Blindfolded – J. Marins

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  •    Autor: J. Marins
  •    Editora: Novo Século
  •    Nº de Páginas: 248
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Nacional
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 5,5

MIRE-SE BEM. PORQUE VOCÊ PODE ESTAR COM OS OLHOS VENDADOS. “Não descansarei enquanto existir uma única antena HAARP enviando os seus feixes de ondas hipnóticas para os bilhões de humanos robotizados. Aviso ao Chefe do Governo Mundial para guardar na memória os rostos dos seus colegas da LUZ, pois vou conferir o óbito de cada um deles. Meu nome é Brenda Slava, e eu recebo salário da morte para fazer isso.”

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Hey pretties!

Eu meio que tenho uma queda por teorias da conspiração, tá, meio é ser gentil, eu me amarro numa estória bem louca que aponta para a dominação das massas por meios escusos, geralmente arquitetados por governos ou empresas importantes. Também olho para celulares com desconfiança e acredito que as redes sociais estão aí pra nos espionar e juntar informações para um grande, grande plano. A maioria das pessoas vê essas ideais como loucura, mas justamente é essa a genialidade da coisa! Ninguém suspeitar que está sendo dominado…

Blindfolded vai mais longe, para a estória nem em 2013 estamos, só acreditamos estar. O Governo Mundial calibra nossas mentes com informações necessárias para vivermos conforme seu plano, em seu tempo, sem falhas. Até a guerra com rebeldes da Cidade da Liberdade é mascarada como ataques terroristas no Oriente Médio. Poucas pessoas formam obtém uma quantidade de livre arbítrio suficiente para poder criar coisas novas, e menos pessoas ainda recebem informações para poder controlar a grande massa.

No momento em que li isso me peguei pensando em como essas pessoas privilegiadas se sentiam sabendo da verdade, ou parte dela. Além de mentirem para basicamente todo mundo, como não ficar paranoico de, de repente, ser cortado da lista vip?

O que me faz lembrar de toda a arquitetura política, de não saber quem é mocinho e quem é bandido, da facilidade que o autor me fez mudar de opinião constantemente sobre as intenções de praticamente todos os personagens e em como tudo isso me obrigou a chegar o mais rápido possível no final.

Porém nem tudo na vida são flores com mensagens subliminares!

Ler repetidas vezes sobre o corpo escultural de Brenda na-mesma-página-por-todas-as-páginas-no-livro-inteiro cansa demais, a não ser que você seja um homem e necessariamente tenha a mentalidade de uma colher de chá. Confesso que meus neurônios sobrecarregados me ajudaram selecionando e apagando essas partes depois de um tempo, para que eu pelo menos conseguisse continuar a leitura, mas ainda acho uma falta grave. Ouvir falar tanto dos glúteos firmes, das pernas poderosas, da silhueta esbelta e da perfeição da ‘comissão de frente’ não contribuiu em nada para mudar minha cara de paisagem toda vez que o nome Brenda era mencionado. É, foi crítico assim.

Mas vamos que vamos!

Distopia inteligente e ousada, Blindfolded surpreendeu em dois sentidos. Mesmo se deixássemos de lado o restante do livro, só o enredo já seria o suficiente para te fazer pensar e se a sua mente não fosse sua? Como se libertar? Se pudesse se libertar, você iria? Porém a narrativa óbvia, pobre e repetitiva matou meu entusiasmo, meio que não aguento mais ouvir falar de Brenda Slava, tipo… mesmo!

Não sei se, com tantas coisas que fazem bem mais o meu estilo por aí, vou me aventurar na continuação de Reação e descobrir mais sobre HAARP.

xoxo e bom meio de semana!

Never Sky, Sob o Céu do Nunca – Veronica Rossi

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  •    Autor: Veronica Rossi
  •    Editora: Prumo
  •    Nº de Páginas: 336
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: Under The Never Sky
  •    Tradutor: Alice Klesck

   Avaliação: 9,0

Desde que fora forçada a viver entre os Selvagens, Ária sobreviveu a uma tempestade de Éter, quase teve o pescoço cortado por um canibal, e viu homens sendo trucidados. Mas o pior ainda estava por vir…

Banida de seu lar, a cidade encapsulada de Quimera, Ária sabe que suas chances de sobrevivência no mundo além das paredes dos núcleos são ínfimas. Se os canibais não a matarem, as violentas tempestades elétricas certamente o farão. Até mesmo o ar que ela respira pode ser letal. Quando Ária se depara com Perry, o Forasteiro responsável por seu exílio, todos os seus medos são confirmados: ele é um bárbaro violento. É também sua única chance de continuar viva.

Perry é um exímio caçador, em um território impiedoso, e vê Ária como uma menina mimada e frágil – tudo o que se poderia esperar de uma Ocupante. Mas ele também precisa da ajuda dela, somente Ária tem a chave de sua redenção. Opostos em praticamente tudo, Ária e Perry precisam tolerar a existência um do outro para alcançar seus objetivos. A aliança pouco provável entre os dois acabará por forjar uma ligação que selará o destino de todos os que vivem sob o céu do nunca.

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WOW!

Quero dizer… wow!

Não… consigo…

Wow.

Tempestade de emoções à frente

 

Antes de qualquer coisa: mocinhos fofos, cresçam, bad boys manjados, corram para as suas mães! Vem aí Perry, o Perfeito.

Exemplo da reação

Em Never Sky Rossi nos entrega uma Terra devastada por tempestades de Éter e completamente hostil, onde metade das pessoas se esconderam em cidades encapsuladas, núcleos, e a outra metade voltou para a idade média. Enquanto seus vizinhos nem-um-pouco-queridos vivem em tribos e passam fome, os habitantes dos núcleos podem frequentar cópias virtuais e multidimensionais do mundo que deixaram para trás através do ‘olho mágico’. E, é claro, fingir que está tudo lindo.

Essa alienação é explorada na Ária, que, apesar de ser uma garota naturalmente centrada, demora a entender o quanto as coisas são diferentes fora do conforto do seu núcleo. Mesmo depois de um Selvagem ter quebrado um galhão pra ela (pois é, não vou contar o que é, vivam sem spoilers) a menina continua indo e voltando na concepção de que ele não passa disso, um Selvagem.

Ária, ah, Ária. Sabe quando um personagem principal tem o poder de destruir ou transformar em ouro o livro? Olhem novamente a nota acima e vocês saberão o que a Ária fez.

