O Ceifador – Neal Shusterman

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  •    Autor: Neal Shusterman 
  •    Editora: Seguinte
  •    Nº de Páginas: 448
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: Scythe
  •    Tradutor: Guilherme Miranda
  •    Avaliação: 9,0

Primeiro mandamento: matarás.
A humanidade venceu todas as barreiras: fome, doenças, guerras, miséria… Até mesmo a morte. Agora os ceifadores são os únicos que podem pôr fim a uma vida, impedindo que o crescimento populacional vá além do limite e a Terra deixe de comportar a população por toda a eternidade. Citra e Rowan são adolescentes escolhidos como aprendizes de ceifador – papel que nenhum dos dois quer desempenhar. Para receberem o anel e o manto da Ceifa, os adolescentes precisam dominar a arte da coleta, ou seja, precisam aprender a matar. Porém, se falharem em sua missão ou se a cumplicidade no treinamento se tornar algo mais, podem colocar a própria vida em risco.

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História original, sem pressa = favorito?

Não é sempre que vemos uma ideia realmente inovadora no mundo YA, ainda mais entre distopias (aka a ultima moda), mas se levarmos em conta todos os momentos filosóficos, e não necessariamente cheios de ação e sangue e tripas, O Ceifador tem tudo para se tornar um novo clássico.

Sim, quando eu vi a sinopse desse livro pela primeira vez tinha certeza que seria aquela leitura leve, cheia de mortes, muito sangue e uma descrição saudável de gritos e pânico. E ok, nós temos gritos e sangue e muito pânico, mas esse livro é bem mais que isso.

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Shusterman aproveita a deixa para fazer qualquer um pensar bastante sobre a própria mortalidade e o que significaria não morrer nunca. Fiquei tão encucada com a história que sai comentando com todos (imaginem a família de não-leitores tendo que responder o que eles fariam se em 2042 fosse descoberta a cura para a morte EEEE uma forma de restaurar os corpos) e debatendo internamente se a sociedade estaria melhor não governando a si mesma.

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Por falar nisso, outro aspecto marcante é a evolução da tecnologia para um ser independente, capaz de calcular precisamente estatísticas, tomar decisões eficientes para o bem geral e ao mesmo tempo reconhecer cada serumaninho com empatia. A Nuvem é a nova mãe da humanidade, e ninguém liga que ela seja um computador. Quando a tecnologia evoluiu sozinha e ultrapassou a barreira da criação humana ela também derrubou governos e recuperou os estragos que fizemos na natureza, declarando que nós não éramos capazes de cuidar de nós mesmos. E eu meio que concordo.

Porque essa Nuvem não é o comandante autoritário e frio que esperamos ver por aqui. Muito pelo contrário, ela criou uma utopia, onde todos tem empregos e educação, ninguém passa fome e classes sociais são coisas do passado (mas não no estilo comunista/deprê). Ela tornou o mundo um lugar verde novamente, aplicando as medidas que ninguém tinha coragem de tomar pra não perder dinheiro, e observa seus súditos(?) de perto para garantir que nenhum crime aconteça. E o mais legal, na minha opinião, é que com inteligencia e base de dados infinitas ela compartilha TUDO com os humanos, sem essa de manter a população ignorante.

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Porém, apesar da Nuvem ser praticamente onipresente, tem um aspecto da humanidade que ela deixou para que a gente resolvesse sozinho. O controle demográfico. Ou Colheita. Ou morte como meio de vida.

Imagine que você possa se jogar na frente de um trem e não morrer. Tudo bem, você vai virar purê, mas agora temos a tecnologia capaz de salvar uma pessoa até de decapitação! E com todo mundo vivendo 200 anos com corpinho de 20 nada mais natural que um MONTE de bebês, né? Para não deixar a superpolulação virar um problema a Nuvem criou a Ceifa, e lhe deu total autonomia. Tanto que um Ceifador não pode nem acessar o banco de dados da Nuvem como qualquer um, para não correr o risco de influenciar seu trabalho.

Daí eu penso, como num mundo todo perfeitinho assim teríamos uma história? Porque, meu bom povo, tem sempre aquela pessoa que quer ser o dono da p#R$@ toda e não medirá esforços. E é aí que Citra e Rowan caem de paraquedas. Não numa Ceifa organizada e unida, mas no meio de um caos político e muuuuuito sangrento. O desenvolvimento dos dois é ótimo, e mesmo que a gente saiba só pela sinopse que vai rolar um sentimento ali, eles simplesmente não são adolescentes típicos.

Alias, é justamente o fato de serem tão singulares que acabará com suas vidas.

Atenção: O Ceifador causa dependência. Os conflitos são tão imprevisíveis que você não tem escolha, a não ser ficar acordado a noite toda lendo. O final não tem um super gancho, mas dá espaço pra uma continuação que já está na minha lista de desejados!

 

xoxo e boa semana!

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Desi Bibliotecando part. 1

Olá leitores,

Hoje venho com um post um diferentão. Essa semana fiz uma parceria muito legal com quatro bibliotecas dos SESIs aqui da minha região (Nárni… digo, Campinas – SP e cia) e pude indicar novos títulos para suas estantes.

Como vocês devem imaginar, cada biblioteca recebe uma verba destinada a adquirir novos livros (o sonho de qualquer um aqui) e eu tive a honra de compartilhar opiniões e indicações! O objetivo era encontrar livros incríveis e especiais para o publico jovem, coisa que gosto bem pouco de fazer.

Quem me acompanha nas redes sociais sabe que tive a chance de ir em algumas escolas SESI conversar com os alunos, falar sobre meu livro, meus hábitos de escrita e basicamente surtar um pouquinho dando dicas de leituras.

