A Esperança – Suzanne Collins

  •    Autor: Suzanne Collins
  •    Editora: Rocco
  •    Nº de Páginas: 424
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2011
  •    Título Original: Mockingjay
  •    Tradutor: Alexandre D’Elia
  •    Avaliação: 10,0
Depois de sobreviver duas vezes à crueldade de uma arena projetada para destruí-la, Katniss acreditava que não precisaria mais de lutar. Mas as regras do jogo mudaram: com a chegada dos rebeldes do lendário Distrito 13, enfim é possível organizar uma resistência. Começou a revolução.
A coragem de Katniss nos jogos fez nascer a esperança em um país disposto a fazer de tudo para se livrar da opressão. E agora, contra a própria vontade, ela precisa assumir seu lugar como símbolo da causa rebelde. Ela precisa virar o Tordo.
O sucesso da revolução dependerá de Katniss aceitar ou não essa responsabilidade. Será que vale a pena colocar sua família em risco novamente? Será que as vidas de Peeta e Gale serão os tributos exigidos nessa nova guerra?
Acompanhe Katniss até o fim do thriller, numa jornada ao lado mais obscuro da alma humana, em uma luta contra a opressão e a favor da esperança.
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Quero deixar claro que esse resenha contém spoilers por todo lado, se você ainda não leu A Esperança provavelmente vai querer parar depois do gif do Peetalicious.

Ok, vamos lá.

É tremendamente problemático resenhar esse livro, sua leitura é uma verdadeira enxurrada emocional e meio que fico com medo de falar mais ‘bobrinhas do que de costume.

Então, vou começar por um fato básico.

A Esperança merece uma 2ª leitura.

Segundo fato básico: eu concordo inteiramente com tudo o que a Collins fez desse livro. Desde o rumo que a estória tomou, até o fim de cada personagem.

Não há mais Distrito 12, mas há o 13.

A Katniss está com os rebeldes agora. Ou melhor dizendo: os rebeldes estão com a Katniss. Ela anda num estado letárgico, digerindo cada um dos acontecimentos da Arena, nem sempre da melhor maneira. Ver Peeta bem em poder da Capital foi o interruptor necessário para que ela assumisse as asas do Tordo, mas, obviamente, o desafio só está começando.

Primeiro porque nem com toda a maquiagem, iluminação e produção do mundo, nem com o uniforme mais incrível de Cinna, Katniss simplesmente não prestava para as câmeras! A razão de ter sobrevivido tanto tempo em frente a elas, claramente, fora Peeta. Ela podia cuidar de seus ferimentos e garantir sua proteção, mas era Peeta quem cativava as câmeras. Vamos combinar que se, além de tudo, o garoto fosse um guerreiro, seria pura covardia com a humanidade…

“I’m Peeta and you know it”  Google it.

A solução foi jogá-la na batalha, na esperança de Katniss fazer as coisas motivacionais e espontâneas que conquistaram todo o país. Daí você pensa: mas vale a pena? Ela pode muito bem morrer lá, né?

Pode.

E tem até outro governante, sem ser o Snow, contando com isso.

A Presidenta Coin é quem lidera o disciplinado povo do Distrito 13. Desde o princípio ela abertamente apoiava a retirada de Peeta da arena, mas foi suplantada pela voz da razão. Há quem diga que Coin não veria mal algum em uma mártir para a Revolução… e nem é intriga da oposição.

Estou pulando de propósito a parte da Katniss ser lenta para perceber que ama o Peeta e que o Gale foi seu irmão em outra vida. Como o Gale mesmo disse: ela seria sempre a última a sacar interesses românticos. Achei o envolvimento do trio muito autentico, mesmo com todas as circunstancias malucas. Foi um dos motivos pra eu acabar a leitura assim:

Então, passando pra grande polemica de Mockingjay.

Vou soar curta e grossa: muitas das pessoas que criticaram o rumo da estória o fizeram porque são incapazes de entender a devastação emocional dos personagens. São virtualmente incapazes de digerir uma ficção que não acabe no ‘felizes para sempre…’ .

Por favor. Aquilo é guerra. Aqueles ainda são os Jogos. As pessoas vão morrer.

E por mais incrível que seja a sua personalidade, por mais força de vontade, amor pela vida e otimismo, a guerra vai deixar cicatrizes. A loucura de algumas personagens veio justamente da junção dessas cicatrizes com o constante bombardeio emocional de não saber quem é o verdadeiro inimigo, quando um novo vai surgir, com que rapidez seus aliados vão sucumbir.

Acredito que apenas quatro pessoas sabiam quem  exatamente era a Coin: uma estava morta, outra não se importava, a terceira cuspia sangue e a quarta a assassinara. Boggs cantou a bola logo antes de morrer; Plutarch era inteligente e próximo demais para não sacar a Presidenta; Snow se reconheceu no espelho e Kat, bem, ela precisou perder a irmã para realmente entender.

Teve gente que achou o que aconteceu com a Prim, desnecessário. Discordo veementemente. Sem aquilo, duas coisas importantes não ficariam claras: a Coin, depois de não conseguir uma mártir, precisaria de uma aliada. Ela lançou a carta que tinha na manga (lembrem-se que a Prim não tinha idade para estar no front) e subestimou Katniss. Não estou dizendo que a Kat matou na hora ou previu os movimentos da Presidenta, mas o que a Coin não sabia é que a garota reconheceria um Snow (a segunda coisa importante que ficou clara). Provavelmente a mulher mais velha também não tinha a intenção de ser um novo monstro, talvez ela nem tenha notado no que havia se transformado, mas aí já é outro problema.

A decisão final, sobre a última edição dos Jogos mostra um forte ponto de vista de Collins: todos são iguais, o que muda é quem detém o poder. E principalmente, como são poucos os que conseguem enxergar além disso sem ficarem quietos: como o Peeta, por exemplo.

As pessoas que saíram do cinema, na estreia do filme, alucinadas para copiar os looks da Capital são o povo da Capital. A diferença é que eles não tem as roupas idiotas ainda. Veja bem, não estou criticando a vaidade, eu sou vaidosa, mas pense comigo, o que as pessoas da Capital não tem? Senso de ridículo? Sim. Senso? Noção. Elas não pensam por elas mesmas, não passam de um bando de ovelhas na mão de quem toma as decisões reais.

Na boa, é a ovelha quem sempre se ferra no final.

O que você vai fazer? Não se juntar ao bando? Sair dele? Olhar além? E depois do que você enxergar, vai ficar quieto?

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New on My Bookshelf… Vol 5 (it’s alive!)

O Ministério dos Blogueiros adverte: esse post é LONGO. Se estiver interessado apenas na estréia de Jogos Vorazes dê: Ctrl+F 23 de março.