Talvez seja só a identificação falando. Como eu sob efeito da cafeína ou numa crise de ansiedade, Ária simplesmente não cala a boca, conversando por ela por Perry, mesmo quando fica claro que ele não está dando a mínima. Ela também não é tonta, apesar de ser mimada, e fica deslumbrada com cada coisa emocionante que descobre no novo mundo.

É curiosidade e medo ao mesmo tempo, deixando a situação bem crível, pelo menos pra mim. Tenho certeza que a narrativa de Rossi também foi uma mão na roda. Bem feita, bem pensada, assim como o restante do livro, a narrativa foi desenvolvida para envolver e prender o leitor em todos os acontecimentos. Me amarro numa boa escrita, aquela que é bem mais do que uma mera listagem dos acontecimentos -sem sentimentos nem tom- e é bem por aí que minha simpatia eterna pela Veronica começou… ok, por aí e por Perry também.

Sempre que penso em Perry, o Magnífico

É claro que ele e lindo de morrer, charmoso até não poder mais, mas que mocinho não é? A questão do irmão do Soberano de Sangue dos Marés é que ele não é perfeito. “Ah, mas blogueira, tem tantos mocinhos que não são perfeitos, e daí se ele não é?” Eu sei leitor, eu sei, mas já parou pra reparar que mesmo esses imperfeitos são na verdade perfeitos com imperfeições aperfeiçoadas??? Do estilo me ame porque você não tem escolha? Então, Perry não é assim, você pode escolher odiá-lo genuinamente e será totalmente compreensível,ele é humano e verdadeiro nesse nível! Eu sei que soa loucura amar um personagem simplesmente porque eu posso odiá-lo sem parecer do contra, mas é bem mais fácil e natural se conectar com alguém (é, alguém, Perry é uma pessoa para mim) se ela for parecida com você, ou seja, com falhas e incertezas inatas.

– As nuvens se dissipam? – Perguntou ela.
– Completamente? Não. Nunca
– E quanto ao Éter? Ele some em algum momento?
– Nunca, Tatu. O Éter nunca some.
Ela olhou pra cima.
– Um mundo de nuncas sob o céu do nunca.

Agora, sabe o Éter? Eu também não. Veronica Rossi não explica o que é o Éter, nem pra serve, como surgiu nem qual sua cor preferida, ela fez aquela coisa magica que pode tanto levar um leitor a loucura de frustração quanto ganhar respeito forever and ever: incorporou o negócio à paisagem, como uma verdade universal na estória e na vida dos personagens e você que se vire para acompanhar.

Como eu falei na resenha de A Corrida do Escorpião, meu livro preferido de 2012, a gente pega o bonde andando e não senta na janelinha logo de cara, mas aproveita a narrativa de uma maneira unica. Admito que foi frustrante no começo, mas depois passei para o time do respect e vivi feliz para sempre nele.

Posso só compartilhar um dado com vocês? NÃO TEM TRIANGULO AMOROSO

Enfim, poderia dizer que Never Sky é delicado, pelo cuidado do texto de Rossi, mas nenhum livro delicado é capaz de deixar o leitor tão vidrado, necessitando saber o que vem em seguida tanto quanto eu fiquei. Ele é um YA de gente grande, na minha concepção, e espero que as continuações sejam tão de gente grande assim. Quem sabe alguns autores que brincam de escrever não se inspirem e procurem fazer melhor? Never Sky é leitura obrigatória para quem ainda está na onda dos distópicos (nem me conto mais nessa onda, distopia para mim só perde para épicos com meninas phodas que lutam com espadas) e para quem gosta de acompanhar a evolução de personagens como se eles fossem gente de verdade! Não é um Perr… digo, livro que vou esquecer tão cedo.

Ok, ok, como o moço Selvagem é minha nova obsessão literária, não poderia faltar uma música para ele, podia?

A má noticia (você sabe que sempre tem uma) é que Through The Ever Night está previsto apenas para o 2º semestre de 2013.

Sem desespero, quando formos ver já se passou meio ano e o Perry voltou para nós. Né? NÉ?!

Boa semana

xoxo

Através do Universo – Beth Revis

Mundo Perfeito - Capa 03

  •     Autor: Beth Revis
  •    Editora: Novo Século
  •    Nº de Páginas: 408
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Across The Universe
  •    Tradutor: Sonia Strong

   Avaliação: 6,5

Amy deixou para trás seus amigos, seu namorado, seu mundo inteiro para se juntar aos pais a bordo da nave espacial Godspeed. Para a longa viagem, ela e seus pais foram criogenicamente congelados, esperando enfim acordarem em um novo planeta: Terra-Centauri. Porém, cinquenta anos antes do previsto, a câmara criogênica de número 42 é misteriosamente desligada, e Amy se vê forçada a sair de seu profundo sono de gelo. Alguém havia tentado matá-la. Agora, Amy está presa em um novo – e pequeno – mundo, onde nada parece fazer sentido. Os 2312 passageiros a bordo de Godspeed são liderados pelo tirânico e assustador Eldest. Elder, seu rebelde sucessor, parece ao mesmo tempo fascinado por Amy e ansioso por descobrir nele mesmo tudo o que se espera de um líder. Amy quer desesperadamente confiar em Elder, mas será que ela deve colocar seu destino nas mãos de um garoto que jamais conhecera a vida fora daquelas frias paredes de metal? Tudo o que Amy sabe é que ela e Elder devem correr para desvendar os segredos mais ocultos de Godspeed, antes que o assassino tente matá-la novamente.

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Que foi? Pensaram que eu ia abandonar as distopias assim, tão facilmente? Não tem perigo! Posso ter ficado sem inspiração nos últimos dias, mas não larguei as realidades alternativas e os mundos pós-apocalípticos não!

Ganhei Através do Universo junto com outros livros no meu aniversário (logo ele vai estar feat. num vídeo especial) e, depois de passar tanto tempo sofrendo de longe enquanto outros leitores se pavoneavam com ele pra cima e pra baixo, pude finalmente embarcar na Godspeed!

De repente foi culpa da minha expectativa super alta, mas Através do Universo não foi tudo o que eu queria que fosse. O problema não é a estória… é quem participa dela.

Amy é carga não essencial, uma pessoa criogenizada que vai na bagagem por pedido especial de pessoas altamente essenciais apenas como enfeite, já que não vai ter utilidade alguma no novo mundo. Duro de se ouvir né? Voz de Darth Vader: “Você é uma carga(!) inútil(!!)” Enfim, até fiquei com pena dela no começo, os técnicos que a preparavam para o gelo, mesmo diante da sua nudez e total vulnerabilidade, continuavam debatendo o tal despropósito dela, me ultrajando a ponto de ficar pensando “Há, esperem só seus nerdões, aposto que ela vai fazer alguma coisa muito incrível e super badasss assim que botar os pezinhos para fora dessa câmara de criogenia!”

