Almanova – Jodi Meadows

AlmaNova

  •    Autor: Jodi Meadows
  •    Editora: Valentina
  •    Nº de Páginas: 288
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: Incarnate
  •    Tradutor: Ana Resende

   Avaliação: 7,5

Ana é nova. Por milhares de anos, no Range, milhares de almas vêm reencarnando, num ciclo infinito, para preservar memórias e experiências de vidas passadas. Entretanto, quando Ana nasceu, outra alma simplesmente desapareceu… e ninguém sabe por quê.
SEM-ALMA 
A própria mãe de Ana pensa que a filha é uma sem-alma, um aviso de que o pior está a caminho, por isso decidiu afastá-la da sociedade. Para fugir deste terrível isolamento e descobrir se ela mesma reencarnará, Ana viaja para a cidade de Heart, mas os cidadãos de lá temem sua presença. Então, quando dragões e sílfides resolvem atacar a cidade, a culpa deverá recair sobre Ana? 
HEART
Sam acredita que a alma nova de Ana é boa e valiosa. Ele, então, decide defendê-la, e um sentimento parece que vai explodir. Mas será que poderá amar alguém que viverá apenas uma vez? E será também que os inimigos – humanos ou nem tanto — de Ana os deixarão viver essa paixão em paz?
Ana precisa desvendar grandes segredos: O que provocou tal erro? Por que ela recebeu a alma de outra pessoa? Poderá essa busca abalar a paz em Heart e acabar por destruir a certeza da reencarnação para todos?

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Quero começar dizendo que achei essa história super original, não me lembro de ter lido nada parecido com essa premissa de almas em “looping”, ainda por cima, almas que levam as lembranças de uma vida a outra! Fiquei realmente intrigada com o que poderia causar isso e esse mistério me levou por toda a narrativa.

Ana com certeza é especial, um caso a ser estudado, como a única nova alma a encarnar em mais de 3 mil anos, só que ela não é muito popular. Ela saiu/foi expulsa de casa, logo que completou 18 anos, com um objetivo: descobrir por que era uma Almanova. Ou uma Semalma, como a mamãe megera carinhosamente a apelidou. Ela acaba na cidade das almas, Heart, um lugar muito antigo e com uma história com muitas versões, mas ainda assim incompleta. E mais, a cidade é viva.

As paredes brancas originais de suas construções, os muros de fortaleza que a cercam e uma grande torre central sem portas ou janelas, tudo isso literalmente pulsa com uma energia sinistra que parece incomodar só a Ana e ninguém mais. Vai me dizer que isso não é assustador? Essa parte já seria suficiente pra ganhar meu amor pela história, sem contar as criaturas mitológicas um pouco diferentes do que estamos acostumados…

… mas não pude lidar com os personagens.

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Por mais que todo o mundo esquisito, sílfides de FOGO, dragões (sim, dragões!) e rocas (que vim a descobrir serem pássaros gigantes da mitologia persa) terem me fascinado, eu não consegui engolir Ana, a mocinha e Sam, o ancião.

Sam me lembrou um pouco Wanda, de The Host. Alguém que teve a oportunidade de experimentar a vida de várias formas diferentes e prestou atenção a isso, absorveu as mudanças. Super legal e talz.

Ana, por outro lado, é a vitima. Ok, eu sei que ela é nova e deve ser bem difícil ter 18 anos quando todo mundo tem três milênios, mas ela reclama DEMAIS! Como essa menina gosta de uma sofrência! E se lembram que eu falei que ela saiu de casa pra descobrir a verdade sobre si mesma? Pois é, ela meio que faz tudo, menos isso. Ana se pendura em outras almas gentis, amigas de Sam, e resolve aprender suas habilidades com eles. Mas, principalmente, ela desenvolve uma relação bizarra de aprendiz com seu compositor favorito (sim, ele mesmo, o Sam).

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Diferente de muitos romances onde o cara tem centenas de anos, mas age como qualquer outro adolescente, a relação de Ana e Sam não demonstra isso. Ele fala como alguém que viveu muitas vidas (pelo menos como eu acho que alguém assim falaria), e ela demonstra a falta de experiência tanto em atos quanto em pensamentos.

Eu odiei esse par romântico. É esquisito. Pronto,  falei.

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Eu sei que ela tem 18, é maior de idade em muitos países, mas ele tem 3000 (três freaking mil!) e ‘adotou’ ela, por assim dizer, prometendo cuidar dela e ajudá-la a se tornar uma cidadã efetiva de Heart. É o professor com a aluna! Ninguém mais vê algo errado nisso?

Imagino que essa minha opinião não é muito popular, e a maioria das pessoas fica feliz por engolir qualquer par romântico que os autores queiram empurrar pra gente, inclusive eu super AMEI Crepúsculo quando eu li pela primeira vez ( *** anos atrás). Mas eu não comprei essa.

Gostaria de mais foco no verdadeiro mistério, mais enfase nos dragões (repito, dragões!) e menos estardalhaço em volta de um casal no mínimo anti-ético. Sei que cheguei atrasada nesse livro, mas se algum de vocês ainda não teve essa experiência, pense duas vezes.

xoxo

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A Madness So Discreet (Uma Loucura Discreta) – Mindy McGinnis

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  •    Autor: Mindy McGinnis
  •    Editora: Katerine Tengen Books
  •    Nº de Páginas: 384
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2015
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 7,0

Boston, 1890. Asilo Psiquiátrico Wayburne. Grace Mae vive um pesadelo: forçada a passar seus dias reclusa num manicômio, em meio a insanos de todo tipo, sobressaltada por gritos de horror a cada noite.
Grace não é louca. Apenas não consegue esquecer os terríveis segredos de família. Terríveis o suficiente para calar sua voz – jamais ouvida por ninguém, a não ser ela mesma, dentro de sua mente brilhante.
Mas, quando uma crise emocional violenta traz sua voz à tona, Grace é confinada em um porão escuro. É nesse momento em que ela conhece o dr. Thornhollow, um estudioso de psicologia criminal. Dona de um olhar aguçado e de uma memória prodigiosa, Grace passa a auxiliar o médico em investigações.
Ambos escapam para uma instituição mais segura em Ohio, em busca de amizade e esperança. Mas a tranquilidade dura pouco: surge um assassino em série que ataca brutalmente jovens mulheres.
Grace seguirá no encalço do criminoso, mesmo tendo de enfrentar seus próprios fantasmas.
Em Uma Loucura Discreta, Mindy McGinnis explora com maestria narrativa a tênue linha entre sanidade e loucura, revelando o lado obscuro que existe em todos nós.

