Snow Like Ashes (Neve e Cinzas) – Sara Raasch

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  •    Autor: Sara Raasch
  •    Editora: Balzer + Bray
  •    Nº de Páginas: 422
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2014
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 8,0

Uma menina com o coração partido. Uma guerreira feroz. Uma heroína em crescimento.
Dezesseis anos atrás, o Reino de Inverno foi conquistada e os seus cidadãos escravizados, deixando-os sem magia ou um monarca. Agora a única esperança dos Invernianos pela liberdade são oito sobreviventes que conseguiram escapar e que, desde então, estão a espera pela oportunidade de roubar de volta a magia de Inverno e reconstruir seu reino .
Órfão ainda criança durante a derrota de Inverno, Meira viveu toda a sua vida como uma refugiada, criada pelo general Inverniano, Sir. Secretamente treinando para ser uma guerreira e perdidamente apaixonada por seu melhor amigo, o futuro rei de Inverno, Mather, ela faria qualquer coisa para ajudar-lo a recuperar a fonte de magia e subir ao poder novamente.
Então, quando batedores descobrem a localização do medalhão antigo que pode restaurar a magia do Inverno, Meira decide ir atrás ela mesma. Finalmente, ela está escalando torres e lutando contra soldados inimigos, assim como ela sempre sonhou que faria. Mas a missão não sai como planejado, e Meira logo encontra-se empurrada para um mundo de magia negra e perigosa política, quando finalmente percebe que seu destino não é, e nunca foi, dela própria.
Fantasia de estréia de Sara Raasch, é um conto vertiginoso sobre lealdade, amor, e encontrar o próprio destino. (Tradução livre, leve e solta)

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É difícil me surpreender com um livro depois de um começo previsível, vocês também tem essa sensação? A estória começa tão morna, sem uma ambientação forte, focando só num personagem que é, sem querer desmerecer ninguém, igual a um monte de outros que você pensa se foi uma boa ideia mesmo ter escolhido aquele livro.

Foi bem assim que começou meu relacionamento com Snow Like Ashes. Nas primeiras 80 páginas eu não conseguia prestar atenção, até bula de remédio parecia mais interessante e as repetições de palavras que a autora tanto fez estavam me dando nos nervos. Sem contar que a mitologia/realidade são bem únicas e só aconteceram tentativas de esclarecer as coisas. A impressão que tenho é que o manuscrito não passou por uma revisão homogênea, que a autora escreveu e revisou tudo em épocas diferentes na sua vida e o responsável pela revisão, pelo menos na primeira parte está de parabéns, sqn.

Mas daí baixou o Ezio Auditore na Meira e ela começou a pular e fazer acrobacias e atirar um chakran, tipo a Xena mesmo, louca da vida.

Como não prestar atenção depois disso?

Como num passe de mágica a estória sofreu uma reviravolta e entrou em pleno galope! Tudo o que podia acontecer aconteceu e eu fiquei com o coração na boca várias vezes xingando, chorando, amando os personagens.

O ponto central na trama é a perda de Inverno, um reino antigamente governado por uma rainha justa com poderes mágicos, para Primavera, liderada por um rei podre de ruim… e também com poderes mágicos. O que mais me marcou durante a leitura foi a abordagem do sentimento dos Invernianos sobreviventes, que tiveram suas casas e suas vidas arrancadas sem esperanças deixadas em troca. Foi muito real, muito visceral, dificilmente conseguimos ter essa visão tão clara do que é perder a pátria e a identidade, apesar de acontecer relativamente bastante na literatura fantástica. Vamos usar meu exemplo preferido de todos os tempos, os anões de Thorin Escudo de Carvalho sendo exilados da Montanha.

 

Gostei muito dos personagens, a forma como foram construídos. Principalmente a Meira e a forma como ela encara a vida nada pouco fácil que leva. Você esperaria que a menina órfã que nunca conheceu seu reino, é caçada desde a infância, perde amigos igualmente sofredores como quem perde elásticos de cabelo e que ainda por cima é apaixonada pelo próprio rei, que é tipo, o cara mais inaccessível do planeta fique assim, não é?

Mas ela fica assim:

E dá uma verdadeira banana pra qualquer um que queira dizer o que ela pode ou não fazer. Gosto muito disso pois cada vez mais vejo mocinhas que simplesmente seguem no mantra Ó Céus, Ó Vida, reclamando que tudo que acontece em suas vidas e não fazendo ABSOLUTAMENTE NA-DA para mudar isso. Particularmente acho que mau gosto e um péssimo exemplo.

Depois de um começo om uma escrita infantil, cheia de palavras repetidas que me matam um pouco por dentro, esse livro teve uma densidade tão inesperada da metade pro fim, eu senti tanto o que estava acontecendo com a vida da Meira e de todos os Invernianos que fiquei surpresa, maravilhada e precisando da continuação em minha vida. Recomendo fortemente Snow Like Ashes pra quem gosta de fantasia bem feita e de reviravoltas surpreendentes!

 

xoxo e bom meio de semana!

A Menina Mais Fria de Coldtown – Holly Black

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  •    Autor: Holly Black
  •    Editora: Novo Conceito
  •    Nº de Páginas: 352
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Incarceron
  •    Tradutor: Paula Rotta
  •    Avaliação: 8,5

 

No mundo de Tana existem cidades rodeadas por muros são as Coldtowns. Nelas, monstros que vivem no isolamento e seres humanos ocupam o mesmo espaço, em um decadente e sangrento embate entre predadores e presas. Depois que você ultrapassa os portões de uma Coldtown, nunca mais consegue sair. Em uma manhã, depois de uma festa banal, Tana acorda rodeada por cadáveres. Os outros sobreviventes do massacre são o seu insuportavelmente doce ex-namorado que foi infectado e que, portanto, representa uma ameaça e um rapaz misterioso que carrega um segredo terrível. Atormentada e determinada, Tana entra em uma corrida contra o relógio para salvar o seu pequeno grupo com o único recurso que ela conhece: atravessando o coração perverso e luxuoso da própria Coldtown. A Menina Mais Fria de Coldtown, da aclamada Holly Black, é uma história única sobre fúria e vingança, culpa e horror, amor e ódio.

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Primeiramente, feliz 2015. Sim caros mortais, estou de volta, for real dessa vez e não pretendo abandonar-los tão cedo! Deixei posts prontos pra não correr o risco da não-ter-mais-tempo-para-respirar desculpa atacar novamente e tenho um bookshelf tour chegando… Não, não quero comprar ninguém, a não ser que esteja funcionando, mas realmente quero fazer o blog acordar!

Então, a resenha:

Momento reação com gifs, antes:

Que diabos faz Holly Black?

Quero dizer, por que ela é tão endeusada e blá, blá, blá?

