Graça e Fúria – Tracy Banghart

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  •     Autor: Tracy Banghart
  •    Editora: Seguinte
  •    Nº de Páginas: 298
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2018
  •    Título Original: Grace and Fury
  •    Tradutor: Isadora Prospero
  •    Avaliação: 6,0

Duas irmãs lutam para mudar o próprio destino no primeiro volume de uma série de fantasia repleta de romance, ação e intrigas políticas. Em Viridia, as mulheres não têm direitos. Em vez de rainhas, os governantes escolhem periodicamente três graças — jovens que viveriam ao seu dispor. Serina Tessaro treinou a vida inteira para se tornar uma graça, mas é Nomi, sua irmã mais nova, quem acaba sendo escolhida pelo herdeiro. Nomi nunca aceitou as regras que lhe eram impostas e aprendeu a ler, apesar de a leitura ser proibida para as mulheres. Seu fascínio por livros a levou a roubar um exemplar da biblioteca real — mas é Serina quem acaba sendo pega com ele nas mãos. Como punição, a garota é enviada a uma ilha que serve de prisão para mulheres rebeldes. Agora, Serina e Nomi estão presas a destinos que nunca desejaram — e farão de tudo para se reencontrar.

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Bem, isso foi constrangedor.

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Cheguei cheia de amor pra dar, pronta pra ter um novo favorito na estante e sair contando pra todo mundo como eles precisavam desse livro em suas vidas. Graça e Fúria é meio que uma mistureba de O Conto da Aia, A Rainha Vermelha, A Seleção e literalmente qualquer coisa com um sultão e um harém envolvidos. Ele tem uma premissa ótima, e só a dedicatória já me deixou salivando, mas faltou algo.

Provavelmente outra pessoa no lugar da Nomi. Ela supostamente era a esperta, a rebelde, a irmã cheia de recursos… é, supostamente. Quando ela foi parar no palácio pensei “Agora ela vai fazer do Malacchi sua v@di$ e mostrar quem manda.” O que aconteceu foi um pouco diferente, e me deixou com ódio no coração a maioria do tempo.

Ingênua, tonta, insegura, inconstante e, pra não dizer outra coisa, não uma das personagens mais brilhantes que já vimos por aí. Suas escolhas não condiziam com o que ela ficava matutando e, pra uma moça dita sagaz e desesperada por individualidade, ela caiu direitinho em armadilhas que estavam GRITANDO “É UMA CILADA, BINO!” Foi frustrante pois, sinceramente, essa era a parte que eu mais queria ver.

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Eu, após cada uma das decisões questionáveis da Nomi.

Quem salvou foi Sarina, a outra irmã que passou a VIDA INTEIRA sendo ensinada a baixar a cabeça e não pensar muito no assunto. Em qualquer assunto, na verdade. Ela tinha um trabalho, ser bonita e vazia, e estava contente/resignada em conseguir isso. O que importava era ter a proteção e conforto do palácio e manter a irmã (aquela que devia ser dahora) longe de encrenca.

Quando as coisas vão ladeira abaixo pra ela, Sarina descobre uma força escondida, uma motivação até então desconhecida e luta, com unhas, dentes e uma postura reta, pra ajudar a irmã. Pois é, até ela sabia que a Nomi sozinha ia dar ruim. Os papéis se invertem e, de repente, eu estava esperando para ver o que aconteceria com ela. Só pra adiantar, sem dar spoilers, os capítulos da prisão são os melhores.

Bem, falemos sobre l’amour. Talvez fosse de se esperar que, após reler toda a  série Corte de Espinhos e Rosas (Sarah J. Mass), dificilmente o próximo romance que apareceria na minha frente seria lindo. Pra mim não tem como ganhar de Feysand. E, de fato, o que encontrei em Graça e Fúria foi… morno. E totalmente instantâneo, do tipo “Viu, você está vendo a sua vida ir pra m&rd@, esse realmente é o melhor momento pra SUSPIRAR por alguém?!?!?”

