Príncipe Mecânico – Cassandra Clare

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  •    Autor: Cassandra Clare
  •    Editora: Galera Record
  •    Nº de Páginas: 406
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: Clockwork Prince
  •    Tradutor: Rita Sussekind

   Avaliação: 9,0

Tessa Gray não está sonhando. Nada do que aconteceu desde que saiu de Nova York para Londres — ser sequestrada pelas Irmãs Sombrias, perseguida por um exército mecânico, ser traída pelo próprio irmão e se apaixonar pela pessoa errada — foi fruto de sua imaginação. Mas talvez Tessa Gray, como ela mesma se reconhece, nem sequer exista. O Magistrado garante que ela não passa de uma invenção. Para entender o próprio passado e ter alguma chance de projetar seu futuro, primeiro Tessa precisa entender quem criou Axel Mortmain, também conhecido como Príncipe Mecânico.

Ei você! É, você mesmo que não leu Anjo Mecânico! Está ouvindo isso? Esse é o som dos spoilers-autômatos do Magistrado vindo te pegar! Então vá ler o livro e só volte aqui quando aprender a matá-los!

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Antes de mais nada:

Principe Mecanico

Desculpa, eu precisava…

Retomando…

Então, como sempre, essa sou eu em posse de um novo livro de Cassie Clare:

E, como sempre, essa sou eu no final de cada leitura nova de Cassie Clare:

Acredite, é o livro ou eu.

A maioria das pessoas passa a vida toda procurando por um grande amor, Tessa é suficientemente sortuda para ter dois.

Ela é?

Ela é mesmo?

É verdade que essa estória é mais sobre o triângulo amoroso do que toda a trama entre ela. E pasmem: você me vê reclamando? Não!

Podem dizer que a maior falha desse livro é ser tão focado nos relacionamentos entre os personagens, que acabamos com mais perguntas do que respostas e o restante parece ser deixado de lado, mas dane-se! EU QUERO SABER O QUE ACONTECE COM ELES! Não tenho vergonha de admitir, criei um vínculo tão grande com Tessemill (Tessa + Jem + Will) que se o Magistrado explodisse bem do meu lado eu iria rapidamente abanar a fumaça e tentar espiar para ver o que os três estavam fazendo!

Acho que essa é a grande conquista do livro e da Clare como autora. Você fica genuinamente envolvido com Tessa e Will e Jem, até com os outros Caçadores de Sombras e, na maior parte do tempo, deseja que Magnus Bane e o restante do Submundo fosse bem real.

No momento em que cheguei ao meio, eu estava completamente seduzida por Tessa e Will … e Jem. Como, como poderia alguém amar duas pessoas tão diferentes, tanto no caráter e humor? Como poderia alguém se importa o suficiente não com um, mas dois estranhos -e por estranhos eu quero dizer uma pessoa que não é da família, vem de fora e não tem laços de sangue nem obrigação moral- para dar de bom grado a sua vida e felicidade em troca da deles?

A maioria das pessoas passa a vida toda procurando por um grande amor, Tessa é suficientemente sortuda para ter dois.

Ela é?

Ela é mesmo.

Ok, falando assim parece que não acontece nada no livro todo, acontece. Não diria que esse é o mais cheio de ação, mas as coisas que descobrimos sobre Magnus, as alianças formadas e as promessas quebradas, tudo com certeza contribui para que o livro fique longe de ser parado! Se você leu minha resenha de Anjo Mecânico sabe que uma coisa me incomodou muito na mocinha, a parte onde praticamente qualquer um poderia dar uma surra de gato molhado nela e ela nem saberia por onde começar a reagir. Cassandra Clare solucionou meu problema e botou Tess, junto com Sophie, para aprenderem a se defender com dois moços quase sem nenhum destaque: Gabriel e Gideon Lightwood. Adoro como o Gabriel apesar de odiar Will com todas as forças, é tão parecido com ele.

“Eles não são horríveis,” disse Tessa.

Will piscou para ela. “Como?”

“Gideon e Gabriel,” disse Tessa. “Eles são realmente muito bonitos,  ele não são horríveis de jeito nenhum.”

“Eu me referi,” disse Will, em um tom sepulcral, “as profundezas escuras feito piche de suas almas.”

Tessa fungou. “E de que cor você acha que as profundezas da sua alma são, Will Herondale?”

“Lavanda.” disse Will.

Chegando a reta final, tenho que dizer, a falta de consideração da autora pelos sentimentos de seu público continua, para dizer o mínimo, em alta. Quando você acha que a situação não pode ficar mais dramática, de alguma forma ela dá um jeito de apertar um botão mágico e…  deixar tudo ainda mais doido e angustiante! Especificamente, quando terminei Príncipe Mecânico eu voltei uma página, duas, três, o capítulo, olhei atentamente para me certificar de que era aquilo mesmo, aquele era o fim até Princesa Mecânica

Então, depois de muitos anos de contemplação, eu finalmente decidi o que eu quero ser quando crescer: Caçadora de Sombras na era vitoriana. Vamos lá, pessoas! Eles podem ter toda luta-com-espadas/matança-de-demônios que quiserem e ainda usar vestidos incríveis!

