A Court of Frost and Starlight – Sarah J. Maas

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  •    Autor: Sarah J. Maas
  •    Editora: Bloomsbury
  •    Nº de Páginas: 272
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2018
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 9,5

Se você não sofreu, amou e se descabelou com ACOTAR, ACOMAF e ACOWAR é melhor nem ler a resenha de ACOFAS (siglas, muitas siglas).

Narrado por Feyre e Rhysand, essa história é uma ponte entre os acontecimentos de Corte de Asas e Fúria e os próximos livros da série.

Feyre, Rhys e seu círculo de amigos ainda estão ocupados com a reconstrução da Corte Noturna e do mundo drasticamente diferente além. Mas o Solstício de Inverno finalmente se aproxima, a noite mais longa do ano, e com isso, um descanso arduamente conquistado. No entanto, mesmo a atmosfera festiva não pode evitar que as sombras do passado se aproximem. Conforme Feyre navega seu primeiro Solstício de Inverno como Grã-Senhora, ela descobre que aqueles que ama possuem mais feridas do que ela antecipava – cicatrizes que terão um impacto duradouro no futuro da sua amada Corte. (tradução livre)

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Bem-vindos a uma resenha curta de um livro curto, sem grandes acontecimentos. Em ACOFAS é quase como se Sarah quisesse nos mostrar (ou assegurar) que nossos personagens estão sobrevivendo -e alguns se curando, após tudo o que aconteceu com eles em Corte de Asas e RUÍNA. (Eu ainda não tinha superado o susto que o Rhys me deu!)

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Ou seja, há vida após a guerra e ela pode virar um Especial de Natal féerico nas mãos da pessoa certa.

Provavelmente não sou a pessoa mais indicada para falar sobre essa série (ou essa autora). Assim que terminei de ler ACOFAS, reli os três livros anteriores. Em 5 dias. Isso só serviu para gravar ainda mais a história de Feyre Archeron em meu coração, aparar as arestas da primeira leitura de Corte de Névoa e Fúria e a surpresa que vem com ela e confirmar que esses são “favoritos da vida”. Posso seguramente dizer que seria necessário muito trabalho da parte da sra. Maas para escrever uma vertente de Prythian que eu não gostasse.

Ou talvez seja por isso mesmo que sou fonte segura de resenhas dela, minha animação faz com que eu queira sair pelo mundo gritando pra todos lerem esses livros maravilhosos, e até obrigando algumas pessoas no processo (oi, mãe!).

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Feyre agora lida com as questões burocráticas e a papelada que vem com o cargo de rainha da porra toda, enquanto Rhys continua sendo Rhys (logo, maravilhoso) e sai por aí tentando apagar sozinho e de uma só vez todos os incêndios que aparecem. Porém, reconstruir prédios é a parte fácil. Ninguém está realmente preparado para lidar é com as feridas internas, aquelas que nem sempre saram, aquelas que nem seus portadores sabem como curar.

Esse livro é uma boa introdução para o que está por vir: Nesta, a Terrível + Cassian e provavelmente um triangulo (tava demorando) amoroso entre Elain, Lucien e Azriel. Posso adiantar que já estou me preparando para isso, caso alguém queira, vou disponibilizar um kit #teamazriel com camiseta, botton e sifões azuis. Mas fora isso sou imparcial. 😉

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E, mesmo que A Court of Frost and Starlight (algo como Corte de Geada e Luz Estelar, o que na minha opinião fica esquisito) seja uma história entre histórias, eu aproveitei imensamente sua leitura. Ela tem uma delicadeza e contentamento que não vemos nos outros livros, já que tudo geralmente está indo de mal a pior. Arrisco a dizer que é um livro feliz, apesar de alguns personagens ainda não terem encontrado essa felicidade. O jeito como Corte de Asas e Ruína deixou meu casal favorito precisava de algo a mais, e aqui conseguimos isso. É um fechamento digno para Ferysand e o finalzinho me trouxe lágrimas aos olhos.

Obviamente não vejo a hora de botar minhas mãozinhas humanas na continuação.

 

Graça e Fúria – Tracy Banghart

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  •     Autor: Tracy Banghart
  •    Editora: Seguinte
  •    Nº de Páginas: 298
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2018
  •    Título Original: Grace and Fury
  •    Tradutor: Isadora Prospero
  •    Avaliação: 6,0

Duas irmãs lutam para mudar o próprio destino no primeiro volume de uma série de fantasia repleta de romance, ação e intrigas políticas. Em Viridia, as mulheres não têm direitos. Em vez de rainhas, os governantes escolhem periodicamente três graças — jovens que viveriam ao seu dispor. Serina Tessaro treinou a vida inteira para se tornar uma graça, mas é Nomi, sua irmã mais nova, quem acaba sendo escolhida pelo herdeiro. Nomi nunca aceitou as regras que lhe eram impostas e aprendeu a ler, apesar de a leitura ser proibida para as mulheres. Seu fascínio por livros a levou a roubar um exemplar da biblioteca real — mas é Serina quem acaba sendo pega com ele nas mãos. Como punição, a garota é enviada a uma ilha que serve de prisão para mulheres rebeldes. Agora, Serina e Nomi estão presas a destinos que nunca desejaram — e farão de tudo para se reencontrar.

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Bem, isso foi constrangedor.

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Cheguei cheia de amor pra dar, pronta pra ter um novo favorito na estante e sair contando pra todo mundo como eles precisavam desse livro em suas vidas. Graça e Fúria é meio que uma mistureba de O Conto da Aia, A Rainha Vermelha, A Seleção e literalmente qualquer coisa com um sultão e um harém envolvidos. Ele tem uma premissa ótima, e só a dedicatória já me deixou salivando, mas faltou algo.

Provavelmente outra pessoa no lugar da Nomi. Ela supostamente era a esperta, a rebelde, a irmã cheia de recursos… é, supostamente. Quando ela foi parar no palácio pensei “Agora ela vai fazer do Malacchi sua v@di$ e mostrar quem manda.” O que aconteceu foi um pouco diferente, e me deixou com ódio no coração a maioria do tempo.