E então o momento chegou (já está na sinopse, não é spoiler) e sinceramente? Ela continuou sendo carga não essencial pra mim, descongelada ou não.

Todas as coisas boas que eu esperava que acontecessem por intermédio dela aconteceram, mas só porque a estória PEDIA por isso para continuar! Decisões tolas saídas do nada, senso de auto-preservação nulo, ideias forçadas que até para a mente mais congelada parecem péssimas e aquele tipo de artificialidade que às vezes encontramos em alguns personagens e não sabemos explicar direito, mas sabemos que eles não são reais o suficiente para nós… Amy não me convenceu.

É triste pensar que o outro protagonista, Elder, também não ajudou em nada, ainda mais sem Sazon que a menina, com o botão de liga/desliga dos hormônios meio pifado. Sou de suspirar e torcer muito para que o casal principal fique junto logo, que se acerte e viva feliz para sempre, adoro um bom romance no meio das tramas! Quer um dado? A temperatura do espaço é -270.23ºC, em homenagem ao romance desses dois.

É sério. É frio assim, o espaço. E os dois.

“Então como você ainda me dá 6,5 pra esse livro, blogueira? Como??” A resposta é Godspeed.

A NAVE TEM PASTOS DE VACAS DENTRO DELA! Ela é do tamanho de um pequeno país, dá pra entrar na sua cabeça isso?

Em segundo lugar, as coisas que acontecem dentro da Godspeed. Não pooooooosso entrar em detalhes, não mesmo, então vou tentar explicar meu fascínio bem por cima. A situação em meio a qual a Amy acorda é toda bizarra, mas nada se comparada às gerações de pessoas que vivem dentro da nave sem jamais terem sequer pisado num planeta! O porquê de se comportarem como fazem e pensarem como pensam é explicado conforme o livro avança, mas, logo na sequencia, sempre acontecia uma coisa ainda mais bem bolada para manter o tom. A nave em si foi bem detalhada, mas dar uma olhada no mapa (não disponível na edição brasileira) que vem na edição norte-americana não mata ninguém:

Across-the-Universe_Godspeed-blue-print.

Em suma, Através do Universo foi um livro que dividiu muito minha opinião, oscilei entre o ‘amey’ e o ‘argh’ vezes demais para ficar contente, mas ainda assim me manteve interessada. Não posso dizer que estou morrendo para ter a sequência em mãos, porém a chance de reencontrar toda a ficção científica de alto nível à bordo da Godspeed com certeza me colocará na pré-venda de A Million Suns.

xoxo e bom fim de semana!

A Seleção – Kiera Cass

A SELEÇÃO - Kiera Cass - Companhia das Letras

  •     Autor: Kiera Cass
  •    Editora: Seguinte
  •    Nº de Páginas: 368
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: The Selection
  •    Tradutor: Cristian Clemente

   Avaliação: 8,0

Para trinta e cinco garotas, a Seleção é a chance de uma vida. É a oportunidade de ser alçada a um mundo de vestidos deslumbrantes e joias valiosas. De morar em um palácio, conquistar o coração do belo príncipe Maxon e um dia ser a rainha.
Para America Singer, no entanto, estar entre as Selecionadas é um pesadelo. Significa deixar para trás o rapaz que ama. Abandonar sua família e seu lar para entrar em uma disputa ferrenha por uma coroa que ela não quer. E viver em um palácio sob a ameaça constante de ataques rebeldes.
Então America conhece pessoalmente o príncipe – e percebe que a vida com que sempre sonhou talvez não seja nada comparada ao futuro que nunca tinha ousado imaginar.

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Êêêê! Feliz fim do mundo! Não, pera…

Retomando…

“Eu parecia radiante, esperançosa, linda. Dava para notar que eu estava apaixonada. E algum imbecil achou que era pelo príncipe Maxon.

Minha mãe gritou na minha orelha. May deu um pulo, espalhando pipoca para todo lado. Gerad também se empolgou e começou a dançar. Meu pai… é difícil dizer, mas acho que ele escondia um sorriso por trás do livro.

Perdi a expressão no rosto de Maxon.

O telefone tocou.

E não parou de tocar por dias.”

Jogos Vorazes de seda e chiffon.

Ou pelo menos era o que eu esperava. Sério, pensa comigo!  Uma casa com trinta e cinco mulheres mulherzando pra conseguir um cara… e a coroa dele?! Vai ser uma briga sangrenta das boas, correto?

Não foi bem assim…

O grande foco desse livro é o romance entre America e Aspen e a perspectiva de romance entre America e Maxon.

Vocês sabem como eu me canso fácil com triângulos amorosos, grande parte das vezes porque a maioria é previsível demais. Aí é que tá, não tem como saber como esse triângulo vai acabar! A America pode escolher qualquer um dos dois, pois tem motivos diferentes e razões de sobra para acreditar nos sentimentos deles por ela e vice versa. A autora não deixa escapar, como acontece em vários livros, com quem ela pretende que a garota fique no final e só esse aspecto já seria suficiente para me deixar louca pelo próximo volume.

Mas daí também entra o apelo do efeito total makeover, da menina pobre sendo elevada à categoria de celebridade num piscar de olhos, das coisas maravilhosas que passam a fazer parte da vida dela e, é claro, a realeza. #AsMinaPira num príncipe bonitão! E sempre vão pirar.

Temos os rebeldes também, como era de se esperar numa distopia YA, eles não tem tanto destaque aqui, mas é através deles que podemos ver do que a America é feita. Ela é uma ótima protagonista, um pouco enrolada até, mas honesta consigo e com os outros. É bom variar um pouco e ter uma mocinha que não é A Garota Que Esconde Vários Segredos do Mundo. Porém, enquanto essa honestidade pode ser um bom traço, pode coloca-la em situações delicadas e de exposição. Coisa que princesas tendem a evitar.

Aliás, America daria uma ótima princesa. Uma boa até demais.

E isso incomoda o leitor (tipo, eu) que queria ver o circo pegar fogo na competição. Porque A Seleção é uma competição, oras!

Perto dela as outras concorrentes não tinham chance, sabe? Personalidades fraquinhas ou caricatas demais, sem nenhuma complexidade. Ao menos, não de cara. Acho que dava para a Kiera fazer uma coisa mais trabalhada ali, mais interessante, mais desafiadora. Ela até ensaia, mas fica só nisso.

