O Lado Bom da Vida – Matthew Quick

O-Lado-Bom-da-Vida

  •     Autor: Matthew Quick
  •    Editora: Intrínseca
  •    Nº de Páginas: 256
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2013
  •    Título Original: Silver Linings Playbook
  •    Tradutor: Alexandre Raposo

   Avaliação: 8,5

Pat Peoples, um ex-professor de história na casa dos 30 anos, acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Convencido de que passou apenas alguns meses naquele “lugar ruim”, Pat não se lembra do que o fez ir para lá. O que sabe é que Nikki, sua esposa, quis que ficassem um “tempo separados”. Tentando recompor o quebra-cabeças de sua memória, agora repleta de lapsos, ele ainda precisa enfrentar uma realidade que não parece muito promissora. Com seu pai se recusando a falar com ele, sua esposa negando-se a aceitar revê-lo e seus amigos evitando comentar o que aconteceu antes de sua internação, Pat, agora um viciado em exercícios físicos, está determinado a reorganizar as coisas e reconquistar sua mulher, porque acredita em finais felizes e no lado bom da vida.  Tendo a seu lado o excêntrico (mas competente) psiquiatra Dr. Patel e Tiffany, a cunhada viúva de seu melhor amigo, Pat descobrirá que nem todos os finais são felizes, mas que sempre vale a pena tentar mais uma vez.  (Sinopse adaptada da original)

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[Antes de começar, coloque pra tocar Hate Me, do Blue October, tem muito do clima desse livro]

Então, hoje vou contar como me apaixonei por um cara 14 anos mais velho que eu, que divide uma ordem de restrição com a esposa, berra ‘ahhhhhhhhhhhhhh’ de maneira aleatória e faz cooper usando um sanito.

 É sério.

Acontece que Pat tem um fator aderente que poucos caras tem hoje em dia: delicadeza. Não que ele seja uma flor de formosura, ele nem é lá muito sutil, mas munido do pensamento “é melhor ser gentil do que ter razão” Pat é tão inocente quanto uma criança, meio bobo feito um adolescente e completamente sensível às outras pessoas e o mundo à sua volta. Um mundo terrivelmente confuso e grande, a bem da verdade, mas um mundo que está disposto a encarar.

Porque ele é um novo homem.

E a Nikki vai ficar feliz quando souber disso.

E aí vai acabar com o “tempo separados”.

Ah, esse “tempo separados”. Sempre entre aspas para deixar bem claro o absurdo daquela ideia, sempre presente na mente de Pat. Chego a pensar que a sua obsessão na verdade não era com a esposa, mas sim com o tal tempo e tudo o que ele perdeu nesse processo. Diferente do filme, nós só sabemos o que realmente aconteceu antes do manicômio no final, porém as atitudes da família e de Tiffany dão certas pistas.

Fiquei com o coração apertado vendo a mãe de Pat se desdobrar para tirar qualquer vestígio de Nikki da sua casa, ao mesmo tempo achava engraçado todas as desculpas malucas que ela bolava para mascarar a situação. Foi comovente assistir a família se esforçando para encarar que o filho e irmão que tiveram havia ido embora, que dali para frente deveriam aprender a aceitar uma nova pessoa com o mesmo amor e respeito de antes.

Ah, sim, claro, a Tiffany. Não é porque eu descobri que amo o Pat que vou ignorar a moça! Tiffany é uma das personagens de assinatura mais forte que já conheci. Melancólica, misteriosa, manipuladora e desequilibrada. Você pode pensar que ela é completamente doida de pedra, mas ela é só uma mulher. Quebrada e com intensidades variantes? Sim. Precisando desesperadamente de um abraço e que parem de olhá-la como se fosse maluca? Com certeza! Mas ainda só uma mulher. De qualquer forma, é bom sairmos dos estereótipos fakes das mocinhas Henry Ford, feitas em linha de produção! (ba da dun tis)

sou tão mais louca que você

De repente até pode ser!

O-lado-bom-da-capa-d’O-Lado-Bom é que imaginei o livro todo usando os atores do filme. Foi incrivelmente fácil dar vida ao Pat com aquele feioso do Bradley Cooper e à Tiffany com aquela pessoa sem talento algum da Lawrence (Para você que não está familiarizado com sarcasmo, observe a parte grifada em amarelo. Obrigada), aliás, eles se encaixam melhor na pele dos personagens de Quick do que nas pessoas do roteiro decapit… digo, adaptado.

A nota só não é maior porque tudo o que é demais cansa, até amor. Demorei um pouco para pegar o ritmo da coisa, me acostumar com a infantilidade do Pat em relação, principalmente, à sua família. No início foi como ver a estória pelos olhos de um pré-adolescente, que deixa tudo para os pais fazerem por ele e acabei demorando para aceitar que aquele era o nosso protagonista tentando se reajustar.

Enfim, O Lado Bom da Vida é um livro que não se espera ler. Ele trata de vários tipos de amor sem ser romântico e transforma situações que normalmente despertariam pena em comédia pura. Vale a pena enxergar as coisas de um jeito mais brilhante e otimista, mesmo que seja só para ter opção e não ser tragado pelo pessimismo logo de cara.

Aprendi com Pat que o lado bom da vida não é, acontece. E somos nós que fazemos acontecer.

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Comments
7 Responses to “O Lado Bom da Vida – Matthew Quick”
  1. jheyscilane disse:

    Olha o queridinho do momento *—-* Está na minha listinha de futuras leituras e necessito me segurar para ler o livro antes de ver o filme :/
    Ah você falando do personagem ele me lembrou o Tim do livro Tim kkkk que tinha essa aura de inocente (Bem ele via o mundo diferente, de acordo com a ótica dele de uma pessoa com problemas de saúde) eu achava lindo de morrer ^^
    Gostei da resenha 🙂 Bjs!

  2. Ana disse:

    Adorei a resenha!!
    Fiquei com medo de assistir o filme antes do livro, e agora que sei que são meio diferentes vou correr pro livro, com ctz!!

  3. João Henrique disse:

    “(Para você que não está familiarizado com sarcasmo, observe a parte grifada em amarelo. Obrigada)”
    rindo loucamente!!!

    amey

  4. Carol disse:

    amoo sua escrita
    Só pela resenha já vejo que eh de emocionar!
    quero muuuuuito ler (e dps ver o filme )XD
    bjinhosss

  5. Fatima F disse:

    tdo mundo só fala dele!
    vim conferir pra ver se vc tinha dito alguma coisa e achei a resenha, que beleza! uahsuahsuahsuahsashuahsua

    decidido, vou ler 😀

  6. Jackie disse:

    pois é, sou dessas que vai conferir o livro pq tem o bradley cooper na capa, pskdpskdspdkps

    mas se tem a aprovação da nossa guru, nem preciso ver mais nada!
    adoro estórias que tratam de temas tão inusitados e ‘marginalizados’ com disturbios mentais, se ela for bem feita então!acho que um livro que vc ia gostar é Forbiden, da Tabitha alguma coisa, pkdpsdpksdposkdksdpos

    besos

  7. Gabi disse:

    Hahaha, jura que você se apaixonou pelo personagem?
    Assim, eu ainda não li o livro, só vi o filme, mas fica todo mundo falando tanto dessa narrativa meio infantil que eu já estou com o pé atrás.

    Gostei muito do filme – Lawrence nem tem talento, imagina- embora saiba que provavelmente é totalmente diferente do livro. mas anyway…

    Beijitos

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