Depois:

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A bem da verdade, eu não sabia do que se tratava AMMFdC (ufa), não li a sinopse. Juro. Eu via e via a capa pelas minhas andanças na Amazon e mailing do Goodreads, achava a combinação do nome+capa muito f*da e obviamente reconhecia o nome da autora, meio idolatrada lá fora, mas nunca passei disso.
Assim, quando vi ele numa livraria e minha tia –se ofereceu para comprar pra mim– não podia dizer não, né?! Eu tinha prometido para mamys e boyfriend que não compraria livros por três meses depois da matança desenfreada na Bienal (30 livros), e não comprei! Ganhei, então nenhuma regra quebrada aí.

Então aqui estava eu, achando que já visto tudo o que tinha pra ver sobre vampiros e que nenhum outro autor fosse conseguir tirar alguma coisa genuinamente empolgante desse universo, quando BAM! Tana e seus amigos chegam. O livro começa com um quê de filme, o capitulo se formou claramente na minha cabeça, bom o suficiente para me deixar vidrada esperando para saber o que ia acontecer em seguida. Tana acorda depois de uma festa, cercada pelos cadáveres de seus amigos. Alguém cometeu o erro de deixar uma janela destrancada e isso bastou para que vampiros desgarrados fizessem sua própria festa.

Os sugadores de sangue saíram do caixão e se mostraram ao mundo, que, obviamente, não respondeu tão bem quanto esperavam. Cidades foram fortificadas e transformadas em verdadeiras prisões, os vampiros e infectados são jogados dentro delas, formando as Coldtowns. Até que um palhaço tem a brilhante ideia de transformar tudo num Big Brother macabro e adivinhem? Centenas de aborrecentes e pessoas de estabilidade mental duvidosa fazem de tudo para entrar nessas Coldtowns e se afiliarem ao clube dos desmortos. O detalhe, as regras são sempre ditadas pelos mais fortes, no caso os vampiros, e a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, obviamente os humanos. Pessoas espertas não subestimam os dentuços. Eles são imprevisíveis, oscilando entre superestrelas glamourosas, animais descontrolados e loucos irremediáveis. A única certeza que Tana tem é que não vai se tornar um deles.

Objetivo dificultado depois que ela se vê, em circunstancias bizarras, fazendo sua jornada sob a proteção de um vampiro que é um pedaço de mau caminho, em todos os sentidos da palavra. E a maior razão para eu achar esse livro o máximo.

A estória varia tanto de velocidade quanto de ponto de vista, o que ajuda muito a se ter uma visão de tudo o que está acontecendo. O mito do vampiro é apresentado de uma maneira nova, mas não nova demais e a atmosfera gerada pelas Coldtowns é única. Me fazem pensar em lugares descontrolados, onde as pessoas são mais animais que gente e os deslizes acabam sempre em sangue. Já mencionei também que o livro tem um toque de terror?

Finalmente posso dizer que esse livro é na medida. Na medida para quem quer algo ágil e marcante. Na medida para quem quer sensualidade sem melação. Na medida para quem não quer vampiros garotos propaganda da Swarovski. Vamos rezar para a dona Black fazer uma continuação ou vender os direitos para alguma produtora que faça um filme incrível sobre essa estória fantástica. É o mínimo que ela pode fazer depois de um final como esse, carregado de vingança, amor e morte… só estou dizendo. Leiam A Menina Mais Fria de Coldtown, deem uma nova chance aos vampiros, ninguém vai se arrepender.

Bom fim de semana!

xoxo

Sol e Tormenta – Leigh Bardugo

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Eu podia casar com essa capa

  •    Autor: Leigh Bardugo
  •    Editora: Gutenberg
  •    Nº de Páginas: 368
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2014
  •    Título Original: Siege and Storm
  •    Tradutor: Eric Novello
  •    Avaliação: 10,0

Acredite em mim, se você não aprendeu como atravessar a Dobra em segurança lendo Sombra e Ossos você não vai querer continuar lende esse post. A blogueira não se responsabiliza por ataques de volcras, corações partidos ou possíveis desmembramentos.

Perseguida ao longo do Mar Real e aterrorizada pela memória dos que se foram, Alina Starkov tenta levar uma vida normal com Maly em uma terra desconhecida, enquanto mantém em segredo sua identidade como Conjuradora do Sol. Mas ela não pode ocultar seu passado e nem evitar seu destino por muito mais tempo. Ressurgido de dentro da Dobra das Sombras, o Darkling retorna com um aterrorizante e novo poder e um plano que irá testar todos os limites da natureza. Contando com a ajuda e com os ardis de um admirável e excêntrico corsário, Alina retorna ao país que abandonou, determinada a combater as forças que se reúnem contra Ravka. Mas enquanto seus poderes aumentam, ela se deixa envolver pelas artimanhas do Darkling e sua magia proibida, e se distancia cada vez mais de Maly. Ela será então obrigada a fazer a escolha mais difícil de sua vida: ter sua pátria, seu poder e o amor que ela sempre pensou ser seu porto-seguro ou arriscar perder tudo na tormenta que se aproxima.

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Sim, essa fui eu, após a leitura de Sol e Tormenta.

Vou tentar falar por cima do profundo amor que senti ao ler esse livro e como ele transformou algo já incrivelmente bom em espetacular. É, é nesse nível de fangirling que você está se metendo.

O mundo dos Grisha está fervendo em incerteza e medo. É tudo sombrio e ninguém mais sabe se fica ou foge, o que caracteriza traição e quem eles estão dispostos a trair. A verdade é uma só, com o golpe malfadado do Darkling os Grishas tiveram que escolher entre ele, seu líder, ou seu Rei e, de qualquer forma, acabariam com um inimigo muito inescrupuloso no final. Alina não tem esse tipo de escolha, ela só precisa seguir o conselho de Baghra e correr por sua vida. Porém como fazer isso quando a própria escuridão está te caçando?

Mais uma vez Bardugo nos traz personagens complexos e mostra outras facetas na personalidade de velhos conhecidos. Agora que Alina tem um poder palpável, ela começa a questionar seus pensamentos e de repente se vê lutando para não seguir o caminho do Darkling. Não tenho palavras pra dizer como amei a nova postura dela, tentando se adaptar ao poder e deixando a menininha para trás, que foi um ponto de irritação no primeiro livro. Já sentiram orgulho de um personagem? Pois é, senti orgulho de Alina Starkov, não ligo se você me achar doidinha por isso. De fato, cada personagem encontrou seu jeito de amadurecer.

-Mas blogueira, todo mundo mudou?
-Leitor, todo mundo, todo mundo não, mas os acontecimentos entre um livro e outro foram tão extremos que eles tinham que mudar, e ficou ótimo assim! Mudar é bom, todo mundo muda, se não mudássemos ainda seríamos organismos unicelulares no mar.

Agora uma confissão.

*Fecha as cortinas*

*Chega mais perto*

*Espia pra ver se não tem ninguém olhando*

Eu ainda amo o Darkling.