Sim! Isso ainda existe! Sim, a última vez que fiz um NOMB foi ANO PASSADO! Sim! Eu me envergonho em admitir! Sim, a ultima parte foi mentira!

Gentes, desculpa, mas quem acompanha o blog já deve ter percebido a falta de fotos originais ou algumas muito meh, é que até então eu estava sem minha tão adorada câmera… ainda estou, na verdade, mas minha tão adora mãe finalmente emprestou seu celular pra mim. Ela não fez isso antes porque tinha um certo receio saudável de que eu fosse sequestrar o bichinho e não devolver nunca mais.

Yeap, as mães nos conhecem bem.

"Mas mããããe foram só algumas fotinhas, eu já ia devolver!"

Fato.

Então, como faz muito tempo que postei o último NOMB, minhas biblioteca aumentou, felizmente!! Achei que botar todos os livros que ganhei/comprei/recebi de parceria desde dezembro ia ser meio cansativo… por isso selecionei os doze últimos. Com vocês meus novos filhotes e uma gata muito com mania de grandeza:

A editora Novo Conceito arrebentou mais uma vez ², os kits que recebi são maravilhosos e vocês logo, logo vão vê-los nas promos que estou tramando.

Já resenhei o A Ascensão do Governador aqui e já contei um pouco do que espero para Irmandade e Delírio aqui.

Silêncio, o terceiro volume da série Hush Hush da Becca, merece aqui uma atenção especial: Natys, ‘brigada pelo presentão! Sua linda! A parsa do Vire a Página me mandou esse livro de aniversário e passatempo, já que a embalagem necessitava de um sabre de luz estilo Darth Maul para ser aberta… mesmo assim eu te adoro, viu, aguarde uma surpresa à altura lá em Agosto!

Destinada é o nono volume da História Sem Fim (a.k.a. House of Night); Terra dos Sonhos, o terceiro do spin-off de Os Imortais, Riley Bloom; Impiedosas é o 7º livro da incrível série Pretty Little Liars, se você ainda não leu nenhum: ma che? Vá garantir seu Maldosas e aproveite para dar uma conferida na série de TV, é muito boa também. Recomendados.

E, antes que alguém me pergunte: sexta-feira, dia 23 de março.

"A qualquer hora que eu dissesse uma palavra começando com 'H'..."

"... eu diria Hunger Games."

"Tipo, eu estou tão Hunger Games por estar aqui!"

"Happy. Desculpa, está na minha mente."

É tão verdadeiro que redefine verdade nos dicionários.

Fui a quarta da fila de cem metros e 2 horas na estréia de Hunger Games. Vi garotas encenando a Arena por posteres do Josh e do Liam. Vi mães de todas as idades vestidas com camisetas do Tordo. Esperei que os Pacificadores aparecessem pra botar a criançada na linha. Tive um mini-infarto quando finalmente nos deixaram entrar.

Não quero estragar suas surpresas, mas te recomendo fortemente que vá assistir HG. Minha experiência no cinema pode se resumir a seis imagens:

Quando o filme começou:

Quando a Katniss se voluntariou:

Quando a parte da Arena começou:

Quando a Rue morreu:

Quando a Kat e o Peeta ganharam:

Quando eu lembrei que vai demorar pra vir o próximo:

Meu médico recomendou que eu assistisse pelo menos mais três vezes até estar pronta para suportar a espera de Em Chamas. Eu não confio em médicos. Vou assistir mais seis.

Boa semana pra vocês!

xoxo

The Walking Dead, fim da 2ª temporada.

Hey pretties! Essa semana tivemos dois super season finales para chafurdar: Pretty Little Liars e The Walking Dead. Preciso muito falar do segundo com vocês.

Atenção: Esse post contém conteúdo inapropriado para telespectadores desatualizados. Se não se sentir confortável com a ideia clique aqui.

O Ministério dos Blogueiros adverte.

Domingo, o episódio Beside the Dying Fire, da série milionária The Walking Dead, foi ao ar. Tudo muito tranquilo, aconteceu quase nada, os zumbis nem chegaram perto da fazenda e ninguém morreu… só que ao contrário.

Querem o vídeo promo dele?

OLHA PRA TRÁS, RICK!!!!!! PELOAMORDEDEUS, OLHA PRA TRÁS!!

A primeira questão que salta da tela: De quem é o helicóptero que aparece logo no começo do episódio? (E que já havia aparecido lá atrás na primeira temporada) Não é barato botar um daqueles no ar, quem quer que seja seu dono tem combustível de sobra. Seria o governo? Mas se é o governo, por que eles não se pronunciam? Por que não ajudam as pobres almas sobreviventes correndo por ai? POR QUE??

Segundo ponto: zumbis migrando? Ou estavam apenas num modo automático? Eles estão ficando mais inteligentes? Olha, se sim, f***u.

A fuga da fazenda serviu principalmente para vermos em que ponto os personagens estão. Obviamente a tensão foi constante desde o primeiro capitulo, mas essa situação era diferente. Todos já estavam saturados de traumas e todos estavam nos limites da sanidade. Naquele clima de ‘cada um por si’ do ataque da fazenda, as pessoas que realmente se importavam com o grupo apareceram. E foi uma grande surpresa.

Quem imaginava que a Andrea ia botar o dela na reta para salvar Carol, ela podia ter continuado segura e bonitinha dentro do carro, mas não. Enquanto a maioria virou fumaça assim que os primeiros walkers chegaram perto demais, ela saiu para ajudar. O que foi isso? São Dale operando milagres do além-túmulo, na minha opinião.

Falando da Carol, aquela tetéia, ela quase fez o impossível. No último episódio praticamente conseguiu roubar da Lori o posto de megera odiosa da série. Como? Fazendo tudo aquilo o que ela condenou antes: insistindo para que a Lori deixasse Carl, largando Andrea sem nem olhar pra trás, incitando Daryl (sou team Daryl desde pequenininha) a cair fora com ela, questionando os esforços de Rick… Não que Carol não tenha motivos para estar abalada, mas de todos os personagens, foi ela quem recebeu mais ajuda do grupo. Daí ela decide que é hora de mandar todos pro espaço? Parabéns Carol, contamos com você.

Mas seria injusto com Lori, afinal ela se esforçou tanto pra manter esse posto, né? Só porque, no último episódio, seu show pela morte de Shane não chegou aos pés do ‘Do something!’ da Carol, ela não iria levar essa pra casa?? Não! Nós reconhecemos seu valor, querida!

Lori, onde está o Carl?