Eu esperava mais disso!

Enfim, A Seleção é um livro que gruda. Já li duas vezes, talvez leia uma terceira até o fim do ano, e ainda não me conformo em ter que esperar até quase o meio do ano que vem para poder ler The Elite.

Recomendo a obra de Kiera Cass para quem queria uma protagonista diferente em Feira das Vaidades, para quem não tem tempo a perder com enrolações e para quem se encanta com coisas bonitas.

P.S.1: Para  caso de você estar imaginando, eu sou:

       The Selection by Kiera Cass

P.S.2: Pra você que ainda está no seu bunker esperando o mundo acabar:

#SupernaturalFandonPira

xoxo e bom fim de semana!

A Última Princesa – Galaxy Craze

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Como amo essa arte de capa e suas cores!

  •   Autor: Galaxy Craze
  •    Editora: iD
  •    Nº de Páginas: 248
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: The Last Princess
  •    Tradutor: Tatiana Maciel

   Avaliação: 5,0

Quando um revolucionário implacável decide tomar o poder, ele faz da família real seu primeiro alvo. Muito sangue é derramado no Palácio de Buckingham e apenas a Princesa Eliza, de 16 anos, consegue escapar.

Determinada a matar o homem que destruiu sua família, Eliza se junta às forças inimigas, disfarçada. Ela não tem mais nada pelo que viver a não ser vingança. Até conhecer alguém que lhe ajuda a lembrar o que é ter esperança – e amar – outra vez. Agora ela precisa arriscar tudo para que ela não se torne… a última princesa!

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Iniciei essa leitura cuidadosamente, não sabia muito o que esperar desse livro, ou melhor, não sabia o que esperar da autora. Vamos combinar, né, o nome da pessoa é Galaxy Craze, qualquer semelhança com alucicrazys de plantão provavelmente não é mera coincidência! Brincadeira, esse é o nome de verdade da autora e após ver algumas de suas entrevistas descobri que de crazy ela não tem nada! (Super encorajo todos a procurar por ela no Google e ler seu material)

Porém foram essas entrevistas -uma em particular, para o The Independent- que me levaram na direção errada. Galaxy (tá, vou admitir que agora que sei que esse é o nome de verdade dela, achei muito *oda!) diz que uma narrativa sem sentimento, poesia e beleza, é uma narrativa perdida, uma coisa desleixada. Eu não poderia concordar mais com ela! Acredito que não devemos levar em conta apenas a ideia do livro, mas também a sua execução. Isso inclui o enredo E a narração e sempre que leio uma obra deficiente desses elementos sinto que estou lendo uma coisa pela metade.

Então pronto, sabendo que a mulher tem uma visão parecida com a minha fiquei toda animada, elegi uma nova diwa e me joguei de volta na leitura de A Última Princesa.

Foi mais ou menos como bater propositalmente a cara numa parede de concreto.

Não só a narrativa do livro não tem nada da beleza e poesia que a autora tanto preza (e pela qual ficou conhecida no livro By The Shore) A Última Princesa parece um rascunho esquecido num canto, sem revisão de texto ou o mínimo de requinte. O resultado foi uma coisa amadora.

Completamente frustrante.

E como se não bastasse, o enredo revelou não ser lá essas coisas também. Uma mistura de Revolution (série de TV) com Branca de Neve e o Caçador que até poderia dar certo, mas depois da promessa de uma estória original e empolgante na sinopse, o gosto que ficou foi de já vi isso antes no céu da boca.

Créditos onde devem ser colocados, a ambientação é impecável, coisa de quem cresceu naquilo e tem segurança para falar em detalhes de Londres e seus prédios históricos. Não tive problemas em me transportar para o mundo estilhaçado de Eliza e caminhar pelos mesmos lugares que ela. Aliás, Eliza e Wesley, Mary e Jamie, Portia e Polly e todos os outros personagens são muito bem construídos, eles agem como pessoa de verdade e de acordo com sua idade e posição e… Wesley… bem, vamos só dizer que mesmo se o loirinho ficasse quieto com a sua farda num canto ele ainda seria um show à parte!

“-Onde está a outra? Sua irmã? – o guarda berrou para Mary, mas ela não disse nada. –Vasculhem o quarto – ordenou para o soldado atrás dele.

O jovem rapaz veio na direção do armário e abriu a porta. Ele parou quando nos encaramos.

-Está vazio – ele disse um momento depois, com seus olhos verdes brilhando. E então fechou a porta do armário me deixando cercada pela escuridão outra vez.”

Sacaram?

Vale lembrar que é uma leitura ágil e que prende, ou pelo menos acho que é. Li de uma vez só em poucas horas, tomada pelo frenesi do ‘isso não está acontecendo, você deveria ser tão bom! Quando você vai melhorar??’

Enfim, eu, a garota que vos escreve, tinha grandes esperanças para esse livro e só porque elas não foram correspondidas não quer dizer que você, a boa alma que leu até aqui, vai ficar tão decepcionado quanto eu. De repente você até se apaixona pela Eliza! Então me resta aguardar a continuação (ainda sem título definido) e admirar a capa belíssima, de longe.

xoxo e bom fim de semana e

Legend, A Verdade Se Tornará Lenda – Marie Lu

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  •    Autor: Marie Lu
  •    Editora: Prumo
  •    Nº de Páginas: 256
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Legend
  •    Tradutor: Ebréia de Castro Alves

   Avaliação: 8,0

O que outrora foi o oeste dos Estados Unidos é agora o lar da República, uma nação eternamente em guerra com seus vizinhos. Nascida em uma família de elite em um dos mais ricos setores da República, June é uma garota prodígio de 15 anos que está sendo preparada para o sucesso nos mais altos círculos militares da República. Nascido nas favelas, Day, de 15 anos, é o criminoso mais procurado do país; porém, suas motivações parecem não ser tão mal-intencionadas assim. De mundos diferentes, June e Day não têm motivos para se cruzarem – até o dia em que o irmão de June, Metias, é assassinado e Day se torna o principal suspeito. Preso num grande jogo de gato e rato, Day luta pela sobrevivência da sua família, enquanto June procura vingar a morte de Metias. Mas, em uma chocante reviravolta, os dois descobrem a verdade sobre o que realmente os uniu e sobre até onde seu país irá para manter seus segredos.

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“-Nunca lhe perguntei sobre esse nome de guerra. Por que Day?

