Meus Pensamentos Em… Trilogia Gemma Doyle – Libba Bray

Essa aqui está na estante de raridades. Vejam bem vocês, é uma trilogia… com três livros! Não é coisa que se veja todo dia, mas existe!

Vamos entrar no clima? Dá o play!

Uma das minhas épocas preferidas da história inglesa é a Era Vitoriana, só perdendo para o final da Idade Média, lá por 1400 d.c.. A boa rata de biblioteca que sou, sempre vasculhei as estantes à procura de livros sobre o cotidiano das pessoas que viveram séculos atrás, tanto ficções quanto não-ficções.

Mas recentemente descobri os YAs históricos… e surtei! Não só são embasados em costumes ‘de época’ como trazem heroínas jovens e de identificação fácil com o leitor. Melhor ainda, descobri YAs históricos com tempero sobrenatural!

Daí foi só correr pro abraço.

Se joga!

Dois dos exemplos mais famosos de YAs históricos (com toques de fantasia ou não) são a série The Luxe, da norte-americana Anna Godbersen, que mergulha na sociedade nova-iorquina do final do século XIX e a Trilogia Gemma Doyle, da também norte-americana Libba Bray.

(clique para ler a sinopse)

Conheci Gemma Doyle, uma ruiva de dezesseis anos da pá-virada, em meados de 2010 quando me deparei com Anjos Rebeldes numa livraria. Ele tinha acabado de ser lançado e por pouco mesmo não levei achando que era volume único. Rodei muito até finalmente achar seu predecessor, Belezas Perigosas, lançado aqui em 2008, e começar a leitura.

É até embaraçoso dizer quão rápido a narrativa me ganhou. Sério. #LibbaBraySlut

Na trilogia temos tanto a Londres de 1895 quanto as colônias na Índia, a Academia Spence e Os Reinos. Os Reinos são lugares mágicos, paralelos a esse mundo que guardam todo tipo de sonho e criatura das mais diversas mitologias.

Para manter tudo em seus devidos lugares há a Ordem e o Rakshana. Ou pelo menos deveria haver.

Mas a ambição levou desequilíbrio e desgraça para todos. As mulheres da Ordem e os homens do Rakshana não trabalhavam mais em conjunto e uma corrida pelo Poder, poder mágico mesmo, capaz de controlar Os Reinos e até a Terra, começou. Os Reinos foram fechados para os humanos e uma profecia foi feita.

É, sempre tem uma profecia.

Deixando um pouco de lado a trama, vamos pensar um pouco na urdidura, o que segura os fios no lugar de qualquer estória. A narrativa.

(Pode clicar, também tem sinopse)

O que mais gosto na escrita de Libba Bray é a honestidade. Ninguém nos promete sequências arrebatadoras, descrições sofisticadas ou aquele monte de adjetivos que críticos pagos gostam de jogar na nossa cara. Deve ser bem por isso que sempre fui capaz de sentar e aproveitar tudo o que os livros tem a oferecer de melhor: o humor, a pesquisa sobre a vida privada da época, o sarcasmo, os valores incutidos e a criatividade tanto com o cenário quanto com as relações dos personagens.

A trilogia aborda paralelamente repressão sexual, homossexualismo e pedofilia, tudo da maneira velada comum à época. As meninas lutam para fugir da ignorância imposta às moças mesmo numa instituição de ensino. Elas precisam aprender a pensar e julgar por si mesmas o mundo a sua volta, para só assim terem chance de enfrentar as armadilhas da Ordem e Rakshana.

Falando em Rakshana, algo que me decepciona é Kartik. Gostaria que Bray explorasse mais esse personagem além do romance relutante entre ele e Gemma. Eles demoram uma vida para sair do suposto desprezo mútuo e a situação me aborreceu um tanto. Sempre que o perigo eminente acabava lá estavam os dois se repelindo outra vez:

Porém, mesmo que tenha um peso crescente na estória, o romance está longe de ser o ponto principal.

Os dois primeiros volumes são ágeis e de leitura extremamente rápida, mas o terceiro apela para mais informações. Acredito que ele poderia até ser dividido em dois livros, mantendo um tamanho padrão sem perder nada, mas daí não seria uma trilogia, certo? Alguns leitores reclamaram do ritmo mais lento de Doce e Distante e não tiro a sua razão, estávamos todos acostumados a uma coisa um tanto mais objetiva. Porém, não dá para negar que, se a autora cortasse as partes não diretamente ligadas a trama principal, o destino final das meninas não ficaria tão claro, nem faria tanto sentido!