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Bem, isso foi constrangedor.

Fui atrás desse livro igual uma louca, eu precisava de uma história sombria, densa sobre insanidade e pela sinopse AMSD era tudo o que eu queria!

E o livro realmente começou assim. Grace estava presa num asilo, um manicômio horrível, e aquilo não era pouca coisa. Imagine o séc. XIX do ponto de vista da medicina, as coisas eram precárias, não? Agora pensa como eram os manicômios! As pessoas deixaram de pensar que a demência era obra do capeta somente para tratar os pacientes da ala psiquiatra como animais raivosos, sem o mínimo de compreensão e os sujeitando às piores humilhações. Ainda por cima Grace estava grávida.

Ela foi despachada pela própria família, que não poderia ter uma gravidez fora do casamento manchando a campanha do dono pai de Grace.

Então, obviamente, vamos ficando agoniados com o estado da moça. Mencionei que ela passou por um trauma medonho antes de ir para o hospício? Mas isso só é revelado mais para o meio do livro e vocês ainda tem muitas suposições a fazer sobre o que realmente aconteceu.

Eu estava muito otimista com o sofrimento de nossa protagonista (sou uma pessoa horrível, eu sei). Tudo estava indo de mal a pior na vida dela e coisas inomináveis eram feitas aos pacientes… até que passou.

A história foi de um thriller sombrio e angustiante para uma história de detetive água com açúcar, que nem tinha casos bons para serem resolvidos!

WTF?

Sério, estava tudo ótimo! A Grace estava traumatizada e maltratada, a moça não falava uma palavra e flashs do que tinha acontecido a atormentavam noite após noite. Até que ela virou ajudante de detetive com sua memória fotográfica super ph*da.

Não estou reclamando da histórias de detetive, mas nesse caso ficou demais ERA UMA COISA OU OUTRA MINDY! GRRRRR!

Amei a forma como a autora conseguia passar os sentimentos de Grace de forma fluída e implícita. Ela era sutil e por vezes tive que parar e respirar, porque as coisas que aconteceram com essa garota eram demais para a mente humana programada no modo normal. A visão do que realmente é a humanidade também foi colocada de forma crua, com sua hipocrisia tão revoltante quanto jamais foi. Mas essa quebra de ritmo me matou um pouquinho e, sinceramente, esperava um final impactante. Não aconteceu, apesar de tudo indicar um gran finale e fiquei chupando o dedo, awkward.

Alguém tem um livro realmente dark pra me indicar?

O Despertar do Príncipe – Colleen Houck

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  •    Autor: Colleen Houck
  •    Editora: Arqueiro
  •    Nº de Páginas: 384
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2015
  •    Título Original: Reawakened
  •    Tradutor: Ana Resende

   Avaliação: 5,5

O despertar do príncipe é o primeiro volume da aguardada série Deuses do Egito, uma aventura fascinante que vai nos transportar para cenários extraordinários e nos apresentar a criaturas fantásticas da rica mitologia egípcia. Colleen Houck é autora de A maldição do tigre, série que já vendeu mais de 500 mil exemplares no Brasil. “Os fãs de Rick Riordan vão se divertir com esta fantasia. Uma narrativa incrivelmente bem pesquisada com um ar de mistério e romance.” — School Library Journal Aos 17 anos, Lilliana Young tem uma vida aparentemente invejável. Ela mora em um luxuoso hotel de Nova York com os pais ricos e bem-sucedidos, só usa roupas de grife, recebe uma generosa mesada e tem liberdade para explorar a cidade. Mas para isso ela precisa seguir algumas regras: só tirar notas altas no colégio, apresentar-se adequadamente nas festas com os pais e fazer amizade apenas com quem eles aprovarem. Um dia, na seção egípcia do Metropolitan Museum of Art, Lily está pensando numa maneira de convencer os pais a deixá-la escolher a própria carreira, quando uma figura espantosa cruza o seu caminho: uma múmia — na verdade, um príncipe egípcio com poderes divinos que acaba de despertar de um sono de mil anos. A partir daí, a vida solitária e super-regrada de Lily sofre uma reviravolta. Uma força irresistível a leva a seguir o príncipe Amon até o lendário Vale dos Reis, no Egito, em busca dos outros dois irmãos adormecidos, numa luta contra o tempo para realizar a cerimônia que é a última esperança para salvar a humanidade do maligno deus Seth. Em O despertar do príncipe, Colleen Houck apresenta uma narrativa inteligente, cheia de humor e ironia.

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Blogueira, segura na mão de Rá e vai.

 

Dai você lê essa sinopse e pensa “ok, múmias, coisas podres que morreram faz muito tempo, não dá pra encarar uma dessas, certo? O Amon deve ser assim:”

Aaaargh

Errado. Conheça Amon:

O prazer é todo seu

 

Pode ficar a vontade para imaginar que ele é a versão egípcia do Ren, de A Maldição do Tigre, porque, sinceramente, não vejo a menor diferença entre eles a não ser a origem geográfica e o objetivo de vida/morte/vida ligeiramente mais grandioso.

Não posso negar que em determinado momento fiquei completamente hipnotizada pelo livro, sério, fiquei achando tudo lindo e maravilhoso! Então terminei de ler e percebi que, conforme ia repassando a história na minha cabeça, a coisa foi ficando simplesmente ABSURDA (e não no bom sentido). Aliás, cada vez que penso nisso diminuo um ponto na nota do livro.

Mas primeiro quero falar da minha antipatia pela Colleen. Ou melhor, pelas mocinhas da Colleen.

Se já não me bastasse a Kels louca varrida que simplesmente vai pra India com um cara que ela não conhece, agora temos Lilliana Young.

“Embora eu fosse muito exigente, usasse só roupas de grife e o valor da minha mesada fosse maior do que tudo que a maioria das pessoas na minha idade ganhava em um ano, eu estava longe de ser esnobe.”

Sério, como? COMO a pessoa tem coragem de dizer que não é esnobe depois de JOGAR NA SUA CARA LITERÁRIA tudo isso? #bitchplease

E não é só apenas isso! A primeira coisa que o Amon faz com ela é lançar um feitiço PARASITA que suga a energia da menina para mantê-lo vivo.  Eu mataria o cara, vocês não? Quero dizer, ele está drenando. a. minha. energia. Mas Lily está de boa na lagoa com tudo isso… Tipo “Shit happens, por que não ir para o Egito com o deus-múmia-parasita? Ele realmente precisa de mim…”

E é claro que ela se apaixona perdidamente por ele, até eu fiquei babando. Ele é um deus lindo, todo poderoso e com uma conversinha pra boi dormir que derrete qualquer mortal. Só tem aquele detalhezinho de nada, aquela letrinha miúda no fim do contrato: ELE ESTÁ SUGANDO A ENERGIA DELA!