-Porque cada dia significa novas 24 horas. Cada dia quer dizer que tudo é possível de novo. Você pode aproveitar cada instante, pode morrer num instante, e tudo se resume a um dia após o outro. –ele olha para a porta aberta do vagão da ferrovia, onde faixas escuras de água cobrem o mundo. –E aí você tenta caminhar sob a luz.”

Quando aparece um livro novo na mesma onda literária que estou (pois é, ainda sou alucicrazy pelas distopias) é meio que automático que meu cérebro me obrigue a querer lê-lo. A situação é tão perturbadora que às vezes nem da sinopse eu lembro direito, só do fato de que quero lê-lo e não vou deixar ninguém em paz até concluir esse objetivo. Mas é totalmente impossível esquecer uma sinopse que promete uma espécie de duelo entre os dois protagonistas!

Logo de cara me deparei com três aspectos que, na ordem citada, poderiam melar a minha leitura. O 1º é a narrativa de Lu. Ela é seca, crua e estoica, o que até combina com o clima do livro (sério, poesia seria uma perda de tempo ali), mas que por vezes tirou o ritmo das coisas. O 2º ponto é o pouco desenvolvimento dos personagens secundários. Com protagonistas tão bons (já vou chegar lá) os coadjuvantes ficaram fracos ou até mesmo caricatos, como a Comandante Jameson. E, pra terminar o balde de água fria, o lugar comum que está ficando cada vez mais enfadonho: o governo nesses livros nunca é o que aparenta ser.

Ok, ok, talvez isso possa ser categorizado como um pré-requisito para as distopias, mas tudo o que é demais enjoa, né? Depois de um tempo a única pessoa que ainda se surpreende por descobrir algum plano maligno feito por seus chefes de Estado é o personagem principal, e isso porque ele é ‘obrigado’ pelo autor a se surpreender. Lendo ao menos um dos clássicos distópicos você já entra para o grupo de risco dos Formuladores de Teorias da Conspiração Anônimos (FTCA. Nós.. digo, o grupo tem reuniões todos os domingos se alguém se interessar), imagine então com essa enxurrada distópica no mercado editorial? Dá pra contar numa só mão os livros recentes que fogem a essa regra e a maioria deles surpreende e conquista justamente por sua originalidade.

Então o que me fez amar Legend? O que me fez sentar num canto e ler e ler e ler até acabar e perceber que de tão absorta, sequer minhas anotações eu tinha feito?

Empatia.

Sério! Não tem como não gostar do Day, não tem como não querer ser a June! Eles são inteligentes, espertos, ágeis, CUIDAM do próprio nariz além de, é claro, serem famosos, admirados e até respeitados em suas esferas. Eu simplesmente adoro personagens assim. Sambam na cara da mediocridade.

Dá pra contar com eles, você sabe que não vão dar mole -como os protagonistas de outros livros- nem vão te deixar na mão por não fazer algo extraordinário, seja fisicamente ou na área intelectual. Com June e Day o serviço é feito, de um jeito ou e outro.

Shit just got real

Em outras palavras, eles são o pacote completo e juntos ficam completamente irresistíveis.

Gostei muito da Lu ter feito um livro de ação com uma pitada de bom romance e não o contrário. Se o l’amour tivesse mais destaque do que as cenas cinematográficas e as situações de prender a respiração, Legend ficaria meio apagadinho, sem propósito… a autora conseguiu encontrar um equilíbrio perfeito na minha opinião, aquele ponto onde você precisa saber o que vai acontecer em ambos os aspectos e não só em um.

Concluindo, Legend tem seus altos e baixos, mas consegue te hipnotizar como poucos livros nessa linha e te deixar doido para saber o que acontece depois!

Quanto a Prodigy é seguro dizer que:

“Eu não durmo, eu espero”

xoxo e boa semana!

Sangue Quente – Isaac Marion

  •    Autor: Isaac Marion
  •    Editora: Leya Brasil
  •    Nº de Páginas: 252
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2011
  •    Título Original: Warm Bodies
  •    Tradutor: Cassius Medauar

   Avaliação: 8,0

R é um jovem vivendo uma crise existencial – ele é um zumbi. Perambula por uma América destruída pela guerra, colapso social e a fome voraz de seus companheiros mortos-vivos, mas ele busca mais do que sangue e cérebros. Ele consegue pronunciar apenas algumas sílabas, mas ele é profundo, cheio de pensamentos e saudade. Não tem recordações, nem identidade, nem pulso, mas ele tem sonhos. Após vivenciar as memórias de um adolescente enquanto devorava seu cérebro, R faz uma escolha inesperada, que começa com uma relação tensa, desajeitada e estranhamente doce com a namorada de sua vítima. Julie é uma explosão de cores na paisagem triste e cinzenta que envolve a “vida” de R e sua decisão de protegê-la irá transformar não só ele, mas também seus companheiros mortos-vivos, e talvez o mundo inteiro. Assustador, engraçado e surpreendentemente comovente, Sangue Quente fala sobre estar vivo, estando morto, e a tênue linha que os separa. 

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VOCÊ ESTÁ PRESTES A LER A RESENHA DE UM LIVRO QUE NÃO TEM CONTINUAÇÃO, AQUI, SEGURE MINHAS MÃOS, OLHE NOS MEUS OLHOS, EU JURO QUE É VERDADE.

Então, eu enrolei um bocado pra escrever essa resenha e foi por um motivo um tanto quanto estranho, admito. Eu estava esperando gostar menos do livro. Tipo, literalmente! Eu estava deixando o tempo passar pra ver se a empolgação diminuía, se o namoro acabava, se os defeitos apareciam, ou coisa assim. Deu e não deu certo.

Enxerguei aspectos negativos tanto na estória quanto na narrativa, mas continuo amando Sangue Quente. C’est la vie!

Vamos começar com um ponto talvez espinhoso pra muita gente: amor… zumbi. Pois é, então o cara está lá, todo cinza e coagulado e, sabe, podre, mas de repente ele começa a ter esses sentimentos! Logo que comecei a ler pensei seriamente a respeito: “Ok, vamos deixar bem claro. O livro tem essa óbvia pegada ‘sarcasticômica’, o que, só pra constar, eu amo de paixão, então talvez eu não deva levar isso muito em conta, mas também li Dearly, Departed e totalmente shippei o Bram e a Nora e aquilo totalmente deu certo… what the hell? Dane-se! Vamos lá ver no que vai dar!”

Então eu fui.