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Como já fui in loco, pude bisbilhotar xeretar ver mais ou menos que séries cada já biblioteca tinha e então partir daí. Depois disso veio a parte legal, buscar nas minhas estantes entre novidades e livros pouco conhecidos os que eu achava que os alunos mais gostariam. Sério, não tem nada melhor do que indicar livros pra outros leitores. (A não ser comprar mais livros.)

Sim, me empolguei, como vocês já podem ter imaginado e reuni 24 indicações, tanto de livros únicos quanto séries, que irei dividir em dois posts. Esse primeiro vai mostrar os livros com uma pegada mais fantástica e sobrenatural, e o próximo vai trazer romances, tanto contemporâneos quanto de época e fantasiosos.

Espero que gostem e não deixem de dar suas próprias indicações!

Trilogia Grisha – Leigh Bardugo; ed. Gutenberg (resenha aqui)

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Trilogia do Abhorsen – Garth Nix; ed. Rocco  (resenha aqui)

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Três Coroas Negras – Kendare Blake; ed. Globo Alt (resenha aqui)

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Minha Lady Jane – Cynthia Hand, Brodi Ashton e Jodi Meadows; ed. Gutenberg

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A Rainha de Tearling – Erika Johansen; ed. Suma das Letras ( resenha aqui)

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Enraizados – Naomi Novik, ed. Fantástica

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As Crônicas Lunares – Marissa Meyer, ed. Rocco (resenha aqui)

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Série Trono de Vidro – Sarah J. Maas, ed Galera Record (resenha aqui)

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Série Feios – Scott Westerfeld, ed. Galera Record

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A Menina Mais Fria de Coldtown – Holly Black, ed. Novo Conceito (resenha aqui)

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Trilogia Never Sky – Veronica Rossi, ed. Rocco (resenha aqui)

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Série Academia de Vampiros – Richelle Mead, ed. Agir

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O Ceifador – Neal Shusterman, ed. Seguinte (resenha aqui)

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Se você é aluno de algum SESI aqui da minha região, de nada 😉 Se não, sinta-se livre, leve e solto para passar meu contato (desigusson@gmail.com) pra sua bibliotecária, que terei o maior prazer em montar uma lista personalizada!

xoxo

 

Crooked Kingdom – Leigh Bardugo

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  •    Autor: Leigh Bardugo
  •    Editora: Henry Holt and Co.
  •    Nº de Páginas: 536
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2016
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 9,5

Cuidado humano, a não ser que você saiba quais os riscos de ingerir ‘parem, aconselho que mantenha distancia deste post!

Bem-vindo ao mundo grisha.
Depois de efetuar um golpe aparentemente impossível na infame Corte do Gelo, o prodígio do crime Kaz Brekker sente que nada poderá detê-lo. Mas sua vida está prestes a ter uma perigosa reviravolta—e com amigos que estão entre os mais mortais marginais na cidade de Ketterdam, Kaz vai precisar contar com mais do que pura sorte para sobreviver nesse submundo implacável. (Tradução livre, leve e solta)

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Olha, uma coisa que vocês deveriam saber antes de chegar perto de qualquer livro de Leigh Bardugo: ela come corações no café-da-manhã.

Essa mulher não tem problema nenhum, aliás eu acho que ela até gosta, de atormentar e esmigalhar os sentimentos de seus leitores. Não era pra ela gostar da gente? “Que espécie de amor é esse Leigh?! Eu me dediquei tanto a você e é assim que você retribui??”

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Desculpa. É demais pra mim.

E ainda assim a louca aqui adora tudo o que ela escreve. Pois é, não posso evitar. E, cara, Crooked Kingdom é uma obra prima.

Ok, vamos falar da continuação de Six of Crows e talvez assim vocês entendam um pouco mais meu drama:

Eles conseguiram o impossível, agora precisam viver com as consequências disso…

A espera pelo que viria após a conclusão de Six of Crows me deixou maluca por meses. O ritmo é uma corrida alucinante de acontecimentos, mesmo sendo um livro enorme, que não acaba nunca! Uma verdadeira montanha russa de sentimentos, que te leva a comemorar cada pequena vitória e querer gritar quando as coisas dão errado. Tiros, correria, vingança, tramas, criminosos, amor, desespero, arrependimentos, coragem, magia e mais tiros. E é tanta coisa que o Kaz não consegue controlar, por mais que ele tente… (pausa para a blogueira se recompor).

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Falando em Kaz, Inej sempre vem logo em seguida. Eu realmente gosto muito de todos os personagens, Bardugo não poderia ter criado um grupo mais heterogêneo nem se tentasse, mas Inej e Kaz pra mim são a cereja desse bolo de arco-íris e pedaços de unicórnios. Se você prestar bastante atenção, pode ouvir o exato momento onde seu coração se parte por eles. Das infâncias arruinadas ao presente COMPLICADO, nada acontece como já estamos acostumados nos outros livros YAs.

Aliás, a qualidade da escrita e enredo é bem mais do que vemos na maioria dos YAs. Esse não é o seu livro “podia estar matando, podia estar roubando, mas estou lendo”. Não é o seu livro “acabou a bateria do celular na fila do banco”. Esse é do tipo “não fale comigo, não olhe pra mim, não respire perto de mim porque estou lendo”, aquele que envolve desde a primeira página e, quando você finalmente se dá conta, ele já tomou conta do seu ser. Sou apaixonada pela Leigh desde Sombra e Ossos, mas ela é a prova viva de que o que está bom sempre pode melhorar. Não há medo de ser poético, de ser profundo e brutal aqui.

Terminei essa viagem sem acreditar que era o fim e agora não sei se quero ser uma grisha ou acrobata quando crescer, mas posso te garantir que você vai se apaixonar pelas duas!