Não é legal cara, não é legal!

Acho que é com isso que eu não me conformo, a facilidade com que essa relação “síndrome de estolcomo-esqua” se desenvolveu. Faltou um pouco mais de raiva, indignação e revolta da parte lesada pra deixar tudo mais natural. Ou tão natural quanto encontrar uma múmia que volta a cada mil anos para salvar o universo possa ser.

Okay, vou deixar esse tópico descansar um pouco. Vamos falar de como a Colleen faz a lição de casa dela. Em a Maldição do Tigre a ambientação foi fantástica, pra dizer o mínimo. Ela pesquisou bastante sobre o local e conseguiu, mesmo sem ter ido pra lá (agora ela é ryca e pode) nos trouxe a Índia. Senti a mesma coisa em relação ao Egito moderno nesse livro e gostei das referencias aos mitos do Egito antigo. Algumas pessoas disseram que esse é um livro racista, mas sinceramente não achei. Estranharia se ela colocasse todo mundo andando de saiote e delineador diva pelas ruas do Cairo de hoje, mas não foi o caso. Um príncipe ter olhos verdes, característica que aparentemente é proibida pela genética egípcia, gera um ataque de pelancas por ai….

Apesar do romance e a tensão entre Lily e Amon ofuscarem muitas coisas no livro, por exemplo a mitologia, a missão em si foi bem interessante. Deixou um gancho matador no final e muitas teorias a respeito do que a Lily pode fazer pra deixar de ser tão chata. Se você amou a Saga do Tigre, ponha um saiotinho plissado e se joga. Se odiou, assista A Múmia (1999) que você ganha mais. Eu estarei aqui esperando pela continuação porque, apesar de tudo, ainda estou ligada a esses dois e preciso saber o que vai acontecer.

xoxo

Blogueira fazendo a egipcia glam

 

 

 

Ligeiramente Casados – Mary Balogh

Ligeiramente-Casados

  •    Autor: Mary Balogh
  •    Editora: Arqueiro
  •    Nº de Páginas: 288
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2014
  •    Título Original: Slightly Married
  •    Tradutor: Ana Rodrigues

   Avaliação: 7,5

 

À beira da morte, o capitão Percival Morris fez um último pedido a seu oficial superior: que ele levasse a notícia de seu falecimento a sua irmã e que a protegesse “Custe o que custar!”. Quando o honrado coronel lorde Aidan Bedwyn chega ao Solar Ringwood para cumprir sua promessa, encontra uma propriedade próspera, administrada por Eve, uma jovem generosa e independente que não quer a proteção de homem nenhum.
Porém Aidan descobre que, por causa da morte prematura do irmão, Eve perderá sua fortuna e será despejada, junto com todas as pessoas que dependem dela… a menos que cumpra uma condição deixada no testamento do pai: casar-se antes do primeiro aniversário da morte dele o que acontecerá em quatro dias.
Fiel à sua promessa, o lorde propõe um casamento de conveniência para que a jovem mantenha sua herança. Após a cerimônia, ela poderá voltar para sua vida no campo e ele, para sua carreira militar.
Só que o duque de Bewcastle, irmão mais velho do coronel, descobre que Aidan se casou e exige que a nova Bedwyn seja devidamente apresentada à rainha. Então os poucos dias em que ficariam juntos se transformam em semanas, até que eles começam a imaginar como seria não estarem apenas ligeiramente casados…
Neste primeiro livro da série Os Bedwyns, Mary Balogh nos apresenta à família que conhece o luxo e o poder tão bem quanto a paixão e a ousadia. São três irmãos e três irmãs que, em busca do amor, beiram o escândalo e seduzem a cada página.

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Atire a primeira brochura aquele que nunca leu um romance de banca e ficou no mínimo mais cor de rosa!

Nem Garth Nix, aquele deuso autor de Sabriel e outras obras de arte fica indiferente, como observado nesse post (in english) do EpicReads!

Eu sei, eu sei, Ligeiramente Casados não é lá essas coisas em termos de originalidade, ou de surpresas no enredo. Quero dizer, a gente sabe exatamente o que vai acontecer, podemos pelo menos imaginar como vai acontecer e ainda assim vamos torcer.

Torcer mesmo, e vibrar quando a mocinha faz alguma coisa muito legal ou quando o mocinho a livra de uma roubada. Feminazis de plantão, é sempre bom ter alguém com quem podemos contar e dividir o fardo, se esse alguém vem alto e musculoso e com um rosto feito uma escultura grega, quem somos nós pra reclamar?!

Não estou defendendo mocinhas frufruzentas que precisam de ajuda até para escolher o sabor de chá que vão tomar, vocês sabem o quanto eu AMO uma mocinha codependente (emocional ou fisicamente) #sqn, mas acontece que, pelo menos nos livros do gênero que eu li, não é esse o caso.

Agora chega de parecer que estou me justificando, vamos a Ligeiramente Casados, ou no título original: Arrumando Desculpas Para Algo Que Eu Queria Muito.

Obviamente a opção mais longa não faria tanto sucesso no meio dos outros romances de época, então optaram por uma coisa uma pouco mais sucinta e objetiva. Aliás, de objetivo já basta o coronel Bedwyn, o contraponto perfeito da super sonhadora e irritantemente bondosa Eve. Aliás Adam e Eve, sacaram??

Ela é daquelas que não pode ver ninguém passando necessidade que dá um jeito de ajudar ou faz o possível e impossível para acabar com alguma injustiça.

(bichos cheios de carrapatos e piolhos, certeza)

O tipo de personagem moralmente perfeito, mas com um mínimo defeitozinho: Ela acha que um tal de John vai voltar. Sério, como? Quero dizer, nessa época todos os homens (incluindo seu irmão) estão fora na guerra mas não John, ele foi ver como estavam as coisas lá na Rússia e deixou a menina rica, porém de origens humildes, somente com uma promessa. Super confiável, não é?

Pelo menos temos Adam Bedwyn para nos apoiar. O moço é uma rocha e nada, nem um leve desejo de se casar com uma filha de militar poderá afastá-lo do dever de manter sua palavra para Percival, o irmão de Eve.