 

xoxo

A Rainha Branca – Philippa Gregory

  •     Autor: Philippa Gregory
  •    Editora: Record
  •    Nº de Páginas: 433
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: The White Queen
  •    Tradutor: Ana Luiza Borges

   Avaliação: 9,0

Irmãos e primos lutam entre si para conquistar o trono da Inglaterra neste fascinante relato da Guerra das Duas Rosas, o conflito que opôs a Casa de Lancaster, cujo símbolo é uma rosa vermelha, à Casa de York, representada pela rosa branca. Em meio à guerra, a viúva Elizabeth Woodville desperta a atenção do jovem rei Eduardo IV, e os dois se casam em segredo.

Rainha em um país instável, Elizabeth se vê enredada nas intrigas da corte, ao mesmo tempo em que luta pelo êxito de sua família e precisa enfrentar inimigos poderosos, como os irmãos do rei.

A Rainha Branca é o primeiro volume da série A Guerra dos Primos, que relata a ascensão da dinastia Tudor ao poder.

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É extremamente difícil ler um livro quando já se sabe o final, principalmente um final tão trágico quanto o desse episódio na história. Uma vez mais Philippa Gregory mostra a importância da maneira como as coisas são contadas, às vezes mais influentes do que os próprios fatos em si.

Digo isso porque não há como não torcer por essa Elizabeth Woodville, admirar toda a dose de coragem e astúcia que ela empregou para manter a si e aos seus com a cabeça à tona numa época em que absolutamente nada era garantido. Independente da verdade documentada ser ainda mais amarga do que a visão de Gregory, desafio qualquer um a não se compadecer dessa viúva que domou um rei e querer que seus inimigos, os milhares deles, queimem em praça pública.

“Bitch, Elizabeth Woodville is fabulous”

Não é segredo que sou completamente fascinada pelos períodos dos governos Plantageneta e Tudor na Inglaterra medieval, e que posso passar várias horas reunindo informações das diversas figuras que jogaram os jogos da corte e acenderam ou morreram por isso. Então quando um livro desse tipo aparece na minha reta, é meio que impossível não ler!

Ok, ok, Philippa Gregory romantiza E MUITO os fatos históricos, mas faz isso de acordo com a sua visão e através de muita pesquisa. Numa nota final ela explica onde tomou mais liberdades e onde ateve-se à história, mas a leitura livre é tão boa que te leva a maquinar e pensar junto com os personagens a ponto de criar sua própria teoria para o desfecho.

Nesse livro a acusação de bruxaria que a mãe da rainha sofreu foi levada ao nível do e se? E se essas mulheres de poder fossem mesmo pagãs disfarçadas? Sério gente, bruxaria em 1460! Como não amar??

Outro ponto interessante é saber que o rei de fato casou-se por amor com uma viúva plebeia e contrariou planos extremamente beneficentes para a seu trono tão novo e incerto ao coroá-la rainha. Eduardo fez de Elizabeth uma figura de adoração pública, inatingível a todos menos ele e fez sempre questão de assegurar que a sua louvada rainha era quem tinha seu coração. Se não por amor a ela, ao menos para dar a sensação de estabilidade ao reino. Porém não poderia ser deixado de fora, por exemplo, a quantidade absurda de amantes que ele teve ao longo dos anos. A autora converteu isso a uma noção de “Eu as desejo e as tenho, mas é para você que sempre volto, minha rainha.”

Sendo bem sincera, na época isso era bem mais do que uma mulher, principalmente na posição de Elizabeth, poderiam esperar. Era comum reis exibirem suas amantes e as deixarem ganhar influência até mesmo sobre a rainha. Vide Henrique III. Então Eduardo favorecer Elizabeth e jamais pavonear suas prostitutas na sua presença era considerado um ato de amor.

Dane-se, eu ainda queria poder estrangular o @#%!@#!

Tá, ok, talvez eu não o estrangularia, tenho que admitir que os dois juntos foram capazes de me fazer chorar de emoção mais de uma vez, bem mais de uma vez.

De qualquer forma, esse não é um livro de romance. Nossa heroína aguenta tudo com dignidade. Não será um bando de amantes menores que tirarão seu foco do que realmente importa, manter sua família toda a salvo dos trocentos inimigos que teimam em voltar e voltar para tirar a coroa de seu marido, de preferência com a sua cabeça junto.

Romance histórico com paixões tórridas, promessas, traições, surpresas e MUITA intriga, acima de tudo A Rainha Branca ensina que, quando se deseja algo de todo coração, o desejo se torna realidade. E o resultado é catastrófico.

xoxo e boa semana!

