Crooked Kingdom – Leigh Bardugo

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  •    Autor: Leigh Bardugo
  •    Editora: Henry Holt and Co.
  •    Nº de Páginas: 536
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2016
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 9,5

Cuidado humano, a não ser que você saiba quais os riscos de ingerir ‘parem, aconselho que mantenha distancia deste post!

Bem-vindo ao mundo grisha.
Depois de efetuar um golpe aparentemente impossível na infame Corte do Gelo, o prodígio do crime Kaz Brekker sente que nada poderá detê-lo. Mas sua vida está prestes a ter uma perigosa reviravolta—e com amigos que estão entre os mais mortais marginais na cidade de Ketterdam, Kaz vai precisar contar com mais do que pura sorte para sobreviver nesse submundo implacável. (Tradução livre, leve e solta)

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Olha, uma coisa que vocês deveriam saber antes de chegar perto de qualquer livro de Leigh Bardugo: ela come corações no café-da-manhã.

Essa mulher não tem problema nenhum, aliás eu acho que ela até gosta, de atormentar e esmigalhar os sentimentos de seus leitores. Não era pra ela gostar da gente? “Que espécie de amor é esse Leigh?! Eu me dediquei tanto a você e é assim que você retribui??”

Você me traiu

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Desculpa. É demais pra mim.

E ainda assim a louca aqui adora tudo o que ela escreve. Pois é, não posso evitar. E, cara, Crooked Kingdom é uma obra prima.

Ok, vamos falar da continuação de Six of Crows e talvez assim vocês entendam um pouco mais meu drama:

Eles conseguiram o impossível, agora precisam viver com as consequências disso…

A espera pelo que viria após a conclusão de Six of Crows me deixou maluca por meses. O ritmo é uma corrida alucinante de acontecimentos, mesmo sendo um livro enorme, que não acaba nunca! Uma verdadeira montanha russa de sentimentos, que te leva a comemorar cada pequena vitória e querer gritar quando as coisas dão errado. Tiros, correria, vingança, tramas, criminosos, amor, desespero, arrependimentos, coragem, magia e mais tiros. E é tanta coisa que o Kaz não consegue controlar, por mais que ele tente… (pausa para a blogueira se recompor).

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Falando em Kaz, Inej sempre vem logo em seguida. Eu realmente gosto muito de todos os personagens, Bardugo não poderia ter criado um grupo mais heterogêneo nem se tentasse, mas Inej e Kaz pra mim são a cereja desse bolo de arco-íris e pedaços de unicórnios. Se você prestar bastante atenção, pode ouvir o exato momento onde seu coração se parte por eles. Das infâncias arruinadas ao presente COMPLICADO, nada acontece como já estamos acostumados nos outros livros YAs.

Aliás, a qualidade da escrita e enredo é bem mais do que vemos na maioria dos YAs. Esse não é o seu livro “podia estar matando, podia estar roubando, mas estou lendo”. Não é o seu livro “acabou a bateria do celular na fila do banco”. Esse é do tipo “não fale comigo, não olhe pra mim, não respire perto de mim porque estou lendo”, aquele que envolve desde a primeira página e, quando você finalmente se dá conta, ele já tomou conta do seu ser. Sou apaixonada pela Leigh desde Sombra e Ossos, mas ela é a prova viva de que o que está bom sempre pode melhorar. Não há medo de ser poético, de ser profundo e brutal aqui.

Terminei essa viagem sem acreditar que era o fim e agora não sei se quero ser uma grisha ou acrobata quando crescer, mas posso te garantir que você vai se apaixonar pelas duas!

E sim, eu sei que é uma duologia, mas PELO AMOR DOS DEUSES! Não pode acabar assim, não é aceitável, não é humano!!

Tudo dói e eu estou morrendo. 🙂

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The Young Elites (Jovens de Elite) – Marie Lu

 

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  •     Autor: Marie Lu 
  •    Editora: Putnam
  •    Nº de Páginas: 368
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2014
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –
  •    Avaliação: 8,0

Bestseller do The New York Times com excelente repercussão entre público e crítica, Jovens de Elite é o primeiro de uma série de fantasia ambientada na era medieval e protagonizada por jovens que desenvolvem estranhas cicatrizes e poderes especiais ao sobreviverem a uma febre que dizimou boa parte da humanidade. Entre eles está Adelina, que, após se rebelar contra o destino imposto a ela por seu pai, encontra um novo lar na sociedade secreta Jovens de Elite, vista por alguns como um grupo de heróis, por outros como seres com poderes demoníacos. Heroína ou vilã? Num mundo perigoso no qual magia e política se chocam, Adelina descobre o lado sombrio de seu coração. Da mesma autora da aclamada trilogia Legend, Marie Lu, Jovens de Elite é o início de uma saga arrebatadora. Perfeita para fãs de histórias de fantasia medieval como Game of Thrones, com vilões dignos de X-Men.

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Conheçam Adelina Amouteru, a Anakin Skywalker de Kenettra.

Sabe aquele personagem que tem potencial, poder e pessoas o apoiando… mas mesmo assim vai pro lado negro da força? Essa é a Adelina, e talvez ela não tenha muita escolha. Ok, todo mundo tem uma escolha, nem que seja parar de respirar, mas seremos razoáveis aqui quando entrarmos nesse universo sombrio de ódio, perseguição e desconfiança.

Nada é branco e preto, ninguém é bom ou mau. É simplesmente complicado demais.

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Adelina não é uma boa pessoa. Vocês podem até estranhar isso, como uma mocinha não é boa? A resposta: sendo humana. Sério gente, eu não gostei dela, mas não por ter sido um personagem superficial, artificial, muito pelo contrário! Essas falhas de caráter, as decisões que não estão no ‘código de honra’ previamente estabelecido no mundo literário pelo qual nossas heroínas baseiam suas ações, são extremamente humanas. Sim, já vimos protagonistas inescrupulosas antes, que começam ao lado dos caras maus, mas que percebem seus erros e passam a ter atitudes altruístas e corajosas. Adelina tem alguma coragem, mas lhe falta a ferocidade para se defender, e toma um numero de decisões duvidosas movida pelo medo e pela raiva.

Aliás, medo e raiva são palavras chave para ela, são a fonte de seu poder e ela A-DO-RA chafurdar neles. Ela tem boas intenções até, só que gosta mais de causar medo e alimentar sua raiva do que ser gentil. Resumidamente Adelina não é nobre, prepare-se para ver alguém jogar sujo, e talvez você a ame por isso. Os deuses e anjos sabem o quanto ela precisa de amor.