A forma como eles decidem que casar é a única alternativa e a narrativa até o casamento propriamente dito são deliciosas. Porém quando Eve é apresentada ao restante dos Bedwyn, ou melhor dizendo, é atirada no covil dos leões é que vemos do que  moça é feita.

De cara pensei “Nossa, é agora que ela será moída viva pelos irmãos descompensados, saídos diretamente de algum livro sombrio de fantasia, e o único que poderá detê-los será Adam.”

Bem, as coisas não foram exatamente assim…

Ligeiramente Casados foi exatamente aquilo que eu esperava, uma leitura rápida e segura, feita especialmente para me jogar de volta no ritmo e me deixar um livro mais próxima de completar a meta do ano! Se vocês gostam de um bom romance, não muito focado na ‘picancia’ ou coisas assim (sério, eu já não tenho mais paciência pra leituras hot hot hot), deem uma chance à sra. Balogh e seus casais gostosíssimos, sem medo de serem felizes.

Que mal há se as coisas boas da vida vierem embrulhadas em muito romance?

 

 

Trono de Vidro – Sarah J. Maas

Trono de vidro

  •    Autor: Sarah J. Maas
  •    Editora: Record
  •    Nº de Páginas: 392
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: Throne of Glass
  •    Tradutor: Bruno Galiza

   Avaliação: 7,5

Depois de cumprir um ano de trabalhos forçados nas minas de sal de Endovier por seus crimes, Celaena Sardothien, 18 anos, é arrastada diante do príncipe. Príncipe Dorian lhe oferece a liberdade sob uma condição: ela deve atuar como seu campeão em um concurso para encontrar o novo assassino real. Seus adversários são ladrões e assassinos, guerreiros de todo o império, cada um patrocinado por um membro do conselho do rei. Se ela vencer seus adversários em uma série de etapas eliminatórias servirá no reino durante três anos e em seguida terá sua liberdade concedida.
Celaena acha suas sessões de treinamento com o capitão da guarda Westfall desafiadoras e exaustivas. Mas ela está entediada com a vida da corte. As coisas ficam um pouco mais interessantes quando o príncipe começa a mostrar interesse por ela… Mas é o rude capitão Westfall que parece entendê-la melhor.
Então um dos outros concorrentes aparece morto rapidamente seguido por outros… Pode Celaena descobrir quem é o assassino antes que ela se torne a nova vítima? A medida que a investigação da jovem assassina se desenrola a busca por respostas a leva descobrir um destino maior do que ela jamais poderia ter imaginado.

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Aquele momento constrangedor que você percebe que nunca resenhou nenhum livro de uma das suas séries favoritas.

Bora, espremer cada gota de memória dessa leitura de 2, eu disse DOIS, anos atrás?

Não é novidade para ninguém que sou louca pela série Trono de Vidro e às vezes sou acometida de uma vontade imensa de reler esse livro, dar uma segunda chance como fiz com Sombra e Ossos, mas daí lembro da quantidade de livros não lidos na minha estante e desisto.

O engraçado é que o primeiro volume é o que menos gostei e quase, quase mesmo, parei por aí achando sem gracinha. No Skoob cheguei a dar 4 estrelas, choradas, mais por consideração que qualquer coisa. Eu admito, tinha uma expectativa insana em relação a essa estória. Quero dizer, vocês leram a sinopse????? Como poderia dar errado com uma sinopse dessas?

Acontece que a Celaena aqui é  chata, chata e chata. Leva tempo e empenho pra gostar dela. Ela é arrogante, mega confiante e meio egoísta, mas e ai? Quem é perfeito? A verdade é que foi exatamente essa postura de patricinha mimada que tirou um pouco do brilho pra mim. Eu esperava mais disso:

E acabei tendo muito disso:

Ao menos na maior parte do livro…

Mas daí temos rompantes de ‘maravilhosidade’ que nos dão esperanças de um mundo melhor, como frases assim:

“Eu posso sobreviver muito bem sozinha—se me fornecerem o material de leitura adequado.”

Ou atitudes de tirar o fôlego, que mostram que há de fato, uma profundidade velada nessa menina.

Além da tensão da competição, que Celaena parece driblar muito bem ARRUMANDO PRA CABEÇA DELA e de Chaol, temos dicas de como foi seu passado glorioso, antes de parar nas minas de sal. Bem, falando em arrumar pra cabeça, posso estar sendo injusta aqui. Ela não foi propriamente atrás de novos problemas, mas também não lutou muito pra se desvencilhar, se é que me entendem.

Daí é numa dessas que a moça arrasta Chaol, o Capitão da Guarda e dono de meu coração e Dorian, que poderia muito bem protagonizar O Retrato de Dorian Gray de tão bonito que esse Príncipe é. Eles ficam meio que hipnotizados pelos dotes da moça, depois dela tomar um bom banho e pentear o cabelo, e fácil imaginar que agora apoiarão muito uns aos outros.

Vale lembrar que a relação de Chaol e Dorian é linda, esses dois tem uma lealdade e um entendimento mútuo que só quem vive solto, porém preso a um grande fardo, sabe dividir.

Seria mais ou menos a relação de Celaena com Nehemia, uma amizade incrível e linda, se não fosse o mistério e todas as surpresas que a estrangeira guarda na manga. Nehemia é, sem sombra de dúvidas, minha personagem preferida.

Algo inusitado, e que eu gosto muito, na escrita de Sarah é que ela não se prende à personagem principal. Ela cria várias histórias paralelas e vai entrelaçando tudo de uma forma magnífica e nem um pouco cansativa, pra mim uma prova da criatividade doida dessa mulher!

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Como se a enxurrada de nomes exóticos não fosse o suficiente, né, mas deixa pra lá.

Essa foi a estreia de Sarah J. Maas, e chegou chamando muita atenção. A questão é que mesmo tendo falhas e ficar devendo nas minhas expectativas altíssimas, assim que soube do lançamento de Coroa da Meia-Noite instantaneamente precisei desse livro! E não me arrependi.

