A Corrida de Escorpião – Maggie Stiefvater

  •     Autor: Maggie Stiefvater
  •    Editora: Verus
  •    Nº de Páginas: 378
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: The Scorpio Races
  •    Tradutor: Fal Azevedo

   Avaliação: 9,5

A cada novembro, os cavalos d’água emergem do oceano e galopam na areia sob os penhascos de Thisby. E, a cada novembro, os homens capturam esses cavalos para uma corrida eletrizante e mortal. Alguns cavaleiros sobrevivem. Outros, não. Aos 19 anos, Sean Kendrick já foi quatro vezes campeão. Ele é um jovem de poucas palavras e, se tem medos, guarda-os bem escondidos, onde ninguém possa vê-los. Puck Connolly é uma novata nas Corridas de Escorpião. Ela nunca quis participar da competição, mas o destino não lhe deu muita escolha. Sean e Puck vão competir neste ano, e ambos têm mais a ganhar – ou a perder – do que jamais pensaram. Mas apenas um deles pode vencer.

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Prevejo DPL profunda, prevejo incapacidade de formular pensamentos coerentes sem cavalos assassinos, prevejo uma saudade infernal do clima infernal de Thisby. Prevejo que vou levar um tempo até achar outro livro que me encante tanto quanto esse.

Obviamente, o número de coisas que já li é uma parcela obscenamente minúscula perto da quantidade de livros existentes, mas tenho consciência de que, para uma pessoa de 20 anos, já li pra caramba! Com essa bagagem literária nas costas não pude deixar de reparar que o plot, o enredo, de A Corrida de Escorpião era tão original quanto todos aqueles jornais gritavam/afirmavam na aba/orelha.

Original de um jeito meio paradoxal. Calma, eu não faço uso de entorpecentes de qualquer tipo, só tenho um ponto meio difícil de ser colocado e compreendido. Ou talvez ele não seja difícil de ser compreendido e eu só ache isso porque levei um tempo até achar o que estava procurando.

A Corrida de Escorpião é um livro original construído por clichês.

Não, não, não! Clichê é uma palavra forte e provavelmente você leu isso com um tom pejorativo, como se eu, a doida do blog, afirmasse que falta criatividade pra dona Maggie. Dificilmente vamos encontrar algo mais longe da verdade para dizer sobre a autora e seu livro do que isso e não me surpreenderia se ela se ofendesse profundamente e iscasse cavalos d’água em todo mundo.

Anyway! Conforme avançava na leitura de A Corrida de Escorpião, devidamente me impressionei com o que estava ali para me impressionar e me acostumei com as verdades universais de Thisby. Porém alguma outra coisa se esgueirava na minha cabeça, dando a aquela leitura um tom de familiaridade.

A princípio achei que fosse o modo como os costumes estranhos e a realidade daquela pequena sociedade me eram apresentados. Vejamos, a Maggie não para e explica a situação, ela apenas dá a entender e confia na inteligência do leitor. Pegamos o bonde andando e sério, é muito mais legal assim! Não obrigar o bonde a parar pra você subir e ainda sentar na janelinha, porque é isso que nós leitores fazemos, e simplesmente embarcar enquanto ele passa não pausa nada, a vida continua e você tem a opção de saltar e deixar tudo para trás ou se mesclar naquela continuidade. Fazer parte dela.

“Oh, I see”

Funciona, mas essa ainda não era a familiaridade que estava me encucando.

Só me toquei mesmo quando estava dando os parabéns pra Puck, a mocinha, por ela ser uma pessoa tão forte e capaz de arriscar tudo para ajudar a família e tão valente apesar dos preconceitos todos e… e… epa. Já vi isso antes, certo? A mocinha que toma conta do próprio nariz apesar de às vezes ser teimosa demais. Daí percebi que o Sean também tinha culpa, sabe o mocinho durão, calado, super introspectivo que, por baixo do rosto inescrutável, guarda um carinha muito doce e gente fina? Uma prova que libertará o vencedor não só de algum problema material como lhe trará paz interior? A sociedade hipócrita que não suporta mudar suas preciosas tradições estava lá também, assim como o vilão que tem todos em suas terríveis mãos por dívidas, promessas e dinheiro. Até os cavalos d’água podem ser considerados lugar-comum se você vive na Escócia/Irlanda/País de Gales, mas enfim, Maggie deu sua própria roupagem para essa lenda céltica com gosto de água do mar e o crédito disso é todo dela.

Apesar do que pode parecer agora que eu disse isso, é um livro autêntico.

… em outras palavras.

Umas das coisas interessantes a respeito dele é que é produto de várias tentativas e erros. Maggie admite que a lenda em que se baseou é confusa, complicada e, como toda lenda que se preze, tem muitas variações. Por isso demorou a achar o tom certo e encontrar a confiança para deixar a imaginação fluir.