Ingênua, tonta, insegura, inconstante e, pra não dizer outra coisa, não uma das personagens mais brilhantes que já vimos por aí. Suas escolhas não condiziam com o que ela ficava matutando e, pra uma moça dita sagaz e desesperada por individualidade, ela caiu direitinho em armadilhas que estavam GRITANDO “É UMA CILADA, BINO!” Foi frustrante pois, sinceramente, essa era a parte que eu mais queria ver.

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Eu, após cada uma das decisões questionáveis da Nomi.

Quem salvou foi Sarina, a outra irmã que passou a VIDA INTEIRA sendo ensinada a baixar a cabeça e não pensar muito no assunto. Em qualquer assunto, na verdade. Ela tinha um trabalho, ser bonita e vazia, e estava contente/resignada em conseguir isso. O que importava era ter a proteção e conforto do palácio e manter a irmã (aquela que devia ser dahora) longe de encrenca.

Quando as coisas vão ladeira abaixo pra ela, Sarina descobre uma força escondida, uma motivação até então desconhecida e luta, com unhas, dentes e uma postura reta, pra ajudar a irmã. Pois é, até ela sabia que a Nomi sozinha ia dar ruim. Os papéis se invertem e, de repente, eu estava esperando para ver o que aconteceria com ela. Só pra adiantar, sem dar spoilers, os capítulos da prisão são os melhores.

Bem, falemos sobre l’amour. Talvez fosse de se esperar que, após reler toda a  série Corte de Espinhos e Rosas (Sarah J. Mass), dificilmente o próximo romance que apareceria na minha frente seria lindo. Pra mim não tem como ganhar de Feysand. E, de fato, o que encontrei em Graça e Fúria foi… morno. E totalmente instantâneo, do tipo “Viu, você está vendo a sua vida ir pra m&rd@, esse realmente é o melhor momento pra SUSPIRAR por alguém?!?!?”

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No geral tudo pareceu um ensaio, um esboço do que o livro devia ter sido. Já li MUITA fantasia YA pra estar cansada de romances do nada e protagonistas teoricamente phodas, porém bobas. Resumindo, se a autora tivesse passado mais tempo debruçada nessa história, adicionado mais elementos ou pelo menos trabalhado mais nas suas personagens e na mudança radical que estava acontecendo na vida/cabeça delas (Oi, Sarina) as coisas provavelmente seriam melhores. É um livro sobre feminismo e sobre ser verdadeira consigo, mas apenas uma das irmãs atinge esse objetivo.

Na verdade, eu devia até avaliar com uma nota menor, a trama não é das mais originais, o plot twist (aquela reviravolta básica) foi tão previsível que eu vi ele chegando já na primeira interação dos personagens (sério, se você não viu, é porque você é novo no ramo da literatura) e as situações no geral são um apanhado de vários outros livros. Mas a tentativa de algo inspirador valeu. Como a esperança é a ultima que morre, vou ler a continuação, mas sem esperar cair da cadeira com ela.

Mulher-Maravilha: Sementes da Guerra – Leigh Bardugo

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  •    Autor: Leigh Bardugo
  •    Editora: Arqueiro
  •    Nº de Páginas: 400
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: Wonder Woman – Warbringer
  •    Tradutor: Mariana Serpa
  •    Avaliação: 9,0

 

Antes de se tornar a Mulher-Maravilha, ela era apenas Diana.
Filha da deusa Hipólita, Diana deseja apenas se provar entre suas irmãs guerreiras. Mas quando a oportunidade finalmente chega, ela joga fora sua chance de glória ao quebrar uma lei das amazonas e salvar Alia Keralis, uma simples mortal.
No entanto, Alia está longe de ser uma garota comum. Ela é uma semente da guerra, descendente da infame Helena de Troia, destinada a trazer uma era de derramamento de sangue e miséria. Agora cabe a Diana salvar todos e dar seu primeiro passo como a maior heroína que o mundo já conheceu.

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Esqueça o filme maravilhoso (sem trocadilhos) da DC. A história contada aqui tem uma dimensão completamente diferente, e é tão incrível quanto!

Primeiro quero deixar claro que eu nunca li/lerei as HQs (é uma longa história, mas basicamente eu tenho horror a deixar uma série incompleta e não tenho nem espaço nem dinheiro pra começar uma coleção de quadrinhos) e não sei qual é a história nelas, mas essa da Leigh, rainha, é espetacular! Você quer motivos? Eu te dou motivos!

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Motivo Número 1: as amazonas são mortais que morreram em batalha e, em seus momentos finais, chamaram por uma deusa. Deusa, santa, entidade… qualquer religião conta, desde que a mulher clamante fosse uma guerreira em seu coração e estivesse partindo dessa pra melhor. E que melhor!

Motivo Número 2: a Diana ainda não é a DIANA-MULHER-MARAVILHA-RAINHA-DISSO-TUDO-AJOELHEM-SE-MORTAIS. Ela é uma simples adolescente feita de barro e trazida à vida por Atena e Cia. com todas as inseguranças de alguém muito novo tentando se encaixar num mundo muito velho.

Ela não é tão rápida nem tão forte. E também não tem o respeito de praticamente ninguém, pois não foi forjada em batalha, meio que um pré-requisito pra ser membro do clube, rs. As outras amazonas a consideram somente a filha mimada da rainha. Tudo o que Diana mais quer é provar seu valor e poder finalmente assumir seu lugar como princesa de Temiscira. Só que aquilo que aparentemente é uma oportunidade, se mostra algo muito maior. E perigoso.

Motivo Número 3: Alia. Ou melhor, a relação Diana-Alia. Elas não podiam ser mais diferentes uma da outra, Cada uma com seu tipo de maturidade e inocência, mas eram exatamente aquilo que precisavam ser quando se encontraram. #GRLPWR

Então sim, eu adorei esse livro e foi uma leitura em rápida, mas isso não quer dizer que eu não mudaria uma ou duas coisinhas. Por exemplo: quando eu leio algo da Leigh eu espero DRAMA, eu espero ter meu coraçãozinho de leitora esmagado, eu fico na expectativa.