Isso nos leva aos relacionamentos no livro e aos outros personagens tão imprevisíveis quanto ela. Pensem num livro que te deixa arrepiada, de tão bem feito! Sério gente, a blogueira aqui está até agora digerindo tudo o que aconteceu e não se sente preparada para falar sobre o final.

Eu simplesmente não sei lidar!!

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Temos Violetta, a irmã caçula que é muito amada por todos (ninguém mais que Adelina), mas ainda assim sempre virou o rosto para os abusos cometidos pelo pai contra a irmã mais velha. Temos Enzo, o #sexydemaisparaoprópriobem líder da Sociedade da Adaga, que mantém seu sentimentos e reais intenções tão escondidos que talvez nem ele saiba. E temos Rafaelle, provavelmente o homem mais bonito que jamais existiu, e um exemplo de relacionamento sem romance com a mocinha. Mas quem sabe distinguir verdade de mentira quando elas saem de lábios tão treinados?

Toda a ação que me viciou em Legend me encontrou novamente em TYE, mas de uma forma muito mais obscura e sexy e brilhante, e há também o vilão complexo! Eu falei do vilão complexo? Aquele tipo que você pode até não gostar, mas simpatiza, porque ele merece ser amado! Como vocês vão lidar??? nãotemcomo

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As cidades de Kenettra são o cenário para essa mistura de Renascença com X-Men maravilhosamente construída. Você consegue ver as pessoas, os edifícios e os detalhes. Terminei a leitura atordoada pelo tiro que foi o final, e aconselho que vocês tenham a continuação em mãos quando forem ler. A espera seria impossível de aguentar.

 

xoxo e bom começo de semana

A Rainha de Tearling – Erika Johansen

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  •   Autor: Erika Johansen 
  •   Editora: Suma das Letras
  •    Nº de Páginas: 352
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: The Queen of the Tearling
  •    Tradutor: Cássio de Arantes Leite
  •    Avaliação: 10 10 10 10 10

Quando a rainha Elyssa morre, a princesa Kelsea é levada para um esconderijo, onde é criada em uma cabana isolada, longe das confusões políticas e da história infeliz de Tearling, o reino que está destinada a governar. Dezenove anos depois, os membros remanescentes da Guarda da Rainha aparecem para levar a princesa de volta ao trono – mas o que Kelsea descobre ao chegar é que a fortaleza real está cercada de inimigos e nobres corruptos que adorariam vê-la morta. Mesmo sendo a rainha de direito e estando de posse da safira Tear – uma joia de imenso poder –, Kelsea nunca se sentiu mais insegura e despreparada para governar. Em seu desespero para conseguir justiça para um povo oprimido há décadas, ela desperta a fúria da Rainha Vermelha, uma poderosa feiticeira que comanda o reino vizinho, Mortmesne. Mas Kelsea é determinada e se torna cada dia mais experiente em navegar as políticas perigosas da corte. Sua jornada para salvar o reino e se tornar a rainha que deseja ser está apenas começando. Muitos mistérios, intrigas e batalhas virão antes que seu governo se torne uma lenda… ou uma tragédia.

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Sim, eu sei que tenho uma lista de livros a serem lidos infinita, já fiz as pazes com isso. Tento ler o máximo de títulos possível e só de pensar em reler algo me dá um peso na consciência, mas estou tão feliz de ter relido A Rainha de Tearling que acho que nem consigo explicar! Eu amei essa história quando a li pela primeira vez anos atrás, e hoje só serviu pra deixar claro para mim como ela é maravilhosa.

O livro narra a história de Kelsey, uma princesa prestes a subir ao trono. Mas, veja bem, ela não a sua princesa comum do dia a dia (coisa que só existe pra gente que lê muita fantasia). Pra começar ela é feia. Ok, não feia horrorosa, mas ela é descrita por todos e ela mesma como sem graça, está longe de ser atlética e comum. Ela poderia ser a camponesa na multidão, que nunca seria confundida com uma rainha.

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Mas Kelsey é inteligente, tem uma paixão por livros que torna difícil não nos identificarmos, é teimosa como uma mula e, principalmente: tem coragem suficiente pra colocar o mundo inteiro de volta nos eixos. Essa vontade férrea será imprescindível se ela quiser fazer algo que preste em Tearling. Isso, é claro, se ela sobreviver pra chegar ao trono… só que esse é um assunto pra depois.

Já mencionei que esse livro é uma distopia?

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Sim, pode deixar o queixo cair à vontade. Tearling, Mortmesne e outros reinos vizinhos foram acessados por mar séculos antes de nossa história começar, por ninguém menos que sobreviventes da America, Europa e Africa, terras supostamente devastadas e inabitáveis. Só que os sobreviventes que fizeram a Travessia não queriam absolutamente nada com a tecnologia que destruiu seu mundo, então agora temos uma sociedade medieval, com poucos recursos e boatos sobre magia e vidência.

Como não amar?

O livro é cheio de parágrafos extensos com os pensamentos de personagens secundários. Talvez você tenha vontade de pular essas partes pra chegar logo nos momentos de tirar o folego que estão por toda a parte, mas calma, tem muitos detalhes nesses pensamentos, detalhes que nos ajudam a entender melhor essa sociedade que se parece muito com a nossa e ao mesmo tempo é bem diferente. Também, no começo de cada capítulo, tem uma passagem de algum livro de história DO FUTURO relatando os acontecimentos que estamos lendo. Dá pra entender? Se a autora não fosse tão f@d# a gente teria uma chuveirada de spoilers, mas não! Só serve pra deixar o coitado do leitor mais maluco de curiosidade ainda!

Mas voltando a Kelsey, uma das minhas rainhas favoritas de todos os tempos, e a quantidade absurda de gente que a quer morta. Bom, com essa informação você poderia pensar que simplesmente não vale a pena se expor e praticamente pintar um alvo gigante nas próprias costas. Só que, além da determinação impressionante mencionada acima, Kels pode contar com o apoio da sua família. E não, não estou falando de parentes consanguíneos, porque esses encabeçam a lista de gente prontinha pra apagar a garota do mapa. A família de Kels foi buscá-la em seu esconderijo, para traze-la de volta a capital e garantir que suba ao trono. Sua Guarda da Rainha. Um pequeno batalhão de homens habilidosos escolhidos a dedo, muito tempo atrás, para darem suas vidas pela soberana. Um detalhe, depois de conviverem com a antiga rainha, Elyssa, todos eles esperavam uma garotinha mimada e cabeça oca como a mãe. Só que eles não esperavam por Kelsey, alguém digno de respeito e devoção, e passaram a protege-la não por dever, mas por amor.

