A Maldição do Tigre – Colleen Houck

A capa é um show à parte

  •    Autor: Colleen Houck
  •    Editora: Arqueiro
  •    Nº de Páginas: 352
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2011
  •    Título Original: The Tiger’s Curse
  •    Tradutor: Raquel Zampil
  •    Avaliação: 5,0
Kelsey Hayes perdeu os pais recentemente e precisa arranjar um emprego para custear a faculdade. Contratada por um circo, ela é arrebatada pela principal atração: um lindo tigre branco. Kelsey sente uma forte conexão com o misterioso animal de olhos azuis e, tocada por sua solidão, passa a maior parte do seu tempo livre ao lado dele. O que a jovem órfã ainda não sabe é que seu tigre Ren é na verdade Alagan Dhiren Rajaram, um príncipe indiano que foi amaldiçoado por um mago há mais de 300 anos, e que ela pode ser a única pessoa capaz de ajudá-lo a quebrar esse feitiço. Determinada a devolver a Ren sua humanidade, Kelsey embarca em uma perigosa jornada pela Índia, onde enfrenta forças sombrias, criaturas imortais e mundos místicos, tentando decifrar uma antiga profecia. Ao mesmo tempo, se apaixona perdidamente tanto pelo tigre quanto pelo homem.
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P.S. de início: Não grudem chiclete no meu cabelo, liberdade de expressão é super legal e até as piores blogueiras merecem desfrutar disso!

Vocês conhecem um pouco sobre a Índia? Eu nunca fui para lá, mas coleciono relatos de gente que foi (e voltou), jornais que conhecidos me mandam por correspondência e livros de viagem dissecando cada elemento do país. A primeira coisa que todos eles me dizem é a discrepância do povo, entre o povo. Explicando de forma rápida: de um lado você tem gente coberta de ouro, seda e requintes e, sem atravessar a rua, dá pra achar esgoto a céu aberto.

Não vamos levar minhas palavras ao pé da letra, ok? Mas elas vão me ajudar a ilustrar o que senti lendo esse livro.

Dizer que A Maldição do Tigre me decepcionou é simplificar demais as coisas. Esperava muito mais do livro do que realmente achei lá? Sim, com certeza. A estória me envolveu? Mais certeza ainda.

É como se o background, os elementos coadjuvantes da estórias fossem excepcionalmente desenvolvidos, e o main lead,  a parte principal, azedasse tudo. A ambientação na índia, a imersão em seus costumes, crenças e pensamentos me levaram a sentir o cheiro de curry exalando das páginas. Esse lado da leitura fez com que me sentisse mais próxima de meus amigos indianos e serviu para demonstrar, mais uma vez, o quanto a PESQUISA é importante ao se escrever um livro.

Mas daí vem a Kelsey, e o Ren, e a irrealidade das escolhas da menina, e os diálogos infantis, e os clichês de matar. Não consegui acreditar que estava lendo um livro tão contrastante! A ideia principal, da garota que entra na luta para quebrar a maldição de um príncipe, UM PRÍNCIPE, preso no corpo de um tigre é tão legal, mas TÃO LEGAL, que eu queria levar pessoalmente o livro de volta para a autora e pedir para ela rever seu texto.

Nossa protagonista em um ponto muito forte, a coragem. Porém foi sua falta de noção me revoltou. A Kelsey não conhece o Sr. Kadam, o homem distinto que trabalha para algum indiano ricasso e vai levar o tigre Ren de volta para a Índia, mas aceita sua proposta de viajar sozinha para outro país. Assim, uma proposta maravilhosa de pouco trabalho, muito dinheiro + turismo despreocupado com tudo pago? Qualquer um consegue sentir o cheiro de roubada nisso! Mas não a Kelsey. Uma pessoa que ela nunca viu na vida oferece uma viagem para o outro lado do mundo e ela vai, simples assim. Tudo bem, concordo que se ela não fosse, não teríamos estória, mas precisava ser tão insanamente fácil? E o bom senso, meu povo, cadê?

O segundo elemento que me incomodou, os diálogos. Ninguém fala do jeito que os personagens falam no livro. Nem Dora, a Aventureira. Mas esse é o tipo de coisa que se o leitor quiser, ele é capaz de relevar. Eu escolhi não me concentrar nos ‘ufas’ e a ausência de virgulas. O lado bom é que o texto é bem leve e despreocupado.

O terceiro ponto negativo: Ren. Você me pergunta, e com toda a razão “Blogueira, como um príncipe moreno, malhado, alto e de olhos azul cobalto, pode ser um ponto negativo?” Eu respondo “Porque ele não existe!” Ao menos não com boas intenções… o cidadão é educado, gentil, cortês, extremamente cuidadoso e protetor e fica sempre dando um jeito de ressaltar como a Kelsey é linda. Não parece um sonho? Mas nele ficou meio falso, é como se ele estivesse agindo daquele jeito para se aproveitar da garota. Um alerta-cafajeste soava na minha mente sempre que ele abria a boca no começo da estória e levei um bom tempo para conseguir desliga-lo. Não culpo a menina por adorar o tigre, mas se esforçar para não dar confiança pro homem.

Demorou, mas ele melhorou no decorrer das páginas.

