Cinquenta Tons de Cinza – E. L. James

  •     Autor: E. L. James
  •    Editora: Intrínseca
  •    Nº de Páginas: 480
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: Fifty Shades of Grey
  •    Tradutor: Adalgisa Campos da Silva

   Avaliação: 6,0 + 1,0

Atenção: Se você é verde como o verão (menor de idade) clique aqui e não volte até o próximo post, por favor! O conteúdo é inadequado, seus pais vão ficar bravos comigo e eu vou ser obrigada a pedir aos Outros que te levem pra lá da Muralha. Ninguém quer isso.

Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresário Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingênua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmática reserva de Grey, está desesperadamente atraída por ele. Incapaz de resistir à beleza discreta, à timidez e ao espírito independente de Ana, Grey admite que também a deseja – mas em seu próprios termos…

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“Seus lábios se contraem num sorrisinho.

-Ah, Anastasia Steele, o que eu vou fazer com você?” pág.74

Sabem, eu me perguntei a mesma coisa várias vezes, mas posso garantir que a resposta passa longe do que o Mr. Grey tinha em mente quando dizia isso. Ou não.

Eu tive um professor de Filosofia que gostava de dar pontos extras em suas provas por coisas que não estavam na grade de exigências, porém se sobressaiam no exame. Por exemplo, qualidade textual, boa construção de ponto de vista, originalidade de linha de pensamento, etc. Vou deixar de lado o fato de que, sem esses pontos extras aparentemente aleatórios sóquenão, provavelmente ninguém conseguiria passar na matéria do cara. O livro de E. L. James não tem nada do que meu professor acharia digno de pontuação extra, mas eu ainda penso que dá pra encaixar alguma coisa ali.

Primeiro, quero deixar bem claro meu ponto de vista, e lembrar que blogs são as expressões pessoais de seus autores. Cinquenta Tons de Cinza é um livro extremamente mal escrito. Não digo pela estória, já vamos chegar lá, me refiro literalmente à narrativa da autora. A visão em 1ª pessoa mata o ritmo da leitura muitas vezes e o Império da Pontuação amplia seus domínios como se não houvesse amanhã. Sinceramente, se vivêssemos num mundo utópico, onde todos conhecessem e reconhecessem sua sexualidade de forma aberta e saudável, Cinquenta Tons de Cinza dificilmente sairia da condição de fanfic para se tornar esse sucesso todo.

Mas, obviamente, não vivemos nesse mundo utópico. E é aí que entra o ponto extra para o livro de E. L. James.

O movimento Fifty Shades, a comoção do livro erótico, serviu para uma coisa boa e em larga escala! Sério, só quero dedicar um minuto a mais de pensamento na questão do puritanismo hipócrita da maioria das sociedades e principalmente no Brasil. Aqui nós temos peitos e bundas na TV o dia inteiro, mas não podemos ser vistos saindo de um Sex Shop, muito menos falar de sexo em público sem receber olhares de reprovação e criar aquele climão de constrangimento.

Gente cheia-das-moral assistindo o boneco Marcelinho pela 1ª vez.

Pretties, não estou dizendo pra liberar geral, botar o ninguém-é-de-ninguém, ou coisa assim. Até porque há uma estrada enorme entre sexualidade saudável e promiscuidade e eu não sou nenhuma sexóloga pra me aprofundar no assunto. Porém toda essa ojeriza ao ‘vamos falar de sexo’ tem que acabar e, por acaso, Cinquenta Tons de Cinza ajuda muito virando moda.

Ou ninguém viu a quantidade de gente lendo esse livro em praça pública? A mulherada (a grande massa historicamente oprimida, ou GMHO) se rasgando toda pelo Mr (e que Mr!) Grey? As mídias orgulhosamente se desdobrando pelo livro? Ninguém? Só eu?!

Enfim, vou parar por aqui e retomar a resenha. É, aquela coisa que eu me comprometi a fazer!

O primeiro quarto do livro lembra assustadoramente Crepúsculo. Eu sei,  EU SEI que a origem de tudo foi a estória da Meyer, só estou comentando! Ok, não estou só comentando. Esse primeiro quarto do livro é irreal demais, forçado demais, Anastasia Steele demais!