E sim, eu sei que é uma duologia, mas PELO AMOR DOS DEUSES! Não pode acabar assim, não é aceitável, não é humano!!

Tudo dói e eu estou morrendo. 🙂

O Novo IYRDIW, Desi Gusson!

Oi gente, a Desi aqui.

Alguns de vocês me conhecem por Andh, Andhromeda ou Desirée, somos todas a mesma pessoa. Piradas, hiperativas, preguiçosas, mas a mesma. Seis anos atrás comecei o que seria um dos capítulos mais importantes da minha vida: o blog Insonia, You’re Doing it Wrong. O IYRDIW.

Ele surgiu como a forma de uma garota de 19 anos extravasar suas opiniões sobre os livros que lia. O blog foi aumentando, o canal no YouTube veio complementar e várias parcerias e amizades foram firmadas. Mas, com o passar do tempo, o interesse diminuiu. Não vou mentir, a “adultice” bateu forte e aquilo que antes era uma prioridade acabou ficando de lado.

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Apenas ano passado, quando a oportunidade de publicar meu bebê apareceu, que comecei a reviver aquela vontade de retomar meu blog querido. Porém, cada resenha postada parecia um sacrifício, como se eu tivesse perdido a mão, como se aquele paranauê que fazia o IYRDIW ser o IYRDIW já não existisse mais.

Demorei pra entender, mas não sou mais a mesma garota de meia década atrás, minha vida muito desde lá, então nada mais natural que o IYRDIW mudar comigo. Seu novo título é mais versátil, como os assuntos do blog. Não vou tratar só de resenhas (as resenhas e gifs são pra sempre!), mas da Desirée escritora também, com técnicas de escrita e leitura, erros e acertos literários e principalmente, quero conversar mais com vocês, saber suas histórias e interesses. Saber o que os tornam os leitores que são hoje.

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Por isso conto com você, caro leitor, pra interagir e compartilhar, trocar figurinhas e shippar loucamente como se não houvesse amanhã comigo.

 

Bem-vindos ao Desi Gusson. 😉

 

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O Príncipe Corvo – Elizabeth Hoyt

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  •    Autor: Elizabeth Hoyt 
  •    Editora: Record
  •    Nº de Páginas: 350
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: The Raven Prince
  •    Tradutor: Ana Resende
  •    Avaliação: 9,0 

Se você é verde como o verão (menor de idade) vá ler outra coisa, ok?

Anna Wren está tendo um dia difícil. Depois de quase ser atropelada por um cavaleiro arrogante, ela volta para casa e descobre que as finanças da família, que não iam bem desde a morte do marido, estão em situação difícil. 
Em que ela deve fazer o inimaginável… 
O conde de Swartingham não sabe o que fazer depois que dois secretários vão embora na calada da noite. Edward de Raaf precisa de alguém que consiga lidar com seu mau humor e comportamento rude. 
E encontrar um emprego. 
Quando Anna começa a trabalhar para o conde, parece que ambos resolveram seus problemas. Então ela descobre que ele planeja visitar o mais famoso bordel em Londres para atender a suas necessidades “masculinas”. Ora! Anna fica furiosa — e decide satisfazer seus desejos femininos… com o conde como seu desavisado amante.

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Querido leitor, antes de qualquer coisa você deve saber que li esse livro em uma noite só, e que agora me encontro incapaz de agir normalmente, provavelmente porque tenho corações no lugar dos olhos e uma overdose de romantismo. Vou tentar explicar de forma coerente a razão para esse ser meu mais novo romance “água com açúcar”, mas a chance maior é de falhar miseravelmente.

Vamos lá:

Acho que a primeira coisa que podemos dizer sobre O Príncipe Corvo é que a protagonista não é uma virgem indefesa. Não sou nenhuma especialista em romances de banca (só tenho fases em que leio 10 de uma vez), mas todos, TODOS que li até agora tinham como heroínas garotas espirituosas porém inocentes, que precisavam ser guiadas a cada passo.

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Outra coisa, tanto Anna quanto Edward já passaram dos 30 e nenhum dos dois é cover de modelos de passarela. São sensuais a sua maneira, mas quantos mocinhos você conhece nesses livros que não são perfeitamente lindos de morrer??? Eu te desafio, leitor!

Ambos tem problemas palpáveis e passados sombrios, mas não ficam de mimimi e, logo de cara, enxergam qualidades um no outro que passaram despercebidas pelo resto do mundo. Principalmente pelo falecido marido idiota de Anna. Sim, é possível odiar um personagem postumamente.

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E por último, mas não menos importante, eu achei G-E-N-I-A-L a parte que a Anna resolve ir atrás de “aliviar suas necessidades”. Pois é, pois é, o livro se passa em pleno séc. XVIII e nossa heroína vai para um bordel famosíssimo escolher um cara pra… se conhecerem melhor. Tipo, muito melhor. Eu sou dessas que simplesmente abomina a ideia de prostituição, principalmente a coisa terrível e exploratória mostrada por algumas personagens do livro, mas a ideia de uma mulher se permitir ter esse tipo de desejo e ainda por cima agir para satisfazê-lo é incrível num livro de época. Quem aqui não tinha lido várias e várias vezes que ‘libertinagem’ era coisa de menino? E quantos heróis não tinham um verdadeiro cartão de fidelidade nas casas de prazer antes de conhecerem suas musas? Anna ganhou seu lugar em meio as minhas personagens favoritas e vou defende-la.