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A dinâmica entre eles é tocante, a maioria tem idade para ser pai dela, mas quando a garota prova seu valor não há limites para o que farão por ela.

O livro é permeado por personagens coadjuvantes, cada um com uma história tão complexa quanto a de Kels, o que dá uma sensação de imersão maravilhosa. Me senti parte da história, completamente hipnotizada! A edição brasileira ficou ótima, e não censurou o linguajar mais pesado que aparece de vez em quando. Não curto ler palavrões (apesar de ser adepta ao uso no dia a dia, caso surja oportunidade), mas eles não ficaram cansativos aqui, e complementaram as cenas.

Então, se você gosta de fantasia, distopia, rainhas, intrigas, gente incrível, gente maravilhosa, gente f#d@ esse é o livro para a sua vida!

xoxo e bom finzinho de semana

Três Coroas Negras – Kendare Blake 

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  •    Autor: Kendare Blake
  •    Editora: Globo Alt
  •    Nº de Páginas: 304
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: Three Dark Crows
  •    Tradutor: Alexandre D’Elia

   Avaliação: 8,5

Três herdeiras da coroa, cada uma com um poder mágico especial. Mirabella é uma elemental, capaz de produzir chamas e tempestades com um estalar de dedos. Katharine é uma envenenadora, com o poder de manipular os venenos mais mortais. E Arsinoe é uma naturalista, que tem a capacidade de fazer florescer a rosa mais vermelha e também controlar o mais feroz dos leões.

Mas para coroar-se rainha, não basta ter nascido na família real. Cada irmã deve lutar por esse posto, no que não é apenas um jogo de ganhar ou perder: é uma batalha de vida ou morte. Na noite em que completam dezesseis anos, a batalha começa.

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Essa é a história de três rainhas que competem para ser A Rainha. Isso, a letra maiúscula faz toda a diferença, significa estar viva. Elas passam a vida inteira treinando para, quando o rito da Aceleração chegar, estar livres para trucidar umas as outras. Adorável, não?

Logo de cara somos apresentados a uma tonelada de termos e particularidades da ilha onde se passa a história, o que seria muito mais fácil de visualizar se um bendito mapa estivesse presente… mas não, mais uma vez uma edição nacional acha que o mapa da versão original é decor. Fico muito perturbada com isso, mais do que já sou!

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TCN alterna entre o ponto de vista das irmãs e alguns outros personagens, vamos aprendendo cada vez mais sobre cada uma. E aprendendo a gostar de cada uma também. Sim, do contra que sou eu tinha que escolher uma favorita, e justo a mais fraca do trio.

Arsinoe (olha que nome poder) é a rainha naturalista. Forte, cínica, decidida, desencanada de aparências, ácida de fazer sua pálpebra tremer e…sem um pingo da dádiva. E, como se não bastasse, sua melhor amiga é a mais forte naturalista de todos os tempos. Enquanto os outros naturalistas da ilha tem poder suficiente pra atrair pássaros e cães como Familiares (uma espécie de companhia animal) o Familiar da moça é um puma! UM PUMA.

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Selo de qualidade Chuck Norris

Mas Arsinoe não tem inveja da amiga Jules, que é mais irmã que as outras rainhas. Ela sente que é inevitável morrer no próximo ano, já que não consegue reunir magia suficiente nem pra fazer uma folha cair de uma arvore. Pra cuidar de Jules Arsinoe conta com Joseph, amigo das duas desde criança e o amor da vida da garota poderosa. Agora, não vou entrar em detalhes, mas se vocês por ventura lerem Três Coroas Negras, com certeza vão querer esfolar Joseph vivo. Entrem na fila.

A rainha Katherine é uma envenenadora no mínimo decepcionante. Ok, a garota tem talento para criar venenos, mas meio que para por aí. Ela é vitima constante das irmãs Arron, as chefes da casa envenenadora que a acolheu e figuras importantes no Conselho Negro, o poder da ilha. Elas só querem treiná-la para ser mais forte e poderosa e, principalmente, sobreviver ao Ano da Ascensão para se tornar A Rainha, a quarta envenenadora consecutiva. Só que o treinamento significa horas de exposição ao mais diversos venenos e nem uma refeiçãozinha sequer sem toxinas paralisantes. O resultado é uma Katherine mirrada e cheia de cicatrizes de pústulas e picadas de cobra, deu muita dó.

Oh, espere. Acabei de perceber que eu não ligo

Oh, espere. Acabei de perceber que eu não ligo.

Mas não o suficiente. Ainda prefiro Arsinoe.

 

E por fim temos Mirabella. A perfeita rainha Mirabella. Forte como nunca se viu, capaz de atrair tempestades, causar terremotos e dançar com fogo, ainda por cima é linda de morrer e tem todos a seus pés. O Templo, a autoridade religiosa, já a considera vencedora e não esconde de ninguém seu total apoio. Ela tem do bom e do melhor, ótimas amigas e a admiração de todos. E é claro que ela não está contente, a irritante. Por favor, não me julguem por ser implicante, eu sei que ela é cheia das boas intenções. Mas só alguém que teve tudo  de bandeja poderia pensar como Mira, ela não passou os últimos dez anos ouvindo como a outra irmã era poderosa e linda e como ela não iria viver para completar 17 anos. Ainda por cima ela faz uma coisa que, mesmo não sendo tão culpa dela, não ajudou em nada minha antipatia.

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Sou time Arsinoe e pronto.

Depois de feitas as apresentações foi aí que a história engatou. Conforme a Aceleração se aproximava, a própria narrativa também ia mais rápido e mais coisas decisivas aconteciam. Depois de um começo meio lento, foi revigorante e aproveitei muito mais a leitura assim.  Fiquei obcecada com a mitologia criada sobre a ilha, algo que me lembrou muito Avalon, e ainda não consigo parar de pensar no que pode acontecer no próximo volume. Minha cabeça deu tantas voltas criando teorias sobre o final desse que, quando aliados e inimigos inesperados mostraram a cara, quase morri do coração.