Deus é mais! Ela achou a tal confiança e criou um mundo de encanto dentro desse, cético, onde todos reconhecem que os cavalos d’água de Thisby são fenômenos de pura magia e plenamente aceitáveis. Parece confuso num primeiro momento, quando você não consegue saber se aquilo tudo se passa na Terra ou algum outro lugar qualquer, mas vale a pena.

Se você é fã dos Lobos de Mercy Falls vai concordar quando digo que a autora tem um meio de não apenas narrar os acontecimentos, ela expõem a estória e também as nuances de seus personagens de forma certeira. Como já comentei na resenha de Travessia, as palavras de livros assim não estão simplesmente ali sendo usadas pra escorar a estória, elas foram colocadas e ordenadas de forma a tirar o melhor daquilo. O resultado sempre é um livro que é mais que os outros.

A Corrida de Escorpião tornou-se um dos meus livros favoritos e recomendo para… bem, para todo mundo!

xoxo e bom final de semana!

P.S.: Gosto dessa música para a Puck e Dove, seu pônei, er, cavalo!

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18 comentários sobre “A Corrida de Escorpião – Maggie Stiefvater

  1. Jacqueline (@Mybooklit) disse:

    Oie Des (juro que tento escrever seu nome, e sempre sai uma coisa louca, então pra facilitar coloquei as primeiras três letras, para não ter erro, e não ser xingada rs)
    Faz tempo que eu quero ler um livro dessa autora, mas acho mais sensato começar pelos lobos, pois já tenho os dois primeiros livros, e tmb por ser um livro mais…digamos descomplicado.
    Eu estava curiosa sobre como seria a lenda que a autora criou. Mas sua resenha foi tão empolgante e ao mesmo tempo não revelando muitos detalhes ( o que me deixa morta de curiosidade), que não sei se vou esperar ler a outra trilogia. Quero esse livro jhá.
    bjs

  2. arthurnumeriano disse:

    Maggie não decepciona, pelo visto. Ainda preciso ler Forever (me recuso a comprar a edição da Agir porque a série está toda cagada e despadronizada), mas não tem como não se apaixonar pela maneira com que ela escreve. É poética, é linda, é trágica, é sentimental. E é tudo na medida, não é 8 nem 80!

    Eu quero muito ler Scorpio Races, ainda mais agora que descobri que se baseou em cultura céltica. Parece uma mistura de Hunger Games com Brave e um pouco de Wolves of Mercy Falls. E, graças aos deuses célticos, não foi a Agir quem pegou Scorpio Races!

  3. Jheyscilane disse:

    Ainda não li nada da Maggie Stiefvater, tenho aqui na minha estante os livros dos lobos de Mercy Falls mas ainda não encontrei um tempinho extra para lê-los, confesso que não sou uma apreciadora de livros que tenha uma parte focada em animais reais (Como assim Jhey tu não é Bióloga garota? Explico, eu sempre fico deprimida, sempre!) então por isso eu não via muita graça na sinopse de “A Corrida de Escorpiões” explico novamente – no primeiro momento eu pensava que era cavalos comuns sabe? – ahahah e não envoltos em uma lenda bacana
    Sua resenha está divina, daquelas que me fazem mudar de ideia quanto a alguma coisa, e me deu até mais vontade de parar a leitura de uns certos livros sobre pesquisa científica e correr para o abraço e comprar esse livro amanhã já que irei na Nobel pegar umas encomendas, oh Good como eu falo! Gostei muito mesmo da sua resenha, esclareceu uns pontos que eu precisava para acreditar na leitura
    Bjs

  4. Ane Reis (@mydearlibrary) disse:

    Oie De =D

    Não conhecia este livro, mas isso não é surpresa afinal são tantos lançamentos que fica fácil a gente se perder.

    Não li nada da Maggi e mas é por falta de curiosidade mesmo e até por que estou evitando ler series.

    Achei muito interessante este livro *-* de alguma forma acho que vou gostar da história rs… Gosto de livros neste estilo.

    Parabéns pela resenha!

    bjus;***

    anereis.
    mydearlibrary | bookreviews • music • culture
    @mydearlibrary

  5. mauraparvatis disse:

    De!!! Ah, que lindo… Eu não comprei A Corrida de Escorpião na Bienal, deixei pra depois e fui embora – me esqueci de comprá-lo :\
    Eu adorei a narrativa da Maggie em Calafrio, não li os demais livros por pura pirraça, como o Arthur ali em cima disse: ”me recuso a comprar a edição da Agir porque a série está toda cagada e despadronizada”, hehe.
    Bom, não tenho muito a falar sobre o que acabei de ler, acho que estou meio boba… o livro parece ser tão, tão, tão bom e eu não poderei lê-lo por um bom tempo, já que estou no vermelho até 2013, me deixa cabisbaixa…
    Você citou mito celta?! Tem mito celta nesse livro?! Tá aí outro motivo para a Maura ler, mas a Maura ‘tá pobre -.-

    Beigos :p

  6. mandinhaz disse:

    Oh, my… Mais uma resenha positiva sobre esse livro! Eu fico aqui… morrendo de curiosidade! 😦 Quando li as primeiras resenhas sobre este livro ele ainda não tinha sido publicado aqui no Brasil e agora que ele chegou aqui… Eu não tenho $$, comolidar? (risos). Confesso que não tenho vontade de ler a série Lobos de Mercy Falls, mas A Corrida de Escorpião eu quero muito! Justamente por essa originalidade que você comentou. Não li tantos livros quanto vocês, mas também me parece extremamente diferente de tudo que já li.