P.S.: As capas originais são bem mais bonitas, só dizendo…

Paperbacks ❤

Anjo Mecânico – Cassandra Clare

Menos brilhante, mas não menos bonita. Só o ‘m’ minúsculo que me irritou profundamente…

  •     Autor: Cassandra Clare
  •    Editora: Galera Record
  •    Nº de Páginas: 392
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Clockwork Angel
  •    Tradutor: Rita Sussekind
  •    Avaliação: 9,0

Anjo mecânico apresenta o mundo que deu origem à série Os Instrumentos Mortais, sucesso de Cassandra Claire. Nesse primeiro volume, que se passa na Londres vitoriana, a protagonista Tessa Gray conhece o mundo dos Caçadores de Sombras quando precisa se mudar de Nova York para a Inglaterra depois da morte da tia. Quando chega para encontrar o irmão Nathaniel, seu único parente vivo, ela descobrirá que é dona de um poder que capaz de despertar uma guerra mortal entre os Nephilim e as máquinas do Magistrado, o novo comandante das forças do submundo. 

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Vamos deixar claro uma coisa antes: Cassandra Clare está no meu Top 10 de autores preferidos. EVER.

As Peças Infernais tem um brilho diferente de Os Instrumentos Mortais para mim. E mesmo assim não consigo dizer qual minha série preferida, pois elas são muito parecidas. É quase um paradoxo. Cada uma me encanta e me irrita na mesma proporção, mas em pontos distintos.

No caso de As Peças Infernais – Anjo Mecânico, a oscilação da presença de espirito de Tessa me deixa com raiva da personagem diversas vezes. A garota dá respostas à altura e segura as pontas quando se intimida, não demonstrando. Porém sua vulnerabilidade surge em momentos em que eu pediria uma heroína mais durona. É tudo muito pessoal, mas eu prefiro garotas que partem pra ‘porrada’ quando precisam.

E tem o detalhe de ela não gostar de chocolate. I know!

Agora, o que mais me encanta no primeiro livro da série é, juro pra vocês, o triangulo amoroso!

É sério.

Sabe quando o autor te força a ver como os dois mocinhos são derretidíssimos pela mocinha e como ela é virtuosa a ponto de se matar em dúvidas sobre com quem ficar, estarrecida pela mera ideia de magoar um milímetro do corpo geralmente bem definido do rejeitado. Aliás, rejeitado é uma palavra feia e forte, a mocinha sempre ama ambos de todo coração até que alguma coisa acontece, totalmente forçada pelo autor e previsível desde a primeira vista do triangulo, e a garota se decide e todos ficam felizes para sempre.

Meh.

Pelo Anjo, o livro da Cassandra Clare não é assim! É claro que você tem uma dica, um sentimento, de como as coisas podem acabar, mas pode não ser assim, ou melhor, não precisa ser assim para termos uma boa estória. É isso que todo o tempero do romance e me deixou acordada a madrugada toda querendo mais e mais páginas.

Em segundo plano, outro motivo para eu ser tão apaixonada por essa série são seus personagens. Tessa, apesar de ter suas oscilações irritantes poderia ser bem pior, admito, mas ela é ofuscada por Will e Jem e até mesmo por Jessamine em alguns pontos.

Will e Jem são, na minha cabeça, versões mais jovens e mais bonitas de Sherlock Holmes e John Watson nas novas adaptações das estórias de Holmes para o cinema. Sim, Jem na minha cabeça consegue ser ainda mais bonito que Jude Law, mas enfim, o que quero dizer: as personalidades, o humor e a relação dos dois são EXTREMAMENTE parecidas com os personagens do cinema. Ou seja, se você gostou do que assistiu nas telonas, vai amar ler num livro de Caçadores de Sombras.

Vamos ilustrar:

“-Jem se inclinou para a frente, apoiando o queixo na mão[…] –Existe alguma razão específica para viver mordendo vampiros?

Will tocou o sangue seco nos pulsos e sorriu.

-Eles nunca esperam que eu vá fazer tal coisa.” Pág. 225

Ooooou

“Jem riu alto.

-Não diria isso. Às vezes quero estrangulá-lo.

-E Como consegue se conter?

-Vou para o meu lugar preferido de Londres – disse Jem -, e fico ali olhando para a água e pensando na continuidade da vida, em como o rio segue, sem se importar com nossos problemas mesquinhos.

Tessa ficou fascinada.

-E funciona?

-Na verdade, não, mas depois disso penso em como eu poderia mata-lo enquanto dorme se eu realmente quisesse, e me sinto melhor.” Pág. 254

Olha, eu gosto, ok? E eles são completamente adoráveis juntos, sério!

Há também Jessamine, uma jovem Caçadora de Sombras que faria qualquer coisa para não ter nascido assim. Ela quer ser uma dama da sociedade e não se preocupar com ninguém entrando ensopado de sangue em sua casa! Para isso, Jessie é capaz de manipular sem dó qualquer um. O engraçado é que a moça tem um senso da vida muito peculiar e trata tudo que possa a ajudar a alcançar seus objetivos como se fosse uma experiência de laboratório. O resto, bem, é resto.

