Simplesmente Fui Ver – A Promoção

simplestopConhecem a autora independentíssima Cíntia Magalhães? Bom, agora vocês vão conhecer ela e bem, ela e o mundo todo!

Acontece que  a jornalista Cíntia virou au pair, viajou e viajou e viajou e quando parou pra tomar fôlego, escreveu um livro. Não se trata de um guia propriamente dito, apesar das fotos maravilhosas, nem de um diário, é mais um guiário interessantíssimo para qualquer um que queira saber mais sobre ‘lá fora’ através da ótica de alguém que aproveitou e muito o ‘lá fora’.

Mas como, blogueira, como eu boto minhas mãos nessa preciosidade?

Comece por participar da promoção que eu e a Soraya, do  Meu Meio Devaneio estamos organizando com carinho, se ainda assim você não achar que está com sorte o suficiente, é só correr para a page do livro e fazer a esta!

Mas não deixe de se inscrever AQUI, porque , vai que, né?

 

simplesbotton

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Camundo, O Desenho e a Sombra – Nanuka Andrade

  •    Autor: Nanuka Andrade
  •    Editora: Underworld
  •    Nº de Páginas: 378
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2011
  •    Avaliação: 8,5
Depois de fugir de um asilo de desvalidos, Camundo encontra abrigo na casa de um rico e influente ervateiro. O que poderia ser um final feliz para um menino abandonado, acaba se tornando em uma infeliz sucessão de acidentes e infortúnios. Camundo não é um menino comum; é capaz de desenhar coisas terríveis, que acontecem logo em seguida: incêndios, acidentes e crimes, entre outras temeridades. O que Camundo não sabe é que desenhos assim podem despertar interesse de gente perigosa, como uma sociedade secreta, conhecida por Asseclas do Lagarto, que está disposta a tudo para trazer um segredo milenar à tona, escondido nos corredores subterrâneos da cidade.
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“Nossa, o IYRDIW tem resenhas também?!”

Há há, eu sei, faz tempo que não tem uma resenha… ok, postei de tudo aqui na última semana, menos resenha. Shame on me, não vai se repetir.

Bem, falar de Camundo, o Desenho e a Sombra sem pensar na ótima pesquisa histórica é meio que impossível. Enquanto o garoto anda pelas ruas de Curitiba ( Yey! O livro se passa no Brasil!) na companhia da espevitada Malini, fui aprendendo muito dos costumes da época bem como a história da própria cidade. Eu a-d-o-r-o história.

Quando o magrelo Camundo é retirado às pressas na calada da noite, do Asilo, pela arrumadeira Mariana e levado para o Senhor Duarte, as coisas mudam radicalmente na sua vida já fora do comum. Lá ele descobre que não é o único a desenhar coisas que estão por acontecer. Também fica sabendo um pouco do passado de sua mãe desaparecida.

E claro, que os Homens do Lagarto vão caça-lo.

Qualquer criança se esconderia e deixaria os adultos tomarem conta da situação. Não Camundo.

Em parte por ser um menino curioso e inteligente, mas principalmente porque Malini, a filha do Senhor Duarte, jamais ia deixar uma aventura daquelas escapar! Pausa de apreciação à menina Malini:

É isso ai, queridinha

Porém, como nada nunca é simplesmente preto-no-branco, talvez os mocinhos não sejam tão bons quanto parecem, e os caras sinistros tenham mais respostas do que Camundo queira admitir…

Não levei muito tempo para perceber o que mais me encantou na leitura de Camundo, sua narrativa.

A enorme maioria dos livros para jovens lançados ultimamente são narrados em primeira pessoa, ou, quando em terceira, são extremamente objetivos. Isso NÃO é uma algo ruim, mas poucas coisas superam a poesia em prosa daqueles livros juvenis de 1960 pra trás. Quem não viajou mais alto nas belas palavras bem colocadas de C. S Lewis? Ou com Monteiro Lobato?

A questão não é a sofisticação da escrita, sim sua simplicidade. Aquele gostinho de estória-que-a-minha-vó-contou. Camundo – O Desenho e a Sombra é exatamente assim, e me pegou no contrapé. Saí de leituras que buscavam a agilidade para dar ritmo à estória e não esperava toda essa prosa! Ainda que, em alguns momentos, eu preferisse menos descrições e mais ações, no geral foi uma escrita muito agradável de se ler!

A revisão deixou a desejar, mas não temos palavras erradas ou repetidas, como acontecem em 4 de 5 dos primeiros livros da editora. São pontos finais nos lugares errados, letras maiúsculas onde deveriam estar minúsculas e várias palavras emendadas umas nas outras. Nada que atrapalhe a leitura ou te deixe muito

só precisou de um pouco mais de atenção. Coisa que uma segunda edição dá conta, sem problemas.

Nanuka está de parabéns, Camundo tem tudo para ser um grande sucesso e eu não vejo a hora de conferir O Signo Oculto!

 

xoxo e bom feriado!