Mas não só de ‘aliviar necessidades’ se faz esse livro. Temos romance romântico, daquele de dar inveja. Temos uma vilã que chega a dar pena, de tão egocêntrica que é. Temos o núcleo familiar de Anna, com sua sogra e a jovem que acolheram, que é simplesmente inspirador demais para passar batido. E temos, principalmente Anna e Edward que são pessoas incríveis, de um jeito pouco convencional, mas que me levaram a me apaixonar perdidamente pela história e pela escrita da autora. Ah, mencionei que no começo de cada capítulo tem trechos de uma outra história? Anna encontra um livro, o que dá o nome para a nossa história, e começa um lindo jogo com o conde…

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Os detalhes são mágicos e os personagens bem reais. Pra mim, além de amor, essa é uma história sobre preconceito e a habilidade de ver através da casca. O Príncipe Corvo elevou meus padrões para a “literatura de banca” e com certeza me deixou querendo mais. #sóvem O Príncipe Leopardo!

 

xoxo e boa semana!

 

The Young Elites (Jovens de Elite) – Marie Lu

 

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  •     Autor: Marie Lu 
  •    Editora: Putnam
  •    Nº de Páginas: 368
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2014
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –
  •    Avaliação: 8,0

Bestseller do The New York Times com excelente repercussão entre público e crítica, Jovens de Elite é o primeiro de uma série de fantasia ambientada na era medieval e protagonizada por jovens que desenvolvem estranhas cicatrizes e poderes especiais ao sobreviverem a uma febre que dizimou boa parte da humanidade. Entre eles está Adelina, que, após se rebelar contra o destino imposto a ela por seu pai, encontra um novo lar na sociedade secreta Jovens de Elite, vista por alguns como um grupo de heróis, por outros como seres com poderes demoníacos. Heroína ou vilã? Num mundo perigoso no qual magia e política se chocam, Adelina descobre o lado sombrio de seu coração. Da mesma autora da aclamada trilogia Legend, Marie Lu, Jovens de Elite é o início de uma saga arrebatadora. Perfeita para fãs de histórias de fantasia medieval como Game of Thrones, com vilões dignos de X-Men.

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Conheçam Adelina Amouteru, a Anakin Skywalker de Kenettra.

Sabe aquele personagem que tem potencial, poder e pessoas o apoiando… mas mesmo assim vai pro lado negro da força? Essa é a Adelina, e talvez ela não tenha muita escolha. Ok, todo mundo tem uma escolha, nem que seja parar de respirar, mas seremos razoáveis aqui quando entrarmos nesse universo sombrio de ódio, perseguição e desconfiança.

Nada é branco e preto, ninguém é bom ou mau. É simplesmente complicado demais.

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Adelina não é uma boa pessoa. Vocês podem até estranhar isso, como uma mocinha não é boa? A resposta: sendo humana. Sério gente, eu não gostei dela, mas não por ter sido um personagem superficial, artificial, muito pelo contrário! Essas falhas de caráter, as decisões que não estão no ‘código de honra’ previamente estabelecido no mundo literário pelo qual nossas heroínas baseiam suas ações, são extremamente humanas. Sim, já vimos protagonistas inescrupulosas antes, que começam ao lado dos caras maus, mas que percebem seus erros e passam a ter atitudes altruístas e corajosas. Adelina tem alguma coragem, mas lhe falta a ferocidade para se defender, e toma um numero de decisões duvidosas movida pelo medo e pela raiva.

Aliás, medo e raiva são palavras chave para ela, são a fonte de seu poder e ela A-DO-RA chafurdar neles. Ela tem boas intenções até, só que gosta mais de causar medo e alimentar sua raiva do que ser gentil. Resumidamente Adelina não é nobre, prepare-se para ver alguém jogar sujo, e talvez você a ame por isso. Os deuses e anjos sabem o quanto ela precisa de amor.

Isso nos leva aos relacionamentos no livro e aos outros personagens tão imprevisíveis quanto ela. Pensem num livro que te deixa arrepiada, de tão bem feito! Sério gente, a blogueira aqui está até agora digerindo tudo o que aconteceu e não se sente preparada para falar sobre o final.

Eu simplesmente não sei lidar!!

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Temos Violetta, a irmã caçula que é muito amada por todos (ninguém mais que Adelina), mas ainda assim sempre virou o rosto para os abusos cometidos pelo pai contra a irmã mais velha. Temos Enzo, o #sexydemaisparaoprópriobem líder da Sociedade da Adaga, que mantém seu sentimentos e reais intenções tão escondidos que talvez nem ele saiba. E temos Rafaelle, provavelmente o homem mais bonito que jamais existiu, e um exemplo de relacionamento sem romance com a mocinha. Mas quem sabe distinguir verdade de mentira quando elas saem de lábios tão treinados?

Toda a ação que me viciou em Legend me encontrou novamente em TYE, mas de uma forma muito mais obscura e sexy e brilhante, e há também o vilão complexo! Eu falei do vilão complexo? Aquele tipo que você pode até não gostar, mas simpatiza, porque ele merece ser amado! Como vocês vão lidar??? nãotemcomo

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As cidades de Kenettra são o cenário para essa mistura de Renascença com X-Men maravilhosamente construída. Você consegue ver as pessoas, os edifícios e os detalhes. Terminei a leitura atordoada pelo tiro que foi o final, e aconselho que vocês tenham a continuação em mãos quando forem ler. A espera seria impossível de aguentar.