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No geral tudo pareceu um ensaio, um esboço do que o livro devia ter sido. Já li MUITA fantasia YA pra estar cansada de romances do nada e protagonistas teoricamente phodas, porém bobas. Resumindo, se a autora tivesse passado mais tempo debruçada nessa história, adicionado mais elementos ou pelo menos trabalhado mais nas suas personagens e na mudança radical que estava acontecendo na vida/cabeça delas (Oi, Sarina) as coisas provavelmente seriam melhores. É um livro sobre feminismo e sobre ser verdadeira consigo, mas apenas uma das irmãs atinge esse objetivo.

Na verdade, eu devia até avaliar com uma nota menor, a trama não é das mais originais, o plot twist (aquela reviravolta básica) foi tão previsível que eu vi ele chegando já na primeira interação dos personagens (sério, se você não viu, é porque você é novo no ramo da literatura) e as situações no geral são um apanhado de vários outros livros. Mas a tentativa de algo inspirador valeu. Como a esperança é a ultima que morre, vou ler a continuação, mas sem esperar cair da cadeira com ela.

Minha Lady Jane – Cynthia Hand, Brodi Ashton & Jodi Meadows

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  •    Autor: Cynthia Hand, Brodi Ashton e Jodi Meadows 
  •    Editora: Gutenberg
  •    Nº de Páginas: 368
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: My Lady Jane
  •    Tradutor: Rodrigo Seabra
  •    Avaliação: 8,0

Toda história tem sempre duas versões…

Inglaterra, século XVI, dinastia Tudor. O jovem Rei Eduardo VI está à beira da morte e o destino do país é incerto. Para evitar que o poder caia em mãos erradas (leia-se: nas mãos de Maria Sangrenta), Eduardo é persuadido por seu conselheiro a nomear Lady Jane Grey, sua prima e melhor amiga, como a legítima sucessora.
Aos 16 anos, Jane está em um relacionamento muito sério com seus livros até ser surpreendida pela trágica notícia de que terá de se casar com um completo estranho que (ninguém lembrou de contar para ela) tem um talento muito especial: a habilidade de se transformar em cavalo. E, pior ainda, descobre que está prestes a se tornar a nova Rainha da Inglaterra!
Arrastada para o centro de um conflito político, Jane suspeita de que sua coroação na verdade esconde um grande plano conspiratório para usurpar o trono. Agora, ela precisa definitivamente manter a cabeça no lugar se… bem, se não quiser literalmente perder a cabeça.
Um rei relutante, uma rainha-relâmpago ainda mais relutante e um nobre (e) garanhão puro-sangue que não se conformam com o destino que lhes foi reservado; uma história apaixonante, envolvente, cativante, sedutora… e mais uma porção de sinônimos que só Lady Jane seria capaz de listar. Tudo com uma leve semelhança com os fatos históricos.

…afinal, às vezes a História precisa de uma mãozinha.

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Pensem numa história mucho loka. Tão louca que fiquei me perguntando mais de uma vez como a ideia de escrevê-la, pra começo de conversa, surgiu. E de todas as alternativas que passam na minha cabeça (pode crer que são muitas) no final só penso: na próxima quero estar lá pra ver isso!

Porque não é sempre que um grupo de escritoras desse calibre se reúne e resolve pegar uma das rainhas mais esquecidas da história da Inglaterra e misturar tudo com magia, metamorfos e muito humor. Fantasia + romance histórico = Como não amar?

Não sei vocês, mas eu meio que sou a louca da Era Tudor.  Tenho diploma em Philippa Gregory e pós graduação em Wikipedia. Eu literalmente sei mais sobre essa família inglesa (e todas as coisas absurdas que rolaram durante seu reinado) do que sobre a nossa família real! E nem estou envergonhada por isso!

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Com isso posso dizer que Lady Jane Grey não é um dos assuntos mais falados quando o assunto é Tudor, e o motivo é simples: ela governou por 6 dias. E então teve a cabeça separada dos ombros.

Pois é.