Conheça R, meu mais novo amigo-filósofo-zumbi, não necessariamente nessa ordem. Ele gosta de passear em escadas rolantes, tem um fraco por zumbis louras e talvez conserve o hábito pouco saudável de afanar pertences alheios entre um canibalismo e outro, mas até que é um cara decente. Pelo menos ele guarda um pouco de cérebro para dividir com seu melhor amigo, M.

Conheça Julie. Ok, Julie não é flor que se cheire. Mas e daí? Seu mais novo pretendente provavelmente cheira a geladeira quebrada por três dias, então tudo bem, decidi dar uma chance pra ela também. Com um pouco de paciência para as reais crises de aborrescência (nada daquela porcaria de adolescentes bizarramente maduros que temos no mercado hoje em dia, estou falando de adolescentes de verdade, com espinhas e ideias bem estupidas na cabeça) acho que você também vai gostar dela.

Talvez eu esteja sendo um pouco injusta com Julie e até meio superficial, mas mais que isso resultaria num spoiler mal, muito mal.

A razão para R ter sentimentos por Julie, especificamente, é facilmente explicada pelo fato de ele ter comido o cérebro do namorado dela e com isso ter flashs do que se passava na cabeça dele. Porém R é um zumbi inconformado, a natureza dos filósofos, e acredito que foi esse seu primeiro passo para uma nova existência, não se conformar por sequer lembrar o próprio nome.

O ponto de vista é extremamente limitado. Fica difícil saber o que aconteceu e o que está acontecendo nesse mundo pós-apocalipse zumbi porque a estória é toda contada por R. Isso é meio frustrante, as coisas relacionadas à causa da praga, a outros lugares além do cenário principal e até o que pode vir depois, tudo fica suspenso, com explicações vagas ou às vezes nem isso. Acredito que o autor poderia ter se esforçado um pouquinho mais e encaixado explicações ali no meio, ele menciona tantas outras coisas acontecendo paralelamente e depois não dá nem mais uma dica a respeito!

“Cadáveres adiados que procriam” Não sei se Isaac Marion conhece Ricardo Reis (aka Fernando Pessoa), mas não posso pensar em melhor estória para ilustrar essa frase e não me refiro exatamente a R e sua turma!

De amor puro e concreto a idealismos e surrealismos, Sangue Quente não é um livro para ser levado a sério pelos motivos convencionais. É a mensagem que ele passa, embrulhada em bom humor e ironias -de fazer qualquer um pensar a respeito- que deve ser absorvida e refletida. Mesmo uma tão simples.

Vou dar 8,0 porque, agora que enxerguei as falhas, se eu não as levasse em consideração na hora da nota elas ficariam bravas e viriam me assombrar a noite. Mas, só para o caso de você, leitor, estar imaginando, Sangue Quente é um dos meus livros favoritos.

P.S.: Que venha a modinha dos zumbis charmosos e suas fãs alucicrazys, nem ligo. Mentira, ligo sim, droga.

P.S.2: Vou dar uma pedrada no monitor do próximo que vier me dizer que Sangue Quente é Crepúsculo de zumbi. É sério.

P.S.3: Vocês deviam checar o trailer do filme que será lançado em 2013. R não é exatamente como o descrito no livro, mas é difícil ficar brava com esse grau de boniteza do Nicholas Hoult.

[edit] Fuck this shit. O autor confirmou que está trabalhando numa sequência, ainda sem título definido para Sangue Quente. Não sei se choro ou solto fogos de artifício!

xoxo e boa semana!

Divergente – Veronica Roth

  •     Autor: Veronica Roth
  •    Editora: Rocco
  •    Nº de Páginas: 502
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Divergent
  •    Tradutor: Lucas Peterson

   Avaliação: 9,0

Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição – e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto.

A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é.

E acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive.

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“Dividiram-se em quatro facções que procuravam erradicar essas qualidades que acreditavam ser responsáveis pela desordem no mundo.[…]

-Os que culpavam a agressividade formaram a Amizade.[…]

-Os que culpavam a ignorância se tornaram a Erudição.[…]

-Os que culpavam a duplicidade fundaram a Franqueza.[…]

-Os que culpavam o egoísmo geraram a Abnegação.[…]

-E os que culpavam a covardia se juntaram à Audácia.”pág. 48

Dividir para conquistar foi uma estratégia de Alexandre, o Grande, mas poderia facilmente ser discurso das facções…

Divergente foi um livro que me surpreendeu por sua estória de qualidade e ótimos personagens. Eu já tinha lido vááááárias críticas positivas sobre ele, mas me recusei a começar a leitura pensando que esse seria o livro do ano e blábláblá. Enfim, Divergente não é o livro do ano para mim, mas chega perto. Vou evitar entrar em detalhes do enredo nessa resenha, pois desde o início tive surpresas e falar delas pode estragar um pouco a sua leitura depois. (Eu sei que você não vai aguentar e vai ler)

No começo do livro fiquei um pouco apreensiva com Beatrice, conforme via o interior da facção da Abnegação através de seus olhos, não pude evitar o pensamento “Cassia, é você?” Não que eu não goste de Destino (Ally Condie), mas a personagem principal meio que sempre azedou a leitura para mim e por isso tinha medo de encontrar uma irmã perdida dela em Beatrice.

Outra Cassia Reyes não!

 Não dava pra estar mais enganada!

Tris tem HORROR a mostrar suas fraquezas e, apesar de estar acostumada, detesta que todos a julguem incapaz de muita coisa só por seu tamanho. O resultado é uma constante de provações e atos corajosos para mostrar que não é pouca porcaria! O melhor? Tris não é uma idiota que faz coisas inconsequentes e estúpidas como os outros adolescentes, ela está sempre ciente das suas limitações e trabalha para superá-las.

Quer outro “melhor” ainda? A Beatrice não é hipócrita.

Deus sabe o quanto personagens metidos ao próximo Gandhi me irritam. Sendo pisados, enganados e traídos e ainda assim se recusando a admitir que querem ver aquele f#@%#@ se dando mal, muito mal!

A Tris não. Se alguém a machuca, ela revida. Ou no mínimo acha lindo quando revidam por ela.

Tris por dentro E por fora quando alguém recebe o que merece!

Eu, por ver Tris reagindo daquela maneira!

E tem o Quatro. Assim, se eu tivesse lido esse livro antes, nós não teríamos o Mocinhos de Tirar o Sono, ao invés seria um post de apreciação ao Quatro.

“Ele não é doce, gentil ou especialmente bondoso. Mas é esperto e corajoso e, embora tenha me salvado, tratou-me como uma pessoa forte. Isso é tudo o que eu preciso saber.”