 

xoxo e bom começo de semana

A Rainha de Tearling – Erika Johansen

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  •   Autor: Erika Johansen 
  •   Editora: Suma das Letras
  •    Nº de Páginas: 352
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: The Queen of the Tearling
  •    Tradutor: Cássio de Arantes Leite
  •    Avaliação: 10 10 10 10 10

Quando a rainha Elyssa morre, a princesa Kelsea é levada para um esconderijo, onde é criada em uma cabana isolada, longe das confusões políticas e da história infeliz de Tearling, o reino que está destinada a governar. Dezenove anos depois, os membros remanescentes da Guarda da Rainha aparecem para levar a princesa de volta ao trono – mas o que Kelsea descobre ao chegar é que a fortaleza real está cercada de inimigos e nobres corruptos que adorariam vê-la morta. Mesmo sendo a rainha de direito e estando de posse da safira Tear – uma joia de imenso poder –, Kelsea nunca se sentiu mais insegura e despreparada para governar. Em seu desespero para conseguir justiça para um povo oprimido há décadas, ela desperta a fúria da Rainha Vermelha, uma poderosa feiticeira que comanda o reino vizinho, Mortmesne. Mas Kelsea é determinada e se torna cada dia mais experiente em navegar as políticas perigosas da corte. Sua jornada para salvar o reino e se tornar a rainha que deseja ser está apenas começando. Muitos mistérios, intrigas e batalhas virão antes que seu governo se torne uma lenda… ou uma tragédia.

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Sim, eu sei que tenho uma lista de livros a serem lidos infinita, já fiz as pazes com isso. Tento ler o máximo de títulos possível e só de pensar em reler algo me dá um peso na consciência, mas estou tão feliz de ter relido A Rainha de Tearling que acho que nem consigo explicar! Eu amei essa história quando a li pela primeira vez anos atrás, e hoje só serviu pra deixar claro para mim como ela é maravilhosa.

O livro narra a história de Kelsey, uma princesa prestes a subir ao trono. Mas, veja bem, ela não a sua princesa comum do dia a dia (coisa que só existe pra gente que lê muita fantasia). Pra começar ela é feia. Ok, não feia horrorosa, mas ela é descrita por todos e ela mesma como sem graça, está longe de ser atlética e comum. Ela poderia ser a camponesa na multidão, que nunca seria confundida com uma rainha.

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Mas Kelsey é inteligente, tem uma paixão por livros que torna difícil não nos identificarmos, é teimosa como uma mula e, principalmente: tem coragem suficiente pra colocar o mundo inteiro de volta nos eixos. Essa vontade férrea será imprescindível se ela quiser fazer algo que preste em Tearling. Isso, é claro, se ela sobreviver pra chegar ao trono… só que esse é um assunto pra depois.

Já mencionei que esse livro é uma distopia?

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Sim, pode deixar o queixo cair à vontade. Tearling, Mortmesne e outros reinos vizinhos foram acessados por mar séculos antes de nossa história começar, por ninguém menos que sobreviventes da America, Europa e Africa, terras supostamente devastadas e inabitáveis. Só que os sobreviventes que fizeram a Travessia não queriam absolutamente nada com a tecnologia que destruiu seu mundo, então agora temos uma sociedade medieval, com poucos recursos e boatos sobre magia e vidência.

Como não amar?

O livro é cheio de parágrafos extensos com os pensamentos de personagens secundários. Talvez você tenha vontade de pular essas partes pra chegar logo nos momentos de tirar o folego que estão por toda a parte, mas calma, tem muitos detalhes nesses pensamentos, detalhes que nos ajudam a entender melhor essa sociedade que se parece muito com a nossa e ao mesmo tempo é bem diferente. Também, no começo de cada capítulo, tem uma passagem de algum livro de história DO FUTURO relatando os acontecimentos que estamos lendo. Dá pra entender? Se a autora não fosse tão f@d# a gente teria uma chuveirada de spoilers, mas não! Só serve pra deixar o coitado do leitor mais maluco de curiosidade ainda!

Mas voltando a Kelsey, uma das minhas rainhas favoritas de todos os tempos, e a quantidade absurda de gente que a quer morta. Bom, com essa informação você poderia pensar que simplesmente não vale a pena se expor e praticamente pintar um alvo gigante nas próprias costas. Só que, além da determinação impressionante mencionada acima, Kels pode contar com o apoio da sua família. E não, não estou falando de parentes consanguíneos, porque esses encabeçam a lista de gente prontinha pra apagar a garota do mapa. A família de Kels foi buscá-la em seu esconderijo, para traze-la de volta a capital e garantir que suba ao trono. Sua Guarda da Rainha. Um pequeno batalhão de homens habilidosos escolhidos a dedo, muito tempo atrás, para darem suas vidas pela soberana. Um detalhe, depois de conviverem com a antiga rainha, Elyssa, todos eles esperavam uma garotinha mimada e cabeça oca como a mãe. Só que eles não esperavam por Kelsey, alguém digno de respeito e devoção, e passaram a protege-la não por dever, mas por amor.

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A dinâmica entre eles é tocante, a maioria tem idade para ser pai dela, mas quando a garota prova seu valor não há limites para o que farão por ela.

O livro é permeado por personagens coadjuvantes, cada um com uma história tão complexa quanto a de Kels, o que dá uma sensação de imersão maravilhosa. Me senti parte da história, completamente hipnotizada! A edição brasileira ficou ótima, e não censurou o linguajar mais pesado que aparece de vez em quando. Não curto ler palavrões (apesar de ser adepta ao uso no dia a dia, caso surja oportunidade), mas eles não ficaram cansativos aqui, e complementaram as cenas.

