego não precisa ser colocar os mortos de volta no caixão para refletirmos nisso, não é?

Eu tenho um sério vício como leitora, sempre lembro do autor enquanto leio um livro. Não entendo bem o porquê disso, mas é como se eu estivesse atenta ao que levou o escritor a fazer tal coisa na obra ou o que os personagens e eventos falam sobre a personalidade dele. Porque, afinal de contas eles são apenas isso, personagens e eventos frutos de uma mente.

Mas às vezes esqueço disso.

Às vezes os personagens são tão bem construídos, os eventos são tão bem planejados que acabo deixando esse vício de lado e entrando completamente na estória, aproveitando cada parágrafo como se fossem reais. Aconteceu praticamente o tempo todo com As Crônicas de Gelo e Fogo, em várias ocasiões com Jogos Vorazes e em Sabriel.

Lirael acabou não sendo diferente.

Toda a criatividade empregada no Reino Antigo e na Terra dos Ancestrais é cativante demais para ser deixada de lado. É como se o livro tivesse uma fotografia (é, aquela categoria do Oscar!) incrível!

Vamos ilustrar! 😀  Imagine trabalhar numa biblioteca com instruções assim:

“-Agora, esse apito fica preso nas laçadas da lapela aqui, de modo que você possa curvar a cabeça e soprar nele, mesmo se alguém estiver prendendo as suas mãos. […]

O que Imshi queria dizer? O que poderia prender suas mãos?

[…] –Naturalmente, o apito só é bom apenas quando alguém pode escutá-lo. […] É por isso que você ficará com o rato. […]

-O que ele faz? […]

-Consegue ajuda […] e eu verei daqui a pouco qual o punhal mais afiado para você!”

Não é um amor? Adicional por insalubridade nas alturas!

Ainda assim, vale lembrar que Lirael é um livro azul, melancólico, gelado. Você pode lê-lo no inverno ou no verão de rachar e ele ainda vai te deixar com um frio latente na espinha. Nesse volume temos ainda menos diálogos, em comparação a Sabriel, e as descrições detalhadas estão por todo o lado, mas isso ajuda a dar o tom sombrio da narrativa.

Não, esse não é um livro de terror! Mas a Morte está apenas a uma concentração de distância em qualquer lugar que Lirael ou Sameth vão. Como boa medrosa que sou, não precisei de muito para ficar desconfortável e apreensiva toda vez que a droga de uma coisa Morta resolvia sair do túmulo (por vontade própria ou não) e roubar a Vida das outras criaturas por ai. Em outras palavras: mastigar a Vida fora de outra pessoa!

Eu, heim?! Tô fora!

Enfim, Morte, Vida, Visão, Abhorsen, Magia Livre e Ordem… tudo isso é com letras maiúsculas, mesmo quando é verbo, por razões específicas e que ajudam o leitor a entender a importância tanto simbólica quanto física dessas coisas no Reino Antigo. Até porque, pouquíssimas coisas são apenas simbólicas no Reino Antigo.

Ok, agora vamos falar desses dois protagonistas.

Lirael é uma Filha do Clayr… sem a Visão. Como se não bastasse ela ser fisicamente diferente de todas as outras mulheres do Clayr, a garota ainda por cima nem consegue Ver o futuro, característica do Sangue do Clayr. Era de se esperar que ela não tomasse isso graciosamente, mas suas reações são um pouquinho exageradas e constantes demais para o meu gosto.

O mesmo é para o jovem príncipe Sameth, o filho de Sabriel com Pedra de Toque. É, eu sei! Também tive dificuldade de aceitar que uma das minhas heroínas preferidas cresceu e que isso provavelmente significa uma despedida! Mas o filho dela agora é o Abhorsen-em-espera… e tem medo da Morte. Bom, né? Ele sofreu um grande trauma logo no inicio da sua estória, mas o problema é que ele não supera isso!

Tanto ele quanto Lirael são o tipo de gente que bate na mesma tecla o tempo todo, sempre lamentando a injustiça da vida e o peso das expectativas. Eles até aprendem, por fora, a serem melhores magos, lutadores, adquirem certa perspicácia, geralmente marteladas dentro de suas cabeças por Mogget e o Cão Indecente, mas por dentro não mudam.

Foi extremamente desgastante ler suas inseguranças tão arraigadas e tacanhas por tanto tempo! Aquilo foi me irritando e me fazendo querer que alguma coisa acontecesse, malvada mesmo, pra tirar eles daquele mimimi!

Isso quase tirou o brilho da estória pra mim. Quase.

O final é simplesmente a melhor coisa que poderia ter acontecido por todos os livros e garante que vem coisa tão boa quanto ou ainda melhor em Abhorsen – A Última Esperança dos Vivos!

Continuo recomentando a trilogia Abhorsen fortemente. Se você gosta de épicos, ideias doidas, animais loucos e cenários de profundidade, não pode perder a união de tudo isso a um enredo de tirar o fôlego!

