Na Companhia da Cortesã – Sarah Dunant

  •   Autor: Sarah Dunant
  •   Editora: Record
  •   Nº de Páginas: 389
  •   Edição: 1
  •   Ano: 2008
  •   Título Original:In the Company of the Courtesan
  •   Tradutor: Ana Luiza Dantas Borges
  •   Avaliação: 9,5!!

No ano de 1527, Roma sofre um de seus mais terríveis ataques, quando soldados do imperador Carlos V avançam sobre as muralhas da cidade, pilhando tudo o que encontram pela frente. Em meio ao caos, a cortesã Fiammetta Bianchini e seu cafetão e parceiro, o anão Bucino Teodoldi, fogem para Veneza. Com muita coragem e astúcia, os dois se infiltram na sociedade local, desfrutando a luxúria e o pecado que desfilam nos palácios suntuosos. Fiammetta, atraindo e satisfazendo os homens, começa a acumular uma pequena fortuna. Entretanto, uma jovem misteriosa pode colocar em risco a riqueza da cortesã

Enquanto você lê essa resenha estou indo na Madre Superiora Wikipedia descobrir mais sobre o pintor Ticiano, o escritor Arentino e o figurino da moda em 1530.

Quem se imaginaria lendo uma história contada por um anão ranzinza, cafetão de uma famosa cortesã, na Veneza da Renascença? E ainda por cima enrolar, deliberadamente, a leitura para aproveitar melhor cada página? Não sei vocês, mas eu não imaginava.

Já disse que amo ser surpreendida?

Comecei ‘Na companhia da Cortesã’ sem grandes expectativas, pois, mesmo amando romances históricos, sempre tive em mente que eles são isso, livros escritos por não-historiadores com uma atmosfera do passado. Acontece que esse é um romance tão rico em detalhes, pesquisa e esmero que se torna um complemento para outros livros não-ficção da vida privada renascentista.

Tenho lido muitos YAs ultimamente e às vezes me esqueço do poder que uma estória escrita não sobre acontecimentos, mas sobre personagens, tem. Well, depois dessa não me esqueço jamais! Na verdade estou quase me enroscando num canto com uma pilha de todos os livros desse tipo que tenho, lidos ou não.

Amei a precisão dos diálogos de Bucino (le anão) com os outros e com ele mesmo. Fiammetta (la cortesã) é o retrato da sedução feminina e me lembra Fernando Pessoa dizendo:

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

No seu eterno jogo de simulação ela pode ir da mais arguta perspicácia direto para a vaidade infantil. Há também La Draga, uma mulher que apesar de suas deformidades vai te tragar em seu mistério.

Outra coisa que me chamou atenção foi a forma como a amizade é representada. Bucino e Fiammetta são sócios, mas acima de tudo são amigos. Quando li, tive a impressão de que, enquanto estivessem apoiando um ao outro, o caldo nunca entornaria.

Apesar de tudo o que tem de passar.

Assim que Roma cai, Fiammetta perde seus preciosos cabelos e praticamente todo o dinheiro para os luteranos, os dois tem a opção de separarem-se e para assim conseguir sobreviver, mas ficam juntos. Vão para Veneza, lugar que Bucino detesta, e tem que começar praticamente do zero, enfrentando os vizinhos fofoqueiros e até a empregada da casa (herança da mãe de Fiammetta).

Pelos olhos ‘baixos’ de Bucino, eu passeei pelas gondolas luxuriantes, os canais malcheirosos, as igrejas das cortesãs e me apaixonei por cada lugar. Cada palavra é tão bem pensada para te envolver quanto cada dobra das vestes de Fiammetta é ajeitada para seduzir. Eu nunca mais vou ter a mesma ideia sobre cortesãs, cafetões e bruxas, não depois de ter entrado tão fundo na vida deles.

Não é maravilhoso?

Se você achar que não tem paciência para um livro tão não-sobrenatural assim, te digo ‘Jovem padawan, onde menos se espera, a satisfação está’.

Ah, você diz que detesta esse lixo todo e que história só serve pra te deixar de recuperação no colégio? Tudo bem cara, tudo bem. Cada um tem um gosto, né?

Né?

Well, Sarah Dunant misturou personagens históricos com fictícios e outros não tão fictícios assim e, fazendo uma coisa incrível, conduziu a história praticamente no mesmo ritmo sem deixar a peteca cair! Cara, ela ganhou uma fã de carteirinha! Vou até mudar os livros dela pro lado da Philippa Gregory aqui na estante…

Não preciso dizer que esse é um livro mais que recomendado, heim?

P.S.: Não, aborrecentes, esse livro não tem putaria. Só expressões de baixo calão. xD

xo

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15 comentários sobre “Na Companhia da Cortesã – Sarah Dunant

  1. Juh disse:

    Ri alto com o ‘né?’ ushaushaushauhsauhs

    Poxa, coloca os links das lojas eletronicas onde a gente encontra esses livros maravilhosos?
    Por falar nisso, vc é a minha nova guru literária!

    besos

  2. Agatha Borboleta (@AgathaBorboleta) disse:

    Quando eu li ‘Avaliação: 9,5!!’ eu já parei a leitura e abri o site do submarino deixei ele carregando e voltei p a leitura. Pq p vc dar essa nota, independente do q se trava o livro ele merece ser lido!!!!
    Eu gosto de romances históricos, acho muiiito interessante ver a sociedade de outras épocas e tal… Fora a capa que é linda *.*
    Não sei citar mas adoro Fernando Pessoa *.*
    ‘vc é a minha nova guru literária!’ +2 é por isso q tenho a Tag no skoob ‘Indicado da Andhy’
    bjinhos!

  3. Carol disse:

    eu amo históricos!
    “Cada palavra é tão bem pensada para te envolver quanto cada dobra das vestes de Fiammetta é ajeitada para seduzir.”
    Uau, me ganhou ai!

    bjao

  4. Omar disse:

    Imagino que para você citar Pessoa deva ser mesmo incrível, mas também estou imaginando por que foi 9,5 e não 10,0
    Estou curioso pra saber o que te faria dar 10,0!!

    Obrigado pela dica valiosa

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