Aliás, fica até estranho eu reclamar tanto da Celaena aqui e construir um verdadeiro altar de adoração pra ela no próximo livro. (Se alguém se interessar, temos celebrações todas as sextas.) Então, se você ainda não leu Trono de Vidro, leia! Se já e amou, ótimo! Se já leu e ficou como eu, corra e garanta seu Coroa da Meia-Noite, você não sabe o que está perdendo!

xoxo e boa semana curtinha

Almakia, A Vilash e os Dragões – Lhaisa Andria

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  •    Autor: Lhaisa Andria
  •    Editora: MODO
  •    Nº de Páginas: 364
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 6,5

Em um mundo onde existem pessoas com capacidades extraordinárias, vivendo em uma sociedade abastada e preconceituosa, desde pequena Garo-lin foi uma garota deslocada: uma vilashi frequentando o exclusivo Instituto de Almaki Dul’Maojin.
Mesmo sendo tratada como uma simples e inevitável pedra no caminho dos orgulhosos almakins, engole todo o seu senso de justiça e tem por único objetivo terminar sua educação e voltar à sua vila. Porém, devido a um incidente ela se vê presa pelas circunstâncias, e dali em diante, todo o seu destino está nas mãos dos temidos Dragões de Almakia.

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Falar de Almakia – A Vilash e os Dragões traz um misto de emoções que é difícil de explicar. Por um lado temos uma história que, sem desculpa nenhuma, é ma-ra-vi-lho-sa e por outro temos uma revisão… inexistente.

Deixe-me recomeçar uma ladainha antiga: eu, Desirée Gusson, vou me interessar e possivelmente amar todos os livros de fantasia com mocinhas phodas, escritos por meninas, sempre! Juntando isso ao fato de ser nacional, quase chorei de alegria. Fiquei tão empolgada que, quando vi o e-book em promoção comprei o primeiro EEE o segundo.

E não me decepcionei, em parte.

Primeiramente, e é muito importante avisar, não, não temos dragões de verdade (literariamente falando, ok?) nesse livro. Dragão é um título para jovens herdeiros de famílias poderosas que inevitavelmente controlam a vida em Almakia. Também pode ser sinônimo de gente arrogante e mesquinha que sabe que tem poder e gosta de jogar ele na sua cara. Seu vilash!

Vilash também é um termo inédito, mas que agora uso no meu dia-a-dia pra ser sincera. Substituiu o Daliti pra mim. São mil palavras novas diferentes e realmente me fez falta de uma explicação maior para seus significados, tipo um dicionário no final do livro, pra consulta… nerds nerdeiarão com essas coisas.

Senti que algumas informações ficaram desconexas no meio da história, porém nada que atrapalhasse o andamento da leitura. Garo-lin é, sem dúvidas, uma ótima protagonista. Teimosa e opiniosa ela até tenta se manter longe do caminho dos Dragões, mas quando as coisas apertam ela mostra quem é de verdade. Do outro lado do ringue temos Krission, o absoluto (e meio disléxico) Dragão do Fogo. Irritante, soberbo, cruel, tudo que nossa protagonista não é (tirando a parte do irritante, isso ela sabe ser quando quer). Eu queria pegar um travesseiro e sufocar ele até a morte enquanto dormia, só um pouquinho!

Como você não é assassinado toda hora?

Apesar desse comportamento elitista ao extremo a relação que Garo desenvolve com os Dragões vira uma coisa tão especial que esqueci meu instinto assassino, e simplesmente aproveitei o que estava por vir. Lhaisa, sua linda de nome lindo!

Não sei se peguei a primeira edição ou o que, os erros de revisão que encontrei me perturbaram um bocado, e por isso a nota baixa. Mas como toda história que fica impregnada na nossa cabeça não dá pra não ter um carinho enorme por Almakia. Quero voltar logo pra esse mundo mágico e ver o que acontece agora que o bicho pegou de vez pro lado da Garo. Ainda bem que já tinha comprado o segundo e agora posso devorar esse também. Espero que as coisas tenham melhorado, mas, acima de tudo, espero reencontrar Garo-lin e os Dragões logo!

Xoxo e bom meio de semana!

Snow Like Ashes (Neve e Cinzas) – Sara Raasch

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  •    Autor: Sara Raasch
  •    Editora: Balzer + Bray
  •    Nº de Páginas: 422
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2014
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 8,0

Uma menina com o coração partido. Uma guerreira feroz. Uma heroína em crescimento.
Dezesseis anos atrás, o Reino de Inverno foi conquistada e os seus cidadãos escravizados, deixando-os sem magia ou um monarca. Agora a única esperança dos Invernianos pela liberdade são oito sobreviventes que conseguiram escapar e que, desde então, estão a espera pela oportunidade de roubar de volta a magia de Inverno e reconstruir seu reino .
Órfão ainda criança durante a derrota de Inverno, Meira viveu toda a sua vida como uma refugiada, criada pelo general Inverniano, Sir. Secretamente treinando para ser uma guerreira e perdidamente apaixonada por seu melhor amigo, o futuro rei de Inverno, Mather, ela faria qualquer coisa para ajudar-lo a recuperar a fonte de magia e subir ao poder novamente.
Então, quando batedores descobrem a localização do medalhão antigo que pode restaurar a magia do Inverno, Meira decide ir atrás ela mesma. Finalmente, ela está escalando torres e lutando contra soldados inimigos, assim como ela sempre sonhou que faria. Mas a missão não sai como planejado, e Meira logo encontra-se empurrada para um mundo de magia negra e perigosa política, quando finalmente percebe que seu destino não é, e nunca foi, dela própria.
Fantasia de estréia de Sara Raasch, é um conto vertiginoso sobre lealdade, amor, e encontrar o próprio destino. (Tradução livre, leve e solta)

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É difícil me surpreender com um livro depois de um começo previsível, vocês também tem essa sensação? A estória começa tão morna, sem uma ambientação forte, focando só num personagem que é, sem querer desmerecer ninguém, igual a um monte de outros que você pensa se foi uma boa ideia mesmo ter escolhido aquele livro.

Foi bem assim que começou meu relacionamento com Snow Like Ashes. Nas primeiras 80 páginas eu não conseguia prestar atenção, até bula de remédio parecia mais interessante e as repetições de palavras que a autora tanto fez estavam me dando nos nervos. Sem contar que a mitologia/realidade são bem únicas e só aconteceram tentativas de esclarecer as coisas. A impressão que tenho é que o manuscrito não passou por uma revisão homogênea, que a autora escreveu e revisou tudo em épocas diferentes na sua vida e o responsável pela revisão, pelo menos na primeira parte está de parabéns, sqn.

Mas daí baixou o Ezio Auditore na Meira e ela começou a pular e fazer acrobacias e atirar um chakran, tipo a Xena mesmo, louca da vida.

Como não prestar atenção depois disso?