Tiro meu chapéu para Blake, não esperava esse livro, e agora preciso de ajuda para sobreviver até o lançamento do próximo. Nossa, é quase como ser uma das rainhas esperando o fim do Ano da Ascensão…

xoxo e boa semana!

P.S.: Só uma curiosidade sobre os nomes das irmãs. Mirabella é de origem italiana e significa maravilhosa. Katherine vem do grego e significa pura. Já Arsinoe também é grego, muitas governantes macedônias e egípcias tinham esse nome, inclusive a irmã mais nova de Cleópatra que, por acaso (ou não), foi assassinada pela irmã por apresentar uma ameaça a sua pretensão ao trono. Arsinoe significa ‘mulher de mente elevada’. Acho que já sei qual o nome da minha futura filha 😀

A Court of Wings and Ruin (Corte de Asas e Ruína)- Sarah J. Maas  

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  •    Autor: Sarah J. Maas
  •    Editora: Bloomsbury
  •    Nº de Páginas: 704
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 9,5

Feyre retornou a Corte da Primavera determinada a recolher informações sobre as manobras de Tamlin e o rei invasor que ameaça colocar Prythian de joelhos.  Mas para isso ela precisa jogar um mortal jogo de mentiras -e um escorregão pode significar a ruína não só de Feyre, mas de seu mundo também.
Enquanto guerra paira sobre todos, Feyre deve decidir em quem confiar entre os deslumbrantes e letais Lordes – e caçar aliados em lugares inesperados.
Nesse emocionante terceiro livro da série de Sarah J. Maas, best-seller nº1 do New York Times e USA Today, o solo será pintado de vermelho enquanto poderosos exércitos lutam por algo que pode destruir a todos. (tradução cubalibre)

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Eu sabia, sabia já pelo título que esse livro seria minha ruína… e mesmo assim amei cada parte dele.

Do desenrolar dos personagens a todos os acontecimentos impactantes, esse pra mim é o melhor livro da saga até agora! Funcionou como um encantamento para a minha falta de vontade de ler (sim, socorro, nunca mais quero passar por isso!) e fiquei obcecada. Até aí nada fora do comum nas minhas leituras de Sarah J. Maas. Só que esse livro, meu bom povo, esse livro é insano! As coisas que eles fazem, os aliados que aparecem, os inimigos que aparecem!! Fiquei um dia inteiro bem incoerente depois de terminar de ler, simplesmente não conseguia formular nem uma frasezinha sequer para tentar explicar o que senti lendo ACOWAR.

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Talvez possa encaixar na crítica na forma como os personagens, nesse livro, ficaram muito parecidos com os personagens da série TdV. As situações são diferentes, mas a essência é a mesma. Ok, acho que posso parar por aqui até, e falando em personagens, adoro como os secundários tem suas próprias histórias acontecendo ao fundo. Vamos acompanhando o desenrolar de Mor, Azriel e Cassian mais pelas observações de Feyre do que por conversas e explicações.

Feyre… ah, Feyre. Quantos traseiros uma elfa poderosa, raivosa e determinada é capaz de chutar? A resposta: infinitos. Acho que não podia estar mais contente com a Feyre como fiquei nesse livro. Eu fico taaaaaaao frustrada quando uma personagem tem sua chance de se vingar, mas se segura por peninha ou porque não seria politicamente correto…

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A Feyre dá uma grande banana pra isso, e não perde a oportunidade de ser cruel. É revigorante, pra falar a verdade. Isso deve falar mais da minha personalidade do que da autora, mas ver gente ruim ser paga na mesma moeda foi bom. Também vale lembrar que é MUITO BOM ver uma garota que não se reprime mais pelos outros, uma garota que tomou as rédeas da própria vida e não vai pedir permissão para fazer o que achar certo. Uma High Lady, de fato.

O importante é que esse é um livro onde coisas realmente acontecem! Não fica aquela enrolação esperando o final pra aí algo grande aparecer. Não, o tempo inteiro temos situações que podem mudar o rumo da trama e, consequentemente, fiquei o tempo INTEIRO esperando dar uma m&r#@. Foi intenso.

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Agora preciso dizer que fiquei chocada em descobrir pessoas criticando duramente a Sarah por sua abordagem de depressão e a chamando de supremacista ariana por não ter diversidade de personagens. Tem até grupos de ódio, ódio gente, no meio de uma comunidade de leitores!

Não sou especialista em absolutamente nada, nem digo que concordo com cada palavra escrita por ela sempre, mas posso dizer por mim que achei a representação de casos de abuso, depressão e outras situações bem delicadas muito importante. Acredito que toda garota que leu, e não necessariamente gostou de Feyrisand (Feyre + Ryshand), pelo menos olhou mais criticamente para seus próprios relacionamentos. Admito que durante a leitura, principalmente por Feyre estar de volta a Corte do Tamlin, me peguei várias vezes tentando lembrar porque não gostava mais dele. Como na vida real, por vezes é difícil enxergar o que há de errado, e somente depois que entendemos que certas atitudes não podem ser toleradas que entendemos também como um relacionamento pode estar nos prejudicando. De um jeito ou de outro refletimos, e como autora, acho que qualquer livro que consiga isso é digno. Já vi tantos livros com casais terrivelmente abusivos tratados como uma coisa linda, e quando alguém resolve levantar uma bandeira contra esse tipo de porcaria, é vaiada. Que mundo, que mundo.

Quanto às acusações de supremacia, o que posso dizer sem spoilers é que Maas sambou na cara da sociedade. Ponto.

Então, pra quem queria romance, temos. Pra quem queria guerra, temos. Pra quem queria momentos de tirar o folego, temos também. Essa série tem seis livros previstos, com ACOWAR fechando um ciclo. Não poderia querer final melhor, mas confesso que meu coração, depois de tantas emoções fortíssimas (gente, tem coisas que acontecem no final que me fizeram chorar e gritar com o livro), fica meio triste em dizer adeus. Quero mais, vou querer sempre mais de Prythian.

Uma Tocha na Escuridão – Sabaa Tahir

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  •    Autor: Sabaa Tahit
  •    Editora: Verus
  •    Nº de Páginas: 434
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: A Torch Against the Night
  •    Tradutor: Jorge Ritter

   Avaliação: 8,5

Preciso mesmo dizer que qualquer novilho que se atreva a ler essa resenha antes de ler Uma Chama Entre as Cinzas será açoitado? Acho que não.