Então, se você gosta de fantasia, distopia, rainhas, intrigas, gente incrível, gente maravilhosa, gente f#d@ esse é o livro para a sua vida!

xoxo e bom finzinho de semana

And I Darken (Filha das Trevas) – Kiersten White

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  •    Autor: Kiersten White
  •    Editora: Delacorte Press
  •    Nº de Páginas: 475
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2016
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 9,5

Lada Dragwlya e o irmão mais novo, Radu, foram arrancados de seu lar em Valáquia e abandonados pelo pai – o famigerado Vlad Dracul – para crescer na corte otomana. Desde então, Lada aprendeu que a chave para a sobrevivência é não seguir as regras. E, com uma espada invisível ameaçando os irmãos a cada passo, eles são obrigados a agir como peças de um jogo: a mesma linhagem que os torna nobres também os torna alvo.
Lada despreza os otomanos. Em silêncio, planeja o retorno a Valáquia para reclamar aquilo que é seu. Radu, por outro lado, quer apenas se sentir seguro, seja onde for. E quando eles conhecem Mehmed, o audacioso e solitário filho do sultão, Radu acredita ter encontrado uma amizade verdadeira – e Lada vislumbra alguém que, por fim, parece merecedor de sua devoção.
Mas Mehmed é herdeiro do mesmo império contra o qual Lada jurou vingança – e que Radu tomou como lar. Juntos, Lada, Radu e Mehmed formam um tóxico e inebriante triângulo que tensiona ao limite os laços do amor e da lealdade.
Sombrio e devastador, este é o primeiro livro da mais nova série de Kiersten White. Cabeças vão rolar, corpos serão empalados… e corações serão partidos. (Sinopse retirada da edição brasileira)

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Essa é a história de uma garota (não contem  isso pra ela) feia e feral que queria ser dona do próprio nariz, seu irmão lindo e fraco que só queria ser enxergado e de seu amigo perfeito, o centro de suas vidas.

And I Darken se passa no Império Otomano de 1450, uma tribo nômade que em 200 anos ergueu uma das maiores forças da terra. Num mundo onde homens usavam a força e mulheres a beleza, nossos protagonistas tem seus atributos trocados, e precisam penar muito pra conseguir sobreviver assim. Esse livro mexeu comigo de formas diferentes do que geralmente livros épicos mexem, fiquei tão encantada, tão hipnotizada por seus personagens que, quando acabei, não sabia o que fazer. Sim, a ambientação é maravilindagold, e tem muita coisa ali que aconteceu de verdade. Mas essa releitura de Vlad, o Empalador e Radu, o Belo é perfeita justamente por eles.

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Não espere um livro rápido, com passagens velozes o tempo todo. A história conta a formação de Lada e Radu através dos anos e leva seu tempo para isso. Hora ficamos entremeados em vários capítulos sobre uma mesma situação, hora compartilhamos o choque de Lada com mudanças bruscas nos acontecimentos.

Radu tem um complexo desde muito pequeno, ele tem medo de ser esquecido e acha que todos os deixam de lado. Apesar de muitas vezes ao longo do livro a autora o apresentar como alguém inocente, acho Radu bem pior que Lada e Mehmed juntos  (e olha que eu queria passar uns minutinhos com Mehmed pra explicar na marra como garotas funcionam). Radu aprende rapidinho a usar sua beleza e língua açucarada para conseguir se safar de praticamente qualquer coisa, ele fica feliz com a desgraça alheia (até de gente que ele supostamente ama) se isso for de encontro com seus interesses e, mesmo sabendo que jamais poderá ter o que quer ele condena a própria irmã a infelicidade só para ela também não ter o que queria e fica feliz com isso. Radu fala diversas vezes que Lada é incapaz de amar, mas pra mim o incapaz é ele.

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Gritando internamente

Eu não esperava por um livro assim e, depois de estranhar no começo, me rendi. Lada tem uma coisa que a diferencia de todas as outras protagonistas que querem ser guerreiras. Enquanto a maioria é retratada como cabeças duras que desde cedo treinaram e mostravam seus talentos e eram reconhecidas rapidamente, a história de Lada é uma jornada desde sua infância feroz e arredia, porém muito inteligente, passando por muitos momentos de incerteza sobre o que esperar de si mesma quando todos claramente não esperavam nada. O caminho para encontrar uma medida de liberdade num mundo feito para homens e a angústia de não ser ouvida, ainda que tão capaz. Ela teve tantas oportunidades de encontrar uma forma ou outra de poder, mas nenhuma era suficiente pra acalmar sua alma, pois todas as alternativas apresentadas não se encaixam no seu ideal. Ela queria poder, não sobre os outros, mas sobre si mesma e sem ter que depender de ninguém para isso. Ela queria poder por inteiro.

Mas mesmo assim nao consigo ver Lada como alguém ganancioso. Ela sempre teve as escolhas na sua vida feitas por outras pessoas, e o medo de ser forçada ao que seria a última submissão, aquela que acabaria de vez com qualquer esperança de liberdade, a fez ter medo de ser mulher.

Acho que também por isso achei Lada tão singular. As outras mocinhas guerreiras seguem um molde de evitar feminilidades por achar que lutar de saias pode não dar muito certo. Lada é aterrorizada pelo fato de ser mulher e por isso ter a possibilidade de um casamento a qualquer momento que convenha aos homens que controlam sua vida. Ela viu de perto o que o casamento com seu pai fez com sua mãe, conheceu esposas e concubinas em haréns e sabe que não suportaria virar parte da decoração.

E por último, apesar da personalidade cruel, impetuosa e quase animal dela, Lada ainda foi capaz de tomar decisões muito difíceis ao longo do livro que iam completamente contra os desejos de seu coração. Acho que nunca vi uma personagem tão forte e tão admirável.

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Lada pode não ser linda assim, mas nem por isso é menos diva

Se você está afim de um livro diferente, com ação, romance e muitas reflexões, nem precisa procurar mais. A continuação vai sair logo, logo, mas eu ainda estou naquela vibe de cimitarras, véus, castelos medievais e príncipes de olhos negros.