Como num passe de mágica a estória sofreu uma reviravolta e entrou em pleno galope! Tudo o que podia acontecer aconteceu e eu fiquei com o coração na boca várias vezes xingando, chorando, amando os personagens.

O ponto central na trama é a perda de Inverno, um reino antigamente governado por uma rainha justa com poderes mágicos, para Primavera, liderada por um rei podre de ruim… e também com poderes mágicos. O que mais me marcou durante a leitura foi a abordagem do sentimento dos Invernianos sobreviventes, que tiveram suas casas e suas vidas arrancadas sem esperanças deixadas em troca. Foi muito real, muito visceral, dificilmente conseguimos ter essa visão tão clara do que é perder a pátria e a identidade, apesar de acontecer relativamente bastante na literatura fantástica. Vamos usar meu exemplo preferido de todos os tempos, os anões de Thorin Escudo de Carvalho sendo exilados da Montanha.

 

Gostei muito dos personagens, a forma como foram construídos. Principalmente a Meira e a forma como ela encara a vida nada pouco fácil que leva. Você esperaria que a menina órfã que nunca conheceu seu reino, é caçada desde a infância, perde amigos igualmente sofredores como quem perde elásticos de cabelo e que ainda por cima é apaixonada pelo próprio rei, que é tipo, o cara mais inaccessível do planeta fique assim, não é?

Mas ela fica assim:

E dá uma verdadeira banana pra qualquer um que queira dizer o que ela pode ou não fazer. Gosto muito disso pois cada vez mais vejo mocinhas que simplesmente seguem no mantra Ó Céus, Ó Vida, reclamando que tudo que acontece em suas vidas e não fazendo ABSOLUTAMENTE NA-DA para mudar isso. Particularmente acho que mau gosto e um péssimo exemplo.

Depois de um começo om uma escrita infantil, cheia de palavras repetidas que me matam um pouco por dentro, esse livro teve uma densidade tão inesperada da metade pro fim, eu senti tanto o que estava acontecendo com a vida da Meira e de todos os Invernianos que fiquei surpresa, maravilhada e precisando da continuação em minha vida. Recomendo fortemente Snow Like Ashes pra quem gosta de fantasia bem feita e de reviravoltas surpreendentes!

 

xoxo e bom meio de semana!

Grave Mercy (Perdão Mortal) – Robin LaFevers

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  •    Autor: Robin LaFevers
  •    Editora: Houghton Mifflin
  •    Nº de Páginas: 549
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 8,0

Por que ser a ovelha, quando você pode ser o lobo?

Aos dezessete anos de idade Ismae escapa a brutalidade de um casamento arranjado para o santuário do convento de St Mortain, onde as irmãs ainda servem aos deuses antigos. Aqui, ela descobre que o próprio Deus da Morte a abençoou com dons perigosos — e um destino violento. Se ela decidir ficar no convento, ela será treinada como uma assassina e serva da Morte. Para reivindicar sua nova vida, ela tem de destruir a vida dos outros.

A mais importante tarefa do Ismae a leva direto para a alta corte da Bretanha — onde ela encontra-se lamentavelmente despreparada — não só para os jogos mortais de intriga e traição, mas também para as escolhas impossíveis que ela deve fazer. Pois como ela poderia lançar a vingança da morte sobre alvo que, contra  vontade, roubou o seu coração? – Tradução livre leve e solta

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 Estatisticamente falando, quantas adolescentes brutalizadas durante a infância, vendidas a um noivo horrível e quase, mas quase mesmo, estupradas pelo dito marido sobrevivem para se tornar uma  coisa extraordinária?

Algumas? Poucas? Quase nenhuma? E por favor note que disse coisa, não pessoa. Ismae pode ser considerada sortuda, porque ela agora é a mais nova Filha do Deus da Morte!

Como uma garota que passou um tempo maior do que o considerado saudável estudando idade média e renascença e, infelizmente, exposta a muitos comportamentos machistas, sinto um prazer imenso quando leio sobre uma personagem feminina que causa medo nos personagens masculinos só por dizer quem é ou de onde veio. Só não contem pra ninguém isso, tá bom?

Claro que o medinho básico que as mulheres do convento St. Mortain inspiram não é totalmente injustificado. Lá elas aprendem como matar, fazer venenos, matar, costurar, matar, se vestir, matar, história geral, matar, manejo de espadas, matar, manejo de armas pesadas, matar, seduzir, matar, seduzir mais um pouco e matar de forma rápida e criativa.

Mesmo me mantendo colada nas páginas do começo o fim, Grave Mercy tem algumas falhas que causaram sentimentos conflitantes. Ainda assim, sei exatamente para quem indicar esse livro -na verdade stalkeei muita gente no Skoob depois, querendo alguém pra conversar!- então, se você gosta de idade média obviamente, jogos de intriga, um mistério, pessoas tentando andar fora do radar, os livros da Juliet Marilier, Leigh Bardugo, Licia Troisi e romance, esse aqui é pra você!

Ainda que haja vários personagens ambíguos no livro, o destaque realmente vai para Ismae, qual é, vocês sabem que um secundário pode roubar a cena! Ismae foi a principal responsável por todos os sentimentos conflitantes que tive, porque ela pode ser phodona e muito incrível ao mesmo tempo que me dá vontade de amarrá-la dentro de um saco e jogar num rio de piranhas. Foi meio difícil de engolir a moça como uma espiã sedutora competente se ela não tinha nenhuma noção de etiqueta da corte e voluntariamente  deixara de lado as lições sobre “artes femininas” que seriam bem úteis onde ela foi parar, o tempo todo ela se destacou, o que não funciona muito bem para uma espiã. Também a parte onde, de repente, ela não conseguia mais controlar todo o coração galopante, o frio na barria e o calor na… lá, toda vez que ficava perto demais de Duval. Controle-se mulher!

É constrangedor!

Não sei, isso vai de cada personalidade (sim, personagens tem personalidade e sentimentos reais) e eu esperava outra coisa, mas continuei meio apaixonada por ela. Amei suas decisões rápidas, seus crescimento ao longo do livro e sua tenacidade, que a fariam se pendurar numa janela para ouvir uma conversa secreta e sua capacidade de questionar mesmo através da fé. Fé em Duval, no convento, em seu santo e nos seus próprios instintos. Além de observações bem sagazes, tipo:

“Os homens são realmente tão idiotas que não podem resistir a duas esferas de carne?”

E seu cinto de utilidades! Ok, não exatamente um cinto, mas uma rede para cabelo com pérolas de veneno, um bracelete que pode ser usado como garrote, facas, facas e mais facas escondidas em todos os lugares e, meu preferido, um baú da morte. Contendo tudo o que o envenenador moderno poderia vir a precisar!