Chantilly – Mare Soares

Tenho desejos sempre que olho pra essa capa =P

  •  Autor: Mare Soares
  •    Editora: N/T
  •    Nº de Páginas: 147
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2010
  •    Título Original: Nacional
  •    Tradutor:  Nacional
  •    Avaliação: 3,0

Um diário foi escrito. Catherine Aragon, numa atitude desesperada, escreve suas recordações em busca de socorro. Somente dez anos depois suas palavras foram ouvidas por um renomado cientista. Ethan Stuart, um homem com pouco carisma, toma as rédeas da situação para tentar ajudá-la. Ele contará com a ajuda de personagens suspeitos: o exótico Leon Saiter, um alcoólatra sem muita perspectiva, que arriscará a própria vida para obter êxito na resolução do caso, e a interessante Anabelle, que vive um dilema dentro de si onde questionará suas verdades e seus valores. A tríade investigadora conclui a soma dos catetos, tornando Chantilly um dos desafios mais intrigantes do seu viver. Mergulhe nesta aventura, em um ambiente noir, repleta de mistérios a serem desvendados numa cidade onde as pessoas perderam as lembranças.

P.S. de antes: Antes de qualquer, a revisão do livro ficou mara, melhor do que a revisão de muita editora famosa por ai…

Bem, quando a Mare me pediu para fazer essa resenha, deixou claro que gostaria que ela fosse o mais sincera possível. Não seria justo com ela, com vocês ou comigo se não me esforçasse para isso.

Tive grandes expectativas em relação à essa obra, mas, infelizmente, quase nenhuma delas escapou de ser frustrada.

A sinopse de Chantilly promete nos levar através de um emocionante mistério, através França, junto dos três ‘investigadores’. A parte mais promissora do livro é justamente essa. Não me levem a mal! A história começa com uma boa troca de cartas entre Catherine e Ethan, ele doido para conhece-la pessoalmente e entrevista-la a respeito do problema de memória, mas ela se recusa. Daí Ethan conhece Leon, outro cara de Chantilly (a cidade), que diz, dez anos depois, estar perdendo suas memórias. (Não, Leon não é velho, pensem nele como Johnny Depp). Ethan despreza Leon, porém o mantém por perto, para investigar.

Então você pensa, humm, interessante, o que eles vão descobrir agora? A resposta: nada. O livro todo repete o quanto Ethan foi atrás de informações, o quanto Ethan pesquisou, o quanto Ethan rodou… é tudo tão vago e impessoal que me desanimou. O mesmo aconteceu com os personagens e suas relações, nenhum deles recebeu um aprofundamento digno! Não adianta o narrador dizer ‘essa é Anabelle, ela é uma mulher misteriosa, ela é exótica’ e não me dizer o por quê! Exótico pra mim é lêmure! Ethan e Leon também não ajudam, o primeiro acaba sendo uma nulidade e o segundo, mesmo ‘usando’ mais páginas, é totalmente confuso, o que não te leva para trás. Mas com certeza não caminha para frente. Não há espaço para uma possível identificação com os personagens, e isso é fundamental para a construção de uma empatia pela estória. O cenário é tremendamente ignorado, em nenhum momento ( que não dissesse especificadamente ‘fulano está em tal lugar’) me lembrei de que eles estavam na França, simplesmente não conseguia visualizar nada!

Os diálogos, para combinar com a falta de informação, foram forçados a estar ali. Esqueça qualquer discussão inteligente, cômica, acalorada ou suspirante, o que seja!  Não estão lá.

Well, o livro não me cativou, e não foi porque o li em uma má hora ou sem vontade (muito pelo contrário !), mas a falta de sentimento, de profundidade, me fez passar pela leitura inabalada. Não estou dizendo que para um livro ser bom tem que te fazer chorar aos cântaros, rir histericamente, chamar pela mamãe de medo ou infligir qualquer emoção exagerada, porém o mínimo de comoção é básico. Foi como se eu estivesse lendo o esqueleto da obra, ainda sem carne, sangue e nervos. A melhor analogia possível é o clássico: sem sal, nem açúcar. O que era pra ser noir, não foi nem grise e, com a previsibilidade piorando conforme fui chegando ao fim, só fiquei ainda mais desmotivada…

Nas últimas páginas, Mare compartilha conosco algumas curiosidades sobre a criação de Chantilly. Foi lendo aquilo que me dei conta do motivo de tanta apatia. Originalmente a Mare queria um roteiro de filme, mas então decidiu fazer um livro! Daí pensei com os meus botões, humm, e se fosse um filme? Acho que ficaria bem bacana até… Logo, se Chantilly fosse um longa metragem, todas as imagens que não pude formular em minha mente estariam ali, provavelmente eu até torceria por um personagem ou outro, me envolveria de fato com a trama.

Balanço final: uma pena. A autora teve uma sacada genial, porém não soube aproveitá-la da melhor forma. Apenas me resta torcer para que Copenhague, continuação de Chantilly, tenha tudo o que me fez tanta falta em seu predecessor.

Xo, boa quinta for everyone!

P.S. de depois(pleonasmo-mo): Gente, eu gostaria de deixar muito claro que não tive a intenção de ser cruel, rude ou implicante com o livro nessa resenha e, principalmente, que não tenho absolutamente NADA contra Mare Soares! Pelo contrário, a admiro por dar a cara a tapa e batalhar para ser escritora nesse país que pouco estimula a literatura.