Quando os sobreviventes conseguem fugir do ataque, vem a hora do balanço geral. Patricia e Jimmy não conseguiram escapar, o que não é exatamente surpresa, eles não tem papéis expressivos na série (eu imaginei que T-Dog também fosse dessa pra melhor pelo mesmo motivo…). A parte critica é saber que perderam a fazenda. Depois de tanto tempo desfrutando de uma falsa comodidade, serem lançados de volta à estrada, sem provisões, abrigo e combustível tem efeito imediato. Todo mundo go crazy!

Começam as brigas, o Rick revela seu segredo, Lori faz mimimi, Carol dá uma revoltada… e enquanto isso, minha mente gritava uma coisa só:

O QUE ACONTECEU COM A ANDREA?

Ela correu, ela correu por um dia inteirinho!

Me deu um aperto na garganta ver o desespero dela. Só de olhar pra cena você já sabe que a coitada não tem a MINIMA chance, os walkers simplesmente não param de persegui-la.

Dai eu me conformei, né? Já mataram o Dale, não custa matarem a Andrea também. Quem vai ser o próximo? Daryl?! E dep… Ih, espera, olha lá, parece que ela vai conseguir, são só mais três zumbis. Pegou um.

Pegou outro! Vai garota!! NÃO, caiu no chão, desarmada, lógico. Não quero olhar, ele vai comer o braço dela!!! Ahhh! ELE VAI COMER O BRAÇO DELA!!!!!

AHHHH!!!!!

 Ma che?? Andrea foi salva! Por Michonne!! Até eu que nunca li as HQs de Walking Dead sei que Michonne é uma das personagens mais fantásticas da trama! E agora? Elas vão se juntar? Michonne vai matar Andrea? Andrea vai matar Michonne?? Elas vão matar todos os zumbis??

Ufa.

Emoção demais em curto espaço de tempo. Mas não acabou. Rick finalmente cansa de ser bonzinho. Cansa de se virar em quatro para resolver os problemas de todo mundo e ainda ser malhado por isso. Ele deixa bem claro que quem quiser cair fora, que vá, boa sorte lá fora, mande um cartão postal. É um passo grande, porém muito necessário, sem disciplina o grupo não sobreviveria dois dias e ninguém sabe o que realmente vem por aí. Estava sentindo falta de uma atitude dessas lá atrás, depois do incidente com o celeiro, ou até antes, mas antes tarde do que nunca, certo?

É isso aí, Rick! Mostra pra eles quem manda!

Well, a terceira temporada vai ao ar em Outubro desse ano, sem dia certo ainda. Com certeza será uma das estreias mais aguardadas do semestre! Enquanto isso vamos debater um pouco, defender o Rick, comentar as melhores quotes, falar mal da Lori, tentar adivinhar o que está nos esperando e trocar figurinhas!

Até lá!

xoxo

Para saber mais sobre The Walking Dead, confira a resenha do livro A Ascensão do Governador, título da Galera Record, escrito pelo autor das séries HQ e televisiva, Robert Kirkman. É só clicar na imagem.

Escola de Sabores – Erica Bauermeister

  •   Autor: Erica Bauermeister
  •    Editora: Sextante
  •    Nº de Páginas: 224
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2010
  •    Título Original: The School of Essential Ingredients
  •    Tradutor: Fernanda Abreu
  •    Avaliação: 9,5
Todos os meses, na primeira segunda-feira à noite, a cozinha do restaurante de Lillian se transforma na Escola dos Sabores. Ali, um grupo de oito alunos se reúne para aprender deliciosas receitas. Ou pelo menos é isso que esperam que aconteça.
Ainda criança, Lillian descobriu sua paixão pela culinária e o poder que a comida tem de transformar e curar a vida das pessoas. Por isso, sempre que inicia uma nova turma, ela observa os alunos atentamente, em busca de sua verdadeira motivação para estar ali.
A cada aula, ela lhes apresenta um novo desafio: nada de receitas tradicionais, com quantidades definidas e descrição do modo de preparo. Em vez disso, coloca diante deles apenas alguns ingredientes essenciais e os convida a fechar os olhos e se deixarem levar pelos sentidos.
À medida que os pratos são preparados, o grupo mergulha num mar de sensações. O cheiro delicioso de um bolo no forno remete à infância num país distante e faz lembrar os momentos mais felizes e os mais difíceis de uma união de longa data. Uma pitada de orégano no molho de macarrão traz de volta uma triste história de amor. A firmeza de um tomate maduro desperta a coragem de se libertar.
Cada tempero, aroma e textura exerce um efeito mágico diferente sobre os alunos. Com o correr dos meses, eles têm a oportunidade de olhar para dentro de si mesmos e de conhecer uns aos outros. Ao fim do curso, terão descoberto muito mais do que os segredos da cozinha: paixões, vocações e amizades.
Escola dos sabores é uma história comovente sobre o que de fato importa na vida. Você vai saborear cada capítulo e, depois de ler este livro, nunca mais fará uma refeição como antes.
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Falar de Escola de Sabores sem usar experiências pessoais é uma tarefa basicamente impossível. O livro não te deixa escolha, você se identifica com uma das personagens, ou se identifica com todas.

Mas, para começar, a estória chega até você mais cedo ou mais tarde, de forma delicada, e quando vê, já está mais leve por dentro.

Para Lillian, a professora dona do restaurante, a comida cura tudo. Não de forma direta, como os remédios, mas de uma maneira mais duradoura, pois ela leva a pessoa a se curar. Fosse a depressão da mãe; a auto-anulação de Claire; a falta de fé na esposa em Carl; a saudade de casa da Antonia; a dor pela morte da mulher amada em Tom; a falta de auto-estima de Chloe; as lembranças de Isabelle; a culpa de Helen e a coragem de Ian. Cada um vivendo prisioneiro da própria mente, sem nem se dar conta.

Para não dizer que gostei de todos os capítulos igualmente vou falar dos quatro que mais me chamaram a atenção.

Começando por Isabelle, uma senhora de cabelos prateados que pouco a pouco foi perdendo o fio das lembranças.  Ela que, quando mais nova, achava que poderia passear pelos jardins das memórias quando ficasse velha, percebeu que não seria assim. Aquilo a deixou vazia, pois suas lembranças eram tudo o que tinha construído para si. Através de pratos bem colocados foi que Isabelle percebeu uma coisa –Estou começando a achar que talvez as lembranças sejam como esta sobremesa. Eu a como e ela se torna parte de mim independente do fato de eu me lembrar dela mais tarde ou não.

Carl já estava casado a mais de vinte anos quando Helen contou que tivera um caso. Ela estava arrependida, disse que o amava e que não queria ir embora, não queria que ele a deixasse. Carl sempre achou que tinha permanecido com a esposa por falta de criatividade, por não conseguir imaginar um futuro sem ela em sua vida. Na verdade ele não pode deixá-la por ser ela. Simplesmente a mulher que ele amava e queria a seu lado pelo resto da vida. –Ficou olhando para ela sem dizer nada e, enquanto olhava, sentiu algo se modificar e se assentar dentro dele, um movimento rápido e silencioso como a batida de um relógio […] Então sorriu. –Esse é o seu lugar.