Não sei se conseguiria escolher. Só sei que queria ser mais como Lada Dracul.

Três Coroas Negras – Kendare Blake 

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  •    Autor: Kendare Blake
  •    Editora: Globo Alt
  •    Nº de Páginas: 304
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: Three Dark Crows
  •    Tradutor: Alexandre D’Elia

   Avaliação: 8,5

Três herdeiras da coroa, cada uma com um poder mágico especial. Mirabella é uma elemental, capaz de produzir chamas e tempestades com um estalar de dedos. Katharine é uma envenenadora, com o poder de manipular os venenos mais mortais. E Arsinoe é uma naturalista, que tem a capacidade de fazer florescer a rosa mais vermelha e também controlar o mais feroz dos leões.

Mas para coroar-se rainha, não basta ter nascido na família real. Cada irmã deve lutar por esse posto, no que não é apenas um jogo de ganhar ou perder: é uma batalha de vida ou morte. Na noite em que completam dezesseis anos, a batalha começa.

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Essa é a história de três rainhas que competem para ser A Rainha. Isso, a letra maiúscula faz toda a diferença, significa estar viva. Elas passam a vida inteira treinando para, quando o rito da Aceleração chegar, estar livres para trucidar umas as outras. Adorável, não?

Logo de cara somos apresentados a uma tonelada de termos e particularidades da ilha onde se passa a história, o que seria muito mais fácil de visualizar se um bendito mapa estivesse presente… mas não, mais uma vez uma edição nacional acha que o mapa da versão original é decor. Fico muito perturbada com isso, mais do que já sou!

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TCN alterna entre o ponto de vista das irmãs e alguns outros personagens, vamos aprendendo cada vez mais sobre cada uma. E aprendendo a gostar de cada uma também. Sim, do contra que sou eu tinha que escolher uma favorita, e justo a mais fraca do trio.

Arsinoe (olha que nome poder) é a rainha naturalista. Forte, cínica, decidida, desencanada de aparências, ácida de fazer sua pálpebra tremer e…sem um pingo da dádiva. E, como se não bastasse, sua melhor amiga é a mais forte naturalista de todos os tempos. Enquanto os outros naturalistas da ilha tem poder suficiente pra atrair pássaros e cães como Familiares (uma espécie de companhia animal) o Familiar da moça é um puma! UM PUMA.

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Selo de qualidade Chuck Norris

Mas Arsinoe não tem inveja da amiga Jules, que é mais irmã que as outras rainhas. Ela sente que é inevitável morrer no próximo ano, já que não consegue reunir magia suficiente nem pra fazer uma folha cair de uma arvore. Pra cuidar de Jules Arsinoe conta com Joseph, amigo das duas desde criança e o amor da vida da garota poderosa. Agora, não vou entrar em detalhes, mas se vocês por ventura lerem Três Coroas Negras, com certeza vão querer esfolar Joseph vivo. Entrem na fila.

A rainha Katherine é uma envenenadora no mínimo decepcionante. Ok, a garota tem talento para criar venenos, mas meio que para por aí. Ela é vitima constante das irmãs Arron, as chefes da casa envenenadora que a acolheu e figuras importantes no Conselho Negro, o poder da ilha. Elas só querem treiná-la para ser mais forte e poderosa e, principalmente, sobreviver ao Ano da Ascensão para se tornar A Rainha, a quarta envenenadora consecutiva. Só que o treinamento significa horas de exposição ao mais diversos venenos e nem uma refeiçãozinha sequer sem toxinas paralisantes. O resultado é uma Katherine mirrada e cheia de cicatrizes de pústulas e picadas de cobra, deu muita dó.

Oh, espere. Acabei de perceber que eu não ligo

Oh, espere. Acabei de perceber que eu não ligo.

Mas não o suficiente. Ainda prefiro Arsinoe.

 

E por fim temos Mirabella. A perfeita rainha Mirabella. Forte como nunca se viu, capaz de atrair tempestades, causar terremotos e dançar com fogo, ainda por cima é linda de morrer e tem todos a seus pés. O Templo, a autoridade religiosa, já a considera vencedora e não esconde de ninguém seu total apoio. Ela tem do bom e do melhor, ótimas amigas e a admiração de todos. E é claro que ela não está contente, a irritante. Por favor, não me julguem por ser implicante, eu sei que ela é cheia das boas intenções. Mas só alguém que teve tudo  de bandeja poderia pensar como Mira, ela não passou os últimos dez anos ouvindo como a outra irmã era poderosa e linda e como ela não iria viver para completar 17 anos. Ainda por cima ela faz uma coisa que, mesmo não sendo tão culpa dela, não ajudou em nada minha antipatia.

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Sou time Arsinoe e pronto.

Depois de feitas as apresentações foi aí que a história engatou. Conforme a Aceleração se aproximava, a própria narrativa também ia mais rápido e mais coisas decisivas aconteciam. Depois de um começo meio lento, foi revigorante e aproveitei muito mais a leitura assim.  Fiquei obcecada com a mitologia criada sobre a ilha, algo que me lembrou muito Avalon, e ainda não consigo parar de pensar no que pode acontecer no próximo volume. Minha cabeça deu tantas voltas criando teorias sobre o final desse que, quando aliados e inimigos inesperados mostraram a cara, quase morri do coração.

Tiro meu chapéu para Blake, não esperava esse livro, e agora preciso de ajuda para sobreviver até o lançamento do próximo. Nossa, é quase como ser uma das rainhas esperando o fim do Ano da Ascensão…

xoxo e boa semana!