*Faz sinal pra pararem de surtar e falarem baixo*

Eu sei, eu sei, o cara é mau, sinistro e psicopata mas he’s soooooooooooo hot. O Maly é ótimo, sério, é a única pessoa sã no meio daquilo ali, mas, mas… droga! Deve ter a ver com os séculos se aperfeiçoando na arte de ser incrível que Maly nem pode sonhar em alcançar. Queria mais dele nesse livro. Tipo, muito mais.

Pra complicar você imaginaria que entra em cena mais um cara intrigante e cativante? Ele surge, da maneira mais inusitada possível que não vou compartilhar com vocês, mas surge. Alina encontra outro alguém profundamente interessado nela e, considerando seu último banho de água fria com a questão de confiança, ela faz o possível e impossível para deixar esse rapaz, no minimo insistente, a uma distancia segura.

Não sei se choro ou explodo de raiva

A parte mais pungente para mim, mais uma vez, foram os personagens. Toda aquela nebulosidade que circulava Maly não se dissipou, foi tomando forma, o moço adotou uma postura com Alina que me pareceu bem verdadeira, mas foi difícil enxergar a real motivação para que ele resolvesse agir finalmente. Encontramos o lado mais vulnerável do Darkling, e por favor note que, em comparação ao Implacável Mode On usual dele, um lado mais vulnerável não quer dizer exatamente o que você esperaria de algo vulnerável: uma velhinha atravessando a rua? Não. Uma cesta de filhotinhos? Definitivamente não. Um dragão que acordou com o cabelo podrinho? É por aí. Não interessa o que digam, pra mim ele pode estar tão confuso com seus sentimentos por Alina quanto ela está com os dela!

Falando nela, a Conjuradora do Sol se tornou, no momento, certo a mocinha que eu queria desde o princípio. Com uma melancolia totalmente diferente daquele sentimento de miudeza, de ser constantemente menosprezada, é até belo. Não que eu goste de ver alguém sofrer, mas é que, diferente da maioria das outras mocinhas que vemos por aí, Alina tem motivo para ficar assim. Ela pode estar ou não escorregando lentamente para a loucura e não consegue nada em que se agarrar pois, de repente, ela é uma estranha para aqueles que a conheciam, ela lhes dá medo. O tempo todo pensei se foi assim com o Darkling, se começou assim pra ele também, a solidão de ser tão diferente o empurrando em direção a um caminho sem volta.

O jeito como Bardugo escreveu isso foi simplesmente fascinante.

Aliás a Leigh sai do comum tantas vezes que, quando eu achei que ela tinha feito uma coisa beeeeeem chata e previsível e todo-livro-com-mocinha-retardada-tem, ela me surpreendeu, fez um Corte na minha descrença e sambou na minha cara. Estou até agora me recuperando disso.

 Sensação de abandono quando fechei o livro. Não queria sair daquele mundo, não queria tirar os personagens de mim. Vocês entendem isso, não? Não querer chegar perto de outro livro pra não tirar o gostinho que ficou daquele último, que te emocionou tanto. Mas não posso fazer isso, o lado da razão me diz que são livros demais a serem lidos pra eu me dar ao luxo de não eleger outro imediatamente. Vou aproveitar mais algumas horas observando o mundo pelos vitrais do Pequeno Palácio, Ruin and Rising, terceiro livro da trilogia (que pra mim poderia ser uma infinitologia), parece que só vai chegar na próxima vida.

Vai demorar tanto, mas tanto…

xoxo e bom fim de semana

Sombra e Ossos – Leigh Bardugo

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  •    Autor: Leigh Bardugo
  •    Editora: Gutenberg
  •    Nº de Páginas: 288
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: Shadow and Bone
  •    Tradutor: Eric Novello
  •    Avaliação: 9,0

 

Alina Starkov nunca esperou muito da vida. Órfã de guerra, ela tem uma única certeza: o apoio de seu melhor amigo, Maly, e sua inconveniente paixão por ele. Cartógrafa de seu regimento militar, em uma das expedições que precisa fazer à Dobra das Sombras – uma faixa anômala de escuridão repleta dos temíveis predadores volcras –, Alina vê Maly ser atacado pelos monstros e ficar brutalmente ferido. Seu instinto a leva a protegê-lo, quando inesperadamente ela vê revelado um poder latente que nunca suspeitou ter.

 A partir disso, é arrancada de seu mundo conhecido e levada da corte real para ser treinada como um dos Grishas, a elite mágica liderada pelo misterioso Darkling. Com o extraordinário poder de Alina em seu arsenal, ele acredita que poderá finalmente destruir a Dobra das Sombras.

 Agora, ela terá de dominar e aprimorar seu dom especial e de algum modo adaptar-se à sua nova vida sem Maly. Mas nesse extravagante mundo nada é o que parece. As sombrias ameaças ao reino crescem cada vez mais, assim como a atração de Alina pelo Darkling, e ela acabará descobrindo um segredo que poderá dividir seu coração – e seu mundo – em dois. E isso pode determinar sua ruína ou seu triunfo.

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 Pois é Pretties, como leitores de um blog pessoal vocês ocasionalmente estarão sujeitos aos excessos e esquisitices da autora. Ok, não tão ocasionalmente assim… mas é pra isso que os blogs servem né, pra compartilhar com os outros o que amamos, odiamos ou nos lixamos e a razão de tudo isso. Pois bem, essa é uma dessas vezes. Brace yourselves:

Fangirling is coming

Sombra e Ossos está na prateleira de honra, a prateleira reservada para a nata do meu gênero preferido: épicos fantásticos estrelados por garotas + Harry Potter. O frisson é tanta que eu tive que colocar um cordão de isolamento entre esses livros e os outros, contratar seguranças e só permitir fotos sem flash, não que adiante alguma coisa. Anyway, acontece que a obra da dona Bardugo conquistou seu lugar ali após uma coisa rara: a releitura do livro. Sim, com uma contagem obscena de livros para serem lidos EU RELI UM LIVRO ME JULGUEM

Então, eu já tinha me jogado em Sombra e Ossos logo que chegou aqui, achei bacana, mas estava tão focada em assuntos off mundo literário que nem resenha fiz e o tempo passou. Sabe quando você se lembra mais ou menos da história? Acontece que eu não queria ler mais ou menos Sol e Tormenta, simples. Coloquei O Rei Fugitivo de Lado (queria uma desculpa pra fazer isso porque estou com medo de ler sem saber quando chega  terceiro) e meio que inalei Sombra e Ossos numa sentada só e foi MARAVILHOSO! Pronto, agora que você já sabe como esse amor recém descoberto surgiu, vou te contar porque.

Alina é uma coisinha raquítica que segue seu incrível amigo Maly desde que se entende por gente. Sabe aquela amizade verdadeira, mas meio desigual justamente pela personalidade das pessoas? Alguém sempre dá mais que o outro, o outro nem repara muito nisso porque está ocupado demais sendo maravilhoso, mas sequer imagina sua vida sem aquele alguém. Alina sempre foi assim, subestimada por todos, pior, por ela mesma, e justamente isso que a impede de se sentir segura quando lhe dizem que agora é um Grisha, mais, que é única.