Tom se casou com Charlie, a mulher mais fantástica do mundo. Ele amava cada pedacinho de sua personalidade esfuziante e viva. Até que Charlie teve câncer e morreu. Assim, em questão de meses, ele assistiu aquela garota cheia de ideias e criatividade murchar até sumir, sem que ele pudesse fazer nada. Levou certo tempo e um molho de macarrão para que ele percebesse que se o tempo não cura tudo, pelo menos faz as coisas melhores. –Olhe só o que você fez –Observou Lillian em voz baixa, em pé ao lado de Tom, diante da mesa. –Eles vão comer e então tudo vai desaparecer –disse ele. –É por isso que é um presente. –retrucou Lillian.

Nem preciso dizer que fiz um tsunami de choro com esse capítulo, né?

Bem, por último, Lillian.

Não vou me demorar dizendo que ela me ensinou a fazer um belo purê de batatas, é a visão de Lilly sobre os alimentos que cativa. Ela os enxerga como pessoas, sacerdotes, talismãs e, à partir disso, consegue obter todos os resultados necessários. Aquilo me tocou mais que tudo.

Quando estou triste eu sei que devo cozinhar. Realmente não me vem a vontade, quando a gente está triste raramente tem vontade de fazer qualquer coisa. Mas eu sei que, no momento em que separar os ingredientes necessários, vou entrar num mundo só meu. Os problemas não somem, as preocupações não esmoessem, o que muda é a forma que eu os encaro. Ali sozinha, aprecio o espaço e a solidão, conversando com os alimentos eu entendo coisas que antes não enxergava, ordeno os pensamentos, chego a conclusões… quando vejo já acabei o que estava fazendo e meu coração está vários quilos mais leve, como se eu o tivesse preparado também ,só que da maneira correta.

Para mim, cozinhar não é uma obrigação, é um momento de intimidade e concentração. Vai ver por isso que até hoje só uma pessoa conseguiu me deixar genuinamente à vontade cozinhando comigo.

Vejam bem, a cozinha para mim pode ser o escritório para você, ou o ateliê, ou a biblioteca, ou a sala de estar… não importa, cada um tem um espaço para abrigar a mente, o coração e a alma de um jeito harmonioso. Aquilo que nos faz feliz.

O que importa não é a cozinha, é o que sai dela.

xoxo

P.S.: Sushi, que vontade que estou de me empanturrar de sushi!

The Walking Dead (Livro e Série de TV)

  •   Autor: Robert Kirkman & Jay Bonasinga
  •    Editora: Record
  •    Nº de Páginas: 361
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: The Walking Dead: Rise of the Governor
  •    Tradutor: Gabriel Zide Neto
  •    Avaliação: 8,0
No universo de The Walking Dead não existe vilão maior do que o Governador, o déspota que comanda a cidade de Woodbury. Eleito pela revista americana Wizard como “Vilão do ano”, ele é o personagem mais controvertido em um mundo dominado por mortos-vivos. Neste romance os fãs irão descobrir como ele se tornou esse homem e qual a origem de suas atitudes extremas. Para isso, é preciso conhecer a história de Phillip Blake, sua filha Penny e seu irmão Brian que, com outros dois amigos, irão cruzar cidades desoladas pelo apocalipse zumbi em busca da salvação. Originalmente, The Walking Dead é uma série de quadrinhos publicada desde 2003 e vencedora do Eisner Award. Em 2010, os quadrinhos foram adaptados para o seriado homônimo The Walking Dead já bateu diversos recordes de audiência nos Estados Unidos e foi finalista em várias categorias no 68º Golden Globe Awards, incluindo Melhor Série Dramática de TV. 
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Nunca havia ouvido falar do universo The Walking Dead. Juro. Daí, como vi que esse livro serve como prequel para os quadrinhos e série de TV, preferi continuar na santa ignorância, para poder aproveitar o máximo de surpresas possíveis.

Deu certo.

Aliás, deu mais que certo.

Eu simplesmente não consegui dormir depois. Apagar a luz do quarto então? Há, só na próxima encarnação.

“Agora me lembro, blogueira, você tem medo de zumbi, né? Então pra que? Pra que você foi ler esse livro??”

Boa pergunta. Ótima na verdade, deve ser como aquele fiapo solto na blusa, que você puxa um tiquinho e se arrepende na hora, pois está desfiando a blusa inteira. Mas quem disse que consegue parar?

Ler um livro de zumbi foi mais ou menos isso. E rendeu, porque já assisti todos os episódios lançados da série logo após a leitura. (Já, já, falo disso.)

O grande ponto de The Walking Dead – A Ascensão do Governador não é toda a ação, a matança, as tripas, os miolos e o sangue + sangue + sangue², é o efeito que todo esse horror tem sobre as pessoas comuns.

Você, nerdão metido a valente, que acha legal um apocalipse zumbi e que imagina que vai ser super irado sair por ai chutando traseiros apodrecidos, pense duas vezes. A chance desse traseiro ser de alguém que você ama é enorme. Na verdade, provavelmente é o seu traseiro zumbificado que vai ser chutado, é só um toque…

Escapar dos mortos-vivos não é nenhum piquenique no parque, e só de ver todo o esforço que Phillip faz para manter sua filhinha, seu irmão e seu amigo de infância seguros dá na gente uma vontade de sair estocando mantimentos, remédios e armas em casa, porque, vai que, né…

Ainda assim, eles são obrigados a presenciar todo tipo de atrocidade, bem como faze-las. Matar o que um dia foi humano, saber que, o-que-um-dia-foi-humano, quer te almoçar, lutar por comida e passar fome do mesmo jeito, ver quem você ama se afundando num buraco de desesperança… A partir de certo ponto eu meio que desejei que todos os personagens morressem de uma vez! A angústia era tanta, eu via o tamanho do poço em que eles estavam metidos, a loucura sem saída, tudo aquilo quase me fez largar o livro e sair correndo.

Odiei, me fez passar mal. Me viciou completamente.

Depois de terminar o livro foi que percebi, tudo aquilo estava acontecendo para moldar o caráter de um homem bom. Para transformá-lo em algo sem sentimentos, que seria capaz de tudo.

Isso despertou uma certa curiosidade em mim, fiquei imaginando o que as pessoas em geral, fariam numa situação dessas. No livro nós acompanhamos os quatro protagonistas e estamos tão no escuro quanto eles, por isso fui atrás da tão falada série de TV.