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E aqui não temos esse drama. Não sei se é uma coisa contratual ou a proposta lançada pela DC não comportava Leigh Bardugo sendo Leigh Bardugo, mas fiquei levemente desapontada. Outra coisa foi a relação Alia-Semente da Guerra. A garota é muito legal e só quer se ver livre de problemas, mas eu senti falta de um lado mais sombrio. Afinal ela é uma SEMENTE DA GUERRA, uma agente do caos, sério que nem um pedacinho dela quer ver o circo pegar fogo? Aquela parte de conflito moral, onde ela sabe que é errado, mas tem uma voz em sua cabeça dizendo pra roubar o doce da criança? Promover a discórdia? Jogar glitter em alguém? Não? OK, só achei que podíamos ter isso…

Anyway, li por ser um livro da Mulher-Maravilha e sinceramente não sei se leria a ‘continuação’ do Batman, a não ser que as histórias se entrelacem depois. Alguém sabe se isso acontece?

Senhor das Sombras – Cassandra Clare

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  •    Autor: Cassandra Clare 
  •    Editora: Galera
  •    Nº de Páginas: 602
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: Lord of Shadows
  •    Tradutor: Rita Sussekind
  •    Avaliação: 9,0

A ensolarada Los Angeles pode ser um lugar sombrio na continuação de Dama da Meia-Noite, de Cassandra Clare. Emma Carstairs finalmente conseguiu vingar a morte dos pais e pensou que com isso estaria em paz. Mas se tem uma coisa que ela não encontrou foi tranquilidade. Dividida entre o amor que sente pelo seu parabatai Julian e a vontade de protegê-lo das graves consequências que um relacionamento entre os dois pode trazer, ela começa a namorar Mark Blackthorn, irmão de Julian. Mark, por sua vez, passou os últimos cinco anos preso no Reino das Fadas e não sabe se um dia voltará a ser o Caçador de Sombras que já foi. Como se não bastasse, as cortes das fadas estão em polvorosa. O Rei Unseelie está farto da Paz Fria e decidido a não mais ceder às exigências dos Nephlim. Presos entre as exigências das fadas e as leis da Clave, Emma, Julian e Mark devem encontrar um modo de proteger tudo aquilo que mais amam — juntos e antes que seja tarde.

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Assim como Senhora da Meia-Noite, SdS é um livro grande. Grande e compriiiiiido, com muitas coisas acontecendo antes mesmo da metade. Levei um mês nesse livro, um mês inteiro, o que pra mim é uma verdadeira vergonha, praticamente até a página 170. Foi a partir daí as coisas começaram a ficar realmente interessantes e voltei a ser eu mesma: li as outras 430 páginas em menos de dois dias 🙂

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 Acho que uma coisa que me cansou logo de cara foi a “divinificação” de Clary e Jace. Eles aparecem nessa história com 20 e poucos anos, já Caçadores de Sombras  glorificados e tratados como heróis e lendas vivas por todos. Isso era de se esperar, levando em conta o tanto que esse casal pastou e acho digno mesmo que eles mereçam respeito. Mas as interações deles com os outros personagens ficou forçada demais, irreconhecível. Parece que a Cassandra resolveu que ia botar um manto de Yoda, Gandalf, Dumbledore ou qualquer outro velho sábio neles, e os escreveu como anjos dando conselhos para os mais novos. A Clary virou uma criatura serena e Jace esqueceu como tirar com a cara de todo mundo. Uma pena. Quem acompanha a série desde o princípio sabe da personalidade de cada um e está bem familiarizado com as falhas e defeitos também, por isso acho difícil engolir essa mudança.

Sim, eu fiquei revoltada. E quanto mais penso nisso, mais revoltada fico.

Se você curtiu essa nova fase paz e amor de um dos melhores casais do universo YA, não me odeie. Eu prometo que só tenho coisas boas pra falar daqui em diante!

Eu acredito piamente que Cassandra passa horas acordada na cama, olhando pro teto e pensando: “Como posso ferrar ainda mais com a vida dos meus queridos personagens?”

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Ela deve se esforçar pra criar essas situações gente! Não é possível! E se esse dom pra romances impossíveis vem naturalmente então senhora Clare, acho que precisamos chamar um médico pra você. Ou um padre.

Resumindo qualquer livro contendo Caçadores de Sombras: você acha que seu casal do coração finalmente encontrou um meio de ser feliz e, BAM, algo terrível acontece é o mundo de todos, inclusive o seu, é virado de cabeça para baixo!

E qualquer pessoa normal ficaria irritada por ter seus sentimentos feitos de brinquedo por alguém. Mas nós somos leitores, nós não somos normais. Nós queremos mais sofrimento.

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Então chega Senhor das Sombras pra conceder esse desejo. É tiro atrás de tiro. É bomba atrás de bomba. Tem momentos de orgulho (Emma, você é demais) e ódio mortal. Tem tantas coisas cruciais acontecendo e pequenas bolhas de calmaria (pequenas, bem pequenas) e você fica maluco a cada descoberta porque, como mencionei acima, Cassandra gosta de complicar e mostrar que o buraco é mais embaixo.

Senhor das Sombras é um livro exaustivo. Ele é longo e bem lento no começo, e depois pega um ritmo alucinante que cansa. Mas é aquele cansaço bom, de dançar por horas ou nadar muito no mar.

Terminei a leitura sem saber o que ler em seguida, porque nenhum outro livro me manteria naquela vibe incrível.

