Incarceron – Catherine Fisher

incarceron

  • Autor: Catherine Fisher
  •    Editora: Novo Século
  •    Nº de Páginas: 352
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Incarceron
  •    Tradutor: Paula Rotta 
  •    Avaliação: 8,5

 Imagine uma prisão tão grande e tão vasta, a ponto de conter corredores e florestas, cidades e mares. Imagine um prisioneiro sem memória, que acredita firmemente ter nascido no Exterior, mesmo que a prisão esteja selada há séculos e que apenas um homem, em cuja história se misturam realidade e lenda, tenha dela conseguido escapar. Agora, imagine uma garota vivendo em um palácio do século XVII movido por computadores, onde o tempo parece ter sido esquecido. Filha do Guardião, está condenada a aceitar um casamento arranjado, cujos segredos a aprisionam em uma rede de conspirações e assassinatos, da qual ela deseja desesperadamente fugir. Um está dentro. A outra, fora. Entretanto, os dois estão aprisionados. Conseguirão enfim se encontrar? Parte fantasia, parte distopia, Incarceron reserva ao leitor a emocionante aventura de Finn e Claudia, dois jovens que desejam, a qualquer custo, destruir a barreira que os separa da liberdade.

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Desculpem, é muito clichê dizer que um livro sobre uma prisão te prendeu? Não é a intenção, juro, só a mais pura verdade.

Venho de uma maré de livros mais ou menos. Mais ou menos bons, mais ou menos interessantes, mais ou menos instigantes que me dão vontade de continuar lendo… só que mais ou menos. A maior parte da culpa é minha, não estou conseguindo me dedicar à leitura como fazia antes, passando horas com os personagens, dando a devida atenção aos seus problemas e escutando cada desabafo. Hoje em dia estou numa vibe de “Fala logo que preciso dormir, ou fale sozinho”.

Pois é, isso mesmo.

Eu.

Euzinha.

Estou desesperada por uma longa noite de sono.

Onde esse mundo vai parar?

Ok, até ai acredito que 90% das pessoas que entraram nessa enganação que é a vida de adulto (aborrecentes, aproveitem enquanto podem, vocês não sabem o que espreita) já passou por uma fase assim, de estiagem de descanso. O problema é que estou a meses assim!!!!! (!!!³) E a coisa está difícil colega! Não só não posto mais, como vocês espertamente notaram, como também não aproveito minhas leituras. A luz no fim do túnel foi a Bienal, enxergo ela como um divisor de águas que me trouxe de volta pro blog e pras letras simplesmente por me animar com isso. Se vai dar continuar assim só Zeus poderia dizer, mas estou animada.

Enquanto isso, em meio as leituras mais pra lá do que cá eis que surge… tchã tchã tchã tchãããã… Incarceron. A Prisão que fala.

Incarceron não saiu da minha bolsa (bordas amassadas e manchadas podem ter ocorrido) e, por menor que fosse a oportunidade, eu estava pronta para sacá-lo e continuar de onde tinha parado. Preparem-se para um livro mucho loco em todos os aspectos, não só a estória é originalíssima como a escrita também é… diferente.

Houve muita coisa que fui obrigada a “perceber” ao invés de ler e demorei um pouco para aceitar essa confusão, depois que reparei que isso só acontecia nas partes contadas de dentro da Prisão, como que para confundir mesmo. Cada vez mais encontro autores que se lixam pra te explicar o cenário, o que tem um enorme, gigantesco, lado positivo, mas também pode levar o leitor a beira da loucura. Principalmente se tratando de um cenário vivo e mutante.

Mas também, que maneira melhor do que descobrir os humores de um lugar com vontade própria do que deixá-lo te envolver, te prender?

E que melhor companhia que um garoto que nascido da Prisão e a filha do homem que a guarda para essas descobertas? Seus personagens são fortes, marcantes, sendo eles os protagonistas ou não. Muito humanos, mesmo alguns não o sendo inteiramente, você fica na dúvida se deve amar ou odiar alguém e depois, se fez a escolha certa.

Acho que Incarceron é questão de opinião. Ah, sério blogueira? Jura que gostar de um livro é questão de opinião? Ainda bem que você está aqui para nos esclarecer…

Calma leitor raivoso, deixe-me concluir. Acho que Incarceron é um bom livro, aliás, acho que é um livro inegavelmente bom. Foi bem executado e a autora atingiu exatamente o que queria atingir, de seu próprio jeito, sem cometer nenhum pecado contra a Sociedade Anonima das Fantasias nem contra a Associação dos Leitores Obsessivos, transformando tudo numa estória memorável. Mas um colunista no The Times de Londres disse que essa é a melhor fantasia escrita a um longo tempo e eu simplesmente me recuso a concordar. Incarceron, apesar de eu ter amado e seguir achando que é sim um ótimo livro não está no meu Top 5, pode entrar no Top 10 se cometer um ou outro assassinato, mas só. Entendem o que quero dizer?

Leiam Incarceron. Leiam não porque vai virar filme, não porque o colunista famoso adorou, leiam pra experimentar algo diferente e único, para descobrir como se sentem em relação a isso.

Bom meio de semana pra vocês!

xoxo

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