O segundo livro da história épica e eletrizante sobre liberdade, coragem e esperança. Ambientado em um mundo brutal inspirado na Roma Antiga, “Uma Chama Entre as Cinzas” contou a história de Laia, uma escrava lutando por sua família, e Elias, um soldado lutando pela liberdade. Agora, em “Uma Tocha Na Escuridão”, ambos estão em fuga, lutando pela vida. Após os eventos da quarta Eliminatória, os soldados marciais saem à caça de Laia e Elias enquanto eles escapam de Serra e partem numa arriscada jornada pelo coração do Império. Laia está determinada a invadir Kauf, a prisão mais segura e perigosa do Império, para salvar seu irmão, cujo conhecimento do aço sérrico é a chave para o futuro dos Eruditos. E Elias está determinado a ficar ao lado dela – mesmo que isso signifique abrir mão da própria liberdade. Mas forças sombrias, tanto humanas quanto sobrenaturais, estão trabalhando contra eles. Elias e Laia terão de lutar a cada passo do caminho se quiserem derrotar seus inimigos: o sanguinário imperador Marcus, a cruel comandante, o sádico diretor de Kauf e, o mais doloroso de todos, Helene – a ex-melhor amiga de Elias e nova Águia de Sangue do Império. A missão de Helene é terrível, porém clara: encontrar o traidor Elias Veturius e a escrava erudita que o ajudou a escapar… e acabar com os dois. Mas como matar alguém que você ama desesperadamente?

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Sabe aquele livro que deixa um vazio depois que acaba? Aquela história que fica te atormentando dias depois de ter sido virada a ultima página? Pois é, esse é o mundo pós-Uma Tocha na Escuridão. Adiei começar a leitura de A Court of Wings and Ruin só pra não arriscar perder alguma coisa na hora de escrever essa resenha.

Acho que a nota seria maior se o meio não tivesse sido tão parado, fiquei entediada e a leitura demorou a fluir. Mas há muita coisa digna de nota, ou melhor, muitos personagens:

O Imperador Marcus, por exemplo, está se metamorfoseando em Joffrey Baratheon não tão lentamente assim e Cersei, digo, a Comandante atingiu novos níveis de maldade. Sim, é possível.

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Sei que devo ter pegado implicância com a Laia no primeiro livro, mas não consigo acabar com a sensação de que os outros personagens fazem mais por ela do que ela faz por eles. Pedir para todo mundo arriscar o pescoço não conta! Desculpa pessoal que ama ela, mas eu simplesmente revirava os olhos quando ela fazia alguma coisa legalzinha, enquanto todo o resto estava sendo extraordinário.

Por falar nisso, Elias é confrontado com uma verdade que muitas pessoas não conseguem enxergar. Ele não é responsável por todo mundo, e ele precisa libertar as pessoas a sua volta de seu cuidado. É, parece complexo né? Como cuidado pode ser algo ruim? Bem, por exemplo, quando você não deixa sequer a pessoa sentir a própria culpa e lidar com a própria tristeza. Você tira as escolhas dela ao tentar absorver tudo para si. Ninguém sai ganhando com isso…

Helene segue sendo a personagem mais interessante. Enquanto Elias e Laia tem objetivos bem definidos, não há como saber o que Hel fará. Quero dizer, a vida dela não está nenhum piquenique no parque, mesmo sendo a Águia de Sangue. De uma ponta temos Elias, seu melhor amigo, amor da sua vida, aquele com quem partilhou o melhor e pior de Blackcliff e esteve ao seu lado nas primeiras mortes. Do outro extremo da balança há o Império, aquela entidade que requer lealdade a todo custo para continuar a existir e também sua família, sua gens.

Eu sei qual escolheria. E vocês?

Aliás, sabe aquele quadrado amoroso que mencionei na primeira resenha? Ele mudou um pouco de configuração, pode até ter virado um pentágono [!!!], mas continuo sem saber quem vai ficar com quem e pior, quem EU QUERO que fique junto! Sério, até agora eu não consegui me decidir, a unica coisa que exijo é um final decente para a Helene e o Elias, que eles sejam felizes de um jeito ou de outro!

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Finalmente temos respostas para o que realmente está rolando nessa história toda, perguntas feitas em Uma Chama Entre as Cinzas respondidas somente agora. Valeu a pena a espera, gosto de tramas cruéis e cheias de maquinações, não me decepcionei.

Se você gostou um pouquinho, tolerou, adorou ou amou com todas as suas forças de aspirante a Máscara Uma Chama Entre as Cinzas, você PRECISA desse livro na sua vida! Terminei ele com aquela ponta de desespero que me assolou no primeiro livro, por saber que vai demorar pra ter o terceiro em mãos! #socorro #sofro

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xoxo e bom fim de semana!

P.S.: Depois fui descobrir que há mapas dos domínios e até de Blackcliff na edição americana. Fiquei muito frustrada, pra dizer o mínimo, eu tinha imaginado tudo ao contrário… valeu Verus, por achar que mapas são opcionais.

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Foto retirada da internet.

Almanova – Jodi Meadows

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  •    Autor: Jodi Meadows
  •    Editora: Valentina
  •    Nº de Páginas: 288
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: Incarnate
  •    Tradutor: Ana Resende

   Avaliação: 7,5

Ana é nova. Por milhares de anos, no Range, milhares de almas vêm reencarnando, num ciclo infinito, para preservar memórias e experiências de vidas passadas. Entretanto, quando Ana nasceu, outra alma simplesmente desapareceu… e ninguém sabe por quê.
SEM-ALMA 
A própria mãe de Ana pensa que a filha é uma sem-alma, um aviso de que o pior está a caminho, por isso decidiu afastá-la da sociedade. Para fugir deste terrível isolamento e descobrir se ela mesma reencarnará, Ana viaja para a cidade de Heart, mas os cidadãos de lá temem sua presença. Então, quando dragões e sílfides resolvem atacar a cidade, a culpa deverá recair sobre Ana? 
HEART
Sam acredita que a alma nova de Ana é boa e valiosa. Ele, então, decide defendê-la, e um sentimento parece que vai explodir. Mas será que poderá amar alguém que viverá apenas uma vez? E será também que os inimigos – humanos ou nem tanto — de Ana os deixarão viver essa paixão em paz?
Ana precisa desvendar grandes segredos: O que provocou tal erro? Por que ela recebeu a alma de outra pessoa? Poderá essa busca abalar a paz em Heart e acabar por destruir a certeza da reencarnação para todos?