Maly, que ainda é um personagem meio nebuloso o que me faz pensar o quão bem Alina realmente conhece seu melhor amigo, fica revoltéx porque, de repente, perdeu sua fã número um. Como proceder numa situação assim? Problema maior ainda, ele a perdeu para o Darkling!

Oh, Darkling

Sabe aquela pessoa digna de adoração, que além de ser um mito se comporta como um? Darkling é assim, sombrio, maravilhoso, misterioso, sempre ocupado demais salvando o reino na guerra para ser gente como a gente. Ok, isso e o fato de ele ser o Grisha mais poderoso de todos. Todas as garotas Grishas tiveram pelo menos uma fase de crush nele, por mais inacessível que fosse, então não podemos exatamente culpar Alina por ficar babando, feliz da vida por ter momentos de tratamento especial e um pouco, POUCO de atenção de Vossa Sombricidade Real. Vamos tirar um minuto para lembrar que ninguém dava bola pra ela NUNCA!

Aconteça o que acontecer, o Darkling vai sempre ter um espaço no meu coração! #TeamShadow

A verdade é que Alina passa tempo demais tentando domar seu poder, e pensando que não consegue, tendo mais aulas, pensando que não consegue mais um pouco, eu gostaria que ela já saísse quebrando tudo e todos mas reconheço que a estória precisava desse tempo para se esclarecer.

Tentativa e erro, muita tentativa e erro

Acho que o que realmente me fisgou nesse livro foi o fato de os personagens não se mesclarem ao cenário. Eles existem! Tem profundidade, complexidade, não são inexpressivos como alguns personagens de sagas de fantasia, que se preocupam demais em desenvolver o mundo (que é MUITO importante) e esquecem de quem leva a estória adiante.

Falando nisso, Bardugo não poupou esforços pra criar um mundo cheio de detalhes para Ravka. É tudo tão lindo e cheio de emoção, impossível não enxergar os salões, as roupas, os personagens através dos olhos de Alina. Minha imaginação ficou a mil, senti aquela coceirinha pra colocar um pouco dela pra fora sem sair do clima da Dobra. (vide tentativa de fanart no insta)

Eu adoro a mensagem que ele passa! É, sou dessas que não procura mensagens nos livros porque muitas vezes acho que o autor não se deu o trabalho de tentar colocar uma lá., mas a Leigh fez esse livro com tanto amor que me apeguei a ela: não importa o que te digam, o que joguem em você, se valorize! Aquela velha frase “se você não se amar, que vai?” é a mais pura verdade. Nós somos tão bom quanto nos permitimos ser e às vezes as piores barreiras são aquelas que nós mesmos colocamos na nossa vida. Não tenha medo de pensar alto, pois ser simplório pode ser um pecado tão grave quanto ter ambição desmedida, tenha o amor que você acha que merece!

Deixando claro que eu AMO o mundo dos Grishas, com sua mistura de inspirações, cenários ótimos, uma sensação de perigo a cada corredor e planos grandiosos para pessoas incríveis. Espero que vocês tenham a chance de ler e ameaço com um Sangrador qualquer um que tenha lido e não venha comentar comigo o que achou. Estejam avisados.

Agora me retiro para absorver Sol e Tormenta.

P.S.: A Leigh é tão do amor que fez uma música para seu livro! Such feels!

Grave Mercy (Perdão Mortal) – Robin LaFevers

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  •    Autor: Robin LaFevers
  •    Editora: Houghton Mifflin
  •    Nº de Páginas: 549
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 8,0

Por que ser a ovelha, quando você pode ser o lobo?

Aos dezessete anos de idade Ismae escapa a brutalidade de um casamento arranjado para o santuário do convento de St Mortain, onde as irmãs ainda servem aos deuses antigos. Aqui, ela descobre que o próprio Deus da Morte a abençoou com dons perigosos — e um destino violento. Se ela decidir ficar no convento, ela será treinada como uma assassina e serva da Morte. Para reivindicar sua nova vida, ela tem de destruir a vida dos outros.

A mais importante tarefa do Ismae a leva direto para a alta corte da Bretanha — onde ela encontra-se lamentavelmente despreparada — não só para os jogos mortais de intriga e traição, mas também para as escolhas impossíveis que ela deve fazer. Pois como ela poderia lançar a vingança da morte sobre alvo que, contra  vontade, roubou o seu coração? – Tradução livre leve e solta

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 Estatisticamente falando, quantas adolescentes brutalizadas durante a infância, vendidas a um noivo horrível e quase, mas quase mesmo, estupradas pelo dito marido sobrevivem para se tornar uma  coisa extraordinária?

Algumas? Poucas? Quase nenhuma? E por favor note que disse coisa, não pessoa. Ismae pode ser considerada sortuda, porque ela agora é a mais nova Filha do Deus da Morte!

Como uma garota que passou um tempo maior do que o considerado saudável estudando idade média e renascença e, infelizmente, exposta a muitos comportamentos machistas, sinto um prazer imenso quando leio sobre uma personagem feminina que causa medo nos personagens masculinos só por dizer quem é ou de onde veio. Só não contem pra ninguém isso, tá bom?

Claro que o medinho básico que as mulheres do convento St. Mortain inspiram não é totalmente injustificado. Lá elas aprendem como matar, fazer venenos, matar, costurar, matar, se vestir, matar, história geral, matar, manejo de espadas, matar, manejo de armas pesadas, matar, seduzir, matar, seduzir mais um pouco e matar de forma rápida e criativa.

Mesmo me mantendo colada nas páginas do começo o fim, Grave Mercy tem algumas falhas que causaram sentimentos conflitantes. Ainda assim, sei exatamente para quem indicar esse livro -na verdade stalkeei muita gente no Skoob depois, querendo alguém pra conversar!- então, se você gosta de idade média obviamente, jogos de intriga, um mistério, pessoas tentando andar fora do radar, os livros da Juliet Marilier, Leigh Bardugo, Licia Troisi e romance, esse aqui é pra você!

Ainda que haja vários personagens ambíguos no livro, o destaque realmente vai para Ismae, qual é, vocês sabem que um secundário pode roubar a cena! Ismae foi a principal responsável por todos os sentimentos conflitantes que tive, porque ela pode ser phodona e muito incrível ao mesmo tempo que me dá vontade de amarrá-la dentro de um saco e jogar num rio de piranhas. Foi meio difícil de engolir a moça como uma espiã sedutora competente se ela não tinha nenhuma noção de etiqueta da corte e voluntariamente  deixara de lado as lições sobre “artes femininas” que seriam bem úteis onde ela foi parar, o tempo todo ela se destacou, o que não funciona muito bem para uma espiã. Também a parte onde, de repente, ela não conseguia mais controlar todo o coração galopante, o frio na barria e o calor na… lá, toda vez que ficava perto demais de Duval. Controle-se mulher!