The Walking Dead, do mesmo produtor de Exterminador do Futuro, é de certa forma mais leve que o livro, eu mais chorei do que me assustei assistindo. E olha que a maquiagem é perfeita, acreditem! Mas falta algo que a deixe tão visceral quanto o livro. De certa forma isso é bom, provavelmente eles perderiam muita audiência fazendo de outra forma.

O protagonista é Rick Grimes, um policial que acorda depois do coma, no meio da muvuca. Imagina que bacana: num momento você está lá, todo homem-da-lei, tomando um tiro, indo pro hospital, seeem problemas, ossos do oficio… No outro, você está sozinho num hospital cheio de cadáveres mastigados e uma porta lacrada com os dizeres: “não abra, mortos dentro”. Beleza, você sai do hospital anda um pouco e, opa, cadê todo mundo? Tudo está tão abandonado, ah não, ali ao longe está um bom cidadão! “Senhor, senhor.! Hey, você poderia me ajud…”

Você não termina a frase porque, sabe, o bom cidadão está rosnando pra ti, com metade da cara atropelada e aquele cheiro de gorgonzola fora da geladeira…

Enfim, gostei muito da série, são bem mais protagonistas que no livro, mais personalidades e todo tipo de conflito interno e externo que posso imaginar, com o catalizador do apocalipse zumbi. Recomendo.

“The sun ain’t gonna shine anymooooore”

Continuo tendo pavor de mortos-vivos, mas já me sinto mais preparada para um possível ataque.

Xoxo

P.S.: Talvez ter um porão fortificado e energia solar não seja assim uma má idéia…

Em Chamas – Suzanne Collins

  •   Autor: Suzanne Collins
  •    Editora: Rocco
  •    Nº de Páginas: 413
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2011
  •    Título Original: Catching Fire
  •    Tradutor: Alexandre D’Elia
  •    Avaliação: 9,5

Atenção! Massive spoiler alert! Cubra os olhos, tire as crianças da sala e procure abrigo (não necessariamente nessa ordem) se você ainda não leu Jogos Vorazes… e depois não diga que não avisei…

Depois da improvável e inusitada vitória de Katniss Everdeen e Peeta Mellark nos últimos Jogos Vorazes, algo parece ter mudado para sempre em Panem. Aqui e ali, distúrbios e agitações dão sinais de que uma revolta é iminente. Katniss e Peeta, representantes do paupérrimo Distrito 12, não apenas venceram os Jogos, mas ridicularizaram o governo e conseguiram fazer todos – incluindo o próprio Peeta – acreditarem que são um casal apaixonado.
A confusão na cabeça de Katniss não é menor do que a das ruas. Em meio ao turbilhão, ela pensa cada vez mais em seu melhor amigo, o jovem caçador Gale, mas é obrigada a fingir que o romance com Peeta é real. Já o governo parece especialmente preocupado com a influência que os dois adolescentes vitoriosos – transformados em verdadeiros ídolos nacionais – podem ter na população. Por isso, existem planos especiais para mantê-los sob controle, mesmo que isso signifique forçá-los a lutar novamente.
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“-Quer dizer então que estamos todos nos dirigindo para o grande desconhecido, não é? – pergunta ele, olhando para mim.

-Não. –digo. –Não mais.

-Você analisou as fraquezas desse plano, não analisou queridinha? –pergunta ele. –Alguma ideia nova?

-Quero começar um levante.

Haymitch apenas ri.”

Até tentei ler outra coisa, mas depois de re-devorar Hunger Games não aguentei, e aqui está a resenha de Em Chamas, continuação de Jogos Vorazes. Outra re-releitura muito proveitosa.

A primeira coisa que me veio a cabeça depois de fechar Em Chamas foi: Collins, sua danada, você já tinha TUDO em mente antes de sequer começar a escrever JV, né? Porque chega a ser absurdo como tudo se encaixa com perfeição, sem nem chegar perto do clichê ou de ‘favas contadas’.

Para vocês terem uma ideia da diferença que isso faz, é só prestar atenção aos livros do Harry Potter…

Deus, lá vem ela de novo com HP…”

Sério! Não estou comparando, ok? Mas essa linha de raciocínio leva ao que falei na resenha de JV a respeito de treinar sua leitura. Perceber as diferenças entre um autor que adiciona detalhes que se encaixam com o que aconteceu, e autores que deixam o gancho para um detalhe que só vai aparecer lá na frente. Não estou dizendo que um é certo e outro é errado, não!! Tudo depende da qualidade do autor… Às vezes um autor medíocre pode sair ‘inflando’ a estória de coisinhas de tal maneira que você vai pensar: “Oi?, vocês está tirando tudo isso da cartola, querido?” ou então deixar tantas indicações do que vai acontecer que a gente fica tipo “Não me diga.”

Mais uma vez, isso vai da qualidade do autor (uma mistura de talento e comprometimento) e é bacana nós percebermos isso durante a leitura, nos torna críticos conscientes. Leitores de verdade.

Assim como quem ficou tenso com o final de JV (in other words: TODO MUNDO) eu não sabia o que Collins pretendia, já que Katniss havia saído viva da Arena. Por um lado, tinha uma pálida ideia de que a coisa seria bem mais voltada para a política, afinal Peeta sobreviveu também. Afinal, dificilmente a Capital deixaria aquilo barato. Por outro, sabia que haveria ainda um terceiro livro, o que tornaria ainda mais delicado o equilíbrio de uma estória que nos prendesse tanto quanto sua predecessora.

Aí que entra a grande sacada. O Presidente Snow deixou muy claro que a culpa de qualquer insurgência contra a Capital é de Katniss, já que foi ela quem ofereceu as amoras venenosas à Peeta. Foi ela a Eva do paraíso de Panem.

Falando em Eva, um pequeno adendo: onde está a religião em Jogos Vorazes? Katniss fala ‘Deus’ algumas vezes mas, naquele futuro, a religião (qualquer que seja) não tem voz nem vulto. Bem, é só somar dois mais dois para perceber o que Collins quis dizer com isso.

Retomando: o Presidente Snow manda Kat se virar para convencer Panem de que o que foi feito foi por amor, não rebeldia. Ou seja, ela e Peeta vão ser para sempre o casal mais apaixonado do país. Casar e tudo o mais. Ou então a Capital vai matar todos aqueles que a garota ama, a começar por seu amigo Gale.

Não funciona. Um país à beira de um colapso não precisava de muito mais que uma fagulha para pegar fogo de vez, e a fagulha já tinha se espalhado com aquelas amoras. Os Distritos já se saturaram.

É ai que Katniss revolve jogar tudo pro alto e lutar contra a Capital, ela pretende comandar um levante.

Prevendo algo do tipo, Snow se adianta.

“Você subestima meu poder.”