Obviamente há uma gama de outros personagens, novos e velhos conhecidos de Instrumentos Mortais, mas não vou me ater a eles aqui, prefiro falar dos que se destacaram para mim. Também existe a dúvida de quem ainda não leu a primeira série da Cassandra Clare e quer saber se vale a pena seguir a cronologia da estória…

Sinceramente?

Não.

Além de Instrumentos Mortais ser mais completo em relação às informações do mundo dos Shadow Hunters, a graça de ter referências à parte da estória que ainda vai acontecer é impagável!

Enfim, com a ressalva de poucos erros de revisão/tradução, recomendo fortemente Anjo Mecânico para quem gosta de fatos históricos misturados com mistérios, sobrenatural, romance de bom gosto e mocinhas à frente de sua época!

Provavelmente Príncipe Mecânico só sairá aqui no começo do ano que vem, mas o verdadeiro drama é de quem já leu esse em inglês mesmo quando foi lançado (06/12/11) e vai ter que esperar até março de 2013 pra descobrir como tudo termina em Clockwork Princess.

I know!

xoxo e boa semana!

Meus Pensamentos Em… Trilogia Gemma Doyle – Libba Bray

Essa aqui está na estante de raridades. Vejam bem vocês, é uma trilogia… com três livros! Não é coisa que se veja todo dia, mas existe!

Vamos entrar no clima? Dá o play!

Uma das minhas épocas preferidas da história inglesa é a Era Vitoriana, só perdendo para o final da Idade Média, lá por 1400 d.c.. A boa rata de biblioteca que sou, sempre vasculhei as estantes à procura de livros sobre o cotidiano das pessoas que viveram séculos atrás, tanto ficções quanto não-ficções.

Mas recentemente descobri os YAs históricos… e surtei! Não só são embasados em costumes ‘de época’ como trazem heroínas jovens e de identificação fácil com o leitor. Melhor ainda, descobri YAs históricos com tempero sobrenatural!

Daí foi só correr pro abraço.

Se joga!

Dois dos exemplos mais famosos de YAs históricos (com toques de fantasia ou não) são a série The Luxe, da norte-americana Anna Godbersen, que mergulha na sociedade nova-iorquina do final do século XIX e a Trilogia Gemma Doyle, da também norte-americana Libba Bray.

(clique para ler a sinopse)

Conheci Gemma Doyle, uma ruiva de dezesseis anos da pá-virada, em meados de 2010 quando me deparei com Anjos Rebeldes numa livraria. Ele tinha acabado de ser lançado e por pouco mesmo não levei achando que era volume único. Rodei muito até finalmente achar seu predecessor, Belezas Perigosas, lançado aqui em 2008, e começar a leitura.

É até embaraçoso dizer quão rápido a narrativa me ganhou. Sério. #LibbaBraySlut

Na trilogia temos tanto a Londres de 1895 quanto as colônias na Índia, a Academia Spence e Os Reinos. Os Reinos são lugares mágicos, paralelos a esse mundo que guardam todo tipo de sonho e criatura das mais diversas mitologias.

Para manter tudo em seus devidos lugares há a Ordem e o Rakshana. Ou pelo menos deveria haver.

Mas a ambição levou desequilíbrio e desgraça para todos. As mulheres da Ordem e os homens do Rakshana não trabalhavam mais em conjunto e uma corrida pelo Poder, poder mágico mesmo, capaz de controlar Os Reinos e até a Terra, começou. Os Reinos foram fechados para os humanos e uma profecia foi feita.

É, sempre tem uma profecia.

Deixando um pouco de lado a trama, vamos pensar um pouco na urdidura, o que segura os fios no lugar de qualquer estória. A narrativa.

(Pode clicar, também tem sinopse)

O que mais gosto na escrita de Libba Bray é a honestidade. Ninguém nos promete sequências arrebatadoras, descrições sofisticadas ou aquele monte de adjetivos que críticos pagos gostam de jogar na nossa cara. Deve ser bem por isso que sempre fui capaz de sentar e aproveitar tudo o que os livros tem a oferecer de melhor: o humor, a pesquisa sobre a vida privada da época, o sarcasmo, os valores incutidos e a criatividade tanto com o cenário quanto com as relações dos personagens.

A trilogia aborda paralelamente repressão sexual, homossexualismo e pedofilia, tudo da maneira velada comum à época. As meninas lutam para fugir da ignorância imposta às moças mesmo numa instituição de ensino. Elas precisam aprender a pensar e julgar por si mesmas o mundo a sua volta, para só assim terem chance de enfrentar as armadilhas da Ordem e Rakshana.