Minha Lady Jane – Cynthia Hand, Brodi Ashton & Jodi Meadows

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  •    Autor: Cynthia Hand, Brodi Ashton e Jodi Meadows 
  •    Editora: Gutenberg
  •    Nº de Páginas: 368
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: My Lady Jane
  •    Tradutor: Rodrigo Seabra
  •    Avaliação: 8,0

Toda história tem sempre duas versões…

Inglaterra, século XVI, dinastia Tudor. O jovem Rei Eduardo VI está à beira da morte e o destino do país é incerto. Para evitar que o poder caia em mãos erradas (leia-se: nas mãos de Maria Sangrenta), Eduardo é persuadido por seu conselheiro a nomear Lady Jane Grey, sua prima e melhor amiga, como a legítima sucessora.
Aos 16 anos, Jane está em um relacionamento muito sério com seus livros até ser surpreendida pela trágica notícia de que terá de se casar com um completo estranho que (ninguém lembrou de contar para ela) tem um talento muito especial: a habilidade de se transformar em cavalo. E, pior ainda, descobre que está prestes a se tornar a nova Rainha da Inglaterra!
Arrastada para o centro de um conflito político, Jane suspeita de que sua coroação na verdade esconde um grande plano conspiratório para usurpar o trono. Agora, ela precisa definitivamente manter a cabeça no lugar se… bem, se não quiser literalmente perder a cabeça.
Um rei relutante, uma rainha-relâmpago ainda mais relutante e um nobre (e) garanhão puro-sangue que não se conformam com o destino que lhes foi reservado; uma história apaixonante, envolvente, cativante, sedutora… e mais uma porção de sinônimos que só Lady Jane seria capaz de listar. Tudo com uma leve semelhança com os fatos históricos.

…afinal, às vezes a História precisa de uma mãozinha.

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Pensem numa história mucho loka. Tão louca que fiquei me perguntando mais de uma vez como a ideia de escrevê-la, pra começo de conversa, surgiu. E de todas as alternativas que passam na minha cabeça (pode crer que são muitas) no final só penso: na próxima quero estar lá pra ver isso!

Porque não é sempre que um grupo de escritoras desse calibre se reúne e resolve pegar uma das rainhas mais esquecidas da história da Inglaterra e misturar tudo com magia, metamorfos e muito humor. Fantasia + romance histórico = Como não amar?

Não sei vocês, mas eu meio que sou a louca da Era Tudor.  Tenho diploma em Philippa Gregory e pós graduação em Wikipedia. Eu literalmente sei mais sobre essa família inglesa (e todas as coisas absurdas que rolaram durante seu reinado) do que sobre a nossa família real! E nem estou envergonhada por isso!

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Com isso posso dizer que Lady Jane Grey não é um dos assuntos mais falados quando o assunto é Tudor, e o motivo é simples: ela governou por 6 dias. E então teve a cabeça separada dos ombros.

Pois é.

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Então como, meu bom povo, um livro sobre uma garota que durou tão pouco e teve um destino tão trágico pode dar certo? A resposta é simples: as únicas semelhanças com a história real são os nomes, o fato de Jane ser coroada rainha e o enorme nariz de Lorde Dudley pai (Sorte do filho não ter puxado muito a cara do pai). Já na dedicatória podemos ter uma ideia do que vem a seguir:

“Para todos aqueles que sabem que havia espaço suficiente para Leonardo DiCaprio naquela porta. E para a Inglaterra. Sentimos muito, de verdade, pelo que estamos prestes a fazer com a sua História.”

Essa nossa Lady Jane não é exatamente  uma desavisada, mas poderia ter a presença de espírito de ver as águas se agitando à sua volta e pensar: É UMA CILADA, BINO! Mas a pessoa está tão preocupada com seus livros (#julgarnãoiremos) e atormentar a própria mãe que não vê o que está em debaixo do seu nariz. Nem que isso seja um cavalo enorme: vulgo seu noivo.

Essa é uma daquelas histórias engraçadinhas, que te farão sorrir ou mesmo gargalhar e, apesar de ser essencialmente leve, Minha Lady Jane tem um plot muito bem bolado. Ele é cheio de referências que os bons entenderão, como:

“Havia também um punhado de convites para presidir eventos públicos, visitar diversas casas de campo de nobres e comparecer a algo chamado Casamento Vermelho. Jane apenas preencheu o quadradinho de “não vou comparecer” sem nem pensar duas vezes nesse último convite. Como se ela quisesse ir a mais casamentos…”

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E só por isso não tenho como não amar. Temos fantasia, humor, história (de um jeito ou de outro) e romance!

Ok, talvez o motivo para não dar uma nota maior foi justamente a caricatura. Tinha horas que era simplesmente demais e eu só queria um pouquinho mais de seriedade, ou menos forçação de barra. Mas foi impossível não me apaixonar mesmo assim, espero muito ansiosa pelas próximas “Janies” que esse trio nos trará, e espero que elas também tenham uma mãozinha no quesito história.

 

xoxo e bom fim de semana!

Crooked Kingdom – Leigh Bardugo

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  •    Autor: Leigh Bardugo
  •    Editora: Henry Holt and Co.
  •    Nº de Páginas: 536
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2016
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 9,5

Cuidado humano, a não ser que você saiba quais os riscos de ingerir ‘parem, aconselho que mantenha distancia deste post!

Bem-vindo ao mundo grisha.
Depois de efetuar um golpe aparentemente impossível na infame Corte do Gelo, o prodígio do crime Kaz Brekker sente que nada poderá detê-lo. Mas sua vida está prestes a ter uma perigosa reviravolta—e com amigos que estão entre os mais mortais marginais na cidade de Ketterdam, Kaz vai precisar contar com mais do que pura sorte para sobreviver nesse submundo implacável. (Tradução livre, leve e solta)

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Olha, uma coisa que vocês deveriam saber antes de chegar perto de qualquer livro de Leigh Bardugo: ela come corações no café-da-manhã.

Essa mulher não tem problema nenhum, aliás eu acho que ela até gosta, de atormentar e esmigalhar os sentimentos de seus leitores. Não era pra ela gostar da gente? “Que espécie de amor é esse Leigh?! Eu me dediquei tanto a você e é assim que você retribui??”

Você me traiu

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Desculpa. É demais pra mim.