Como dá pra notar pela sinopse, Kat é forçada a lutar novamente. Num golpe muito astuto, o Presidente Snow decreta que – No aniversário de setenta e cinco anos, para que os rebeldes não se esqueçam de que até mesmo o mais forte dentre eles não pode superar o poder da Capital, o tributo masculino e o tributo feminino serão coletados a partir do rol de vitoriosos vivos.

Ou seja, em comemoração a 75ª edição dos Jogos, Katniss, a única vitoriosa viva do distrito 12 será obrigada a voltar para a arena. Viver tudo aquilo de novo. Com Peeta.

OMG

Do hit: É verdade, por que Katniss?! POR QUE VOCÊ É TRAUMATIZADA?!!

Well, apesar de adorar o que Collins fez, não consegui deixar de reparar na coisa que, muito provavelmente, foi o motivo por Em Chamas ser meu livro menos querido da trilogia: ele parece uma ponte entre o primeiro e o terceiro.

Tirando as tensões óbvias da trama, Em Chamas parece que está o tempo todo nos preparando para o que vem em seguida, não para o que está acontecendo ali, naquele momento. Entendem?

Estou me preparando emocionalmente para reler A Esperança, espero trazer uma impressão clara para vocês logo, logo.

Bom fds

xoxo

P.S.: Caso você esteja se perguntando por que eu não disse nada a respeito do triangulo amoroso Kat – Peeta – Gale… é porque para mim sempre foi claro que a Katniss nunca esteve apaixonada por Gale. Ela só estava puta da vida por ser obrigada a casar com Peeta (por quem ela obviamente estava apaixonada, do jeito dela) e só enxergava Gale como a outra opção. Um jeito de não fazer o que  estavam mandando.

Don’t Cover Your Eyes! – A Melhor Capa de 2011

Hey, pretties! Hoje escolhi dezoito capas de livros lançados ano passado (e dai que já estamos em Março? O Oscar acabou de acontecer também…) são capas que me cativaram, me fizeram babar ou simplesmente me derem ainda mais vontade de ter o livro representado.

Agora quero saber qual delas vocês mais curtem. Para isso é só deixar um comentário no final do post com o nome do livro.

Só isso?

É só isso??

Não.

Os comentaristas vão, automaticamente, concorrer a um kit do livro Um Mundo Brilhante (Novo Conceito, 2012)!!

Well, vamos às concorrentes:

E esse aqui é o kit Um Mundo Brilhante, da autora norte-americana T. Greenwood.

Quando o professor Ben Bailey sai de casa para pegar o jornal e apreciar a primeira neve do ano, ele encontra um jovem caído e testemunha os últimos instantes de sua vida. Ao conhecer a irmã do rapaz, Ben se convence de que ele foi vítima de um crime de ódio e se propõe a ajudá-la a provar que se tratou de um assassinato. Sem perceber, Ben inicia uma jornada que o leva a descobrir quem realmente é, e o que deseja da vida. Seu futuro, cuidadosamente traçado, torna-se incerto, pois ele passa a questionar tudo à sua volta, desde o emprego como professor de História, até o relacionamento com sua noiva. Quando a conheceu, Ben tinha ficado impressionado com seu otimismo e sua autoconfiança. Com o tempo, porém, ela apenas reforçava nele a sensação de solidão que o fazia relembrar sua infância problemática. Essa procura pelas respostas o deixará dividido entre a responsabilidade e a felicidade, entre seu futuro há muito planejado e as escolhas que podem libertá-lo da delicada teia de mentiras que ele construiu. Esta, enfim, é uma história fascinante sobre o que devemos às pessoas, o que devemos a nós mesmos e o preço das decisões que tomamos.

Bacana, não? Bem, não vou considerar capas estrangeiras, porque até para escolher apenas dezoito já foi um drama, imaginem com ainda mais opções!

Mas e ai, gostaram da ideia? Veio da fofa leitora Valentina, vamos todos fazer um coro “Valeu Val!

Então escolham, votem, cruzem os dedos e fiquem acordados, os comentários (um por pessoa) devem ser enviados até dia 20/04.

 Promoção Encerrada

Jogos Vorazes – Suzanne Collins

  •    Autor: Suzanne Collins
  •    Editora: Rocco
  •    Nº de Páginas: 397
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2010
  •    Título Original: Hunger Games
  •    Tradutor: Alexandre D’Elia
  •    Avaliação: 10,0
Katniss escuta os tiros de canhão enquanto raspa o sangue do garoto do distrito 9. Na abertura dos Jogos Vorazes, a organização não recolhe os corpos dos combatentes caídos e dá tiros de canhão até o final. Cada tiro, um morto. Onze tiros no primeiro dia. Treze jovens restaram, entre eles, Katniss. Para quem os tiros de canhão serão no dia seguinte?…
Após o fim da América do Norte, uma nova nação chamada Panem surge. Formada por doze distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital. Uma das formas com que demonstram seu poder sobre o resto do carente país é com Jogos Vorazes, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de doze a dezoito anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte!
Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Peeta, um garoto que ajudou sua família no passado, também foi selecionado. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos Jogos Vorazes?
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Eu sei o que vocês estão pensando “Agora, Desi? Depois que todo mundo já cansou de ouvir falar disso, agora que você me aparece com uma resenha?”.

Pois é, agora.

Acontece que essa não é uma resenha simples. Acontece que eu já tinha lido Hunger Games lá atrás, antes de ser lançado aqui. Acontece que ontem resolvi explicar pra minha mãe, detalhadamente, tudo o que se passa no livro. Acontece que não aguentei e li HG de novo de novo em 4 horas.

Mas de uma maneira diferente.

O bom de ler um livro outra vez é que você percebe coisas que não tinha visto antes, coisas ocultas pelo furor da narrativa e pela sua vontade de saber logo o que ia acontecer.  Melhor ainda é quando você rele um livro buscando as coisas ocultas nele. Como? Vamos manter em mente que aquilo foi escrito por uma pessoa Sério mesmo?! , vai admite, às vezes você esquece isso! É normal, e geralmente é sinal de que o autor é muito bom! O outro caso é que você pode ser um leitor destreinado…

Sim, a leitura é uma habilidade aprimorável. \o/

Tem até uns livros pra te ensinar a ler ‘corretamente’, o que eu sinceramente acho chatérrimo e desmotivacional. Enfim, o que quero dizer é que, com prática, você vai ser capaz de captar a obra por inteiro. O que está acontecendo, o que o autor quis com aquilo e por que.

Em Jogos Vorazes, nada é por acaso. Collins conseguiu equilibrar violência, solidariedade, desprezo e afeto num mesmo prato, de forma hipnotizante. Ela soube exatamente onde colocar cada acontecimento, fala e linha de raciocínio de forma que o texto mantivesse o leitor acordado a noite inteira lendo, sem cansar.