Faz cinco anos desde que li Crepúsculo, na época ainda não lançado aqui, e sinceramente não me lembro de ter me irritado nem um milésimo com a Bella o tanto que me irritei com Ana. Lógico que minha cabeça era outra, muita água passa debaixo da ponte em cinco anos, mas recordo claramente que a Bella era, de fato, minha personagem preferida da saga.

Já a Ana eu tacaria de bom grado da ponte citada acima.

Na primeira parte do livro a moça não passa de uma personagem de personalidade fraca, praticamente inexistente, perfeitamente dentro do papel de A Submissa. Porque Christian Grey não gosta de só mandar entre quatros paredes, ele faz disso um esporte. E a Ana vai na dele! Meu estomago doía toda vez que ele ordenava coisas do tipo ‘coma toda a sua comida’ ‘venha comigo, agora’ e etc. Exatamente por isso eu tinha patéticos pontos luminosos de orgulho nas raras vezes em que ela o questionava. Patéticos mesmo.

Vou guardar numa gaveta a progressão pessoal de Ana porque, de alguma forma, isso tem total importância no decorrer da estória e seria um spoiler mau, muito mau.

Enfim, toda a qualidade que E. L. economizou durante o começo do livro, ela despejou nas cenas pra lá de quentes entre o casal protagonista e o próprio Grey. Sexo explícito e bem detalhado, em contextos que praticamente faziam as páginas suarem, deram o tom (tá, os tons). E o Chistian, ui Christian!, tem uma característica muito atraente. Ele não é original, tirando suas taras masoquistas, e até um pouco previsível. Sabe o mocinho problemático que tem mais camadas que uma lasanha (ahá, aqui estão os tons!) e completamente irritante de um jeito fofo? Pois bem, ele é delicioso quando bem feito e sempre será.

A autora claramente começa a estória com uma ideia na cabeça e no meio da viagem decide pegar outro caminho, um melhor, ainda bem! Pude dar boas risadas com a imagem da deusa interior e do inconsciente da Ana, verdadeiras entidades que moram na cabeça daquela criatura e que deixam claro para o leitor quem é Anastasia Steele por baixo de toda a lerdeza e inexperiência cômica.

Já li tanto coisa pior quanto melhor, o livro alcança o objetivo de entreter. Ponto. Recomendo para quem está curioso (eu sei que você está!) e quer ficar por dentro dos assuntos dos amigos.

Status final: Se um livro de romance e um filme pornô tivessem um filho, Cinquenta Tons seria o gêmeo malvado que se só aparece no meio da novela.

Boa semana!

xoxo

P.S.: Pra ninguém dizer que não entrei no clima!

#fail

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16 comentários sobre “Cinquenta Tons de Cinza – E. L. James

  1. Ceile disse:

    Sim, eu sou aquela pessoa que vc disse: “eu sei que você está!”, pq estou mesmo muito curiosa. Só tenho medo de “empacar” no começo e ficar com preguiça de continuar.
    Bem, nem sei mais o que comentar, pq o que realmente tenho com este livro é curiosidade.

    Beijos!

  2. Agatha Borboleta (@AgathaBorboleta) disse:

    Certo, vc n ajudou dessa vez Andhy. Continuo curiosa mas achando q vou achar uma bela m. ler esse livro rsrsrsrs
    Mas ri um bocado com a resenha (p variar neh?)
    E concordo com vc ‘Aqui nós temos peitos e bundas na TV o dia inteiro, mas não podemos ser vistos saindo de um Sex Shop, muito menos falar de sexo em público sem receber olhares de reprovação e criar aquele climão de constrangimento.’ nunca entendi pq isso

    Bjinhos!!!

  3. Laury A disse:

    Concordo com a resenha do inicio ao fim, até com a parte que nem resenha é. rsrs
    Quero muito ler esse livro, mas agora tenho muitos na frente e vou esperar o resto. Cara, a foto do Bob Esponja me matou de rir, não tem ideia e só pela resenha concordo que a Ana merece ser jogada da ponte. rsrs A Bela teve seus momentos “morra!” também, mas tenho a impressão que a Ana foi mesmo pior. E só para ressaltar mesmo: EU QUERO ESSE LIVRO!
    P.s.: O vídeo de The Big Bang Theory também vale a pena ser visto (não resisti, tive que clicar. kkkkk)
    Beijos.