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Então como, meu bom povo, um livro sobre uma garota que durou tão pouco e teve um destino tão trágico pode dar certo? A resposta é simples: as únicas semelhanças com a história real são os nomes, o fato de Jane ser coroada rainha e o enorme nariz de Lorde Dudley pai (Sorte do filho não ter puxado muito a cara do pai). Já na dedicatória podemos ter uma ideia do que vem a seguir:

“Para todos aqueles que sabem que havia espaço suficiente para Leonardo DiCaprio naquela porta. E para a Inglaterra. Sentimos muito, de verdade, pelo que estamos prestes a fazer com a sua História.”

Essa nossa Lady Jane não é exatamente  uma desavisada, mas poderia ter a presença de espírito de ver as águas se agitando à sua volta e pensar: É UMA CILADA, BINO! Mas a pessoa está tão preocupada com seus livros (#julgarnãoiremos) e atormentar a própria mãe que não vê o que está em debaixo do seu nariz. Nem que isso seja um cavalo enorme: vulgo seu noivo.

Essa é uma daquelas histórias engraçadinhas, que te farão sorrir ou mesmo gargalhar e, apesar de ser essencialmente leve, Minha Lady Jane tem um plot muito bem bolado. Ele é cheio de referências que os bons entenderão, como:

“Havia também um punhado de convites para presidir eventos públicos, visitar diversas casas de campo de nobres e comparecer a algo chamado Casamento Vermelho. Jane apenas preencheu o quadradinho de “não vou comparecer” sem nem pensar duas vezes nesse último convite. Como se ela quisesse ir a mais casamentos…”

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E só por isso não tenho como não amar. Temos fantasia, humor, história (de um jeito ou de outro) e romance!

Ok, talvez o motivo para não dar uma nota maior foi justamente a caricatura. Tinha horas que era simplesmente demais e eu só queria um pouquinho mais de seriedade, ou menos forçação de barra. Mas foi impossível não me apaixonar mesmo assim, espero muito ansiosa pelas próximas “Janies” que esse trio nos trará, e espero que elas também tenham uma mãozinha no quesito história.

 

xoxo e bom fim de semana!

Ergue-se A Noite – Colleen Gleason

Meio Eduardiano, não?

  •  Autor: Colleen Gleason
  •    Editora: Jardim dos Livros
  •    Nº de Páginas: 376
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2011
  •    Título Original: Rises the Night
  •    Tradutor:  Mirian Ibañez
  •    Avaliação – Sem Tradução: 8,0
  •    Avaliação – ComTradução: 2,0
A venadora Vitória Gardella arrisca seus poderes ao desvendar os mistérios da poderosa organização Tutela. Seus membros servem aos vampiros, oferecendo a eles seres humanos, para que saciem sua necessidade de sangue. Deixando Londres, ela viaja pela Itália, disposta a tudo para desbaratar os inimigos, destemida a ponto de colocar em tremendo risco a vida de sua tia-avó e mentora, Eustácia. Sem contar com a preciosa ajuda de seu experiente companheiro de outras aventuras, Max, que depois de ter voltado àquele país tem estranhas atitudes. Tudo leva a crer que ele mudou de lado!

Tem horas que tenho até raiva, como uma editora pode comprar os direitos de um livro tão bom, e fazer um trabalho tão… tão…, juro que é melhor nem falar. Depois de toda a expectativa, levar uma dessas é como isso

AHHHHHH ÚÊTNAAA WABABII WABABA!!

Só que mais trágico.

Bem, pra quem não conhece, As Crônicas Vampíricas de Gardella são uma série, de grande sucesso no exterior, da professora de faculdade Colleen Gleason. Ela narra as aventuras de Vitoria Gardella Lacey, uma jovem da aristocracia inglesa do século XIX. Imagine se uma das heroínas de Jane Aunsten caçasse vampiros? Não estou falando daquelas adaptações, tipo Pride & Prejudice and Zombies, nada contra, só não faz minha cabeça. Estou falando daquelas ladys tendo que rebolar para conciliar a vida na sociedade e a noite se meter em becos escuros e bares escusos para exterminar chupa-sangues.