Afinal, a Trilogia não trata só das aventuras das quatro amigas Gemma, Felicity, Ann e Pippa pelos Reinos, nem se resume à Gemma aprendendo a controlar seus poderes. Temos muito da vida e dos desejos das garotas, a tentativa de sobreviver a uma academia cujo lema é graça, charme e beleza, e o jogo de xadrez em escala maior que era a vida de qualquer bem-nascido na Inglaterra.

Scarlett foi educada na versão Georgia da Spencer, viram como ela se saiu bem com o Butler?

Enquanto os dois primeiros seguem uma linha mais leve, com suspense sim, mas algo indiscutivelmente inocente (até mesmo na Felicity!) o terceiro é sombrio. Não só pelos seres assustadores que se aproveitam do desequilibrio nos Reinos para dar as caras. A tensão dos segredos guardados entre as amigas, inveja, ciúme e incerteza geram um cenário desconfortável. O que é bom, pois deixa o leitor atento a cada detalhe até o final.

Ah, o final. 

Houston, we have a problem. Acho que devo um aviso a respeito do desfecho da trilogia  mas já adianto, a coisa vai ficar feia com spoilers encantados e sátiros macabros pra todo lado! (se você não quer saber PARE BEM AI ONDE ESTÁ, assista isso aqui e vá ser feliz!)

Tem certeza que quer continuar?

Sério, vá ver o vídeo, ou outro post, estamos falando do final da trilogia aqui!!

Enfim…

O final de Doce e Distante me pegou desprevenida.

Não podia ser mais indesejado e injusto! É daqueles que você não se conforma que realmente aconteceu e se recusa a sossegar até a última página, porque acredita que, de alguma forma, a autora vai se apiedar dos personagens e de NÓS e reverter a situação.

Me senti abandonada.

TUDO estava indo bem, parecia que as coisas iam se ajeitar, mas então…

… shit got real. Não importa o quanto eu dissesse pra mim mesma que não ia ser daquele jeito.

Mas elas acabaram, e eu fiquei lá.

 Admiro autores que tem coragem para pensar fora da caixa e botar em prática desfechos não convencionais. Aqueles que não seguem o felizes para sempre da Disney. Hoje em dia é difícil encontrarmos finais que nos surpreendem pois muita gente tem medo de desagradar e ser diminuído por isso.

Acredito que quanto mais emoções um livro (!bem escrito!) te desperta, boas ou ruins, mais merecedor de atenção ele é.

A trilogia Gemma Doyle me despertou vários tipos de sentimentos ao longo dos anos e das páginas, por isso é uma das minhas preferidas. Recomendo a jovens inquietos de todas as idades.

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Comments
12 Responses to “Meus Pensamentos Em… Trilogia Gemma Doyle – Libba Bray”
  1. Sora disse:

    Oie!
    Morri de rir lendo sua resenha, por causa desses gifs! 😀
    Faz tempo que quero ler esses livros só por causa das capas (sou dessas!). Mas a história também parece ser ótima! Eu gosto de históricos e esse tem magia, então quero ler.
    Pena que é da Rocco, os livros dela dificilmente entram em promoção.

    Beijos,
    Sora – Meu Jardim de Livros

  2. A lista indicados da andhy soh aumenta -.-‘
    Adoro historicos tb, são tão fofinhos! na vdd eh o unico jeito p q eu aprenda alguma coisa de histora -.-‘
    jah to vendo se troco no skoob rsrsrs ele vale dois creditos? (seria o equivalente a dois livros)

  3. Dany disse:

    Uma trilogia com três livros? Achei que era lenda. -q
    Essas capas são lindas e a história parece ótima, mesmo depois do mega spoiler que eu não resistir a ler. Se eu esbarrar com o primeiro volume por aí eu compro, mas não vou planejar, porque se não a minha lista nunca vai acabar.

  4. Olá, Dée!
    Muito bacana ver YA’s históricos serem publicados por aqui com um toque sobrenatural. Adoroooooo
    Pena que a editora mete a faca nesses livros, eu bem que queria comprá-los e quem sabe eu consiga começar a acompanhar logo essa série, as capas são lindas!!Trilogia que termina como trilogia sempre merece o meu respeito eterno! hahahaha
    Como sempre eu me divirto muito com esses gifs.
    Bjos.

    Mariana Ribeiro
    Confissões Literárias.