  4. Mary disse:

    “Status final: Se um livro de romance e um filme pornô tivessem um filho, Cinquenta Tons seria o gêmeo malvado que se só aparece no meio da novela.”

    AMEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEI sua resenha! Sério! kkkk Ri a beça, mas concordo muito! Ana consegue me irritar demais nesse primeiro quarto do livro! Que coisa mais… argh, Bella! E o Christian é bem o que você disse, mais camadas que lasanha, problemático e ainda sim muito fofo de um jeito que queremos ele em nossa casa (ou no quarto.. na cama..). Acho que o maior sucesso do livro foi devido, como disse na minha resenha, duas palavras mágicas que parecem abrir portas: Crepúsculo + Erótico. Mas okay, fazer o que, vcê disse e eu quoto “Não vivemos nesse mundo utópico”

    Beijão!!

    @mariapsalles

  5. Deivison Amorim disse:

    Eu li. Confesso que fiz isso. E eu, na posição de homem (alguns podem duvidar, mas juro que sou) achei o livro extremamente machista e muito mau escrito. Ahh, mas isso todo mundo já sabe.

    Enfim… Adorei a resenha Deh… Muito bem colocado o quesito “ajuda a falar de sexo pq não há nada de errado em falar sobre sexo”. 😀

    Xêru,
    Deivison Amorim – @eutenholivros
    eutenholivros.com.br

  6. Gabi disse:

    Hahaa! Adoreeei!
    Concordo plenamente com a primeira parte sobre o puritanismo exagerado mas que também não é pra virar promiscuidade. Admito que estou mega curiosa para saber o que essa mulher escreveu que está sendo capaz de aumentar a taxa de natalidade e as vendas de sex shops em escala mundial (sim, eu também vi isso). Quanto a ser mal escrito, já tinha ouvido falar disso também, mas enfim, curiosidade é fogo.

    òtima resenha!
    Beijitos

  7. Mariana Ribeiro (@Mari_RBarbosa) disse:

    Olá, Dée!!!
    Eu li em inglês, como você já sabe, mas nem posso palpitar a respeito da tradução desse livro feito pela Intrínseca. De modo geral, eu gostei do livro, me deixou bem instigada a respeito dos mistérios envolvendo o passado de Grey e isso faz com que as pessoas acabem decididas a ler até o último livro da trilogia, apenas para saber no que isso tudo vai dar! kkkkkk
    Adorei a sua resenha!!
    Bjos.

    Mariana Ribeiro
    Confissões Literárias.

  8. Lívia Carolina disse:

    “Se um livro de romance e um filme pornô tivessem um filho, Cinquenta Tons seria o gêmeo malvado que se só aparece no meio da novela.”

    hahahahaha
    Adorei, De!

    Já li algumas resenhas desse livro e pude perceber que a leitura vale mais pelo tema que agora as pessoas se sentem livres para ler e comentar do que pela escrita/história em si.

    Claro que eu vou ler! =)
    Não posso ficar de fora das conversas com as amigas! rs

    Bjos

  9. Helana Ohara disse:

    Sabe,acho que sou uma das poucas que não tem curiosidade nenhuma nesse livro! Sério.
    A sociedade é muito hipócrita, falam de sexo o tempo todo, e ficam idolatrando um livro ‘-‘ vá entender.
    O pior de tudo é que li resenhas escrotas falando que estava na hora de escreverem sobre sexo. Isso é tolo. Paulo Coelho escreveu Onze Minutos em 2001 e já falava de sexo.
    O Cheiro do Ralo é um livro nacional e fala de sexo.
    Não consigo compreender tamanho alvoroço em cima de um livro.
    E o mais engraçado, fazem tanto alarde .
    Ok, o lado bom, tem, as pessoas deixam o “pré-conceito” de sexo de lado? Hum, por um tempo talvez.

  10. Helena disse:

    Loooool! Adorei a resenha xDD meu deus, parabéns. Anyway, eu estou curiosa sim para ler esse livro, confesso, mas não vai mudar minha vida em nada lool então nem ligo.

  11. Camila disse:

    Gente, confesso que Cinquenta Tons de Cinzas é puramente erótico. Porém os outros dois (Tons mais Escuros e Tons de Liberdade) tem sim o erotismo, mas é bem romântico, vale a pena ler.

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