Até Eu Te Possuir – Soraya Abuchaim

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  •     Autor: Soraya Abuchaim
  •    Editora: Ella
  •    Nº de Páginas: 284
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2016
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 8,5

 

Johanna Dorne é uma mulher que perdeu todas as pessoas que amou. As tragédias de sua vida começaram com um acontecimento marcante quando ela tinha 13 anos.
Três décadas depois, ela se transformou em uma mulher solitária, confusa e inclinada à autocomiseração, que não consegue manter contato social com ninguém. Até conhecer Michel Brum, um homem charmoso e misterioso que a resgata de sua vida patética, devolvendo-lhe a felicidade há tanto tempo perdida. Só que Michel acaba mostrando que não é tão perfeito assim, e um segredo mortal jogará Johanna novamente em um abismo.

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Fique longe de Johanna Dorne.

Não, sério. Se você planeja viver uma vida longa e feliz, fique longe dela.

Ela não faz por mal, mas existe aquela possibilidadezinha de que talvez Johanna seja amaldiçoada. E não vou ficar por perto para descobrir.

Nesse suspense entendemos logo de cara que a vida de Dorne não é normal, muito menos tranquila como ela gostaria que fosse. Somos transportados a várias épocas passadas no crescimento de Jo, ao mesmo tempo em que acompanhamos o desenrolar na atualidade. A bibliotecária vinha de uma família amorosa, com pais presentes e tudo o que uma garotinha poderia querer, mas estava destinada a pastar bastante.

Pude sentir seu desespero ao longo dos anos, quando cada vez ficava mais claro que não teria ninguém próximo, ninguém com quem compartilhar nada. No começo minha vontade era de obrigar Joahanna a conversar com os coleguinhas de trabalho, por mais insípidos que fossem, só pra ela sair daquela bad! Mas depois fui percebendo que era melhor não, que era bom deixar ela quieta e até mesmo parar de ler porque, né, eu estava imersa na sua vida, muito perto dela.

Já adianto que não é nada sobrenatural, o que pra mim só deixa as coisas mais interessantes. O que está acontecendo com ela é bem mundano, beeeeem real.

É difícil uma leitora assídua não se identificar com uma personagem soturna, quietinha. Afinal de contas, são MUITOS livros aí para serem lidos e é difícil ter tempo entre trabalho e estudos para manter a meta. Ainda temos que nos preocupar com interação social?! Não é antipatia, é só que alguns livros são muito bons mesmo!

O que atrapalhou um pouco o meu ritmo de leitura foi a descrição demasiada das coisas, acabou que tivemos um tanto de informações que não eram necessárias nem para entendermos mais a história, nem para ambientação.

O final surpreende e, quando você está chegando lá e acha que não pode odiar mais um personagem, você entende porque ele é assim e passa a odiar um pouquinho menos. Bem pouquinho.

Até Eu Te Possuir é um livro obscuro, noir, revoltante. Te faz olhar a crueldade humana com outros olhos, um olhar que nunca mais será o mesmo. A inconformada em mim gostaria de entrar na história e chutar alguns traseiros, mas não tenho muita certeza se seria capaz de não me prender na teia de mistérios que Abuchaim teceu, uma teia intrincada que amordaçou Johanna. Afinal eu não fui capaz escapar da leitura, completamente cativa virando página após página, freneticamente, até chegar ao fim e ficar um tempo ruminando a história…

Leiam Até Eu Te Possuir pra ontem.

Mas sério, mantenha distância de Johanna Dorne.

xoxo

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Refúgio – Harlan Coben

  •     Autor: Harlan Coben
  •    Editora: Arqueiro
  •    Nº de Páginas: 224
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Shelter
  •    Tradutor: Fabiano Morais

   Avaliação: 7,5

Apresentado ao público pela primeira vez no suspense Alta tensão, Mickey Bolitar se vê obrigado a ir morar com seu tio Myron, um ex-agente do FBI, após testemunhar a morte do pai e internar a própria mãe numa clínica de reabilitação. Agora o rapaz precisa se esforçar para conviver com o tio, de quem nunca gostou muito, e ainda se adaptar ao novo colégio.

Para sua sorte, ele logo arruma uma namorada, a doce Ashley, que também é nova na escola. Quando sua vida parece estar entrando nos eixos, o destino lhe reserva uma surpresa: Ashley desaparece misteriosamente.

Determinado a não perder mais uma pessoa importante em sua vida, Mickey contará com a ajuda de seus novos amigos, os excêntricos Ema e Colherada, para seguir o rastro da namorada.