É constrangedor!

Não sei, isso vai de cada personalidade (sim, personagens tem personalidade e sentimentos reais) e eu esperava outra coisa, mas continuei meio apaixonada por ela. Amei suas decisões rápidas, seus crescimento ao longo do livro e sua tenacidade, que a fariam se pendurar numa janela para ouvir uma conversa secreta e sua capacidade de questionar mesmo através da fé. Fé em Duval, no convento, em seu santo e nos seus próprios instintos. Além de observações bem sagazes, tipo:

“Os homens são realmente tão idiotas que não podem resistir a duas esferas de carne?”

E seu cinto de utilidades! Ok, não exatamente um cinto, mas uma rede para cabelo com pérolas de veneno, um bracelete que pode ser usado como garrote, facas, facas e mais facas escondidas em todos os lugares e, meu preferido, um baú da morte. Contendo tudo o que o envenenador moderno poderia vir a precisar!

Não que os secundários não sejam dignos de nota. Gavriel Duval é um homem de honra, que serve sua meia-irmã,  a duquesa Anne que, na minha opinião é a segunda melhor personagem do livro! Ela não aparenta a idade que tem e se agarra as pouquíssimas pessoas que acha que pode confiar porque, literalmente, todo o resto pode estar tramando contra ela. Há outras pessoas que me deixaram apreensiva, não por atos declarados, mas por simplesmente parecerem que vão fazer alguma coisa para trair quem juraram proteger. Não vou dizer quem pois posso estar ou não certa a respeito delas e isso, vocês já sabem, seria um spoiler da idade das trevas.

Grave Mercy tem tudo para conquistar quem quer uma leitura agradável, com um pézinho no romance histórico alla Julia Quinn, sem abrir mão das intrigas e vontade de saber quem é o verdadeiro vilão. Esse era um livro que queria a muito tempo e não decepcionei por inteiro, apesar de achar que algumas partes poderiam ser melhores. Vou ficar triste de ter menos Ismae nas continuações Dark Triunph e Mortal Heart, as tenho certeza que vou achar outras heroínas pra amar.

xoxo e bom meio de semana!

A Filha do Louco – Megan Shepherd

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  •    Autor: Megtan Shepherd
  •    Editora: Novo Conceito
  •    Nº de Páginas: 416
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2014
  •    Título Original: The Madman’s Daughter
  •    Tradutor: Ivar Panazzolo

   Avaliação: 8,0

Juliet Moreau construiu sua vida em Londres trabalhando como arrumadeira – e tentando se esquecer do escândalo que arruinou sua reputação e a de sua mãe, afinal ninguém conseguira provar que seu pai, o Dr. Moreau, fora realmente o autor daquelas sinistras experiências envolvendo seres humanos e animais. De qualquer forma, seu pai e sua mãe estavam mortos agora, portanto, os boatos e as intrigas da sociedade londrina não poderiam mais afetá- la… Mas, então, ela descobre que o Dr. Moreau continua vivo, exilado em uma remota ilha tropical e, provavelmente, fazendo suas trágicas experiências. Acompanhada por Montgomery, o belo e jovem assistente do cirurgião, e Edward, um enigmático náufrago, Juliet viaja até a ilha para descobrir até onde são verdadeiras as acusações que apontam para sua família.

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Um grito doloroso rasgou a noite. O susto fez com que eu jogasse os lençóis para fora da cama, e eu senti o suor encharcando meu pescoço. Seria o cachorro? Eu não conhecia nenhuma criatura capaz de emitir um som tão inumano. Conforme os gritos se arrastaram, assombrando-me a cada respiração, minha mente começou a devanear entre lugares mais sombrios. Imaginando o que faria um animal gritar daquele jeito. […] Estava trabalhando em algo novo. Algo diferente.

A Filha do Louco tomou um rumo completamente inesperado para mim. Não tenho o costume de conferir resenhas antes de ler um livro justamente para entrar na história cega, sem influências além da sinopse, pronta para as minhas próprias conclusões. Talvez dessa vez eu devesse ter ‘pesquisado’ um pouco mais antes de me jogar, não porque a estória seja ruim, longe disso, mas fui achando que era Páscoa e só depois percebi que era Halloween, dá pra entender?

Não? Mea culpa. Vamos deixar em que A Filha do Louco não é só um livro de época com um toque obscuro. É de época sim, e obscuro, para dizer o mínimo, mas é muito mais que isso… não leitor, me recuso a dizer mais, você vai ter que passar pelo que passei se quiser saber do que estou falando. Confesso que estou um pouco dramática agora, acabei de assistir O Grande Gatsby, impossível não se afetar e escrever um pouco obsessivamente depois disso.

Não sei se foi uma combinação sábia

Vamos aos fatos sem spoilers malvados, eu odeio a Juliet. Poderia muito bem ter ficado sem ela o livro todo. Lembrando a personagem de Shakespeare que inspirou seu nome ela é daquelas meninas indefesas e chatinhas que passam tempo demais dizendo o contrário. Pra piorar, ela gosta de se vangloriar (pra ela mesma, veja se isso não é caso de psiquiatra) que é fria, mórbida e meio louca. Nesse ponto tenho que concordar com o pai dela, que é um personagem nojento, diga-se de passagem, quando ele diz que ela não passa de uma histérica.

Quero dizer, a menina VAI atrás do pai que ela sabe que que a abandonou e admite para si mesma que as acusações horrorosas contra ele podem ser verdade. Ela INSISTE para ser levada até onde ele está apesar de ser avisada que as coisas na ilha são meio diferentes e quando chega lá ela RECLAMA, tem ataque de pelancas quando descobre a verdade verdadeira, apesar de o tempo TODO dizer que ela mesma é doentia e fria demais. Bitch, você cansa minha beleza literária! Para mim Juliet achou que o papai ia largar as vivissecções para recuperar o tempo perdido com a filhinha (pra quem ele se lixava até então) e organizar o casamento do ano com Montgomery, afinal agora que ele faz parte da família, por que não estreitar um pouco mais esses laços, se é que você me entende.

Desculpe, mencionei que ela arruma tempo pro triangulo amoroso no meio de uma crise macabra na Ilha de Lost vitoriana? Pois é.

Ok, me recuperando do meu próprio ataque de pelancas, adorei ter uma história com terror numa ilha tropical. Quantas vezes vemos isso? Os escritores tendem a seguir pela névoa e gigantescas casas mal iluminadas, alguém ser constantemente ameaçado num paraíso dos trópicos de uma forma que deixa o leitor ansioso e sem respirar é bem diferente.