    Beijos,
    Amanda — Lendo & Comentando
    ^_^

  7. Agatha Borboleta (@AgathaBorboleta) disse:

    “Puck, a mocinha, por ela ser uma pessoa tão forte e capaz de arriscar tudo para ajudar a família e tão valente”
    Entaummmmm eu posso ler esse livro q n vou querer enforcar a mocinha? Isso é bom, muito bom. Vc sabe do meu pequeno problema com heroinas rsrsrsrs
    So a nota q vc deu já eh promissora, e ser sobre lenda celta eh um TUDO p chamar minha atenção 😀

  8. Ceile disse:

    A verdade é que depois da poesia de Os Lobos de Mercy Falls, Maggie pode escrever de jardinagem que vou querer ler.
    Confesso que não faz muito sentido pra mim, ainda, esta coisa de “cavalos d’água”, não consegui materializar a história, mas só lendo para entender tudo.
    Estou ensaiando para comprar (ainda tá caro), mas assim que o fizer, só vou sossegar depois de ler. Maggie tem magia nas palavras, sei bem como é quando vc diz que elas são colocadas ali, não é uma simples narração.

    Um beijo!

  9. Gabi disse:

    yaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaay *-* Desculpe pelo pequeno surto, mas depois de Os Lobos de Mercy Falls, eu tenho esses ataques quando falam da autora. Eu amei, eu quero, eu NE-CE-SSI-TO desse livro. Sua pessoa maligna! Como pode me deixar aguando por um livro dessa maneira?

    Concordo com você que prefiro pegar o bonde andando, detesto quando o autor tenta me passar atestado de mongol enquanto leio o livro. E toda essa coisa de cavalos d’água, corridas eletrizantes, personagens bem construidos… ahhh, eu queero! Mas o livro ainda está meio carinho, então minha crise ainda vai se arrastar por um tempo *snif*

    Parabéns pela resenha, teve alguma coisa ai que me fez ansiar pelo livro ainda mais (e jura que você não usa de substâncias enorpecentes de nenhum tipo?)

    Beijitos

  10. Arthur Numeriano disse:

    Aqui estou eu de novo, quase dois meses depois, mas com Scorpio Races devidamente lido.

    Não tem por que comparar, são livros distintos, apesar de ser da mesma autora, mas, se fosse para dizer qual é a obra-prima da Maggie Stiefvater até agora, eu não hesitaria em dizer que é Shiver.

    Não sei, talvez o meu problema, ao ler Scorpio Races, tenha sido eu mesmo, mas o livro, apesar de eu ter dado a mesma nota que dei a Shiver e Linger – ainda não li Forever -, não me conquistou a ponto de eu torná-lo meu novo favorito (coisa que fiz com os dois primeiros livros de Wolves of Mercy Falls). Faltou a maneira poética com que Maggie escreveu tão fascinantemente Shiver e Linger, faltou mais exploração nos personagens (a autora preferiu mais descrever Thisby e o mar de Escorpião do que desenvolver Sean e Puck e os outros secundários)… Quer dizer. Não que tenha faltado, mas, comparando – eu falo que não vou comparar, mas sempre acabo comparando – a Wolves of Mercy Falls, sofreu uma diminuída bastante sentida. Como é um livro que não faz parte de série alguma, Maggie poderia ter dado muito mais ênfase aos protagonistas e seus cavalos.

    A cada capítulo, eu ficava numa ansiedade grande. Não porque o capítulo anterior terminava numa espécie de cliffhanger, mas porque eu fiquei esperando a Maggie me surpreender e isso não aconteceu.

    Com esse meu comentário, fica a sensação de que eu não gostei do livro. Gostei muito e indicaria sem pensar duas vezes, se me perguntassem. É um ótimo livro, merece muitos elogios, é lindo. TODO MUNDO elogiou, e com razão. Mas acho que eu acabei deixando que essa expectativa me tomasse. Acabou fechando a minha mente para algo novo da Maggie. Eu estava esperando algo lindo e triste e poético e dramático como Wolves of Mercy Falls, o único romance até hoje que me encantou – e é muito, muito difícil um romance me encantar -, e, como isso não aconteceu, como é algo diferente dessa série, eu acabei sem ter certeza do que realmente senti ao ler esse livro.

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