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Quero começar dizendo que achei essa história super original, não me lembro de ter lido nada parecido com essa premissa de almas em “looping”, ainda por cima, almas que levam as lembranças de uma vida a outra! Fiquei realmente intrigada com o que poderia causar isso e esse mistério me levou por toda a narrativa.

Ana com certeza é especial, um caso a ser estudado, como a única nova alma a encarnar em mais de 3 mil anos, só que ela não é muito popular. Ela saiu/foi expulsa de casa, logo que completou 18 anos, com um objetivo: descobrir por que era uma Almanova. Ou uma Semalma, como a mamãe megera carinhosamente a apelidou. Ela acaba na cidade das almas, Heart, um lugar muito antigo e com uma história com muitas versões, mas ainda assim incompleta. E mais, a cidade é viva.

As paredes brancas originais de suas construções, os muros de fortaleza que a cercam e uma grande torre central sem portas ou janelas, tudo isso literalmente pulsa com uma energia sinistra que parece incomodar só a Ana e ninguém mais. Vai me dizer que isso não é assustador? Essa parte já seria suficiente pra ganhar meu amor pela história, sem contar as criaturas mitológicas um pouco diferentes do que estamos acostumados…

… mas não pude lidar com os personagens.

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Por mais que todo o mundo esquisito, sílfides de FOGO, dragões (sim, dragões!) e rocas (que vim a descobrir serem pássaros gigantes da mitologia persa) terem me fascinado, eu não consegui engolir Ana, a mocinha e Sam, o ancião.

Sam me lembrou um pouco Wanda, de The Host. Alguém que teve a oportunidade de experimentar a vida de várias formas diferentes e prestou atenção a isso, absorveu as mudanças. Super legal e talz.

Ana, por outro lado, é a vitima. Ok, eu sei que ela é nova e deve ser bem difícil ter 18 anos quando todo mundo tem três milênios, mas ela reclama DEMAIS! Como essa menina gosta de uma sofrência! E se lembram que eu falei que ela saiu de casa pra descobrir a verdade sobre si mesma? Pois é, ela meio que faz tudo, menos isso. Ana se pendura em outras almas gentis, amigas de Sam, e resolve aprender suas habilidades com eles. Mas, principalmente, ela desenvolve uma relação bizarra de aprendiz com seu compositor favorito (sim, ele mesmo, o Sam).

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Diferente de muitos romances onde o cara tem centenas de anos, mas age como qualquer outro adolescente, a relação de Ana e Sam não demonstra isso. Ele fala como alguém que viveu muitas vidas (pelo menos como eu acho que alguém assim falaria), e ela demonstra a falta de experiência tanto em atos quanto em pensamentos.

Eu odiei esse par romântico. É esquisito. Pronto,  falei.

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Eu sei que ela tem 18, é maior de idade em muitos países, mas ele tem 3000 (três freaking mil!) e ‘adotou’ ela, por assim dizer, prometendo cuidar dela e ajudá-la a se tornar uma cidadã efetiva de Heart. É o professor com a aluna! Ninguém mais vê algo errado nisso?

Imagino que essa minha opinião não é muito popular, e a maioria das pessoas fica feliz por engolir qualquer par romântico que os autores queiram empurrar pra gente, inclusive eu super AMEI Crepúsculo quando eu li pela primeira vez ( *** anos atrás). Mas eu não comprei essa.

Gostaria de mais foco no verdadeiro mistério, mais enfase nos dragões (repito, dragões!) e menos estardalhaço em volta de um casal no mínimo anti-ético. Sei que cheguei atrasada nesse livro, mas se algum de vocês ainda não teve essa experiência, pense duas vezes.

xoxo

A Espada do Verão – Rick Riordan

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  •    Autor: Rick Riordan
  •    Editora: Intrínseca
  •    Nº de Páginas: 448
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2015
  •    Título Original: The Sword of Summer
  •    Tradutor: Regiane Winarski

   Avaliação: 8,5

Em A Espada do Verão, primeiro livro da série, os leitores são apresentados a Magnus Chase, um herói boa-pinta que é a cara do astro de rock Kurt Cobain. Morador de rua, sua vida muda completamente quando ele é morto por um gigante do fogo. Por sorte, na mitologia nórdica os heróis mortos vão parar em Valhala, o paraíso pós-vida dos guerreiros vikings. Lá, Magnus descobre que é filho de Frey, o deus do verão, da fertilidade e da medicina.
Desde então, seis semanas se passaram, e nesse meio-tempo o garoto começou a se acostumar ao dia a dia no Hotel Valhala. Quer dizer, pelo menos o máximo que um ex-morador de rua e ex-mortal poderia se acostumar. Magnus não é tão popular quanto os filhos dos deuses da guerra, como Thor e Tyr, mas fez bons amigos e está treinando para o dia do Juízo Final com os soldados de Odin — tudo segue na mais completa paz sanguinolenta do mundo viking.
Mas Magnus deveria imaginar que não seria assim por muito tempo. O martelo de Thor ainda está desaparecido. E os inimigos do deus do trovão farão de tudo para aproveitar esse momento de fraqueza e invadir o mundo humano.

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Sabe aquela música, Hotel California? Ela te dá uma leve introdução a Valhala…

Ok, confesso que levei um tempo para me habituar a ideia de meu herói ser um morto. O Magnus também demorou a aceitar, pra falar a verdade, e o começo dessa história foi tão rápido e bizarro que estou surpresa por não me perder no caminho pro pós vida dele. Afinal é uma criação do Rick Riordan e, depois de 14 livros, eu já deveria ter me acostumado.

Porém eu não estava preparada para isso.

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Tirando o fato do mocinho estar morto e não ter como desmorrer ele (você, caro leitor, pode reparar que fiquei perturbada com isso) eu já estava no clima do Acampamento Meio Sangue, imaginando um treinamento super legal e aquelas provas “inofensivas” pelas quais os adolescentes passavam.  Mas Magnus não faz mais parte desse plano espiritual e nem os colegas de corredor dele. Ou qualquer outro hóspede/residente/prisioneiro do Hotel Valhala (leia VAL-RRA-LA), tirando as Valquírias. O nosso personagem principal estava fadado a passar a ETERNIDADE jogando passatempos e recriando batalhas todos os dias… até a morte. Sim! Até a morte, pois aparentemente se você é esviscerado em Valhala no dia seguinte está novinho em folha e pronto para morrer de forma criativa mais uma vez!

Entendem meu estranhamento?