E ainda assim a louca aqui adora tudo o que ela escreve. Pois é, não posso evitar. E, cara, Crooked Kingdom é uma obra prima.

Ok, vamos falar da continuação de Six of Crows e talvez assim vocês entendam um pouco mais meu drama:

Eles conseguiram o impossível, agora precisam viver com as consequências disso…

A espera pelo que viria após a conclusão de Six of Crows me deixou maluca por meses. O ritmo é uma corrida alucinante de acontecimentos, mesmo sendo um livro enorme, que não acaba nunca! Uma verdadeira montanha russa de sentimentos, que te leva a comemorar cada pequena vitória e querer gritar quando as coisas dão errado. Tiros, correria, vingança, tramas, criminosos, amor, desespero, arrependimentos, coragem, magia e mais tiros. E é tanta coisa que o Kaz não consegue controlar, por mais que ele tente… (pausa para a blogueira se recompor).

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Falando em Kaz, Inej sempre vem logo em seguida. Eu realmente gosto muito de todos os personagens, Bardugo não poderia ter criado um grupo mais heterogêneo nem se tentasse, mas Inej e Kaz pra mim são a cereja desse bolo de arco-íris e pedaços de unicórnios. Se você prestar bastante atenção, pode ouvir o exato momento onde seu coração se parte por eles. Das infâncias arruinadas ao presente COMPLICADO, nada acontece como já estamos acostumados nos outros livros YAs.

Aliás, a qualidade da escrita e enredo é bem mais do que vemos na maioria dos YAs. Esse não é o seu livro “podia estar matando, podia estar roubando, mas estou lendo”. Não é o seu livro “acabou a bateria do celular na fila do banco”. Esse é do tipo “não fale comigo, não olhe pra mim, não respire perto de mim porque estou lendo”, aquele que envolve desde a primeira página e, quando você finalmente se dá conta, ele já tomou conta do seu ser. Sou apaixonada pela Leigh desde Sombra e Ossos, mas ela é a prova viva de que o que está bom sempre pode melhorar. Não há medo de ser poético, de ser profundo e brutal aqui.

Terminei essa viagem sem acreditar que era o fim e agora não sei se quero ser uma grisha ou acrobata quando crescer, mas posso te garantir que você vai se apaixonar pelas duas!

E sim, eu sei que é uma duologia, mas PELO AMOR DOS DEUSES! Não pode acabar assim, não é aceitável, não é humano!!

Tudo dói e eu estou morrendo. 🙂

The Young Elites (Jovens de Elite) – Marie Lu

 

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  •     Autor: Marie Lu 
  •    Editora: Putnam
  •    Nº de Páginas: 368
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2014
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –
  •    Avaliação: 8,0

Bestseller do The New York Times com excelente repercussão entre público e crítica, Jovens de Elite é o primeiro de uma série de fantasia ambientada na era medieval e protagonizada por jovens que desenvolvem estranhas cicatrizes e poderes especiais ao sobreviverem a uma febre que dizimou boa parte da humanidade. Entre eles está Adelina, que, após se rebelar contra o destino imposto a ela por seu pai, encontra um novo lar na sociedade secreta Jovens de Elite, vista por alguns como um grupo de heróis, por outros como seres com poderes demoníacos. Heroína ou vilã? Num mundo perigoso no qual magia e política se chocam, Adelina descobre o lado sombrio de seu coração. Da mesma autora da aclamada trilogia Legend, Marie Lu, Jovens de Elite é o início de uma saga arrebatadora. Perfeita para fãs de histórias de fantasia medieval como Game of Thrones, com vilões dignos de X-Men.

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Conheçam Adelina Amouteru, a Anakin Skywalker de Kenettra.

Sabe aquele personagem que tem potencial, poder e pessoas o apoiando… mas mesmo assim vai pro lado negro da força? Essa é a Adelina, e talvez ela não tenha muita escolha. Ok, todo mundo tem uma escolha, nem que seja parar de respirar, mas seremos razoáveis aqui quando entrarmos nesse universo sombrio de ódio, perseguição e desconfiança.

Nada é branco e preto, ninguém é bom ou mau. É simplesmente complicado demais.

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Adelina não é uma boa pessoa. Vocês podem até estranhar isso, como uma mocinha não é boa? A resposta: sendo humana. Sério gente, eu não gostei dela, mas não por ter sido um personagem superficial, artificial, muito pelo contrário! Essas falhas de caráter, as decisões que não estão no ‘código de honra’ previamente estabelecido no mundo literário pelo qual nossas heroínas baseiam suas ações, são extremamente humanas. Sim, já vimos protagonistas inescrupulosas antes, que começam ao lado dos caras maus, mas que percebem seus erros e passam a ter atitudes altruístas e corajosas. Adelina tem alguma coragem, mas lhe falta a ferocidade para se defender, e toma um numero de decisões duvidosas movida pelo medo e pela raiva.

Aliás, medo e raiva são palavras chave para ela, são a fonte de seu poder e ela A-DO-RA chafurdar neles. Ela tem boas intenções até, só que gosta mais de causar medo e alimentar sua raiva do que ser gentil. Resumidamente Adelina não é nobre, prepare-se para ver alguém jogar sujo, e talvez você a ame por isso. Os deuses e anjos sabem o quanto ela precisa de amor.

Isso nos leva aos relacionamentos no livro e aos outros personagens tão imprevisíveis quanto ela. Pensem num livro que te deixa arrepiada, de tão bem feito! Sério gente, a blogueira aqui está até agora digerindo tudo o que aconteceu e não se sente preparada para falar sobre o final.

Eu simplesmente não sei lidar!!

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Temos Violetta, a irmã caçula que é muito amada por todos (ninguém mais que Adelina), mas ainda assim sempre virou o rosto para os abusos cometidos pelo pai contra a irmã mais velha. Temos Enzo, o #sexydemaisparaoprópriobem líder da Sociedade da Adaga, que mantém seu sentimentos e reais intenções tão escondidos que talvez nem ele saiba. E temos Rafaelle, provavelmente o homem mais bonito que jamais existiu, e um exemplo de relacionamento sem romance com a mocinha. Mas quem sabe distinguir verdade de mentira quando elas saem de lábios tão treinados?