Li o primeiro volume, O Legado da Caça-Vampiro literalmente no meio do expediente. Si, señor, meu gerente me odiava. Mas valeu a pena. A história é deliciosa, fez a ex-livreira aqui passar algumas boas horas de pé apoiada no balcão, absorta. Se um dia ele ler isso, quero deixar claro que vendi vários exemplares aquela vez, as pessoas ficaram realmente interessadas em saber o que estava deixando a atendente tão maravilhada que não havia notado eles lá. People respect young readers!

Well, Victoria Gardella era uma garota da sociedade (sim, era assim que chamavam toda aquela gente pomposa e esnobe da realeza e alta burguesia. Não parece mais um clubinho?), ela terminara de guardar luto por seu pai e logo se juntaria à uma profusão de bailes e compromissos de gente endinheirada. Não que ela ligasse muito, mas era o único panorama que haviam lhe dado, então ela teria que desempenhar seu papel. E arrumar um marido.

Porém, para uma garota mentalmente independente, duas coisas inimagináveis acontecem ao mesmo tempo: 1. Ela descobre que, sendo uma Gardella, é uma Venadora. Ela deve caçar vampiros. 2. Ela se apaixona perdidamente por um membro da sociedade.

Com a ajuda de sua tia-avó e grande Venadora, Eustácia, e Max seu… colega gostoso de profissão, ela vai aprender a merecer seu legado e sua vis bulla (Amuleto de força dos Venadores, e um piercing realmente estiloso), enquanto se desdobra para impressionar Phillip de Lacey, o altamente gostoso Lord, e não enlouquecer com sua mãe.

É um livro que com certeza vai agradar o pessoal que gosta de Bran Stoker, com várias referencias bacana e, até, quem ama Stephanie Meyer. Seduz e atemoriza como todo bom livro de vampiros deve fazer.

Voltando ao Ergue-se a Noite.

Fiquei tão feliz quando esbarrei com ele no Skoob! Eu me perguntava quando sairia o segundo e não conseguia tirar informações em nenhum lugar da net, nem no site da editora. Logicamente, assim que tive o livro em mãos, coloquei os outros pra escanteio e mergulhei na leitura.

Primeiro tive que reviver toda a tristeza pela morte de Phillip, e todo o ódio pelos vampiros e por Lilith, que destruíram uma das coisas mais importantes na vida de Vitoria: seu marido.

Julguem-me!

A jovem Venadora sai, depois de um mês de luto, para extravasar e percebe que não está pronta para isso, ela precisa dar um tempo. Ok, ela dá esse tempo. Um ano, um longo ano sofrendo, se recuperando e aguentando a própria mãe frívola dizer que já está na hora dela seguir em frente. Vic segue, sim, em frente, mas não do jeito esperado. Ela vai atrás do rastro dos vampiros de Lilith.

Maaas, a coisa é bem maior do que o esperado. A Tutela, uma organização de humanos admiradores de vampiros está participando de algo terrível, com o filho de Lilith, Nedas! Vic tem de pará-los antes que as consequências se tornem irreversíveis para a humanidade e, como ela não pode mais contar com Max (que picou a mula pra Itália) ela terá de aceitar a ajuda de Sebastian. É, ele mesmo. O esquivo e sedutor dono do Cálice de Prata.

Não que ele seja confiável.

Não que ela seja controlada.

Mais uma vez o destino da humanidade foi depositado nas mãos de uma Gardella.

É uma história incrível, além de ser continuação de um livro maravilhoso. Vitória é muito irritante, sério, ela sabe que tá fazendo besteira em alguns pontos, sabe que deveria parar, mas não para! E de repente fica toda horny por qualquer cara bonitinho. É bom saber que ela amadureceu em alguns aspectos e continua a mesma garota de sempre em outros!

Well, sinceramente eu simplesmente não recomendo para quem tem estômago fraco para más traduções, e isso é bastante coisa numa época em que várias editoras não estão presando muito uma boa tradução. Leia o livro em inglês, se possível. Porém, se você conseguir relevar as frases confusas demais o tempo todo, vai pela sombra e seja feliz! Eu fui, em parte, ao menos.

Mais sinceramente ainda, mal vejo a hora de ler a continuação.

xo

P.S.: Participem dos Jogos Natalinos 2011, ou o babuíno vai visitar vocês!