Até então meu conhecimento de mitologia nórdica provinha do livro Runas, da Joanne Harris, os filmes do Thor e horas e mais horas jogando Age of Mythology. (Ai cara, que saudade)

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Só que o Riordan gosta de dar uma repaginada nos deuses e deixá-los um pouquinho mais… humanos. Como sempre seus deuses são vaidosos, frequentemente esquecem que deveriam cuidar dos humanos e se deixam levar pelo menor desentendimento. Thor, por exemplo é um deus preguiçoso, flatulento e viciado em séries de TV. E beeeeeeeeem diferente do Chris Hemsworth. 😦

E é claro que Loki é ambíguo, sem deixar você saber se simpatizar com ele será uma grande burrada ou não até lá pro fim do livro.

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Mas você pode ter uma visão geral de como as coisas são em volta da Árvore da Vida (que, por acaso é guardada por um esquilo gigantes psicótico) e conhecer anões, elfos e todo tipo de criatura e lenda que a mitologia nórdica tem a oferecer.

Os capítulos desse livro foram nomeados da forma mais engraçada possível! E nem me deixe começar a falar sobre as aparições de Annabeth! Apesar de não haver spoilers propriamente ditos, Tio Rick deve ter uma pessoa encarregada disso, eu aconselho fortemente a leitura de Percy Jackson e os Olimpianos e também Os Heróis do Olimpo. Até As Provações de Apolo tem uma menção de leve a uma crise familiar que Annabeth está enfrentando longe de Nova York.

Tio Rick parece ter um prazer diabólico em misturar elementos de todas as suas séries umas nas outras, e consequentemente assistir seus fãs morrerem um pouquinho cada vez que faz isso. É inexplicável a sensação que sinto quando leio “Percy” nas Crônicas dos Kane, ou em Magnus Chase. Só posso esperar que você que já leu sinta o mesmo e saiba do que estou falando.

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“E por que não 10,0 de uma vez, blogueira?”

Pergunta justa. Eu acho que Magnus poderia ser mais trabalhado. Me acostumei com as palhaçadas dele, mas isso é coisa de todos os personagens principais do Rick. Percy, Apolo, Carter & Sadie são mais distintos, com diferentes “camadas” de personalidade e acho que uma caprichada nesse sentido faria bem ao Magnus.

Também posso ter ficado um pouco entediada no caminho pro final, esperando batalhas épicas e de tirar o folego. Mas ok, é o começo de uma nova série e pensando em como as outras sequencias evoluíram, posso me preparar para toda a ação (e desmembramento e aniquilação de monstros) que eu quero.

Então sim, fiquei obcecada com Magnus quando acabei, e sim, agradeci aos deuses da literatura por já ter a continuação em mãos! Recomendo pra quem goste de coisas esquisitas, mitologia nórdica e obviamente Percy Jackson.

Alias, sinceramente, ainda não me decidi se quero ir pra Valhala quando morrer…

xoxo e bom finalzinho de semana!

Six of Crows – Leigh Bardugo

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  •    Autor: Leigh Bardugo
  •    Editora: Henry Holt and Co.
  •    Nº de Páginas: 463
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2015
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 9,0

Esse livro pode ser lido sem medo de ser feliz por aqueles que não tenham lido a trilogia Grisha, apesar de não haver desculpa boa o suficiente no mundo pra alguém  não ler Sombra e Ossos. Só digo.

A OESTE DE RAVKA, ONDE GRISHAS SÃO ESCRAVIZADOS E ENVOLVIDOS EM JOGOS DE CONTRABANDISTAS E MERCADORES…

…fica Ketterdam, capital de Kerch, um lugar agitado onde tudo pode ser conseguido pelo preço certo. Nas ruas e nos becos que fervilham de traições, mercadorias ilegais e assuntos escusos entre gangues, ninguém é melhor negociador que Kaz Brekker, a trapaça em pessoa e o dono do Clube do Corvo.

Por isso, Kaz é contratado para liderar um assalto improvável e evitar que uma terrível droga caia em mãos erradas, o que poderia instaurar um caos devastador. Apenas dois desfechos são possíveis para esse roubo: uma morte dolorosa ou uma fortuna muito maior que todos os seus sonhos de riqueza.

Apostando a própria vida, o dono do Clube do Corvo monta a sua equipe de elite para a missão: a espiã conhecida como Espectro; um fugitivo perito em explosivos e com um misterioso passado de privilégios; um atirador viciado em jogos de azar; uma grisha sangradora que está muito longe de casa; e um prisioneiro que quer se vingar do amor de sua vida.

O destino do mundo está nas mãos de seis foras da lei – isso se eles sobreviverem uns aos outros. (Apesar de ter lido a cópia em inglês, a sinopse foi retirada da edição da Gutenberg)

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Nem toda calma do mundo é suficiente para falar sobre um livro de Leigh Bardugo. Ainda mais um livro sobre ladrões, espiões e Grishas trabalhando em bordéis.

É complicado encarar algo tão aguardado e tão hypado. Geralmente tenho um, dois, três pés atrás  (peço pés emprestados quando o assunto é livro) e só sossego quando viro a última página! Juro que tento não ser tão arisca assim, mas quem nunca teve uma experiência decepcionante com um livro cultuado antes mesmo de ser lançado?

Acontece que no quesito Leigh Bardugo ela teria que na verdade fazer força pra escrever algo ruim! Tipo, realmente querer ferrar as coisas, e ainda assim seus personagens acabariam sendo melhores dos que os de muitos autores famosinhos por aí…

É, é nesse nível que minha adoração por essa mulher anda.

Estou tentando seriamente não contribuir para a piscina de excitação que o precede, mas sinto que estou falhando miseravelmente. Li Six of Crows junto com uma amiga (também doente por Leigh Bardugo) e sei que não sou só eu idolatrando esse livro.

Sim, Aline, somos nós duas aqui.

Sim, Aline, somos nós duas aqui.

Aqui vamos nós para um lado pouco explorado do mundo Grisha, lugares que só sabíamos que existiam por que sempre estiveram no mapa e por algumas menções enquanto mergulhávamos em Ravka. E mesmo com todo o cenário maravilhoso, os detalhes intrincados que fazem qualquer um sentir como é estar nas ruas de Ketterdan, a maior realização desse livro são os personagens. Eu sei, eu seeeei que foco muito nisso, mas gente! É maravilhoso demais alguém botar NO PAPEL pessoas tão reais!! Eu sinto como se conhecesse cada um deles, como se, caso eu tivesse sorte (ou azar) suficiente para me ver em Ketterdan, facilmente trombaria com Mathias, ou teria minha carteira afanada por Kaz.

