O Ceifador – Neal Shusterman

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  •    Autor: Neal Shusterman 
  •    Editora: Seguinte
  •    Nº de Páginas: 448
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: Scythe
  •    Tradutor: Guilherme Miranda
  •    Avaliação: 9,0

Primeiro mandamento: matarás.
A humanidade venceu todas as barreiras: fome, doenças, guerras, miséria… Até mesmo a morte. Agora os ceifadores são os únicos que podem pôr fim a uma vida, impedindo que o crescimento populacional vá além do limite e a Terra deixe de comportar a população por toda a eternidade. Citra e Rowan são adolescentes escolhidos como aprendizes de ceifador – papel que nenhum dos dois quer desempenhar. Para receberem o anel e o manto da Ceifa, os adolescentes precisam dominar a arte da coleta, ou seja, precisam aprender a matar. Porém, se falharem em sua missão ou se a cumplicidade no treinamento se tornar algo mais, podem colocar a própria vida em risco.

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História original, sem pressa = favorito?

Não é sempre que vemos uma ideia realmente inovadora no mundo YA, ainda mais entre distopias (aka a ultima moda), mas se levarmos em conta todos os momentos filosóficos, e não necessariamente cheios de ação e sangue e tripas, O Ceifador tem tudo para se tornar um novo clássico.

Sim, quando eu vi a sinopse desse livro pela primeira vez tinha certeza que seria aquela leitura leve, cheia de mortes, muito sangue e uma descrição saudável de gritos e pânico. E ok, nós temos gritos e sangue e muito pânico, mas esse livro é bem mais que isso.

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Shusterman aproveita a deixa para fazer qualquer um pensar bastante sobre a própria mortalidade e o que significaria não morrer nunca. Fiquei tão encucada com a história que sai comentando com todos (imaginem a família de não-leitores tendo que responder o que eles fariam se em 2042 fosse descoberta a cura para a morte EEEE uma forma de restaurar os corpos) e debatendo internamente se a sociedade estaria melhor não governando a si mesma.

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Por falar nisso, outro aspecto marcante é a evolução da tecnologia para um ser independente, capaz de calcular precisamente estatísticas, tomar decisões eficientes para o bem geral e ao mesmo tempo reconhecer cada serumaninho com empatia. A Nuvem é a nova mãe da humanidade, e ninguém liga que ela seja um computador. Quando a tecnologia evoluiu sozinha e ultrapassou a barreira da criação humana ela também derrubou governos e recuperou os estragos que fizemos na natureza, declarando que nós não éramos capazes de cuidar de nós mesmos. E eu meio que concordo.

Porque essa Nuvem não é o comandante autoritário e frio que esperamos ver por aqui. Muito pelo contrário, ela criou uma utopia, onde todos tem empregos e educação, ninguém passa fome e classes sociais são coisas do passado (mas não no estilo comunista/deprê). Ela tornou o mundo um lugar verde novamente, aplicando as medidas que ninguém tinha coragem de tomar pra não perder dinheiro, e observa seus súditos(?) de perto para garantir que nenhum crime aconteça. E o mais legal, na minha opinião, é que com inteligencia e base de dados infinitas ela compartilha TUDO com os humanos, sem essa de manter a população ignorante.

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Porém, apesar da Nuvem ser praticamente onipresente, tem um aspecto da humanidade que ela deixou para que a gente resolvesse sozinho. O controle demográfico. Ou Colheita. Ou morte como meio de vida.

Imagine que você possa se jogar na frente de um trem e não morrer. Tudo bem, você vai virar purê, mas agora temos a tecnologia capaz de salvar uma pessoa até de decapitação! E com todo mundo vivendo 200 anos com corpinho de 20 nada mais natural que um MONTE de bebês, né? Para não deixar a superpolulação virar um problema a Nuvem criou a Ceifa, e lhe deu total autonomia. Tanto que um Ceifador não pode nem acessar o banco de dados da Nuvem como qualquer um, para não correr o risco de influenciar seu trabalho.

Daí eu penso, como num mundo todo perfeitinho assim teríamos uma história? Porque, meu bom povo, tem sempre aquela pessoa que quer ser o dono da p#R$@ toda e não medirá esforços. E é aí que Citra e Rowan caem de paraquedas. Não numa Ceifa organizada e unida, mas no meio de um caos político e muuuuuito sangrento. O desenvolvimento dos dois é ótimo, e mesmo que a gente saiba só pela sinopse que vai rolar um sentimento ali, eles simplesmente não são adolescentes típicos.

Alias, é justamente o fato de serem tão singulares que acabará com suas vidas.

Atenção: O Ceifador causa dependência. Os conflitos são tão imprevisíveis que você não tem escolha, a não ser ficar acordado a noite toda lendo. O final não tem um super gancho, mas dá espaço pra uma continuação que já está na minha lista de desejados!

 

xoxo e boa semana!

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