Mortal Engines – Philip Reeve

Pena que não é Hard Cover

  •  Autor: Philip Reeve
  •    Editora: Novo Século
  •    Nº de Páginas: 280
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2011
  •    Título Original: Mortal Engines
  •    Tradutor: Eduardo Barcelona Alves
  •    Avaliação: 8,5
Mortal Engines é uma obra literária distópica, passada em um mundo pós-apocalíptico cujos recursos naturais eram cada vez mais rarefeitos e no qual a maior parte das conquistas tecnológico-científicas da humanidade se perdera após a já distante “Guerra de 60 Minutos”. Nesta realidade não mais existe o Estado Nacional e cidades inteiras acabaram sendo transformadas em veículos – as Cidades-Tração – que ainda exploram os recursos naturais continentais e consomem-se umas às outras sempre que tem a oportunidade, muito embora o planeta já tenha estabilizado seus ciclos e esta solução, agora, mais prejudique leve em direção à alguma solução. Na obra, um grupo denominado a Liga Anti-Tração, trabalha para parar as cidades, acabando com o consumo excessivo de recurso por parte das Cidades Estado e com o “Darwinismo Municipal”, conceito que deu origem às metrópoles em movimento. O romance apresenta Londres como a principal Cidade-Tração, uma sociedade dividida numerosas Guildas, das quais as mais importantes são a dos Engenheiros, dos Historiadores, dos Navegadores e dos Mercadores.

Não importou nada o quanto enrolei e enrolei. A leitura de Mortal Engines simplesmente acabou rápido demais! Foi tudo tão despretensioso e intenso que me deixou a mesma sensação que tive quando terminei o primeiro Harry Potter, ou o primeiro Artemis Fowl: ai sim, temos clássico novamente.

Certo cara blogueira, e quem é você mesmo, pra dizer o que é um clássico ou que deixa de ser?

Eu sou uma leitora empolgada, como você, meu caro chato.

O que diferencia a obra de Philip Reeve é a convicção dele em narrar o seu mundo, nosso mundo, daqui a milhares de anos. Podem falar que eu piro na batatinha de vez em quando, mas Mortal Engines me lembrou muito os livros do Júlio Verne. Por mais fantasioso e onírico que o cenário seja, ambos gastaram MUITA massa cinzenta para nos trazer a melhor visão possível daquilo que imaginaram. Nesse ponto: flawless.

A Londres de Philip Reeves continua grande, enorme, mas agora está motorizada. Milhares de anos se passaram (milhares mesmo, pois artefatos do século XXVIII são coisas de museu de história natural) e ela domina o Campo de Caça europeu. Depois que a Guerra dos 60 Minutos devastou a sociedade como conhecemos , a tecnologia digital foi extinta e os sobreviventes tiveram que aprender a se virar apenas com o vapor, como no século XIX.

Sim, temos um Steampunk.

Quem, inicialmente, acompanhamos ao longo da história é Tom Natsworthy, um aprendiz da Guilda dos Historiadores que tenta ganhar algum destaque, apesar de ser órfão e sem recursos. Porém, ele tem sua grande chance quando se encontra com o herói da cidade e o totalmente idolatrado ídolo, Thaddeus Valentine, um historiador e explorador, que viaja pelo mundo buscando old tech (tecnologia extinta) . No encontro entre o aprendiz e o herói, três coisas acontecem: Tom conhece Katherine, a bela e doce filha de Valentine; evita que o historiador seja assassinado por uma mulher louca…

Que se chamava Hester Shawn

… e descobre que não poderia saber da existência dela. Então, momentos antes Tom estava assim:

e logo depois:

Tudo porque Thaddeus Valentine, seu ídolo maior, o jogara para fora de Londres, para a morte certa. No maior e total estilo Jaime Lannister, no hit The Things I Do For  Love.

Obviamente Tom não morreu. Nem Hester Shawn, que havia se jogado um pouco antes. E, apesar de ainda acreditar que o Darwnismo Municipal era a melhor coisa desde o chocolate, o aprendiz de historiador quer que Valentine pague. E nesse ponto que ele e Hester se juntam. Ela, a verdadeira casca-grossa, caça Valentine a anos. O homem matou sua família e arruinou seu rosto deixando-a indefesa quando era só uma garotinha.

Enquanto isso, em Londres, Katherine não acreditou quando seu pai disse que estava tudo bem e que não havia nada com o que se preocupar. Depois de anos de inteira confiança e companheirismo, ele estava claramente mentindo para ela. Tudo o que sua filha queria era ajudar, mas acabou descobrindo alguns esqueletos escondidos no armário de própria casa…

oh my...

Ela alicia Bevis Pod, um aprendiz da Guilda dos Engenheiros que viu Valentine “matando” Tom, e, sem saber, os quatro jovens trabalham juntos pelo mesmo motivo: impedir o que quer que Valentine esteja planejando para Londres.

Antes que me perguntem, comumente com uma faca em mãos, o por quê da nota, se o livro é tão maravilhoso e blá, blá, blá. Senti que faltou páginas na relação do Tom e da Hester, do desprezo mortal eles passaram a amigos para sempre TÃO rápido que eu sinceramente nem vi. Sem contar que é um livro absurdamente pequeno para uma história tão complexa.

Leiam, releiam e deem de presente. Daqui a uns 20, 30 anos poderemos dizer que lemos/temos a primeira edição brasileira de Mortal Engines com o mesmo orgulho que usaremos para nos referir a Potter.

xo e boa semana!

P.S.: Eu sei que você riu do primeiro Meme!

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9 comentários sobre “Mortal Engines – Philip Reeve

  1. Pedro_Almada disse:

    É claro que eu, com todo meu esforço, não poderia elaborar uma resenha sobre Mortal Engines tão extraordinária quanto essa, por isso recolho-me à minha insignificância, dizendo apenas que essa resenha ficou uma falta de educação, de tão bem elaborada.

    Eu só estranhei uma coisa na história. Não importa o que digam, ela tem um ar indiscutível de steampunk, mas levando em consideração a definição técnica, fica confuso usar o tempo. Porque uma das definições do steampunk é o fato das histórias de ficção se passarem na Era Vitoriana. Mas eu achei uma das melhores histórias que já li até hoje. Só lamento o fato de Philip Reeve ter colhido um tema tão mirabolante das suas ideias e transformado num livrinho de meras 270 páginas. Ele poderia ter feito muito mais com o que tinha em mãos.

    A resenha ficou show, Desirée, isso não tem o que discutir. Eu vou postar a minha resenha sobre Mortal Engines amanhã, mas seria como ler Crepúsculo depois de ter lido Nosferatu, então… uaheuauhuhuhaeuhe

    ótimo post, sem mais^^

    bjão!

    http://inspirados-oandarilhodotempo.blogspot.com/

    • AndhromedaG disse:

      Então, eles são super diferentes, em termos e de estória, mas são despretensiosos e fáceis de ler, de gostar. Acho isso muito importante nos livros: o autor se concentrar mais na estória e não em rebuscar a escrita a ponto de só ele entender!

  2. Omar disse:

    Os clássicos foram a minha base, Julio Verne, é praticamente um velho conhecido meu. Saber que outros autores estão resgatando a ficção clássica, a seu próprio modo, é excepcional!

    Resenha maravilhosa!

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