Falando em Rakshana, algo que me decepciona é Kartik. Gostaria que Bray explorasse mais esse personagem além do romance relutante entre ele e Gemma. Eles demoram uma vida para sair do suposto desprezo mútuo e a situação me aborreceu um tanto. Sempre que o perigo eminente acabava lá estavam os dois se repelindo outra vez:

Porém, mesmo que tenha um peso crescente na estória, o romance está longe de ser o ponto principal.

Os dois primeiros volumes são ágeis e de leitura extremamente rápida, mas o terceiro apela para mais informações. Acredito que ele poderia até ser dividido em dois livros, mantendo um tamanho padrão sem perder nada, mas daí não seria uma trilogia, certo? Alguns leitores reclamaram do ritmo mais lento de Doce e Distante e não tiro a sua razão, estávamos todos acostumados a uma coisa um tanto mais objetiva. Porém, não dá para negar que, se a autora cortasse as partes não diretamente ligadas a trama principal, o destino final das meninas não ficaria tão claro, nem faria tanto sentido!

Afinal, a Trilogia não trata só das aventuras das quatro amigas Gemma, Felicity, Ann e Pippa pelos Reinos, nem se resume à Gemma aprendendo a controlar seus poderes. Temos muito da vida e dos desejos das garotas, a tentativa de sobreviver a uma academia cujo lema é graça, charme e beleza, e o jogo de xadrez em escala maior que era a vida de qualquer bem-nascido na Inglaterra.

Scarlett foi educada na versão Georgia da Spencer, viram como ela se saiu bem com o Butler?

Enquanto os dois primeiros seguem uma linha mais leve, com suspense sim, mas algo indiscutivelmente inocente (até mesmo na Felicity!) o terceiro é sombrio. Não só pelos seres assustadores que se aproveitam do desequilibrio nos Reinos para dar as caras. A tensão dos segredos guardados entre as amigas, inveja, ciúme e incerteza geram um cenário desconfortável. O que é bom, pois deixa o leitor atento a cada detalhe até o final.

Ah, o final. 

Houston, we have a problem. Acho que devo um aviso a respeito do desfecho da trilogia  mas já adianto, a coisa vai ficar feia com spoilers encantados e sátiros macabros pra todo lado! (se você não quer saber PARE BEM AI ONDE ESTÁ, assista isso aqui e vá ser feliz!)

Tem certeza que quer continuar?

Sério, vá ver o vídeo, ou outro post, estamos falando do final da trilogia aqui!!

Enfim…

O final de Doce e Distante me pegou desprevenida.

Não podia ser mais indesejado e injusto! É daqueles que você não se conforma que realmente aconteceu e se recusa a sossegar até a última página, porque acredita que, de alguma forma, a autora vai se apiedar dos personagens e de NÓS e reverter a situação.

Me senti abandonada.

TUDO estava indo bem, parecia que as coisas iam se ajeitar, mas então…

… shit got real. Não importa o quanto eu dissesse pra mim mesma que não ia ser daquele jeito.

Mas elas acabaram, e eu fiquei lá.

 Admiro autores que tem coragem para pensar fora da caixa e botar em prática desfechos não convencionais. Aqueles que não seguem o felizes para sempre da Disney. Hoje em dia é difícil encontrarmos finais que nos surpreendem pois muita gente tem medo de desagradar e ser diminuído por isso.

Acredito que quanto mais emoções um livro (!bem escrito!) te desperta, boas ou ruins, mais merecedor de atenção ele é.

A trilogia Gemma Doyle me despertou vários tipos de sentimentos ao longo dos anos e das páginas, por isso é uma das minhas preferidas. Recomendo a jovens inquietos de todas as idades.

A Vida em Tons de Cinza – Ruta Sepetys

  •    Autor: Ruta Sepetys
  •    Editora: Arqueiro
  •    Nº de Páginas: 240
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2011
  •    Título Original: Between Shades of Grey
  •    Tradutor: Fernanda Abreu
  •    Avaliação: Esse livro não vai receber uma nota.
1941. A União Soviética anexa os países bálticos. Desde então, a história de horror vivida por aqueles povos raras vezes foi contada. Aos 15 anos, Lina Vilkas vê seu sonho de estudar artes e sua liberdade serem brutalmente ceifados. Filha de um professor universitário lituano, ela é deportada com a mãe e o irmão para um campo de trabalho forçado na Sibéria. Lá, passam fome, enfrentam doenças, são humilhados e violentados. Mas a família de Lina se mostra mais forte do que tudo isso. Sua mãe, que sabe falar russo, se revela uma grande líder, sempre demonstrando uma infinita compaixão por todos e conseguindo fazer com que as pessoas trabalhem em equipe. No entanto, aquele ainda não seria seu destino final. Mais tarde, Lina e sua família, assim como muitas outras pessoas com quem estabeleceram laços estreitos, são mandadas, literalmente, para o fim do mundo: um lugar perdido no Círculo Polar Ártico, onde o frio é implacável, a noite dura 180 dias e o amor e a esperança talvez não sejam suficientes para mantê-los vivos. A vida em tons de cinza conta, a partir da visão de poucos personagens, a dura realidade enfrentada por milhões de pessoas durante o domínio de Stalin. Ruta Sepetys revela a história de um povo que foi anulado e que, por 50 anos, teve que se manter em silêncio, sob a ameaça de terríveis represálias. 
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Nunca li tantos davai! (russo para depressa) na minha vida e, no começo, até achei engraçado que a fonética se parecesse tanto com a resposta costumeira para a tradução: já vai!