Os outros personagens, que na minha opinião poderiam ter trancado Juliet num baú, são ótimos. Principalmente Montgomery, Balthazar e Edward que me deixavam agitada cada vez que apareciam, inquieta, tentando descobrir o que havia por de trás de suas fachadas aparentemente simples. Já o Doutor Moreau me deixou dividida entre sair correndo, gritando, ou bater nele com uma vara, para continuar mantendo distância.

Estou até agora impressionada com o quanto gostei do livro, apesar do quanto desgostei da personagem principal. Não sosseguei até saber o que estava acontecendo, foi simplesmente viciante acompanhar toda a ação da ilha e perceber que, com o passar do tempo, Juliet começa a se referir à ilha como uma pessoa, como se ela houvesse de alguma forma absorvido a maldade do pai e fosse cruel por si só. Sem contar o final, aquele final, que me fez querer gritar nããããããããão sem ligar pra acordar a casa toda, as pessoas tem que entender que reações exageradas para finais com ganchos são naturais.

A estória baseada no livro de H. G. Wells A Ilha do Doutor Moreau cumpre seu papel, é arrepiante e carregada de suspense para te deixar acordado lendo até perceber que falta pouco para ter que ‘acordar’. Agora estou assim, órfã de continuação! Pode uma coisa dessas?

xoxo e bom meio de semana!

P.S. direto da ilha:

Acho isso extremamente perturbador

Pandemônio – Lauren Oliver

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  •    Autor: Lauren Oliver
  •    Editora: Intrínseca
  •    Nº de Páginas: 304
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: Pandemonium
  •    Tradutor: Regiane Winarski

   Avaliação: 9,0

ATENÇÃO, RESENHA ALTAMENTE PERIGOSA PARA NÃO LEITORES DE DELÍRIO. Se você ainda não pegou amor delíria nervosa mantenha-se longe!

Dividida entre o passado — Alex, a luta pela sobrevivência na Selva — e o presente, no qual crescem as sementes de uma violenta revolução, Lena Haloway terá que lutar contra um sistema cada vez mais repressor sem, porém, se transformar em um zumbi: modo como os Inválidos se referem aos curados. Não importa o quanto o governo tema as emoções, as faíscas da revolta pouco a pouco incendeiam a sociedade, vindas de todos os lugares… inclusive de dentro.

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“O outro lado da liberdade é: quando você está completamente livre, também está completamente sozinho.”

Ah, o final de Delírio.

Como proceder depois daquele final? Como dona Oliver, como??

Lembram que, a muito tempo atrás, eu disse que Delírio era tão devagar no começo que quase o chutei pro fim da fila? Então, Pandemônio começa de onde Delírio acabou, e é tudo, menos parado!

Enquanto Delírio foi focado em amor proibido e na alegria de novas descobertas, Pandemônio é todo sobre Lena e sua nova vida. Eu sei que muita gente detestou a coisa do Antes e Agora, eu, particularmente, amei. Deu um ritmo inesperado para a leitura, como quando você fica indo de um personagem ao outro, só que desta vez eles se juntam e formam um só no final. Muito bom!

Então a Lena está na Selva. Ou devo dizer, aquela que um dia foi Lena está na Selva. Imaginem um personagem que evoluiu, mudou, se transformou completamente e não em uma só aspecto, mas em vários. A Lena de Delírio era uma coisinha tontinha, assustada e fragilizada pelas próprias descobertas, a Lena de Pandemônio já não tem mais nada a perder, somente memórias dolorosas.

Ela pensa no Alex, é claro que ela pensa, acho muito injusto que digam que a Lena o deixou de lado! Só que ela tem coisas mais urgentes pra se ocupar, tipo não morrer de inanição, não morrer de sede, não morrer de frio, esse tipo de situação chata que pode tomar o tempo de uma pessoa… Na minha humilde opinião ela até usa essa nova realidade como escudo contra suas feridas emocionais.

Temos mais ação agora. Lena encontra Graúna, Prego e outros ‘Inválidos’ que a ensinam o que há para ser ensinado em termos de sobrevivência com quase nada. Apesar de amar romances, gosto muito de livros com perseguições, correria, tiros de um lado pro outro. Não estou dizendo que temos tiros de um lado pro outro sabe, porque isso seria um spoiler sabe, mas não vai te fazer mal ter uma arma pra se defender enquanto estiver lendo, sabe, só por precaução…

Também é bom se preparar para toneladas de novos personagens e apenas lembranças dos antigos, essa mudança não poderia ser mais emblemática, tudo aquilo que Madalena um dia conheceu se foi. Ela se deu conta disso quando se deu conta que já havia passado tempo suficiente para Hana ter passado pela Intervenção e que a única pessoa que compartilhava e, mais importante, entendia os segredos de Lena estava perdida para sempre.

Para sempre é meio pesado né, eu pessoalmente acho que essa coisa toda de curar  amor parece algo que daria para ser revertido, mas sei lá, é só uma especulação, quem sabe que tipo de agonia a Lauren Oliver ainda planeja para a gente?

Reação padrão ao final de Delírio, Pandemônio…

Em suma, Pandemônio não tem delicadezas, mas tem paixão, não tem romance, mas tem saudade, não tem respostas, mas tem várias perguntas e, principalmente, tem um gancho de matar no final, assim como Delírio. Vamos esperar que Réquiem seja conclusivo, tenho medo dessa mania de deixar os leitores com o coração na mão da Oliver…

 

xoxo e feliz Páscoa

 

Enfeitiçadas – Jessica Spotswood

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  •    Autor: Jessica Spotswood
  •    Editora: Arqueiro
  •    Nº de Páginas: 272
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2014
  •    Título Original: Born Wicked
  •    Tradutor: Ana Ban

   Avaliação: 8,5

Antes do alvorecer do século XX, um trio de irmãs chegará a idade adulta, todas bruxas. Uma delas terá o dom da magia mental e será a bruxa mais poderosa a nascer em muitos séculos: ela terá poder suficiente para mudar o rumo da história, para suscitar o ressurgimento do poder das bruxas ou um segundo Terror. Quando Cate descobre esta profecia no diário de sua mãe, morta há poucos anos, entende que precisa repensar seus planos. Qual será a melhor opção: servir a Irmandade, longe dos olhos vigilantes dos Irmãos Caçadores de Bruxas, aceitar uma proposta de casamento que lhe garanta proteção e segurança ou abandonar tudo e viver um grande amor proibido?

 Prepare-se para se encantar com os jovens pretendentes de Cate, abominar o ódio e a repulsa que os Irmãos dedicam a meninas e mulheres, e aguardar ansiosamente pela sequência de As Crônicas das Irmãs Bruxas.

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Uau, leitura em dia, blog atualizado! Parabéns para mim! Prova que dormir é, de fato, uma atividade opcional…

Dois posts numa semana! Dois posts numa semana!