  5. okmonica disse:

    Seus gifs sempre representando melhor o sentimento do leitor.
    Mas agora fiquei mais curiosa. 😦 Ainda bem que a trilogia está nos meus desejados faz um tempo, o problema é saber QUANDO ela irá sair de lá. Rocco sempre uma editora tãããão baratinha. rs

    Acho as capas maravilhosas. Espero ler em breve, depois é claro, da minha série mortal. #OREMOSBASTANTE

    @moonribeiro

  6. Jheyscilane disse:

    Uma trilogia com três livros O.O uma raridade mesmo! Não conhecia a autora e nem suas obras, gostei de conhecer a trilogia e vou colocar na minha lista de futuras aquisições
    E como sempre o post está impecável (Sempre me emociono com seus gif’s eles são muito engraçados)
    ^^ Bjs

  7. Ana Ferreira disse:

    Ahhh, sempre fico insana pra comentar quando alguém fala da minha trilogia juvenil predileta de todos os tempos ❤ Quero dizer, os livros são caros para caramba (para não falar outra coisa), eles descolam da capa (oi?) e também conheço gente que nem curtiu a história tanto como eu, talvez achando que a Libba é realista demais ou a Gemma muito da pá-virada, como você mencionou… Talvez ainda o romance estranho entre ela e o Kartik… E mesmo com tantos motivos para não comprá-los e para não lê-los, recomendo-os aos quatro mundos porque, PQP, a Libba Bray é FANTÁSTICA ❤ Tudo em GD é meio sombrio, velado e também intenso. As páginas estão repletas de desejos e também de repressão, de lealdade e desconfiança, de amizade e inveja, de amor e de medo… E parece-me um conjunto tão complementar, que acho impossível não me render.
    Quando descobri "Belezas Perigosas", em 2009, fiquei surtando para comprá-lo, até que depois de muito tempo achei uma promoção mágica na Fnac. Devorei a história num dia. Daí "Anjos Rebeldes" ainda não tinha sido lançado no Brasil e parti para o sofrimento de ler e-book. 2 dias. "The Sweet Far Thing" ou "Doce e Distante", como veio a ser publicado aqui, não era nem sequer um projeto da Rocco. Parti pro e-book de novo, numa comunidade do Orkut. Achei tudo demais novamente (meu fascínio me cega, não consigo ver defeitos na trilogia kkk) e o final… Ah, o que fizeram com meu Kartik adorado? Inevitável não chorar e, ao mesmo tempo, não admirar a coragem da Libba Bray em ter mantido seu propósito até o fim, dando a Gemma aquilo que ela sempre quis da maneira mais emblemática possível, liberdade. Um recomeço. Triste, mas profundo.
    E acho que sua resenha passou muito bem esses sentimentos. Espero que mais pessoas se sintam encorajadas a ler esses três volumes memoráveis.
    Desculpe-me pelo enorme comentário. Deu pra perceber que me empolguei um pouquinho, né? heiuheiehieh
    Beijos!

  8. “É, sempre tem uma profecia.” kkkkkk

    Se me lembro essa série é da Rocco, pena que livros bons são afastados por preços enormes, espero q chegue a uns 15 reais daí compro, pq a Rocco é assim, só fica barato depois de alguns anos de lançamento, na agora tem q pagar os olhos da cara pra conferir. As capas são tão lindas…

    Pontos que me conquistaram com certeza foram esses assuntos polêmicos, pouco tratados em livros e o final fugindo do comum, adoro! Se bem escrito enTào, ganha meu amor.

  9. Lane disse:

    Adorei seus “pensamentos”. rsrsrsrs… Li o primeiro. Confesso que tenho uma certa raiva da Gemma. Acho que ela é um pouco boba. Fiquei indignada quando as amigas dela fizeram aquele ritual ridículo e ela ficou lá só olhando. aff… Sei que ela não podia fazer nada, mas me deu um ódio. kkkkkk
    Esperando ansiosa minha amiga devolver o livro “Anjos Rebeldes” para que eu possa continuar a leitura. ^^

    Abraços

  10. Laury A disse:

    Ah, não. Fiquei triste, tive que pular o final do post. Fiquei olhando as figuras e me controlando para não ler o texto que parecia MUITO bom, mas enfim…
    Estou estou louca desesperada para ler essa série. Vou confessar que estou há mais de um ano procurando ela em livraria e NADA. Eu simplesmente não acho. Nem sei como descobri que a série existia, mas no momento que li na sinopse que era histórico, já me ganhou. E depois disso foi a louca descontrolada (lê-se eu) atrás do livro. Ok, não achei ele e continuou morrendo de vontade. E seu post fez com que eu ficasse com mais vontade ainda, além de mostrar para a lerdeza da minha pessoa que os livros são da rocco. O que explica totalmente porque eles custam o olho da cara, mas ok. Ainda quero ler. rsrs
    Beijos,
    Laury
    maniacaporlivros.wordpress.com

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  1. […] Esse era para ser o final de uma trilogia MUITO querida, mas se tornou algo ainda maior. A dona Bray se superou nesse aqui e me deixou em caquinhos por um bom tempo depois que terminei a leitura! (Especial sobre a trilogia aqui) […]

  2. […] Gemma Doyle – Libba Bray (especial sobre a trilogia aqui) […]



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