A atmosfera do livro, a agitação, a liberdade, os desafios, é tudo tão empolgante que eu ficava me remexendo toda impaciente, queria muito fazer parte daquilo também! Além disso, respeito autores que matam seus personagens. Respeito ainda mais os autores que tem a coragem de deixa que você se apegue aos personagens pra depois tirá-los de cena. Isso não é spoiler, é só um aviso para ninguém (tipo, eu) achar que é tudo oba-oba, que o pessoal da Audácia só fica fazendo Le Parkour na cidade, que quem é da Erudição só sabe estudar e estudar, que os integrantes da Amizade não passam de bobos-alegres, que os Franqueza são simplesmente grossos ou que o pessoal da Abnegação é um bando de bananas.

Essa sou eu caindo na real.

Confesso que demorei para me recuperar do susto complexo de Cassia Reyes e cair na real para a situação de Tris, me tocar que nada ali é simples e que… bem, isso sim é spoiler!

Infelizmente sabemos pouco sobre o passado do mundo e contra o que os soldados nas fronteiras protegem Chicago. É quase como se a autora houvesse esquecido de colocar isso no livro. Outro ponto que não me entrava na cabeça eram as pessoas que vestiam a camisa de suas facções, como se, depois da Iniciação, o comprometimento com o modo de vida da facção escolhida fosse inevitável. Quase sobrenatural.

Em suma, Divergente é um livro bem construído em seus focos e explora bem esse sonho de utopia dentro da distopia. Não vejo a hora de reencontrar seus personagens em Insurgente e continuar a me maravilhar com suas façanhas e avanços! Se você gosta de estórias dinâmicas, com ação mistérios e um romance digno de fazer suspirar deveria estar com a aba de alguma loja virtual aberta garantindo seu exemplar… dinheirinho muito bem gasto, te garanto!

xoxo e bom fim de semana!

Dearly, Departed – Lia Habel

  •     Autor: Lia Habel
  •    Editora: iD
  •    Nº de Páginas: 480
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Dearly, Departed
  •    Tradutor: Ana Luisa Astiz

   Avaliação: 8,0 (-2,0)

Ela é Nora Dearly, uma garota neovitoriana de 17 anos que sofre com a morte dos pais e vive infeliz aos cuidados da tia interesseira. Ele é Bram Griswold, um jovem soldado punk, corajoso, lindo nobre…e morto! No ano de 2187, em meio a uma violenta guerra entre vitorianos e punks, surge um perigoso vírus, capaz de matar e trazer novamente à vida. As pessoas tornam-se zumbis, mas nem todos são assassinos e devoradores de carne. Há os que lutam para que o vírus não se espalhe… Apenas Nora tem o poder da cura em suas mãos, ou melhor, em, seu sangue. Ela não sabe disso, e corre perigo. É papel de Bram protegê-la…

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Só me toquei mesmo que Dearly, Departed é um distópico quando estava pra começar a resenha. Apesar da falsa utopia da sociedade neovitoriana o clima não é o mesmo das outras conhecidas distopias. Esse livro também é steampunk, mas dá tão pouco destaque às características engenhocas desse grupo-gênero-tipo que só lembrei quando reli a contracapa.

Dearly, Departed parece mesmo é um faroeste com zumbis, muitos zumbis.

E a melhor parte do livro não é o conflito punks vs neovitorianos, ou a medicina pró não-vivos, nem a vida militar pouco convencional da Base Z.

Estou falando do l’amour!

Ah, o amor…

Fiquei completamente apaixonada pela redoma criada por Bram e Nora para eles mesmos no meio de todas as esquisitices daquele mundo de 2187! Quem diria, heim? Logo eu, que a pouco menos de um ano atrás, estava aqui mesmo dizendo o quanto os mortos-vivos são horripilantes e desprezíveis e que deveríamos passar a fogo qualquer um que avistássemos. Logo eu, torcendo pelo romance de uma garota com um cara… podre!

O mundo dá suas voltas.

Ok, podre foi figura de linguagem. Como diria o próprio Dra. Chase:

“-A cibernética proporciona uma melhor qualidade de vida pós-morte.” Pág. 172

“Ma che?”

Certo, explico: a ciência moderna, liderada pelo famoso Dr. Dearly, pode manter os corpos dos tais não-vivos quase que em perfeito estado. Contanto que eles não abusem e saiam por ai desgastando as juntas à toa, podem ter uma vida quase que normal, considerando as circunstâncias.

Claro, existem os zumbis tradicionais, do tipo que geme e te quer pro almoço, mas quem (que não esteja com o braço sendo mastigado por um desses) liga?!! Tem caras mortos, usando válvulas e bombas para manter o corpo reanimado funcionando! E eles são hilários!!

Lia Habel mostrou em Dearly que tem uma habilidade que faria muitos autores consagrados darem seus primogênitos às fadas por algo parecido. Diálogos ÓTIMOS, do tipo que você pode escutar os personagens falando! Pode até parecer meio bobo, mas deixa a estória muito mais empolgante e real!

Como nem tudo são flores, infelizmente a tradução/revisão foi uma verdadeira decepção! Por isso os -2,0 da nota, não acho justo pagarmos caro por livros com traduções que nos lembram aquele programa online ou revisões desleixadas. Se o livro não tivesse todos os erros que encontrei a leitura teria sido bem mais proveitosa!

De qualquer forma, ainda estou tentando me acostumar à parte em que me apaixonei pelo mocinho quase-podre!

“Usei um pouco da minha voz de ‘zumbi apavorante’, com um ligeiro toque de morte-bate-à-porta. Foi o suficiente para que ele me levasse a sério.” Pág. 104

E depois dizem que sutileza é tudo! Gosto da natureza eficiente de Bram, que pode ser fruto da vida militar, mas que o ajuda a ser um bom líder e até lidar com Nora quando está sendo chata de propósito (ela consegue ser muito chata quando quer). A garota pode ser bastante impetuosa, mas é uma boa pessoa, e se esforça do seu jeito para conquistar o Bram.

Mas não se preocupe, pessoa-que-não-está-nem-ai-pro-romance, essa foi só a parte eu mais gostei. Dearly, Departed tem muita ação, aventura e várias situações… tensas. Estou contando os dias para 25 de Setembro, quando Dearly, Beloved será lançado lá fora e poderemos saber o que vai acontecer depois do… bem, do que aconteceu no final!

xoxo e boa semana!

BTW, uma trilha sonora? Flogging Molly!

Posso sugerir outra? Dropkick Murphys – Johnny, I Hardly Knew Ya

xoxo e boa semana!