Para piorar, uma idosa reclusa da vizinhança lhe conta que seu pai ainda está vivo, sem dar maiores explicações. Quando esses dois mistérios se cruzam, Mickey descobre que está envolvido numa rede de intrigas que o levará a questionar a vida que acreditava ter.

Perspicaz e esperto como o tio Myron, Mickey está disposto a fazer tudo o que for preciso para salvar as pessoas que ama.

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Pra começo de conversa, eu não sabia que Refugio poderia ser tomado como continuação da série do Myron Bolitar. O que eu sabia é que o protagonista, Mickey, já havia aparecido em Alta Tensão, mas acreditei que essa seria uma nova série e que portanto não teria problemas em começar a ler por esse.

De qualquer forma há sim pequenos spoilers dos livros anteriores, porém não encontrei nenhum buraco nas informações nem dificuldade em captar a estória. Acho que vai de cada leitor escolher se topa ler Refúgio antes da série do Myron.

 ♦

Tudo nesse livro se traduz em mistério.

Seja ele grande ou pequeno, com respostas boas, ruins ou nenhuma, cada canto de Refúgio tem um enigma a ser desvendado e o moleq… digo, Mickey, está mais que disposto a isso!

Como ele se sente…

… como ele realmente é.

Brincadeiras à parte…

Mickey foi um ponto baixo da estória para mim. Como qualquer adolescente ele tem uma mente inquieta, mas como estamos dentro da cabeça dele a narrativa inteira, as divagações ficam cansativas. Sério, entendo que o garoto é um investigador nato, mas a lenga lenga sarcástica me fez desejar uma narrativa em 3ª pessoa.

Ainda falando do Mickey e de como ele poderia ser um mocinho melhor: o menino é grande, alto pra caramba e tem um ego duas vezes maior que ele. Sempre que tem uma chance, começa a discorrer sobre suas qualidades, habilidades e companhia com uma falta modéstia. Tipo: não que eu esteja me gabando, mas sou phoda, sabe? Só estou dizendo…

Se isso já é irritante no nosso cotidiano, imagine no nosso protagonista!

“Me llamo Miguelito”

MAS, pelo menos, os personagens coadjuvantes são um verdadeiro backup team! Não só no enredo, Ema e Colherada salvam o livro do Mickey e deixam tudo mais leve e divertido com suas tiradas sarcásticas ou muito inocentes. Sua vontade de solucionar os mistérios, principalmente a coragem de se envolver neles, me fez admirar essa dupla. Sério, as coisas que Mickey tem de enfrentar são no mínimo muito perigosas e até meio sinistras.

Enfim, é difícil achar amigos que topem invadir a casa de uma velha medonha no meio da noite. Ema e Colherada merecem todo o crédito por na verdade se candidatarem a fazer isso!

Tive certa dificuldade em engrenar a leitura de Refúgio por ser um gênero a que não me dedico muito. Acho válido sairmos da nossa zona de conforto, seja ela qual for, sempre que possível. Essa zona pode dizer muito sobre a personalidade de uma pessoa, mas viver só nela nos deixa preguiçosos e meio inúteis, intelectualmente falando.

Bem, essa é a opinião de alguém que acredita na expansão da mente como forma de evolução, se você não concorda, tudo bem. Só se lembre disso quando estiver entediado de fazer as mesmas coisas de novo e de novo e de novo…

Refúgio é um livro gostoso de ler, bom para passar o tempo e pensar um pouco. É impossível não ficar nem um pouco curioso com o final e com o que vem depois, em Seconds Away. Muitos ganchos e perguntas sem respostas ficam esperando o próximo livro, mas, ao contrário de muita gente, não achei isso frustrante. Pelo contrário, só serviu para me deixar ainda mais curiosa!

Recomendo Refúgio para fãs do Harlan que gostam de uma pegada mais Young Adult e para fãs de Young Adult que estejam atrás de uma coisa diferente e de qualidade!

 

Bom final de semana

xoxo

Chantilly – Mare Soares

Tenho desejos sempre que olho pra essa capa =P

  •  Autor: Mare Soares
  •    Editora: N/T
  •    Nº de Páginas: 147
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2010
  •    Título Original: Nacional
  •    Tradutor:  Nacional
  •    Avaliação: 3,0

Um diário foi escrito. Catherine Aragon, numa atitude desesperada, escreve suas recordações em busca de socorro. Somente dez anos depois suas palavras foram ouvidas por um renomado cientista. Ethan Stuart, um homem com pouco carisma, toma as rédeas da situação para tentar ajudá-la. Ele contará com a ajuda de personagens suspeitos: o exótico Leon Saiter, um alcoólatra sem muita perspectiva, que arriscará a própria vida para obter êxito na resolução do caso, e a interessante Anabelle, que vive um dilema dentro de si onde questionará suas verdades e seus valores. A tríade investigadora conclui a soma dos catetos, tornando Chantilly um dos desafios mais intrigantes do seu viver. Mergulhe nesta aventura, em um ambiente noir, repleta de mistérios a serem desvendados numa cidade onde as pessoas perderam as lembranças.