Toda a ação que me viciou em Legend me encontrou novamente em TYE, mas de uma forma muito mais obscura e sexy e brilhante, e há também o vilão complexo! Eu falei do vilão complexo? Aquele tipo que você pode até não gostar, mas simpatiza, porque ele merece ser amado! Como vocês vão lidar??? nãotemcomo

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As cidades de Kenettra são o cenário para essa mistura de Renascença com X-Men maravilhosamente construída. Você consegue ver as pessoas, os edifícios e os detalhes. Terminei a leitura atordoada pelo tiro que foi o final, e aconselho que vocês tenham a continuação em mãos quando forem ler. A espera seria impossível de aguentar.

 

xoxo e bom começo de semana

A Rainha de Tearling – Erika Johansen

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  •   Autor: Erika Johansen 
  •   Editora: Suma das Letras
  •    Nº de Páginas: 352
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: The Queen of the Tearling
  •    Tradutor: Cássio de Arantes Leite
  •    Avaliação: 10 10 10 10 10

Quando a rainha Elyssa morre, a princesa Kelsea é levada para um esconderijo, onde é criada em uma cabana isolada, longe das confusões políticas e da história infeliz de Tearling, o reino que está destinada a governar. Dezenove anos depois, os membros remanescentes da Guarda da Rainha aparecem para levar a princesa de volta ao trono – mas o que Kelsea descobre ao chegar é que a fortaleza real está cercada de inimigos e nobres corruptos que adorariam vê-la morta. Mesmo sendo a rainha de direito e estando de posse da safira Tear – uma joia de imenso poder –, Kelsea nunca se sentiu mais insegura e despreparada para governar. Em seu desespero para conseguir justiça para um povo oprimido há décadas, ela desperta a fúria da Rainha Vermelha, uma poderosa feiticeira que comanda o reino vizinho, Mortmesne. Mas Kelsea é determinada e se torna cada dia mais experiente em navegar as políticas perigosas da corte. Sua jornada para salvar o reino e se tornar a rainha que deseja ser está apenas começando. Muitos mistérios, intrigas e batalhas virão antes que seu governo se torne uma lenda… ou uma tragédia.

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Sim, eu sei que tenho uma lista de livros a serem lidos infinita, já fiz as pazes com isso. Tento ler o máximo de títulos possível e só de pensar em reler algo me dá um peso na consciência, mas estou tão feliz de ter relido A Rainha de Tearling que acho que nem consigo explicar! Eu amei essa história quando a li pela primeira vez anos atrás, e hoje só serviu pra deixar claro para mim como ela é maravilhosa.

O livro narra a história de Kelsey, uma princesa prestes a subir ao trono. Mas, veja bem, ela não a sua princesa comum do dia a dia (coisa que só existe pra gente que lê muita fantasia). Pra começar ela é feia. Ok, não feia horrorosa, mas ela é descrita por todos e ela mesma como sem graça, está longe de ser atlética e comum. Ela poderia ser a camponesa na multidão, que nunca seria confundida com uma rainha.

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Mas Kelsey é inteligente, tem uma paixão por livros que torna difícil não nos identificarmos, é teimosa como uma mula e, principalmente: tem coragem suficiente pra colocar o mundo inteiro de volta nos eixos. Essa vontade férrea será imprescindível se ela quiser fazer algo que preste em Tearling. Isso, é claro, se ela sobreviver pra chegar ao trono… só que esse é um assunto pra depois.

Já mencionei que esse livro é uma distopia?

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Sim, pode deixar o queixo cair à vontade. Tearling, Mortmesne e outros reinos vizinhos foram acessados por mar séculos antes de nossa história começar, por ninguém menos que sobreviventes da America, Europa e Africa, terras supostamente devastadas e inabitáveis. Só que os sobreviventes que fizeram a Travessia não queriam absolutamente nada com a tecnologia que destruiu seu mundo, então agora temos uma sociedade medieval, com poucos recursos e boatos sobre magia e vidência.

Como não amar?

O livro é cheio de parágrafos extensos com os pensamentos de personagens secundários. Talvez você tenha vontade de pular essas partes pra chegar logo nos momentos de tirar o folego que estão por toda a parte, mas calma, tem muitos detalhes nesses pensamentos, detalhes que nos ajudam a entender melhor essa sociedade que se parece muito com a nossa e ao mesmo tempo é bem diferente. Também, no começo de cada capítulo, tem uma passagem de algum livro de história DO FUTURO relatando os acontecimentos que estamos lendo. Dá pra entender? Se a autora não fosse tão f@d# a gente teria uma chuveirada de spoilers, mas não! Só serve pra deixar o coitado do leitor mais maluco de curiosidade ainda!

Mas voltando a Kelsey, uma das minhas rainhas favoritas de todos os tempos, e a quantidade absurda de gente que a quer morta. Bom, com essa informação você poderia pensar que simplesmente não vale a pena se expor e praticamente pintar um alvo gigante nas próprias costas. Só que, além da determinação impressionante mencionada acima, Kels pode contar com o apoio da sua família. E não, não estou falando de parentes consanguíneos, porque esses encabeçam a lista de gente prontinha pra apagar a garota do mapa. A família de Kels foi buscá-la em seu esconderijo, para traze-la de volta a capital e garantir que suba ao trono. Sua Guarda da Rainha. Um pequeno batalhão de homens habilidosos escolhidos a dedo, muito tempo atrás, para darem suas vidas pela soberana. Um detalhe, depois de conviverem com a antiga rainha, Elyssa, todos eles esperavam uma garotinha mimada e cabeça oca como a mãe. Só que eles não esperavam por Kelsey, alguém digno de respeito e devoção, e passaram a protege-la não por dever, mas por amor.