Eu estou de olho em você, Ren!

Não acredito que valha a pena citar os clichês que encontrei, talvez vá soar muito rabugenta e passar a imagem de que detestei o livro. Não detestei o livro, a estória de Colleen Houck tem magia, ação (bastante ação), romance complicado (bastante complicado) e um lado místico lindo (bastante… vocês entenderam), isso tudo me encanta. Ela só não soube colocar no papel essa harmonia toda.

Acredito que ela melhorou no 2º volume, O Resgate do Tigre, e ele ainda está na minha lista de leituras imediatas. Sério.

 

xoxo e bom domingo!

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14 comentários sobre “A Maldição do Tigre – Colleen Houck

  1. Dany disse:

    Adoro suas resenhas, principalmente por causa das gifs, me acabo de rir com elas. Quanto a esta, eu concordo com tudo e acho que ainda faltou falar do drama da Kelsey de se achar inferior a Ren. Sério, amor próprio ficou fora de moda de uns tempos pra cá ou o quê? Desanimei total com o próximo volume depois de refletir sobre a personagem principal.

  2. João Henrique disse:

    Adoro suas resenhas sinceras (todas elas então)! É tão dificil encontrar isso na blogosfera literaria de hj em dia! Parabéns, ótima!!

    como eu ri com os gifs! ksaoksaoksaoksaoskaoskaoksaoksaoskaoksaoks

    • Carol disse:

      É verdade, todo mundo hj em dia AMA todos os livros, a gnt tem que medir um blogueiro pelos livros que ele não gosta muito… só assim pra saber se é sincero ou não! A Desiree é um ponto fora da curva!

  3. Carol disse:

    Estou pensando duas vezes pra comprar esse livro, vou esperar sua resenha da continuação pra saber se a autora melhorou =S

    resenha impecavel!
    bjos

  4. Valentina disse:

    só tinha resenha positiva desse livro no skoob, até achei que eu tinha lido outro livro! concordo com TUDO o que vc falou! A ideia é ótima, mas a autora não soube botar em pratica, ficou infantil demais, tontinho demais 😦
    resenha perfeita!

    beijao

  5. Ana disse:

    a pesquisa é MUITO importante mesmo na criação de um livro, me revolta a quantidade de autores que não se dá a esse trabalho e acaba fazendo uma coisa meia boca. esse livro sempre me interessou, mas acho que vou esperar a nota que vc vai dar pro segundo antes de comprar, pq né…

    guru! beijinhos

  6. Jackie disse:

    Esse livro me decepcionou e muito! Finalmente alguém teve coragem pra falar de verdade sobre ele! Não é possível que aquele monte de resenhas 5 estrelas tenham realmente lido a maldição do tigre, ele está longe demais de ser perfeito! Os diálogos são tão… argh! ‘Nem Dora, a Aventureira fala daquele jeito’ !! Acho que tem blogueira que ficam com medo de perder parceria se falarem a realidade, mas isso é um tiro no pé, credibilidade se constrói com verdade!

    Obrigada pela sinceridade sempre!
    bjins

  7. Jheyscilane disse:

    Oi =) Primeira vez que comento (Apesar de já visitar o blog faz algum tempo pode puxar minha orelha ninguém merece leitores fantasmas rsrs) eu gosto do livro da Collen e quando eu o li achei bonitinho e especial mas olhando os pontos que foram apontados na resenha e não é que eu estou começando a pensar deferente, muito estranho o Ren com aquela perfeição toda e aquele poço de gentilezas e elogios não lembrarem um aproveitador O.O e tinha umas horas que os diálogos eram mesmo um tiquinho de nada infantis
    Suas resenhas são sinceras e divertidas =) Parabéns
    ^^ Vou aparecer mais vezes

  8. mauraparvatis disse:

    Menina, li sua resenha após ler uma resenha enorme falando sobre ele e elogiando-o horrores, fiquei tentada a ler novamente a outra resenha para depois ler a sua, mas… ando com preguiça!1!! Todos os pontos levantados por você me fizeram ficar doidinha pra ler o quanto antes A Maldição e tirar minhas próprias conclusões e saber se aquela penúltima resenha lida foi mais ‘manter parceria’ ou ‘fiquei cega pros defeitos porque amei desde a primeira linha’, hehe

    Beigos!

  9. Gabrielle Sasse disse:

    Ah, que bom! Deixei-me levar pela opinião de uma garota no facebook, falando que se surpreendeu com A Maldição do Tigre, que é incrível e tudo o mais. Olha, também me surpreendi, só que não da mesma forma que ela. Comprei no maior impulso (burrice a minha!) e estou só no começo, mas desgostando demais. Achei que fosse meu eu que é chato pra caramba, que não consegue ler um livro quando ele demonstra algum toque de absurdismo (?). Eu pensei exatamente a mesma coisa que você quando o Sr. Kadam ficou ressaltando que arcaria com todas as despesas, e a burrinha da Kelsey nem se tocou! Ah, faça-me o favor, menina.
    Enfim, ainda estou no começo, super entristecida com o desastre que o livro está sendo, e quis procurar algumas opiniões para saber se eu é que estou sendo chata, mas já vi que não.
    Parabéns pelo site, aliás. Gostei bastante daqui.

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