Fim da parte engraçada. Sério.

Talvez vocês não saibam, mas eu tenho uma obsessão saudável pela Rússia, coisa leve só que não. Também me interesso bastante por história, particularmente Renascença e 2ª G.G. Ainda assim, o livro da Ruta Sepetys me surpreendeu muito. Sério mesmo. Eu sabia que Stalin tinha sido tudo, menos legal, e que tinha abusado de seu povo, como basicamente qualquer regime comunista. Mas não tinha uma dimensão real do estrago que foi, das barbaridades dispensadas sem segunda olhada. Como disse um dos personagens, Hitler e Stalin foram “dois demônios que desejam governar o inferno”.

Estima-se que 20 milhões de pessoas sucumbiram nas mãos de Stalin, os países bálticos perderam um terço de sua população e mesmo aqueles que sobreviveram às inumanidades soviéticas, não podiam contar a absolutamente ninguém. Ou seriam mandados de volta para seus campos de trabalho forçado.

Assim como o famoso A Menina que Roubava Livros, essa trama mostra uma parte frequentemente esquecida nas páginas dos livros de história e, se você gostou do livro de Markus Zusak, vai encontrar nesse a mesma escrita tocante e simples. Arrebatadora.

 “Era arriscado carregar ou guardar nossa ração de quando Ivanov estava por perto. Ele adorava roubar nossa comida. Trezentos gramas. Era só o que recebíamos. Certa vez, eu o vi arrancar um pedaço de pão de uma velha. Ele o enfiou na boca. A mulher ficou olhando, sua boca vazia mastigando junto com a dele. Ele cuspiu o pão no pé dela. Ela se jogou no chão para pegar e comer cada pedaço.”

Também fui cética com a sinopse, mas ela estava completamente certa. O livro de Ruta Sepetys é uma mensagem de amor. Ele desperta reflexão, profunda comoção e mostrou o poder que a compaixão tem de manter as pessoas de pé, quando isso é a única coisa que elas tem.

Acho que me precipitei ao criticar os ‘novos ativistas’, pessoas que se dizem filantrópicas por terem cedido 30 minutos de suas vidas para assistir um vídeo. Pelo menos agora elas sabem o que acontece lá fora. Tenho até medo de pensar no que ainda vamos descobrir.

Por isso, leiam A Vida Em Tons de Cinza, pesquisem, contem a alguém, reflitam. Coisas como a história de Lina ainda acontecem e só se perpetuam porque grande parte do mundo não sabe. Quando me refiro a mundo, quero dizer a população e não apenas seus lideres. Só um exemplo: a Coreia do Norte. Não sabe do que eu estou falando? Experimentem colocar campos de concentração na Coréia do Norte no Google e tirem cinco minutos para ler as poucas noticias a respeito.

Como os russos, os norte-coreanos ainda negam que tal coisa exista.

Agora nós sabemos que os russos mentiram.
P.S.: Esse vídeo foi feito para que Ruta explicasse o motivo que a levou a escrever A Vida em Tons de Cinza.
Nota: decidi não avaliar esse livro da maneira que sempre faço pois ele não é um livro como os outros, é uma mensagem.

Ergue-se A Noite – Colleen Gleason

Meio Eduardiano, não?

  •  Autor: Colleen Gleason
  •    Editora: Jardim dos Livros
  •    Nº de Páginas: 376
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2011
  •    Título Original: Rises the Night
  •    Tradutor:  Mirian Ibañez
  •    Avaliação – Sem Tradução: 8,0
  •    Avaliação – ComTradução: 2,0
A venadora Vitória Gardella arrisca seus poderes ao desvendar os mistérios da poderosa organização Tutela. Seus membros servem aos vampiros, oferecendo a eles seres humanos, para que saciem sua necessidade de sangue. Deixando Londres, ela viaja pela Itália, disposta a tudo para desbaratar os inimigos, destemida a ponto de colocar em tremendo risco a vida de sua tia-avó e mentora, Eustácia. Sem contar com a preciosa ajuda de seu experiente companheiro de outras aventuras, Max, que depois de ter voltado àquele país tem estranhas atitudes. Tudo leva a crer que ele mudou de lado!

Tem horas que tenho até raiva, como uma editora pode comprar os direitos de um livro tão bom, e fazer um trabalho tão… tão…, juro que é melhor nem falar. Depois de toda a expectativa, levar uma dessas é como isso

AHHHHHH ÚÊTNAAA WABABII WABABA!!