Não que os secundários não sejam dignos de nota. Gavriel Duval é um homem de honra, que serve sua meia-irmã,  a duquesa Anne que, na minha opinião é a segunda melhor personagem do livro! Ela não aparenta a idade que tem e se agarra as pouquíssimas pessoas que acha que pode confiar porque, literalmente, todo o resto pode estar tramando contra ela. Há outras pessoas que me deixaram apreensiva, não por atos declarados, mas por simplesmente parecerem que vão fazer alguma coisa para trair quem juraram proteger. Não vou dizer quem pois posso estar ou não certa a respeito delas e isso, vocês já sabem, seria um spoiler da idade das trevas.

Grave Mercy tem tudo para conquistar quem quer uma leitura agradável, com um pézinho no romance histórico alla Julia Quinn, sem abrir mão das intrigas e vontade de saber quem é o verdadeiro vilão. Esse era um livro que queria a muito tempo e não decepcionei por inteiro, apesar de achar que algumas partes poderiam ser melhores. Vou ficar triste de ter menos Ismae nas continuações Dark Triunph e Mortal Heart, as tenho certeza que vou achar outras heroínas pra amar.

xoxo e bom meio de semana!

A Filha do Louco – Megan Shepherd

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  •    Autor: Megtan Shepherd
  •    Editora: Novo Conceito
  •    Nº de Páginas: 416
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2014
  •    Título Original: The Madman’s Daughter
  •    Tradutor: Ivar Panazzolo

   Avaliação: 8,0

Juliet Moreau construiu sua vida em Londres trabalhando como arrumadeira – e tentando se esquecer do escândalo que arruinou sua reputação e a de sua mãe, afinal ninguém conseguira provar que seu pai, o Dr. Moreau, fora realmente o autor daquelas sinistras experiências envolvendo seres humanos e animais. De qualquer forma, seu pai e sua mãe estavam mortos agora, portanto, os boatos e as intrigas da sociedade londrina não poderiam mais afetá- la… Mas, então, ela descobre que o Dr. Moreau continua vivo, exilado em uma remota ilha tropical e, provavelmente, fazendo suas trágicas experiências. Acompanhada por Montgomery, o belo e jovem assistente do cirurgião, e Edward, um enigmático náufrago, Juliet viaja até a ilha para descobrir até onde são verdadeiras as acusações que apontam para sua família.

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Um grito doloroso rasgou a noite. O susto fez com que eu jogasse os lençóis para fora da cama, e eu senti o suor encharcando meu pescoço. Seria o cachorro? Eu não conhecia nenhuma criatura capaz de emitir um som tão inumano. Conforme os gritos se arrastaram, assombrando-me a cada respiração, minha mente começou a devanear entre lugares mais sombrios. Imaginando o que faria um animal gritar daquele jeito. […] Estava trabalhando em algo novo. Algo diferente.

A Filha do Louco tomou um rumo completamente inesperado para mim. Não tenho o costume de conferir resenhas antes de ler um livro justamente para entrar na história cega, sem influências além da sinopse, pronta para as minhas próprias conclusões. Talvez dessa vez eu devesse ter ‘pesquisado’ um pouco mais antes de me jogar, não porque a estória seja ruim, longe disso, mas fui achando que era Páscoa e só depois percebi que era Halloween, dá pra entender?

Não? Mea culpa. Vamos deixar em que A Filha do Louco não é só um livro de época com um toque obscuro. É de época sim, e obscuro, para dizer o mínimo, mas é muito mais que isso… não leitor, me recuso a dizer mais, você vai ter que passar pelo que passei se quiser saber do que estou falando. Confesso que estou um pouco dramática agora, acabei de assistir O Grande Gatsby, impossível não se afetar e escrever um pouco obsessivamente depois disso.

Não sei se foi uma combinação sábia

Vamos aos fatos sem spoilers malvados, eu odeio a Juliet. Poderia muito bem ter ficado sem ela o livro todo. Lembrando a personagem de Shakespeare que inspirou seu nome ela é daquelas meninas indefesas e chatinhas que passam tempo demais dizendo o contrário. Pra piorar, ela gosta de se vangloriar (pra ela mesma, veja se isso não é caso de psiquiatra) que é fria, mórbida e meio louca. Nesse ponto tenho que concordar com o pai dela, que é um personagem nojento, diga-se de passagem, quando ele diz que ela não passa de uma histérica.

Quero dizer, a menina VAI atrás do pai que ela sabe que que a abandonou e admite para si mesma que as acusações horrorosas contra ele podem ser verdade. Ela INSISTE para ser levada até onde ele está apesar de ser avisada que as coisas na ilha são meio diferentes e quando chega lá ela RECLAMA, tem ataque de pelancas quando descobre a verdade verdadeira, apesar de o tempo TODO dizer que ela mesma é doentia e fria demais. Bitch, você cansa minha beleza literária! Para mim Juliet achou que o papai ia largar as vivissecções para recuperar o tempo perdido com a filhinha (pra quem ele se lixava até então) e organizar o casamento do ano com Montgomery, afinal agora que ele faz parte da família, por que não estreitar um pouco mais esses laços, se é que você me entende.

Desculpe, mencionei que ela arruma tempo pro triangulo amoroso no meio de uma crise macabra na Ilha de Lost vitoriana? Pois é.

Ok, me recuperando do meu próprio ataque de pelancas, adorei ter uma história com terror numa ilha tropical. Quantas vezes vemos isso? Os escritores tendem a seguir pela névoa e gigantescas casas mal iluminadas, alguém ser constantemente ameaçado num paraíso dos trópicos de uma forma que deixa o leitor ansioso e sem respirar é bem diferente.

Os outros personagens, que na minha opinião poderiam ter trancado Juliet num baú, são ótimos. Principalmente Montgomery, Balthazar e Edward que me deixavam agitada cada vez que apareciam, inquieta, tentando descobrir o que havia por de trás de suas fachadas aparentemente simples. Já o Doutor Moreau me deixou dividida entre sair correndo, gritando, ou bater nele com uma vara, para continuar mantendo distância.

Estou até agora impressionada com o quanto gostei do livro, apesar do quanto desgostei da personagem principal. Não sosseguei até saber o que estava acontecendo, foi simplesmente viciante acompanhar toda a ação da ilha e perceber que, com o passar do tempo, Juliet começa a se referir à ilha como uma pessoa, como se ela houvesse de alguma forma absorvido a maldade do pai e fosse cruel por si só. Sem contar o final, aquele final, que me fez querer gritar nããããããããão sem ligar pra acordar a casa toda, as pessoas tem que entender que reações exageradas para finais com ganchos são naturais.