Os personagens principais não poderiam ser mais diferentes um do outro, mas um objetivo em comum os une e a partir daí coisas incríveis acontecem!

O objetivo? Bufunfa.

Todos os seis, o ladrão estrategista; a espiã acrobata; a Grisha capaz de parar corações; o atirador viciado; o fugitivo privilegiado e o injustamente condenado precisam desesperadamente de dinheiro. O que cada um vai fazer com sua parte no prêmio milionário, só enfrentando Kettterdan pra saber.

Outro ponto de tirar o folego, além de toda a ação-que-não-paras-um-segundo e os problemas-cabeludos-que-podem-matar-um-personagem-a-qualquer-momento, é a falta de romance.

Não, não estou usando drogas. Existem interações românticas sim, mas só estou avisando meus leitores incautos para esperaram muito mais que isso. A tempos a literatura YA foca demais no melodrama adolescente, na NECESSIDADE de ter um par romântico pra cada um dos malditos personagens! Nem que tenham que tirar uma atração misteriosa e inexplicável da manga. Six of Crows dá espaço pra coisas tão importantes quanto o l’amour: integridade, ética, honestidade e principalmente liberdade.

Os personagens aqui vão ter que lidar com coisas bem mais densas que um triangulo amoroso previsível.

Só pra compartilhar com vocês, o final me deixou ansiosa. Não ansiosa tipo “Que livro legal, lerei o próximo quando puder.” Ansiosa no nível:

xoxo e bom feriado!

O Coração da Esfinge – Colleen Houck

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  •    Autor: Colleen Houck
  •    Editora: Arqueiro
  •    Nº de Páginas: 368
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2016
  •    Título Original: Recreated
  •    Tradutor: Ana Resende

   Avaliação: 5,0

AS PULGAS DE MIL CAMELOS INVADIRÃO A ROUPA DE BAIXO DAQUELE QUE SE AVENTURAR POR ESSA RESENHA SEM ANTES TER LIDO O DESPERTAR DO PRÍNCIPE.

Lily Young achou que viajar pelo mundo com um príncipe egípcio tinha sido sua maior aventura. Mas a grande jornada de sua vida ainda está para começar.
Depois que Amon e Lily se separaram de maneira trágica, ele se transportou para o mundo dos mortos – aquilo que os mortais chamam de inferno. Atormentado pela perda de seu grande e único amor, ele prefere viver em agonia a recorrer à energia vital dela mais uma vez.
Arrasada, Lily vai se refugiar na fazenda da avó. Mesmo em outra dimensão, ela ainda consegue sentir a dor de Amon, e nunca deixa de sonhar com o sofrimento infinito de seu amado. Isso porque, antes de partir, Amon deu uma coisa muito especial a ela: um amuleto que os conecta, mesmo em mundos opostos.
Com a ajuda do deus da mumificação, Lily vai descobrir que deve usar esse objeto para libertar o príncipe egípcio e salvar seus reinos da escuridão e do caos. Resta saber se ela estará pronta para fazer o que for preciso.
Nesta sequência de O Despertar do Príncipe, o lado mais sombrio e secreto da mitologia egípcia é explorado com um romance apaixonante, cenas de tirar o fôlego e reviravoltas assombrosas.

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“Não quero dizer que você não deva explorar e fazer as coisas que lhe dão prazer. O que estou dizendo é que é importante encontrar momentos de alegria no aqui e agora, e não colocar todas as esperanças num sonho, num homem. ” pág. 97

Posso ter um amém aqui, irmãos?

Sinto dizer que essa citação não traduz o livro inteiro.

Contrariando o bom senso e todas as pessoas que leram e me avisaram pra ficar longe desse livro, eu precisava saber a continuação de O Despertar do Príncipe.

Claro que nem tudo foi ruim, o livro me prendeu exatamente como O Despertar do Príncipe fez, e eu realmente gosto de Asten e me sinto mal por ele. Nós dois fomos enganados Asten, nós dois, meu caro. Colleen sempre sabe como ambientar bem um livro, você consegue imaginar direitinho todo o cenário, o que é muito legal. Fora as aulinhas gratuitas de mitologia que recebemos ao longo do caminho. Mas nada disso foi suficiente para compensar a falta de uma história que fizesse algum sentido.

“Dãh, é ficção, miga sua loka.”

Tá, tá, mas nem por isso ela pode criar situações bizarras sem pé nem cabeça e esperar que eu fique ok com isso.

Uma coisa que me incomodou demais foi a Lily estar muuuuuuuito calma com o condomínio rolando na cabeça dela. Eu teria entrado em parafuso, ligado para um padre, no mínimo. Arrancando os cabelos e batendo a cabeça na parede, pra se sincera.

Eu até gostei de Tia, gostei mesmo do jeito prático dela. Mas gente, se vocês tivessem uma entidade dividindo sua cabeça, ficariam de boa?

A Lily sim, tipo shit happens. OUTRA VEZ.

Sim, estamos falando da garota que aceitou ir pro Egito salvar o mundo com uma múmia que se alimentava de sua força vital, e ainda fez o favor de se apaixonar por ele. O que é uma leoa controlando seu corpo perto disso?

E qual o motivo de TODOS os personagens masculinos se apaixonarem por ela. Quero dizer, a Colleen cria uma explicação mas, sério, por que??????

Foi muito ruim ler sobre como cada hora Lily queria alguém diferente, dava mole pra alguém diferente, enquanto Amon estava agonizando nos cantos escuros do submundo. Por mais que eu não goste da relação-carrapato que eles tinham em O Coração do Príncipe, ele ainda era o NAMORADO dela! Menina, respeita, poxa! Eu até me senti mal por ele, pois aparentemente ele podia ver tudo o que ela estava fazendo devido a ligação deles. Cruel.

Queria sentar com a Colleen e conversar seriamente sobre as relações nos livros dela. Acho que ela precisa de ajuda.

Consideração final: aquele momento constrangedor onde te tanta gente morando na cabeça da protagonista que você começa a se perguntar se também mora lá e sua vida toda foi uma mentira. 😮

P.S.: Pra ninguém dizer que não tenho coração verdade vou dar uma chance pra conclusão dessa série, pelo simples fato da capa do terceiro volume ser linda.