P.S. de antes: Antes de qualquer, a revisão do livro ficou mara, melhor do que a revisão de muita editora famosa por ai…

Bem, quando a Mare me pediu para fazer essa resenha, deixou claro que gostaria que ela fosse o mais sincera possível. Não seria justo com ela, com vocês ou comigo se não me esforçasse para isso.

Tive grandes expectativas em relação à essa obra, mas, infelizmente, quase nenhuma delas escapou de ser frustrada.

A sinopse de Chantilly promete nos levar através de um emocionante mistério, através França, junto dos três ‘investigadores’. A parte mais promissora do livro é justamente essa. Não me levem a mal! A história começa com uma boa troca de cartas entre Catherine e Ethan, ele doido para conhece-la pessoalmente e entrevista-la a respeito do problema de memória, mas ela se recusa. Daí Ethan conhece Leon, outro cara de Chantilly (a cidade), que diz, dez anos depois, estar perdendo suas memórias. (Não, Leon não é velho, pensem nele como Johnny Depp). Ethan despreza Leon, porém o mantém por perto, para investigar.

Então você pensa, humm, interessante, o que eles vão descobrir agora? A resposta: nada. O livro todo repete o quanto Ethan foi atrás de informações, o quanto Ethan pesquisou, o quanto Ethan rodou… é tudo tão vago e impessoal que me desanimou. O mesmo aconteceu com os personagens e suas relações, nenhum deles recebeu um aprofundamento digno! Não adianta o narrador dizer ‘essa é Anabelle, ela é uma mulher misteriosa, ela é exótica’ e não me dizer o por quê! Exótico pra mim é lêmure! Ethan e Leon também não ajudam, o primeiro acaba sendo uma nulidade e o segundo, mesmo ‘usando’ mais páginas, é totalmente confuso, o que não te leva para trás. Mas com certeza não caminha para frente. Não há espaço para uma possível identificação com os personagens, e isso é fundamental para a construção de uma empatia pela estória. O cenário é tremendamente ignorado, em nenhum momento ( que não dissesse especificadamente ‘fulano está em tal lugar’) me lembrei de que eles estavam na França, simplesmente não conseguia visualizar nada!

Os diálogos, para combinar com a falta de informação, foram forçados a estar ali. Esqueça qualquer discussão inteligente, cômica, acalorada ou suspirante, o que seja!  Não estão lá.

Well, o livro não me cativou, e não foi porque o li em uma má hora ou sem vontade (muito pelo contrário !), mas a falta de sentimento, de profundidade, me fez passar pela leitura inabalada. Não estou dizendo que para um livro ser bom tem que te fazer chorar aos cântaros, rir histericamente, chamar pela mamãe de medo ou infligir qualquer emoção exagerada, porém o mínimo de comoção é básico. Foi como se eu estivesse lendo o esqueleto da obra, ainda sem carne, sangue e nervos. A melhor analogia possível é o clássico: sem sal, nem açúcar. O que era pra ser noir, não foi nem grise e, com a previsibilidade piorando conforme fui chegando ao fim, só fiquei ainda mais desmotivada…

Nas últimas páginas, Mare compartilha conosco algumas curiosidades sobre a criação de Chantilly. Foi lendo aquilo que me dei conta do motivo de tanta apatia. Originalmente a Mare queria um roteiro de filme, mas então decidiu fazer um livro! Daí pensei com os meus botões, humm, e se fosse um filme? Acho que ficaria bem bacana até… Logo, se Chantilly fosse um longa metragem, todas as imagens que não pude formular em minha mente estariam ali, provavelmente eu até torceria por um personagem ou outro, me envolveria de fato com a trama.

Balanço final: uma pena. A autora teve uma sacada genial, porém não soube aproveitá-la da melhor forma. Apenas me resta torcer para que Copenhague, continuação de Chantilly, tenha tudo o que me fez tanta falta em seu predecessor.

Xo, boa quinta for everyone!

P.S. de depois(pleonasmo-mo): Gente, eu gostaria de deixar muito claro que não tive a intenção de ser cruel, rude ou implicante com o livro nessa resenha e, principalmente, que não tenho absolutamente NADA contra Mare Soares! Pelo contrário, a admiro por dar a cara a tapa e batalhar para ser escritora nesse país que pouco estimula a literatura.