É frenético! É perfeito!

Ufa.

Ok, dá pra perceber tudo isso pelos pensamentos de Katniss. Hunger Games é narrado em 1ª pessoa, logo, você está na cabeça da garota. E ela é blindada.

Quero dizer, Katniss é capaz de morrer pelas pessoas que ama (prova disso foi ela se voluntariar no lugar da irmã), mas é incapaz de abrir seu coração e permitir que os outros a amem. Ela não se vê como uma pessoa, ela é simplesmente a provedora da família, aquela que mantém mãe e irmã vivas e que só se permite relaxar num ambiente hostil com uma arma letal na mão, a Floresta da Costura.

Acho incrível o quanto ela se importa com os outros e ainda assim consegue ser tão emocionalmente distante de tudo. Acho incrível como Collins conseguiu trabalhar isso, essa frieza, e nos dar uma personagem adorável.

Tenho vontade de afogar no poço da Samara as pessoas que ficam dizendo ‘Ah, mas nem é tão brutal assim a vida dela e Arena, a Katniss exagera, pra que ficar tão traumatizada assim?’

BITCH, PLEASE.

Eles estão obrigando crianças a matar outras crianças (não, você não é adulto, aborrecente). Crianças desesperadas, que não comem direito nunca e que muitas vezes são obrigadas a tomar conta da casa porque os pais morreram ganhando uma miséria da Capital. Ah sim, não vou me esquecer da Capital. Imagine saber que todo esse perrengue que você, criança faminta e desesperada, está passando é para que um punhado de almofadinhas possa esbanjar seus privilégios por ai, sem restrições. Imagine que você seja lembrado todos os dias, na escola, no trabalho, nos noticiários que você merece passar por aquilo e que é uma honra, uma fucking honra! ser sorteado como tributo. Saber que a sua morte é um show, pensado exclusivamente para entreter os tais almofadinhas e oprimir ainda mais o povo dos Distritos.

Deve ser realmente um passeio no parque caçar um garotinha de 12 anos e destripá-la porque essa é a única maneira de você poder voltar para casa. Ah, e claro, saber que está sendo caçado por outro cara, tão desesperado quanto você, porque essa é a única maneira de ele poder voltar pra casa… ao menos você tem uma chance, e os que não tem?

É verdade, por que Katniss?! POR QUE VOCÊ É TRAUMATIZADA?!!

Well, Jogos Vorazes se passa num futuro distópico sim, mas o que eu quero saber, e acredito piamente ser a grande sacada da Collins, é o quão perto estamos de nos tornar a Capital? Quanto valor damos ao que temos? Até onde os absurdos da mera estória, estão distantes dos comportamentos por ai? E sabendo disso, o que você pretende fazer?

A Arena vai mudar a todos.

Que a sorte esteja sempre a seu favor.

Insonia is coming #1

Aqui estão algumas novidades que com certeza vão me garantir mais e mais madrugadas acordada 😀

Vamos começar pelo novo trailer da segunda temporada de Game of Thrones, a série da HBO baseada (MUITO BEM BASEADA) nos livros de George R. R. Martin, As Crônicas de Gelo e Fogo. A primeira temporada, lançada ano passado, começou meio desacreditada… só começou, porque ao fim dos 10 episódios já havia se tornado um xuxesso! Confiram:

Assim que sair um legendado, atualizo!

A dia de lançamento é 1º de Abril, sim, e desde já aviso que se isso for uma ‘brincadeirinha’ por causa da data, as coisas vão ficar ficar feias… I do not have a gentle heart. Como diria Dany.

Agora, na literatura!

Ninguém sabe por que o toque de Juliette é letal, mas o Restabelecimento tem planos para ela. Planos para usá-la como arma.

Mas Juliette tem seus planos.

Após uma vida inteira sem liberdade, ela descobriu uma força para lutar contra todos pela primeira vez — e para obter um futuro com o único garoto que ela pensou que fosse perder para sempre.

Estilhaça-me é um lançamento Novo Conceito, da autora Norte-Americana Tahereh Mafi.

Depois de Sabriel, o autor Garth Nix apresenta aos jovens leitores Lirael. Neste volume, segundo da série O Reino Antigo, ambientada numa terra dividida entre a modernidade e as tradições mágicas por um enorme muro, um antigo mal começa a se espalhar e Lirael, então, é enviada em uma jornada cheia de perigos, tendo como única companhia um cão muito especial.

Lembra do Sabriel? Então, finalmente a Rocco colocou Lírael, de Garth Nix, a venda. Posso ouvir um aleluia?!

Nos primeiros dias da Guerra Civil, rumores de ouro na região congelada do Klondike levaram hordas de recém-chegados ao Noroeste do Pacífico. Ansiosos para entrarem na competição, mineradores russos comissionaram o inventor Leviticus Blue para criar uma grande máquina que pudesse minerar através do gelo do Alasca. Assim nasceu a Incrível Máquina Perfuratriz Boneshaker do Dr. Blue. Mas em seu primeiro teste, a Boneshaker perdeu terrivelmente o controle, destruindo vários quarteirões do centro de Seattle e liberando um veio de gás venenoso subterrâneo que transformava qualquer um que o respirasse num morto-vivo. Agora dezesseis anos se passaram, e uma muralha foi construída para cercar a cidade tóxica e devastada. Logo além dela mora a viúva de Blue, Briar Wilkes. A vida é difícil com a reputação arruinada e um adolescente para criar, mas ela e Ezekiel vão levando. Até que Ezekiel decide efetuar uma cruzada secreta para reescrever a história. Sua jornada irá levá-lo por baixo da muralha, para dentro de uma cidade infestada de mortos-vivos famintos, piratas aéreos, mestres do crime e refugiados fortemente armados. E apenas Briar poderá tirá-lo de lá com vida.

Bitch, please. É steampunk com zumbis! Dá pra ficar melhor?! Obrigada Underworld e Cherie Priest!

“Irei viajar até o coração negro de um Império corrupto para arrancar o mal pela raiz. Mas se Roma não foi construída em apenas um dia, também não será restaurada por um assassino solitário. Eu sou Ezio Auditore de Florença e essa é a minha Irmandade”. A aguardada continuação de “Assassins Creed”, o livro baseado no game de sucesso. Com mais de 60.000 exemplares vendidos no país, foi um dos 20 livros de ficção mais vendidos no país, em 2011 segunda a VEJA. No segundo volume da saga, o outrora poderoso Império Romano está diante do colapso e da ruína. Seus cidadãos vivem à sombra da impiedosa família Borgia. Para enfrentar inimigos tão poderosos, Ezio precisará contar, mais do que nunca, com o Credo dos Assassinos.