Sabe quando você quer um pouco de magia, mas não só isso? Você quer romance também e alguma coisa charmosa, tipo uma estória de época, mas está meio difícil de achar por aqui? Eu te compreendo perfeitamente caro leitor, e digo: seus problemas acabaram! Chegou Enfeitiçadas:

“Gabrielle é inocente. Eu não sou. Fui perversa e traiçoeira, usei magia mental contra meu próprio pai. As palavras dos Irmãos ressoam na minha cabeça. Eu sou uma bruxa. Devia ter sido eu, não ela.

Mas agradeço ao Senhor por não ter sido. Em que tipo de garota esse pensamento me transformava?”

Enfeitiçadas é contado em primeira pessoa por Cate Cahill, a irmã mais velha de três, e flutua entre os vários dilemas da moça. Quem vai escolher como marido antes que escolham por ela? Como vai proteger as irmãs do olhar vigiante e cheio de censura dos Irmãos? O que ela vai fazer pra esconder toda a magia transbordando dentro de si e das caçulas?

Disfarçá-las, talvez?

O único problema pra mim é que não tem tanta bruxaria… Não que não tenha absolutamente naaaada, mas ainda assim, queria mais! Vocês estão carecas de saber que eu adoro personagens mágicas, cheias de poderes especiais que podem tocar o terror à vontade né? Pois é, a Cate tem tudo pra ser assim, mas ela se segura tanto, mas tanto, pra neutralizar a sua parte bruxa que quase dá certo. Lógico que isso faz parte do contexto, só que AHHH! Ao invés de magia, ela foca nos seus deveres.

O livro é fino, tem só 271 páginas, letras grandes, então vocês certamente entendem a vontade que eu tinha de sacudir a Cate pelos ombros e berrar “Para de falar de como você é responsável pelas suas irmãs o TEMPO TODO e volta pra estória, bitch! Nós já entendemos seu recado QUEREMOS-MAIS-FINN!” 

Como não deveria deixar de ser, para balancear a protagonista sombria, os personagens secundários dão um show à parte com suas personalidades bem diferentes. A governanta é facilmente comparável à preceptora de A Menina Que Não Sabia Ler, ambígua, um personagem misterioso que não me deixava decidir se deveria confiar nela ou não. Resolvi seguir o costume e não dar brecha pra tal Elena fazer algum estrago do nada. Juro que não é spoiler, só um comentário, mas sempre que eu desconfio de um personagem acontece alguma coisa que de razão para essa desconfiança depois… Um sexto sentido literário, talvez?

As irmãs, Tess e Maura poderiam ter seus próprios pontos de vista, por mim, mas quem realmente rouba a cena é Finn Belastra o jardineiro/estudioso/filho de uma mulher muito bacana. Não importa o que digam, ele é exatamente o cara que faria qualquer garota vitoriana -e leitora contemporânea- suspirar do começo ao fim.

Eu me encanto por bruxas e gosto ainda mais quando as mocinhas não são ovelhas indefesas que dependem de mocinhos chatos de galocha. Enfeitiçadas tem isso de sobra, envolto em um bom mistério que te deixa formulando teorias sem parar. Está esperando o que para aprender sobre as Filhas de Persephone e a poderosa Irmandade?!

Por fim, um desabafo.

Até hoje nunca encontrei uma Profecia sobre mim, devo dizer que fico um pouco desapontada, afinal 80% dos protagonistas de romances de fantasia tem as próprias profecias. Acho que isso é um sinal, talvez a minha carta de Hogwarts não tenha se perdido na greve do Correio Coruja local… Droga.

E a continuação? Eu ainda não tenho a continuação! A vida é mesmo muito injusta.

xoxo e bom carnaval

Os Garotos Corvos – Maggie Stiefvater

Os Garotos Corvos (AR)

  •    Autor: Maggie Stiefvater
  •    Editora: Verus
  •    Nº de Páginas: 376
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: The Raven Boys
  •    Tradutor: Jorge Ritter

   Avaliação: 8,0

Todo ano, na véspera do Dia de São Marcos,­ Blue Sargent vai com sua mãe clarividente até uma igreja abandonada para ver os espíritos daqueles que vão morrer em breve. Blue nunca consegue vê-los — até este ano, quando um garoto emerge da escuridão e fala diretamente com ela. 

Seu nome é Gansey, e ela logo descobre que ele é um estudante rico da Academia Aglionby, a escola particular da cidade. Mas Blue se impôs uma regra: ficar longe dos garotos da Aglionby. Conhecidos como garotos corvos, eles só podem significar encrenca.

Gansey tem tudo — dinheiro, boa aparência, amigos leais —, mas deseja muito mais. Ele está em uma missão com outros três garotos corvos: Adam, o aluno pobre que se ressente de toda a riqueza ao seu redor; Ronan, a alma perturbada que varia da raiva ao desespero; e Noah, o observador taciturno, que percebe muitas coisas, mas fala pouco.

Desde que se entende por gente, as médiuns da família dizem a Blue que, se ela beijar seu verdadeiro amor, ele morrerá. Mas ela não acredita no amor, por isso nunca pensou que isso seria um problema. Agora, conforme sua vida se torna cada vez mais ligada ao estranho mundo dos garotos corvos, ela não tem mais tanta certeza. De Maggie Stiefvater, autora do aclamado A Corrida de Escorpião, esta é uma nova série fascinante,­ em que a inevitabilidade da morte e a natureza do amor nos levam a lugares nunca antes imaginados.

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Como vocês devem imaginar, eu tenho uma verdadeira Muralha da China pra resenhar, porque, apesar de ser a pior blogueira da face das galáxias/dimensões/Nárnias, continuei uma leitora mais ou menos dedicada. Entenda-se “li pouco, não nego, leio mais quado puder.” O Garotos Corvos não foi o último livro que li e normalmente não o resenharia sendo assim, mas ele continua tao vivo na minha mente que não tem por que não mandar ver. Então, vamos a uma pequena prévia das minhas emoções:

Livro novo da Maggie: EU QUERO EU QUERO

(insira trilha sonora aqui) Ahhh moleque, bora ler livro da Maggie!

Eu aaaaaaaaaaaamo tanto o fato da Maggie (sim, somos intimas na minha cabeça) criar coisas pouco convencionais e mágicas. Ela pode pegar qualquer lenda existente, dar um banho de literatura jovem nela e voilá! Temos uma estória incrível e dinâmica, bem ao gosto de quem não tem muita paciência pra introduções longas. E mais! Os 1.000.000.000.000.000 primeiros leitores levam, totalmente de grátis, diálogos naturais e inteligentes entre Blue e Gansey! Esqueça aquela baboseira mecânica que vem praticamente enlatada, agora você pode aproveitar o melhor de conteúdo e apresentação num só produto! (Leu isso com a voz do locutor da Polishop? Ótimo)

Bem, essa belezura é vista pelo ponto de vista de Blue, Gansey e Adam, apesar de ser narrada em terceira pessoa. Gostei dessa nova incursão da Maggie, Lobos de Mercy Falls e A Corrida de Escorpião (livro favorito de 2012)  são em primeira pessoa, então, tecnicamente, te mostram mais a fundo o que se passa com cada personagem. Porém a Maggie é tão Maggie que não deixa dever em nada nesse quesito, fica até mais confortável de se ler.  Só não estranhe termos outros dois Garotos Corvos bem expressivos, Noah e  Ronan, mas não haver o ponto de vista deles, prometo que isso se explica ao longo do livro.