P.S.: Só uma curiosidade sobre os nomes das irmãs. Mirabella é de origem italiana e significa maravilhosa. Katherine vem do grego e significa pura. Já Arsinoe também é grego, muitas governantes macedônias e egípcias tinham esse nome, inclusive a irmã mais nova de Cleópatra que, por acaso (ou não), foi assassinada pela irmã por apresentar uma ameaça a sua pretensão ao trono. Arsinoe significa ‘mulher de mente elevada’. Acho que já sei qual o nome da minha futura filha 😀

A Court of Wings and Ruin (Corte de Asas e Ruína)- Sarah J. Maas  

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  •    Autor: Sarah J. Maas
  •    Editora: Bloomsbury
  •    Nº de Páginas: 704
  •    Edição: 1
  •    Ano: 2017
  •    Título Original: –
  •    Tradutor: –

   Avaliação: 9,5

Feyre retornou a Corte da Primavera determinada a recolher informações sobre as manobras de Tamlin e o rei invasor que ameaça colocar Prythian de joelhos.  Mas para isso ela precisa jogar um mortal jogo de mentiras -e um escorregão pode significar a ruína não só de Feyre, mas de seu mundo também.
Enquanto guerra paira sobre todos, Feyre deve decidir em quem confiar entre os deslumbrantes e letais Lordes – e caçar aliados em lugares inesperados.
Nesse emocionante terceiro livro da série de Sarah J. Maas, best-seller nº1 do New York Times e USA Today, o solo será pintado de vermelho enquanto poderosos exércitos lutam por algo que pode destruir a todos. (tradução cubalibre)

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Eu sabia, sabia já pelo título que esse livro seria minha ruína… e mesmo assim amei cada parte dele.

Do desenrolar dos personagens a todos os acontecimentos impactantes, esse pra mim é o melhor livro da saga até agora! Funcionou como um encantamento para a minha falta de vontade de ler (sim, socorro, nunca mais quero passar por isso!) e fiquei obcecada. Até aí nada fora do comum nas minhas leituras de Sarah J. Maas. Só que esse livro, meu bom povo, esse livro é insano! As coisas que eles fazem, os aliados que aparecem, os inimigos que aparecem!! Fiquei um dia inteiro bem incoerente depois de terminar de ler, simplesmente não conseguia formular nem uma frasezinha sequer para tentar explicar o que senti lendo ACOWAR.

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Talvez possa encaixar na crítica na forma como os personagens, nesse livro, ficaram muito parecidos com os personagens da série TdV. As situações são diferentes, mas a essência é a mesma. Ok, acho que posso parar por aqui até, e falando em personagens, adoro como os secundários tem suas próprias histórias acontecendo ao fundo. Vamos acompanhando o desenrolar de Mor, Azriel e Cassian mais pelas observações de Feyre do que por conversas e explicações.

Feyre… ah, Feyre. Quantos traseiros uma elfa poderosa, raivosa e determinada é capaz de chutar? A resposta: infinitos. Acho que não podia estar mais contente com a Feyre como fiquei nesse livro. Eu fico taaaaaaao frustrada quando uma personagem tem sua chance de se vingar, mas se segura por peninha ou porque não seria politicamente correto…

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A Feyre dá uma grande banana pra isso, e não perde a oportunidade de ser cruel. É revigorante, pra falar a verdade. Isso deve falar mais da minha personalidade do que da autora, mas ver gente ruim ser paga na mesma moeda foi bom. Também vale lembrar que é MUITO BOM ver uma garota que não se reprime mais pelos outros, uma garota que tomou as rédeas da própria vida e não vai pedir permissão para fazer o que achar certo. Uma High Lady, de fato.

O importante é que esse é um livro onde coisas realmente acontecem! Não fica aquela enrolação esperando o final pra aí algo grande aparecer. Não, o tempo inteiro temos situações que podem mudar o rumo da trama e, consequentemente, fiquei o tempo INTEIRO esperando dar uma m&r#@. Foi intenso.

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Agora preciso dizer que fiquei chocada em descobrir pessoas criticando duramente a Sarah por sua abordagem de depressão e a chamando de supremacista ariana por não ter diversidade de personagens. Tem até grupos de ódio, ódio gente, no meio de uma comunidade de leitores!

Não sou especialista em absolutamente nada, nem digo que concordo com cada palavra escrita por ela sempre, mas posso dizer por mim que achei a representação de casos de abuso, depressão e outras situações bem delicadas muito importante. Acredito que toda garota que leu, e não necessariamente gostou de Feyrisand (Feyre + Ryshand), pelo menos olhou mais criticamente para seus próprios relacionamentos. Admito que durante a leitura, principalmente por Feyre estar de volta a Corte do Tamlin, me peguei várias vezes tentando lembrar porque não gostava mais dele. Como na vida real, por vezes é difícil enxergar o que há de errado, e somente depois que entendemos que certas atitudes não podem ser toleradas que entendemos também como um relacionamento pode estar nos prejudicando. De um jeito ou de outro refletimos, e como autora, acho que qualquer livro que consiga isso é digno. Já vi tantos livros com casais terrivelmente abusivos tratados como uma coisa linda, e quando alguém resolve levantar uma bandeira contra esse tipo de porcaria, é vaiada. Que mundo, que mundo.

Quanto às acusações de supremacia, o que posso dizer sem spoilers é que Maas sambou na cara da sociedade. Ponto.

Então, pra quem queria romance, temos. Pra quem queria guerra, temos. Pra quem queria momentos de tirar o folego, temos também. Essa série tem seis livros previstos, com ACOWAR fechando um ciclo. Não poderia querer final melhor, mas confesso que meu coração, depois de tantas emoções fortíssimas (gente, tem coisas que acontecem no final que me fizeram chorar e gritar com o livro), fica meio triste em dizer adeus. Quero mais, vou querer sempre mais de Prythian.