Ezio, me abraça forte! Façam um favor a vocês mesmos, joguem os jogos! São muito bons.

E finalmente,

o mais aguardado,

aquele que vai me fazer cortar a fila de idosos e gestantes,

praticar le parkour nas estantes,

vender parentes distantes ounão no mercado livre,

ele.

oh my, oh my!

Delirium!

Muito tempo atrás, não se sabia que o amor é a pior de todas as doenças. Uma vez instalado na corrente sanguínea, não há como contê-lo. Agora a realidade é outra. A ciência já é capaz de erradicá-lo, e o governo obriga que todos os cidadãos sejam curados ao completar dezoito anos. Lena Haloway está entre os jovens que esperam ansiosamente esse dia. Viver sem a doença é viver sem dor: sem arrebatamento, sem euforia, com tranquilidade e segurança. Depois de curada, ela será encaminhada pelo governo para uma faculdade e um marido lhe será designado. Ela nunca mais precisará se preocupar com o passado que assombra sua família. Lena tem plena confiança de que as imposições das autoridades, como a intervenção cirúrgica, o toque de recolher e as patrulhas-surpresa pela cidade, existem para proteger as pessoas. Faltando apenas algumas semanas para o tratamento, porém, o impensado acontece: Lena se apaixona. Os sintomas são bastante conhecidos, não há como se enganar — mas, depois de experimentá-los, ela ainda escolheria a cura?

Vale lembrar que estou descontrolada assim porque, além da sinopse altamente recomendável, a autora é mara! Lauren Oliver escreveu Antes Que eu Vá, um livro que merece um bis na leitura e uma resenha só pra vocês, seus lindos!

E por último, um lembrete:

DIA 23 ESTÁ CHEGANDO! MAY THE ODDS BE IN YOUR FAVOR!

Enquanto você lê esse post eu estou indo lá garantir meu ingresso! Comapoeira

Mal vejo a hora de curtir tudo isso!

P.S.: Se assim como eu você pensou OMG! para a música do trailer, lá vai:

xoxo e boa semana

A Filha do Pastor das Árvores – Gillian Summers

Não é uma das capas mais bonitas do ano?

Não é uma das capas mais bonitas do ano?

  •    Autor: Gillian Summers
  •    Editora: Bertrand Brasil
  •    Nº de Páginas: 280
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2012
  •    Título Original: The Tree Shepherd’s    Daughter
  •    Tradutor: Flávia Carneiro Anderson
  •    Avaliação: 6,0
Com a morte da mãe, Keelie Heartwood, uma jovem de apenas quinze anos, é forçada a deixar sua adorada Califórnia para viver com o pai nômade no Festival da Renascença de Montanha Alta, no Colorado. Lá, coisas estranhas começam a acontecer – estranhas mas familiares. Keelie percebe que algumas pessoas do festival têm orelhas pontudas, incluindo o cavaleiro mais bonito do lugar, Lorde Sean do Bosque. Quando ela começa a ver seres estranhos e a se comunicar com árvores, descobre que existe um segredo a seu respeito e percebe que seu pai lhe deve explicações.

Faz tempo que queria esse livro. Desde que a editora anunciou seu lançamento (ano passado) que estou pipocando pelas lojas virtuais monitorando tudo. É, sou meio stalker quando fico sabendo de algum lançamento bacana. Ok, meio stalker é bondade minha. Fico obcecada prontofalei. Precisavam ver como foi quando anunciaram Cidade dos Ossos (Instrumentos Mortais – Cassandra Clare, 2010), na época eu não tinha twitter, então checava todos os dias, pelo menos duas vezes, todos os sites que provavelmente o venderiam primeiro, sem falar no sistema da livraria onde trabalhava… Enfim, no caso do livro da Cassandra, minhas expectativas piradonas foram muito bem recompensadas. No livro da Gillian, não.

Tudo porque ele é de uma imobilidade angustiante. Sabe o começo das estórias, quando os personagens principais são apresentados, o cenário é definido e você tem um tempo para se acostumar com tudo aquilo? Well, eu estava lá, serelepe e despreocupada, aproveitando essa introdução quando me dei conta de uma coisa: eu já estava na metade do livro.

Em A Filha do Pastor das Árvores demorei muito para sacar qual era a da Keelie, isso devido aos pensamentos (o livro é narrado em 3ª pessoa, mas focado unicamente no ponto de vista dela) da garota não condizerem com as suas atitudes. E de um jeito meio repetitivo. Do tipo “Por que você fez isso, Keelie, se até meia página atrás você estava pensando justamente o contrário?” Isso meio que arruína uma boa relação leitor-personagem, porque não dá pra se identificar com um personagem que você não conhece. A não ser que seja um imprevisível, dos tipos que circulam os livros de George R. R. Martin ou Licia Troisi. Mas ai já é outro caso…

Well, as coisas começaram a esquentar lá pela página 199, quando o Barrete Vermelho, um duende poderoso e maligno, mostra a que veio e a quantidade de caos que consegue causar. Keelie também acaba tento uma noção de que talvez seu dom de sentir as árvores e seus espíritos não seja uma total perda de tempo.

Como não pode faltar, o livro tem a antagonista secundaria, Elia. A moça é tão infantil e irritante que me dava vontade de tirar a Keelie do caminho e eu mesma ensinar uma ou duas coisas a sobre educação pra ela, sem ser educada!

Segura o meu Poodle, SEGURA O MEU POODLE!

Por outro lado o pai dela, um elfo sinistro, é alguém para se prestar atenção. Nesse livro, Elianard não deu muito as caras, mas algo me diz que ele terá um papel bem maior no futuro. Falando em adultos, a despeito dos adolescentes infantis e artificiais, os personagens adultos que guiam Keelie através de sua nova vida são ótimos. Coloco nessa categoria Knot, o gato. Dificilmente um gato vai ser menos que carismático nas estórias, só que Knot extrapola! Rilitros com as coisas absurdas degato que  ele aprontava pela feira, uma mistura do Lúcifer, da Cinderella com:

Por fim, vale dizer, ainda estou empolgada com a continuação. Sério. E acredito que o livro receberia uma nota bem maior se fosse maior e com mais páginas para Scott. Um cara que, na minha humilde opinião, tem bem mais a ver com Keelie do que o Lorde Sean ‘Engomadinho’ do Bosque. Elia que fique com o infeliz se quiser, merecemos um mocinho com personalidade!

Parabéns à Bertrand pelo trabalho gráfico, tradução e principalmente pela capa. É tão linda, toda emborrachada, que dá de 10 na original!

Status final: Entre na floresta, mas sem pressa.

A Série O Povo das Árvores

xoxo

P.S.: A Gillian Summers, na verdade, é criação de Berta Platas e Michelle Roper, duas escritoras americanas.