Só que mais trágico.

Bem, pra quem não conhece, As Crônicas Vampíricas de Gardella são uma série, de grande sucesso no exterior, da professora de faculdade Colleen Gleason. Ela narra as aventuras de Vitoria Gardella Lacey, uma jovem da aristocracia inglesa do século XIX. Imagine se uma das heroínas de Jane Aunsten caçasse vampiros? Não estou falando daquelas adaptações, tipo Pride & Prejudice and Zombies, nada contra, só não faz minha cabeça. Estou falando daquelas ladys tendo que rebolar para conciliar a vida na sociedade e a noite se meter em becos escuros e bares escusos para exterminar chupa-sangues.

Li o primeiro volume, O Legado da Caça-Vampiro literalmente no meio do expediente. Si, señor, meu gerente me odiava. Mas valeu a pena. A história é deliciosa, fez a ex-livreira aqui passar algumas boas horas de pé apoiada no balcão, absorta. Se um dia ele ler isso, quero deixar claro que vendi vários exemplares aquela vez, as pessoas ficaram realmente interessadas em saber o que estava deixando a atendente tão maravilhada que não havia notado eles lá. People respect young readers!

Well, Victoria Gardella era uma garota da sociedade (sim, era assim que chamavam toda aquela gente pomposa e esnobe da realeza e alta burguesia. Não parece mais um clubinho?), ela terminara de guardar luto por seu pai e logo se juntaria à uma profusão de bailes e compromissos de gente endinheirada. Não que ela ligasse muito, mas era o único panorama que haviam lhe dado, então ela teria que desempenhar seu papel. E arrumar um marido.

Porém, para uma garota mentalmente independente, duas coisas inimagináveis acontecem ao mesmo tempo: 1. Ela descobre que, sendo uma Gardella, é uma Venadora. Ela deve caçar vampiros. 2. Ela se apaixona perdidamente por um membro da sociedade.

Com a ajuda de sua tia-avó e grande Venadora, Eustácia, e Max seu… colega gostoso de profissão, ela vai aprender a merecer seu legado e sua vis bulla (Amuleto de força dos Venadores, e um piercing realmente estiloso), enquanto se desdobra para impressionar Phillip de Lacey, o altamente gostoso Lord, e não enlouquecer com sua mãe.

É um livro que com certeza vai agradar o pessoal que gosta de Bran Stoker, com várias referencias bacana e, até, quem ama Stephanie Meyer. Seduz e atemoriza como todo bom livro de vampiros deve fazer.

Voltando ao Ergue-se a Noite.

Fiquei tão feliz quando esbarrei com ele no Skoob! Eu me perguntava quando sairia o segundo e não conseguia tirar informações em nenhum lugar da net, nem no site da editora. Logicamente, assim que tive o livro em mãos, coloquei os outros pra escanteio e mergulhei na leitura.

Primeiro tive que reviver toda a tristeza pela morte de Phillip, e todo o ódio pelos vampiros e por Lilith, que destruíram uma das coisas mais importantes na vida de Vitoria: seu marido.

Julguem-me!

A jovem Venadora sai, depois de um mês de luto, para extravasar e percebe que não está pronta para isso, ela precisa dar um tempo. Ok, ela dá esse tempo. Um ano, um longo ano sofrendo, se recuperando e aguentando a própria mãe frívola dizer que já está na hora dela seguir em frente. Vic segue, sim, em frente, mas não do jeito esperado. Ela vai atrás do rastro dos vampiros de Lilith.

Maaas, a coisa é bem maior do que o esperado. A Tutela, uma organização de humanos admiradores de vampiros está participando de algo terrível, com o filho de Lilith, Nedas! Vic tem de pará-los antes que as consequências se tornem irreversíveis para a humanidade e, como ela não pode mais contar com Max (que picou a mula pra Itália) ela terá de aceitar a ajuda de Sebastian. É, ele mesmo. O esquivo e sedutor dono do Cálice de Prata.

Não que ele seja confiável.

Não que ela seja controlada.

Mais uma vez o destino da humanidade foi depositado nas mãos de uma Gardella.

É uma história incrível, além de ser continuação de um livro maravilhoso. Vitória é muito irritante, sério, ela sabe que tá fazendo besteira em alguns pontos, sabe que deveria parar, mas não para! E de repente fica toda horny por qualquer cara bonitinho. É bom saber que ela amadureceu em alguns aspectos e continua a mesma garota de sempre em outros!

Well, sinceramente eu simplesmente não recomendo para quem tem estômago fraco para más traduções, e isso é bastante coisa numa época em que várias editoras não estão presando muito uma boa tradução. Leia o livro em inglês, se possível. Porém, se você conseguir relevar as frases confusas demais o tempo todo, vai pela sombra e seja feliz! Eu fui, em parte, ao menos.