Apesar de haver amor verdadeiro na sinopse, devo dizer que Os Garotos Corvos não é um livro romântico.  Não que não tenha um casal, ou dois, ou um e meio, se é que você me entende, mas o foco são as linhas ley, a busca de Gansey pelo sobrenatural e a luta de Blue contra exatamente isso, o misticismo da sua família. Veja o que acontece com a moça, ela vive cercada de videntes e médiuns de todos os tipos desde que nasceu, sua família conhecida é composta por médiuns poderosas, e praticamente todas as pessoas próximas são capazes de fazer alguma coisa muito legal. Menos ela.

Na verdade Blue tem o poder de aumentar o poder dos outros, o que para os outros é muito bacana, para ela é algo muito injusto.

Não que ela vá passar o livro todo choramingando por isso, como algumas mocinhas fazem (o que deve ser um tipo de super poder também), a Blue tem mais o que fazer, como por exemplo entrar de cabeça na busca de Gansey e ficar obcecada pelos meninos. O único problema para mim foi a mudança de foco. O começo tratava de Blue, a profecia em sua vida e depois… necas desse assunto! Era só Garotos Corvos isso, Garotos Corvos aquilo! Ela passou de personagem principal a elenco de apoio muito rápido. Okay, o nome do livro é Os Garotos Corvos, mas pela sinopse não é de se esperar mais dela?

De qualquer forma esse é um livro sombrio, com um toque de bizarro e uma atmosfera que eu não esperaria ver toda junta. A adolescência americana misturada com ocultismo e aquele apêndice, bem do nada mesmo, de um rei celta deixa tudo meio esquisito, o que, na minha opinião, é sempre bem vindo. Leia Os Garotos Corvos se você está afim de se surpreender, sair da mesmice, adquirir um pouco de cultura inútil ao simplesmente mergulhar numa boa estória contada por quem sabe o que está fazendo.

Por último: blogueira, você está afim de ler a continuação, The Dream Thieves?

Boa semana pra todo mundo!

xoxo

Eva – Anna Carey

Eva-de-Anna-Carey

  •  Autor: Anna Carey
  •   Editora: Record
  •   Nº de Páginas: 288
  •   Edição: 1
  •   Ano: 2013
  •   Título Original: Eve
  •   Tradutor: Fabiana Colasanti
  •   Avaliação: 5,5

A guerra dos sexos está apenas começando… No futuro, uma praga mortal aniquilou a população da terra. Homens e mulheres seguem segregados. Os meninos são mandados para campos de trabalho forçado. As meninas, para Escolas onde aprendem uma profissão chave na reconstrução mundial. Mas as aparências enganam… E Eva está prestes a descobrir que a verdade pode ser muito mais terrível do que o vírus que varreu seu país. Está prestes a descobrir que seu futuro pode ser mais parecido com a da primeira mulher a levar seu nome…

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 A Eva era uma menina que tinha uma vida simples, preto no branco, repleta de verdades inquestionáveis como:
  • O Rei é bom, mas:
  • Homens no geral são maus;
  • Tudo de ruim é culpa dos homens;
  • Nada, nada do que os homens dizem é confiável;

E regras bem fáceis de serem seguidas, por exemplo:

  • Mantenha distância de homens;
  • Não importa o que aconteça, não chegue perto de homens;
  • Sério, fuja deles;
  • Evite matilhas de cães selvagens, eles podem almoçar você;
  • Mas, sério, evite mais os homens;

Porém, apesar de todas as horas gastas ensinado essa criatura coisas assim, adivinha a primeiríssima coisa que ela faz quando fica sozinha?!

Tá, tudo bem, não foi a primeira coisa, mas depois de algumas decisões ruins sem qualquer ligação com gêneros, a Eva encontra um garoto e… faz o favor de se apaixonar por ele.

A questão é, se a autora tivesse sido mais razoável na parte do que as garotas aprenderam a pensar, isso não seria um problema tão grande. Só que até na literatura! Quero dizer, todos eles de repente se tornaram Sauron, Voldemort, Valentin, Presidente Snow e George R R Martin, todos  super vilões em qualquer circunstancia. As meninas sofreram lavagem cerebral durante toda a vida e, depois de um incidente nem de longe tão traumatizante quanto a Eva fez parecer (again, minha opinião), ela simplesmente botou isso de lado na primeira oportunidade! (!!!!)

É por isso que meu personagem preferido é o urso

Não sei, eu não consegui entrar no livro, os personagens simplesmente não abriram a porta e, depois de começar com o pé esquerdo, não tive vontade de botar a bendita porta abaixo com machadadas. Coisa que estou acostumada a fazer, diga-se de passagem.

Talvez um leitor afortunado tenha simpatizado mais com a Eva e aproveitado melhor a leitura, mas a todo o tempo eu ficava pensando “O que raios essa menina está fazendo?? Ela quer morrer?? Ela quer matar o Caleb?? Ela quer matar o urso?!!! Por que ela não deixa a Arden ser a personagem principal só por um ou dois livros??” Isso meio que acaba com a leitura da gente.

Caí do cavalo

De qualquer forma, os personagens secundários e as coisas surpreendentes que acontecem  com eles valem a pena.  Por exemplo Arden, ela tinha tudo para ser uma nada na estória, mas a relação dela com Eva me interessou mais do que o romance de Eva e Caleb. Ah, Caleb por que você tinha que ser tão altruísta? Por que você não podia deixar a Eva se ferrar uma vez ou outra, só para ela aprender a ser mais esperta?

Créditos onde devem ser colocados, eu gostei do enredo de Eva, uma distopia meio Peter Pan, não exatamente óbvia, ainda que irritante, em alguns pontos. Sempre achei interessante ler sobre acontecimentos tão catastróficos que mudassem completamente a face de uma nação. Devo ser meio mórbida, mas na nossa sociedade, tô falando do Brasil, ok?!, não passamos por isso, não faz parte da nosso cotidiano a muitos anos e, ainda que tenhamos tido marcos históricos, nada que se comparasse a uma praga que limparia o país de praticamente todo mundo! Simplesmente não consigo imaginar como seria assim. Vocês conseguem?

Enfim,  Eva foi um livro pela metade, uma boa ideia mal aproveitada. Com tudo que li só fiquei com a sensação de pois é, mais um, coisa que me deixa mal, porque não posso amar nem odiar um livro medíocre e eu meio que gosto de ter sentimentos extremos em relação aos livros. Faz sentido?

Boa semana sweeties!

xoxo