Puros – Julianna Baggott

  •     Autor: Julianna Baggott
  •    Editora: Intrínseca
  •    Nº de Páginas: 368
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Pure
  •    Tradutor: Flávia Souto Maior

   Avaliação: 6,5

 

Pressia pouco se lembra das Explosões ou de sua vida no Antes. Deitada no armário de dormir, nos fundos de uma antiga barbearia em ruínas onde se esconde com o avô, ela pensa em tudo o que foi perdido — como um mundo com parques incríveis, cinemas, festas de aniversário, pais e mães foi reduzido a somente cinzas e poeira, cicatrizes, queimaduras, corpos mutilados e fundidos. Agora, em uma época em que todos os jovens são obrigados a se entregar às milícias para, com sorte, serem treinados ou, se tiverem azar, abatidos, Pressia não pode mais fingir que ainda é uma criança. Sua única saída é fugir.

Houve, porém, quem escapasse ileso do Apocalipse.

Esses são os Puros, mantidos a salvo das cinzas pelo Domo, que protege seus corpos saudáveis e superiores. Partridge é um desses privilegiados, mas não se sente assim. Filho de um dos homens mais influentes do Domo, ele, assim como Pressia, pensa nas perdas. Talvez porque sua própria família se desfez: o pai é emocionalmente distante, o irmão cometeu o suicídio e a mãe não conseguiu chegar ao abrigo do Domo. Ou talvez seja a claustrofobia, a sensação de que o Domo se transformou em uma prisão de regras extremamente rígidas. Quando uma frase dita sem querer dá a entender que sua mãe pode estar viva, ele arrisca tudo e sai à sua procura.

Dois universos opostos se chocam quando Pressia e Partridge se encontram. Porém, eles logo percebem que para alcançarem o que desejam — e continuar vivos — precisarão unir suas forças.

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 (A Maniaca dos Distópicos ataca novamente)

Ok, então Puros é chocante como deveria ser.

Instigante como era de se esperar.

E tem uma ideia bem interessante para ajudar.

Mas ele ainda não chega lá.

Acho que o que torna esse um livro perturbador é a relativa proximidade com a nossa realidade. Relativa por se tratar de uma sociedade tecnologicamente evoluída o suficiente para projetar esferas autossustentáveis e seguras até mesmo de ataques de bombas capazes de aniquilar e reprogramar moléculas simultaneamente. Mas, ainda assim, próxima de nós por tratar do ‘antes’.

A maioria dos livros distópicos que conheço se baseia num evento ‘divisor de águas’, mais especificamente, no que aconteceu depois. Muitas vezes a humanidade pré-evento é citada de forma maldosa ou nem sequer aparece, mas em Puros o ‘antes’ tem papel crucial para entendermos o que está acontecendo com as pessoas dentro e fora do Domo. Afinal, a estória se passa apenas nove anos depois das Explosões.

O livro é claramente dividido em três partes, apesar de eu acreditar que isso não seja intencional. Cada uma dessas partes vem carregada de conveniência, o que, pra ser bem sincera, matou o brilho da estória para mim.

SHAME

A primeira reforça a visão da miséria, caos e bizarrice do mundo Depois das Explosões. Somos imersos nas dificuldades que os miseráveis, povo fora do Domo, enfrentam, aquilo tudo que a gente já sabe, falta de recursos, doenças, anarquia, violência… mas coisas básicas, detalhes mesmo, são deixadas de lado, sem resposta! Não se sabe de onde aquele povo tira água, porque até a neve, quando cai, é escura. Não se sabe como aquele povo sobreviveu nove anos, porque o ar é pura fuligem e cinzas.

No segundo terço, a autora se esforça DEMAIS para mostrar o máximo possível de anomalias, mutilações, fusões horríveis e o escambau. É como se a Julianna tivesse ficado tão preocupada em chocar o leitor com o que viria a ser a humanidade, que se esqueceu tomar conta da sua estória. O resultado foi uma coisa forçada e cheia de pequenos buracos… Por exemplo: as pessoas durante as Explosões se fundiram com tudo: pedaços de vidro, plástico derretido, metais variados, cachorros, pássaros, amigos, irmãos, filhos… até com o chão! Mas não com as próprias roupas, e, se algumas acabaram se fundindo com o chão, por que todo mundo não ficou grudado onde estava?

“Mas blogueira, numa ficção o autor não pode criar o que quiser? Pra quê implicar com isso??” Você me pergunta.

“Elementar, meu caro leitor. O autor pode escrever o que bem entender no livro dele, de trás pra frente, pulando sílabas tônicas e tudo, mas não quer dizer que eu tenha que engolir.” Eu delicadamente respondo.

Não acho justo com o leitor o autor fazer só meia viagem. Toda ação tem uma reação, é fato, e escolher não enxergar os buracos sem sentido, as reações óbvias, me cheira a preguiça… é esse o tipo de conveniência que tira meu respeito pela estória.

Quase cheguei a isso! Quase!

Enfim, a última parte é onde as coisas importantes de verdade acontecem e essa é a melhor parte do livro, ele finalmente amadurece e mostra a que veio!  Pressia, Partridge, Bradwell, El Capitán, Lyda… são eles que deixam a narrativa de pé, correndo, e são realmente bem escritos. Mesmo em 3ª pessoa conseguimos perceber o quão complexos eles são para si mesmos, o quanto a situação em que se meteram muda completamente suas visões do mundo.

El Capitán é o meu preferido, por fora ele é todo:

e

Mas lá dentro ele é todo:

“Me ame, sim?”

Ele pode não ter tido tanto destaque quanto Pressia ou Patridge, mas ainda prevejo um bom caminho para ele no próximo volume.

Então, apesar de suas falhas, Puros é um livro intenso. A sensação que tenho agora que acabei de lê-lo é de que os outros YAs distópicos ficaram esmaecidos, em tons pastéis, perto dele. Puros não romantiza a bela barbárie, deixa que ela tome conta de si mesma, se limitando a acompanhar seus passos sangrentos. Nada ali é bonitinho por conta própria, precisa-se aprender a encontrar a beleza nos próprios olhos antes ou simplesmente viver sem.

Não espere um livro que vá baixar a guarda para você, nesse novo mundo esse tipo de coisa não existe.

xoxo e bom meio de semana!

P.S.:A editora Intrínseca aceitou minhas reclamações sobre os vários erros de revisão e tradução que encontrei e disse que irá estudá-los. Tomara que a 2ª edição venha zeradinha!