Mais sinceramente ainda, mal vejo a hora de ler a continuação.

xo

P.S.: Participem dos Jogos Natalinos 2011, ou o babuíno vai visitar vocês!

Na Companhia da Cortesã – Sarah Dunant

  •   Autor: Sarah Dunant
  •   Editora: Record
  •   Nº de Páginas: 389
  •   Edição: 1
  •   Ano: 2008
  •   Título Original:In the Company of the Courtesan
  •   Tradutor: Ana Luiza Dantas Borges
  •   Avaliação: 9,5!!

No ano de 1527, Roma sofre um de seus mais terríveis ataques, quando soldados do imperador Carlos V avançam sobre as muralhas da cidade, pilhando tudo o que encontram pela frente. Em meio ao caos, a cortesã Fiammetta Bianchini e seu cafetão e parceiro, o anão Bucino Teodoldi, fogem para Veneza. Com muita coragem e astúcia, os dois se infiltram na sociedade local, desfrutando a luxúria e o pecado que desfilam nos palácios suntuosos. Fiammetta, atraindo e satisfazendo os homens, começa a acumular uma pequena fortuna. Entretanto, uma jovem misteriosa pode colocar em risco a riqueza da cortesã

Enquanto você lê essa resenha estou indo na Madre Superiora Wikipedia descobrir mais sobre o pintor Ticiano, o escritor Arentino e o figurino da moda em 1530.

Quem se imaginaria lendo uma história contada por um anão ranzinza, cafetão de uma famosa cortesã, na Veneza da Renascença? E ainda por cima enrolar, deliberadamente, a leitura para aproveitar melhor cada página? Não sei vocês, mas eu não imaginava.

Já disse que amo ser surpreendida?

Comecei ‘Na companhia da Cortesã’ sem grandes expectativas, pois, mesmo amando romances históricos, sempre tive em mente que eles são isso, livros escritos por não-historiadores com uma atmosfera do passado. Acontece que esse é um romance tão rico em detalhes, pesquisa e esmero que se torna um complemento para outros livros não-ficção da vida privada renascentista.

Tenho lido muitos YAs ultimamente e às vezes me esqueço do poder que uma estória escrita não sobre acontecimentos, mas sobre personagens, tem. Well, depois dessa não me esqueço jamais! Na verdade estou quase me enroscando num canto com uma pilha de todos os livros desse tipo que tenho, lidos ou não.

Amei a precisão dos diálogos de Bucino (le anão) com os outros e com ele mesmo. Fiammetta (la cortesã) é o retrato da sedução feminina e me lembra Fernando Pessoa dizendo:

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

No seu eterno jogo de simulação ela pode ir da mais arguta perspicácia direto para a vaidade infantil. Há também La Draga, uma mulher que apesar de suas deformidades vai te tragar em seu mistério.

Outra coisa que me chamou atenção foi a forma como a amizade é representada. Bucino e Fiammetta são sócios, mas acima de tudo são amigos. Quando li, tive a impressão de que, enquanto estivessem apoiando um ao outro, o caldo nunca entornaria.

Apesar de tudo o que tem de passar.

Assim que Roma cai, Fiammetta perde seus preciosos cabelos e praticamente todo o dinheiro para os luteranos, os dois tem a opção de separarem-se e para assim conseguir sobreviver, mas ficam juntos. Vão para Veneza, lugar que Bucino detesta, e tem que começar praticamente do zero, enfrentando os vizinhos fofoqueiros e até a empregada da casa (herança da mãe de Fiammetta).

Pelos olhos ‘baixos’ de Bucino, eu passeei pelas gondolas luxuriantes, os canais malcheirosos, as igrejas das cortesãs e me apaixonei por cada lugar. Cada palavra é tão bem pensada para te envolver quanto cada dobra das vestes de Fiammetta é ajeitada para seduzir. Eu nunca mais vou ter a mesma ideia sobre cortesãs, cafetões e bruxas, não depois de ter entrado tão fundo na vida deles.

Não é maravilhoso?

Se você achar que não tem paciência para um livro tão não-sobrenatural assim, te digo ‘Jovem padawan, onde menos se espera, a satisfação está’.

Ah, você diz que detesta esse lixo todo e que história só serve pra te deixar de recuperação no colégio? Tudo bem cara, tudo bem. Cada um tem um gosto, né?

Né?

Well, Sarah Dunant misturou personagens históricos com fictícios e outros não tão fictícios assim e, fazendo uma coisa incrível, conduziu a história praticamente no mesmo ritmo sem deixar a peteca cair! Cara, ela ganhou uma fã de carteirinha! Vou até mudar os livros dela pro lado da Philippa Gregory aqui na estante…

Não preciso dizer que esse é um livro mais que recomendado, heim?

P.S.: Não, aborrecentes, esse livro não tem putaria. Só expressões de baixo calão. xD

xo