Boa semana!

xoxo

Dearly, Departed – Lia Habel

  •     Autor: Lia Habel
  •    Editora: iD
  •    Nº de Páginas: 480
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Dearly, Departed
  •    Tradutor: Ana Luisa Astiz

   Avaliação: 8,0 (-2,0)

Ela é Nora Dearly, uma garota neovitoriana de 17 anos que sofre com a morte dos pais e vive infeliz aos cuidados da tia interesseira. Ele é Bram Griswold, um jovem soldado punk, corajoso, lindo nobre…e morto! No ano de 2187, em meio a uma violenta guerra entre vitorianos e punks, surge um perigoso vírus, capaz de matar e trazer novamente à vida. As pessoas tornam-se zumbis, mas nem todos são assassinos e devoradores de carne. Há os que lutam para que o vírus não se espalhe… Apenas Nora tem o poder da cura em suas mãos, ou melhor, em, seu sangue. Ela não sabe disso, e corre perigo. É papel de Bram protegê-la…

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Só me toquei mesmo que Dearly, Departed é um distópico quando estava pra começar a resenha. Apesar da falsa utopia da sociedade neovitoriana o clima não é o mesmo das outras conhecidas distopias. Esse livro também é steampunk, mas dá tão pouco destaque às características engenhocas desse grupo-gênero-tipo que só lembrei quando reli a contracapa.

Dearly, Departed parece mesmo é um faroeste com zumbis, muitos zumbis.

E a melhor parte do livro não é o conflito punks vs neovitorianos, ou a medicina pró não-vivos, nem a vida militar pouco convencional da Base Z.

Estou falando do l’amour!

Ah, o amor…

Fiquei completamente apaixonada pela redoma criada por Bram e Nora para eles mesmos no meio de todas as esquisitices daquele mundo de 2187! Quem diria, heim? Logo eu, que a pouco menos de um ano atrás, estava aqui mesmo dizendo o quanto os mortos-vivos são horripilantes e desprezíveis e que deveríamos passar a fogo qualquer um que avistássemos. Logo eu, torcendo pelo romance de uma garota com um cara… podre!

O mundo dá suas voltas.

Ok, podre foi figura de linguagem. Como diria o próprio Dra. Chase:

“-A cibernética proporciona uma melhor qualidade de vida pós-morte.” Pág. 172

“Ma che?”

Certo, explico: a ciência moderna, liderada pelo famoso Dr. Dearly, pode manter os corpos dos tais não-vivos quase que em perfeito estado. Contanto que eles não abusem e saiam por ai desgastando as juntas à toa, podem ter uma vida quase que normal, considerando as circunstâncias.

Claro, existem os zumbis tradicionais, do tipo que geme e te quer pro almoço, mas quem (que não esteja com o braço sendo mastigado por um desses) liga?!! Tem caras mortos, usando válvulas e bombas para manter o corpo reanimado funcionando! E eles são hilários!!

Lia Habel mostrou em Dearly que tem uma habilidade que faria muitos autores consagrados darem seus primogênitos às fadas por algo parecido. Diálogos ÓTIMOS, do tipo que você pode escutar os personagens falando! Pode até parecer meio bobo, mas deixa a estória muito mais empolgante e real!

Como nem tudo são flores, infelizmente a tradução/revisão foi uma verdadeira decepção! Por isso os -2,0 da nota, não acho justo pagarmos caro por livros com traduções que nos lembram aquele programa online ou revisões desleixadas. Se o livro não tivesse todos os erros que encontrei a leitura teria sido bem mais proveitosa!

De qualquer forma, ainda estou tentando me acostumar à parte em que me apaixonei pelo mocinho quase-podre!

“Usei um pouco da minha voz de ‘zumbi apavorante’, com um ligeiro toque de morte-bate-à-porta. Foi o suficiente para que ele me levasse a sério.” Pág. 104

E depois dizem que sutileza é tudo! Gosto da natureza eficiente de Bram, que pode ser fruto da vida militar, mas que o ajuda a ser um bom líder e até lidar com Nora quando está sendo chata de propósito (ela consegue ser muito chata quando quer). A garota pode ser bastante impetuosa, mas é uma boa pessoa, e se esforça do seu jeito para conquistar o Bram.

Mas não se preocupe, pessoa-que-não-está-nem-ai-pro-romance, essa foi só a parte eu mais gostei. Dearly, Departed tem muita ação, aventura e várias situações… tensas. Estou contando os dias para 25 de Setembro, quando Dearly, Beloved será lançado lá fora e poderemos saber o que vai acontecer depois do… bem, do que aconteceu no final!

xoxo e boa semana!

BTW, uma trilha sonora? Flogging Molly!

Posso sugerir outra? Dropkick Murphys – Johnny, I Hardly Knew Ya

xoxo e boa semana!