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A dinâmica entre eles é tocante, a maioria tem idade para ser pai dela, mas quando a garota prova seu valor não há limites para o que farão por ela.

O livro é permeado por personagens coadjuvantes, cada um com uma história tão complexa quanto a de Kels, o que dá uma sensação de imersão maravilhosa. Me senti parte da história, completamente hipnotizada! A edição brasileira ficou ótima, e não censurou o linguajar mais pesado que aparece de vez em quando. Não curto ler palavrões (apesar de ser adepta ao uso no dia a dia, caso surja oportunidade), mas eles não ficaram cansativos aqui, e complementaram as cenas.

Então, se você gosta de fantasia, distopia, rainhas, intrigas, gente incrível, gente maravilhosa, gente f#d@ esse é o livro para a sua vida!

xoxo e bom finzinho de semana

Três Coroas Negras – Kendare Blake 

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  •    Autor: Kendare Blake
  •    Editora: Globo Alt
  •    Nº de Páginas: 304
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: Three Dark Crows
  •    Tradutor: Alexandre D’Elia

   Avaliação: 8,5

Três herdeiras da coroa, cada uma com um poder mágico especial. Mirabella é uma elemental, capaz de produzir chamas e tempestades com um estalar de dedos. Katharine é uma envenenadora, com o poder de manipular os venenos mais mortais. E Arsinoe é uma naturalista, que tem a capacidade de fazer florescer a rosa mais vermelha e também controlar o mais feroz dos leões.

Mas para coroar-se rainha, não basta ter nascido na família real. Cada irmã deve lutar por esse posto, no que não é apenas um jogo de ganhar ou perder: é uma batalha de vida ou morte. Na noite em que completam dezesseis anos, a batalha começa.

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Essa é a história de três rainhas que competem para ser A Rainha. Isso, a letra maiúscula faz toda a diferença, significa estar viva. Elas passam a vida inteira treinando para, quando o rito da Aceleração chegar, estar livres para trucidar umas as outras. Adorável, não?

Logo de cara somos apresentados a uma tonelada de termos e particularidades da ilha onde se passa a história, o que seria muito mais fácil de visualizar se um bendito mapa estivesse presente… mas não, mais uma vez uma edição nacional acha que o mapa da versão original é decor. Fico muito perturbada com isso, mais do que já sou!

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TCN alterna entre o ponto de vista das irmãs e alguns outros personagens, vamos aprendendo cada vez mais sobre cada uma. E aprendendo a gostar de cada uma também. Sim, do contra que sou eu tinha que escolher uma favorita, e justo a mais fraca do trio.

Arsinoe (olha que nome poder) é a rainha naturalista. Forte, cínica, decidida, desencanada de aparências, ácida de fazer sua pálpebra tremer e…sem um pingo da dádiva. E, como se não bastasse, sua melhor amiga é a mais forte naturalista de todos os tempos. Enquanto os outros naturalistas da ilha tem poder suficiente pra atrair pássaros e cães como Familiares (uma espécie de companhia animal) o Familiar da moça é um puma! UM PUMA.

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Selo de qualidade Chuck Norris

Mas Arsinoe não tem inveja da amiga Jules, que é mais irmã que as outras rainhas. Ela sente que é inevitável morrer no próximo ano, já que não consegue reunir magia suficiente nem pra fazer uma folha cair de uma arvore. Pra cuidar de Jules Arsinoe conta com Joseph, amigo das duas desde criança e o amor da vida da garota poderosa. Agora, não vou entrar em detalhes, mas se vocês por ventura lerem Três Coroas Negras, com certeza vão querer esfolar Joseph vivo. Entrem na fila.

A rainha Katherine é uma envenenadora no mínimo decepcionante. Ok, a garota tem talento para criar venenos, mas meio que para por aí. Ela é vitima constante das irmãs Arron, as chefes da casa envenenadora que a acolheu e figuras importantes no Conselho Negro, o poder da ilha. Elas só querem treiná-la para ser mais forte e poderosa e, principalmente, sobreviver ao Ano da Ascensão para se tornar A Rainha, a quarta envenenadora consecutiva. Só que o treinamento significa horas de exposição ao mais diversos venenos e nem uma refeiçãozinha sequer sem toxinas paralisantes. O resultado é uma Katherine mirrada e cheia de cicatrizes de pústulas e picadas de cobra, deu muita dó.

Oh, espere. Acabei de perceber que eu não ligo

Oh, espere. Acabei de perceber que eu não ligo.

Mas não o suficiente. Ainda prefiro Arsinoe.

 

E por fim temos Mirabella. A perfeita rainha Mirabella. Forte como nunca se viu, capaz de atrair tempestades, causar terremotos e dançar com fogo, ainda por cima é linda de morrer e tem todos a seus pés. O Templo, a autoridade religiosa, já a considera vencedora e não esconde de ninguém seu total apoio. Ela tem do bom e do melhor, ótimas amigas e a admiração de todos. E é claro que ela não está contente, a irritante. Por favor, não me julguem por ser implicante, eu sei que ela é cheia das boas intenções. Mas só alguém que teve tudo  de bandeja poderia pensar como Mira, ela não passou os últimos dez anos ouvindo como a outra irmã era poderosa e linda e como ela não iria viver para completar 17 anos. Ainda por cima ela faz uma coisa que, mesmo não sendo tão culpa dela, não ajudou em nada minha antipatia.

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Sou time Arsinoe e pronto.

Depois de feitas as apresentações foi aí que a história engatou. Conforme a Aceleração se aproximava, a própria narrativa também ia mais rápido e mais coisas decisivas aconteciam. Depois de um começo meio lento, foi revigorante e aproveitei muito mais a leitura assim.  Fiquei obcecada com a mitologia criada sobre a ilha, algo que me lembrou muito Avalon, e ainda não consigo parar de pensar no que pode acontecer no próximo volume. Minha cabeça deu tantas voltas criando teorias sobre o final desse que, quando aliados e inimigos inesperados mostraram a cara, quase morri do coração.