A estória baseada no livro de H. G. Wells A Ilha do Doutor Moreau cumpre seu papel, é arrepiante e carregada de suspense para te deixar acordado lendo até perceber que falta pouco para ter que ‘acordar’. Agora estou assim, órfã de continuação! Pode uma coisa dessas?

xoxo e bom meio de semana!

P.S. direto da ilha:

Acho isso extremamente perturbador

Os Garotos Corvos – Maggie Stiefvater

Os Garotos Corvos (AR)

  •    Autor: Maggie Stiefvater
  •    Editora: Verus
  •    Nº de Páginas: 376
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: The Raven Boys
  •    Tradutor: Jorge Ritter

   Avaliação: 8,0

Todo ano, na véspera do Dia de São Marcos,­ Blue Sargent vai com sua mãe clarividente até uma igreja abandonada para ver os espíritos daqueles que vão morrer em breve. Blue nunca consegue vê-los — até este ano, quando um garoto emerge da escuridão e fala diretamente com ela. 

Seu nome é Gansey, e ela logo descobre que ele é um estudante rico da Academia Aglionby, a escola particular da cidade. Mas Blue se impôs uma regra: ficar longe dos garotos da Aglionby. Conhecidos como garotos corvos, eles só podem significar encrenca.

Gansey tem tudo — dinheiro, boa aparência, amigos leais —, mas deseja muito mais. Ele está em uma missão com outros três garotos corvos: Adam, o aluno pobre que se ressente de toda a riqueza ao seu redor; Ronan, a alma perturbada que varia da raiva ao desespero; e Noah, o observador taciturno, que percebe muitas coisas, mas fala pouco.

Desde que se entende por gente, as médiuns da família dizem a Blue que, se ela beijar seu verdadeiro amor, ele morrerá. Mas ela não acredita no amor, por isso nunca pensou que isso seria um problema. Agora, conforme sua vida se torna cada vez mais ligada ao estranho mundo dos garotos corvos, ela não tem mais tanta certeza. De Maggie Stiefvater, autora do aclamado A Corrida de Escorpião, esta é uma nova série fascinante,­ em que a inevitabilidade da morte e a natureza do amor nos levam a lugares nunca antes imaginados.

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Como vocês devem imaginar, eu tenho uma verdadeira Muralha da China pra resenhar, porque, apesar de ser a pior blogueira da face das galáxias/dimensões/Nárnias, continuei uma leitora mais ou menos dedicada. Entenda-se “li pouco, não nego, leio mais quado puder.” O Garotos Corvos não foi o último livro que li e normalmente não o resenharia sendo assim, mas ele continua tao vivo na minha mente que não tem por que não mandar ver. Então, vamos a uma pequena prévia das minhas emoções:

Livro novo da Maggie: EU QUERO EU QUERO

(insira trilha sonora aqui) Ahhh moleque, bora ler livro da Maggie!

Eu aaaaaaaaaaaamo tanto o fato da Maggie (sim, somos intimas na minha cabeça) criar coisas pouco convencionais e mágicas. Ela pode pegar qualquer lenda existente, dar um banho de literatura jovem nela e voilá! Temos uma estória incrível e dinâmica, bem ao gosto de quem não tem muita paciência pra introduções longas. E mais! Os 1.000.000.000.000.000 primeiros leitores levam, totalmente de grátis, diálogos naturais e inteligentes entre Blue e Gansey! Esqueça aquela baboseira mecânica que vem praticamente enlatada, agora você pode aproveitar o melhor de conteúdo e apresentação num só produto! (Leu isso com a voz do locutor da Polishop? Ótimo)

Bem, essa belezura é vista pelo ponto de vista de Blue, Gansey e Adam, apesar de ser narrada em terceira pessoa. Gostei dessa nova incursão da Maggie, Lobos de Mercy Falls e A Corrida de Escorpião (livro favorito de 2012)  são em primeira pessoa, então, tecnicamente, te mostram mais a fundo o que se passa com cada personagem. Porém a Maggie é tão Maggie que não deixa dever em nada nesse quesito, fica até mais confortável de se ler.  Só não estranhe termos outros dois Garotos Corvos bem expressivos, Noah e  Ronan, mas não haver o ponto de vista deles, prometo que isso se explica ao longo do livro.

Apesar de haver amor verdadeiro na sinopse, devo dizer que Os Garotos Corvos não é um livro romântico.  Não que não tenha um casal, ou dois, ou um e meio, se é que você me entende, mas o foco são as linhas ley, a busca de Gansey pelo sobrenatural e a luta de Blue contra exatamente isso, o misticismo da sua família. Veja o que acontece com a moça, ela vive cercada de videntes e médiuns de todos os tipos desde que nasceu, sua família conhecida é composta por médiuns poderosas, e praticamente todas as pessoas próximas são capazes de fazer alguma coisa muito legal. Menos ela.

Na verdade Blue tem o poder de aumentar o poder dos outros, o que para os outros é muito bacana, para ela é algo muito injusto.

Não que ela vá passar o livro todo choramingando por isso, como algumas mocinhas fazem (o que deve ser um tipo de super poder também), a Blue tem mais o que fazer, como por exemplo entrar de cabeça na busca de Gansey e ficar obcecada pelos meninos. O único problema para mim foi a mudança de foco. O começo tratava de Blue, a profecia em sua vida e depois… necas desse assunto! Era só Garotos Corvos isso, Garotos Corvos aquilo! Ela passou de personagem principal a elenco de apoio muito rápido. Okay, o nome do livro é Os Garotos Corvos, mas pela sinopse não é de se esperar mais dela?

De qualquer forma esse é um livro sombrio, com um toque de bizarro e uma atmosfera que eu não esperaria ver toda junta. A adolescência americana misturada com ocultismo e aquele apêndice, bem do nada mesmo, de um rei celta deixa tudo meio esquisito, o que, na minha opinião, é sempre bem vindo. Leia Os Garotos Corvos se você está afim de se surpreender, sair da mesmice, adquirir um pouco de cultura inútil ao simplesmente mergulhar numa boa estória contada por quem sabe o que está fazendo.

Por último: blogueira, você está afim de ler a continuação, The Dream Thieves?

Boa semana pra todo mundo!

xoxo