Tiro meu chapéu para Blake, não esperava esse livro, e agora preciso de ajuda para sobreviver até o lançamento do próximo. Nossa, é quase como ser uma das rainhas esperando o fim do Ano da Ascensão…

xoxo e boa semana!

P.S.: Só uma curiosidade sobre os nomes das irmãs. Mirabella é de origem italiana e significa maravilhosa. Katherine vem do grego e significa pura. Já Arsinoe também é grego, muitas governantes macedônias e egípcias tinham esse nome, inclusive a irmã mais nova de Cleópatra que, por acaso (ou não), foi assassinada pela irmã por apresentar uma ameaça a sua pretensão ao trono. Arsinoe significa ‘mulher de mente elevada’. Acho que já sei qual o nome da minha futura filha 😀

A Court of Wings and Ruin (Corte de Asas e Ruína)- Sarah J. Maas  

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  •    Autor: Sarah J. Maas
  •    Editora: Bloomsbury
  •    Nº de Páginas: 704
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 9,5

Feyre retornou a Corte da Primavera determinada a recolher informações sobre as manobras de Tamlin e o rei invasor que ameaça colocar Prythian de joelhos.  Mas para isso ela precisa jogar um mortal jogo de mentiras -e um escorregão pode significar a ruína não só de Feyre, mas de seu mundo também.
Enquanto guerra paira sobre todos, Feyre deve decidir em quem confiar entre os deslumbrantes e letais Lordes – e caçar aliados em lugares inesperados.
Nesse emocionante terceiro livro da série de Sarah J. Maas, best-seller nº1 do New York Times e USA Today, o solo será pintado de vermelho enquanto poderosos exércitos lutam por algo que pode destruir a todos. (tradução cubalibre)

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Eu sabia, sabia já pelo título que esse livro seria minha ruína… e mesmo assim amei cada parte dele.

Do desenrolar dos personagens a todos os acontecimentos impactantes, esse pra mim é o melhor livro da saga até agora! Funcionou como um encantamento para a minha falta de vontade de ler (sim, socorro, nunca mais quero passar por isso!) e fiquei obcecada. Até aí nada fora do comum nas minhas leituras de Sarah J. Maas. Só que esse livro, meu bom povo, esse livro é insano! As coisas que eles fazem, os aliados que aparecem, os inimigos que aparecem!! Fiquei um dia inteiro bem incoerente depois de terminar de ler, simplesmente não conseguia formular nem uma frasezinha sequer para tentar explicar o que senti lendo ACOWAR.

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Talvez possa encaixar na crítica na forma como os personagens, nesse livro, ficaram muito parecidos com os personagens da série TdV. As situações são diferentes, mas a essência é a mesma. Ok, acho que posso parar por aqui até, e falando em personagens, adoro como os secundários tem suas próprias histórias acontecendo ao fundo. Vamos acompanhando o desenrolar de Mor, Azriel e Cassian mais pelas observações de Feyre do que por conversas e explicações.

Feyre… ah, Feyre. Quantos traseiros uma elfa poderosa, raivosa e determinada é capaz de chutar? A resposta: infinitos. Acho que não podia estar mais contente com a Feyre como fiquei nesse livro. Eu fico taaaaaaao frustrada quando uma personagem tem sua chance de se vingar, mas se segura por peninha ou porque não seria politicamente correto…

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A Feyre dá uma grande banana pra isso, e não perde a oportunidade de ser cruel. É revigorante, pra falar a verdade. Isso deve falar mais da minha personalidade do que da autora, mas ver gente ruim ser paga na mesma moeda foi bom. Também vale lembrar que é MUITO BOM ver uma garota que não se reprime mais pelos outros, uma garota que tomou as rédeas da própria vida e não vai pedir permissão para fazer o que achar certo. Uma High Lady, de fato.

O importante é que esse é um livro onde coisas realmente acontecem! Não fica aquela enrolação esperando o final pra aí algo grande aparecer. Não, o tempo inteiro temos situações que podem mudar o rumo da trama e, consequentemente, fiquei o tempo INTEIRO esperando dar uma m&r#@. Foi intenso.

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Agora preciso dizer que fiquei chocada em descobrir pessoas criticando duramente a Sarah por sua abordagem de depressão e a chamando de supremacista ariana por não ter diversidade de personagens. Tem até grupos de ódio, ódio gente, no meio de uma comunidade de leitores!

Não sou especialista em absolutamente nada, nem digo que concordo com cada palavra escrita por ela sempre, mas posso dizer por mim que achei a representação de casos de abuso, depressão e outras situações bem delicadas muito importante. Acredito que toda garota que leu, e não necessariamente gostou de Feyrisand (Feyre + Ryshand), pelo menos olhou mais criticamente para seus próprios relacionamentos. Admito que durante a leitura, principalmente por Feyre estar de volta a Corte do Tamlin, me peguei várias vezes tentando lembrar porque não gostava mais dele. Como na vida real, por vezes é difícil enxergar o que há de errado, e somente depois que entendemos que certas atitudes não podem ser toleradas que entendemos também como um relacionamento pode estar nos prejudicando. De um jeito ou de outro refletimos, e como autora, acho que qualquer livro que consiga isso é digno. Já vi tantos livros com casais terrivelmente abusivos tratados como uma coisa linda, e quando alguém resolve levantar uma bandeira contra esse tipo de porcaria, é vaiada. Que mundo, que mundo.

Quanto às acusações de supremacia, o que posso dizer sem spoilers é que Maas sambou na cara da sociedade. Ponto.

Então, pra quem queria romance, temos. Pra quem queria guerra, temos. Pra quem queria momentos de tirar o folego, temos também. Essa série tem seis livros previstos, com ACOWAR fechando um ciclo. Não poderia querer final melhor, mas confesso que meu coração, depois de tantas emoções fortíssimas (gente, tem coisas que acontecem no final que me fizeram chorar e gritar com o livro), fica meio triste em dizer adeus. Quero mais, vou querer sempre mais de Prythian.